A Warner lançou Humphrey Bogart, Doris Daym, James Dean.
Agora eles pertencem à Paramount
A um custo de US$ 111 bilhões, a Paramount ditará o que
bilhões terão de pagar para assistir
Depois de meses de negociações, uma das marcas gigantes do
show business aceitou ser engolida por outra —de histórico nem de longe
comparável, mas mais hábil em controlar receitas e despesas. Ao se fundir com
a Paramount,
a Warner entregou
sua dívida de US$ 30 bilhões, suas propriedades (CNN, TNT, HBO Max, Discovery
Chanel) e tudo que a Warner Bros., fundada em 1920, representou para o cinema. A
Paramount, um estúdio médio no apogeu de Hollywood se comparado à MGM e à
própria Warner, já detinha forças consideráveis: a CBS, a MTV, a editora Simon
& Schuster. Agora, a um custo total de US$ 111 bilhões, ditará o que bilhões de
telespectadores terão de pagar para assistir.
Com isso, a Paramount se apodera também do
patrimônio inestimável que a Warner Bros. deu ao século 20: o cinema sonoro, os filmes
de gângsteres, os musicais de Busby Berkeley, uma superlinha de desenhos
animados, os melhores capa-e-espada, os mais ásperos filmes de guerra, os
filmes noir e muito mais. Foi a Warner que descobriu e lançou Humphrey Bogart,
James Cagney, Bette Davis, Barbara Stanwyck, Errol Flynn, Lauren Bacall, Doris
Day, Marlon Brando e James Dean.
Da Warner saíram "O Inimigo Público" (1931),
"Rua 42" (1933), "Capitão Blood" (1935),
"Jezebel" (1938), "Relíquia Macabra" (1941),
"Casablanca" (1942), "O Tesouro de Sierra Madre" (1948),
"Fúria Sanguinária" (1949), "O Pirata Sangrento" (1950),
"Uma Rua Chamada Pecado" (1951), "Assim Estava Escrito"
(1952), "Sindicato de Ladrões" (1954), "Nasce uma Estrela"
(1954), "Juventude Transviada" (1955), "Rastros de Ódio"
(1956), "My Fair Lady" (1964). Entre uma e outra dessas obras-primas,
seu catálogo de filmes "menores" nos fazia ir ao cinema pelo menos
uma vez por semana o ano inteiro.
A Paramount também tem um belo passado, mas não pega nem
aspirante. Foi dominada durante décadas pelo espírito bíblico-orgiástico de
Cecil B. DeMille, um de seus fundadores.
Hoje, não faz mais diferença. A telinha de 3 polegadas
do celular reduz tudo a pouco mais do que nada.

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