sábado, 25 de maio de 2013

AS MEMORÁVEIS MÚSICAS DAS CAMPANHAS DE ZÉ PRADO

As campanhas de Zé Prado sempre foram embaladas com belíssimas composições – versões de grandes sucessos musicais – todas feitas pelo compadre e fiel amigo, o poeta popular Pedro Lavandeira que sempre esteve ao lado da família Prado.

Com habilidade em transformar – espécie de paródia – grandes clássicos da música brasileira em hits para as campanhas pradista, Pedro Lavandeira deu ritmo, alegria e sentido as campanhas políticas dos Prado.

Abaixo confira algumas das memoráveis músicas das campanhas de Zé Prado, na voz de Pedro Lavandeira.
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sexta-feira, 24 de maio de 2013

VAI, VAI, VAI, VAI...NINGUÉM SEGURA NÃO!

O ano era ... 1986,  Zé Prado já consagrado como líder político, disputa uma vaga na Assembleia Legislativa do Ceará.
As campanhas de Zé Prado eram marcadas por alguns pontos primordiais, como: respeito, honestidade e alegria. Até seus adversários o respeitavam.
Zé Prado era todo simples e isso servia como uma ponte entre ele, o homem do sertão e o da cidade que se identificavam com o “Zé dos pobres”.
A alegria ficava sob a responsabilidade do amigo fiel e compadre, Pedro Lavandeira que comandava o Pipocão e emocionava a todos com suas músicas feitas para as campanhas de Zé Prado. Um dos maiores sucessos da campanha de 1986, foi o jingle Vai, vai, vai, vai ninguém segura não!
Para as centenas de fãs e eleitores pradistas, até hoje essas músicas nos levam a uma doce saudade das campanhas pradista, sob a batuta do maestro Pedro Lavandeira.
A vitória de Zé Prado como o deputado mais votado na zona norte do estado representou para o ‘povão’ – que sempre esteve ao lado dele – como chuva no roçado do agricultor, uma extrema felicidade.
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quinta-feira, 23 de maio de 2013

O PIPOCÃO

O ano era... 1982, Zé Prado disputa a segunda campanha para prefeito de Sobral (CE). Eram três candidatos: Zé Prado, Joaquim Barreto – o Kinkão – e Aurélio Ponte.
Foi neste ano que entrou em cena o “Pipocão”, a charanga que contagiava a multidão nos comícios e terreiros alegres de Zé Prado. Cheio de lâmpadas por todos os lados, o carro era a sensação por onde passava.
Numa alusão divertida ao jogo do bicho, a população identificava os candidatos não pelo número da cédula eleitoral de cada um, mas pelo número do jogo. Zé Prado, o 15, era o jacaré; Aurélio Ponte, o 16, era o leão e Kinkão, o 17, era o macaco.
Todas as campanhas de Zé Prado eram marcadas por uma música feita pelo poeta popular, Pedro Lavandeira e nessa de 1982 não foi diferente; entre todas as músicas da campanha, a que marcou foi a versão de Andar com Fé, Pedro Lavandeira fez Andar com o Zé.
A campanha foi disputadíssima e o nome do novo prefeito de Sobral só foi conhecido próximo ao término da apuração. Zé Prado e Kinkão, sempre próximo um do outro na contagem dos votos, mas no último dia de apuração, Kinkão foi eleito prefeito de Sobral.
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quarta-feira, 22 de maio de 2013

O SUCESSOR

O ano era ... 1976, para sucedê-lo na prefeitura de Sobral (CE), Zé Prado lança José Euclides. Para eleger seu sucessor, Zé Prado não mediu esforços: saia às ruas de Sobral e distritos dia e noite pedindo voto para seu candidato.
Com o slogan “de Zé pra Zé, do jeito que o povo quer” e a força política que o jovem carismático da família Prado já demonstrava ter, elegeu seu sucessor. Após seis meses no poder, Euclides rompe com Zé Prado, seu padrinho político e responsável pela sua vitória.
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terça-feira, 21 de maio de 2013

MORRE RUY MESQUITA FILHO

O jornalista Ruy Mesquita, diretor de ''O Estado de S. Paulo'', morreu nesta terça-feira, às 20h40. "Dr. Ruy", como era conhecido na redação, foi internado no dia 25 no Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo. Um câncer de base de língua havia sido diagnosticado em abril.
Seguindo a tradição da família, Ruy Mesquita foi um defensor da liberdade, da democracia e da livre-iniciativa, princípios que sempre nortearam a linha editorial do ''Estado''. Ao longo de seus 88 anos, teve participação ativa em momentos importantes da história do Brasil e da América Latina. Presenciou o início da revolução em Cuba, nos anos 50, e foi homenageado pelos irmãos Castro, de cujo regime se tornou depois crítico contumaz.
Reuniu-se com militares antes do golpe de 1964, que apoiou, em nome da defesa da democracia, mas, assim como seu pai e seu irmão, também passou a criticar a ditadura, uma vez instalada. Os três lideraram uma das mais emblemáticas resistências à censura prévia, substituindo as reportagens cortadas por poemas e receitas.
Aos 88 anos, Ruy manteve sua rotina de trabalho até a véspera da internação. Responsável pela opinião do ''Estado'' desde a morte de seu irmão Julio de Mesquita Neto, em 1996, ele se reunia diariamente com os editorialistas para definir as tradicionais "Notas & Informações" da página 3.
De hábitos reclusos, dividia seu tempo entre o jornal e a casa, onde se dedicava a leituras. Deixa a mulher, Laura Maria Sampaio Lara Mesquita, os filhos Ruy, Fernão, Rodrigo e João, 12 netos e um bisneto.
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A PRIMEIRA CAMPANHA

O ano era... 1972, Zé Prado disputa pela primeira vez uma campanha eleitoral, seu adversário era o empresário Carlos Alberto, o “Carrim”. A campanha empolgava todos os sobralenses dos bairros e dos distritos.
Após uma acirrada disputa, Zé Prado foi eleito prefeito de Sobral. De 1973 a 1976, Zé Prado e o vice João Edson Andrade administraram a cidade no prédio da atual Câmara Municipal.
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segunda-feira, 20 de maio de 2013

BANDEIRA BRANCA, O HINO

As campanhas de Zé Prado eram marcadas por vários jingles/paródias que se tornaram memoráveis, entre eles: Falam de Mim, Andar com Fé, Vai Vai Vai... Mas entre tantos que se destacaram, um virou o hino da carreira política pradista: Bandeira Branca.
Conhecida na voz magnifica de Dalva de Oliveira, a música ganhou uma versão feita pelo poeta popular Pedro Lavandeira, amigo fiel e compadre de Zé Prado. Quando o clima ficava quente na campanha, Prado pedia para o compadre Lavandeira cantar Bandeira Branca.
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SEMANA BANDEIRA BRANCA

No próximo domingo, 26 de maio, completa 14 anos que José Parente Prado  (foto) faleceu, para lembrar a trajetória política desse líder, o blog Sou Chocolate e Não Desisto realiza a quarta edição da “Semana Bandeira Branca”.
Um dos maiores líderes políticos do Ceará, Zé Prado foi secretário municipal, deputado estadual por três legislaturas e duas vezes prefeito de Sobral (CE).
A homenagem a Zé Prado, ocorre todos os dias da “Semana Bandeira Branca”, com fotos, jingles, vídeos e postagens com histórias que marcaram suas campanhas políticas.
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segunda-feira, 13 de maio de 2013

