Já está ficando claro que a economia, seja qual for o
presidente eleito, necessitará de uma ampla reforma para conter o déficit
público.
Sempre tivemos uma base de cerca de 40% dos eleitores que
escolheram votar contra Lula nas eleições presidenciais de que participou desde
1989. Com candidatos como Collor ou Aécio Neves, esse número subiu, e não havia
extrema-direita nessas disputas. Com o surgimento de Bolsonaro, a retórica foi
estressada e a essa massa de votantes antilulistas agregou-se uma atuação
violenta, tanto física quanto verbal, e antidemocrática, o país ficou
claramente dividido.
A eleição de 2026 pode ser a última com essa característica,
pois Lula, se eleito, já estará com 85 anos em 2030, e não poderá se candidatar
a um quinto mandato. Bolsonaro, sem a anistia que seus aliados prometem, estará
fora da disputa política e terá constatado que não basta indicar um candidato
para vencer. No PT, não há sinais de que o pós-Lula trará algum líder do seu
tamanho, e assim como os partidos que Brizola criou - PTB e PDT - não são
forças políticas relevantes hoje, o PT pode continuar existindo, mas não terá
importância política. O mesmo aconteceu com o PSDB, que hoje não é o mais
pálido reflexo da época de Fernando Henrique Cardoso.
A eleição de 2030 pode ser o recomeço de um
ciclo partidário, e seria bom que o Congresso a ser eleito este ano não se
preocupasse apenas com as emendas parlamentares, e fizesse uma reforma geral
que incluísse a partidária, necessária a que o país retome a possibilidade de
fazer parte de um mundo democrático civilizado, com regras claras e contenções,
que hoje parecem não existir, inclusive no Judiciário e no Executivo.
Já está ficando claro que a economia, seja qual for o
presidente eleito, necessitará de uma ampla reforma para conter o déficit
público. O cotidiano nos mostra que também no plano social teremos que fazer
mudanças mais profundas, pois já não bastam benefícios que não mudam a
estrutura da sociedade, que continua desigual em níveis inaceitáveis. A começar
pela educação, base de qualquer mudança estrutural que se pretenda fazer no
país.
É surpreendente que sucessivos governos não consigam
melhorar o nível educacional de nosso ensino, que deveria ser o ponto principal
de qualquer governo. É exemplar desse descaso a campanha presidencial que fez o
ex-ministro Cristovam Buarque em 2006, jocosamente apelidado de “candidato de
uma nota só” porque tratava basicamente da questão educacional, que obteve
apenas 2,4% dos votos. Vinte anos depois, a situação continua sem solução,
apesar dos avanços que já tivemos, desde o acesso à escola até o financiamento
do ensino fundamental e básico. Os resultados de nossos estudantes nos testes
internacionais continuam sendo lastimáveis em comparação com outros países.
Não se ouvem propostas dos candidatos para um projeto de
futuro para o país, problemas antigos continuam a nos assombrar, novos surgem,
o imediatismo da política ditando as retóricas populistas dos candidatos.
Segurança pública e corrupção são a bola da vez, assim como já foram a saúde, a
educação. Flavio Bolsonaro não consegue montar sua chapa para a eleição de
outubro, e fica claro que as dificuldades do candidato continuam. Todos os
acontecimentos recentes o prejudicam e neutralizam a capacidade do bolsonarismo
de mobilizar apoios.
Se, apesar de tudo, Flavio se mostrar resiliente e capaz de
chegar ao segundo turno com competitividade, vai atrair os apoios que se negam
agora. O problema é que ninguém acredita que ele possa chegar bem. Lula, com a
novidade de o filho estar sendo investigado pela Polícia Federal, com o apoio
do ministro do Supremo André Mendonça, pode perder votos, os independentes
serem estimulados a voltar para a direita. Está tudo indefinido e, na
indefinição, Flavio perde para Lula, que além da sua história, tem a máquina
pública a seu favor e vai abusar do poder de ser incumbente, como todos fazem.
Até agora, Flavio tem demonstrado pouca firmeza, sem conseguir apoio dentro de
sua gente. Se tivesse conseguido Teresa Cristina para vice, estaria de volta ao
jogo.

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