sábado, 11 de janeiro de 2014

MORRE ARIEL SHARON

O ex-primeiro-ministro israelense Ariel Sharon, 85, morreu neste sábado (11) de falência múltipla de órgãos, no hospital de Tel Hashomer, perto de Tel Aviv, confirmaram o governo israelense e a família de Sharon. A notícia tinha sido dada mais cedo pela Rádio Militar de Israel, citando familiares do líder.
Ele estava internado na unidade de saúde em coma desde 2006, quando teve um acidente vascular cerebral.
Sharon participou da criação do Estado de Israel, em 1948, e teve vários postos nas Forças Armadas e em sucessivos governos do país. Por sua atuação no Exército e na política, foi acusado pela Justiça de seu país e por grupos de direitos humanos de ser responsável por diversos massacres de civis palestinos desde 1952.
Como primeiro-ministro, foi idealizador do muro que separa os territórios palestinos de cidades e assentamentos judeus e ordenou a retirada das colônias ilegais da faixa de Gaza.
Relembre a trajetória de Ariel Sharon
Sharon nasceu na região da Palestina em 1928, quando a região estava sob domínio britânico. Ele participou da milícia Haganá - que lutava pelo fim da autoridade inglesa na região - em 1942, quando tinha apenas 14 anos de idade.
Posteriormente foi comandante de brigadas do Exército de Israel durante a ofensiva das tropas árabes logo após a criação do país, em 1948.
Em 1952, ele se tornou líder da Unidade 101, responsável por ações militares de retaliação em territórios palestinos – muitas das quais criticadas por violações dos direitos humanos, tal como o Massacre de Qibya, no qual 69 palestinos morreram - mais da metade dos mortos eram mulheres e crianças.
Sharon ingressou na política em 1973, eleito para o parlamento israelense pelo partido de direita Likud. Ele renunciou em seguida para trabalhar como assessor de segurança nacional para o premiê Ytzhak Rabin.
Em 1977 foi reeleito. Em 1981, se tornou ministro da Defesa do governo de Menachem Begin. Como chefe da pasta, Sharon comandou a invasão do Líbano, em 1982, em represália aos ataques com mísseis lançados deste país por militantes da OLP (Organização para a Libertação da Palestina), de Yasser Arafat (1929-2004).
À época, ele foi acusado de agir sem a autorização do primeiro-ministro. A ação no país vizinho expulsou a OLP do Líbano, mas deixou um saldo de centenas de civis palestinos mortos, grande parte deles dentro de dois campos de refugiados de Beirute que estavam sob o controle do Exército de Israel – episódios conhecidos como os massacres de Sabra e Shatila.
Em 1983, Sharon foi forçado a deixar o cargo por um tribunal israelense que investigava os massacres. A Justiça concluiu que o ministro foi indiretamente responsável pelas mortes.
Retorno à política
Apesar da renúncia, Sharon continuou popular entre a direita israelense, tendo participado de sucessivos governos.
Como ministro da Habitação, em 1990, foi um entusiasta da política de assentamentos judeus em territórios palestinos, tendo sido responsável pela maior construção de colônias e estradas na faixa de Gaza e na Cisjordânia desde que os territórios foram ocupados por Israel, em 1967.
Sharon foi ministro do Exterior do governo de Benjamin Netanyahu, em 1998, e em 1999 se tornou o líder do Likud.
Depois do fracasso das conversações entre Israel e a Autoridade Palestina, em Camp David (EUA), em 2000, Sharon tentou colocar a opinião pública contra o premiê Ehud Barak, dizendo que ele era um usurpador disposto a trocar Jerusalém por um acordo de paz.
Estopim da segunda intifada
Ainda em 2000, Sharon despertou a ira dos palestinos ao visitar o complexo religioso conhecido como Haram al-Sharif pelos muçulmanos em um dia sagrado islâmico. O episódio, visto como provocação pelos árabes, deu início à segunda intifada (revolta).
Em 2001, ele foi eleito primeiro-ministro com um discurso de "segurança e paz", afirmando que não iria "se dobrar" aos palestinos.
Foi de Sharon a ideia de construir um muro separando cidades e assentamentos judeus dos territórios palestinos. Ele ordenou a retirada de assentamentos judeus em Gaza, mas descartou outras remoções.
Em 2005, Sharon deixou o Likud e criou o partido Kadima, no qual esperava ser reeleito como premiê. O acidente vascular cerebral, no entanto, frustrou os planos de Sharon.
Via UOL, em São Paulo, com informações da BBC e de agências de notícias
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O CONFISCO SECRETO DA CAIXA

Por Claudio Dantas Sequeira, da revista ISTOÉ
Uma auditoria realizada pela Controladoria-Geral da União (CGU), órgão vinculado à Presidência da República, aponta que, em 2012, a Caixa Econômica Federal promoveu uma espécie de confisco secreto de milhares de cadernetas de poupança. Em um minucioso relatório composto por 87 páginas, os auditores da CGU revelam os detalhes da operação definida como ?sem respaldo legal?, que envolveu o encerramento de 525.527 contas sem movimentação por até três anos e com valores entre R$ 100 e R$ 5 mil. Os documentos obtidos por ISTOÉ mostram que o saldo dessas contas foi lançado, também de forma irregular, como lucro no balanço anual da Caixa, à revelia dos correntistas e do órgão regulador do sistema financeiro. No total, segundo o relatório da CGU, o ?confisco? soma R$ 719 milhões. O documento foi remetido à Assessoria Especial de Controle Interno do Ministério da Fazenda e ao Banco Central e desde novembro auditores do BC se debruçam sobre a contabilidade da Caixa para apurar as responsabilidades. ISTOÉ também teve acesso a cinco pareceres do Banco Central que foram produzidos após as constatações feitas pela CGU. Em todos eles os técnicos concluem que a operação promovida em 2012 foi ilegal. No documento redigido em 4 de novembro do ano passado, o Departamento de Normas do BC (Denor) adverte que a operação examinada consiste em ?potencial risco de imagem para todo o Sistema Financeiro Nacional?.
Nos cálculos feitos pelos auditores da CGU, os R$ 719 milhões obtidos com essa espécie de confisco representaram nada menos que 12% do lucro do banco naquele ano, engordando o pagamento de bônus a acionistas. ?Essa é uma forma de turbinar o lucro do banco, mas é crime contra o Sistema Financeiro Nacional?, disse à reportagem um dos auditores que investigam a operação. O dado que despertou a atenção dos auditores em uma rotineira prestação de contas foi um crescimento de 195% na rubrica ?Outras Receitas Operacionais? em apenas um ano. A Caixa, então, foi convocada a detalhar a contabilidade, identificando as fontes de todos os recursos. No relatório, os técnicos da CGU registram que houve resistência em fornecer as explicações, mas a CEF acabou mostrando todas as planilhas. A CGU descobriu, então, que foram selecionadas para encerramento 525.527 contas de poupança, praticamente todas elas pertencentes a pes-soas físicas. Essas contas foram escolhidas a partir do saldo e do período em que permaneceram sem movimentação. Foram encerradas as poupanças com saldos de até R$ 100 e sem movimentação havia mais de um ano; até R$ 1 mil e inativas por dois anos; e até R$ 5 mil sem movimento por três anos. Essa rotina foi implantada em janeiro e finalizada em agosto. Ao final do semestre, os valores remanescentes na conta ?Credores Diversos? eram transferidos para a subconta de resultado ?Outras Receitas Operacionais?. Para a CGU, não há lei ou regulamento que determine que o saldo de uma conta encerrada deva ser incorporado ao resultado e, posteriormente, ao patrimônio de um banco. Além disso, a legislação determina o prazo prescricional de 25 anos para a devolução dos saldos de contas encerradas, com recolhimento ao Tesouro. Não sendo reclamados ao final de mais cinco anos, podem somente então ser incorporados ao patrimônio da União.
Aos auditores da CGU e ao Banco Central, a Caixa argumentou que para encerrar as contas se amparou em resolução do Conselho Monetário Nacional (2025/1993), numa circular do Banco Central (3006/2000) e no ma-nual normativo da própria instituição. Alegou que as contas encerradas continham falhas cadastrais e, por isso, deviam ser fechadas. Ocorre que, segundo os técnicos da CGU e os analistas do Banco Central, as normas citadas não se aplicam no caso de encerramento de poupanças, muito menos prevê a apropriação dos valores pelo banco.
A Resolução 2025 de 1993 trata na verdade, segundo os auditores, do encerramento de contas abertas ?com documentação fraudulenta?, quando há indícios de crime contra a administração pública. E para promover o encerramento é necessária autorização judicial. Ou seja, para que a Caixa pudesse fechar as 525.527 poupanças precisaria comunicar cada um dos casos à Polícia Federal e só depois de confirmados os indícios de fraude é que as contas poderiam ser encerradas. Da mesma forma, de acordo com os auditores, a Circular 3006 de 2000 prevê autorização do cliente para encerramento da conta. Na operação de 2012, a Caixa não procurou os titulares das poupanças previamente, não identificou os indícios de fraude e nem sequer consultou o Banco Central, segundo os relatórios obtidos por ISTOÉ. Na semana passada, a direção da CEF encaminhou nota à revista reafirmando ter consultado os correntistas (leia a versão da CEF na pág. 49).
Ainda segundo o relatório da CGU, os auditores tiveram acesso a um parecer anexado ao voto no conselho diretor pelo setor jurídico da Caixa. Nesse parecer era recomendado que antes de finalizar a operação fosse feita uma consulta ao BC. Além disso, no mesmo documento o setor jurídico da Caixa alertava para os riscos de dano à imagem do banco, além de enquadramento civil por ?enriquecimento sem causa? (art.884 a 886 do Código Civil) e criminal, por apropriação indébita (art. 168 do Código Penal). Em parecer enviado à CGU, o Banco Central aponta a completa ausência de respaldo legal para o encerramento das contas, especialmente as de poupança. ?A regulamentação não prevê a possibilidade de encerramento de contas que não tenham sido movimentadas. Não é possível se apropriar de um patrimônio que não é de sua propriedade?, afirma o documento. O BC ressalta ainda que a Caixa, antes da baixa das contas classificadas como inativas, procedeu à reclassificação de seus saldos para uma conta de natureza diversa da de poupança. O voto do conselho diretor que aprovou o encerramento das contas consideradas inativas também autorizou a transferência de seus saldos para a rubrica ?Credores Diversos?, em uma subconta denominada ?Contas Encerradas ? RE. BACEN 2025/93?. ?A mudança na conta de registro desrespeita a essência econômica (depósito) da operação e, ainda, compromete a sua devida evidenciação?, acrescenta o parecer do Banco Central. Segundo os técnicos do BC, ?o procedimento visa a afastar a transparência?.
Um dos anexos do relatório da CGU é o chamado ?Certificado de Auditoria Anual de Contas?, assinado pelo coordenador-geral da área fazendária, Antonio Carlos Bezerra Leonel. Ele identifica como responsáveis diretos pela operação os vice-presidentes da Caixa Raphael Rezende Neto, da área de controle e risco, e Fabio Lenza, que cuida das contas de pessoa física. ?Um dos vice-presidentes foi responsável pela execução do procedimento sem adequada transparência nas demonstrações contábeis e consulta ao Banco Central, o outro era responsável pela área finalística de onde mais de 99,70% dos recursos eram oriundos. Cabe ressaltar que o procedimento foi aprovado pelo conselho diretor da Caixa em 2010, mas não havia nenhuma explicação de que os recursos obtidos pelo procedimento seriam retirados do passivo para o resultado do banco?, escreve Leonel, que recomenda a aprovação com ressalva das contas dos dois dirigentes. O voto é reiterado pela diretora de auditoria econômica da CGU, Renilda de Almeida Moura, que o encaminha ao ministro-chefe da Controladoria-Geral, Jorge Hage, e ao Tribunal de Contas da União.
O Banco Central já enviou para a CGU a conclusão final da inspeção feita nas contas da Caixa. Também emitiu ofício à CEF determinando a cessação imediata da prática adotada e a correção dos lançamentos contábeis na prestação de contas de 2013. Isso significa que o lucro inflado irregularmente em 2012 pela apropriação irregular das poupanças deverá ser descontado do lucro que será divulgado pela Caixa até março. A CEF também foi obrigada a emitir uma nota explicativa do caso e a ressarcir os correntistas que tenham sido prejudicados. Até novembro do ano passado, mais de 6,4 mil clientes já procuraram a Caixa preocupados com o desaparecimento de seus depósitos, num total de R$ 20,6 milhões. O banco diz que está restituindo cada centavo corrigido. 
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FORA DO COMANDO

