terça-feira, 9 de outubro de 2012

JORNALISMO DE RISCO

Por Eliane Brum, Época
Um repórter ameaçado de morte
Em 14 de julho, André Caramante, repórter da Folha de S.Paulo, assinou uma matéria com o seguinte título: “Ex-chefe da Rota vira político e prega a violência no Facebook”. No texto, de apenas quatro parágrafos, o jornalista denunciava que o coronel reformado da Polícia Militar Paulo Adriano Lopes Lucinda Telhada, candidato a vereador em São Paulo pelo PSDB nas eleições do último domingo, usava sua página no Facebook para “veicular relatos de supostos confrontos com civis”, sempre chamando-os de “vagabundos”. Em reação à matéria, Telhada conclamou seus seguidores no Facebook a enviar mensagens ao jornal contra o repórter, a quem se referia como “notório defensor de bandidos”. A partir daquele momento, redes sociais, blogs e o site da Folha foram infestados por comentários contra Caramante, desde chamá-lo de “péssimo repórter” até defender a sua execução, com frases como “bala nele”. Caramante seguiu trabalhando. No início de setembro, o tom subiu: as ameaças de morte ultrapassaram o território da internet e foram estendidas também à sua família. 
O que aconteceu com o repórter e com o coronel é revelador – e nos obriga a refletir. Hoje, um dos mais respeitados jornalistas do país na área de segurança pública, funcionário de um dos maiores e mais influentes jornais do Brasil, no estado mais rico da nação, está escondido em outro país com sua família desde 12 de setembro para não morrer. Hoje, Coronel Telhada, que comandou a Rota (Rondas Ostensivas Tobias de Aguiar) até novembro de 2011, comemora a sua vitória nas eleições, ao tornar-se o quinto vereador mais votado, com 89.053 votos e o slogan “Uma nova Rota na política de São Paulo”.
O que isso significa?
Os 13 anos em que André Caramante cobre a área de segurança pública são marcados pela denúncia séria, resultado de apuração rigorosa, dos abusos cometidos por parte da polícia no estado de São Paulo. A relevância do seu trabalho foi reconhecida duas vezes pelo Prêmio Folha de Jornalismo. Caramante já denunciou sete grupos de extermínio formados por policiais militares e civis, assim como por ex-policiais. Mantém sua própria planilha na qual registra os mortos pela polícia. E faz a denúncia sistemática da figura amplamente difundida da “resistência à prisão” como justificativa para execução, em geral dos suspeitos mais pobres. Por sua competência, Caramante ganhou o respeito da sociedade interessada em uma polícia eficiente, com atuação pautada pelo cumprimento da lei – e o ódio de uma minoria truculenta, os maus policiais, tanto militares quanto civis, e daqueles cujos interesses e projeto de poder estão ligados a eles.
Antes de ser jornalista, Caramante quis ser jogador de futebol. Morador da periferia de São Paulo, comprou a primeira chuteira vendendo papelão. Era “um meia-direita dedicado”, na sua própria avaliação, e usou a chuteira com brio nas peladas de várzea e nas peneiras na Portuguesa, no Novorizontino e no Palmeiras, clubes nos quais chegou a treinar nas categorias de base. A necessidade de ajudar com as despesas da casa o despachou para a arquibancada. Em especial a da Vila Belmiro, por um amor incondicional pelo Santos herdado do pai.
Aos 11 anos, Caramante começou a trabalhar como camelô, vendendo chocolates e sacolas no Brás, em São Paulo. Mais tarde, aos 17, o estudante de escola pública pagou a faculdade de jornalismo da Uniban com o salário de office-boy e com os vales-transporte que economizava fazendo o serviço a pé. “Não sabia se a faculdade era boa ou ruim, não entendia dessas coisas, apenas sabia o que queria fazer”, conta. “O livro Rota 66, de Caco Barcellos, tinha me mostrado o que era jornalismo.”
Em seu livro Rota 66 – a história da polícia que mata (Record), Caco Barcellos, um dos grandes nomes do jornalismo brasileiro, hoje na TV Globo, investigou o trabalho da Rota entre as décadas de 1970 e 1990. E provou que ela atuava como um aparelho estatal de extermínio, responsável pela execução de milhares de pessoas. A reação às denúncias obrigou o repórter a passar um período fora do Brasil, devido a ameaças de morte. Duas décadas depois do lançamento do livro que o inspirou, Caramante vive uma situação semelhante.
A notícia de que ele estava vivendo escondido, com a família, vazou na semana passada, em matéria da Revista Imprensa. Até então, Caramante pretendia manter o fato em sigilo. A decisão de esconder-se com a família foi difícil para o repórter que nunca quis virar notícia – e que sempre evitou ser fotografado. Enquanto era alvo único das ameaças de morte, Caramante manteve uma rotina normal. O jornalista só aceitou se mudar para um destino secreto quando sua família passou a ser ameaçada. Mesmo assim, para ele é ponto de honra seguir com seu trabalho de reportagem. Pela internet, envia informações ao jornal com frequência. E segue assinando matérias na área da segurança pública.
Quando um repórter é obrigado a mudar de país e se esconder com a família por fazer bem o seu trabalho e prestar um serviço à população, ao fiscalizar os órgãos de segurança pública, este não é um problema só dele – mas da imprensa, que tem o dever de informar, e da sociedade, que tem o direito de ser informada. É disso que se trata.
Na entrevista a seguir, feita por email entre sexta-feira e domingo, André Caramante, 34 anos, fala sobre a situação de exceção que ele e sua família estão vivendo, mas principalmente sobre as complexas relaçõesentre violência e poder que a tornaram possível.
Em 14 de julho, você publicou na Folha de S.Paulo uma matéria com o seguinte título: “Ex-chefe da Rota vira político e prega a violência no Facebook”. Você se referia ao coronel reformado Paulo Adriano Lopes Lucinda Telhada, que comandou a Rota, em São Paulo, até novembro de 2011, e, nestas eleições, disputou uma vaga para vereador pelo PSDB. O que aconteceu a partir desta matéria que o levou a, dois meses depois, ter de esconder-se com a família?
André Caramante - Cubro segurança pública há 13 anos, então, muito dessa situação não é exatamente novidade. Nestes 13 anos, sempre mantive minha lupa sobre os abusos cometidos por policiais, especialmente no que diz respeito à letalidade. Considero legítimo que a sociedade possa fiscalizar o Estado, especialmente seu braço armado. Não podemos considerar eficiente uma polícia que mata tanto quanto a do estado de São Paulo. Entre 2006 e 2010, a Polícia Militar de São Paulo matou nove vezes mais do que todas as polícias dos Estados Unidos juntas. A cultura da nossa polícia militarizada permite que se mate sem que se conheça sequer a identidade do "oponente". É tão normal e aceitável quanto utilizar uma figura jurídica inexistente para preencher o boletim de ocorrência – a "resistência (à prisão) seguida de morte". A morte do empresário Ricardo de Aquino por policiais militares no bairro Alto de Pinheiros (em São Paulo) colocou a questão na agenda da mídia e das autoridades alguns meses atrás. Como ele, vários outros foram vítimas dessa cultura e do mau treinamento. É óbvio que alguns policiais agem na ilegalidade e a maioria age dentro da lei. Também faço um trabalho consistente de denúncia de grupos de extermínio formados por policiais militares e civis e ex-policiais civis e militares, tendo revelado ao menos sete deles. São grupos que, ao exemplo das milícias do Rio, tentam controlar as atividades ilícitas na cidade – máquinas caça-níquel e tráfico de drogas, às vezes cruzando o caminho do PCC – e geram mortes. Há grupos bem estruturados e com braços de inteligência. Um deles, inclusive, planejou a morte de um integrante do alto escalão do governo paulista, sem que tenha conseguido levar a cabo a ação.Meu trabalho de denúncia também abrange a corrupção na Polícia Civil. Hoje, as coisas se dividem mais ou menos assim no Estado de São Paulo: alguns integrantes da PM cometem violência e alguns da Civil escorregam na corrupção. São questões totalmente relacionadas a poder e dinheiro. Em dezembro do ano passado, publicamos uma investigação da Polícia Federal que mostrava policiais civis cobrando grandes valores para liberar da prisão suspeitos de tráfico de drogas. Somadas, as propinas chegavam a R$ 3 milhões. É uma conduta isolada? Esquemas assim não surgem do nada. É da cultura da instituição, e são as pessoas que constroem a cultura organizacional. Mudar não é uma questão de ser fácil ou difícil, mas de não ser interessante para as pessoas que estão lá.
Você vem denunciando essa situação há bastante tempo, mas só agora teve de esconder-secom sua família por causa de ameaças de morte. O que aconteceu?
Caramante – O que houve foi não digo o surgimento, mas a publicidade e o crescimento exponencial de um clima favorável à intimidação, no qual pessoas sentiram-se à vontade, ou mesmo incitadas, a disseminar "avisos". A partir da matéria sobre o que estava acontecendo no Facebook houve um acirramento dos ânimos de quem antes já me via como inimigo, além do crescimento quantitativo dos que mantêm os olhos em mim e no meu trabalho de uma forma negativa.Houve uma onda de comentários no Facebook, no Twitter, em blogs e no site da Folha que foram desde "péssimo repórter" até "bala nele". Era só "ativismo de sofá", de gente que só despeja frases no teclado do computador? Provavelmente.Depois, alertas de caráter dúbio – "Quando acontecer algo com alguém da sua família...", "Quando você for sequestrado..." – surgiam nos espaços de comentários do site da Folha em qualquer reportagem que eu escrevesse e até naquelas em que não tive participação, mas que traziam denúncias contra membros das polícias. Também orquestraram o envio de diversas cartas contra mim, enquanto profissional, para a Folha.Após pouco mais de um mês de bombardeio digital, as ameaças tornaram-se mais concretas, com fatos atualmente sob investigação das autoridades competentes. 
Que fatos são estes?
Caramante – Não falo de um fato, mas de uma série, que se iniciou dias após aquela onda nas redes sociais. Foram ligações, comprovações por fontes altamente confiáveis,de que estavam levantando informações de familiares, motos em trajetos curiosamente iguais aos meus. Não acho possível dimensionar a gravidade do risco, e também chegou-se a um ponto em que não valia mais a pena ficar avaliando. Decidi ouvir gente mais experiente do que eu e, em conjunto com o jornal, foi tomada uma decisão: trabalho à distância.
Não estou fisicamente na redação desde o início de setembro, sem que tenha saído da ativa. Esta é uma situação em que o risco físico toma a cena, mas certamente ele não é o único. Venham de onde vierem, a ameaça e a intimidação têm o objetivo de desestabilizar, tirar de cena. Jogam com o risco psicológico também, testam quão boa é a sua cabeça e quão forte é a sua corrente.
Qual é o papel do Coronel Telhada, ex-comandante da Rota, nesta série de ameaças?
Caramante – Em sua página, o coronel reformado começou a divulgar relatos de confrontos entre PMs da Rota e civis – estes sempre chamados de "vagabundos” –, além de divulgar fotos de pessoas que, segundo ele, eram suspeitos de crimes. Fiz um texto objetivo, relativamente curto, sobre isso. No dia da publicação no jornal, 14 de julho, ele postou no Facebook uma mensagem na qual me acusava de "defender abertamente o crime" e pedia uma mobilização contra mim. A conduta desse senhor deflagrou uma onda de tentativas de intimidação, de incitação à violência contra um jornalista – um profissional que apenas retratou o que o próprio coronel reformado registrou publicamente na rede social. Não estou dizendo que ele quis ou que ele não quis incitar atos violentos. Estou dizendo que acabou incitando.
Quem efetivamente está ameaçando você? E quais foram as ameaças?
Caramante – De onde vejo, apontar um ou outro possível autor pode dar grande margem a erro. Tenho minhas suspeitas, mas não cometeria o equívoco de acusar sem provas. Creio que haja dois tipos de ameaça. A primeira se aproxima do "ativismo de sofá", de quem escreve no computador algo que jamais cumprirá. Os autores deste tipo de ameaça não são tão desconhecidos assim, e não é tão difícil encontrá-los nos canais digitais. A segunda, esta sim grave, é a ameaça de quem considera a possibilidade de agir. Aqui estão desde admiradores de policiais alvos de reportagens, pessoas que pouco têm a perder e vivem com parâmetros de raciocínio e moral diferentes dos nossos, até outros que há tempos me têm como um inimigo e podem aproveitar justamente esta visibilidade do caso do Facebook para tentar algo e "colocar na conta" de outro. O caso do Facebook, além de ser apenas uma parte da história, pode ser usado por outros para acobertar eventuais retaliações. Mas, veja, isto é o que eu deduzo com base na minha experiência, não há qualquer base de pesquisa ou de investigação científica.
