Falta uma política corajosa para enfrentar os problemas
da Amazônia e revertê-los em favor dos brasileiros
A campanha eleitoral esconde os problemas brasileiros. Os
candidatos habitam outra realidade. Os debates são vazios, cheios de
ideias genéricas e afirmações coléricas sobre questões aleatórias. Um
deles mencionou até a possibilidade de o país construir a bomba atômica.
Retórica pura. Longe da realidade. Houve candidato que chegou
perto. Ronaldo Caiado afirmou que a bandidagem transformou a Amazônia em
santuário porque ali os traficantes agem livremente. A região se
transformou na Disneylândia dos criminosos.
Esse é o resultado do abandono da Amazônia
durante séculos. Em tempos recentes, os ambientalistas começaram a gritar
em favor da preservação da floresta. Apareceu a política de criar reservas
florestais enormes. A dos ianomamis, no norte de Roraima, por exemplo,
possui área maior do que o território de Portugal. Os indígenas ali
localizados somam no máximo três mil pessoas. Não há força armada, no
Brasil, capaz de defender de maneira eficiente, aquele território na
região de fronteira com a Venezuela.
Os jornais publicam reportagens sobre ação da Polícia
Federal na repressão a garimpos clandestinos. Enxugar gelo. Segundo
estimativas oficiais, operam na Amazônia cerca de 20 mil garimpeiros. É
muita gente. E muito dinheiro envolvido, o que favorece a corrupção. O
Brasil é refém da chantagem dos países desenvolvidos, que acusam
os brasileiros de não preservar a floresta. Os europeus não preservaram
nada. Os norte-americanos mataram os índios, avançaram sobre as planícies do
meio-oeste e cultivaram suas imensas plantations. Eles dizem farms here,
forests there. Fazendas aqui e florestas lá. Ou seja, eles fazem agricultura,
mas os brasileiros devem se limitar a preservar a Amazônia para que os
gringos venham fotografar macaco e jacaré.
Falta uma política corajosa para enfrentar os problemas da
Amazônia e revertê-los em favor dos brasileiros. Agora, surge petróleo no
Amapá. Os ambientalistas gritam em favor da preservação da floresta. Não
gritaram quando o petróleo apareceu nas costas de São Paulo, Rio de
Janeiro e do Espírito Santo. As cidades do litoral fluminense desfrutaram
de notável desenvolvimento. Uma delas criou até moeda própria. O petróleo
do pré-sal salvou a economia dos estados do centro-sul e retirou o Brasil de
situação econômica difícil. O país importava a maior parte do petróleo que
consumia. Era um impedimento ao crescimento da economia nacional. Até Fernando
Gabeira, em artigo recente, admitiu a prospecção de petróleo no Norte
brasileiro.
Em 1982, a importação de petróleo pelo Brasil alcançou US$ 8
bilhões, ou 44% do total das exportações nacionais, com o preço médio do
barril em torno de US$ 34. Agora está perto de US$ 100. Até aquela data, o
país estava estrangulado pela chamada conta petróleo, que crescia sem
parar. Hoje, o Brasil produz mais de quatro milhões de barris e exporta um
milhão deles. A descoberta do pré-sal reinventou o Brasil. Abriu
novas possibilidades e permitiu que os brasileiros começassem a pensar em
se tornar um país desenvolvido. Os políticos, no entanto, ainda estão nos anos
setenta. O mundo mudou. A China inventou o capitalismo de estado, copiado
pelo Vietnã. Cuba vai pelo mesmo caminho. A Albânia, que foi comunista
radical, tornou-se membro da Organização do Tratado do Atlântico Norte
(Otan) e candidato a integrar a União Europeia.
Donald Trump é evento passageiro. Ele encontrou seu Vietnã
na guerra contra o Irã, que não sabe como terminar. O mundo assiste a
decadência de um colosso. O Brasil descobriu a necessidade de buscar novos
mercados. Acordou do sono que o embalava em berço esplêndido. A descoberta
de petróleo no Norte do país significará, dentro de alguns anos, a geração
de recursos necessários para integrar a região ao resto do país. Deverá
haver dinheiro para fazer a correta defesa da floresta, colocar garimpeiros
na moldura certa e combater traficantes de todas as espécies. E integrar o
Norte do país.
A pequena Oiapoque, na fronteira com a Guiana Francesa,
tinha aeroporto modesto. Foi reformado pela Petrobras para receber os
aviões que trazem operários qualificados. E atender a voos regulares. Os
helicópteros também já estão operando ali. Apareceram forasteiros,
comerciantes, padres, advogados, meninas disponíveis e gente em busca
de emprego. A estrada que liga a cidade a Macapá deve receber asfalto em
curto prazo. Estava em estado bruto desde que o Barão do Rio Branco fixou a
fronteira na negociação com os franceses, no início do século 20. Há outra
possibilidade que vai provocar ainda mais os ambientalistas: é a
possibilidade de petróleo em terra firme na região do Rio Tacutu, em
Roraima. Do outro lado da fronteira, na Guiana, na bacia do mesmo rio, jorrou o
óleo negro no poço denominado Karanambo I.

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