SHOW PARA REDE DE MARINA

Por Isadora Peron do O Estado de S. Paulo
SÃO PAULO - Adriana Calcanhoto e Nando Reis vão fazer um show em São Paulo, na próxima quinta-feira, 16, para arrecadar recursos para a Rede Sustentabilidade, partido que está sendo criado pela ex-senadora Marina Silva.
Segundo o site do evento, até o dia da apresentação outros nomes podem ser confirmados. Os cantores Caetano Veloso, Gilberto Gil e Arnaldo Antunes também já manifestaram apoio à nova sigla.
A apresentação será no Cine Joia, no centro da cidade. Os ingressos já estão à venda e custam R$ 30. No dia do show, o preço sobe para R$ 40. Estudantes têm direito à meia entrada.
Todo dinheiro arrecadado com a bilheteria será destinado à produção de materiais de comunicação para ajudar na coleta de assinaturas para a fundação da Rede. Para registrar o partido no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) é necessário recolher 500 mil declarações de apoio, até outubro. Segundo o balanço divulgado pela sigla no início do mês já foram coletadas 260 mil. O grupo estabeleceu como meta alcançar o número total até junho.
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segunda-feira, 29 de abril de 2013

ÁGUA FRIA NO PSC

O PSC do pastor deputado Marcos Feliciano (SP) em sua cruzada contra a comunidade LGBT recebeu mais um balde de água fria, na última sexta (28), o STF extinguiu o mandado de segurança do PSC contra a decisão do Conselho Nacional de Justiça (CNJ).
O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Luiz Fux negou mandado de segurança do PSC contra resolução do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), que obriga cartórios de todo o Brasil a celebrar a união estável ou o casamento civil entre pessoas do mesmo sexo. Para o ministro, o CNJ tem competência para regulamentar questões internas da Justiça de acordo com valores constitucionais.
Fux argumenta que a própria Constituição confere ao CNJ a tarefa de analisar a legalidade dos atos administrativos praticados por membros ou órgãos do Judiciário usando como base os princípios da legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência. Segundo o ministro, essa competência já foi reconhecida pelo Supremo ao confirmar resolução do conselho que proibia a prática de nepotismo no Judiciário.
"É de se ressaltar que tal postura se revela extremamente salutar e consentânea com a segurança e previsibilidade indispensáveis ao Estado democrático de direito, em geral, e à vida em sociedade, em particular, além de evitar, ou, pelo menos, amainar, comportamentos anti-isonômicos pelos órgãos estatais", analisa.
Fux também entende que o PSC cometeu erro formal ao optar por um mandado de segurança para questionar a "lei em tese". Ele acredita que a legenda deveria ter escolhido uma ação direta de inconstitucionalidade para tratar do tema.
O PSC alegava que o CNJ cometeu abuso de poder ao editar a norma, e que a resolução não pode ter validade sem passar pelo processo legislativo. Se a legenda recorrer, o caso deverá ser analisado pelo plenário do STF.

Por Débora Zampier, da Agência Brasil
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sexta-feira, 26 de abril de 2013

MUDANÇA DE NOMENCLATURA

Moradores de ruas com nomes de autoridades e políticos com histórico de desrespeito aos Direitos Humanos poderão solicitar a mudança de nomenclatura da via à Prefeitura de São Paulo. É o que prevê uma lei sancionada nesta quarta-feira (24) pelo prefeito Fernando Haddad (PT), de autoria dos vereadores Orlando Silva e Jamil Murad, ambos do PCdoB.
Com base na nova lei, moradores podem fazer um abaixo-assinado para pedir a remoção do nome de uma via pública batizada com alguma liderança do regime militar, que vigorou no país entre 1964 e 1985.
Há vários exemplos pela cidade, como o elevado Costa e Silva, popular “Minhocão”. "Na Vila Leopoldina, temos uma rua que se chama Sérgio Fleury (delegado que virou símbolo da repressão do regime), e que muitos moradores gostariam de mudar", argumentou Silva.
Atualmente, o nome de uma rua só pode ser modificado sem uma nova lei quando existe algum logradouro com aquele nome ou quando expõe seus moradores ao ridículo.
A Câmara também deve aprovar neste semestre um projeto de lei do vereador Nabil Bonduki (PT) que proíbe qualquer nomeação de rua com nomes de autoridades que participaram da ditadura militar. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.
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segunda-feira, 22 de abril de 2013

CORRIDA COM BARREIRAS

Da Folha de S. Paulo - Poder
Direta ou indiretamente, todos os pré ou potenciais candidatos à Presidência da República já reclamaram da exagerada --mas não inédita-- antecipação da disputa eleitoral de 2014.
Apesar disso, nenhum dá sinais de desaceleração. Pelo contrário. Na agenda, nas articulações e nas declarações públicas, atuam cada vez mais como se estivessem a poucos meses do pleito.
A cerca de um ano e seis meses da eleição, o quadro de concorrentes parece consolidado: a presidente Dilma Rousseff (PT) deve disputar a reeleição contra um franco opositor, o tucano.
Aécio Neves; um "descolado" da base aliada, o governador de Pernambuco, Eduardo Campos (PSB); e uma dissidente do atual consórcio do poder, a ex-ministra Marina Silva, agora engajada na viabilização de um novo partido, a Rede Sustentabilidade.
Nesse cenário, também já é possível listar as vantagens objetivas e, principalmente, as fragilidades evidentes de cada desafiante.
Com a popularidade em alta, 58% das intenções de voto na última simulação do Datafolha, maior arco de alianças e maior capacidade de arrecadação de recursos para a campanha, é difícil achar alguém que coloque em dúvida o favoritismo de Dilma.
Seus maiores riscos, pelo menos por enquanto, estão na gestão da economia, já que o país cresce em ritmo menor na comparação com o período anterior, de Lula.
Aécio e Campos têm gestões bem avaliadas em seus currículos, mas ainda enfrentam questionamentos em seus próprios partidos e tendem a ter muito mais dificuldades para fazer alianças.
A situação mais complicada é a de Marina. Mesmo sendo bem sucedida na criação da Rede, ela teria o menor tempo na TV. (ADRIANO BRITO, DANIELA LIMA E PAULO GAMA).
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terça-feira, 16 de abril de 2013

ARTISTAS ATIVISTAS POLÍTICOS

Patrícia Rehder Galvão, conhecida por seu apelido Pagu, foi a primeira mulher presa por motivações políticas no Brasil, há exatos 82 anos, em 15 de abril de 1931. Na ocasião, ela e seu então marido, o escritor modernista Oswald de Andrade, participaram da organização de uma greve de estivadores em Santos. Artista e militante política, ela foi presa outras 22 vezes.
A escritora e jornalista causou um rebuliço na sociedade brasileira e inaugurou, junto com seu marido, a militância política partindo da classe cultural, em que o artista usa seu reconhecimento e prestígio social para expor publicamente sua opinião política.
Pagu, nascida em 1910, causava estranhamento na época por conta de seu comportamento, que incluía pequenos mas simbólicos desvios de padrão, como o de fumar na rua e usar blusas transparentes. Em 1930, ela foi a pivô de um escândalo, para época, no meio artístico. Oswald de Andrade, com 40 anos, se separa de Tarsila do Amaral, com 44 anos, para se casar com Pagu, com 20 anos.
Entre suas prisões posteriores, inclui uma em Paris, em 1935, por ser integrante do Partido Comunista e estar com identidade falsa. Na ocasião, é repatriada para o Brasil, onde fica presa por mais cinco anos.
Da primeira prisão de Pagu ao comentado beijo de Daniela Mercury em sua esposa passaram-se mais de 80 anos, em que floresceram mais artistas ativistas como Ziraldo, que criou O Pasquim; Chico Buarque e Gilberto Gil, que compuseram a música Cálice no auge da Ditadura Militar; e Waly Salomão, poeta e compositor que tentou fazer com que livros fossem incluídos na cesta básica.
Do site Vírgula - Frederico Antonelli
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segunda-feira, 15 de abril de 2013

