Detido após importunar mulheres e disparar tiro em boate,
deputado do PL é crítico do Bolsa Família, tentou banir pornografia e diz
defender a 'moral cristã'
Marcelo Aguiar é um típico cidadão de bem. Dublê de cantor
gospel e deputado estadual pelo PL de São Paulo, apresenta-se como um político
devotado aos “valores cristãos”, à “defesa da família” e à “proteção das
crianças”. “Minha trajetória é feita de canções, de fé, de luta e de
esperança”, pontifica, em sua página oficial.
Casado e pai de dois filhos, o representante do povo se
descreve como guardião dos “princípios da moral cristã”. “Sua atuação
parlamentar é pautada por firmeza ética, preparo técnico e sensibilidade
social”, assegura, falando de si mesmo na terceira pessoa.
Apesar da autoavaliação imodesta, o
deputado ainda não se destacou pela produção legislativa. Seu projeto de lei
mais célebre visa obrigar as operadoras de internet a bloquearem sites de
pornografia para combater o que ele chama de vício em masturbação.
“Os jovens são mais suscetíveis a desenvolver dependência e
já estão sendo chamados de autossexuais, pessoas para quem o prazer com sexo
solitário é maior do que o proporcionado pelo método, digamos, tradicional”,
justifica. O texto aguarda votação há dez anos.
No início do mês, Aguiar concedeu entrevista ao podcast
Assembleianos de Valor. Ao lado do deputado federal Pastor Marco Feliciano,
orientou irmãos de fé a apoiarem políticos como eles. “Quem votar na esquerda
vai votar em quem não acredita na família, em quem quer destruir a religião”,
praguejou.
O deputado-cantor também expôs uma visão negativa dos
programas de transferência de renda. “Querem dar uma escravidão para o pobre”,
repreendeu. “É isso o que a esquerda quer fazer com o pobre. Eles não querem
fazer o pobre prosperar. Querem fazer o pobre ficar dependente do Bolsa
Família”, arrematou.
Na madrugada desta segunda, Aguiar foi detido após disparar um tiro e causar pânico na casa noturna Santo Cupido. Segundo testemunhas e policiais ouvidos pelo G1, estava embriagado e importunava mulheres. O carro preto com placa oficial ficou estacionado na porta da boate. Cambaleando, o deputado chegou à delegacia amparado por dois PMs. Prestou depoimento e foi liberado sem teste de alcoolemia.

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