Os dois candidatos mais rejeitados, os mais odiados, os
mais cotados para vencer as eleições não se dispõem a expor suas ideias ao
grande público, nem se expor à sanha dos adversários em busca de um lugar no
segundo turno.
Dentro de uma semana exata começa oficialmente a campanha
eleitoral brasileira, o que não significa que os candidatos estejam parados. Já
houve movimentos que indicam tendências, como a de não participar de debates e
entrevistas por parte dos dois candidatos mais bem posicionados nas pesquisas
de opinião, o presidente Lula e o senador Flavio Bolsonaro. Os mais rejeitados,
os mais odiados, os mais cotados para vencer as eleições, exatamente esses não
se dispõem a expor suas ideias ao grande público, nem se expor à sanha dos
adversários em busca de um lugar no segundo turno. Os dois têm dificuldades
próprias, a começar pelos filhos.
Na verdade, Lula tem o Lulinha em situação
difícil, mas quem tem problemas com o filho do lado da direita é o
ex-presidente Jair Bolsonaro, que indicou Flavio como seu avatar e está vendo a
candidatura sendo arrastada por escândalos sucessivos. Os dois super
adversários não se cansam de dar ao opositor razões para críticas. Não bastasse
o passado de cada um - um esteve preso por corrupção, o outro está preso por
tentativa de golpe -, há o presente.
O filho de Lula está sendo investigado por três inquéritos
no Supremo Tribunal Federal (STF), todos envolvendo um caso delicadíssimo, o
roubo dos aposentados do INSS. A dificuldade do governo é que Lulinha é amigo
da lobista Roberta Luchsinger, e há indícios de que era usado por ela e pelo
Careca do INSS para abrir portas no governo atrás de negócios. A desconfiança
foi reforçada pela descoberta de que a mesma Roberta “emprestou” dinheiro para
Marcola, o chefe de Gabinete do presidente Lula.
A cinquenta dias da eleição, essa bomba de efeito retardado
abalou a candidatura do pai, e agora se concretizou com as investigações. O
efeito retardado foi constatado por pesquisas, que indicam que o escândalo teve
pequena repercussão inicial, ao contrário de outros, como o envolvimento do
senador Jaques Wagner, então líder do governo, com um sócio do ex-banqueiro
Daniel Vorcaro, mas teve permanência maior nas redes sociais, chegando a
superar outros. Lula pediu ao filho, que mora na Espanha, para vir ao Brasil e
responder aos interrogatórios, para ver se encerra o assunto antes da campanha
eleitoral pegar fogo. Mas é difícil, porque esse assunto vai ser falado,
discutido e apontado por seus adversários em todos os programas.
Lula vai ter que conviver com o assunto, e já está encarando
a situação com pragmatismo, dizendo que se o filho tiver culpa, terá que pagar.
Mas mesmo pagando, não isentará Lula de acusações, porque o presidente da
República não pode ter um filho que se mete em negociatas - se for provado. Os
outros candidatos vão se aproveitar da fragilidade dos dois. Bolsonaro filho,
desde a descoberta dos pedidos de milhões ao ex-banqueiro Vorcaro para
supostamente financiar um filme sobre seu pai, vem vendo sua imagem esvanecer.
Na pesquisa mais recente, recuperou terreno. Vamos ver como vai impactar no
eleitorado. As pesquisas mais recentes não captaram a percepção do eleitorado
sobre as últimas crises no PT. A escolha do relator da CPI do INSS para vice –
é uma chapa pura do PL – indica que eles vão explorar muito a questão do rombo
do INSS, a investigação do Lulinha junto com o careca do INSS e a lobista.
Vai ser um ponto importante na campanha, que prejudicará
Lula. A direita está muito fragmentada, os outros candidatos têm pouco voto –
nenhum deles chega a 10%, o que era a esperança do ex-governador de Goiás
Ronaldo Caiado para mostrar viabilidade. Interessante notar que todos os
candidatos, à exceção de Lula, terão chapa pura, porque não conseguiram fazer
coligações. Obrigatoriamente farão no segundo turno, e presumivelmente apoiarão
Flavio Bolsonaro, ou quem chegar competitivo.

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