MADURO É O NOVO PRESIDENTE DA VENEZUELA

O candidato 'chavista' Nicolás Maduro foi eleito, neste domingo, 14, o novo presidente da Venezuela, informou as autoridades eleitorais nacionais.
Por uma margem mínima, Maduro derrotou o oposicionista Henrique Capriles e vai governar a Venezuela até 2019.
Com 99,12% dos votos apurados, Maduro teve 50,66% da preferência do eleitorado, com 7.505.338 votos. Já o oposicionista Henrique Capriles tinha 49,07%, com 7.270.403. A diferença entre os dois candidatos era de 234.935 votos.
As autoridades acrescentaram que a participação foi de 78,71% dos 19 milhões de eleitores habilitados Maduro será o sucessor de Hugo Chávez, morto por um câncer em 5 de março passado.
O presidente eleito afirmou que foi uma "vitória eleitoral justa" e "legal".
"A este povo hoje podemos dizer que tivemos uma vitória eleitoral justa", afirmou Maduro no Palácio de Miraflores para uma multidão de chavistas reunida no centro de Caracas.
Nicolás Maduro, que já foi motorista de ônibus e sindicalista e se declara um "apóstolo" de Hugo Chávez, enfrentará o difícil desafio de preencher o vazio deixado pelo carismático líder e garantir a continuidade de sua obra.
Escolhido por Chávez como seu herdeiro político, Maduro, de 50 anos, concentrou sua campanha na imagem do falecido presidente, insistindo em que é seu "filho" e que apenas sua vitória poderá manter os benefícios sociais da revolução chavista.
"Nunca esperei por isso. Nunca. Mas foi absolutamente emocionante e surpreendente que um chefe que você ama e sempre apoiou com lealdade, em um dado momento, diga para você: 'olha, vou fazer uma cirurgia e há dois cenários: um é que não sobreviva à operação, e o segundo é que tenha uma recuperação demorada e, nesses dois casos, cabe a você assumir o comando", contou o presidente interino em uma recente e exclusiva entrevista à AFP.
Em vários momentos, o candidato chavista reiterou sua intenção de ser fiel a Chávez e seguir seu programa de governo. Não é à toa que a voz em "off" de Chávez está sempre presente em seus comícios e sua figura inspira os discursos de Maduro.
Para seu adversário e líder da oposição, Henrique Capriles, Maduro é um "burguesito" ("burguesinho"), "caprichito" ("mimado", "cheio de caprichos"), além de ter tramado um plano para ignorar o resultado da eleição e promover a violência no país.
Nesta campanha, Maduro buscou um estilo próprio, marcado por altas doses de misticismo - quando assobiava imitando um "passarinho", no qual (segundo ele) Chávez teria encarnado -, ou pelo histrionismo - como, por exemplo, quando imitava Capriles. Nessa hora, que ele chama de "baile da obsessão", Maduro grita "Nicolassssssss, Nicolasssssss!", movendo o corpo como se estivesse no meio de um ataque de nervos.
Consciente do valor da família para os venezuelanos, ele sempre aparece acompanhado de sua mulher, a "primeira combatente" Cilia Flores, um peso-pesado do PSUV (partido da situação), dez anos mais velha do que ele. Maduro também costuma subir ao palco acompanhado do filho e dos netos, entre eles a pequena Victoria, nascida poucos dias depois da "vitória" de Chávez, em 7 de outubro passado.
O discípulo 'chavista' se comprometeu a manter um governo itinerante por todo o país, "dirigindo eu mesmo o ônibus", com seus ministros a bordo.
Esse político de físico admirável e com seu bigode característico, nascido em 1962 e integrante de uma banda de rock (Enigma) na adolescência, foi apontado pelo próprio Chávez como seu sucessor, quase três meses antes de seu falecimento. Foi quando o "comandante" se afastou do poder e viajou para Havana, onde seria operado do câncer pela quarta vez.
Maduro, teria dito Chávez nesse dia, é "um revolucionário leal e íntegro ("a carta cabal")" e "um homem com muita experiência apesar de sua juventude".
"Olhem aonde vai Nicolás, o motorista de ônibus Nicolás. Era motorista de ônibus no metrô e como riram dele", exclamou Chávez, alguns meses antes, ao nomeá-lo vice-presidente.
Nicolás Maduro Moros, que também foi líder sindical do Metrô de Caracas, era considerado da ala moderada do círculo mais próximo de Chávez, ao contrário de outros estreitos colaboradores, como o presidente da Assembleia Legislativa, Diosdado Cabello, outro nome forte cogitado para suceder ao "comandante".
"Estamos realmente prontos para assumir a presidência, em 15 de abril, com o povo e com o guia que ele (Chávez) nos deixou. Sem que eu me desse conta, ele foi me preparando em todos os temas: petróleo, finanças, internacional ...", disse Maduro à AFP.
De sua gestão como chanceler (2006-2012), os analistas destacam seu tom conciliador e sua grande capacidade de influenciar e de negociar entre as diferentes facções da coalizão governista.
"Quero terminar a obra de Chávez de unir todo o país. Quero ser o presidente da união e da paz de todos venezuelanos, e que vocês me acompanhem nisso", declarou Maduro, em um comício esta semana, mostrando-se conciliador.
Como chanceler, Maduro também levou ao pé da letra o discurso "anti-imperialista" de Chávez, hostil aos Estados Unidos. Participou ativamente dos últimos processos de integração regional promovidos por Chávez, como a Comunidade de Estados Latino-Americanos e do Caribe (Celac), e a integração da Venezuela ao Mercosul, além das negociações com os novos sócios políticos e econômicos da Venezuela, como China e Rússia.
Antes de ser ministro das Relações Exteriores, ele havia sido presidente da Assembleia Nacional (2005-2006), embora sua atividade parlamentar tenha arrancado como deputado em 1999, eleito pelo Movimento Quinta República (MVR) fundado por Chávez.
Seus destinos se cruzaram no Movimento Bolivariano Revolucionário 200 (MBR-200), também fundado por Chávez, e com o qual o "comandante" liderou uma frustrada tentativa de golpe de Estado em 1992 contra o então presidente, Carlos Andrés Pérez.
Da Redação O POVO Online com AFP.
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segunda-feira, 8 de abril de 2013

