O pré-candidato do PSD, ex-governador Ronaldo Caiado,
aguarda os possíveis erros da candidatura do PL para ver se consegue reverter
sua situação na corrida presidencial
A crise familiar dos Bolsonaros pode ter desdobramentos na
campanha eleitoral para a Presidência da República. O prazo para registro das
candidaturas termina em 5 de agosto, e até lá os partidos podem mudar seus
pré-candidatos. Há quem desconfie de que o ex-presidente Jair Bolsonaro não
esteja totalmente alheio aos movimentos de sua esposa, Michelle, e de que ela
não teria gravado sem aquiescência dele aquele vídeo em que praticamente rompe
com a candidatura de seu enteado Flávio.
Embora à primeira vista pareça quase impossível que o pai
abandone o filho por causa da madrasta, os ventos políticos podem fazer com que
a candidatura de Flávio se inviabilize. Pelo menos é o que parece esperar
Michelle. O temor, ou desconfiança, de que surgirão novos fatos contra Flávio
domina parte do grupo bolsonarista, e a insegurança é grande no seu entorno. As
próximas pesquisas podem indicar um caminho novo ou confirmar a candidatura de
Flávio, caso os escândalos recentes não o tenham ferido de morte.
O pré-candidato do PSD, ex-governador
Ronaldo Caiado, aguarda os possíveis erros da candidatura do PL para ver se
consegue reverter sua situação na corrida presidencial. A escolha do presidente
do partido, Gilberto Kassab, para candidato a vice pode tanto significar que a
legenda quer se distanciar de alianças tóxicas, como alegam, como fraqueza na
articulação partidária. A campanha de Caiado está convencida de que, se ele
conseguir chegar aos 10 pontos nas próximas pesquisas, estará aberto um caminho
alternativo para os eleitores que não querem a polarização. A crise no PL pode
também levar a um acordo já no primeiro turno, já que o apoio a Flávio é
questão fechada no PSD no segundo turno.
Esclarecimento
O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF),
classifica de “erro factual” eu ter dito que os ministros votaram a
flexibilização dos penduricalhos “em causa própria” e pergunta que vantagem
pessoal ele tirou da nova decisão do Supremo. Evidentemente, não acusei
individualmente os ministros. A causa própria a que me referi é a da classe dos
servidores do Judiciário. Não tenho ideia se algum ministro do Supremo receberá
aumento em seus vencimentos devido à decisão.
Dino também pede para esclarecer que a votação sobre os
penduricalhos do Judiciário terminou com 6 votos pela manutenção do teto de 35%
(relatores Flávio Dino, Alexandre de Moraes, Cristiano Zanin, Gilmar Mendes,
presidente Edson Fachin e Cármen Lúcia); e os demais 4 votos (Luiz Fux, Dias
Toffoli, André Mendonça e Kassio Nunes Marques) defenderam a retirada do teto
de 35% para pagamento de penduricalhos retroativos. Com a decisão, o teto
fixado passa de R$ 46,4 mil, o salário de ministros do Supremo, para R$ 78,8
mil. Entre as decisões aprovadas por unanimidade está um aumento de 5% a cada
cinco anos de serviço, benefício que havia sido extinto há 20 anos.
Desgastes
A prisão do vereador Senival Moura (PT) na Operação Última
Parada deixou de ser apenas problema municipal para o partido, na visão dos
coordenadores da campanha de reeleição do governador Tarcísio de Freitas. O
caso ganhou peso nacional desde que veio à tona o fato de o relatório da
investigação citar Jilmar Tatto, vice-presidente nacional do PT e um dos nomes
mais antigos do partido na área de transportes. A investigação trata da lavagem
de dinheiro do PCC na Transunião, empresa de ônibus da Zona Leste de São Paulo.
O setor é historicamente ligado à estrutura política petista na capital. A
pergunta que circula nos bastidores é: se a apuração seguir o caminho do
dinheiro, ficará restrita a Senival ou poderá alcançar campanhas e estruturas
partidárias? Para Haddad, o risco nasce em seu principal território político:
São Paulo. Para Lula, o desgaste é nacional ao misturar PT com PCC, transporte
público e suspeita de financiamento político.

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