Impasse continua em Roraima, Tocantins, Goiás e Minas,
principal foco de preocupação da sigla
A pouco meses do primeiro turno das eleições de 2026, o PT
já consolidou grande parte de sua estratégia nacional para a disputa dos
governos estaduais, mas ainda enfrenta impasses em quatro unidades da
federação. Entre elas, Minas Gerais desponta como um dos principais focos de
preocupação da legenda. Segundo maior colégio eleitoral do país, o Estado é
considerado peça-chave para o projeto de reeleição do presidente Luiz Inácio
Lula da Silva.
Na montagem de suas alianças regionais, o PT priorizou nomes
próprios e já definiu dez pré-candidatos da legenda aos governos estaduais. A
estratégia busca ampliar a presença da sigla nos Estados e fortalecer o
palanque presidencial de Lula. Apesar disso, os cenários de Minas Gerais,
Roraima, Tocantins e Goiás seguem indefinidos.
O caso mineiro é o mais complicado e
considerado crucial. Durante meses, Lula trabalhou para convencer o senador
Rodrigo Pacheco (PSB) a disputar o governo do Estado. Após meses negociando
para lançar o parlamentar, Pacheco decidiu não disputar a anunciou a sua
desistência de concorrer ao cargo.
A renúncia abriu uma espécie de crise interna no PT. Nos
bastidores, aliados petistas admitem que o presidente deu “tempo demais” para
Pacheco, e que já deveria ter se pensado em um “plano B” para o pleito, caso
ele não concorresse. No entanto, duas semanas depois do anúncio do
ex-presidente do Senado, o cenário do nome da esquerda em Minas continua uma
incógnita e, até agora, Lula não despachou uma solução para o assunto.
Desde então, lideranças petistas passaram a discutir
alternativas com o presidente nacional da legenda, Edinho Silva. As opções na
mesa, neste momento, estão entre lançar um nome próprio ao Estado, apoiar uma
eventual indicação do PSB ou construir aliança com um outro partido.
Para dar um “norte” a essa decisão a ser tomada, o diretório
estadual do PT realizou uma consulta interna junto aos filiados. O resultado
apontou menor apoio à hipótese de candidatura própria. O levantamento ainda não
foi submetido à direção nacional, mas deverá ser discutido nos próximos dias
com Edinho.
Embora o PSB fosse o partido de Pacheco, integrantes do PT
rejeitam a ideia de que a aliança esteja automaticamente consolidada. Dentre os
nomes cotados pela legenda do vice-presidente Geraldo Alckmin para disputar o
governo estão o ex-procurador-geral de Justiça de Minas Gerais Jarbas Soares
Júnior e o ex-presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo
(Fiesp) Josué Gomes da Silva. No entanto, no partido de Lula, ambos os nomes
não são vistos como viáveis no atual cenário político mineiro.
Paralelamente, setores do PT passaram a defender uma
composição com uma terceira sigla. A ex-prefeita de Contagem Marília Campos
(PT), pré-candidata ao Senado, se reuniu com Edinho há cerca de duas semanas e
defendeu a ele a construção de uma aliança entre PT e PSB com o MDB em torno da
candidatura de Gabriel Azevedo (MDB), ex-presidente da Câmara Municipal de Belo
Horizonte. A ideia defendida por ela é fazer uma “frente de centro” na disputa
estadual.
A proposta foi discutida no início do mês em reunião entre
Edinho, o presidente nacional do MDB, Baleia Rossi, e Gabriel Azevedo. Segundo
interlocutores, o encontro foi considerado positivo, mas sem qualquer definição
sobre eventual apoio.
No PT, a avaliação é que Gabriel Azevedo tem potencial de
ampliar o alcance eleitoral de Lula em Minas, sobretudo caso consiga reunir
apoios partidários relevantes. Integrantes da legenda também acreditam que uma
eventual entrada mais direta de Lula na campanha pode impulsionar sua
competitividade.
Para acomodar o PSB em uma eventual composição, Marília
Campos também sugeriu reservar à legenda a segunda vaga na chapa ao Senado.
Procurado, o PSB disse que há quadros relevantes para disputar o governo de
Minas Gerais, mas que a prioridade do partido é reeleger Lula à Presidência. “O
partido estará sempre aberto para montar a melhor composição”, afirmou.
Outro Estado que ainda depende de definição é Roraima. Isso
porque o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) decidiu que haverá por lá uma
eleição direta para a escolha do governador para um mandato-tampão. O pleito
suplementar ocorrerá por conta da vacância no cargo, em razão da cassação do
atual governador, Edilson Damião (União), vice que assumiu o posto após a
renúncia do titular, Antonio Denarium, filiado ao Republicanos.
Para a disputa do mandato-tampão, o PT lançou a candidatura
de Nelita Frank. Por conta disso, o partido pretende aguardar o resultado do
pleito suplementar para definir sua estratégia para as eleições gerais de
outubro de 2026, avaliando as alianças que serão construídas no novo governo
estadual a ser formado nas próximas semanas. A eleição está marcada para 21 de
junho.
Por fim, Tocantins e Goiás compartilham cenários
semelhantes: ambos os diretórios já indicaram nomes para a disputa, mas ainda
aguardam o aval da direção nacional. Em Tocantins, cresce a tendência de apoio
ao vice-governador Laurez Moreira (PSD), embora o partido também mantenha
diálogo com a ex-senadora Kátia Abreu. Já em Goiás, a indicação preliminar
recaiu sobre o ex-deputado estadual Luis Cesar Bueno, mas a decisão ainda
precisa ser ratificada pela executiva nacional.
Apesar das indefinições pontuais, o mapa eleitoral do PT
para 2026 já está majoritariamente desenhado. Dos 23 Estados definidos, dez
serão de candidaturas próprias da legenda. Os partidos que receberão apoios da
legenda de Lula são o PSD (4), PSB (3), MDB (2), PDT (2), PP (1) e União Brasil
(1).
Mesmo nos casos em que já há definição de alianças, ainda
não está claro qual será o grau de envolvimento de Lula nas disputas estaduais.
A tendência, neste momento, é que o presidente participe ativamente da campanha
dos candidatos considerados prioritários, gravando materiais de propaganda e
dividindo o palanque durante o período eleitoral.

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