Decisões do Congresso são vitória do bolsonarismo e
derrota de Lula, STF e Congresso
Davi Alcolumbre e Alexandre de Moraes fazem pacto de
proteção por conta do caso Master
Está confirmado: uma semana, duas derrotas para o presidente
Lula, que vai perdendo energia, vantagem segura nas pesquisas e a confiança de
possíveis aliados que poderiam ir para um lado ou outro e estão indo em massa
para o dos seus adversários. Lula, porém, não é o único derrotado. Também
perdem as instituições, em particular STF e Senado, e o andamento do caso
Master.
O pacto entre o ministro do STF Alexandre de Moraes e o
presidente do Senado, Davi Alcolumbre, não foi só para impedir que Jorge
Messias vestisse a toga da Corte nem para se desconectar de vez de Lula.
Ambos estão enrolados no escândalo do Banco Master e o tal
pacto, ou acordão, tem cara e cheiro de “você salva a minha pele e eu salvo a
sua”.
Ex-ídolo nacional antigolpe, Moraes tem
bons motivos para temer o Senado e um pedido de seu impeachment, algo
praticamente inédito, mas que parece avançar contra Moraes e outros ministros
do STF, em especial os envolvidos no caso Master, como ele, depois da revelação
dos R$ 130 milhões de contrato entre o banco e o escritório da sua família.
Já Alcolumbre teme o STF tanto no caso das emendas quanto no
do Master, com foco no fundo de previdência dos funcionários do Amapá, que,
apesar dos alertas, investiu R$ 400 milhões no banco de Daniel Vorcaro.
Alcolumbre pôs um aliado na presidência e o próprio irmão no conselho fiscal da
entidade.
A sequência é clara: a articulação contra uma CPI do Master,
a liminar, depois retirada, para dificultar o impeachment de ministros do STF
no Senado, a aproximação de Moraes e Alcolumbre e o afastamento de ambos do
Planalto.
O resultado são as duas derrotas de Lula e vitórias do
bolsonarismo: contra a nomeação de Jorge Messias para o STF e os vetos do
presidente ao projeto de dosimetria que favorece os golpistas do 8/1 e, lá na
ponta, Jair Bolsonaro.
Curioso o ineditismo da derrubada do nome do presidente da
República para o STF, o quórum em semana de feriadão e o fatiamento do veto de
Lula para aliviar o texto aprovado no Congresso e excluir, por exemplo, crimes
de facções criminosas. Aí, era demais...
Lula escancarando os cofres para comprar votos pró-Messias
(nome questionável desde o início) e o jantar de Moraes e Alcolumbre, na noite
anterior à sabatina de Messias, são sintomas do quanto as instituições andam
doentes no Brasil, sem previsão de recuperação.
É bom ficar de olho no caso Master. Com Messias, o relator
André Mendonça ganharia mais um aliado para ir fundo. Sem ele, o grupo que
manda no Supremo vai continuar com a faca e o queijo na mão. A favor, por
exemplo, de Moraes e de Alcolumbre. Eles merecem?

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