O problema não é a amizade, mas o reflexo que essa
relação tem sobre as atitudes do presidente do Senado
A negligência deliberada é evidência da atuação de Davi
Alcolumbre em favor do irmão fraudador
Estava demorando para Davi
Alcolumbre (União Brasil-AP)
entrar na dança das influências de Daniel Vorcaro. Entra não por ser amigo do
vigarista —pode acontecer com qualquer um. Cai na roda do escândalo por suas
atitudes como presidente do Senado.
As
mensagens divulgadas pela revista Veja dizem muito a respeito da conduta
passivo-agressiva de Alcolumbre no transcorrer da crise que atinge os três
Poderes.
Por exemplo, fornecem ao ministro Cristiano
Zanin as evidências que ele alegou inexistentes ao
negar pedido do senador Alessandro Vieira (MDB-SE) para que o Supremo
Tribunal Federal desse aval à instalação de uma CPI para investigar o caso
Master.
Zanin pediu provas da omissão, como se o
silêncio diante de um requerimento com assinaturas e fato determinado na
conformidade do regimento não comprovasse a negligência deliberada.
As expressões de "amor", "gratidão" e
juras de fraternidade eterna entre Alcolumbre e Vorcaro iluminam o sigilo
imposto a informações sobre
visitas de personagens do caso ao Senado e declarações do presidente da
Casa nas duas únicas ocasiões em que se pronunciou sobre o assunto.
Na primeira, disse que não tinha de "achar nada"
sobre o abalo à República. Na segunda e derradeira antes de anunciar
"providências" contra os mensageiros, foi à tribuna para ameaçar
falar umas verdades, sem dizer sobre o quê ou a respeito de quem.
Atos de intimidação que em tempos normais causariam no
mínimo estranheza vindos do chefe de um Poder ao qual caberia razão e
sensibilidade no trato de uma situação de gravidade ímpar. Mas, como sabemos,
não vivemos tempos normais e os desatinos diluíram-se no cipoal de disparates
diários.
Estabelecida a natureza da ligação entre o presidente do
Congresso e o fraudador-mor, abre-se o caminho para se saber mais sobre o
aporte de R$ 400 milhões do fundo de pensão dos servidores do Amapá
—presidido por ex-funcionário de Alcolumbre— no banco podre do amigo digno de
amor e gratidão.
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