O estágio atual de enfrentamento às doenças é resultado
de décadas de exaustivo trabalho. Só não conseguimos ainda o antídoto contra o
negacionismo que tenta minar essa evolução
Há poucos dias, apareceu para mim uma postagem ligando
vacinas à destruição do sistema imunológico. Em três ou quatro frases — com a
imagem de um pseudoespecialista —, a mensagem sustentava que imunizantes fazem
mal à humanidade. Lamentavelmente, alguém que está na minha rede social
concordou com essa sandice, com essa irresponsabilidade criminosa e resolveu
compartilhar.
É revoltante que um conteúdo danoso assim possa ser
disseminado em plataformas digitais, com potencial imenso de alcance —
porque, quando se trata de mentiras, a propagação é assustadoramente ampla e
veloz. Esse negacionismo de grupos antivacina pode ter consequências
devastadoras, com capacidade de influenciar o retorno ou o aumento de doenças
evitáveis.
Na definição da Academia Brasileira de Letras, negacionismo
é "atitude tendenciosa que consiste na recusa a aceitar a existência, a
validade ou a verdade de algo, como eventos históricos ou fatos científicos,
apesar das evidências ou argumentos que o comprovam".
E as evidências mostram que, graças aos espetaculares
avanços da ciência no desenvolvimento e na produção de vacinas, podemos viver
mais e melhor, porque estamos blindados contra uma série de enfermidades.
Um estudo publicado pela revista científica The Lancet, em
2024, mostrou que, nas últimas cinco décadas, os esforços globais de vacinação
salvaram cerca de 154 milhões de pessoas — o equivalente a seis vidas a cada
minuto. A grande maioria foi de crianças: 101 milhões.
O estudo, liderado pela Organização Mundial da Saúde (OMS),
apontou que o imunizante contra o sarampo, por exemplo, teve o impacto mais
significativo na redução da mortalidade infantil: responsável por 60% das vidas
salvas. Também destacou que, por meio da vacinação contra a poliomielite, mais
de 20 milhões de pessoas, que teriam sofrido paralisia, hoje podem andar.
Há que se ressaltar que o levantamento cobre o impacto da
vacinação contra 14 doenças, mas existem imunizantes para mais de 30
enfermidades letais, ou seja, a quantidade de vidas salvas certamente foi muito
maior.
Vacinas são uma conquista formidável da humanidade. Eliminam
ou reduzem o risco de contrair doenças perigosas ou de evoluir para quadros
graves. E, aqui no Brasil, a proteção é gratuita, acessível a todos.
O estágio atual de enfrentamento às doenças é resultado de
décadas de exaustivo trabalho. E com pesquisas e investimentos, a ciência
continuará na batalha para debelar males que ameaçam a humanidade. Só não
conseguimos ainda o antídoto contra o negacionismo que tenta minar essa
evolução.

Nenhum comentário:
Postar um comentário