quinta-feira, 15 de maio de 2014

INTERLOCUTOR DO DOLEIRO

Por Daniel Haidar, Veja
Um relatório da Polícia Federal concluído nesta quinta-feira confirma que o deputado federal Luiz Argôlo (SDD-BA) recebia dinheiro do doleiro Alberto Youssef, como revelou reportagem de VEJA. O juiz federal Sérgio Moro determinou a remessa ao Supremo Tribunal Federal (STF) das conclusões policiais e das transcrições de conversas telefônicas de Youssef em que Argôlo aparece como seu interlocutor do doleiro. Em decisão publicada nesta quinta-feira, Moro destaca que mensagens interceptadas na operação Lava-Jato revelaram indícios de negócios comuns do doleiro e do deputado. Como Argôlo possui foro privilegiado por ser parlamentar, só o STF poderá decidir se ele deve ser investigado por essas suspeitas de crime. Moro destaca que, em nenhum momento, o deputado foi alvo da operação e que só foi descoberto seu envolvimento com o doleiro porque os telefones de Youssef foram monitorados.
O relatório policial destaca a reportagem de VEJA que revelou o intenso relacionamento financeiro de Argôlo e Youssef. De acordo com a PF, eles trocaram 1.411 mensagens. O deputado usava o telefone funcional da Câmara para falar com o doleiro, mas também um telefone exclusivo para comunicação entre eles, cujos créditos eram pagos por Youssef - que em certas mensagens chamava o deputado de "bebê Johnson". Em diversos momentos, Argôlo cobra entregas de dinheiro para si próprio e para outros. Um dos endereços de entrega foi a residência do parlamentar em Brasília, indicam os policiais.
No dia 18 de setembro do ano passado, o deputado e Youssef combinaram a entrega de 270.000 reais ao parlamentar. Em 15 de outubro, combinaram novo repasse de recursos, com 40.000 reais que seriam para outras pessoas e de 20.000 a 30.000 reais para o próprio Argôlo. No dia 27 de fevereiro deste ano, o deputado cobrou o repasse de 280.000 reais para outra pessoa, mencionada apenas como “V”.
Uma das novidades do relatório é a revelação de que Youssef e Argôlo combinaram encontros com diretores de empreiteiras que são grandes fornecedoras da Petrobras e importantes doadoras de campanha. A polícia suspeita que no dia 14 de outubro de 2013 a dupla se reuniu com Mateus Coutinho, diretor-financeiro da OAS S.A., na casa do doleiro em Vila Nova Conceição, na capital paulista. No dia seguinte ao encontro, eles se divertiam com o fato de ter tomado uma garrafa de vinho Vega Sicilia de 3 mil reais.
Durante as operações de busca e apreensão de documentos nos endereços de Youssef, a polícia apreendeu um cartão de visita de Coutinho em um escritório do doleiro. No dia 27 de novembro do ano passado, Youssef perguntou se Argôlo terminou uma reunião e informou, em seguida: “Estou na Angélica saindo do Matheus”. O escritório central da OAS fica na Avenida Angélica, em Higienópolis, região central de São Paulo. Outra suspeita da PF é de que, no dia 12 de março, Youssef esteve no escritório de Coutinho: “To no Matheus aguardando ele. Vai me atender”.
Já se sabe que a OAS depositou 1,6 milhão de reais em contas bancárias da MO Consultoria, uma das empresas de fachada comandadas pelo doleiro, de acordo com a investigação policial.
Também foram identificados contatos de Youssef com o empresário Ricardo Pessoa, sócio-diretor do grupo UTC/Constran. Para a polícia, as conversas indicam que Argôlo marcou uma reunião com o empresário no dia 14 de outubro. Youssef recebeu a seguinte mensagem, que a polícia suspeita ter sido enviada por Pessoa: “Essa moça está mandando msg (já enviou 4 so hoje) dizendo que você não apareceu. Abs RP”.
O juiz deu cinco dias para que o Ministério Público Federal emita parecer sobre o relatório policial. Depois desse prazo, os documentos serão finalmente remetidos ao STF.
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DELETADA

