Caso Messias revela o surfista mágico da onda levantada
pela bancada do impeachment supremo
Presidente do Senado mostra habilidade ímpar para descer
o vagalhão gerado pelo encontro entre ano eleitoral, caso Master e as ameaças
de ministros do STF contra congressistas
A maioria das reações de perplexidade – ante a rejeição a
Jorge Messias – derivou da quebra de expectativa sobre o que deveria ser
processo de aprovação automático, como se o poder de indicar fosse absoluto,
como se o exercício da democracia estivesse contido exclusivamente na plenitude
daquele teatro de beija-mãos a que a história de nossa República nos
rebaixou-habituou. Trata-se de disfunção – sobre a essência do processo
republicano – considerar perigoso que o Senado exerça uma prerrogativa; deturpação
que turva a capacidade de análise sobre o que terá se passado.
É controverso que Messias tenha notório
saber jurídico para ser juiz na Suprema Corte; incontroverso sendo que fora
indicado em função do histórico leal de serviços prestados a um partido
político e para compor-ampliar a já constituída e atuante bancada governista no
Supremo, pervertido o tribunal constitucional em terceira casa legislativa.
Deveria ser natural que indicações dessa natureza fossem rechaçadas. Terá
demorado a ocorrer, ocorrência impulsionada pela combinação tsunâmica entre ano
eleitoral e fator Master; e pela articulação entre Flávio Bolsonaro e Davi
Alcolumbre.
O revés do governo Lula – objetivo do presidente do
Congresso – foi instrumento para a derrota-mensagem que o Senado quis infligir
ao STF, meta do bolsonarismo. O não a Messias como espécie de pré-impeachment
de ministro do Supremo; manifestação-reação-juramento de um Poder contra aquele
percebido como agente-interferente na atividade política, que ergueu bloco
legitimador-explorador do inquérito xandônico como ferramenta de controle
intimidatório.
(O cronista expressa dificuldade em compreender a versão de
que Alexandre de Moraes teria trabalhado contra Messias – o que seria trabalhar
contra si. Não faz sentido que tivesse se mobilizado – ainda que a matar CPI do
Master – pelo que afinal seria a construção de novo patamar para a bancada do
impeachment no Senado.)
Alcolumbre venceu. Imposto o comunicado de que não aceita
que governo tente negociar codevasfs à margem de seu império; de que investigar
a gestão do fundo de pensão dos servidores do Amapá tem consequências. A
leitura mais relevante sendo a de que não teria alterado o padrão alcolúmbrico
se acreditasse no favoritismo de Lula em outubro; se acreditasse que, mesmo
reeleito, o presidente lhe pudesse prescindir. Aposta que o Planalto não pode
retaliá-lo; que precisa mais de Alcolumbre do que Alcolumbre, do Planalto.
Venceu. Não venceria sem a sociedade com o bolsonarismo. Foi
sobretudo operador da onda, hábil surfista da chance levantada pelo encontro
entre ano eleitoral, caso Master e as açõesameaças de ministros do STF contra a
atividade parlamentar – contra parlamentares. Mais que hábil, um surfista
mágico, beneficiando-se de espírito do tempo em cujo cerne está a revolta
contra o que ele, Alcolumbre, representa, também ele – dos mais interessados em
enterrar o affair Master – agente blindador contra apurações legislativas sobre
a teia vorcária e suas relações.

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