domingo, 14 de junho de 2026

FLÁVIO BOLSONARO, UM CANDIDATO PESADO

Elio Gaspari, O Globo

O senador, como o pai, cavalga o antipetismo, e só. Os eleitores independentes migraram e passaram ao largo de Romeu Zema e Ronaldo Caiado. Em 2026 o antipetismo está num nicho, encolhido por falta de agenda

O filme parcialmente financiado por Daniel Vorcaro, a diplomacia suicida e a plataforma oca de Flávio Bolsonaro cobraram seu preço na última pesquisa Quaest. Lula ultrapassou-o, marcando 44% contra 38%. Junho é cedo para se prever o resultado de uma eleição marcada para outubro, mas alguma coisa vai mal com o candidato.

Lula conseguiu sair de um viés de queda para outro, de alta, na segunda metade de um terceiro mandato e a poucos meses da eleição. De novo, nesta eleição, até agora a única novidade é a recuperação do presidente. Essa proeza foi conseguida muito mais pelos escorregões e abulias dos adversários do que por mais de três anos de desempenho.

Flávio, como o pai, cavalga o antipetismo, e só. Os eleitores independentes migraram e passaram ao largo de Romeu Zema e Ronaldo Caiado. Em 2026 o antipetismo está num nicho, encolhido por falta de agenda. Bolsonaro deu a Lula o auriverde pendão desta terra e ele está enrolado nela. Zema e Caiado parecem sem rumo. Como a campanha ainda não começou, qualquer dos três anti-Lula pode, em tese, dar uma disparada, mas quem melhor cultiva a pista é Lula. Ele semeou-a mudando a tabela de alíquotas do Imposto de Renda e oferece a escala 5x2. A proximidade de Lulinha com o Careca do INSS não tem o efeito do áudio de Flávio Bolsonaro com Daniel Vorcaro.

Até agora, o antipetismo tem só dois ativos, a segurança pública e Donald Trump. No primeiro, o governo apresenta planos árduos e a oposição põe na mesa chacinas como a da Penha. No segundo, depois da carta neurastênica do ano passado, Trump bombardeia o Brasil com tarifaços que afetam a economia nacional e, com ela, os eleitores.

No século passado, John Kennedy asfixiava o governo de João Goulart enchendo a bola dos governadores da oposição com programas de moradia e agendas reformistas. Trump enche a bola dos Bolsonaro com fotografias e frases banais.

(Vale lembrar que em janeiro de 1964, quando a derrubada de Goulart já estava no baralho, o embaixador americano Lincoln Gordon passou por Washington e pediu para ser recebido pelo presidente Lyndon Johnson. Pedido negado. Gordon baixou a bola e pediu para tirar uma fotografia com Johnson, pois isso o ajudaria no Brasil. Pedido igualmente negado.)

Trump recebeu sua bancada brasileira.

Eremildo, o idiota

Eremildo é um idiota a está convencido de que as russas e ucranianas levadas para as farofas do banqueiro Daniel Vorcaro eram estudiosas do Direito. O que o cretino não entende é a fogueira de vaidades em que se transformou o processo de sua colaboração com a Viúva.

Pelo que lhe contam, Vorcaro se julga inocente, vítima de uma perseguição. É possível. Nesse caso, nada há a negociar. Ele espera o julgamento. Se for absolvido vai pra casa. Condenado, rala.

Aventureiros e larápios

Está chegando às livrarias “Aventureiros e larápios - Histórias de quem abalou e quase quebrou os mercados”, de Roberto Teixeira da Costa e Fábio Pahim Jr. Um conhece o mercado e foi o primeiro presidente da Comissão de Valores Mobiliários e o outro é um repórter com larga experiência no mercado.

É um livrinho pequeno (202 páginas) com a história de 15 figuras e um manual para quem tem dinheiro a perder (ou a ganhar). Seis personagens são brasileiros: O Barão de Mauá, Naji Nahas, Edemar Cid Ferreira, Eike Batista, Carlos Ghosn e Daniel Vorcaro.

Nem todos, como Mauá, são simples aventureiros/visionários, muito menos larápios. Outros, como Elizabeth Holmes da empresa de exames médicos Theranos (encarcerada), são vigaristas que espelharam a ganância do andar de cima do mundo da tecnologia. Com o capítulo de Jesse Livermore (matou-se), visita-se a crise de 1929 e com a de Bernard Madoff a reencarnação de Charles Ponzi que ralou na cadeia e morreu no Rio, aposentado pelo falecido IAPC.

Nenhum conseguiu eleger o filho John presidente dos Estados Unidos, como o fauno germanófilo Joseph Kennedy. Todos deixaram marcas na economia e/ou na política de seus países.

Cada um deles teve ao seu lado uma versão da Faria Lima.

EUA e Argentina

Com jeito de quem não quer nada, a Argentina e os Estados Unidos assinaram um convênio com duração de cinco anos pelo qual as Marinhas dos dois países estreitaram seus laços. A Marinha americana colaborarão na modernização da argentina, inclusive com o fornecimento de drones.

O convênio faz parte de um “Programa de Proteção a Bens Comuns Globais” e permitirá que o Comando Sul dos EUA participe do patrulhamento do mar argentino.

A oposição argentina não gostou. Incomodou-se com a expressão “bens comuns globais”.

Bandidos protestam

Foram presos o ex-chefe dos investigadores da Delegacia de Entorpecentes de Campinas (SP), um ex-policial civil e um ex-estagiário do Ministério Público, acusados de serem quadros do Primeiro Comando da Capital. O Sindicato dos Bandidos Autônomos de São Paulo voltará ao governador Tarcísio de Freitas para protestar contra a concorrência desleal que lhe faz a máquina da segurança pública de São Paulo.

A trinca é acusada de planejar o assassinato de um procurador que estava no encalço de ramificações do PCC.

Desalento no Judiciário

O ministro Edson Fachin, presidente do Supremo Tribunal Federal criou um grupo de trabalho no Conselho Nacional de Justiça para passar um pente-fino nos penduricalhos da magistratura. Foram escolhidos cinco juízes. Em tese, os magistrados não devem receber mais que um ministro do STF (R$ 46.366 mensais).

Num único ano, o quinteto recebeu cerca de R$ 8 milhões. Quem recebeu menos, ganhou o equivalente a R$ 72,4 mil mensais e quem levou mais recebeu R$ 175,7 mil.

O coordenador do comitê teve a melhor remuneração, somando R$ 2,7 milhões no ano (R$ 1,7 milhão líquidos). Em dezembro, o contracheque do doutor foi de R$ 332 mil brutos. R$ 102 mil eram de indenizações e abonos de férias, R$ 71 mil referiam-se a pagamentos retroativos acumulados e mais uma gratificação natalina de R$ 65 mil. Tudo legal.

Como ensinou o Barão de Itararé, de onde menos se espera, é que não sai nada.

Fila do INSS

Tendo prometido acabar com a “vergonhosa fila do INSS” no seu primeiro dia do seu terceiro mandato, Lula promete acabar com ela até o fim do ano.

Já a nova presidente do INSS, Ana Cristina Silveira, é mais precisa e diz que zera a fila até setembro, um mês antes da eleição.

Ela está em queda mas tem 2,2 milhões de vítimas.

A ver.

Bookmark and Share

Nenhum comentário:

Postar um comentário