A foto postada pelo ex-governador de Pernambuco, Eduardo Campos (PSB) em um jatinho repercutiu nas redes sociais na tarde desta quinta-feira (15). A foto postada no Instagram do presidenciável com a legenda “São Paulo, lá vamos nós!”, foi deletada 10 minutos depois.
A repercussão nas redes sociais se deu por causa do momento conturbado que a capital Recife estava passando desde ontem; policiais militares e bombeiros entraram em greve e a onda de violência aumentou. O comércio foi tomado por uma avalanche de saques  – o Exército foi às ruas para conter as invasões e manter a ordem.
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DESAFIO DERRADEIRO

Por Otávio Cabral, da coluna Panorama – Holofote, Veja
Depois de 54 anos na política, o senador Pedro Simon (PMDB-RS) desistiu de disputar a eleição. Aos 84 anos, ele vai coordenar a campanha de Eduardo Campos no Rio Grande do Sul e depois se aposentará.
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DE VOLTA

O deputado André Vargas (sem partido-PR) reassumiu nesta quarta-feira (14) seu mandato parlamentar. Em ofício ao presidente da Câmara, deputado Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN), Vargas solicitou a interrupção da licença que se encerraria no próximo dia 5 de junho. O parlamentar havia se licenciado do mandato por 60 dias, após denúncias de envolvimento com o doleiro Alberto Youssef, preso pela Polícia Federal na Operação Lava Jato.
O parlamentar, que responde a processo de quebra de decoro parlamentar, foi notificado ontem pelo Diário Oficial da União do processo de cassação do mandato dele no Conselho de Ética e Decoro Parlamentar. Vargas era o primeiro vice-presidente da Câmara, mas em função das denúncias e pressão do seu antigo partido - o PT, renunciou ao cargo.
Com a notificação do Conselho de Ética, Vargas tem dez dias úteis para apresentar a sua defesa por escrito, e indicar testemunhas de defesa para serem ouvidas pelos integrantes do conselho. O processo contra o deputado paranaense será relatado pelo deputado Júlio Delgado (PSB-MG). Se o conselho entender que ele quebrou o decoro parlamentar, caberá ao plenário da Câmara, em votação aberta, decidir se cassa ou não o mandato de Vargas.
Agência Brasil
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TEMPO BOM, TEMPO RUIM

Muito há para ser feito em termos de conquista dos direitos LGBT no país. O casamento igualitário é reconhecido judicialmente, mas não pela legislação. Travestis e transexuais não conseguem realizar a mudança de nomes e gênero no registro civil.
Por esse motivo é que em matéria de direitos humanos, o Brasil mereceria nota 5. Não que o brasileiro seja conservador. É a elite política que é conservadora. E os partidos de esquerda, de certa forma, também.
Em suma, apesar dos avanços, ainda vivemos em uma sociedade heteronormativa.
Este diagnóstico faz parte de "Tempo Bom, Tempo Ruim", em que o jornalista, professor, ex-"BBB" e hoje deputado federal Jean Wyllys, 40, do PSOL, procura compartilhar a experiência adquirida nos anos de militância pelos direitos humanos.
O livro é didático, na medida em que introduz o leitor no conhecimento de conceitos básicos, mas não tão disseminados como a distinção entre sexo, identidade de gênero e orientação sexual.
É também, obviamente, um livro sobre a visão de mundo de Wyllys, que fica entre a crônica e o ensaio, com laivos de autobiografia.
Wyllys vem de uma família abaixo da linha da pobreza, do interior da Bahia. Reconheceu-se como homossexual na época em que militava em uma comunidade eclesial de base. Conseguiu ingressar em uma entidade educacional filantrópica de excelência, em Salvador, e graduou-se em jornalismo.
E por que o título? "Estamos vivendo tempos bons e tempos ruins. Um momento de ambivalências, de avanço e retrocesso. Não está claro para onde o Brasil está indo", afirma o autor à Folha.
"Ao mesmo tempo em que nos posicionamos como a quinta maior economia do mundo, temos um baixíssimo IDH, vemos a sombra desumana dos linchadores se estender, os fundamentalistas religiosos se organizando financeira e politicamente."
Wyllys se define como sendo de uma "esquerda renovada". Mas com ressalvas. É que a esquerda sempre teve problema de lidar com a liberdade individual, diz ele.
"A ponto de todos os homossexuais terem vivido no armário nos anos de chumbo. Você não podia dizer que era homossexual em um grupo guerrilheiro."
Wyllys, que deve concorrer à reeleição, ainda acrescenta ter muitos pontos em comum com o PSOL mas algumas divergências. "Os temas relacionados à sexualidade não foram tão bem assimilados no partido. Há um debate que não está resolvido."
Podem soar questionáveis algumas formulações do deputado, como a de que "ser de esquerda é defender as minorias". Mas, no geral, o autor mantém uma coerência dentro de sua linha de pensamento, mostra coragem e utiliza com espirituosidade referências que vão da literatura ensaística às letras de MPB.
Tempo Bom, Tempo Ruim – autor Jean Wyllys
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EM OUTRA SINTONIA