O que você está dizendo é que pessoas que se ressentem há muito tempo com suas denúncias de abusos cometidos pela polícia estariam se aproveitando do caso do Facebook para se vingar e desviar a responsabilidade para o Coronel Telhada?
Caramante – Sim, é uma possibilidade.
Quando as primeiras ameaças se tornaram públicas, você disse que continuaria a fazer o seu trabalho. Imagino que deve ter sido difícil tomar a decisão de se afastar da redação. Como esta decisão foi tomada?
Caramante – É importante esclarecer que o termo "afastamento" não é apropriado para o meu caso. Continuo exercendo minhas atividades profissionais, onde quer que eu esteja. Não estar fisicamente na redação me causa impedimentos que são irrisórios frente à necessidade atual de garantia da integridade, minha e da minha família.
Quando você deixou de trabalhar na redação?
Caramante – Desde o início de setembro. Os advogados do jornal encaminharam às autoridades uma solicitação de investigação sobre as ameaças. Alterei completamente minha rotina e minha localização.
Foi difícil?
Caramante – Sou trabalhador desde os 11 anos e não tenho dúvidas quanto à profissão que escolhi. A decisão de estar fisicamente ausente da redação não foi nada fácil. Particularmente, via este passo como um sinal de recuo, um erro do ponto de vista do meu ideal e mesmo de estratégia em relação a quem tenta enfraquecer o trabalho da imprensa. O que fizemos, então, foi arquitetar uma ausência que fosse apenas física, com uma operação que permitisse que seguíssemos em frente. Existem inúmeras maneiras de fazer reportagem.
Qual foi a reação da sua família e como eles estão vivendo esse momento?
Caramante – Estão todos cientes e bastante atentos. Não é fácil estar ausente, mas não creio que seria muito melhor estar presente e vivendo com sombras. Meus filhos percebem a situação incomum que vivem atualmente, mas ignoram essa história toda. Felizmente, eles sentem-se seguros onde pai e mãe estão – não importa onde. Minha rede familiar está permeada pelo estresse, mas ela é muito forte. Sempre foi, desde muito antes de toda essa situação. Além disso, a corrente formada por colegas de profissão e entidades daqui e de fora também deixou claro que este não é um problema só meu. Entidades como Repórteres Sem Fronteiras, Knight Center of Journalism (vinculado à Universidade do Texas), Sindicato dos Jornalistas do Estado de São Paulo, Instituto Sou da Paz, coletivo Sindicato É Pra Lutar e movimento independente Mães de Maio se manifestaram publicamente em apoio à minha atuação e ao direito de informar.
É isso que está em jogo, o direito de informar?
Caramante – É uma questão ligada ao direito de informar e de ser informado, e meus companheiros de profissão sabem do que falo. Há, atualmente, no estado de São Paulo, uma grande preocupação por parte de autoridades da segurança pública de tentar evitar que muitos fatos sejam tornados públicos pela imprensa. Por conta disso, funcionários públicos que as autoridades acreditam manter contato com jornalistas passam a ser alvo de perseguição nas instituições às quais pertencem. Muitas vezes, essas perseguições são feitas com base apenas no "achismo".
Que fatos são estes, que as autoridades da segurança pública não querem que se tornem públicos?
Caramante – Qualquer dado que não conste do relatório oficial publicado mensalmente no site da secretaria. Não é exagero. Falo de qualquer dado mesmo. Basta perguntar a quem cobre a área. Não é de hoje. Sempre foi assim. No estado de São Paulo, jornalistas são impedidos de consultar boletins de ocorrência, um documento público. Tudo – absolutamente tudo – tem de passar pelas canetas das assessorias de imprensa da Secretaria e da Polícia Militar. É uma operação extremamente centralizada e que visa impedir o repórter de ir a uma delegacia e obter informações sobre uma ocorrência.
Por quê?
Caramante – Vejo como uma tentativa de construir uma realidade que não existe aqui, como se vivêssemos na Suécia. A proibição do acesso a boletins de ocorrência integra uma estratégia de forte controle de informações. "Só sai o que eu quero." Não importa a relevância do dado, esta é a diretriz. Delegados só dão entrevistas mediante autorização de assessores de imprensa. É meio estranho que uma autoridade seja submetida a esse tipo de imposição para tentar controlar a informação.
Esta foi a primeira vez que você foi ameaçado de morte?
Caramante – Não. Como vários outros colegas, já passei por situações semelhantes. Ouvi pelo telefone frases como "Cuidado, muita gente morre em assalto por aí", seguida por meu endereço completo. Tempos atrás, policiais à paisana fotografaram minha família durante um passeio.
Você costuma denunciar os abusos cometidos pela polícia, especialmente contra os moradores das periferias de São Paulo e da Grande São Paulo. Você se considera, hoje, nesta situação, uma vítima da polícia?
Caramante – Não me considero vítima de nada. Tenho plena consciência de que não posso e não quero ser notícia. Sou contratado por um jornal para contar as histórias das outras pessoas, para fiscalizar um determinado segmento do poder público. E a minha preocupação é sempre esta: contar a história do próximo, registrar os fatos, levar a notícia para quem lê a Folha de S.Paulo. As páginas de um jornal marcam a história de um país. Eu sou uma peça dessa engrenagem que imprime a história no papel do jornal. A exposição desses últimos fatos me trouxe tristeza porque não é o que busco como repórter. Aí vão perguntar: “E por que você está dando entrevista?”. Estou dando entrevista porque, do muito que foi dito sobre a minha pessoa, pouco foi dito por mim. Porque quero esclarecer que não estou "afastado". Afastamento dá a ideia de punição, de suspensão, e nunca houve nada nesse sentido da parte do jornal. Pelo contrário: sanamos a demanda urgente relativa à garantia da integridade e ao mesmo tempo planejamos a continuidade do trabalho. E mais: não existe isso de perseguir a Polícia Militar ou a Polícia Civil com meu trabalho. O que penso é que ninguém quer ter nessas instituições pessoas que não façam jus à condição de representantes do Estado.
Já entrevistei muitas pessoas ameaçadas de morte, algumas delas ameaçadas de morte por policiais, de diferentes estados. Minha percepção é de que estas últimas sentem um nível de desamparo maior, na medida em que, se aqueles que deveriam protegê-las, em vez disso ameaçam a sua vida, para quem então pedem ajuda? Sem contar que membros da polícia, por disporem do aparato do Estado, têm meios para comprometer a credibilidade da vítima, “plantando” falsas provas. Como você percebe isso?
Caramante – Quando você tem indicativos de que alguns dos representantes armados do Estado querem te desestabilizar, com certeza, a reflexão é sempre essa: para quem recorrer, como agir? Muitas vezes, essas mesmas pessoas tentam desmoralizar seu trabalho e sua conduta fora do campo profissional, mas tenho tentado me manter centrado. Converso com repórteres amigos para dividir alguns pensamentos e pensar em maneiras de me manter firme na caminhada.
Por que o estão ameaçando? Que “ameaça” você representa para que ameacem a sua vida? E por que agora, neste momento?
Caramante – Como te falei, não é de agora. É uma coisa que ficou mais acentuada. Pode ser que tenha alguma relação com o período eleitoral ou com outros interesses que ainda não consigo afirmar quais são. Um deles, por exemplo, pode ser a necessidade que muitos têm de manter o poder ou de chegar até o poder.
Quem? Pode explicar melhor?
Caramante – Não posso nomeá-los, pois aí já entraremos em informações referentes aos bastidores das polícias, e esses meandros estão muito ligados às minhas fontes e às minhas apurações. Hoje, em São Paulo, a questão da polícia vai além dos muros dessas instituições. A cidade nunca esteve, em período democrático, tão militarizada. Trinta das 31 subprefeituras ganharam comando de PMs da reserva na gestão Kassab. Com a criação da operação delegada, os policiais militares hoje atuam oficialmente não apenas para a corporação, mas também para a prefeitura – é o bico legalizado. Vemos então que as frentes de poder estão crescendo, e há muita gente na disputa. Sem contar os cargos na Câmara Municipal.
Por que isso está acontecendo? Por que, por exemplo, 30 das 31 subprefeituras de São Paulo ganharam comando de PMs da reserva nesta gestão? Como você caracterizaria esse projeto de poder?
Caramante – Esse processo ganhou corpo quando o coronel (agora reformado) da PM Álvaro Batista Camilo, também candidato a vereador, pelo PSD, se aproximou do prefeito Kassab, na época em que era comandante-geral da PM. Como é sabido, Kassab vem marcando sua gestão com uma postura de cerceamento. Já são notórias as tentativas de proibição de sopões a moradores de rua, de saraus na periferia, da feira da praça Roosevelt, no centro de São Paulo, e outras mais.
O que o fato de um repórter de um dos maiores jornais do país ser ameaçado de morte revela sobre a violência no estado de São Paulo?
Caramante – É uma questão que não diz respeito somente à violência. Esta é a parte tangível de todo o contexto que citei anteriormente. A relação polícia X poder é atualmente um ponto muito importante. Desde a abertura política, talvez seja este o momento em que São Paulo mais tenha a influência de policiais militares. Com poder em jogo, os ânimos se acirram, em qualquer área.
Por que agora? E o que está em jogo?
Caramante – Estamos em um momento propício por conta da já citada aproximação sem precedentes (da polícia) com outras esferas do poder público. Muitos oficiais da PM notaram, e agora tentam dar vazão a isso, que há outras e importantes áreas para onde estender seu campo de atuação – e de poder.
Você cobre a área policial há 13 anos. Documentou, como repórter, a ascensão do PCC. Você costuma dizer que vivemos numa guerra. Por quê? Como é essa guerra e em que momento dessa guerra estamos hoje?
Caramante – É uma guerra entre o grupo criminoso PCC e as forças de segurança do Estado. O PCC é forte porque controla o tráfico de drogas no estado de São Paulo. É inegável o fato de o estado de São Paulo, desde 1999, ter conseguido baixar suas taxas de homicídios dolosos (intencionais). Essa queda, porém, é fruto de controle duplo: se deve tanto a progressos na Segurança Pública quanto ao comando do PCC. Em muitas situações, é o PCC quem decide quem morre em São Paulo, nos chamados tribunais do crime. Hoje, outubro de 2012, a guerra está mais acirrada entre o PCC e os policiais militares da Rota, considerada uma tropa de elite da PM paulista e que conta com 820 integrantes. Investigações contra o PCC antes feitas pela Polícia Civil, que tem essa atribuição pela lei, foram remetidas à Rota, que tem função de policiamento preventivo, ou seja, trabalhar para evitar que o crime ocorra.Estou dizendo isso porque defendo criminosos e quero dar uma chance a eles? Não. Falo porque é ilegal. Quem investiga é a Polícia Civil. Há aí uma nítida tentativa de empoderar ainda mais os integrantes da Rota. É o Estado agindo ilegalmente.
Por quê?
Caramante – Isso é um reflexo da atual cúpula da Secretaria da Segurança Pública, que tem um histórico de relacionamento intrínseco com a Rota. Nos primeiros escalões da segurança pública paulista, também, impera uma certa desconfiança quanto à atuação de parte da Polícia Civil nas investigações sobre o PCC. Fala-se em corrupção.
Na semana passada, a Folha publicou que arquivos da facção PCC revelam atuação em 123 cidades de São Paulo, com 1.343 homens em todas as regiões do estado. O governo de São Paulo tentou minimizar o impacto das informações e o poder do PCC. O governador, Geraldo Alckmin, afirmou que “há muita lenda” sobre facções criminosas no estado de São Paulo. O secretário da Segurança Pública, Antonio Ferreira Pinto, declarou: “A facção é bem menor do que dizem. Não chega a 30 ou 40 indivíduos que estão presos há muito tempo e se dedicam ao tráfico. Nós temos asfixiado esse tráfico com grandes prisões”. O coronel da Polícia Militar Marcos Roberto Chaves da Silva, comandante do policiamento da capital, disse que existe “folclore” nas informações sobre o PCC. Qual é a verdade?
