Projeto de revitalização privilegia a especulação
imobiliária e atinge toda a cidade
Atual prefeito, Eduardo Cavaliere segue os passos de seu
tutor, o xará Paes
A maquete é linda. Modelo de uma cidade-evento, de uma
cidade pensada para o turismo, não para seus moradores. O prefeito do Rio,
Eduardo Cavaliere, assinou a lei que autoriza o Projeto Praça Onze Maravilha,
com mudanças numa área de 2,5 milhões de metros quadrados próxima
ao centro da cidade.
Com prazo de conclusão em 2032, o plano prevê o investimento
de R$ 1,75 bilhão, "100% privado", por meio de concessões, PPPs e de
instrumentos urbanísticos que privilegiam a especulação imobiliária, com
influência em todos os bairros da capital.
Ali fica o Sambódromo, atração carnavalesca
cujas calçadas do entorno serão ampliadas após a demolição do viaduto 31 de
Março. Inaugurado nos anos 1970, no regime militar, o elevado destruiu o
machadiano Catumbi, transformado de residencial em bairro de passagem e —como o
vizinho Rio Comprido, onde se construiu o não menos danoso viaduto Paulo de
Frontin— esquecido por décadas pelo poder público.
O abandono sistemático dos dois bairros permitiu e acelerou
o crescimento de favelas nos morros da região, depois invadidas e dominadas
pelo tráfico de drogas. Favelas que desaparecem, como se não existissem, nas
maquetes da praça 11 maravilhosa.
O que consta no texto da lei é a desapropriação de imóveis,
incluindo parte do casario antigo, substituído por conjuntos habitacionais; 37
mil unidades "tamanho ovo" no prazo de 25 anos. "Imensos blocos
de concreto ocupando todos os espaços", diz o samba de Paulinho da Viola.
"Amor à Natureza" é de 1975, mas, em sua denúncia,
continua atual.
Cavaliere segue os passos do seu xará e tutor, Eduardo Paes,
candidato ao governo estadual. A exemplo do Porto Maravilha e do Reviver
Centro, empresários ligados ao novo projeto terão um "bônus
urbanístico" para aplicar em outros investimentos, sobretudo na mais
valorizada zona sul.
Um incentivo à onda de demolição dos predinhos de Ipanema,
Leblon e Lagoa, que estão dando lugar a monstrengos de 17 andares, cujos
cubículos são comprados por estrangeiros.

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