Como os líderes do PCC e CV, Vorcaro mantém seu poder na
prisão e lucra com a crise institucional
Assim como os líderes do PCC e do CV mantêm comando sobre as
facções, mesmo presos em penitenciárias de alta segurança, o ex-banqueiro
Daniel Vorcaro sustenta seu poder destrutivo contra as instituições, mesmo
depois de meses trancafiado na Papudinha, em Brasília.
Tal como cooptou figuras centrais de Legislativo, Judiciário
e Executivo quando era biliardário e estava solto, Vorcaro continua sendo
personagem-chave na guerra que sacode a capital da República, com ação
calculada para jogar os ministros do Supremo uns contra os outros e a Polícia
Federal e a PGR no meio da fogueira.
De burro, Vorcaro não tem nada. Ele é
estratégico e tira partido de um ambiente institucional poluído e repugnante,
em que Alexandre de Moraes, reconhecido como aliado de Lula, está no fundo de
um poço sem volta, e André Mendonça, admitido como aliado dos Bolsonaro, é quem
dá as cartas no escândalo Master no Supremo.
Com Flávio Bolsonaro diretamente envolvido, Vorcaro age para
puxar o governo Lula junto e reforçar a percepção popular de que “não sobra
ninguém”, o que favorece “acordões”, dificulta soluções, condenações e prisões
definitivas. O melhor dos mundos para um criminoso como o ex-banqueiro.
O PGR Paulo Gonet entra na história como da “turma do Gilmar
Mendes” e aliado (ou advogado?) de Moraes, mas também na situação
constrangedora de autodefesa. Afinal, é mais um dos “amigos” que gosta, e
desfruta, dos charutos e do uísque de Vorcaro. Qualquer decisão que tome no
caso seria usada contra ele, como foi e continuará sendo.
Vorcaro tenta produzir o mesmo efeito contra o delegado
Andrei Rodrigues, que comanda a PF, instituição mais respeitada nessa confusão
toda. No dia em que deveria depor à PF, o ex-banqueiro escapuliu e foi
escondido para o gabinete de Mendonça no STF, para jogar insinuações e dizer
que tem “relação cordial” com o delegado.
Não foram só Gonet e Andrei Rodrigues, porém, que se
encontraram com Vorcaro, mas o próprio Mendonça. Mesmo que não haja nada demais
nesse encontro, a revelação reforça a triste e avassaladora percepção nacional
de que “todos são iguais”.
Em nota, o Instituto Não Aceito Corrupção (INAC) elogia a
quebra de sigilo das investigações sobre Moraes, mas pedindo que Mendonça
“quebre o sigilo igualmente dos casos INSS e Dark Horse”, inclusive para evitar
impacto nas eleições.
O País exige transparência e igualdade para o caso de
Moraes, Lulinha e Flávio e espera que tanto Gonet, Rodrigues e o próprio
Mendonça expliquem, sem tergiversar, qual o grau de relação com Vorcaro – o
único ser no País e no planeta que se beneficia da tragédia institucional.

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