São Paulo – O senador Aécio Neves, pré-candidato do PSDB à Presidência, anunciará nesta quinta-feira, 15, que o ex-deputado Fábio Feldmann, um dos principais aliados da ex-ministra Marina Silva na campanha presidencial de 2010, coordenará seu programa de governo na área de meio-ambiente. Com a escolha, o tucano espera fazer um contraponto ao ex-governador Eduardo Campos (PSB), que terá Marina como sua vice.
“Continuo simpatizante da Rede (grupo político de Marina) e me sinto sintonizado com Marina. Mas ela não será a candidata desta vez. Minha escolha foi com essa premissa”, disse Feldmann ao Estado. O senador mineiro e o ex-governador Antonio Anastasia, coordenador-geral do programa de governo de Aécio, desembarcam em São Paulo na quinta-feira especialmente para anunciar o reforço.
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FALANDO FRANCAMENTE

O cantor Ney Matogrosso fez duras críticas à organização da Copa do Mundo de 2014 no Brasil, chamando de "vergonha" e "escândalo" os gastos com o torneio de futebol da Fifa.
As declarações foram dadas à emissora de TV portuguesa RTP, no programa "Grande Entrevista", que foi ar nesta semana, na terça-feira (6), no país europeu.
Questionado pelo apresentador português Vítor Gonçalves sobre a atual situação política e social do Brasil, que levou a diversos protestos de rua nos últimos meses, o cantor foi direto.
"Não há um certo desconforto, há um enorme desconforto. Porque o governo brasileiro está gastando bilhões de reais para fazer esses estádios de futebol, dos quais muitos serão elefantes brancos, porque nunca mais haverá nada lá", disparou. "Nos hospitais públicos, as pessoas estão sendo jogadas no chão."
De acordo com Ney, a situação do serviços públicos no país, que, para ele, já foi boa na década de 1950, está piorando.
"A educação no país é vergonhosa (...) Nós somos o país que mais paga imposto no mundo. Para onde vai o dinheiro desses impostos? Nós não temos nada, esse dinheiro não reverte em nada. O transporte público é horroroso. Então, como o povo pode estar satisfeito com isso?"
O entrevistador insistiu, dizendo que havia ouvido falar que diversas pessoas saíram da miséria nos últimos anos. O argumento também foi rebatido pelo artista brasileiro, dizendo que as melhorias se resumem a projetos como o Bolsa Família.
"O que melhorou foi que essa gente saiu da extrema miséria para a pobreza enorme", afirmou, voltando a criticar a má qualidade dos serviços públicos.
Sobre a responsabilidade do Partido dos Trabalhadores na situação do país, que governa desde 2003, Ney Matogrosso afirmou que a única diferença entre o PT e os outros partidos é que, no caso do primeiro, "a corrupção é muito mais visível".
"Sou crítico não só com o PT, mas com a política. Sempre imaginei que houvesse algum ideal elevado na política. Não vemos isso. É corrupção, diariamente, semanalmente, escândalos de corrupção (...) Em todos os partidos há corrupção."
Gonçalves admitiu estar surpreso com as respostas do cantor, que concluiu dizendo que "adoraria dizer que tudo está maravilhoso, que o povo está feliz, bem tratado, bonito e viçoso, mas não é assim".
Da Folha de S.Paulo
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DE NOVO?!