MORRE A DAMA DE FERRO

Do UOL, em São Paulo

A ex-primeira-ministra britânica Margaret Thatcher morreu, nesta segunda-feira (8), aos 87 anos. Segundo seu porta-voz, a "Dama de Ferro", como era conhecida, sofreu um derrame.
"É com grande tristeza que Mark e Carol Thatcher anunciaram que sua mãe, a baronesa Thatcher, morreu em paz após um derrame nesta manhã", afirmou o lord Tim Bell.
Thatcher foi a primeira e até agora única mulher a ser premiê no Reino Unido. Ela liderou os conservadores a três vitórias eleitorais, governando de 1979 a 1990, o maior período contínuo no governo para um primeiro-ministro britânico desde o início do século 19.
A política se retirou da vida pública em 2002, quando já apresentava lapsos de memória e sinais de demência. Nos últimos dez anos, Thatcher sofreu vários derrames e foi hospitalizada por diversas vezes.
Repercussão
O atual primeiro-ministro britânico, David Cameron, afirmou que Thatcher era uma grande britânica.
"Com muita tristeza que fiquei sabendo da morte da Lady Thatcher. Nós perdemos uma grande líder, uma grande premiê e uma grande britânica", escreveu no Twitter.
Em uma breve entrevista, Cameron afirmou que Thatcher salvou o Reino Unido.
"A verdade sobre Margaret Thatcher é que ela não apenas liderou o nosso país. Ela salvou o nosso país", disse Cameron. "Ela morre como a maior primeira-ministra do Reino Unido em tempos de paz."
Cameron, que está na Espanha, cancelou uma viagem que faria à França e voltará ainda nesta segunda-feira (8) ao Reino Unido.
A rainha Elizabeth 2ª expressou seu pesar pela morte da ex-primeira-ministra britânica Margaret Thatcher e enviará uma mensagem particular à família, informou hoje o Palácio de Buckingham.
"A rainha está aflita por saber da morte da baronesa Thatcher e Vossa Majestade enviará uma mensagem particular de solidariedade à família", dizia um breve comunicado da residência oficial da Família Real britânica.
O ex-primeiro-ministro trabalhista do Reino Unido Tony Blair disse que  Thatcher foi uma figura política "imponente" e teve um profundo "impacto global".
"Muito poucos líderes conseguiram mudar não só o panorama político de seu país, mas do mundo inteiro", afirmou Blair em um comunicado. Margaret Thatcher, que governou o Reino Unido de 1979 até 1980, era "uma verdadeira líder", acrescentou.
Blair disse que "algumas das mudanças" realizadas por Thatcher se mantiveram, "pelo menos em certos aspectos", quando ele se tornou primeiro-ministro, em 1997, e também foram imitadas por "governos de todo o mundo".
Além disso, Blair elogiou a personalidade de Thatcher: "como pessoa era amável e de espírito generoso e sempre se mostrou incrivelmente disposta a me ajudar como primeiro-ministro, apesar de sermos de pólos políticos opostos".
"Inclusive se não concordava com ela em certos aspectos, em algumas ocasiões fortemente em desacordo, não poderia deixar de respeitar sua personalidade e sua contribuição à nação britânica", disse Blair, que foi líder do Partido Trabalhista entre 1994 e 2007.
O presidente norte-americano Barack Obama afirmou que, com a morte de Thatcher, os Estados Unidos perderam uma verdadeira amiga e o mundo uma defensora da liberdade.
"Como partidária sem complexos de nossa aliança transatlântica, sabia que, com força e determinação, podíamos ganhar a Guerra Fria e estender a promessa de liberdade", afirmou Obama em um comunicado.
A chanceler alemã Angela Merkel homenageou Thatcher ao classificá-la de "líder extraordinária de nossa época".
"Soube com grande tristeza da morte de Margaret Thatcher. Primeira-ministra durante muitos anos, marcou o Reino Unido moderno como poucos o fizeram, antes ou depois dela. Foi uma líder extraordinária de nossa época", declarou Merkel citada em um comunicado.
O antigo dirigente soviético Mikhail Gorbachev disse que Thatcher ficará para a história.
"Margaret Thatcher era uma grande personalidade política e uma pessoa brilhante. Ela permanecerá na memória e na história", declarou, citado pela agência Interfax.
O ex-presidente polonês e histórico líder do sindicato Solidariedade, Lech Walesa, afirmou que Thatcher contribuiu para a queda do comunismo na Europa.
"Lástima. Era uma grande personalidade que fez muito pelo mundo, que contribuiu para a queda do comunismo na Polônia e na Europa do Leste, com (o presidente americano também morto) Ronald Reagan, o Papa João Paulo 2° e o sindicato Solidariedade", declarou Lech Walesa.
Funeral
Thatcher terá um funeral cerimonial na catedral de St. Paul, anunciou o governo, descartando um funeral de Estado.
"Downing Street pode anunciar que, com o consentimento da Rainha, Lady Thatcher receberá um funeral cerimonial com honras militares", declarou em um comunicado, sem informar uma data. 
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domingo, 7 de abril de 2013

ESPIONAGEM À FERREIRA GOMES

Da Folha de S. Paulo - Poder 
Em discurso no plenário da Câmara, o deputado Eudes Xavier (PT-CE) pediu ontem a investigação de uma suposta rede de espionagem de adversários montada pelos irmãos Cid Gomes (PSB), governador do Ceará, e Ciro Gomes, ex-ministro.
Xavier disse que recebeu "de uma fonte" cópia de e-mails trocados entre eles e secretários de Estado que provaria o esquema.
Em nota, o governador do Ceará classificou as acusações como disparatadas e mentirosas, disse que os e-mails são todos falsos e que ele e o irmão irão processar o petista na Justiça.
Os e-mails apresentados por Xavier têm a data de 2011 e se referem a uma suposta ação de Ciro Gomes contra o ex-prefeito de Maracanaú Roberto Pessoa (PR), um dos poucos adversários dos Gomes no Estado.
Em uma das supostas troca de e-mails, Ciro falaria a Cid que estaria disposto a tornar pública uma fita em que Pessoa achacaria empresários em Maracanaú.
ARAPONGAS
Segundo os papéis apresentados por Xavier, Cid teria acionado secretários para conversar com Ciro e para ajudá-lo. O ex-ministro também, afirma o petista, teria procurado a firma de investigação Kroll.
O ex-prefeito Roberto Pessoa disse que os e-mails demonstram que os Gomes "inauguraram a primeira PPP de segurança pública do Ceará coordenada por Ciro, Cid e pela Kroll."
A Folha não conseguiu contato com a Kroll. (ANDREZA MATAIS E MARCIO FALCÃO)
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sábado, 6 de abril de 2013

PROPOSTAS DOS DEPUTADOS FAMOSOS

Famosos que viraram políticos não são mais novidade hoje em dia. Atualmente existem cinco deputados federais em exercício que já eram bem conhecidos do público brasileiro antes de se elegerem.  São eles; o ex-pugilista Acelino "Popó" Freitas (PRB/BA); Francisco Everardo Oliveira Silva, o Tiririca (PR/SP); o ex-BBB Jean Wyllys (PSOL/RJ); o ex-jogador Romário (PSB/RJ); e o ator Stepan Nercessian (PPS/RJ). Mas a questão que fica no ar é: O que desejam as celebridades quando entram na política?
O palhaço Tiririca, que já afirmou que não pretende continuar na carreira política porque não é possível aprovar nada na Câmara, defende a classe circense tendo como propostas, entre outras, reconhecer a atividade circense como manifestação cultural, podendo receber incentivo da lei Rouanet.
Romário também puxa a pauta da Câmara para sua classe e tem propostas na área do esporte, focando nas Olimpíadas. Em uma de suas propostas, o ex-jogador deseja instituir a Semana Olímpica nas Escolas Públicas.
O também atleta Popó luta pelo boxe, mas tem outros projetos como um que determina que os chips de telefonia móvel sejam fornecidos ao usuário com a memória previamente programada com os números telefônicos de acesso a serviços de emergência. A ideia veio de uma necessidade pessoal que o ex-pugilista explicou uma vez, em seu Instagram: “Após passar por uma experiência desagradável, o parlamentar se deu conta que não é fácil recordar os telefones públicos úteis quando mais precisamos”, escreveu ele.
Em outra ponta, o ex-BBB Jean Wyllys desponta como defensor da diversidade sexual, sendo opositor ferrenho a Marco Feliciano e tendo entre suas pautas, reconhecer o casamento civil entre pessoas do mesmo sexo.
Há também o ator Stepan Nercessian, que é um dos autores do projeto que institui o Programa de Cultura do Trabalhador que cria o vale-cultura. 
Do site Vírgula - Frederico Antonelli
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sábado, 30 de março de 2013

