Copa virou negócio de trilhões e ao mesmo tempo uma
brincadeira de criança
A esperança do time de Ancelotti está no banco de
reservas
Com a Copa do Mundo politizada,
agigantada (três países anfitriões, 48 seleções, 104 partidas e zebras à
espreita) e multiplataformizada (no Brasil há uma disputa de segundos entre os
canais de televisão e os de internet pelo menor delay), é impossível escapar
aos memes virais. O futebol é
um negócio de zilhões e ao mesmo tempo uma brincadeira de criança. Uma festa em
que os convivas se sentem imediatamente afetados pela síndrome de Peter Pan.
Há de tolerar as subcelebridades e os
bicões, os influencers que ocupam o espaço da cobertura jornalística, o boneco
orelhudo que faz comentários sobre arbitragem, a divulgação em massa da
jogatina eletrônica, os pachecos e os vira-latas, as WAGs (são as esposas dos
jogadores, descobri recentemente), os boletins médicos acerca da panturrilha do
mascote Neymar,
os torcedores que vão ao estádio só para tirar selfies. Há de aturar o cinismo
de Gianni Infantino, o presidente da Fifa, e há de
aguentar a bufonaria de Donald Trump, que acha que a Copa é sua.
Felizmente, sua majestade, a bola, quando tratada com
inteligência e intimidade, deixa a parafernália exibicionista em segundo plano.
Foi o que vimos na estreia do Brasil contra o Marrocos, em
que Ayyoub Bouaddi, de apenas 18 anos, controlou a partida, com movimentação e
toques precisos no meio de campo. Como se fosse veterano. Um show de ritmo e
simplicidade que escancarou as deficiências do time de Ancelotti, mal escalado,
com falhas individuais, postura burguesa e gorda, lentidão de dar sono. Único
momento a salvar do desastre: o golaço de Vinicius
Junior.
Sem mudanças, a seleção não irá longe. Mexidas durante o
desenrolar do torneio são tradição brasileira —e não vou citar as entradas de
Pelé e Garrincha, em 1958, para não recair na covardia anacrônica. A esperança
está no banco: Fabinho (quem diria), Danilo Santos, Luiz Henrique, Rayan, Endrick. Para
driblar a amargura do colunista, que venham os gols, a alegria e, vá lá, os
memes.
Olho na França, que se apresenta nesta terça (16). É o
bicho-papão.

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