Militantes-raiz fazem a blindagem tanto do presidente
quanto do candidato de oposição nas redes sociais, indiferentes aos fatos
negativos que surgem
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva absorveu o desgaste
provocado pelo envolvimento do líder do governo no Senado, Jaques Wagner
(PT-BA), no caso Master, enquanto seu principal adversário nas eleições, Flávio
Bolsonaro (PL-RR), administrou a crise com a ex-primeira-dama Michele Bolsonaro, que havia gravado um
vídeo se dizendo desrespeitada e humilhada pelo filho do ex-presidente
Bolsonaro. Talvez porque tenham se posicionado corretamente para estancar a
crise, talvez porque o foco de atenção dos eleitores tenha se deslocado para a
Seleção Brasileira na Copa do Mundo.
É o que mostra a pesquisa BTG Pactual/Nexus divulgada nessa
segunda-feira: ambos atravessaram as últimas semanas sob intenso desgaste
político, mas nenhum deles sofreu abalo eleitoral significativo. Ao contrário,
os números indicam que ambos permanecem sustentados por bases eleitorais
altamente consolidadas, tornando a disputa cada vez mais dependente da
conquista do eleitorado moderado e da transferência dos votos dos candidatos
hoje situados na chamada terceira via.
No cenário principal de primeiro turno,
Lula aparece com 42% das intenções de voto estimuladas, exatamente o mesmo
percentual registrado na rodada anterior. Flávio Bolsonaro, por sua vez, oscila
positivamente de 33% para 34%, permanecendo dentro da margem de erro. Ronaldo
Caiado registra 5%, Renan Santos 4%, Romeu Zema 3%, enquanto os demais
candidatos ficam em 1%. Brancos e nulos somam 5%, e 3% permanecem indecisos.
Wagner e Michelle produziram ruído, mas não deslocaram votos
significativamente. O levantamento mostrou que 24% dos brasileiros são
classificados como “lulistas raiz”, enquanto 26% pertencem ao grupo dos
“bolsonaristas convictos”. Outros 6% enxergam Lula como alternativa
preferencial e 9% fazem o mesmo em relação ao bolsonarismo. O contingente que
pode decidir a eleição, porém, é de 20%, que permanecem efetivamente não
polarizados, ao passo que 9% rejeitam simultaneamente Lula e Bolsonaro.
O lulismo, que o historiador Alberto Aggio associa à
“economia do afeto”, continua mais forte entre 27% das mulheres, 29% dos
eleitores com mais de 60 anos, 29% daqueles com ensino fundamental, 27% dos
católicos, 30% dos moradores das capitais e 26% dos eleitores com renda de até
um salário mínimo. Também apresentam presença elevada entre pessoas sem
religião, onde chegam a 32%.
O grupo dos “bolsonaristas convictos” alcança 29% dos
homens, 35% dos evangélicos, 30% dos eleitores com renda superior a cinco
salários-mínimos, 30% dos trabalhadores formais, 29% dos moradores do Sul e 28%
dos eleitores com renda entre dois e cinco salários-mínimos.
Segundo turno
São esses setores que fazem a blindagem tanto de Lula quanto
de Flávio Bolsonaro nas redes sociais, indiferentes aos fatos negativos que
surgem na campanha, cuja maior repercussão é entre os indecisos. O cenário de
segundo turno mostra isso. Na simulação entre Lula e Flávio Bolsonaro, o
presidente vence por 47% a 44%, diferença de três pontos percentuais,
praticamente idêntica à observada na rodada anterior, quando o placar era de
49% a 43%.
Lula vence entre as mulheres (55% a 36%), entre os idosos
(62% a 33%), entre quem possui apenas ensino fundamental (60% a 33%), entre os
católicos (53% a 38%), entre os eleitores sem religião (58% a 33%) e
especialmente no Nordeste (61% a 30%). Também domina amplamente entre os
brasileiros de menor renda: 61% a 30% entre quem recebe até um salário-mínimo e
54% a 36% entre aqueles com renda de um a dois salários-mínimos.
Flávio Bolsonaro apresenta vantagem entre os homens (53% a
39%), entre os evangélicos (60% a 32%), entre os jovens de 16 a 24 anos (52% a
34%), entre os trabalhadores formais (53% a 37%), entre os eleitores de renda
superior a dois salários mínimos, especialmente acima de cinco salários (53% a
40%), além do Sul, onde lidera por expressivos 63% a 33%.
Trocando em miúdos, se não surgir um candidato de terceira
via que empolgue os eleitores, o fator decisivo da eleição será a migração dos
votos dos candidatos fora da polarização principal. Os eleitores de Ronaldo
Caiado dividem-se praticamente ao meio, com 40% migrando para Lula e 37% para
Flávio Bolsonaro. Entre os eleitores de Romeu Zema, a vantagem é de Flávio
(49%) contra 32% de Lula.
O eleitorado de Renan Santos também tende majoritariamente
para o senador, com 46% migrando para Flávio e 35% para Lula. Já os apoiadores
de Joaquim Barbosa transferem 52% de seus votos para Lula e apenas 25% para
Flávio. Entre os eleitores de Augusto Cury, Lula recebe 49%, enquanto Flávio
fica com 18%. O caso de Aécio Neves é ainda mais favorável ao presidente: 72%
de seus eleitores migrariam para Lula, contra apenas 14% para Flávio. Os votos
de Cabo Daciolo distribuem-se de forma relativamente equilibrada, com leve
vantagem para Flávio.

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