ESTADO LAICO POR UM FIO

Do blog Pragmatismo Político
Câmara pode aprovar proposta que dá fim ao Estado Laico no Brasil. Comissão de Constituição e Justiça já aprovou permissão para religiosos interferirem nas leis brasileiras
Se é que existe a laicidade no Brasil, onde, pelo menos teoricamente, a religião não interfere no Estado, ela está para ter seu fim. Isso porque na manhã desta quarta-feira, 27 de março, a Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJ) da Câmara dos Deputados aprovou a Proposta de Emenda à Constituição 99/11, do deputado João Campos (foto), do PSDB de Góias.
A proposta inclui as entidades religiosas de âmbito nacional entre aquelas que podem propor ação direta de inconstitucionalidade e ação declaratória de constitucionalidade ao Supremo Tribunal Federal. Ou seja, religiosos poderão questionar decisões judiciais como a legalidade da união estável para casais de mesmo sexo, aprovada no Supremo em maio de 2011.
O texto segue para ser votado em plenário e, se aprovado, segue para votação no Senado Federal. A Ementa da PEC 99/11 versa que caso o texto seja aprovado ele “Acrescenta ao art. 103, da Constituição Federal, o inciso X, que dispõe sobre a capacidade postulatória das Associações Religiosas para propor ação de inconstitucionalidade e ação declaratória de constitucionalidade de leis ou atos normativos, perante a Constituição Federal”.
Leia abaixo a matéria da Agência Câmara.
CCJ aprova admissibilidade de PEC que autoriza entidade religiosa a questionar lei no STF
A Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania aprovou, nesta quarta-feira (27), a admissibilidade da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 99/11, do deputado João Campos (PSDB-GO), que inclui as entidades religiosas de âmbito nacional entre aquelas que podem propor ação direta de inconstitucionalidade e ação declaratória de constitucionalidade ao Supremo Tribunal Federal (STF).
Entre estas entidades estão, por exemplo, a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), o Supremo Concílio da Igreja Presbiteriana do Brasil e a Convenção Batista Nacional.
A proposta será analisada por uma comissão especial e, em seguida, votada em dois turnos pelo Plenário.
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sábado, 23 de março de 2013

CORRIDA PRESIDENCIAL

Da Folha de S. Paulo - Poder
O senador Aécio Neves (PSDB-MG) afirmou que seu desempenho na pesquisa Datafolha divulgada nesta sexta-feira é um "ótimo resultado" para ele.
No cenário mais provável para a disputa presidencial de 2014, o tucano aparece em terceiro lugar com 10% das intenções de voto.
"Fico muito satisfeito. Ainda estamos muito distantes das eleições e da definição de candidatos. Até por isso, os institutos de pesquisa deveriam trazer um cruzamento entre o grau de conhecimento e a intenção de votos dos possíveis candidatos. A presidente Dilma, por exemplo, tem 100% de conhecimento, pelo nível de exposição que tem diariamente. O que não ocorre com os outros nomes. É um ótimo resultado", disse o senador, por meio de nota.
Se a eleição fosse hoje, segundo o Datafolha, a presidente Dilma Rousseff teria 58%, seguida pela ex-senadora Marina Silva, que tenta viabilizar sua própria sigla, a Rede, com 16%. Logo atrás estão Aécio Neves, com os 10%, e o governador de Pernambuco, Eduardo Campos (PSB), que aparece com 6% das intenções de voto. Neste cenário, 6% declararam voto nulo ou em branco, e 3% disseram não saber em quem votar.
A pesquisa foi realizada entre os dias 20 e 21 de março e ouviu 2.653 pessoas. A margem de erro é de dois pontos percentuais para mais ou para menos.
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sexta-feira, 22 de março de 2013

TRABALHO DE CASA

Artigo de Marina Silva, ex-senadora e ex-ministra do Meio Ambiente publicado nesta sexta-feira na Folha de S. Paulo

É necessário distinguir o mero crescimento --efêmero, superficial, reversível-- do verdadeiro desenvolvimento econômico e social.
Muitas vezes, o alinhamento político e a busca de resultados imediatos obscurecem a análise de governos e oposições, que se atracam em disputas pelo crescimento em vez de buscarem consenso para estender à sociedade benefícios do desenvolvimento. E não resta dúvida de que, nos últimos 20 anos, mesmo quando o crescimento não foi exuberante, o desenvolvimento econômico do Brasil avançou e vem criando condições para superar fragilidades sociais e históricas.
Tramita agora no Congresso, em fase final de votação, a PEC que equipara os direitos das empregadas domésticas (por que sempre usamos no feminino?) aos dos demais trabalhadores. Sim, temos até hoje um regime trabalhista que divide cidadãos com mais e com menos direitos em função de sua ocupação. Sempre houve um forte apelo para corrigir essa injustiça, mas os mais refratários à ampliação desses direitos sempre evocavam os custos elevados e o receio de que muitos trabalhadores perdessem o emprego. Assim, as conquistas vêm a conta-gotas.
Conheço bem esse drama. Aos 17 anos, quando fui empregada doméstica, não tinha noção do que eram direitos trabalhistas, sentia apenas gratidão pela família que me acolhia em sua casa e me dava emprego. Ainda sou grata, mas sei que milhões de pessoas que realizam o trabalho doméstico não podem constituir um gueto social, numa relação de servidão incrustada no século 21.
Agora temos um contexto favorável. Mais de 15 anos de baixa inflação, com melhoria de distribuição de renda, avanços importantes nos programas de transferência de renda e baixo nível de desemprego são fatores de estabilização do desenvolvimento econômico que fornecem lastro para a conquista de direitos trabalhistas.
Lembro que o senador Suplicy, primeiro a pregar no deserto para convencer a sociedade a adotar programas de renda mínima, já chamava a atenção para esse efeito: o trabalhador, tendo a garantia de uma renda de subsistência, pode rejeitar condições inadequadas de trabalho. Isso vale para o emprego doméstico, mas precisa avançar também em outras situações de extrema precariedade, como carvoarias ilegais e atividades em zonas rurais e remotas. Mesmo nas periferias urbanas persistem situações de trabalho em condições similares à escravidão.
São situações que não deveriam existir mais num país que chega ao século 21 reivindicando o direito de estar no time do Primeiro Mundo.
Transformar o crescimento em desenvolvimento, e dar a esse a sustentabilidade que advém da justiça social, é o trabalho de casa inadiável de nossa sociedade.
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quinta-feira, 21 de março de 2013