Um levantamento divulgado nesta sexta-feira (10) pela CNM (Confederação Nacional dos Municípios) mostra que, um ano após a posse dos prefeitos eleitos em 2012, 125 deles –2,2%– não estão mais no comando do Executivo municipal. A maior parte deles, 107, teve o mandato cassado pela Justiça Eleitoral, número que representa 85,6% dos afastamentos.
Segundo os dados da CNM, as demais causas de afastamento dos prefeitos eleitos são morte (12), motivo de saúde (2), renúncia (3), além de um que deixou o cargo por motivo não identificado no estudo. Os estados que tiveram mais trocas nas prefeituras foram São Paulo (21), Minas Gerais e Rio Grande do Sul (13, cada um) e Mato Grosso (dez).
Na avaliação da confederação, o número de trocas dos eleitos em 2012 se manteve praticamente igual em relação a levantamento feito em 2011, período em que 128 prefeitos deixaram os cargos.
Da Agência Brasil, via UOL
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PAÍS DE INTOLERANTES MAQUEADOS DE POVO DO BEM

Por Cilene Victor, via Facebook
Foi com muita surpresa que recebi mensagens inbox sobre os meus comentários no Jornal da Cultura de hoje. Das 11 mensagens inbox, que acabo de ler, 8 são de pessoas de fora do meu Facebook - para a minha sorte.
Fui chamada de "demagógica", por um certo Celso, de "nojenta", por uma Iracema, de "petista radical, defensora de lésbicas e gays", por Silvana, e assim segue o alto nível da crítica.
O único adjetivo que dá para perder meu tempo é o de "demagógica". E a razão da minha demagogia seria o fato de eu defender os direitos dos animais, dos negros, dos nordestinos, dos transexuais, ou seja, da minoria historicamente sem voz?
Durante 17 anos, dos meus 18 de docência superior, formei muitos comunicadores (jornalistas e publicitários). Tive uma infinidade de alunos gays, um travesti, vários gordos, mancos, cadeirantes, negros e pobres. E sabem onde eles estão agora?
Boa parte não conseguiu colocação no mercado de trabalho que, raras exceções, reflete a intolerância desta sociedade que se faz passar por povo cordial, alegre, tolerante - o verdadeiro bom cristão.
O brasileiro assiste a tantas novelas que passa a maior parte do tempo interpretando quem ele não é.
Que tal assumir sua intolerância? Por que continuar dizendo: "eu não tenho nada contra, mas não aceito"?
A única diferença entre o Brasil e os países que surram os seus gays em praças públicas é que aqui, como sempre, desenvolvemos mecanismos perversos de segregação, de discriminação, aqueles que permitem dizer que aqui tudo é aceito.
Ora, aceita-se até um protagonista gay na novela do horário nobre, mas desde que ele morra depois, acabe louco ou vire uma pessoa tão boa, tão genuinamente boa que o homossexualidade ficará no último plano.
Vivemos o tempo todo a síndrome do espelho: somos tão feios que não reconhecemos o nosso reflexo, por isso fazemos de conta que somos legais, tolerantes.
Talvez um dia muitas famílias vão acordar e descobrir que um filho, um sobrinho, um neto é gay e que durante a sua adolescência inteira ou fase adulta foi vítima heteros truculentos, como os que me enviaram mensagens inbox pelo meu Facebook.
Não tenho medo de crítica, não represento ninguém. Falo o que penso e o que sinto e o faço com a propriedade de quem pisa e já pisou muito em barro, já subiu muito morro e dedica horas de um dia cheio para fazer trabalhos voluntários.
Não são os brasileiros com calos nas nádegas de tanto assistir a telenovelas que vão me intimidar.
Aceito pensamentos divergentes, como de três pessoas deste meu Face que temem o contato de suas filhas com um transexual - legalmente reconhecido como mulher, pois se submeteu a uma cirurgia e teve o direito a um nome feminino.
Meus cumprimentos ao shopping Barra, de Salvador, pela atitude de não acatar o pedido de proibição do uso do banheiro feminino por uma transexual, fundamentado nos "direitos e na dignidade humana".
Talvez agora, de fato, eu consiga entender o que levou Pedrinhas a ser realidade e não ficção.
É neste ritmo que, a cada minuto, seremos chamados para dar explicações à OEA pela violação dos direitos humanos.
Se conseguirem, um excelente final de semana. Eu, com a decisão sensata do Barra de Salvador, terei um dos melhores finais de semana.
Cilene Victor, professora de jornalismo na Faculdade Cásper Líbero e comentarista do Jornal da Cultura.
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sexta-feira, 10 de janeiro de 2014

RISCADO DO XADREZ

Por Vera Magalhães, da coluna Painel, Folha de S. Paulo
Ciro Gomes (Pros) está riscado do xadrez da reforma ministerial. É o que afirmam, às vésperas da dança de cadeiras, auxiliares próximos à presidente Dilma Rousseff.

Os dois maiores partidos da coalizão fazem campanha contra o ex-ministro, que já classificou a aliança PT-PMDB como "banquete fisiológico e clientelista, quando não corrupto".

