Há, para mim, duas questões centrais em jogo. Em primeiro
lugar, a democracia. O ponto, digamos, mais profundo de risco à democracia é a
negação da tentativa de golpe de 2022 por Flávio Bolsonaro.
A crise no STF completou o processo de esgarçamento
institucional. O presidencialismo de coalizão está paralisado com o
desequilíbrio nas relações Executivo/Legislativo. O resultado das eleições para
o Congresso agrava esse quadro com uma bancada expressiva de extrema-direita. E
a crise no STF atinge a capacidade de mediação e resolução de conflitos entre
os dois Poderes.
O resultado das eleições para o Congresso
agrava esse quadro com uma bancada expressiva de extrema-direita.
O segundo tema crucial é a preparação do país para a
travessia na longa transição estrutural global iniciada pela revolução digital.
Trata-se de uma metamorfose global que mudará significativamente a política e a
economia na construção da sociedade digital. Cada país terá que encontrar o seu
caminho, enfrentando as dificuldades da transição e se aproveitando das
oportunidades de mudança nos padrões de produção, consumo, trabalho, educação e
representação política. A começar por saber usar e controlar a IA, nosso
desafio imediato.
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