Caramante – Curioso como esse folclore é alinhado à realidade. No mês passado, por exemplo, a Rota matou nove pessoas envolvidas em um “tribunal do crime”, um julgamento no qual um homem suspeito de estuprar uma menina teria sua vida decidida pelos criminosos do PCC. Um dos nove mortos pela Rota era o “réu” do partido do crime, como os policiais chamam o PCC. Para justificar a ação, o governo disse que todos eram muito perigosos, que integravam o PCC. Passado o calor do acontecimento, o governo voltou à postura habitual de minimizar a importância, o tamanho e o poder do grupo. Se são apenas 30 ou 40 indivíduos, as oito mortes no mês passado reduziram significativamente o PCC. É isso o que vemos quando policiais militares são mortos quando estão de folga, como tem ocorrido constantemente em São Paulo? Será que o PCC deixou de decidir quem vive ou quem morre durante um “tribunal do crime”, quase sempre via telefones celulares usados por criminosos que estão presos e, na teoria, deveriam estar sem comunicação com as ruas? Quem vive na periferia de São Paulo sabe bem como as coisas são.
E como as coisas são? Como é o cotidiano de quem vive na periferia com relação ao PCC e à Rota?
Caramante – O PCC domina os pontos de tráfico de drogas em São Paulo. Para evitar a presença das polícias, tenta corromper alguns de seus integrantes e também busca evitar crimes nas redondezas dos pontos de tráfico, principalmente homicídios. No meio disso, quem não é nem do PCC, nem da polícia, assiste a tudo em silêncio, esperando que não "sobre" para si.
O governador Geraldo Alckmin trocou o comando da Rota, no final de setembro. Entre as razões, estaria a divulgação de que o número de pessoas assassinadas pela tropa aumentou 45% nos primeiros cinco meses deste ano, comparado ao mesmo período do ano passado. Qual é a sua opinião sobre a Rota? Ela deveria acabar?
Caramante – Não só a Rota, mas toda a Polícia Militar. A PM tem uma estrutura que desconhece meritocracia e privilegia uma variação do nepotismo. Policiais dos escalões mais baixos são usados como degrau para filhos de oficiais que estão no topo da pirâmide. É como se o filho do coronel fosse, desde sempre, o coronel de amanhã, e o filho do praça já nascesse sabendo que jamais será oficial. Há exceções que o governo pode vir a bradar, claro, mas a regra é mais ou menos essa.Quantos oficiais foram mortos pelo PCC?Nenhum. É óbvio que não tem de morrer nem o official, nem o praça. Mas, hoje, só morre aquele trabalhador que está na linha de frente e também vive na periferia de São Paulo.Quem cobre segurança pública em São Paulo também sabe que os policiais da Rota saem às ruas com um ímpeto diferenciado e, às vezes, alguns deles cometem excessos. É o caso da morte do representante comercial Paulo Alberto Santana Oliveira de Jesus em Osasco, na Grande São Paulo, em setembro de 2011. Ele foi morto em casa, desarmado e com as mãos para trás. Em maio deste ano, das mortes de seis suspeitos de integrar o PCC na zona leste de São Paulo, um deles foi levado a uma rodovia e executado. Em ambas as situações, foi forjado um confronto armado, segundo dados apresentados por promotores. As seis mortes na zona leste são tidas como estopim para o atual acirramento da violência entre PCC e Rota.
Me parece curioso, para dizer o mínimo, que um repórter tenha de se esconder para proteger sua vida após ter denunciado que um candidato a vereador pelo PSDB e ex-comandante da Rota disseminava a violência no Facebook e ninguém, de nenhum partido, tenha falado disso durantea campanha. Você tem alguma hipótese para esse silêncio?
Caramante – No fim de setembro, um candidato a vereador em São Paulo, assim como esse ex-chefe da Rota, pediu a impugnação da candidatura dele e alegou que esse senhor aparecia em sua propaganda política fardado, o que não é permitido pela lei eleitoral. Esse mesmo candidato também foi alvo da ira dos simpatizantes do ex-chefe da Rota e recebeu ameaças. A promotoria eleitoral também pediu, na semana passada, a impugnação da candidatura desse PM reformado e alegou que ele utilizou sua página no Facebook para incitar a violência.
Por que você se tornou repórter de polícia?
Caramante – Porque quem tem a obrigação de nos defender não pode, sob hipótese alguma, atentar contra nós. Também queria que meu pai tivesse o orgulho de ver seu sobrenome no jornal por uma causa justa.Sempre admirei o trabalho de repórteres como ( Caco) Barcellos. Há histórias e situações que precisam ser contadas. Admiro muito, também, José Hamilton Ribeiro, mestre na arte de contar histórias. Ouvi palavras de apoio dos dois recentemente. As de Barcellos recebi com reverência. O tenho como meu maior exemplo. As de seu Zé Hamilton, com emoção. Me pegou desprevenido. Me marcou.Quero agradecer cada mão estendida e cada palavra de apoio que foi dita em nome da garantia do direito de informar e ser informado.
“Repórter de polícia” ainda é uma boa definição para jornalistas como você?
Caramante – Acredito que o termo “repórter de polícia” deixou de existir. Hoje, cobrimos segurança pública e, por conta de uma evolução da cobertura nessa área, que deixou de ser tão vinculada às autoridades, como era no passado, somos repórteres de segurança pública.
E qual é a importância de se cobrir a área de segurança pública num país como o Brasil?
Caramante – É um tema intimamente ligado ao cotidiano das pessoas, e ainda temos muito a evoluir tanto no combate à criminalidade comum quanto à de parte das forças de segurança.
Você monitora o número de pessoas mortas pela polícia. Quantos foram mortos até hoje no estado de São Paulo?
Caramante – Sim, monitoro porque o jornal para o qual trabalho dá atenção especial para a questão da letalidade policial. Tenho meu próprio sistema de dados, no qual registro todas as mortes cometidas por policiais militares. Estes números não batem com os oficiais. A Secretaria da Segurança Pública de São Paulo divulga em sua página na internet apenas as chamadas "resistências seguidas de morte", mas há outros casos que entram na vala comum dos homicídios dolosos cometidos por qualquer cidadão. Minha contabilidade mostra que, entre 2005 e agosto deste ano, policiais militares mataram 4.358 pessoas no estado. Destas, 3.401 foram em “resistência(à prisão) seguida de morte” – figura jurídica inexistente, repito – e 957 em homicídios dolosos, que vão desde brigas em bar, no trânsito, casos conjugais, até mortes como a do empresário Ricardo de Aquino. São 47,3 mortos por PMs a cada mês. Ou seja: 1,5 a cada dia. Este é o retrato de uma Polícia Militar extremamente letal e que precisa passar por reformas o quanto antes.
Em que medida as relações entre o aparato de repressão do Estado e a população explicitam a desigualdade e as fissuras da sociedade brasileira num estado como São Paulo?
Caramante – A Polícia Militar que atua dentro do perímetro do rodízio de veículos (de São Paulo), o chamado centro expandido, não é a mesma que atua na periferia. Temos duas polícias militares para cuidar da mesma cidade, e cada uma delas trata os cidadãos de maneira diferenciada, isso de acordo com o CEP da pessoa. Muitas vezes, policiais são mandados à periferia como forma de punição dentro do jogo de poder que não está nos manuais da corporação. Então, já vai para lá com um sentimento diferenciado. Recentemente, pesquisadores mostraram, com base em dados da Secretaria Municipal da Saúde, que 93% dos mortos pela Polícia Militar moravam na periferia de São Paulo. O estudo teve como base os anos entre 2001 e 2010. No período, dos mortos por PMs, 54% eram pardos ou negros.
Hoje há programas de TV que cobrem a área policial, nos quais suspeitos são tratados por jornalistas como condenados – e condenados sem direito algum –, marcas de tortura em detidos e presos são ignoradas e apresentadores incitam a violência da sociedade contra “vagabundos”. Você acha que esse tipo de imprensa colabora para que jornalistas como você, que trabalham com seriedade e denunciam também os abusos cometidos pela polícia, sofram ameaças?
Caramante – São profissionais da imprensa que recebem altos salários para fazer o que fazem. Eles são experientes e, creio, no fundo sabem que somente a Justiça pode condenar ou inocentar algum suspeito de determinado crime. Estão ali por cifras altas. É a mesma situação de um profissional de jornalismo que abandona a carreira numa redação para ser assessor e ganhar R$ 1 milhão por seis meses de trabalho numa campanha política. São opções e temos de respeitar quem as toma. Mas essas pessoas também têm de respeitar quem não pensa como elas.
Como é estar no lugar de vítima para você, que tanto denunciou a violação de direitos humanos dos mais pobres e indefesos?
Caramante – Vítima é a dona Maria da Conceição, mãe do Antonio Carlos da Silva, o Carlinhos, portador de deficiência mental que foi morto por policiais militares que integram o grupo de extermínio “Highlanders”, segundo a Polícia Civil e a Promotoria. Ele teve a cabeça e as mãos arrancadas após ter sido morto porque andava na rua e tinha dificuldades de comunicação.
Você pode contar melhor esta história?
Caramante – Carlinhos foi morto em outubro de 2008, na periferia da zona sul de São Paulo. Estava perto de casa quando foi obrigado a entrar em uma viatura da Polícia Militar que fazia ronda no local. Vizinhos assistiram à cena e relataram à família. Imediatamente, a mãe, dona Maria da Conceição dos Santos, a irmã, Vânia Lúcia, e o pai começaram a procurá-lo. Poucas horas depois foram até o 37º Batalhão, onde ouviram da boca dos PMs – que, segundo a Polícia Civil e a Promotoria, mataram seu filho – que não o tinham visto. Encontraram o corpo de Carlinhos, decapitado e com as mãos arrancadas, em uma cidade vizinha. Ele, que era portador de necessidades especiais, tinha dificuldades para se comunicar.
Uma das maiores dificuldades da situação que você está vivendo parece ser o fato de ter virado notícia. Por quê?
Caramante – Para começar, nunca me vi numa situação assim. Não é para isso que decidi ser repórter. A questão da exposição parece parte de uma realidade paralela, não se encaixa na minha trajetória. Optei por sempre passar despercebido.Quero poder continuar sentando numa delegacia sem que ninguém saiba quem eu sou.
Imagino que você tenha medo em alguns momentos ou o tempo todo. Como lida com isso?
Caramante – O medo pode ser uma ótima ferramenta para aguçar os instintos. Sim, pode ser devastador também. Tento utilizá-lo como um agente minimizador de riscos. Nos momentos mais difíceis de administrá-lo, busco lembrar por que estou nesta caminhada. Me vêm à mente pessoas das quais contei histórias. O foco são elas, não eu.
Há perspectiva de sair dessa situação em breve?
Caramante – Minha situação atual passa por constante avaliação da direção do jornal. Por enquanto, manteremos como está.
Como essa experiência está transformando você? Já é possível perceber alguns impactos e mudanças?
Caramante – Situações dessa intensidade são oportunidades para reafirmar algumas ideias e descartar outras. Houve impacto, e mudanças certamente virão. Mas estão em curso, e por isso prefiro guardá-las aqui comigo.
Que ideias você reafirmou e quais descartou?
Caramante – Reafirmei, por exemplo, a ideia de que tenho de permanecer alguém que conta as histórias dos outros, e também meu intuito de contribuir, minimamente que seja, para a melhoria dos setores que cubro. Deixei de lado a ideia de que riscos podem ser mensurados com algum grau de exatidão. Ninguém faz nada, até que alguém faça.
Como tem sido seu cotidiano nessa situação de ameaçado de morte?
Caramante – Realmente acho difícil falar sobre isso. Há preocupação referente não apenas à situação atual, mas a como será no futuro. Esta não é uma situação que tenha prazo de validade. Agora à noite, um dos meus filhos disse que preferia estar na nossa casa de verdade. Perguntei o motivo. "Lá é mais colorido."
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quarta-feira, 3 de outubro de 2012

