Votação secreta e comportamento de Alcolumbre alimentam
insegurança do placar
A ordem do dia no Senado, às vésperas da sabatina do
ministro da Advocacia-Geral da União, Jorge Messias, começou com queixas, da
tribuna às conversas ao pé do ouvido, de arbitrariedades no Supremo Tribunal
Federal. Minutos antes da abertura da sessão da tarde desta terça, o plenário
do Senado registrava 56 senadores. Ainda que houvesse outros oito na Casa, que
ainda não haviam registrado presença, outros dez ainda precisavam desembarcar
em Brasília até esta quarta para que a sessão que vai deliberar a indicação de
Messias para o STF fosse aberta com o quórum de 78 votos que garantiriam uma
margem de segurança para a votação.
A operação cata-senador colocou no plenário
da Casa ainda na terça, por exemplo, Flávio Arns (PSB-PR), cuja ausência de
Brasília, por motivo de saúde, era dada como certa pelos oposicionistas. A
participação remota dos senadores na inquirição dos indicados tem sido
franqueada pela mesa diretora na CCJ, mas a votação, tanto na comissão quanto
no plenário, exige presença.
A insegurança governista refletia-se nos placares que, no
início da tarde desta terça, circulavam no Senado e no Supremo e variavam entre
36 e 39 votos assegurados. Aquém, portanto, dos 41 exigidos para a aprovação.
No fim do dia, as contas mais seguras indicavam 32 votos contrários, o que
daria um teto de 49 votos favoráveis. Este cenário é tanto mais favorável
quanto se não houver derrapada na sabatina da CCJ, onde Messias precisa de 14
dos 27 votos, a serem mais facilmente obtidos do que os do plenário.
Governistas dividiam-se entre aqueles que confiavam no aval
da Casa e outros que denunciavam o uso de cálculos pessimistas na pressão por
recuo no PL da dosimetria. E ainda havia aqueles que achavam por bem buscar um
discurso para explorar politicamente um eventual revés: “PL e Senado votam
contra a escolha de mais um evangélico para o Supremo”.
O principal alvo da pressão governista era o presidente da
Casa, senador Davi Alcolumbre (União-AP), cuja ausência da mesa diretora, na
tarde desta terça, foi atribuída à sucessão de reuniões em torno da votação.
Sobre o comando do presidente da mesa, nas estratégias para garantir o quórum,
na votação prévia de outras indicações, como aquelas ao Conselho Nacional de
Justiça ou ao Conselho Nacional do Ministério Público, para testar a
temperatura da Casa, recaem muitas das expectativas de uma votação apertada.
Votação secreta e comportamento de Alcolumbre alimentam
insegurança
Os governistas apelaram às principais lideranças do PSB, o
vice-presidente Geraldo Alckmin e o pré-candidato ao governo de Pernambuco,
João Campos, que posaram com o senador Rodrigo Pacheco (PSB-MG) no anúncio do
apoio deste a Messias. Pacheco, que foi preterido por Lula para a vaga, almoçou
com o ministro da AGU nesta terça.
A tentativa de fechar a bancada evangélica no Senado por
Messias, assim como aconteceu na aprovação do ministro André Mendonça, em 2021,
enfrenta a resistência de senadores como Carlos Viana (PSD-MG). Na aprovação de
Mendonça, Viana foi um dos mais vocais defensores de sua escolha pela filiação
evangélica. O empenho pessoal do ministro por Messias, porém, deverá garantir o
voto de senadores como Damares Alves (Republicanos-DF).
A pressão por Messias não se restringiu a dobrar Alcolumbre
e evangélicos. A Secretaria de Relações Institucionais, que gerencia a
liberação de emendas, entrou em campo ainda no fim de semana. Na bancada do PL,
por exemplo, dá-se como certo que o senador Eduardo Gomes (PL-TO) vote com
Messias. A mobilização do governo sinal precipitou a reunião promovida pelo
senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) no início da tarde da terça. O receio é de que
os parlamentares do partido vão à tribuna para “lacrar” com discursos de
revolta contra o STF e o governo mas, no anonimato do painel eletrônico,
garantam sua aprovação. Ou vice-versa. Só a votação dirá.

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