Em 2010, ele enfureceu os peemedebistas ao definir a legenda do vice Michel Temer como um "ajuntamento de assaltantes".
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OPERAÇÃO BANQUEIRO

Chega hoje à praça um livro que examina os bastidores da operação policial que investigou os negócios do banqueiro Daniel Dantas em 2008 e divulga pela primeira vez alguns dos documentos recolhidos durante as investigações.
Batizada pela Polícia Federal de Satiagraha, expressão em sânscrito que significa "busca da verdade", a operação fez barulho ao provocar a prisão temporária de Dantas e outros 23 envolvidos, mas depois foi anulada pelo Superior Tribunal de Justiça por causa de ilegalidades cometidas nas investigações.
Escrito pelo jornalista Rubens Valente, da Folha, "Operação Banqueiro" oferece um relato minucioso do caso e uma visão crítica da atuação de autoridades que impediram que ela avançasse.
O material inédito inclui e-mails obtidos pela PF na casa do consultor Roberto Amaral, que trabalhou para Dantas entre 2001 e 2002, no fim do governo Fernando Henrique Cardoso (1995-2002). Segundo o livro, as mensagens sugerem que Dantas pediu ajuda ao ex-presidente e a outras autoridades para barrar investigações que o Ministério Público conduzia sobre seus negócios na época.
Dantas, que controla o grupo Opportunity e administra recursos de investidores brasileiros e estrangeiros, adquiriu participações em várias empresas privatizadas no governo FHC, em especial no setor de telecomunicações.
Boa parte do dinheiro administrado pelo Opportunity na época pertencia a um fundo sediado nas Ilhas Cayman, um paraíso fiscal no Caribe, e as autoridades sempre suspeitaram que políticos e investidores brasileiros participavam desse fundo, o que as leis brasileiras proibiam.
De acordo com o livro, Amaral enviou várias mensagens a ajudantes de ordem de Fernando Henrique para se comunicar com ele. Não há registro de que esses e-mails foram encaminhados ao ex-presidente e lidos por ele.
Outras mensagens obtidas por Valente sugerem que Dantas tinha como aliado no governo o atual ministro do Supremo Tribunal Federal Gilmar Mendes, então chefe da Advocacia-Geral da União.
Um dos e-mails sugere que Dantas contava com o apoio de Mendes numa disputa com a Agência Nacional de Telecomunicações e para manter na agência um procurador simpático a seus interesses. Em 2008, quando Mendes estava no Supremo e Dantas estava preso, o ministro concedeu habeas corpus para libertá-lo e fez críticas públicas à maneira como as investigações foram conduzidas.
"Eu nunca vi Daniel Dantas", disse Mendes à Folha. "Na Satiagraha, houve abuso na investigação e minhas decisões impuseram uma derrota ao Estado policial." Em mensagem a Rubens Valente, o ex-presidente Fernando Henrique disse que sabia da relação de Roberto Amaral com Daniel Dantas e afirmou que nunca tomou medidas para favorecê-lo.
A assessoria do Opportunity afirmou que Dantas desconhece as mensagens encontradas pela polícia na residência de Roberto Amaral.
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IMAGENS DO TERROR

Artigo de Marina Silva, publicado na Folha de S. Paulo
O que os olhos não veem, o coração não sente. Seguindo o dito popular, o Brasil pretendeu não sentir a dor que acumulava em suas penitenciárias. Hoje a realidade salta aos olhos em contraste com a Copa do Mundo e outros eventos em que o país se expõe na vitrine internacional.
São cerca de 550 mil presos, grande parte em condições terríveis: amontoadas, sob temperaturas que superam os 50 graus, sem água e circulação de ar, entre fezes e ratos. O ministro da Justiça, em novembro de 2012, disse que preferia morrer a cumprir pena em lugares assim. Já era titular da pasta há dois anos. Outro ano se passou desde aquela afirmação pública corajosa, mas preocupante, por não ser acompanhada de ações correspondentes à magnitude do drama. As prisões continuam sendo "sucursais do inferno" e "escolas do crime", expressões da falência do sistema.
Agora novas crises nos Estados mobilizam a opinião pública e a dramaturgia política repete a cena já conhecida: o governo se cala, a oposição grita. Será porque a crise mais evidente está no Maranhão, dirigido por aliados incômodos de uns e adversários cômodos de outros?
Não podemos deixar que se naturalize a insensibilidade na visão de que o Maranhão é assim mesmo e não tem jeito. De fato, o drama local é antigo. Circula na internet o filme de Glauber Rocha feito na posse de José Sarney como governador em 1966. Criticado na época, o genial cineasta é hoje saudado pelo contraste entre as imagens duras da realidade social e um discurso desprovido de ação efetiva para mudar a realidade, que só se agrava 50 anos depois.
Mas não é só no Maranhão, e as responsabilidades envolvem Estados e União, Executivo e Judiciário –e também o Legislativo, cuja função é fiscalizar.
A população carcerária cresce rapidamente: em 20 anos passou de 140 mil presos para mais de meio milhão. A maioria é pobre e tem baixa escolaridade, 65% são negros. Tuberculose e outras doenças contagiosas, inclusive sexualmente transmissíveis, afetam mais da metade.
Dois terços cumprem pena por crimes contra o patrimônio ou tráfico; cerca de 12%, por homicídios. Essa é uma grande distorção. Cerca de 50 mil pessoas são assassinadas por ano no Brasil e apenas 8% dos casos são investigados com êxito. Gastamos R$ 1.500/mês para enjaular as pessoas e devolvê-las piores à sociedade.
As conclusões são óbvias: é preciso transformar o sistema de segurança e Justiça criminal em seu conjunto, não basta repassar verbas e jogar água no mesmo moinho.
E, atenção: esgotou-se o tempo das platitudes. A tarefa requer a ousadia e a urgência de um pacto nacional.
Marina Silva, ex-senadora, foi ministra do Meio Ambiente no governo Lula e candidata ao Planalto em 2010. Escreve às sextas na versão impressa da Folha de S. Paulo.
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quinta-feira, 9 de janeiro de 2014

PEDRINHAS NO JORNALISMO TOSCO

Por Cilene Victor, via Facebook
Não aguento ler e ouvir tantas teses sobre Pedrinhas, todas sustentadas única e exclusivamente no visível, no fato em si, com pouca ou nenhuma análise.
Para o país que tem a quarta maior população carcerária do mundo, o problema é muito maior e urgente, não dá para ficar no raso, muito menos desviar a atenção com escândalo envolvendo a governadora e sua licitação de lagostas.
Uma governadora, ops, uma família que deixa o estado chegar na situação que está (quem conhece o Maranhão sabe que falo muito além de Pedrinhas) não se constrange, não se inibe, não se intimida com nada. Esse é o clássico comportamento da nova roupagem do coronelismo brasileiro.
Quanto ela gastou com frutos do mar nos anos anteriores? Quantos veículos noticiaram isso?
Quantos vêm noticiando o que a família Sarney tem feito com o Maranhão ao longo de décadas?
Acho que Pedrinhas só era invisível para nós da redoma do Sudeste.
Se a imprensa brasileira cobrisse o Brasil saberia que Pedrinhas era o que "nós" jornalistas gostamos (burramente) de chamar de tragédia anunciada.
Precisamos entender o que está por trás do crescimento da população carcerária brasileira. Se o país vive a ascensão das classes sociais, incluindo as pobres, os que associavam índice de violência com pobreza têm o que para nos dizer?
Quanto investimos no sistema prisional e quanto investimos em Educação e Cultura? Tem relação, não tem? Se não tem, o que está por trás? Filme da Sessão da Tarde? Ser bandido é bacana?
Os problemas complexos pedem um jornalismo mais bem preparado, por isso estamos sempre levando surra.
Como professora de Jornalismo, aceito parte da bronca.
Cilene Victor, professora de jornalismo na Faculdade Cásper Líbero e comentarista do Jornal da Cultura.
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PÉ DO OUVIDO

Por Lauro Jardim, da coluna Radar Online
Lula segue interferindo por todos os lados para aparar arestas com o PMDB, em alguns casos, e reforçar a necessidade de o PT fincar o pé pela candidatura própria, em outros.
No Ceará, Lula tentará resolver o imbróglio no papo e já avisou Eunício, candidato ao governo do estado, que o chamará para uma conversa no Instituto Lula, em São Paulo, no início deste ano.
Lula deverá fazer o mesmo com Ciro e Cid Gomes, aliado fiel do Palácio do Planalto, que ainda não definiu quem irá apoiar para sucedê-lo.
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O ESTADO É O PROBLEMA. REDUZI-LO É A SOLUÇÃO

Por Caio Rocha, professor de História, via Facebook
O Brasil precisa urgentemente de uma classe política com a argúcia, altivez e vivacidade de políticos liberais como Ronald Reagan e Margareth Thatcher, para implementar reformas liberais dolorosas e necessárias em nossa nação, a fim de destravar os gargalos que impedem o desenvolvimento dos setores comerciais, financeiros e industriais.
Há tempos deveríamos ter definido como uma prioridade nacional de nossa política fiscal o desendividamento do setor público através da prática da austeridade e fiscalização social de gastos. Ao longo de décadas (ou melhor, desde que o Brasil atingiu a sua independência, para ser mais enfático) a máquina pública serviu e serve de cabide de empregos e moeda de troca de partidos políticos y apaniguados.
Isso é um câncer em nossa democracia, já que estes lá estão não por mérito, mas por conveniência, engrossando as votações expressivas das legendas "que lhes são generosas". Temos uma carga tributária elevada e não recebemos de volta tudo o que pagamos compulsoriamente ao Estado, por causa de corrupção e mal planejamento.
Estado deve ocupar-se de dar instrução adequada a todos que precisam ser educados, para que concorram igualmente pelas oportunidades disponíveis no mercado de trabalho. Dar à sociedade bons serviços de saúde e fazer cumprir a legalidade. O que temos no Brasil é um Estado de usufruto de um punhado de brasileiros que parasitam da imensa maioria da nação. É inconcebível que tenhamos hipersalários e privilégios dos mais variados. É hora de fugir de demagogias e agir.
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"OS CÃES LADRAM, A NOSSA CARAVANA PASSA"

