Medidas de Trump mudam foco do debate para beneficiar
Flávio e dificultar reeleição de Lula
Sem tiro nem bomba, os Estados Unidos iniciaram uma
intervenção política no processo eleitoral brasileiro. Se o assunto da semana
passada era a fortuna que Flávio Bolsonaro recebeu do Banco Master para
financiar uma cinebiografia do pai, as manchetes agora se ocupam de decisões de
Donald Trump que miram a popularidade de Luiz Inácio Lula da Silva – o
principal concorrente de Flávio na disputa.
Parte da cúpula do Judiciário considera que a classificação
de facções criminosas brasileiras como terroristas foi o primeiro passo na
interferência dos EUA nas eleições deste ano, porque prende Lula a uma saia
justa: se clamar pela soberania nacional, pode ser interpretado como defensor
de bandido.
A sequência da intervenção veio com o
anúncio do novo pacote de barreiras tarifárias ao Brasil. Trump conseguiu não
apenas desviar a pauta do debate eleitoral, mas ameaçar o País com danos
econômicos na reta final do governo Lula.
Flávio capitalizou com as medidas. Posou em foto ao lado de
Trump na Casa Branca. Na semana passada, se contorcia diante das câmeras para
explicar as suspeitas de ter se beneficiado do esquema de fraudes financeiras
de Daniel Vorcaro.
Em suma: qualquer atitude dos EUA com impacto na economia ou
na soberania brasileira agora interfere no processo eleitoral, ainda que o país
de Trump siga poupando tiros e bombas até outubro.
Ao menos dois ministros – um do Supremo Tribunal Federal
(STF) e outro do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) – consideram que os EUA
podem incrementar a “intervenção soft” com outras medidas – como o
financiamento de defensores de ideias alinhadas às de Trump e o incentivo a
candidaturas de direita. Para esses ministros, Trump não está preocupado com o
combate ao terrorismo, e sim com a subida de aliados ao poder na América
Latina.
Um segundo ministro do TSE, também em caráter reservado,
considera cedo para entender como os EUA podem interferir nas eleições
brasileiras, mas tem como certo que Lula sai perdendo na primeira investida.
A coluna também ouviu outros dois ministros, um do STF e
outro do TSE, que não estão preocupados com tentativas de influência dos EUA
nas eleições deste ano. Eles consideram o Brasil imune a esse tipo de ameaça.
As pesquisas de opinião ainda não mediram as consequências
para as candidaturas após a mudança de foco no debate eleitoral. Mas já é
possível concluir que investigações criminais e estratégia política vão ditar o
sobe e desce das campanhas. As propostas dos candidatos, mais uma vez, serão
coadjuvantes nas eleições.

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