AUXÍLIO-MORADIA

De Brasília, Erich Decat , da Folha de S. Paulo
Já o chamado "cotão", como é conhecido, foi adotado em 2009 e é utilizado para pagar despesas como passagens aéreas, telefone, serviços postais, assinatura de publicações, combustíveis e lubrificantes, entre outros gastos. Desde então, ele não foi reajustado.
O valor de cada deputado varia de Estado para Estado, principalmente, em razão do preço das passagens aéreas.
Ontem após reunião dos membros da Mesa Diretora, o presidente da Casa, Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN), determinou que a área técnica definisse um índice de reajuste para os dois benefícios, o que foi feito hoje.
Esses valores deverão fazer parte de um ato interno da Casa e aprovado pelos integrantes da Mesa Diretora.
Além do aumento do valor do "cotão", a Casa prevê a criação de 44 cargos de indicação política e 15 funções, espécie de gratificação cedidas aos servidores que atuam em áreas de chefia.
A criação dos cargos vai gerar um custo de R$ 7 milhões em 2013 e R$ 8,9 milhões em 2014.
ECONOMIA
Em contrapartida, a Casa prevê a redução de gastos de R$ 12,6 milhões por ano com a limitação do pagamento do 14 e15 salários e R$ 24 milhões com a implantação de novas regras para o pagamento de horas extra que deverá entrar em vigor em maio.
De acordo com os cálculos da direção, as medidas devem produzir uma economia de R$ 19 milhões por ano.
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quarta-feira, 20 de março de 2013

CAFÉ SEM AÇÚCAR

Por Lauro Jardim, da coluna Radar
Enquanto há denúncias de superfaturamento que alcançam desde as obras do Estádio Nacional de Brasília até a merenda escolar das crianças, há deputados distritais que parecem estar muito ocupados para tratar dos reais problemas da cidade.
Um exemplo é o deputado distrital Dr. Michel.
Cansando de beber café que já chega à mesa adoçado com açúcar em alguns bares e restaurantes da capital, resolveu usar seu mandato para obrigar os estabelecimentos a oferecerem, também, a bebida sem açúcar.
Para isso, escreveu e protocolou na Câmara um projeto de lei que, se aprovado, dará multa aos bares e restaurantes que não oferecerem a opção do café sem açúcar.
Michel justifica seu projeto dizendo que tomar a bebida sem açúcar evita a formação de cáries, mau hálito, elevação da taxa de colesterol, elevação da acidez do organismo e diminui o risco de problemas cardíacos, diabetes, câncer, entre outras doenças.
Ou seja, o café amargo de Dr. Michel é praticamente um elixir para a cura de todos os males.
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DIA DO BLOGUEIRO

A blogosfera está em festa, 20 de março é Dia do Blogueiro. Um levantamento divulgado no fim de 2010 pelo caderno Link do O Estado de S. Paulo, mostra que já existem mais de 146 milhões de blogs no mundo. Em 2012, a estimativa era que chegasse a 150 milhões. Os recentes dados mostram que essa estimativa ultrapassou a casa dos 152 milhões.
Em língua portuguesa, a blogosfera ainda está engatiando, apenas 2% deles estão nessa linguagem — o japonês é a língua mais falada (37%), e o inglês, o segundo (36%).
Com 48%, os EUA aparecem no topo da lista. Apenas 10% estão na Ásia. Outro fato interessante: 67% dos blogueiros são homens. Há blogs com temas para todos os gostos que se possa imaginar.
Parabéns a todos os blogueiros !!!
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CANCELADO

Segundo reportagem desta terça-feira (19), de Renée Pereira, no caderno Economia & Negócios, do jornal O Estado de S. Paulo e Reuters, a China cancelou compra de 2 milhões de toneladas de soja do Brasil por falta de infraestrutura nos portos do País. Há carregamentos que deveriam ter sido enviados ao país asiático em janeiro. E até agora estão parados. Veja em Economia Estadão.
Isso comprova a incompetência do titular da pasta, Leônidas Cristino no comando da Secretaria dos Portos, autarquia que tem status de Ministério. A escolha do titular da pasta não foi técnica, foi totalmente política. Alçado ao posto de secretário/ministro, Leônidas deixou o governo de Sobral (CE) para cumprir a cota imposta ao governo federal pelo triunvirato sobralense: Ivo, Ciro e Cid Gomes, que em troca continuaria dando apoio irrestrito a presidente Dilma.
No comando da Secretaria dos Portos há três anos, Leônidas demostrou ser um péssimo gestor sem se destacar como ministro e deve finalizar seu mandato apenas como mais uma bucha na Esplanada dos Ministérios.
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terça-feira, 19 de março de 2013

TREMOR NA BASE

Por Dora Kramer colunista do O Estado de S.Paulo
O presidente do PPS, deputado Roberto Freire, realmente convidou o tucano José Serra a entrar no partido, ainda não obteve resposta e diz que se encerra por aí a veracidade das versões que correm sobre o assunto.
"O mais é fruto de uma central de invenções sem compromisso com a realidade", afirma. Esse "mais" que Freire qualifica como mero boato seria a exigência de Serra de que para entrar no partido precisaria ter assegurada a legenda para concorrer à Presidência da República.
"Nem podemos garantir nada, nem ele pediu, nem temos ainda claro como será o cenário da disputa de 2014." De acordo com Roberto Freire, o que há em relação ao tucano é um desejo de incorporá-lo a um bloco para tentar quebrar o ciclo de dez anos do PT no poder central e a evidência de que Serra está desconfortável no PSDB, onde o grupo afinado com o senador Aécio Neves vem ocupando ativamente todos os espaços desde a derrota de 2010.
O importante nessa história, aponta Roberto Freire, é a existência de alternativa no horizonte. "Alguém que possa derrotar eleitoralmente o que está aí, que recupere o respeito pelas instituições e possa enfrentar a crise econômica."
Se Eduardo Campos tem origem no campo governista, para o deputado não é algo que deve ser visto como um fator excludente. "Inclusive porque não é a oposição que estimula a candidatura dele, mas sim um evidente processo de reestruturação na base do governo."
Na visão dele, o que impulsionou essa forte tendência de Eduardo Campos de se afastar da área de influência do PT e buscar a articulação de outro polo de perspectiva de poder foi a ruptura com o PT na eleição para a prefeitura de Recife.
"Ele enfrentou Lula e venceu. No Rio Grande do Sul também conseguimos romper com a hegemonia do PT na capital. Esse grupo não é invencível e, para vencê-lo, não é preponderante que haja a encarnação do oposicionismo, mas capacidade de vencer mediante um projeto que faça o Brasil avançar."
O empresariado, notadamente o setor produtivo, tem dado reiteradas demonstrações de cansaço com o atual modelo, na opinião de Freire. A busca por uma opção não estaria, portanto, restrita ao mundo político-partidário.
Freire vê semelhanças com o período pré-edição da Carta aos Brasileiros, com a qual o PT se comprometeu com o bom senso na área econômica, quando a sociedade buscou outros nomes antes de se concentrar em Lula: Roseana Sarney e Ciro Gomes, por exemplo, que chegaram a liderar as pesquisas no primeiro semestre de 2002.
Se o "alguém" será Pedro, Paulo ou João - ou mesmo todos os nomes de quem se fala, incluindo Serra e Marina Silva, na percepção de Roberto Freire não é uma questão para ser resolvida agora nem administrada pela lógica da disputa no campo que pretende se apresentar como contraponto ao PT.
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segunda-feira, 18 de março de 2013