Eduardo Campos, via Facebook
A esta altura do dia, a maior parte de vocês devem ter tido conhecimento do ataque covarde desferido contra mim. Não irei me pronunciar sobre o assunto, tudo o que é preciso dizer foi dito pelo vice-presidente do meu partido, o deputado Beto Albuquerque, na nota em anexo.
Em respeito às inúmeras pessoas que mandaram mensagens, direi apenas que sigo firme no debate de alto nível sobre o Brasil, sobre a construção de uma nova política que transforme verdadeiramente a vida das pessoas e do País.
O resto a gente ignora. Porque, enquanto os cães ladram, a nossa caravana passa. Vamos em frente, pessoal.
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A HISTÓRIA DO BRASIL EM 50 FRASES

De tanto proferi-las, ouvi-las e repeti-las, já temos todas essas frases incorporadas ao nosso vocabulário cotidiano. Menos conhecido é quem disse o quê e também o contexto em que cada sentença foi pronunciada.
Os autores deste fabulário brasileiro têm rostos, nomes, inspirações e histórias. Neste livro, as frases célebres servem de ponto de partida para contar, por um ângulo inesperado e revelador, a História de nosso país.
Num texto leve, informativo e saboroso Jaime Klintowitz explica, apresenta e convida o leitor a um passeio pelas veredas do Brasil. Um passeio que perpassa a ironia de nossa linguagem, a diversidade de nossa política, as maravilhas de nosso território e as descobertas de nossa literatura.
No caminho, o autor oferece encontros com Euclides da Cunha, Fernando Collor de Melo, Jânio Quadros, Juscelino Kubitschek, Dom Pedro I, Pelé, Nelson Rodrigues, Getúlio Vargas, Lula e muitos outros personagens que contribuíram para construir o mosaico da história brasileira.
Sinopse
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quarta-feira, 8 de janeiro de 2014

ATAQUE PESADO

Por Fernando Gallo e Ricardo Chapola, OEstado de S. Paulo
SÃO PAULO - Texto publicado nesta terça-feira, 7, no Facebook do PT nacional classifica o governador de Pernambuco, Eduardo Campos (PSB), como "tolo", "playboy mimado" e como candidato "sem projeto, sem conteúdo e sem compostura política" para disputar a Presidência da República neste ano.
O artigo, sem assinatura e intitulado "A Balada de Eduardo Campos", traz diversas críticas ao provável adversário da presidente Dilma Rousseff desde o seu rompimento com o governo federal em setembro até a sua aliança com a ex-ministra Marina Silva, selada em outubro do ano passado.
"Ao descartar a aliança com o PT e vender a alma à oposição em troca de uma probabilidade distante - a de ser presidente da República -, Campos rifou não apenas sua credibilidade política, mas se mostrou, antes de tudo, um tolo", diz o texto.
Setores do PT tentaram demover Campos da ideia de ser candidato em 2014 sob o argumento de que ele poderia vir a ser o candidato do bloco em 2018, quando Dilma já não poderá mais se reeleger.
"Campos poderia ser grato a tudo isso e, mais à frente, com maturidade e honestidade política, tornar-se o sucessor de um projeto político voltado para o coletivo, e não para o próprio umbigo".
A nota também evoca o avô de Campos, Miguel Arraes, ex-líder comunista e ex-governador de Pernambuco, já falecido, para criticar o presidente do PSB. "O velho Miguel Arraes faz bem em já não estar entre nós, porque, ainda estivesse, morreria de desgosto".
Nela também consta do argumento que o governador de Pernambuco é o "resultado" de uma série de medidas tomadas pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e pela presidente Dilma Rousseff entre as quais a decisão de levar para Pernambuco a refinaria Abreu e Lima, a transposição do Rio São Francisco, a Transnordestina é o estaleiro Atlântico Sul.
O texto diz ainda que "Campos recebeu 30 bilhões de reais do Programa de Aceleração do Crescimento, o PAC, do qual a presidenta Dilma Rousseff foi a principal idealizadora e gestora". O PT afirma ainda que, ao decidir ser candidato, Campos acreditou na "mesma mídia que, até então, o tratava como um playboy mimado pelo "lulo-petismo".
Mais tarde, o líder do PSB na Câmara dos Deputados, Beto Albuquerque rebateu no Twitter o texto apócrifo publicado pelo PT.
"Patética, desrespeitosa e desqualificada a nota do PT com ataques pessoais a @eduardocampos40.Este nível de debate não encontrará eco no PSB", escreveu o parlamentar.
"Cadê o sucesso do Fernando Haddad (o poste do PT/Lula em São Paulo)?", provocou Albuquerque.
Marina. O PT também não poupa a ex-ministra Marina Silva, filiada ao PSB em maio e quem deve ser vice de Campos na disputa presidencial. Segundo o texto, Marina é "vaidosa" e se constitui num "ovo de serpente" no "ninho Pernambucano.
"Vaidosa e certa, como Campos, de que é a escolhida, Marina virou uma pedra no sapato do governador de Pernambuco, do PSB e da triste mídia reacionária que em torno da dupla pensou em montar uma cidadela", anota a redação apócrifa. "Como até os tubarões de Boa Viagem sabem que o objetivo de Marina é se viabilizar como cabeça da chapa presidencial pretendia pelo PSB, é bem capaz que o governador esteja pensando com frequência na enrascada em que se meteu".
A assessoria de imprensa da presidência do PT informou que o texto não é de autoria do presidente do partido, Rui Falcão, mas disse não saber quem o escreveu, nem se é uma manifestação oficial do PT.
Procuradas, a assessorias de Eduardo Campos e Marina Silva não se manifestaram até a publicação desta reportagem.
Veja o texto na íntegra:
A BALADA DE EDUARDO CAMPOS
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ENVOLVIDO EM FRAUDE

Por Fernando Gallo, O Estado de S.Paulo
A pedido do Tribunal Regional do Trabalho (TRT), o Ministério Público Federal em Mato Grosso investiga uma fraude que pode chegar a R$ 700 milhões e envolve uma empresa do prefeito de Cuiabá, Mauro Mendes (PSB). Ele e um sócio são investigados, em processo sob sigilo, por terem se beneficiado do que o juiz do Trabalho Paulo Roberto Brescovici chamou de "fraude processual" na compra de uma mineradora.
Brescovici considerou nulo o processo de venda de uma empresa que operava em uma área de extração mineral próxima do Parque Nacional da Chapada dos Guimarães. Na investigação, concluiu-se que o juiz que conduziu a recuperação judicial da mineradora desviou R$ 185 mil do processo - o magistrado foi afastado do cargo pelo TRT de Mato Grosso.
Luis Aparecido Ferreira Torres, o juiz afastado, permitiu em 2011 a transferência das cotas da mineradora, que então se chamava Minérios Salomão, para uma empresa cuja dona era Jéssica Cristina de Souza, filha de Valdinei Mauro de Souza, sócio do prefeito de Cuiabá. Seis meses após se tornar dona da empresa, Jéssica transferiu 98% das cotas para a Maney Mineradora Casa de Pedra, que pertence a seu pai e a Mendes.
O processo foi marcado por uma série de irregularidades e possíveis "ilícitos penais", de acordo com Brescovici, o juiz que investigou o caso no âmbito do TRT. Um dos problemas apontados foi a transferência das cotas da mineradora a Jéssica pelo valor de R$ 1,8 milhão.
Segundo Brescovici, o juiz Ferreira Torres "desconsiderou o potencial econômico das reservas auríferas e recursos naturais da área de propriedade da empresa que, de acordo com o laudo técnico de f. 610/620, foi fixado em R$ 723,7 milhões".
O capital social da mineradora seria posteriormente elevado para R$ 703,5 milhões.
Corretor. Brescovici também descobriu uma autorização dada por Ferreira Torres para que a Caixa Econômica Federal liberasse R$ 185 mil a título de corretagem para um corretor de imóveis de nome José Faria de Oliveira, sem que ele tenha atuado em nenhum momento no processo de venda da mineradora ou de seus ativos.
Ferreira Torres apresentaria posteriormente um despacho de nomeação do corretor, mas ele não continha a numeração das folhas dos autos, o que mostrava que o suposto documento nunca pertenceu ao processo.
Oliveira havia intermediado a compra de dois flats, vendidos por uma construtora ao juiz. Em depoimento na investigação do TRT, o corretor disse que foi chamado ao gabinete de Ferreira Torres e que ele propôs transferir para seu nome os dois imóveis, sem explicar o motivo. Oliveira recusou a proposta.
Segundo o corretor, o juiz lhe perguntou se ele havia sido procurado por alguém do TRT e orientou Oliveira a dizer que havia recebido os R$ 185 mil sob suspeita a título de corretagem. Mais uma vez, ele se recusou a atender o pedido de Ferreira Torres e decidiu procurar a corregedoria do tribunal, que a partir daí passou a investigar o caso. 
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terça-feira, 7 de janeiro de 2014

ÁLCOOL NO PARQUE, NÃO!