CARTA-BOMBA


Da coluna do Felipe Patury, da revista Época
O prefeito da cidade cearense de Maracanaú, Roberto Pessoa (foto) (PR), arretou-se com o ex-ministro da Integração Nacional Ciro Gomes (PSB), irmão do governador Cid Gomes (PSB). No último domingo, Ciro foi até Maracanaú, na região metropolitana de Fortaleza, apoiar a candidatura de um opositor ao candidato patrocinado pelo prefeito nas eleições municipais. Aproveitou também para disparar uma série de ofensas contra Pessoa.
A relação entre os irmãos Gomes e o prefeito, que já era intempestiva, piorou. Roberto Pessoa escreveu uma carta mal criada desancando Ciro Gomes. O conteúdo, que segue publicado abaixo na íntegra, resume-se em chamar Gomes de vagabundo e boquirrota, acusá-lo de manter relações com políticos cearenses de índole duvidosa e de ser chefe de quadrilha.
O ápice do documento está na insinuação de que Gomes seria usuário de drogas. Diz o prefeito: “O que se escuta nas rodas sociais e políticas é que esse seu comportamento de destempero, arrogância, com olhar esbugalhado e incisivo, acusações desmedidas e mentiras ao léu, sempre ocorrem sob efeito alucinógeno de substância em forma de pó branco, que se sabe não ser sal, maisena nem goma”.
A acirrada disputa entre os Gomes e Pessoa em Maracanaú tem explicação. A cidade é a segunda maior economia do estado e é sede de um portentoso parque industrial. A íntegra da carta segue logo abaixo:
“O ex-Dep Federal pelo estado de São Paulo, o desocupado Ciro Gomes, esteve em Maracanaú no último sábado dia 29.09, num mini-comício de seu candidato moribundo, que só tem 25% nas pesquisas realizadas em 26.09, fazendo acusações à minha pessoa e acertou um tiro no próprio pé.
Suas acusações foram dirigidas ao prefeito que foi reeleito com 88% dos votos válidos e, depois de 8 anos de mandato, ainda tem 90% de aprovação.
Com seu destempero, desequilíbrio e mentiras de carteirinha de costume, fez várias acusações à minha pessoa, todas sem fundamento de verdade.
Esqueceu, o vagabundo Ciro Gomes, de falar sobre seu conterrâneo e amigo ex-prefeito de Ipu, Sávio Pontes, preso por corrupção e desvio de dinheiro público, que teve o mandato cassado pela justiça.
Também esqueceu o mentiroso Ciro Gomes de falar sobre seu amigo Mazim, ex-prefeito de Trairi, e sua esposa, pessoas da cozinha dos Ferreira Gomes, juntamente com mais 15 pessoas aliadas, foram presas por desvio de R$ 20 milhões em recursos públicos.
Esqueceu ainda o boquirrota Ciro Gomes de dizer que a candidata a prefeita da Cariús, Natália FERREIRA GOMES, pelo partido PHS, aliada ao esquema do Governo do Estado, foi presa por 9 dias juntamente com seu marido Esivan por tráfico internacional de drogas.
Em suas acusações o Pescoção alega que ofereci proteção à candidata a prefeita de Santana do Cariri, Srª Daniele de Abreu Machado, que ele afirma participar de quadrilha de sequestro. Ora, essa Senhora é tabeliã na cidade do Crato e respeitada em toda a região do cariri, estando com 16% à frente do candidato apoiado pelo mentiroso e pelo Governo do Estado, que representa uma das oligarquias mais atrasadas do Ceará.
A respeito do Sr. Moraizinho, citado pelo mentiroso, o que sei é que esse senhor esteve em palanque vizinho ao de seu irmão CID, na campanha eleitoral de 2010, na cidade de Madalena. Também nas eleições de 2010 o candidato irmão do Pescoção foi visto em conversa coloquial e amigável com o ex-prefeito Ageu, de Boa Viagem, condenado a quase 200 anos de prisão por envolvimento no assalto ao Banco Central de Fortaleza, o maior da história do Brasil. De tudo isso tenho registros fotográficos.
Todo o Ceará me conhece e sabe que as acusações a mim dirigidas são levianas e mentirosas. Por isso e em respeito à minha história política, minha família, meus amigos e aos milhares de eleitores que me apoiam nos 184 municípios do estado do Ceará, estou respondendo as ofensas desse mentiroso falastrão. Não calo, porque não consinto.
Sou empresário há 49 anos e as empresas de minha família produzem quase 1 milhão de ovos por dia, gerando 1 mil empregos diretos e indiretos no estado do Ceará. E você desocupado Ciro Gomes, sabe qual a diferença ente uma fatura e uma duplicata? De onde vem o dinheiro que financia suas viagens internacionais em jatinhos particulares, se hospedando nos hotéis mais luxuosos do mundo? Como ganhou dinheiro para alcançar um patrimônio que tem até apartamentos em bairros nobres nas cidades do Rio de Janeiro e São Paulo?
Será que seus recursos não provêm de lobies junto ao Governo do Ceará e a Prefeitura de Belo Horizonte, defendendo interesses de empreiteiras e empresas de informática. Sei disso e posso provar, assim requeira a justiça ou você mesmo em debate público que pode marcar dia, hora e local.
Além disso, como andam as apurações da denúncia feita em matéria da revista VEJA, no 2° semestre de 2010, que indica desvio de R$ 300 milhões no Ministério da Integração Nacional quando você era ministro?
Pergunto ainda: como está a questão dos “cartõezeiros”, que envolve seu amigo e ex-patrão Arialdo Pinho?
Agora fica minha última indagação: quem é chefe de quadrilha? Eu ou você?
Bem a propósito, o que se escuta nas rodas sociais e políticas é que esse seu comportamento de destempero, arrogância, com olhar esbugalhado e incisivo, acusações desmedidas e mentiras ao léu, sempre ocorrem sob efeito alucinógeno de substância em forma de pó branco, que se sabe não ser sal, maisena nem goma. Isso tem sido dito inclusive por profissionais e estudiosos da psicologia e psiquiatria.
Mas, em verdade, sobre isso saiba que meu sentimento é de preocupação e compaixão por você e que oro para que consiga se libertar dessa praga. Ofereço até os serviços do CAPS-AD de Pajuçara, que tem excelentes profissionais e conseguido grande sucesso na recuperação dessa dependência.
Roberto Pessoa
Prefeito Municipal de Maracanaú”.

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terça-feira, 18 de setembro de 2012

CARREIRA SOLO

Russomanno esteve com Maluf por 14 anos até carreira solo
Abril de 2011. Celso Russomanno discursa no auditório Petrônio Portella, no Senado Federal, e se lança pré-candidato à Prefeitura de São Paulo. O evento é um dos pontos altos da convenção nacional de seu partido, o PP, de Paulo Maluf.
Setembro de 2011. Russomanno é protagonista de outro ato de lançamento de pré-candidatura. Agora, na capital paulista. Dessa vez pelo PRB, legenda controlada por membros da Igreja Universal e pela qual ele agora lidera a corrida pela prefeitura com 32% das intenções de voto.
Primeiro ato de Russomanno no novo partido: criticar Maluf, que naquele instante havia acabado de fazer um acordo com o governador Geraldo Alckmin (PSDB) para participar do governo estadual e apoiar um candidato tucano à prefeitura.
Veja a íntegra das sabatinas de candidatos à Prefeitura de São Paulo Russomanno diz que texto criticado pela Igreja é 'opinião de blogueiro' Na TV, candidato do PRB diz sofrer os 'ataques mais baixos' Russomanno usou Câmara para pagar mais uma funcionária.
Foi o acordo Maluf-Alckmin que, semanas antes, tinha inviabilizado a candidatura de Russomanno pelo PP.
No PRB, o ex-deputado federal e apresentador de TV conseguiu o palanque que tanto queria. E Maluf, alguns bons meses depois, acabou aliando-se à chapa de Fernando Haddad (PT).
Desde então, Russomanno tem recorrido a um mantra para evitar falar sobre os 14 anos que serviu ao partido do ex-prefeito: "Quem tem que explicar o Maluf é o candidato petista", repete.
Ao longo de quase uma década e meia no PP, Russomanno já havia pleiteado a candidatura a prefeito de São Paulo em outras duas ocasiões: 2004 e 2008. Maluf ficou com a vaga nos dois anos.
Apesar dos embates com o líder da legenda, Russomanno sempre continuou no partido --que ainda se chamava PPB quando ele se filiou, egresso do PSDB, em 1997.
Russomanno disputou cinco eleições pelo PP. Obteve mandato de parlamentar em 1998, 2002 e 2006, tentou se eleger prefeito de Santo André, no ABC paulista, em 2000 e, em 2010, candidatou-se a governador.
Ele costuma falar do pleito de dois anos atrás como "um inferno", devido a sua alegada relação conflituosa com Maluf. Mesmo assim, fizeram campanha juntos desde o final de 2009, quando foi definida a pré-candidatura.
"Começamos a levá-lo a todas as regiões do Estado. Quando iniciava reuniões com lideranças do interior, ele rasgava elogios: dizia que o Maluf foi o melhor governador que São Paulo já teve", diz o secretário-geral do PP paulista, Jesse Ribeiro, aliado de Maluf.
Em entrevistas e debates, Russomanno defendia projetos e obras de Maluf, inclusive quando questionado sobre as acusações de corrupção contra o então colega de partido. Em debate da TV Record, em setembro de 2010, afirmou: "Ninguém pode negar as coisas boas que ele fez. Ninguém circularia em São Paulo se não fossem todas as avenidas que ele fez".
"Era uma defesa diplomática", diz o deputado Arnaldo Faria de Sá (PTB-SP), recém-incorporado ao "núcleo duro" da campanha de Russomanno. "Ele foi marginalizado pelo Maluf, sempre teve divergências pelo comando do PP."
À Folha Maluf disse "colecionar" os elogios que recebia do agora desafeto. "A relação pessoal nunca foi ruim. Ele sempre foi uma pessoa que me elogiou muito. Tenho aqui uma coleção de testemunhos das palavras generosas que ele disse para mim, que eu nem mereço tanto. Ele era um puxa-saco."
No fim de 1999, Russomanno apenas ensaiou uma mudança para o PMDB. Alguns de seus aliados afirmam que a relação teria se deteriorado em razão do aumento das denúncias contra Maluf.
Há controvérsias. No ano seguinte, ele foi apoiado pelo ex-prefeito na eleição de Santo André.
Um integrante do PP brinca que, até 2004, a relação dos dois era "beijo na boca".
MALUF 'EM BAIXA'
"No começo, ele sempre acatava as ordens da liderança. O Maluf era a estrela do partido", afirma Jesse Ribeiro. "Quando Maluf entrou em baixa, ele começou um movimento contra ele."
Em 2004, quando pleiteava disputar a Prefeitura de São Paulo, Russomanno, que presidia o PP municipal, bancou a instauração de uma comissão de ética no partido para investigar as supostas contas de Maluf no exterior.
O objetivo era tirar o ex-prefeito da sigla. Maluf lançou-se candidato e foi homologado em convenção boicotada por Russomanno.
Um acordo pôs fim ao impasse, mas as divergências voltaram depois que Maluf ficou de fora do segundo turno. Russomanno apoiou o tucano José Serra --hoje seu adversário--, enquanto Maluf defendeu Marta Suplicy (PT).
Após a eleição, o PP municipal votou pelo afastamento de Maluf da legenda até a apuração as denúncias contra ele. Não deu em nada.
Dois anos depois, foi Maluf quem mobilizou aliados para pedir à Justiça Eleitoral o afastamento de Russomanno, que à época já era presidente estadual do PP. Uma liminar o manteve no cargo.
Malufistas reclamam da aliança que Russomanno havia firmado com o PMDB em 2006, colocando o irmão Attila, vereador na capital, como candidato a vice-governador na chapa encabeçada por Orestes Quércia.
"Vínhamos daquele momento do Maluf preso. Ele conduziu o processo como queria", diz Jesse Ribeiro.
Em 2005, Maluf e seu filho Flávio passaram 40 dias detidos na carceragem da Polícia Federal em São Paulo, acusados de tentar interferir em um processo movido contra eles por evasão de divisas.
Ainda em 2006, candidato a deputado federal, Maluf elegeu-se com 739 mil votos. Celso Russomanno se reelegeu com 573 mil.
O ex-deputado Vadão Gomes (PP-SP) diz ter sido "mediador" de boa parte dos desentendimentos entre Russomanno e Maluf. Mesmo hoje, ele minimiza as refregas: "Os dissensos foram coisas naturais de dois grandes líderes".
A deputada Aline Corrêa (PP-SP) diz lamentar até hoje a saída de Russomanno: "Vejo com muito pesar. A gente queria trazer o PP um pouco mais para atualidade. O Celso reclamava muito disso, era natural que procurasse outro partido", afirma.
Aline e Russomanno tiveram uma discussão acalorada em 2008, tendo novamente como pano de fundo a eleição municipal.
Ele havia perdido a vaga de candidato para Maluf. Ela fora indicada para vice. Em reunião em Brasília, pouco tempo depois de ela ser oficializada na chapa de Maluf, Aline teria sido ofendida por Russomanno e o empurrou.
Na versão dele, a deputada o "estapeou" e arrancou botões de seu paletó. Hoje, dizem ser amigos.
Russomanno, que ficaria no PP por mais três anos e receberia o apoio de Maluf na eleição estadual, afirmou na época que não quis e "nem aceitaria" ser vice dele "porque quero a minha imagem bem longe da dele".
Para Vadão Gomes, apesar de estar fora do PP, Russomanno "leva sem dúvida um pouco do malufismo com ele". Uma evidência, diz, é o foco que tem dado à segurança pública em seus discursos.
O cientista político Vitor Marchetti, da Universidade Federal do ABC, parece concordar. Para ele, a herança dos votos do malufismo é um dos fatores que ajuda a explicar o bom desempenho de Russomanno nas pesquisas.
"É um eleitorado conservador, que se alinha numa crítica mais forte aos partidos de esquerda. Ele está surfando nessa onda", resume.
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segunda-feira, 17 de setembro de 2012

