Trump amarela e pode conseguir um jeito de mentir sobre a
guerra para os americanos
Ataque destrutivo contra Irã provocaria retaliação e
pioraria crise do petróleo
Presidente dos EUA vai tentar fazer com que assunto da
guerra 'morra', mas crise não acabou
Donald Trump arrumou
um jeito de contar uma mentira em casa e, talvez, de se livrar até das
consequências mais extremas da desgraça que provocou para si —crise econômica e
derrota eleitoral.
Depois de ameaçar varrer o país da face da Terra, Trump
recuou do quarto ultimato que deu ao Irã. Não era para
valer também a exigência de "rendição
incondicional", anunciada no sétimo dia da guerra.
Trump vai dizer que acabou com as armas do Irã, matou suas
lideranças piores, "mudou o regime", que a guerra acabou "no
prazo" (qualquer prazo). Dirá que sua ameaça de solução terminal levou o
regime da Guarda Revolucionária teocrática a
reabrir Hormuz, que Trump desdizia ser um objetivo de guerra. Seus
ultimatos, porém, vão ser testados por todos os seus adversários e inimigos.
Deve
haver alívio no preço de gasolina e diesel. Trump pode confiar na
memória curta da humanidade, ainda pior com o vício em redes, e desistir da
guerra, deixá-la em suspenso para sempre, mesmo que o Irã não aceite mais
nenhuma exigência americana.
O
Supremo Conselho Nacional de Segurança do Irã afirmou que atingiu seus
objetivos de guerra e que pretende manter o estreito de Hormuz sob controle. A
passagem de navios pelo estreito será "coordenada" pelas Forças
Armadas do Irã, que assim terá uma "posição econômica e geopolítica
única".
Mais do que isso, o Irã mantém seu plano de dez pontos para
a paz. Entre outras coisas, exigem controle de Hormuz, direito de enriquecer
urânio, fim de sanções dos EUA, da ONU ou quaisquer, reparações de guerra,
retirada de tropas americanas da região, fim da guerra de Israel no
Líbano. A aceitação de qualquer um desses pontos é derrota americana. O que vai
ser? Trump vai deixar o assunto morrer ou vai arriscar a piora do problema
econômico?
Haverá um cessar-fogo caso o Irã cumpra a promessa de não
atacar navios no estreito de Hormuz —os americanos disseram que interromperam o
bombardeio assim que Trump anunciou a suspensão da guerra, por um trumpite em
sua rede social.
Não vamos saber o que seria da promessa de Trump
de acabar com a "civilização" no Irã, se é que era promessa, se
não era delírio de show business ou de filme D. Mas sabia-se do risco. Talvez
os iranianos ainda tivessem bala na agulha bastante para destruir instalações
de produção, processamento e transporte de petróleo e
combustíveis em países do golfo. Se tivessem sucesso, provocariam altas
imediatas do preço do petróleo e em taxas de juros pelo mundo. Por um tempo
comprido, haveria combustíveis caros, inflação e outras crises, nos Estados
Unidos também.
Como se sabe, há eleições legislativas marcadas para o final
do ano. Trump pode perder maioria no Congresso (se não tentar roubar a
eleição). Em caso de desastre eleitoral, os democratas poderiam conseguir
maioria suficiente no Senado até para aprovar a deposição de Trump. É possível
que agora, com leite e muito sangue derramado, isso que é por ora o presidente
dos Estados Unidos tivesse se dado conta de que atraiu desgraça também para si.
Segundo a média das pesquisas de opinião calculada por Nate Silver, a aprovação
de Trump desceu ao menor nível desde a posse, embora ainda em 39%. Pouco antes
da guerra, estava perto de 41%. O morticínio e o risco de inflação não
comoveram os trumpistas resistentes, mas essa taxa de aprovação costuma dar em
derrota nas urnas.

Nenhum comentário:
Postar um comentário