Em campanha, candidatos ao Planalto expõem visões opostas
sobre a Amazônia
A Amazônia entrou na pauta da corrida presidencial. Na
quinta-feira, Lula e Flávio Bolsonaro expuseram suas ideias sobre a região.
Vale a pena conferir o que disseram.
Em Brasília, o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais
anunciou uma nova queda no desmatamento. A devastação recuou ao menor patamar
em uma década. No último ano, a redução foi de 37,5%.
Lula festejou os números e defendeu a preservação da
floresta. “Enquanto o desmatamento pode enriquecer uma ou duas pessoas, não
desmatar ajuda o Brasil, a Amazônia e o mundo”, discursou.
O presidente aproveitou para fazer um alerta aos
desmatadores: “Não faça coisa errada, que vai ser punido, porque nós queremos
que a nossa floresta seja preservada para o bem da Humanidade”.
O filho de Jair Bolsonaro expôs outra visão
em comícios no Pará. Em Belém, prometeu afrouxar as leis ambientais em favor do
agronegócio e da mineração. “Vamos mudar a legislação para acelerar, tirar essa
riqueza que está embaixo da terra e distribuir para vocês”, disse.
Em Altamira, o senador exaltou os migrantes que chegaram à
floresta na década de 1970, incentivados pela propaganda da ditadura e pela
obra da Transamazônica: “São vocês que garantem que a Amazônia é nossa”.
Lula aposta na imagem de defensor do meio ambiente. Neste
terceiro mandato, devolveu o ministério a Marina Silva e estimulou operações
contra o garimpo e a grilagem de terras.
O petista irritou ambientalistas ao pressionar o Ibama a
liberar a prospecção de petróleo na Margem Equatorial. Apesar da contradição, o
saldo do governo é favorável ao verde. Ao frear a destruição da Amazônia, o
país recuperou prestígio internacional e sediou pela primeira vez a cúpula do
clima das Nações Unidas.
Na visita à cidade da COP30, Flávio tratou a legislação
ambiental como entrave ao progresso. Dirigindo-se a ruralistas de verde e
amarelo, ele prometeu “tirar o Estado do cangote de vocês”. Só faltou atacar a
demarcação de terras indígenas, interrompida no governo do pai.
O senador também informou pelo que não disse. Nos dois
discursos de quinta, ele evitou mencionar palavras como clima, aquecimento e
poluição.
O avanço da direita na Amazônia mostra que o discurso
antiambiental dá voto. Flávio sabe disso e tem a quem puxar. No oitavo mês no
Planalto, Jair deixou claro que não se preocupava em ser visto como aliado dos
desmatadores. “Eu sou o Capitão Motosserra”, proclamou.
Flávio e Fernando
Na visita ao Pará, Flávio Bolsonaro vestiu uma camiseta azul
com a inscrição “A Amazônia é nossa”. Dois dias antes, na Bahia, desfilou com a
mensagem “Lula taxa. A gente planta”.
A marquetagem das estampas não é nova. Foi lançada por
Fernando Collor em suas corridas matinais ao redor da Casa da Dinda.
Alguns slogans da época: “O tempo é o senhor da razão”. “Fé
roxa no Brasil”. “Não fale em crise. Trabalhe”. “Deixe meu ozônio livre”.

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