ENCONTRO ARRETADO

O evento oficial do candidato do PT à Prefeitura de São Paulo, Fernando Haddad, neste domingo (16), reuniu rivais em disputas de duas das principais capitais do Nordeste, Fortaleza e Recife.  No almoço no Centro de Tradições Nordestinas (zona norte de SP), patrocinado pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o governador de Pernambuco e presidente nacional do PSB, Eduardo Campos, se encontrou com Humberto Costa, candidato petista à Prefeitura do Recife, e com a prefeita de Fortaleza e presidente do PT no Ceará, Luizianne Lins.
PT e PSB romperam após anos de aliança e trocam acusações nas campanhas das duas capitais. Humberto Costa duela com Geraldo Julio (PSB), ex-secretário de Eduardo Campos, na disputa pela prefeitura da capital pernambucana. Em Fortaleza, o ex-secretário de Luizianne, Elmano Freitas (PT), tem como um de seus principais adversários Roberto Cláudio, afiliado do governador do Ceará, Cid Gomes, que está fora do Brasil e não compareceu.
Clique aqui e leia a íntegra
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sábado, 15 de setembro de 2012

PREFEITURA UNIVERSAL

De forma bem humorada, o Blogão da Eleição proporciona boas gargalhas, mas também desperta o eleitor para tomar uma decisão consciente e muito importante: escolher quem vai comandar a maior cidade da América Latina, São Paulo.

Com o slogan: “De olho no candidato, de boca na enganação”, o Blogão traz os últimos acontecimentos dos principais candidatos à Prefeitura Paulistana. Os debates promovidos pelo Blogão, reflete, de forma engraçada a realidade de muitos políticos.

Com bom humor, as peripécias, histórias e fatos pitorescos que marcaram a vida pública dos prefeituráveis é combustível para esse humor sarcástico, inteligente e ácido do Blogão da Eleição.

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sexta-feira, 14 de setembro de 2012

ELMANO ASSUME A VICE-LIDERANÇA

Por Leonardo Heffer, do NE10/Ceará

O Partido Democrata continua perdendo espaço na campanha eleitoral em Fortaleza. O candidato Moroni Torgan apresentou 23% das intenções de votos em pesquisa divulgada nesta quinta-feira (13) pelo Ibope/Verdes Mares. Na última pesquisa, no dia 30 de agosto, o candidato tinha 24% dos votos.

Quem subiu nessa nova pesquisa foi o candidato do PT, Elmano de Freitas, que assume a vice-liderança, com 19% das intenções de votos. Atrás, está o candidato do PSB, Roberto Cláudio com 18%.

Esta é a quarta pesquisa do Ibope feita em Fortaleza e a segunda após o início do horário político no rádio e na televisão.

COMPARAÇÃO - Moroni Torgan, que na primeira pesquisa (30 de julho) apresentava 32% das intenções de votos caiu para 31% (13 de agosto). Na pesquisa do dia 30 de agosto, ele chegou a 24%.

Roberto Cláudio (PSB) começou a corrida eleitoral com 8%, manteve a pontuação na segunda pesquisa, subiu para 16% na terceira. Elmano de Freitas (PT) começou com 4%, subiu para 8%, depois para 14%. Heitor Férrer (PDT) começou com 11%, subiu para 12% e manteve a mesma pontuação na terceira pesquisa. Inácio Arruda (PCdoB) começou com 15%, caiu para 13% e depois caiu para 10%.

ESPONTÂNEA - Na pesquisa espontânea Moroni Torgan (DEM) também lidera com 19% das intenções de votos. Elmano de Freitas (PT) ficou em segundo na pesquisa com 15% e Roberto Claudio (PSB) tem 13%.

REJEIÇÃO - Na pesquisa que mede a rejeição dos candidatos junto ao eleitorado, Moroni Torgan (DEM) também se mantém na liderança. O candidato teve 35% de rejeição na pesquisa divulgada nesta quinta-feira (13). Inácio Arruda (PCdoB) é o segundo candidato mais rejeitado com 23%. Elmano de Freitas (PT) ficou empatado com 23%. Francisco Gonzaga vem na sequência, com 20% e Roberto Cláudio com 17%.

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DUELO FAMILIAR

A família de Orestes Quércia, morto em 2010, está em conflito por causa de seu inventário. Os dois filhos mais velhos dele, Sidney e Fernando, pediram na Justiça prestação de contas sobre as empresas do pai. Do outro lado está a inventariante, Alaíde Quércia, mulher e mãe de outros quatro filhos do político.
HERANÇA 2
Quércia deixou uma fortuna oficial de R$ 150 milhões, de acordo com documentações entregues à Justiça depois de sua morte. Entre os próprios herdeiros existe a certeza de que uma perícia poderá fazer o valor ser multiplicado por três depois que os bens forem atualizados.
HERANÇA 3
Quércia deixou 26 empresas, como shoppings, fazendas de café, TVs e rádios espalhadas por todo o Brasil.
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quinta-feira, 13 de setembro de 2012

RUSSOMANNO NA LIDERANÇA

Do UOL, em São Paulo

A intenção de voto no candidato Celso Russomanno (PRB) subiu para 35%, ante os 31% de levantamento anterior, aponta pesquisa do Ibope divulgada nesta quinta-feira. Os candidatos José Serra (PSDB) e Fernando Haddad (PT) oscilaram na margem de erro e seguem tecnicamente empatados, com 19% e 15%, respectivamente. A margem de erro é de três pontos percentuais, para mais ou para menos.

Nas simulações de segundo turno, o candidato do PRB venceria tanto o tucano quanto o petista se a eleição fosse hoje – por 52% a 25% e 50% a 25%, respectivamente.

O candidato do PMDB, Gabriel Chalita, aparece em quarto lugar, com 6%. Na pesquisa anterior, do dia 31 de agosto, ele tinha 5%. Já a candidata Soninha (PPS) manteve a mesma pontuação: 4%. Em seguida aparecem empatados Paulinho da Força (PDT) e Carlos Giannazi, com 1%. Os demais candidatos não pontuaram. Brancos e nulos somaram 13%. Ainda disseram estar indecisos 6% dos entrevistados.

O Ibope ouviu 1.001 eleitores entre os dias 10 e 12 de setembro. O levantamento foi registrado na Justiça Eleitoral sob o protocolo SP-00835/2012.

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MARTA SUPLICY, NOVA MINISTRA DA CULTURA

Do Blog do Planalto

A presidenta Dilma Rousseff afirmou hoje (13), na cerimônia de posse da nova ministra da Cultura, Marta Suplicy, que ela terá à disposição, em 2013, um orçamento de R$ 3 bilhões, valor 65% maior em relação ao orçamento de 2012. Dilma agradeceu a dedicação da ex-ministra Ana de Hollanda à frente da pasta e afirmou que Marta Suplicy estará à altura de transformar a cultura em uma questão central de seu governo.

“A ministra Marta Suplicy vai receber um orçamento que em 2013 chega a R$ 3 bilhões, aos quais se somam outros R$ 2,2 bilhões que podem ser mobilizados pelas leis de incentivo. Trata-se de aumento de 65% em relação ao orçamento de 2012. Isso é um legado importante que a ministra Ana de Hollanda deixa para a Marta Suplicy (…) Certamente todos os militantes e gestores da área cultural querem mais. Não tenho dúvidas que a cultura brasileira merece mais, mas temos feitos no meu governo e no do presidente Lula muito do que é o desejo da nossa área cultural”, disse.

Dilma comemorou a aprovação pelo Congresso Nacional do Sistema Nacional de Cultura, relatado por Marta Suplicy no Senado. A presidenta elogiou ainda a experiência de Marta Suplicy e suas iniciativas no campo cultural quando foi prefeita de São Paulo.

“A ministra Marta tem, pela sua experiência, mas, sobretudo, pela sua força, pelo seus compromissos, os mais diversos, e pelo seu olhar não preconceituoso, pelo seu olhar capaz de acolher diferentes manifestações da civilização e da sociedade brasileira, tem condições plenas de levar à frente essa tarefa que é transformar cada vez mais a cultura num centro de articulação de todas as grandes políticas do nosso país”, disse.

No discurso de posse, Marta afirmou que pautará sua gestão pelo diálogo com todos os setores da cultura. Ela disse também estar orgulhosa por poder contribuir com o governo em uma área que aprecia e considera relevante para o país.

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quarta-feira, 12 de setembro de 2012

EMBOLA A DISPUTA

Por Érico Firmo, do O Povo

Moroni tem oscilação negativa de dois pontos. Roberto Cláudio e Elmano oscilam um ponto para cima. Heitor sobe quatro pontos e encosta nos líderes.

Eleição cada vez mais imprevisível para prefeito de Fortaleza. Moroni Torgan (DEM) não está mais isolado, tecnicamente, na liderança. Ele aparece com três pontos percentuais a menos na terceira rodada da pesquisa O POVO/Datafolha e tem agora 22% das intenções de voto.

Roberto Cláudio (PSB) teve oscilação positiva de um ponto percentual e, com 17%, já aparece em situação de empate técnico com o candidato do DEM. Elmano de Freitas (PT) também oscilou um ponto para cima e chegou a 16%.

Considerado o limite máximo da margem de erro, o petista também poderia estar com o mesmo percentual de Moroni. Com a margem de três pontos percentuais para mais ou para menos, o candidato do DEM pode ter um mínimo de 19% e um máximo de 25%. Já Elmano pode ter entre 13% e 19%. Entretanto, o Datafolha considera essa hipótese estatisticamente improvável, pois lida com situações-limite.

Novidade nessa rodada de pesquisa é o desempenho de Heitor Férrer (PDT). O candidato cresceu quatro pontos percentuais e chegou a 14%, situação que já o coloca em empate técnico com os dois candidatos das máquinas governistas – Roberto Cláudio e Elmano.

No bloco de baixo, Renato Roseno (Psol) passou de 5% para 8%. Inácio Arruda (PCdoB) teve oscilação negativa de um ponto e ficou com 6%.

