Davi marcou a sabatina de indicado de Lula para 'matar'
Presidente do Senado esperava acordo para indicar Rodrigo
Pacheco ao STF
Festa na oposição bolsonarista e frustração na base
governista. A derrota
histórica que o presidente do Senado, Davi
Alcolumbre, impôs ao presidente Lula é um
divisor de águas.
Davi acreditava que tinha um acordo de bastidores com Lula
para indicar o ex-presidente do Senado Rodrigo
Pacheco para o Supremo Tribunal Federal após a indicação e aprovação
do ex-ministro da Justiça Flávio Dino —hoje, o caçador de emendas
parlamentares.
Davi nunca mudou de posição. Sempre foi contra Messias e
avisou que tinha marcado a sabatina para "matar".
Convenceu os colegas de Senado de que essa
era uma resposta altiva da Casa ao STF, que está em
baixa na opinião pública e em uma crise com ministros envolvidos no escândalo
do Master. Davi também tem ligações perigosas com o banco de Daniel Vorcaro e
está incomodado com a ação da Polícia Federal no seu estado, o Amapá.
O governo que se virasse para conseguir os votos.
O presidente do Senado exortou a oposição: "Não me
peçam para votar impeachment se perderem essa oportunidade." Em termos de
resposta ao STF, rejeitar o nome de ministro é quase isso.
Dois fatores deixaram o senador indignado: a falta de
sensibilidade para com Pacheco e o fato de Lula ter mandado a indicação sem
combinar a data com ele.
Davi queria que Lula mandasse a indicação depois das
eleições. Lula ignorou, assim como ignorou a sugestão do nome do Pacheco.
Do ponto de vista de Lula e do governo, é um revés forte em
ano eleitoral e com uma pauta de projetos a ser aprovada no Congresso.
Mas é acima de tudo um monumento à baixa política, com o
presidente do Senado querendo mostrar quem manda. Não tem nada a ver com
valores, com orientações para ocupar uma cadeira na Suprema Corte.
Tem também oportunismo político dos governantes, com apreço pelo modelo de indicação de amigos para o Supremo. A única condição que deveria orientar a escolha seria optar por um jurista de boa qualidade. Virou agora ser alguém de confiança extrema do presidente de plantão.
A oposição sozinha não teria os votos para derrubar Messias.

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