Comandantes do Congresso, centrão e parte do STF jogam
fichas na reeleição de olho em garantias
Kassab disse alto o nome de um jogo perceptível, mas que
estava sendo jogado com discrição
Gilberto
Kassab (PSD)
revelou um segredo de polichinelo quando disse que "o centrão está
com Lula".
Quem não sabia disso passou a desconfiar a partir das digitais do Palácio do
Planalto nas declarações de neutralidade de partidos como PP, União Brasil, Republicanos,
Podemos e MDB.
A certeza veio pela voz do ministro das Relações
Institucionais, José Guimarães (PT), na saída do segundo encontro entre Luiz
Inácio da Silva (PT) e Davi
Alcolumbre (União) depois de três meses sem se falarem.
"O Davi está absolutamente sintonizado
com a reeleição de Lula", disse Guimarães, dando mais destaque ao apoio
eleitoral que ao efeito que a retomada da convivência entre os presidentes da
República e do Congresso venha a ter sobre o bom andamento dos trabalhos
legislativos.
Dois dias antes, o presidente da Câmara, Hugo Motta
(Republicanos), se declarara em igual sintonia quanto à recondução de Lula para
o quarto mandato.
Kassab abriu o jogo. Deu sujeito, verbo e predicado ao
enunciado do roteiro que o mundo da política localizado do centro à direita
vinha escrevendo sobre o futuro da candidatura de Flávio Bolsonaro (PL) com alguma
discrição: não dar camisa à família para os planos de 2030.
E não é só o centrão. Há parte do Supremo Tribunal Federal
também na jogada, como se viu com nitidez na iniciativa dos ministros Alexandre
de Moraes e Cristiano
Zanin de atuar como políticos na reaproximação entre Lula e
Alcolumbre.
Uma combinação de interesses para 2027. A aposta de contar
com um resultado das urnas ainda indefinido pode ser arriscada, mas é o que
fazem esses personagens em busca de garantias recíprocas.
Os presidentes da Câmara e do Senado colocam
suas fichas no apoio de Lula reeleito para a recondução aos cargos a partir de
fevereiro; os ministros do STF enxergam
aí chance de se manter a barreira a processos de impeachments.
Já o centrão teve boa vida, não acredita em promessas de
"guerra" contra emendas e não vê razão para mudar.

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