Marcos Cals (PSDB) foi de 5% para 3%. Os demais candidatos não chegaram a 1%.

Votos em branco, nulo e os que dizem não votar em nenhum dos candidatos somam 5%. Os eleitores que dizem não saber em quem votar são 8%.

Metodologia

A pesquisa foi realizada na segunda-feira e ontem. O Datafolha ouviu 831 eleitores. O levantamento está registrado no Tribunal Regional Eleitoral do Ceará (TRE-CE) com o número CE-00039 / 2012.

Quando

Entenda a notícia

A pesquisa foi realizada após três semanas de Horário Eleitoral no rádio e na televisão e já mostra o impacto mais consolidado do palanque eletrônico na eleição de Fortaleza.

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sexta-feira, 7 de setembro de 2012

CAMPANHA MILIONÁRIA

Do UOL, em São Paulo

Líder nas pesquisas com 35% das intenções de voto, o candidato do PRB a prefeito de São Paulo, Celso Russomanno, gastou até agora menos de um décimo do investido pelo rival Fernando Haddad (PT), que tem a campanha mais cara do país.

Depois de dois meses de campanha, Russomanno declarou à Justiça Eleitoral ter gasto R$ 1,3 milhão.

O petista, que tem 16% das intenções de voto e está tecnicamente empatado com José Serra (PSDB) em segundo lugar, teve despesa 11 vezes maior: R$ 16,5 milhões. O tucano disse ter gasto a metade deste valor: R$ 8,4 milhões.

Só com marketing, Haddad gastou mais que toda a campanha de Russomanno: R$ 3 milhões repassados à Polis, empresa do publicitário João Santana.

Outros R$ 2,9 milhões já haviam sido investidos no aluguel de carros de som. O PT ainda declarou gastos de R$ 1 milhão com advogados e R$ 960 mil com a assessoria de imprensa de Haddad.

O volume de investimentos explica a presença maior da propaganda petista nas ruas da cidade. O coordenador da campanha, Antonio Donato, afirmou que os gastos estão dentro do programado.

"Como o eleitor não conhecia Haddad, tivemos que antecipar muitas despesas para espalhar o rosto e o nome dele nos bairros, com apoio dos candidatos a vereador."

Os petistas disseram ter arrecadado R$ 10 milhões até aqui. Deste valor, quase 90% foram contabilizados como repasses do partido -- são as chamadas doações ocultas, em que a origem dos recursos não é discriminada.

O expediente é permitido pela Lei Eleitoral e, segundo Donato, atende a pedidos das empresas. "Os doadores preferem assim. Para nós, tanto faria divulgar", disse.

TOSTÃO

Russomanno investe no mote do "tostão contra o milhão", que elegeu Jânio Quadros prefeito pela primeira vez em 1953. "Estou fazendo uma campanha bem humilde", diz. "Estou conversando aos poucos com empresários, mas ajudas são bem-vindas."

O grosso da campanha é bancado com recursos públicos: o PRB repassou R$ 850 mil que recebeu do Fundo Partidário, mantido pela União, para o candidato.

Seus principais gastos são em panfletos no seu programa de TV --cerca de R$ 300 mil, 15% do que gastou Haddad. Ele tem apenas 2 minutos no horário eleitoral.

O marqueteiro Ricardo Bérgamo não aparece na contabilidade oficial. Ele disse trabalhar de graça para a campanha. (PAULO GAMA, BERNARDO MELLO FRANCO, DIÓGENES CAMPANHA E DANIELA LIMA).

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RENASCER APOIA RUSSOMANNO

Por Julianna Granjeia, do UOL, em São Paulo

Após flertar com a candidatura à Prefeitura de São Paulo de José Serra (PSDB), a Igreja Renascer fechou apoio a Celso Russomanno, do PRB --partido ligado à Igreja Universal do Reino de Deus.

O apoio da igreja evangélica, comandada pelo apóstolo Estevam Hernandes e pela bispa Sônia, foi negociado pelo deputado estadual Campos Machado (PTB) --responsável pelo conselho político da campanha de Russomanno.

Machado se reuniu na semana passada com o deputado federal Marcelo Aguiar (PSD-SP), representante da igreja na bancada. O apoio foi formalizado nesta semana.

Em evento promovido pela FGV (Fundação Getulio Varga), na tarde desta quinta-feira (6), Russomanno --que se declara católico-- afirmou que não comentaria mais sobre religião.

"A imprensa tem dado muita ênfase a isso. Minha campanha tem pessoas de todas religiões, inclusive ateus. Quem é católico vai ser perseguido agora? Quem é evangélico vai ser perseguido? São todos brasileiros, eleitores e cidadãos. Isso é perseguição à igreja, às pessoas, é um absurdo. Não estamos disputando cargo de papa, mas sim de prefeito", afirmou o candidato hoje, durante conversa com alunos da faculdade.

O presidente nacional do partido de Russomanno e coordenador da campanha é Marcos Pereira, bispo licenciado da Igreja Universal do Reino de Deus. O pastor Vinicius Carvalho, também licenciado da igreja, é presidente estadual do PRB e responsável pela agenda do candidato.

Pereira foi vice-presidente da Record antes de ser presidente do PRB.

Problemas na Justiça

Em junho deste ano, o STF (Supremo Tribunal Federal) determinou o arquivamento de uma ação penal contra fundadores da Igreja Renascer em Cristo, Estevam e Sonia Hernandes, que corria na Justiça Estadual de São Paulo por suposta prática de lavagem de dinheiro.

Eles eram acusados de comandar uma organização criminosa que utilizava a estrutura religiosa e de empresas vinculadas à Igreja para lavar o dinheiro.

A denúncia apontava que eles arrecadavam grande volumes de dinheiro dos fiéis, que eram "ludibriados" pelo casal.

Ainda de acordo com acusação, os recursos eram utilizados em proveito do casal e de terceiros, "desvirtuando as atividades eminentemente assistenciais e aplicando seguidos golpes".

Estevam e Sonia chegaram a ser presos nos Estados Unidos, em 2007. Quando chegavam àquele país, eles declararam que não carregavam mais de US$ 10 mil, mas portavam US$ 56 mil.

No dia 22 agosto, a Justiça paulista condenou a Igreja Renascer em Cristo a pagar 50 salários mínimos (cerca de R$ 30 mil) de indenização a Matheus Ribeiro Nascimento, uma das vítimas do desabamento de um templo religioso na zona Sul de São Paulo, em 2009. Desde o ocorrido, a Igreja Renascer tem colecionado derrotas na Justiça.

A Justiça também estipulou que Luiz Flavio Vieira Jurity deveria ser indenizado, em R$ 51 mil, por ter sofrido um corte na cabeça e uma fratura no fêmur em virtude da queda do telhado do templo.

O desabamento do templo deixou nove mortos e mais de 100 feridos.

Após as controvérsias, o jogador do Real Madrid Kaká e sua mulher Caroline Celico deixaram de frequentar a igreja, em 2010.

Fiéis

Segundo dados do último censo do IBGE, divulgado em junho deste ano, houve uma expansão das religiões evangélicas, que atraíram 16,1 milhões de fiéis em dez anos e hoje somam 42,3 milhões (22,2% da população).

Dentre as religiões evangélicas, as que tiveram maior expansão foram as de origem pentecostal, como Assembleia de Deus e Evangelho Quadrangular.

As religiões de origem pentecostal têm forte presença entre a população jovem, especialmente entre as mulheres em idade reprodutiva, e na periferia.

Já o catolicismo perdeu 1,7 milhão de adeptos entre 2000 e 2010. Com o recuo, o número de católicos no país chegou a 123,3 milhões --64,6% da população.

Em entrevista à Folha de S.Paulo, em julho, o ministro Marcelo Crivella (Pesca), bispo licenciado da Igreja Universal, defendeu Russomanno como candidato a prefeito de São Paulo mais próximo do eleitor evangélico.

O ministro elogiou ainda Russomanno pela atuação no Congresso "em defesa da família e da vida".

Líder

Russomanno é líder nas pesquisas. No último levantamento Datafolha, divulgado nesta quarta-feira (5), o candidato do PRB aparece com 35% das intenções de voto. Ele cresceu quatro pontos em relação ao último levantamento, realizado no dia 29 de agosto.

O tucano José Serra está em segundo lugar, com 21%, empatado tecnicamente com Fernando Haddad (PT), que tem 16%. A margem de erro é de três pontos percentuais para mais ou para menos.

Gabriel Chalita (PMDB) aparece com 7%, seguido por Soninha Francine (PPS), que tem 5%. Paulinho da Força (PDT), Carlos Giannazi (PSOL), Eymael (PSDC) e Ana Luiza (PSTU) têm 1% e os candidatos Levy Fidélix (PRTB), Anaí Caproni (PCO) e Miguel Manso (PPL) foram citados por menos de 1% dos entrevistados.

Os brancos e nulos somam 8%. Os indecisos chegam a 4% do total.

O levantamento foi realizado nos dias 3 e 4 de setembro de 2012 e o Datafolha ouviu 1.078 eleitores. A pesquisa está registrada no TRE-SP com o número SP-00711/2012.

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INDEPENDÊNCIA OU MORTE, 190 ANOS

No dia 7 de setembro de 1822, numa viagem a São Paulo, Dom Pedro recebe as exigências das Cortes. Irritado, reage proclamando a Independência do Brasil. A separação política entre a colônia do Brasil e a metrópole portuguesa foi declarada oficialmente neste dia.

Ao voltar de Santos, parado às margens do riacho Ipiranga, D. Pedro recebeu uma carta com ordens de seu pai para que voltasse para Portugal, se submetendo ao rei e às Cortes. Vieram juntas outras duas cartas, uma de José Bonifácio, que aconselhava D. Pedro a romper com Portugal.

Impelido pelas circunstâncias, D. Pedro pronunciou a famosa frase "Independência ou Morte!", rompendo os laços de união política com Portugal.

Culminando o longo processo da emancipação, a 12 de outubro de 1822, o Príncipe foi aclamado Imperador com o título de D. Pedro I, sendo coroado em 1 de dezembro na Capital.

Leia mais sobre a Independência do Brasil.
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quinta-feira, 6 de setembro de 2012

TROCA DE FARPAS

Por Hanrrikson de Andrade, do UOL, no Rio

O prefeito do Rio de Janeiro e candidato à reeleição, Eduardo Paes (PMDB), e o seu principal adversário na disputa, Marcelo Freixo (PSOL), protagonizaram um duelo repleto de acusações de "leviandade" durante o debate Folha/Rede TV, promovido na noite desta quarta-feira (5). Pela primeira vez, o peemedebista respondeu às afirmações do adversário sobre uma suposta ligação do governo municipal com as milícias.

Paes argumentou não ser necessário "pedir ficha de antecedentes criminais" para participar de reuniões em seu gabinete (em referência a uma fotografia que mostra o candidato à reeleição em uma mesa com milicianos), e afirmou que Freixo "deveria ler o seu próprio relatório" --referindo-se à CPI das Milícias, da qual o deputado estadual foi presidente--, ironizando o fato de um ex-candidato a vereador do PSOL ter sido identificado como um dos citados pela CPI das Milícias, na Assembleia Legislativa do Rio.

"É leviandade, sim. Tenho 20 anos de vida pública, uma vida limpa e correta. Ninguém aqui é perfeito, mas temos feito muita coisa na cidade. Isso é uma mistura de leviandade com desespero. Você sempre evoca o seu relatório da CPI para questionar as pessoas que estavam na sala com o prefeito. Pelo visto, nem eu e nem o seu partido temos o hábito de pedir antecedentes criminais", disse o prefeito.

"Fico impressionado porque o PSOL teve um candidato a vereador ligado às milícias. Outro dia você andou na Rocinha com uma vereadora que teve um assessor preso por se relacionar com o Nem", completou Paes, que já sido associado às milícias pelo adversário na Sabatina Folha/UOL, na semana passada.

No debate, Freixo voltou a ligar o atual chefe do Executivo carioca ao crescimento das milícias. Segundo o candidato do PSOL, ao falar do transporte alternativo na cidade, a relação do governo municipal com os grupos paramilitares "é profunda". "No transporte alternativo, a relação das milícias com a prefeitura é profunda. Esse é o principal braço econômico da milícia e a prefeitura tem responsabilidade sobre esse crescimento", afirmou.