Por Bárbara Ferreira Santos, O Estado de S. Paulo
Projeto de lei em tramitação na Câmara Municipal de São Paulo quer proibir o consumo de álcool nos parques municipais. O texto, que está nas comissões da Casa, prevê multa de R$ 100 para quem descumprir a regra - o valor dobraria em caso de reincidência. A medida foi motivada por casos de abuso de álcool por jovens no Parque do Ibirapuera, na zona sul.
Só no primeiro semestre de 2013, mais de 120 adolescentes foram levados do Ibirapuera para hospitais em atendimento de emergência por ingestão excessiva de bebidas alcoólicas, segundo levantamento da Guarda Civil Metropolitana (GCM) e da direção do parque.
De acordo com os administradores do Ibirapuera, o consumo de bebidas por adolescentes vem aumentando desde 2012. "Eles já vêm alcoolizados de outros lugares, depois das baladas. O problema é maior entre sábado e domingo", diz o diretor do parque, José Alonso Junior. Ele afirma que esses grupos de adolescentes se reúnem principalmente na marquise do Museu de Arte Moderna de São Paulo (MAM) e perto da Oca.
O número de casos pode ser ainda maior, segundo o comandante regional da GCM no parque, Eliazer Rodella. "Esses casos são os que contamos e os que levamos para o Hospital São Paulo, mas há muitos relatos de jovens que saem em coma alcoólico e são acompanhados pelo SAMU (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência)."
Para frear o consumo de álcool, a administração do Ibirapuera e a GCM procuraram a Promotoria de Justiça de Defesa dos Interesses Difusos e Coletivos da Infância e Juventude da Capital, e a Comissão Extraordinária de Defesa dos Direitos da Criança, Adolescente e Juventude da Câmara de São Paulo. A própria promotora, Luciana Bergamo Tchorbadjian, foi ao parque em um fim de semana para observar os jovens. "Constatei o que haviam me relatado. Jovens bebendo e fumando narguilé", disse, por meio de nota da assessoria do Ministério Público (MP).
Com o apoio da promotoria, foi criado um plano de combate à ingestão de álcool no parque. O MP determinou que os casos de crianças e adolescentes envolvidos em ocorrências ou socorridos em hospitais da região sejam notificados ao Conselho Tutelar da Vila Mariana, que vai orientar os pais dos menores.
Ações. Desde outubro, o Ibirapuera e a GCM fazem campanhas sobre o abuso de álcool, com oficinas no local. "Resolvemos, com essas ações, 80% dos problemas que tínhamos de coma alcoólico no primeiro semestre", explica Alonso Júnior. "Só com medidas como essas vamos conseguir melhorar a qualidade de vida de todos os usuários do parque."
Em setembro, quando o Ibirapuera passou a funcionar 24h nos fins de semana, foram adotadas estratégias para coibir o consumo. "Instalamos a feira de artesanato onde os jovens ficavam e temos promovido eventos para que se integrem às ações culturais", diz o diretor.
A Guarda Civil, no entanto, afirma que tem dificuldades para impedir os casos porque não há uma legislação específica que proíba o consumo de álcool. Segundo o diretor do parque, hoje, pelo regulamento interno, é permitido retirar quem portar garrafas de vidro. "As pessoas alcoolizadas podem ser removidas. Mas, com a proibição, vamos dar mais um instrumento para a guarda interceder", afirma Alonso Júnior.
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GAROTO ESPERTO

“Ficamos combinados assim: eu oro por você e você ora por mim.” Este é o lema da rede montada pelo deputado Anthony Garotinho (PR-RJ) para se fortalecer no eleitorado evangélico no Rio.
Líder nas pesquisas para a disputa do governo do Estado, ele começou a organizar um cadastro para distribuir brindes aos fiéis que ouvem seus programas de rádio.
Cada inscrito ganha um kit com livro, camiseta e carteirinha personalizada com a foto do ex-governador. O pacote, enviado de graça pelo correio, inclui uma carta de boas-vindas assinada pelo “Irmão Garotinho”. “A oração é a chave que move o coração de Deus. Creia nisso!”, pede o deputado.
O formulário deixa claro que só pode se inscrever quem tem domicílio no Rio, onde Garotinho disputará eleição daqui a nove meses. Estado com o menor percentual de católicos do país (45,8%), o Rio vive uma batalha pela preferência dos evangélicos, que somam cerca de um terço do eleitorado.
Eles são a principal aposta do deputado para voltar ao poder. Há oito anos ele apoiou a eleição do governador Sérgio Cabral (PMDB), mas os dois romperam depois da posse.
A reportagem fez um cadastro no site de Garotinho e recebeu o kit “Palavra de Paz”, na última quinta-feira, dia 2. A carteirinha identifica o fiel com nome, cidade, bairro e igreja que frequenta. Seu portador é nomeado “intercessor” das orações do pré-candidato ao governo. Garotinho também investe no rádio para reforçar o laço com o eleitor e atacar seus adversários.
Da agência Folhaopress
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segunda-feira, 6 de janeiro de 2014

CRIMES PASSIONAIS

Tramita na Câmara dos Deputados um projeto de lei que inclui os crimes passionais na lista de crimes hediondos — aqueles que não podem ser objeto de anistia ou fiança e cuja pena deve ser cumprida em regime fechado.
A proposta [PL 5242/13], de autoria do deputado Jair Bolsonaro [PP-RJ], define o crime passional como o cometido por amor, ciúme, ódio, emoção, vingança, inveja ou paixão, decorrente de ruptura da relação afetiva, traição ou qualquer outra provocação.
O autor lembra que, até recentemente, “a classificação de um homicídio como crime passional era considerado excludente de criminalidade ou servia de condição atenuante para a fixação da pena”.
Segundo ele, no Brasil ocorrem cerca de dez homicídios por motivos passionais por dia, em sua maioria de mulheres assassinadas por homens por causa da ruptura da relação e denúncia de maus tratos.
Atualmente, o Judiciário tem considerado os crimes passionais como homicídio privilegiado– assim considerado aquele praticado sob emoção violenta ou desespero. Essa classificação é uma causa especial de diminuição de pena.
O projeto de Bolsonaro altera a Lei dos Crimes Hediondos (Lei 8.072/90) e garante mais rigor na punição de crimes passionais.
TRAMITAÇÃO A proposta será analisada pela Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania e pelo Plenário.
Com informações da Agência Câmara de Notícias
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MÚSICA DO DIA: A CARA DO BRASIL

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domingo, 5 de janeiro de 2014

50 ANOS DO GOLPE MILITAR

Em 2014, o golpe que instaurou a ditadura militar no Brasil completa 50 anos. O jornal Folha de S. Paulo fez um especial sobre o golpe, clique aqui e navegue pela página para conhecer os momentos e as circunstâncias que levaram à deposição do presidente João Goulart.
João Goulart estava em viagem oficial à China quando Jânio Quadros renunciou em 1961. O vice só retornou ao Brasil depois de aceitar governar em regime parlamentarista. Uma vez no poder, adotou discurso considerado de esquerda e implementou políticas trabalhistas. 
O golpe de 1964 não se originou apenas da mobilização das Forças Armadas. Parte da sociedade civil, que temia a aproximação de Jango com a esquerda, apoiava a ação militar e passou a conspirar para que o presidente fosse deposto. .
Os militares não eram um grupo homogêneo. Havia planos de golpe nas Forças Armadas, mas também oficiais fiéis a Jango, que foram colocados em postos estratégicos. Mas ninguém sabia quando e como o plano seria executado. O general Mourão Filho reagiu primeiro, precipitando o golpe. 
Os EUA temiam outra Cuba no continente e, para evitar a aproximação do Brasil com a URSS, criaram plano de contingência em caso de levante esquerdista. A operação “Brother Sam” previa o envio de navios para o Rio a fim de apoiar os militares. 
Desde o suicídio de Vargas, em 1954, o Brasil vivia na iminência de um golpe pela pressão da oposição e instabilidade nas Forças Armadas. Militares e políticos ameaçavam se rebelar. Era como se pudessem tomar o poder a qualquer hora. 
Com informações da Folha de S. Paulo
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GAVETA DEMOCRATA

Por Josie Jeronimo, da revista ISTOÉ
O caixa 2 do DEM no Rio Grande do Norte foi parar no Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP), que agora quer saber por que o ex-procurador-geral Roberto Gurgel não investigou o caso. Em sua última edição, ISTOÉ revelou um esquema envolvendo a governadora Rosalba Ciarlini. Como mostrou a reportagem, interceptações telefônicas flagraram o presidente do DEM, senador José Agripino (RN), e o marido de Rosalba, Carlos Augusto Rosado, acertando detalhes de um financiamento de campanha ilegal. A partir do telefone do contador da legenda Galbi Saldanha, hoje secretário-adjunto da Casa Civil da governadora, funcionários aparecem fornecendo números de contas pessoais para receber transferências irregulares de recursos.
As gravações já haviam sido enviadas à Procuradoria-Geral da República em 2009, mas desde então nada foi feito. O conselheiro do CNMP Luiz Moreira questiona os motivos que levaram ao arquivamento dos grampos. “Este é um exemplo da controvertida gestão de Roberto Gurgel”, diz Moreira. “Trata-se de uma falta de clareza de critérios, que faz com que se pense que ele atuava com parcialidade.” Não é a primeira vez que um parlamentar do DEM se beneficia da vista grossa de Gurgel. O ex-senador Demóstenes Torres, flagrado em escutas da operação Vegas da Polícia Federal, deixou de ser investigado pela Procuradoria Geral da República até a deflagração de outra ação da PF, a Operação Monte Carlo, que confirmou a ligação do parlamentar com o bicheiro Carlinhos Cachoeira.
A retomada das investigações do Ministério Público e da PF no Rio Grande do Norte também provoca efeitos no quadro político local, mais especificamente na prefeitura de Mossoró, segunda maior cidade do Estado. Afastada do cargo por denúncia de abuso de poder econômico, a prefeita Cláudia Regina, também do Democratas, teve a campanha financiada pelo empresário Edvaldo Fagundes. A PF identificou manobra de Fagundes para driblar o bloqueio judicial de seus bens – o empresário estava usando funcionários de suas companhias para movimentar valores expressivos, na maioria das vezes fazendo saques em dinheiro vivo. Afilhada política do senador Agripino, Cláudia tenta conseguir junto ao Tribunal Superior Eleitoral uma liminar para voltar ao cargo, mas o Tribunal Regional Eleitoral determinou que eleições suplementares sejam convocadas em fevereiro ou março para escolher o novo prefeito.
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sábado, 4 de janeiro de 2014

QUANTO VALE O SHOW ?