PARABÉNS, MARTA SUPLICY

É pic, é pic é pic... ! Hoje é aniversário da Ministra da Cultura, Marta Suplicy. Nascida Marta Teresa Smith de Vasconcelos, em São Paulo, 18 de março de 1945.
Formada em psicologia, Marta apresentou vários programa na tv brasileira, se destacou em seu primeiro programa, o TV Mulher da Rede Globo na década de 80.
Ex-deputada federal - 1995 /1999 - foi prefeita de São Paulo - 2001 / 2005 - e ministra do Turismo - 2007 /2008. Em 2010 foi eleita senadora, a primeira mulher a representar São Paulo no Senado.
Perseverante e determinada, Marta Suplicy representa a força da mulher na política brasileira e sua contribuição tem sido de valor imensurável para uma sociedade mais justa e igualitária.
Saúde, paz, sucesso e felicidade. Parabéns, Marta!
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domingo, 17 de março de 2013

A REDE DE MARINA

Isadora Peron, O Estado de S. Paulo
SÃO PAULO - Quase um mês depois do lançamento oficial da Rede Sustentabilidade, o novo partido da ex-senadora Marina Silva conseguiu coletar cerca de 10% das assinaturas necessárias para sair do papel.
O balanço foi feito na noite desta quinta-feira, 14, pela coordenadora da coleta de assinaturas da Rede, a advogada Marcela Moraes, depois de um evento na Câmara Municipal que reuniu apoiadores da nova sigla.
Segunda Marcela, essa é uma estimativa parcial, pois os comitês estaduais ainda estão enviando as informações de como foi o primeiro mês de coleta. Na semana que vem, o movimento terá números mais precisos sobre o assunto.
A legislação determina que sejam recolhidas mais de 500 mil declarações de apoio em nove Estados, e, para concorrer nas eleições de 2014, todo o processo tem de ser finalizado junto ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) até um ano antes do pleito, ou seja, em outubro próximo.
Viagens. Marina passou o dia ontem em São Paulo, onde participou de mutirões para recolher assinaturas. De manhã, foi ao Mecado da Lapa, na zona oeste da cidade. À tarde, visitou o Mercadão, na região central.
A ex-senadora afirmou que vai começar a percorrer o País para recolher assinaturas. Nesta sexta, 15, ela vai estar em Araraquara, interior do Estado, e, no fim de semana, no Rio. Além dos eventos desta quinta, Marina já havia participado de um mutirão em Brasília.
À noite, num encontro com apoiadores da nova sigla na Câmara Municipal, a ex-ministra do Meio Ambiente disse que os partidos que já existem "estão com medo" da criação da Rede, que tem como bandeira o desenvolvimento sustentável e a ética na política, e que por isso estão tentando aprovar um projeto de lei para aumentar de 500 mil para 1,5 milhão o número de assinaturas necessárias para o registro de uma nova sigla no TSE.
Mais cedo, ela havia afirmado que os parlamentares usam "dois pesos e duas medidas" ao defenderem a aprovação de um projeto de lei que impede que os deputados que migrem para uma nova legenda sejam levados em conta no cálculo para a divisão do tempo de TV e dos recursos do fundo partidário.
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4 ANOS SEM CLODOVIL

Memória: Há 4 anos faleceu em Brasília no Hospital Santa Lúcia, o deputado federal, Clodovil Hernandes, 71 anos. A morte cerebral foi anunciada pelo diretor do hospital, após 30 horas de ser encontrado desmaiado em sem seu apartamento, em Brasília.
Costureiro, apresentador de tv, ator e deputado federal, o segundo mais votado na eleição de 2006 – mais de 490 mil votos – Clodovil Hernandes teve sua vida marcada por polêmicas. Por onde passou deixou alguns desafetos e muitos amigos.
Biografia: Nasceu em Elisário (SP). Nos anos 60 e 70, Clodovil foi uma das figuras máximas da alta-costura brasileira. Os modelos assinados pelo estilista eram disputados por socialites e celebridades. Ainda no começo dessa carreira, ganhou o prêmio mais cobiçado do mundo da moda, o Agulhas de Ouro.
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sexta-feira, 15 de março de 2013

É O FIM DO POÇO, É O FIM DO CAMINHO

Ventos insuportáveis sopram de Brasília. Renan Calheiros é presidente do Senado. O deputado João Magalhães, que tem as contas bancárias bloqueadas, foi eleito presidente da Comissão de Finanças. E para completar, o pastor Marco Feliciano, acusado de racismo e homofobia, mas antes de tudo um perfeito cafajeste, foi escolhido presidente da Comissão de Direitos Humanos.
Às vezes é preciso mergulhar no passado para respirar. Pastores picaretas na literatura são bem mais interessantes. Em 1960, Burt Lancaster fez um cafajeste genial que vendia a religião no filme Elmer Gantry. Ganhou o Oscar de melhor ator e Richard Brooks, o de melhor roteirista. No filme, Burt Lancaster é um pregador brilhante que seduzia com o som das palavras: estrela matutina, estrela vespertina...
O filme é baseado no livro de Sinclair Lewis, escrito no meio da década de 20. A construção do personagem foi resultado de um longo trabalho do escritor, que entrevistava religiosos e, às vezes, ouvia três sermões diferentes por dia. Criticado em todos os púlpitos, Lewis enfrentou forte reação religiosa: um pastor chegou a pedir cinco anos de prisão para o romancista. Sinclair Lewis, em seu tempo, jamais poderia colher frases como a do pastor brasileiro Marco Feliciano: "Desculpe se vou agredir os seus ouvidos, mas o reto não foi feito para ser penetrado".
Quase um século se passou, com inegáveis avanços democráticos e uma grande dose de vulgaridade. No fundo, tanto o personagem vivido por Burt Lancaster, com seu brilho e sua veia poética, como o pastor Marco Feliciano se batem pela mesma causa: o dinheiro dos fiéis. O que torna Feliciano singular é sua aterrissagem na Comissão de Direitos Humanos.
Não foi um relâmpago em céu azul, mas resultado de um longo processo de degradação que transformou o Congresso desenhado por Niemeyer numa espécie de caverna sombria, com lógica oposta à da sociedade, que a mantém. Ao longo desses anos a comissão sempre foi dirigida pela esquerda. Partidos de outros matizes não se interessam por ela, associando, erradamente, direitos humanos à esquerda. A longa hegemonia de um setor acabou enfraquecendo o tema, uma vez que o viés ideológico tende a enxergar humanidade apenas no seu campo político.
Um grande mérito dos direitos humanos é sua universalidade. São direitos de um indivíduo, não importa a que partido pertença, em que país tenha nascido ou viva. Quando Lula comparou os presos políticos de Cuba aos traficantes do PCC, o movimento não reclamou. Quando comparou os opositores em luta no Irã a torcidas de futebol, novo silêncio. Há pouca solidariedade com as populações que vivem sob o controle armado do tráfico. E uma tendência histórica é ver o policial apenas como um transgressor dos direitos humanos, ignorando até os que morrem em atos de bravura.
Abandonada pelos grandes partidos, a comissão foi, finalmente, rejeitada pelo PT. A esquerda não compreendeu integralmente o conceito de universalidade e a direita, ao ignorar os direitos humanos, joga fora o bebê com a água de banho.
Não foram nossos erros no movimento de direitos humanos que trouxeram Feliciano ao centro da cena. Ele não chegou ao topo à frente de um onda racista e anti-homossexuais, apesar de suas declarações bombásticas. Ele triunfou porque é cafajeste, e essa condição hoje é indispensável para o ascender no Congresso. Expressa um longo processo de degradação impulsionado pelo PT.
Cada um certamente terá sua maneira de elaborar o caminho pelo qual se produziu tal aberração. Convém à boa consciência considerar Feliciano um acidente de percurso. Ou, então, contestá-la com a clássica frase: mas não se pode negar que as pessoas aumentaram seu nível de consumo. No mundo onde o consumo é a única medida, o discurso da presidente Dilma aos brasileiros parece anúncio de supermercado: o arroz, o feijão, o óleo, a pasta de dente, olhe a pasta de dente, que no passado não entrava na cesta básica. Por que só agora, se a porta sempre esteve aberta, como no Castelo de Kafka? Por que vetou o projeto de um oposicionista que isentava a cesta básica de impostos federais? O arroz, o feijão e a pasta de dente, olha a pasta de dente.
O pastor Marco Feliciano é um personagem que recebeu um cartão de crédito de um fiel e o advertiu porque se esqueceu de mandar a senha: "Depois vai reclamar quando Deus não fizer o milagre". Da mesma forma, o Congresso se comportou com o pré-sal. Diante da complexidade e riqueza da exploração dessas jazidas profundas, limitou-se a discutir apaixonadamente a divisão do dinheiro. Recebeu o cartão de crédito e logo usou a senha para detoná-lo.
A irracionalidade da condução do pré-sal foi marcada por um tom nacionalista. A Petrobrás, diziam, deve ter participação em todos os contratos. Mas não seria melhor para a Petrobrás ter a preferência e participar apenas dos contratos que lhe interessassem? Mas eles são muy amigos, querem que a empresa entre em todas as explorações, até nas canoas furadas.
Apesar do Congresso, os direitos humanos continuam sendo uma causa digna de por ela se bater. Apesar da desagregadora condução parlamentar no episódio do pré-sal, as pessoas não perderam a sensação da unidade do País. Pesquisa do Ibope mostra que 75% dos entrevistados quer a renúncia de Renan Calheiros. O único ser humano que Feliciano poderia ter ajudado ao assumir a comissão é o próprio Calheiros, que ganhou companhia no circo de horrores de Brasília.
Vivemos numa época em que número maior de pessoas consegue se informar melhor sobre o que se passa no País e no mundo. Elas certamente farão um contraponto à altura. Mas o problema continua em aberto. Por mais extensa e bem informada que seja uma rede, ela não substitui instituições nacionais.
O horizonte do País fica mais estreito sem um espaço que possa chamar de Congresso. Como reconstruir essa ruína? É o tipo de pergunta que daria um cartão de crédito para responder com acerto. Infelizmente, ainda não tenho a senha.
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quinta-feira, 7 de março de 2013