"Esse é um bom debate. As milícias não cresceram sozinhas. Todo miliciano é dono de centro social, e muitos tem parceria com a Prefeitura do Rio. A milícia é uma máfia: eles estabelecem o domínio territorial com um projeto de ocupar o espaço eleitoral. Eles ajudaram a eleger muita gente, é uma máfia com projeto de poder. Basta ver que eles têm bases na Câmara", disse.

Relação com a Delta

Paes também afirmou durante o debate Folha/Rede TV! que não há irregularidades nos contratos sem licitação firmados pelo governo municipal com a Delta Construções, empresa que é alvo da investigação de uma CPI em Brasília. O peemedebista argumentou que a maioria desses contratos foi feita em função das enchentes de abril de 2010.

"Todos esses contratos foram feitos de forma muito transparente. Foram contratadas inúmeras empresas logo após a enchente de 2010, que afetou a cidade e os investimentos. Tenho muita tranquilidade com os contratos do município. A prefeitura contratou a Delta como contratou várias outras. São mais de mil empresas fazendo obras", disse.

Questionado pelos jornalistas sobre o silêncio do empreiteiro Fernando Cavendish, ex-proprietário da Delta Construções, Paes respondem em tom de irritação:

"Tem que perguntar para ele. Se o empreiteiro ficou calado, o problema é dele. Ele que toque a vida dele. Compete a ele explicar os pecados que cometeu ou não na CPI".

Leite no ataque

O candidato do PSDB à Prefeitura do Rio, Otávio Leite, que ocupa o quarto lugar na corrida eleitoral segundo pesquisa do Ibope (3% das intenções de voto), adotou uma estratégia ofensiva em relação ao candidato do PSOL, Marcelo Freixo, considerado o principal adversário de Paes para um possível segundo turno. No primeiro bloco, os dois trocaram farpas em temas como tributos e gestão da saúde.

Leite abriu o debate perguntando para Freixo sobre uma de suas propostas sobre o IPTU no Rio. Segundo a argumentação do Tucano, o adversário pretende elevar o valor do tributo. Freixo rebateu a crítica do pleiteante do PSDB ao afirmar que ele estava com problemas de "leitura e aprendizagem".

"A nossa proposta é a de revisar todas as tarifas. É muito caro viver no Rio, principalmente por causa da especulação imobiliária e dos imóveis vazios", afirmou.

Em suas considerações finais, no quinto bloco, o Tucano voltou a alfinetar o adversário: "Não transferi o meu título há um ano só para ser prefeito da cidade", disse Leite, referindo-se ao fato de Freixo ter transferido seu título de Niterói para o Rio no ano passado.

Maia defende o pai

Já Rodrigo Maia (DEM) foi incisivo ao defender a gestão do pai, o ex-prefeito César Maia (DEM), atualmente candidato a vereador.

Questionado pelo atual prefeito e candidato à reeleição, Eduardo Paes (PMDB), sobre a situação da educação e o fim da aprovação automática (implementada na gestão do pai de Rodrigo Maia), o candidato do DEM respondeu:

"Você nega o seu passado. Você troca de partido e também troca de ideias. Você não tratava assim o ex-prefeito César Maia."

Leia mais sobre as eleições no Rio de Janeiro clicando aqui.

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quarta-feira, 5 de setembro de 2012

FÉ REPUBLICANA

Por Vera Rosa / Brasília - O Estado de S.Paulo

Santa associada à solução de problemas difíceis tem lugar especial no Alvorada

Ela desembarcou em Brasília há dez dias, vinda da Bahia, com a missão de proteger o governo de todo o mal e livrar a Esplanada das aflições do cotidiano. Chegou a se acomodar ao lado da mesa de trabalho de Dilma Rousseff, no Palácio do Planalto, mas, com medo de que fosse levada ao chão, a presidente instalou a nova companheira no Alvorada. Confeccionada em argila, a imagem de Nossa Senhora Desatadora dos Nós, que Dilma ganhou de presente, é hoje o seu xodó.

"Ela tem muito ciúme dessa peça", conta o ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência, Gilberto Carvalho. Em temporada de eleições municipais e julgamento do processo do mensalão no Supremo Tribunal Federal, não faltam nós para o governo desatar na seara política.

O radar de Dilma, porém, está mais sintonizado nas amarras econômicas. "Noventa por cento dos problemas que tomam conta da cabeça dela são ligados à crise e em como retomar o crescimento num nível elevado, sem risco", diz Carvalho. Enquanto a presidente procura soluções para desobstruir "gargalos logísticos" e se debruça sobre os entraves em portos, aeroportos, rodovias e ferrovias, há embaraços de todos os tipos com os aliados. A base de apoio do governo está dividida no Congresso, parlamentares reclamam de falta de atenção e candidatos a prefeito rogam pela presença de Dilma nos palanques.

Bem ao estilo Jânio Quadros, famoso por dar broncas nos subordinados por escrito, ela adotou agora os "bilhetinhos" para mandar recados aos ministros, como fez na quinta-feira, quando desautorizou acordo fechado com a bancada ruralista para aprovar, em comissão, a Medida Provisória do Código Florestal.

Escorregão. Na cobrança, Dilma escorregou no português. Escreveu "porque" junto quando, na pergunta, deveria ser separado. "Porque os jornais estão dizendo que houve um acordo ontem no Congresso sobre o Código Florestal, se eu não sei de nada?", indagou, em bilhete endereçado às ministras Izabella Teixeira (Meio Ambiente) e Ideli Salvatti (Relações Institucionais).

"Cada dia com sua agonia. Esses nós não estão na minha ossada", afirma, bem humorado, o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, fazendo um trocadilho com as palavras. "Aqui eu tenho problema com índios, Polícia Federal, greves, consumidor, Judiciário... Rezo para que, agora, Nossa Senhora Desatadora dos Nós nos ajude a ter apenas um nó por dia para resolver."

A santa de que Dilma tanto gostou foi uma lembrança de Emília Almeida, presidente do Instituto Mauá, repartição ligada ao governo baiano. De autoria do artesão Rosalvo Santana, a imagem é destaque do livro Santeiros da Bahia - Arte Popular e Devoção e consta que tem o poder de libertar os mortais das agruras da vida.

Dilma também convive, em seu gabinete do Planalto, com três imagens de Nossa Senhora Aparecida e uma Imaculada Conceição. Apesar de raramente ir à Igreja, ela é fã de Nossa Senhora.

"É bom rezar porque, depois da eleição, ninguém sabe como os aliados vão voltar para o Congresso. A presidente precisa fazer um carinho ao PT, dizer que a gente existe. O Supremo Tribunal Federal é um nó cego mesmo, que não conseguimos desatar", atesta o líder do PT na Câmara, Jilmar Tatto (SP), numa referência à condenação do deputado João Paulo Cunha (PT-SP) no julgamento do mensalão.

Nuvens negras. Do lado de lá, a oposição enxerga mais nuvens negras no horizonte. Para o deputado Sérgio Guerra (PE), presidente do PSDB, o conflito de petistas com o PSB do governador de Pernambuco, Eduardo Campos, ainda trará dissabores ao Planalto. "O PT vai mal no Nordeste e há derrotas anunciadas no Recife, em Salvador, Fortaleza e Teresina", diz Guerra. "A maioria que está com Dilma não gosta dela nem ela gosta da maioria que tem."

Com diagnóstico semelhante, o presidente do DEM, senador José Agripino (RN), avalia que Dilma enfrenta "conflito ideológico" no governo por causa da decisão de fazer concessões à iniciativa privada. "Quero ver se ela terá coragem para desfazer o grande nó do Brasil, que é o aparelhamento do Estado, ou se vai dar um nó em todo mundo", provoca Agripino. À espreita, Nossa Senhora Desatadora dos Nós faz vigília na residência oficial do Alvorada. Bem perto de Dilma.

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terça-feira, 4 de setembro de 2012

O SEGUNDO ROUND

Do UOL, em São Paulo

O debate Folha/RedeTV!, que ocorreu na noite desta segunda-feira (3), foi marcado pela troca de acusações entre os líderes nas pesquisas de intenção de voto. Três pedidos de respostas foram feitos, mas a organização não concedeu nenhum. Este foi o segundo debate realizado desde o início da campanha.

No primeiro bloco, Gabriel Chalita (PMDB) escolheu José Serra (PSDB) para fazer a sua pergunta e escolheu tema já abordado em debate anterior e em seus programas eleitorais.

"O senhor fechou as escolas em tempo integral. O senhor fechou ou não fechou?"

"Ninguém fechou nada", respondeu Serra, que afirmou que Chalita assinou o decreto criando a escola em período integral três meses antes de sair da secretaria.

"Esperou quatro anos para colocar pra frente, ou seja, era pra outro tocar, não tinha recursos, não tinha preparação, não tinha espaço, ninguém fechou nada. O governo do Lembo, anterior ao meu, começou a ver como poderia trabalhar com isso, hoje deve ter 300 escolas nessa condição", respondeu o tucano.

"Foi uma pena ele ter fechado as escolas em tempo integral", disse Chalita, na réplica.

Serra afirmou que Chalita estava mentindo e que não tinha “praticamente nada” para apresentar.

"Quem disse que não conhecia o Paulo Preto não fui eu. Quem disse que não nomeou o Aref não fui eu. Quem disse que não sairia da prefeitura não fui eu", rebateu Chalita, que deixou o PSDB após desavenças com Serra, então governador.

Paulo Preto foi diretor da Dersa, acusado de sumir com dinheiro da campanha do tucano em 2010. Em um primeiro momento, ao ser questionado sobre o episódio, Serra afirmou desconhecer o ex-diretor da estatal. Souza nega as acusações.

Serra e Chalita pediram direito de resposta, mas foram negados pela organização do debate.

Soninha Francine (PPS) questionou Fernando Haddad (PT) sobre o apoio de Paulo Maluf (PP). "Haddad, e o Maluf?”.

O petista afirmou que não ia "fulanizar" a política.

"Eu faço aliança com partidos políticos", afirmou Haddad, que aproveitou para citar o apoio de Roberto Jefferson, do PTB, a Celso Russomanno, e de Valdemar Costa Neto, do PR, à Serra.

Jefferson e Costa Neto são réus no processo do mensalão.

Haddad, por sua vez, escolheu o líder nas pesquisas Celso Russomanno (PRB) para responder sobre transporte. O petista perguntou porquê o candidato do PRB é contra a sua proposta do Bilhete Único Mensal.

“Gostaria muito de conhecer seus números, eu não tenho problema nenhum em implantar se for possível. Mas quero que você mostre os estudos porque propaganda enganosa é crime, sou especialista em defesa do consumidor”, afirmou Russomanno.

Haddad respondeu em sua réplica que a equipe que criou sua proposta é a mesma que fez o Bilhete Único da ex-prefeita Marta Suplicy (PT).

"Ela também foi muito criticada na época. Eu não consigo compreender como uma cidade rica como são Paulo não pode conceder um benefício como esse que já existe em outras grandes cidade do mundo”, respondeu o petista.

"Não adianta a gente cuidar só do valor, a gente tem que cuidar da qualidade. E é isso que estou mostrando em meu programa. Os ônibus são feitos em chassi de caminhão, estão acabando com o rim das pessoas, tem que cuidar da qualidade também. E ai se funcionar porque aí o negocio vai cantar", disse Russomanno em sua tréplica.

Rejeição

Ao ser questionado pela jornalista da Folha Vera Magalhães sobre os índices de rejeição e se ele acha que o eleitor de São Paulo o está responsabilizando por uma gestão mal avaliada do prefeito Gilberto Kassab (PSD), Serra justificou o número dizendo que é o mais conhecido entre os prefeituráveis e, por isso, tem mais eleitores que dizem não votar nele.

"Não fui eu quem deu a ele [Kassab] a prefeitura. Ele foi eleito com 61% dos votos contra a Marta", afirmou o tucano. "Esse é um assunto que vai ser resolvido na eleição e não em pesquisa", completou.