Do UOL
Na cotação do Réveillon, Carlinhos Brown e Lulu Santos valem quase três vezes Beth Carvalho ou Nando Reis. Caetano Veloso e Gilberto Gil equivalem a Gusttavo Lima.
Em evidência por causa do reality show "The Voice Brasil", Lulu e Brown tiveram os cachês mais altos da virada carioca: R$ 550 mil cada um.
A assessoria de Brown confirma que a agenda de shows foi "anabolizada" pela participação na TV, mas diz que o cachê "está dentro dos valores praticados pelo artista, não sendo nem o maior nem o menor cachê já recebido".
Nando Reis, que tocou no palco principal de Copacabana antes de Lulu, recebeu R$ 180 mil. Beth Carvalho, que tocou em frente à rua Santa Clara, levou R$ 160 mil.
Sylvinho Blau Blau recebeu R$ 35 mil para cantar no mesmo palco que Beth. Michael Sullivan levou R$ 35 mil por um show no Flamengo.
O cantor Bebeto e o grupo Golden Boys dividiram R$ 60 mil pelas apresentações em Pedra de Guaratiba (zona oeste) e na Penha (zona norte).
A discrepância entre os cachês no Réveillon de Copacabana já gerou polêmica após a festa de 1995/96, quando Caetano, Gil, Gal Costa, Chico Buarque e Milton Nascimento receberam R$ 121 mil cada um por um tributo a Tom Jobim, pagos por patrocinador.
Paulinho da Viola, que ganhou R$ 35 mil, reclamou. A discussão o levou a romper com Gil e Caetano.
SALVADOR
Neste ano, os dois baianos se apresentaram juntos no Réveillon de Salvador e receberam R$ 600 mil cada um, diz Flora Gil, mulher e empresária do ex-ministro.
Segundo ela, R$ 330 mil foram pagos por patrocinadores; o restante, pela prefeitura. O "Diário Oficial", porém, registra R$ 350 mil como o valor pago a Gil e a Caetano. Contestada pela Folha, Flora reafirmou sua conta. "Foi como recebemos."
A prefeitura não se manifestou até a conclusão desta edição. Inicialmente, disse que o cachê havia sido todo pago por patrocinadores.
Na mesma festa, Gal recebeu R$ 235 mil e Saulo Fernandes, ex-Banda Eva, R$ 220 mil.
GUSTTAVO LIMA
Fortaleza promoveu uma festa com alguns dos shows mais caros do país. A prefeitura pagou quase R$ 2 milhões por nove apresentações.
O maior cachê foi para o sertanejo Gusttavo Lima: R$ 600 mil. A cantora Paula Fernandes ganhou R$ 484 mil e a banda Paralamas do Sucesso ficou com R$ 460 mil.
Os shows da dupla local Simone & Simaria e do funkeiro fluminense MC Leozinho custaram R$ 140 mil e R$ 100 mil, respectivamente.
A prefeitura informou que obteve R$ 1,3 milhão de patrocinadores, como o governo do Ceará, o Banco do Nordeste e empresas privadas.
Em São Paulo, a prefeitura não teve de abrir os bolsos para organizar as festas. Na avenida Paulista, o evento ficou por conta da TV Globo e da Playcorp –que disse ter um contrato de sigilo do valor pago aos artistas.
Para se ter uma ideia, uma das bandas da noite, o Sampa Crew, recebeu R$ 15 mil da prefeitura paulistana em um show em novembro.
Já no Ibirapuera, o evento foi organizado em parceria com a empresa Sky Arts. A principal atração foi o Demônios da Garoa, que cobra em média R$ 35 mil. Na virada do ano, deve ter cobrado mais.
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sexta-feira, 3 de janeiro de 2014

"MENOS GOVERNO, MAIS ADMINISTRAÇÃO"

