Com STF e STJ em crise, surge um novo escândalo no TST
Enquanto internet discute se juízes são azuis ou vermelhos, ministros recebem cachê para ensinar advogados a atuar em tribunal trabalhista
A fala viralizou no fim de semana. Num congresso jurídico em
Brasília, o presidente do Tribunal Superior do Trabalho (TST) se referiu a uma
suposta divisão da Corte entre ministros azuis e ministros vermelhos. “Eu diria
que não tem azul nem vermelho. Tem quem tem interesse e quem tem causa. Nós,
vermelhos, temos causa”, disse Luiz Philippe Vieira de Mello.
O tribunal das redes sociais decidiu rápido. O presidente do
TST foi julgado e condenado como um juiz parcial. Por um vídeo de um minuto e
meio, transformou-se no novo símbolo de uma Justiça capturada pela política.
Na segunda-feira, a história ganhou novos
contornos. Vieira de Mello disse que a gravação foi retirada de contexto. Ele
derrapou nas palavras, mas a distinção entre azuis e vermelhos havia sido feita
pelo ministro Ives Gandra Filho.
Em curso para advogados, Gandra dividiu os colegas entre
“liberais” e “intervencionistas”, deixando claro que jogava no time azul.
Enquanto a internet debatia as cores dos juízes, o escândalo estava em outro
lugar: ministros receberam para ensinar profissionais do Direito a atuar no
tribunal.
“Participei, não vi problema, fui convidado por um colega”,
defendeu-se Gandra. O jornal O Estado de S. Paulo mostrou que ele não está
sozinho. Dos 27 ministros do TST, ao menos 14 deram aula ou foram anunciados
como professores dos cursos do Instituto de Estudos Jurídicos Aplicados, com
inscrições de R$ 1.000 a R$ 1.500.
Trocando em miúdos, mais da metade do TST cobrou cachê para
treinar advogados que atuam na Corte. “Se isso não é conflito ético, o que mais
seria?”, questionou Vieira de Mello. Era o que faltava na cúpula da Justiça.
Com o STF e o STJ tragados por crises, surge um novo racha no órgão máximo da
Justiça do Trabalho.
Na sessão de segunda-feira, Gandra reafirmou o que disse aos
advogados pagantes. Alinhado ao discurso das entidades patronais, sustentou que
ampliar direitos trabalhistas prejudicaria as empresas e acusou os sindicatos
de estarem “mais preocupados com sua fonte de receita do que com a defesa do
trabalhador”.
Gandra nunca escondeu suas cores. No governo Bolsonaro, era
comensal do palácio, confraternizava com a primeira-dama e foi filmado
aplaudindo quando o então presidente ameaçou descumprir ordens judiciais. Na
sessão de segunda, o ministro se descreveu como “legalista”. Para ele,
ativistas são os outros.

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