Vera pediu para Haddad comentar a resposta de Serra. Haddad afirmou que concorda que Serra seja o candidato mais conhecido e que, por isso, se expõe mais, porém diz que vê em São Paulo um sentimento por mudança, e não continuidade.

Na réplica, Serra lembrou que Lula perdeu várias vezes eleições.

"As derrotas me ensinaram. As vitórias também me ensinaram", afirmou.

De acordo com a última pesquisa Datafolha, 43% dos eleitores dizem que não votariam no tucano.

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segunda-feira, 3 de setembro de 2012

BRASIL, OLHA A TUA CARA

Por Marta Suplicy, publicado na Folha de S. Paulo

Ouço, com espanto, Ana Maria Braga falar que "não importa se a pessoa é solteira, católica, evangélica" numa confusão de situações -casos não muito diferentes dos encontrados na primorosa série de reportagens de "O Globo" sobre o último Censo do IBGE (2010).

Para a população brasileira hoje, as informações e os arranjos familiares são tão diversos que, como dizia um amigo meu, "não há o que não haja". Um homem pode estar casado com outro homem, a mulher solteira pode ser casada há anos e o casal recém-casadinho pode ter vários filhos.

As mulheres já assumem a responsabilidade por 38,7% dos lares (há dez anos, a chefia feminina era em 24,9%).

E o interessante é que elas se colocam como chefes de família não só quando não existe um cônjuge, mas quando ele existe e ela ganha mais ou conduz o negócio familiar. Isso é novo e merece mais atenção.

A diversidade é tal que podemos dizer que o Censo 2010 captou uma gigantesca mudança, que é a ponta de um iceberg de novos arranjos familiares ainda não estudados.

O IBGE não mede casados em casas separadas e filhos que moram, em guarda compartilhada, em duas residências. No entanto já sabemos a existência de 60 mil casais gays formados, em sua maioria, por mulheres (53,8%).

Temos também o surpreendente número de netos morando com avós e a família chamada "mosaico" (a do meu, do seu e dos nossos filhos). Assim como amigos que moram juntos sem laços de parentesco (400 mil) e os "Dinks", sigla em inglês referente à dupla renda e nenhum filho, que somam dois milhões de casais.

Menos filhos, mais independência e renda feminina foram fatores decisivos para essas modalidades que prenunciam um século diferente.

O caldo cultural acumulado na segunda metade do século 20, que permitiu a separação sem marginalização social, a pílula anticoncepcional, o divórcio e o maior acesso ao estudo (na TV, a novela "Gabriela", baseada no livro de Jorge Amado, nos lembra direitinho como era a condição da mulher e sua posição na família), foi motor para o que hoje acontece. E ainda não temos a dimensão da influência da globalização e da internet.

Falou-se que a família ia acabar, tal como os conservadores disseram quando a mulher conquistou o direito ao voto. Entretanto a família se adapta. Ela se renova, mas os laços afetivos continuam preponderantes.

Concluindo, a pesquisa indica que a família tradicional já não é mais maioria no Brasil. Ela corresponde a 49,9%. E agora Congresso? Não dá mais para ignorar o mundo dinâmico no qual vivemos nem permitir que setores conservadores inviabilizem a votação de leis que incorporem o que a sociedade já vive plenamente.

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domingo, 2 de setembro de 2012

HERANÇA PESADA

Artigo de Fernando Henrique Cardoso, O Estado de S.Paulo

A presidenta Dilma Rousseff recebeu uma herança pesada de seu antecessor. Obviamente, ninguém é responsável pela maré negativa da economia internacional, nem ela nem o antecessor. Mas há muito mais do que só o infortúnio dos ciclos do capitalismo.

Comecemos pelo mais óbvio: a crise moral. Nem bem completado um ano de governo e lá se foram oito ministros, sete dos quais por suspeitas de corrupção. Pode-se alegar que quem nomeia ministros deve saber o que faz. Sem dúvidas, mas há circunstâncias. No entanto, como o antecessor desempenhou papel eleitoral decisivo, seria difícil recusar de plano seus afilhados. Suspeitas, antes de se materializarem em indícios, são frágeis diante da obsessão por formar maiorias hegemônicas, enfermidade petista incurável.

Mas não foi só isso: o mensalão é outra dor de cabeça. De tal desvio de conduta a presidenta passou longe e continua se distanciando. Mas seu partido não tem jeito. Invoca a prática de um delito para encobertar outro: o dinheiro desviado seria "apenas" para o caixa 2 eleitoral, como disse Lula em tenebrosa entrevista dada em Paris, versão recém-reiterada ao jornal The New York Times. Pouco a pouco, vai-se formando o consenso jurídico, de resto já formado na sociedade, de que desviar dinheiro é crime, tanto para caixa 2 como para comprar apoio político no Congresso Nacional. Houve mesmo busca de hegemonia a peso de ouro alheio.

Mas não foi só isso que Lula deixou como herança à sucessora. Nos anos de bonança, em vez de aproveitar as taxas razoáveis de crescimento para tentar aumentar a poupança pública e investir no que é necessário para dar continuidade ao crescimento produtivo, preferiu governar ao sabor da popularidade. Aumentou os salários e expandiu o crédito, medidas que, se acompanhadas de outras, seriam positivas. Deixou de lado as reformas politicamente custosas: não enfrentou as questões regulatórias para acelerar as parcerias público-privadas e retomar as concessões de certos serviços públicos. A despeito da abundância de recursos fiscais, deixou de racionalizar as práticas tributárias, num momento em que a eliminação de impostos se poderia fazer sem consequências negativas: a oposição conseguiu suprimir a CPMF, cortando R$ 50 bilhões de impostos, e a derrama continuou impávida.

É longa a lista do que faltou fazer quando seria mais fácil. Na questão previdenciária, o único "avanço" não se concretizou: a criação de uma previdência complementar para os funcionários públicos que viessem a ingressar depois da reforma. A medida foi aprovada, mas sua consecução dependia de lei subsequente, para regulamentar os fundos suplementares, que nunca foi aprovada. As centenas de milhares de recém-ingressados no serviço público na era lulista continuaram a se beneficiar da regra anterior. Foi preciso que novo passo fosse dado pelo governo atual para reduzir, no futuro, o déficit da Previdência. Que dizer, então, de modificações para flexibilizar a legislação trabalhista e incentivar o emprego formal? A proposta enviada pelo meu governo com esse objetivo, embora assegurando todos os direitos trabalhistas previstos na Constituição, foi retirada do Senado pelo governo Lula em 2003. Agora é o próprio Sindicato Metalúrgico de São Bernardo do Campo que pede a mesma coisa...

Mas o "hegemonismo" e a popularidade à custa do futuro forçaram outro caminho: o dos "projetos de impacto", como certos períodos do autoritarismo militar tanto prezaram. Projetos que não saem do papel ou, quando saem, custam caríssimo ao Tesouro e têm utilidade

elativa. O exemplo clássico foi a formação a fórceps de estaleiros nacionais para produzirem navios-tanque para a Petrobrás (pagos, naturalmente, pelos contribuintes, seja por meio do BNDES, seja pelos altos preços desembolsados pela Petrobrás). Depois do lançamento ao mar do primeiro navio, com fanfarras e discursos presidenciais, passaram-se meses para se descobrir que o custo não fez jus a tanta louvação. Que dizer dos atrasos da transposição do São Francisco, ou da Transnordestina, ou ainda da fábrica de diesel à base de mamona? Tudo relegado aos restos a pagar do esquecimento.

O que mais pesa como herança é a desorientação da política energética. Calemos sobre as usinas movidas "a fio d'água", cuja eletricidade para viabilizar o empreendimento terá de ser vendida como se a produção fosse firme o ano inteiro, e não sazonal. Foi preciso substituir o companheiro que dirigia a Petrobrás para que o País descobrisse o que o mercado já sabia, havendo reduzido quase pela metade o valor da empresa. O custo da refinaria de Pernambuco será dez vezes maior do que previsto; há mais três refinarias prometidas que deverão ser postergadas ad infinitum. O preço da gasolina, controlado pelo governo, não é compatível com os esforços de capitalização da Petrobrás. Como consequência de seu barateamento forçado - que ajuda a política de expansão ilimitada de carros com a coorte de congestionamentos e poluição - a produção de etanol se desorganizou a tal ponto que estamos importando etanol de milho dos Estados Unidos!

Com isso tudo, e apesar de estarmos gastando mais divisas do que antes com a importação de óleo, o presidente Lula não se pejou em ser fotografado com as mãos lambuzadas de petróleo para proclamar a autossuficiência de produção, no exato momento em que a produtividade da extração se reduzia. No rosário de desatinos, os poços secos, ocorrência normal nesse tipo de exploração, deixaram de ser lançados como prejuízo, para que o País continuasse embevecido com as riquezas do pré-sal, que só se materializarão quando a tecnologia permitir que o óleo seja extraído a preços competitivos, que poderão tornar-se difíceis com as novas tecnologias de extração de gás e óleo dos americanos.

É pesada como chumbo a herança desse estilo bombástico de governar que esconde males morais e prejuízos materiais sensíveis para o futuro da Nação.

Fernando Henrique Cardoso, sociólogo, foi presidente da República

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BAIXA PRODUTIVIDADE

Por Guilherme Waltenberg, de O Estado de S. Paulo

No ano em que a Câmara Municipal de São Paulo vai se renovar, devido às eleições de outubro deste ano, estudo da ONG Voto Consciente, apresentado nesta quinta-feira, 30, mostrou que dos 587 projetos de lei sancionados nesta legislatura, mais da metade, 298, foram projetos de denominação de ruas e homenagens a pessoas. Apenas 289 eram projetos de mérito, ou seja, que apresentam alguma mudança na cidade.

Esse estudo realizou uma avaliação do trabalho dos 55 vereadores desta legislatura, iniciada em 2009. De acordo com a diretora da entidade, Sônia Barboza, a atribuição de nomear ruas não deveria ser da Câmara.

"Os projetos de denominação de rua são importantíssimos, todo mundo merece ter um endereço. O processo que a Câmara usa é que está errado, é custoso, e não deveria ser feito na Câmara, deveria ser feito na Prefeitura. Eles (os vereadores) perdem tempo, esse tempo poderia ser usado em coisas mais proveitosas para a cidade", opinou Sônia.

Apenas nessa legislatura, foram apresentados 2.577 projetos de lei, dos quais 587 foram sancionados, 185 vetados e os outros 1.805 ainda estão em tramitação.

A avaliação dos vereadores deu nota e traçou um ranking da atuação dos parlamentares. Foram avaliados três critérios: frequência nas comissões, participação nas votações nominais e o impacto dos projetos propostos. A maior nota foi 7,70 e a média geral foi de 5,66.

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sábado, 1 de setembro de 2012

DISCURSO ARROGANTE

Do UOL, em São Paulo

O prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes (PMDB), candidato à reeleição, afirmou durante a sabatina Folha/UOL, realizada nesta sexta-feira (31), que a acusação do adversário Marcelo Freixo (PSOL) de ter responsabilidade no crescimento das milícias na cidade deve “ser desespero eleitoral".

"O processo eleitoral prevê que os candidatos tenham suas opiniões sobre os outros candidatos. O deputado [Freixo] sabe que eu não tenho relação com milícia, aliás, é um risco enorme politizar o tema da segurança pública. (...) muitos querem ser comentaristas, deve ser desespero eleitoral", disse. Clique aqui e leia a íntegra da sabatina.

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BELÍSSIMAS NAS ELEIÇÕES

O horário eleitoral já começou e a apresentação e a beleza de muitas candidatas têm despertado a atenção de muitos eleitores. Um levantamento feito pelo portal UOL mostra quais são as candidatas mais belas nestas eleições de 2012.

Uma enquete realizada pelo UOL quer saber do eleitor, qual a candidata a vereadora ou prefeita mais bonita deste ano.

Até o fechamento desta postagem, quem liderava a disputa na enquete era a candidata Wanessa Mattos, do PSD, de Jaboatão dos Guararapes (PE), musa do Brasileirão. Clique aqui e conheça as 26 concorrentes ao posto de candidata mais bela das eleições de 2012.

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