Por Gabriel Castro, do site de Veja
Nos primeiros minutos da entrevista que concedeu ao site de VEJA, o governador de Minas Gerais, Antonio Anastasia (PSDB), citou a palavra "gestão" quatorze vezes. Não é por acaso: pragmático ao extremo, o tucano despreza bandeiras ideológicas e diz que a eficiência deve ser o norte da administração pública. Anastasia, de 52 anos, ocupou cargos no governo federal durante a gestão Fernando Henrique Cardoso e, em 2001, passou a dar aulas de direito na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Ingressou no governo de Aécio Neves em 2003, quando foi chamado a comandar a Secretaria de Planejamento do Estado. Teve início o chamado "choque de gestão", uma série de medidas de contenção de custos e aumento da eficiência na gestão do governo. Com incentivo à meritocracia e incentivos financeiros a servidores que cumprissem suas metas, o novo modelo permitiu que o Estado zerasse o déficit financeiro e elevasse os investimentos – que cresceram 250% desde então, já descontada a inflação do período.
Dez anos depois, o governador assina o prefácio do livro Do Choque de Gestão à Gestão para a Cidadania – 10 Anos de Inovações Gerenciais em Minas Gerais, lançado nesta quinta-feira. O livro compila dados para sustentar a tese de que mudança dos mecanismos de administração pública permitiu ao Estado gastar menos com custeio e gastar com o que interessa. Editado pelo próprio governo mineiro, o estudo deve servir para reforçar a imagem de Anastasia – e sobretudo de Aécio Neves – no ano eleitoral de 2014.  Leia a entrevista do governador ao site de VEJA.
Já é possível fazer um balanço confiável do choque de gestão?
Eu acho que sim, porque depois de dez anos de uma mudança no modo de governar, não só os resultados objetivos nas diversas áreas como as estatísticas mostram uma melhora em Minas Gerais. Mas, mais do que isso, modificou-se um sentimento interno à administração. Foi adotado um novo método de funcionamento do Estado, baseado em metas e resultados, com base em um acompanhamento mais firme exatamente das ações de governo. Tão importante quanto os resultados objetivos e estatísticos, incorporou-se uma metodologia de busca pela eficiência no âmbito da administração. Isso tornou-se irreversível no futuro do Estado.
Então o choque de gestão é mais uma mentalidade do que uma fórmula?
O mais importante é exatamente a mentalidade, para mudar a sensibilidade das pessoas em relação à forma de atuação do governo. Tenho dito sempre que o Brasil precisa de menos governo e mais administração. Essa ideia sinaliza que a administração pública tenha um cuidado especial com mecanismos, insumos e instrumentos bastante ágeis para fazer frente às necessidades do Brasil, que são imensas.
É possível ter uma máquina enxuta e ao mesmo tempo oferecer serviços de qualidade?
O Estado não deve ser nem grande nem pequeno. Deve ser necessário e ter o tamanho de acordo com as circunstâncias da sua atuação. Se você observar pelo mundo afora, vai ver que nas nações africanas o poder público tem uma atuação muito maior no dia a dia do que na Europa Ocidental. É natural, pelo estado de civilização a que se chegou. O Brasil está evoluindo. Nós temos necessidades muito grandes da presença do Estado e da condução de diversas políticas públicas, mas também é fundamental que nós tenhamos a participação da sociedade civil, em diversas áreas. É esse ponto de equilíbrio que se busca. O poder público, quando age, deve agir sob o primado da eficiência e sempre buscar metas e resultados. No Brasil de dez, quinze ou vinte anos atrás não se buscava isso. A ação governamental era marcada muito pelo improviso, pelos costumes, pela ideia do "sempre foi assim". Isso tudo começa a se modificar com uma nova concepção: a de que a administração pública deve ser técnica, gerencial, racional e deve dar resultado.
O que o senhor considera a maior marca da gestão do PSDB no Estado?
A área de que nos temos mais orgulho é a educação. Minas Gerais é um Estado populoso, geograficamente grande e tem regiões com graus diferentes de desenvolvimento. Mas vem apresentado nos últimos anos os primeiros lugares na educação pública do Brasil, tanto pelo Ideb tanto pelos demais indicadores – inclusive as olimpíadas de matemática, em que nós somos heptacampeões. Isso se deveu a um trabalho muito sério demonstrando que, na educação, também havia necessidade de uma gestão empreendedora. A educação é a mais reluzente comprovação de como uma boa gestão pode contribuir muito para o êxito de uma política pública. É claro que a gestão sozinha não resolve, mas ela é imprescindível para, juntamente com o conteúdo adequado das políticas públicas, conseguir o resultado que seja construído de modo coletivo.
Por outro lado, a carga tributária do Estado não caiu, e algumas alíquotas, como a do ICMS, são relativamente altas. Não é uma contradição com o discurso oficial?
Nós nunca modificamos a questão tributária do Estado. O choque de gestão não foi concebido para isso. O primeiro impacto dele seria colocar as finanças do Estado em ordem, sem elevar o padrão tributário que nós já tínhamos e com o objetivo de colocar pelo menos um mínimo de funcionamento do Estado. O nosso ICMS é igual ao dos outros Estados, na média. Ao contrário, nós é que sofremos muito com guerra fiscal. A receita do Estado subiu bastante, mas muito através de um esforço de combate à sonegação e melhoria da estrutura de arrecadação. O próprio ambiente empresarial do Estado é extremamente amistoso e vinculado a projetos de parceria com o governo. Não há sentimento de que houve aumentos tributários. O que nós não podemos ter é um Estado que arrecada e não entrega os serviços
É possível aplicar o modelo mineiro no governo federal?
Em Minas Gerais, foi adotado conjunto de medidas que também são adotados em outros Estados e até outros países. Então, não há qualquer dificuldade em adotá-lo na esfera federal – é claro que sempre adaptando às circunstâncias. O que vale para Minas pode não valer para o Amazonas, o Amapá ou o Rio Grande do Sul. Eu acho que é perfeitamente possível fazer as devidas adaptações à adoção de um conjunto de medidas que coloque a gestão pública como um eixo importante de governo. O governo não existe para a gestão, mas não existe governo sem gestão. O pressuposto, o antecedente é a boa gestão. Só teremos educação e saúde de qualidade com a gestão adequada. Na semana passada o Banco Mundial fez um relatório mostrando que na saúde, não adianta mais dinheiro, é gestão.  Isso nós sabemos aqui há muitos anos. É perfeitamente factível que haja esse esforço. E o governo federal, já há alguns anos, não tem colocado a gestão como um foco.
O senhor acredita que este é um problema central no governo Dilma?
Falta, talvez, priorizar a gestão. A questão de gestão publica é essencial. O governo constituiu uma câmara importante. O Jorge Gerdau, que nos ajudou muito aqui e é um homem especializado nisso, foi para lá. Mas nós não percebemos avanços. O governo federal comemorou em novembro 112 bilhões de reais de receita mensal. No mesmo mês, Minas Gerais arrecadou pouco mais de 5 bilhões. São Paulo deve ter arrecadado 10,6 bilhões. Veja a diferença abissal: os recursos estão na esfera federal. E, com esse montante, os resultados poderiam ser bem melhores.
As ideias do PT são um obstáculo à busca pela eficiência na administração pública?
Algumas questões ideológicas podem influenciar em algumas resistências. A questão da avaliação de resultados, meritocracia e remuneração diferenciada esbarra em algumas ideologias que não veem com simpatia esses mecanismos - que existem pelo mundo afora, não são invenção nossa.
O senhor concorda que falta vigor na oposição feita pelo senador Aécio ao governo federal?
É uma critica infundada, porque diariamente vejo o senador Aécio criticando veementemente o governo. Basta ver nesses últimos dias como o debate está vigoroso. O que acontece é que muitas vezes a percepção das pessoas no Brasil é de que a oposição tem de ser destrutiva, como o PT fazia no passado. Não existe isso. A oposição tem de ser realista, apontar os defeitos mas fazer um esforço a favor do Brasil. E muitas vezes não aparece exatamente isso. O senador tem um papel muito adequado no Senado, com seus pares. Ele não tem liderança partidária no Congresso, preside o partido há poucos meses e o seu comportamento é exatamente aquele que deve ser como líder da oposição. E é claro que no ano que vem a coisa vai se agudizar, porque nos vamos ter uma campanha eleitoral.
O senhor vai ter algum papel na campanha presidencial do PSDB?
Nesse momento exato, como governador, eu não tenho capacidade de atuar de forma mais efetiva. Eventualmente, ao final do mês de março, nós vamos ver o que vai acontecer, se eu serei candidato ou não. De todo modo, até pela minha proximidade, admiração e amizade com o senador Aécio, eu naturalmente gostaria de participar de alguma forma. Vamos ver como será. Certamente vou ajudá-lo.
Mantém contato frequente com Aécio?
Falo, não digo diariamente, mas dia sim, dia quase também. Tenho um relacionamento muito próximo com o governador. Essa ligação continua.
O senhor sabe que rumo vai tomar em 2014?
O cenário eleitoral está claro: nós teremos um candidato a governador, a ser decidido entre janeiro em fevereiro. Alguns nomes estão se afunilando neste momento, mas não houve decisão. A partir deste nome, nós teremos a composição da chapa para vice-governador e senador. Há um estímulo para que eu eventualmente deixe o governo em março e me candidate ao Senado, mas essa decisão vai ser fruto de uma conversa coletiva. A minha primeira pretensão era concluir o mandato, mas vamos aguardar a quê essas conversas levarão. Ainda não há uma clareza definitiva neste momento.
A trajetória política do senhor não é convencional. O senhor acha que faltam mais técnicos na política?
Eu acho que não. Na verdade, é natural que a pessoa que tem vocação política tenha também conhecimento técnico, de administração. E tem de ter sensibilidade social e política. É sempre um conjunto. Cada pessoa tem uma trajetória, uma circunstância. O Fernando Henrique Cardoso também era professor e fez carreira política. Uma coisa não exclui a outra. O que as pessoas têm grande dificuldade de fazer é compor as equipes. Não podemos exigir de um político ou governante o conhecimento pleno sobre todas as áreas, porque isso não existe. O que deve se impor é a capacidade de liderança e a racionalidade de escolher uma equipe competente. Mas é evidente que o conhecimento técnico nunca atrapalha, sempre ajuda.
O ministro Fernando Pimentel (PT) é pré-candidato ao governo de Minas e vem apresentando bons resultados nas pesquisas. Há um desgaste do PSDB no Estado?
 O governo é a demonstração do exercício das boas qualidades do grupo político, das pessoas, das ideias e da plataforma. É natural que, após doze anos, o governo apresente muitos resultados e é natural que haja oposição. Mas eu acredito que a proposta, a plataforma, os exemplos, as práticas e os métodos do PSDB têm sido tão reconhecidos que há boas chances de continuidade. Claro que devemos sempre avançar e evoluir, mas creio que daremos prosseguimento ao nosso trabalho aqui em Minas Gerais – como, aliás, acontece em São Paulo, onde o PSDB já está há cinco mandatos.
As alianças no Estado para 2014 estão sob risco, com a ascensão do PSB e o apoio do PSD à reeleição de Dilma?
Eu acredito que nós devemos reproduzir o grupo que me apoia hoje no governo, talvez à exceção do PSB. São muitos partidos que compõem a nossa base governamental. O modelo de federação facilita isso. Pode-se apoiar um grupo partidário na esfera federal e outro nos Estados atendendo às circunstancias nacionais. Tenho a impressão de que o PSD nacional tomou a decisão em prol da reeleição da presidente Dilma mas liberou os Estados. Aqui o PSD integra o nosso governo, tem um relacionamento muito próximo e tenho muita confiança de que ficará conosco.
O senhor pertence a um partido de centro-esquerda, mas defende bandeiras claramente liberais. Como se identifica ideologicamente?
Eu acho que, com todo o respeito, isso não existe mais. O mundo já derrubou isso tudo há algumas décadas. O que nós temos que ter hoje, independentemente dessas opções, é eficiência, a eficiência de cumprir aquilo que está na nossa Constituição. A Constituição de 1988 tomou uma decisão: somos uma nação capitalista. Temos uma nação que prestigia a propriedade mas valoriza o trabalho e impõe a função social à propriedade. Está tudo na Constituição. O que nós temos de ter é eficiência para cumpri-la, dentro de prioridades que são definidas por cada governo. Mas é difícil definir se a pessoa é de esquerda ou de centro: acho que a época disso já passou.
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NASCER SEMPRE

Artigo de Marina Silva, publicado na Folha de S. Paulo
Em meio aos abraços amigos e desejos de feliz Ano-Novo, costumamos reconhecer a sinceridade dos desejos para além das palavras, pois estas são, muitas vezes, gastas e repetidas. As palavras necessitam de gestos que recuperem e sustentem seu sentido.
Releio Hannah Arendt, para melhor refletir sobre a possibilidade de restaurar a capacidade humana de lidar com as desconfianças e incertezas causadas pela ameaça do imprevisível, por meio do milagre da "promessa". Na dimensão política da crise civilizatória que vivemos, a crise de confiança é o centro do problema. O ano que passou foi didático nesse ponto: o atual sistema de representação recebeu um claro voto de desconfiança e não foi capaz sequer de manter –ainda menos cumprir– até mesmo as promessas apressadas que faz sob pressão.
Ainda é possível refazer a confiança, dentro de um espaço de heteroestima política, social, cultural, como indivíduos e como povo? como indivíduos e como povo? Temos motivo para descrer, num mundo fragmentado em que as relações se liquefazem e escorrem, sem estabilidade. Mesmo as novas formas de relacionamento e comunicação que inventamos, muitas vezes parecem ser uma desesperada tentativa de agarrarmo-nos uns aos outros, multiplicando conexões frágeis e superficiais na ausência de laços de confiança efetivos e afetivos.
Revejo, no entanto, a importância que H. Arendt dá ao nascimento como fonte de fé e esperança (cuja expressão poética e profética ela localiza nos Evangelhos: "nasceu uma criança entre nós") capaz de renovar a confiança em nós, nos outros, no futuro. Somos, assim, impelidos a olhar o que está nascendo ao nosso redor e, sim, tem muita coisa boa começando além de um novo ano.
Podemos abandonar o pensamento defensivo, que recebe as críticas como se fossem expressões de pessimismo ou até declarações de guerra para saudar, entre nós, o nascimento –renascimento, como queiramos– de uma consciência aguda e exigente, que já não se ilude com velhas promessas mas que pode ser base sólida para um novo pacto ético e social.
Podemos nos alegrar com o surgimento de uma nova geração de protagonistas da política, iniciantes ainda, mas com enorme capacidade de aprender e evoluir rapidamente. Podemos compartilhar desse novo sentimento de poder e liberdade que se espalha dando origem a uma democracia espalhada em todos os espaços da vida.
Podemos, sim, superar a fragmentação do mundo em crise compondo novas sínteses baseadas em novas harmonias. Se já não confiamos naqueles que prometeram tudo, eis aí o sinal para que nossa nova promessa seja um acordo, simples e claro, naquilo que é essencial. A confiança vem do que é sustentável.
Marina Silva, ex-senadora, foi ministra do Meio Ambiente no governo Lula e candidata ao Planalto em 2010. Escreve às sextas na versão impressa da Folha de S. Paulo.
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ANO ELEITORAL

