quinta-feira, 30 de abril de 2026

REJEIÇÃO DE MESSIAS É VITÓRIA DA BAIXA POLÍTICA

Adriana Fernandes, Folha de S. Paulo

Davi marcou a sabatina de indicado de Lula para 'matar'

Presidente do Senado esperava acordo para indicar Rodrigo Pacheco ao STF

Festa na oposição bolsonarista e frustração na base governista. A derrota histórica que o presidente do SenadoDavi Alcolumbre, impôs ao presidente Lula é um divisor de águas.

Davi acreditava que tinha um acordo de bastidores com Lula para indicar o ex-presidente do Senado Rodrigo Pacheco para o Supremo Tribunal Federal após a indicação e aprovação do ex-ministro da Justiça Flávio Dino —hoje, o caçador de emendas parlamentares.

Davi nunca mudou de posição. Sempre foi contra Messias e avisou que tinha marcado a sabatina para "matar".

Convenceu os colegas de Senado de que essa era uma resposta altiva da Casa ao STF, que está em baixa na opinião pública e em uma crise com ministros envolvidos no escândalo do Master. Davi também tem ligações perigosas com o banco de Daniel Vorcaro e está incomodado com a ação da Polícia Federal no seu estado, o Amapá.

O governo que se virasse para conseguir os votos.

O presidente do Senado exortou a oposição: "Não me peçam para votar impeachment se perderem essa oportunidade." Em termos de resposta ao STF, rejeitar o nome de ministro é quase isso.

Dois fatores deixaram o senador indignado: a falta de sensibilidade para com Pacheco e o fato de Lula ter mandado a indicação sem combinar a data com ele.

Davi queria que Lula mandasse a indicação depois das eleições. Lula ignorou, assim como ignorou a sugestão do nome do Pacheco.

Do ponto de vista de Lula e do governo, é um revés forte em ano eleitoral e com uma pauta de projetos a ser aprovada no Congresso.

Mas é acima de tudo um monumento à baixa política, com o presidente do Senado querendo mostrar quem manda. Não tem nada a ver com valores, com orientações para ocupar uma cadeira na Suprema Corte.

Tem também oportunismo político dos governantes, com apreço pelo modelo de indicação de amigos para o Supremo. A única condição que deveria orientar a escolha seria optar por um jurista de boa qualidade. Virou agora ser alguém de confiança extrema do presidente de plantão.

A oposição sozinha não teria os votos para derrubar Messias.

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