DILMA EXCLUI GAYS

Por Rodão Arruda do O Estado de S. Paulo
Para o presidente da Associação Brasileira de Gays, Lésbicas, Travestis e Transsexuais (ABGLT), Carlos Magno Silva Fonseca, o governo da presidente Dilma Rousseff, do PT, é contraditório. De acordo com suas observações, de um lado ela avança na área de inclusão social, com a ampliação de programas de transferência de renda. De outro, quando se trata da minoria gay, ela exclui.
“Nossa comunidade está fora dos processos de inclusão desse governo”, diz o presidente da maior organização do grupo LGBT do País, com 285 associações filiadas. “Até agora a presidente Dilma não demonstrou nenhum interesse em definir e levar adiante políticas públicas para mudar a realidade de discriminação e violência contra nossa comunidade.”
Carlos Magno aponta como exemplo do desinteresse da presidente a recente indicação do pastor Marco Feliciano (PSC-SP) para a presidência da Comissão da Direitos Humanos da Câmara, graças a articulações com o PT, que abriu mão do cargo. “A presença desse pastor na direção da comissão é um retrocesso, uma ameaça a tudo que já conquistamos.”
Jornalista, com pós-graduação em mídias digitais, Carlos Magno milita no Centro de Luta pela Livre Orientação Sexual de Minas Gerais. Com a sua eleição para a ABGLT, em janeiro, a entidade deu uma guinada política: a presidência anterior era menos crítica ao governo e ao PT.
Como avalia o governo da presidente Dilma?
Deixa muito a desejar. Desde que ela suspendeu o kit contra a homofobia e fez declarações dizendo que não iria fazer propaganda de orientação sexual, coisa que nunca pedimos, deu para perceber que nossas questões não seriam incorporadas aos compromissos do governo. Ela está andando na contramão. Enquanto o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, discursa reconhecendo o direito dos casais homossexuais, enquanto a Inglaterra, França, Espanha e até a nossa vizinha Argentina avançam nessa direção, aqui, até agora, a presidente não demonstrou nenhum interesse em definir e levar adiante políticas públicas para mudar a realidade de discriminação e violência contra nossa comunidade.
Uma das grandes bandeiras do governo é a inclusão social.
É um governo contraditório. Não se pode deixar de reconhecer que está em andamento um grande processo de inclusão social no País. Mas, ao mesmo tempo, a questão LGBT é negligenciada. Até parece que não existe nenhuma demanda, que a comunidade não é vítima de agressões, de violências, de perseguições estimuladas por fundamentalistas religiosos.
Está dizendo que a inclusão não chega aos gays?
O governo Dilma exclui gays. Não vi ainda esforço nenhum de inclusão. A presidente não fez nenhum gesto para mostrar que não estamos excluídos. No Brasil, de acordo com levantamento do Grupo Gay da Bahia, um homossexual é assassinado a cada 36 horas – e o governo não tem política efetiva para combater essa violência.
Como vê a polêmica da indicação do pastor Marco Feliciano, do PSC, para a presidência da Comissão de Direitos Humanos e Minorias?
Estamos mobilizados para evitar que isso aconteça. A comissão é estratégica para todos os setores envolvidos com a defesa dos direitos humanos. É extremamente preocupante saber que pode ficar nas mãos do Marco Feliciano, deputado que tem um longo histórico de declarações homofóbicas e racistas. Como é possível que uma pessoa sem o mínimo envolvimento com as bandeiras e conquistas históricas dos direitos humanos seja indicada para a presidência da comissão?
A indicação se deve a articulações e compromissos do PT para manter a governabilidade da gestão Dilma.
O governo não pode, em nome da governabilidade, por em risco as conquistas democráticas. A presença desse senhor na comissão é um retrocesso, uma ameaça a tudo que já conquistamos.
Como vê essa aproximação entre evangélicos e governo?
Esses pastores estão no congresso para defender seus interesses e convicções religiosas. Isso vai na contramão da questão pública. É um erro deslocar a arena religiosa para a arena política, porque isso interfere no princípio da laicidade do Estado. O mais preocupante, porém, é ver que esse setor está aliado com que há de mais atrasado e conservador. Ceder aqui significa colocar a democracia, as conquistas democráticas e a participação dos movimentos sociais em risco. Trata-se de uma clara ameaça às denominações religiosas de matriz africana, aos direitos das mulheres, ao debate sobre internações compulsórias.
O que governo deve fazer?
Em primeiro lugar, deve ouvir os movimentos sociais – e não apenas o setor religioso. Como presidente da República, Dilma tem obrigação de ouvir todos os setores da sociedade. No Congresso, precisa dar atenção aos parlamentares que estão, de fato, comprometidos com as lutas sociais.
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