Em ano eleitoral, quem está no poder é tomado por um sentimento de generosidade, de bonança... Os cofres públicos se abrem com uma facilidade como num passe de mágica! Seja quem for que estiver no poder. Este ano não vai ser diferente.
Charge do Sinfrônio
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2014 ESTÁ ROLANDO

Artigo de Fernando Gabeira, publicado no jornal O Estado de S. Paulo
No fim do ano recebi um envelope laminado cheio de bolinhas de isopor e um cartão de Antônio Bernardo: "2014 vai rolar". E como! - pensei.
Aproveitando os feriados, revi um livro de Octavio Paz, Os Privilégios da Vista. Ele menciona os calendários lunares e solares dos antigos povos da América Central. Alguns dias ficavam de fora. Eram os dias vazios, como os definiu Paz. Não é o caso de 2014, quando temos uma conjunção de Copa do Mundo e eleições. A Copa é realizada de quatro em quatro em quatro anos, mas agora será no Brasil.
Nas eleições de que participei traçávamos uma linha rígida: a campanha começava quando a Copa terminava. Agora essa linha se dissolveu. As eleições podem invadir o espaço da Copa e esta, certamente, invadirá o espaço das eleições.
Independente de grandes manifestações, o Brasil merecia um grande debate, pois é uma eleição que potencialmente pode definir rumos. A maioria quer mudança. Mas isso não quer dizer nada, pois as eleições podem consagrar o mesmo bloco de partidos que está no poder. O desejo de mudança vai perseguir o próximo vencedor. Ele, naturalmente, pode resistir, argumentando que venceu.
O Brasil fez a Copa para projetar uma imagem de crescimento e pujança que hoje está desfocada não só pelo medíocre crescimento, como pela precariedade de infraestrutura e serviços públicos, revelada pelas manifestações de junho. Às vezes, para simplificar o que vejo hoje no País, socorro-me da teoria do cobertor curto: você puxa para o consumo, esfria o investimento, divulga a Copa, mas os jornais falam das chuvas intensas, dos desabrigados e das imutáveis áreas de risco nas cidades brasileiras. E assim segue: você faz um cinturão de segurança, ocupando favelas com forças de paz, mas esfria na zona norte, nas áreas metropolitanas, para onde fogem muitos bandidos.
Os fatos vão estar sempre por aí, mostrando que há alguma coisa errada na maneira como gastamos o dinheiro público. Apenas 28% das verbas para prevenção de enchentes foram gastos, enquanto nos estádios de futebol o ritmo de gastos já não se limita às obras, mas alcança os reparos do que foi feito de errado, como se viu no Maracanã e, agora, no Mané Garrincha. Não bastasse tudo isso, no final do ano Renan Calheiros usou um avião da FAB para fazer transplante capilar no Recife.
Se andassem um pouco na rua, teriam ideia de como essas coisas repercutem. E ainda dizem que ouviram a voz das ruas. As tensões levantadas pelo movimento de 2013 não foram resolvidas. Isso não significa que teremos de novo grandes demonstrações. A tentativa é de empurrar com a barriga, manter as coisas como estão, permanecer no poder, às vezes até debochando das críticas das ruas.
Li na biografia de Vargas escrita por Lira Neto que alguns de seus auxiliares tentavam levá-lo a mudanças, argumentando que era preciso fazer como os atores que se renovam, lançar novas peças, atrações, senão o teatro fica vazio. O desejo de mudança que existe agora é também um certo cansaço com essa longa experiência do PT e seus aliados no governo. Ela não é capaz de indicar novos rumos. Claro que sua hegemonia eleitoral não será ameaçada se os desejos de mudança não forem canalizados pelos oponentes.
A singularidade desta eleição com Copa do Mundo no Brasil pode trazer para o processo um interesse maior da imprensa internacional. O Brasil viverá dias intensos sob os olhares de muita gente. Tanto como no ano passado, os brasileiros no exterior certamente vão usar o momento para expressar suas expectativas sobre o País, ampliando a exposição nacional.
Assisti a alguns debates na TV e os analistas sempre mencionavam, por prudência, a imprevisibilidade. 2014 vai rolar, como diz o cartão. Mas para onde, de que jeito, com que convulsões ou espasmos? O nível de imprevisibilidade justifica-se pela presença desses elementos esparsos que de repente se podem reconfigurar de uma forma nova - Copa, eleição presidencial, desejo de mudança, esgotamento de um modelo econômico, perda de credibilidade do processo político. Caso não se combinem no sentido da mudança, isso quer dizer apenas que a mudança, sobretudo a ditada pela realidade econômica, foi adiada, ultrapassou o calendário de 2014.
Não apenas o ajuste econômico, mas algum tipo de renovação política seria menos doloroso se conversado antes, no momento eleitoral. Caso o processo eleitoral passe por cima desse desejo de mudança, aí, sim, o próximo presidente pode viver anos interessantes, no sentido que os chineses dão ao termo. Esse é um dos enigmas deste imprevisível 2014. Certamente há muitos outros e só poderemos desvendá-los com o tempo.
O ano apenas começou a rolar. Ainda uso palavras do ano passado e, como diz o poeta T. S. Elliot, palavras do ano passado pertencem à linguagem do ano passado e as palavras de um novo ano esperam outra voz. Isso predispõe à abertura ao imprevisível. Mas um olhar mais largo aos acontecimentos que preocuparam no final do ano mostra que eram previsíveis. 
As inundações no Espírito Santo podem ser compreendidas por meio do minucioso livro de Warren Dean A Ferro e Fogo. Augusto Ruschi denunciou o processo de derrubada das matas e assoreamento dos rios. Num momento em que o Espírito Santo tinha 500 serrarias, os desmatadores levaram seu know-how para a Amazônia.
Estive no presídio de Pedrinhas após um motim com mortes. Alguns presos foram decapitados. Anotamos uma série de problemas que precisavam ser resolvidos para atenuar a violência ali. Até audiências na Assembleia fizemos para mobilizar os atores locais. Pedrinhas de novo, motim de novo. Cabeças cortadas. Tanta discussão científica sobre se é possível viajar para o passado, encontrar uma curva fechada que nos jogue para trás no tempo. E isso é tão frequente no Maranhão... Alguém precisa dizer isso a Stephen Hawking, que dedica parte de seu livro Minha Breve História à hipótese de uma viagem no tempo.
Fernando Gabeira, jornalista, escritor e ex-deputado federal. 
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quinta-feira, 2 de janeiro de 2014

O PRESIDENTE NEGRO

Para começar bem o ano, nada melhor que uma boa leitura, a dica desse blog é O Presidente Negro é o único romance adulto de Monteiro Lobato. Foi lançado em forma de folhetim no jornal carioca "A Manhã", de setembro a outubro de 1926, antes de ter o formato de livro.
A história se passa nos Estados Unidos e aborda temas como a segregação racial, aculturação, feminismo e ainda profetiza o surgimento de uma rede pela qual as pessoas se comunicariam e trabalhariam à distância, semelhante à internet.
Através das lentes do "porviroscópio", aparelho capaz de prever o futuro, Lobato leva os leitores para 2228, ano em que o personagem norte-americano Jim Roy, negro, concorre à presidência.
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quarta-feira, 1 de janeiro de 2014

FELIZ 2014 !

Caros leitores, amigos e parceiros mais um ano termina. 2013 foi um ano de muitas conquistas para o blog Sou Chocolate e Não Desisto, resultado de muito trabalho em oito anos de existência.
A cada ano, ganhamos mais repercussão na internet, entre blogs e sites que reproduzem nossas postagens. Nas redes sociais como Facebook, Twitter, Instagram e Orkut também tem se destacado.
Para fechar com chave de ouro, Sou Chocolate e Não Desisto continua entre os 100 blogs mais votados no Prêmio TopBlog – espécie de Oscar da blogosfera brasileira – na categoria Política/Blog Pessoal, pelo Júri Popular – votos recebidos pelos internautas.
A todos os leitores, amigos e parceiros, muito obrigado! Desejo um Ano Novo de realizações, muito amor, paz e esperança. Feliz 2014. Abraço do amigo Valério Sobral.
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