Ao defender o tarifaço, Flávio Bolsonaro se afasta do
meio empresarial e rompe com 'direita limpinha'
Para reduzir rejeição feminina, ele quer transformar a
mulher, Fernanda, numa espécie de Michelle 2
Alguém pôs na cabeça de Flávio
Bolsonaro –provavelmente o pai– que, sem a ajuda ou a interferência
direta de Trump e a propaganda e as teorias da extrema direita internacional,
ele não ganha a eleição. Até agora a sugestão teve um efeito contrário.
Na sua sexta viagem aos EUA neste ano, mais do que o número
de idas a estados-chave durante a pré-campanha (cujo objetivo é o Palácio do
Planalto, não a Casa Branca, é bom lembrar), o filho 01 esteve em uma audiência
promovida pelo Escritório de Comércio para defender o tarifaço 2.0 –desde que a
chantagem político-econômica entre em vigor só depois das eleições.
Pediu o prazo de 90 dias, alegando que a medida pode vir no "pior momento
possível" e beneficiar Lula. Um cálculo de quem teme não chegar ao segundo
turno.
Numa só tacada, deu mais munição aos
petistas na hora de explorar o mote da soberania, desagradou a Faria Lima e os
empresários (que já tratam a vitória de Lula como "provável"),
intensificou o fogo amigo contra a própria campanha (o núcleo liberticida
instalado nos EUA, tendo à frente o filho 03 e o neto do general da ditadura,
não tolera a coordenação do senador Rogério Marinho nem os marqueteiros) e
promoveu de vez o racha com a "direita limpinha".
Além do caso Dark Horse,
o 01 enfrenta o desafio do voto feminino, que soma 52,47% do total e foi
decisivo para a derrota do pai. O abismo é grande –segundo recente pesquisa
Quaest, 35% das mulheres se declaram antibolsonaristas– e deve aumentar ainda
mais após a crise com a ex-primeira-dama Michelle. Flávio se esforça para
cacifar a mulher, Fernanda, como uma espécie de Michelle 2.
O problema, no entanto, não é uma mulher em particular, são
as mulheres em geral. Nas redes, grupos radicalizados se mostram contra o voto
feminino, imitando a agenda dos apoiadores de Trump nos EUA. Michelle está
sendo xingada de tudo. Os menos belicosos a consideram "feminista".
Em tempo: Marina
Silva e Simone Tebet lideram a disputa ao Senado em São Paulo, segundo
o Datafolha.

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