O famigerado projeto de “cura gay” que ocupou os holofotes no ano passado e arquivado, voltou a ser apresentado na Câmara pelo deputado Pastor Eurico, do PSB de Pernambuco.
Com a mesma rapidez que o projeto ressuscitou e foi enviado para a Comissão de Direitos Humanos e Minorias (CDHM), a matéria foi derrotada e voltou a ser arquivada.
Para tirar do arquivamento, o pastor/deputado usou o seguinte: é inconstitucional "não permitir que o paciente tenha do profissional da psicologia um atendimento que vise buscar uma solução para seu comportamento sexual, caso ele queira abandonar a prática homossexual".
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quarta-feira, 14 de maio de 2014

PALANQUE

No Ceará, o PMDB de Eunício Oliveira e o PV comandado pelo presidente Marcelo Silva desconversam sobre a aliança, mas ambos devem anunciar nos próximos dias que estarão juntos no mesmo palanque na campanha eleitoral deste ano. Segundo fontes desse blog, a parceira já está selada, só um vento forte poderia desfazê-la.
Segundo as informações, o roteiro da aliança segue esse traçado: Roberto Mesquita, atual deputado estadual,  um dos principais nomes do partido vai para à reeleição. O deputado Augustinho Moreira (PV), outro nome da legenda,  já manifestou desejo em deixar a vida pública.
Para fortalecer a candidatura oposicionista de Eunício na zona norte do Ceará, o Partido Verde deve lançar como candidato a deputado federal, Dr. Guimarães, um dos nomes que representa a oposição na região – em 2012 disputou a prefeitura de Sobral e ficou em segundo lugar.
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terça-feira, 13 de maio de 2014

O ADVOGADO DOS ESCRAVOS

Luiz Gama foi um personagem tão extraordinário quanto complexo, a começar por suas qualificações: abolicionista, republicano, poeta, advogado, jornalista e maçom. Pertenceu a uma geração que preparou a derrocada do Segundo Império no Brasil, no século XIX. Com a pena e a oratória, embrenhou-se na luta contra os conflitos da época, tais como as relações entre Igreja e Estado, Monarquia e República, raça e nação. Tomava o partido das causas libertárias e havia um sentido pessoal nessa escolha: Gama foi escravo, que tinha sido vendido por seu pai quando criança. Quase adulto, conseguiu conquistar a liberdade. Autodidata, extraiu de sua dramática e épica história de vida força e obstinação para libertar mais de 500 escravos.
Esse personagem batiza logradouros por todo o país, sobretudo em São Paulo, onde foi maior a sua atuação, mas ainda é pouco conhecido. Conhecê-lo, estudá-lo e iluminá-lo tem sido uma tarefa de pesquisadores como Ligia Fonseca Ferreira, professora da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp). Autora de uma tese de doutorado sobre a vida e obra do ex-escravo defendida na Universidade de Paris III – Sorbonne Nouvelle, Ligia é negra e assume a responsabilidade de estudar um personagem com quem guarda relações mais complexas que a de um pesquisador neutro diante de seu objeto. “Às vezes, minimiza-se, quando não se invisibiliza, o trabalho dos pesquisadores negros a respeito de personagens históricas negras que afirmaram esta condição”, afirma.
A contribuição de Ligia para a compreensão de Luiz Gama é ímpar. Ela organizou a reedição crítica das Primeiras trovas burlescas & outros poemas de Luiz Gama(Martins Fontes, 2000) e Com a palavra, Luiz Gama. Poemas, artigos, cartas, máximas (Imprensa Oficial do Estado de São Paulo, 2011). De formação em letras, com ênfase na área de língua e literatura francesa, Ligia tomou conhecimento do abolicionista quando realizava pesquisa na Sorbonne sobre a literatura negra no Brasil entre 1987 e 1988. Gama era ninguém menos que o pioneiro. Mas diante da fragmentada documentação sobre o poeta, e já mirando um doutorado, a solução foi percorrer bibliotecas, centros de estudos e até sebos de livros. O que encontrou não foi pouco.
As Primeiras trovas burlescas de Getulino foram publicadas em 1859, em São Paulo, àquela altura uma província de poucos leitores, escassos escritores e parcas tipografias e livrarias. O livro continha 22 poemas de sua autoria e três do político e professor de direito José Bonifácio, o Moço. A escolha do pseudônimo “Getulino”, derivado de “Getúlia”, território do norte da África, já indicava o posicionamento de um autor de origem africana, adentrando o restrito círculo de letrados, privilégio de brancos. Dois anos mais tarde, ele reedita a obra no Rio, na mesma gráfica que imprimia romances de José de Alencar. Na segunda edição, “correcta e augmentada”, publicou 39 poemas, dos quais 20 inéditos.
No Brasil escravocrata, escrever e ser lido eram duas formas de se manter próximo do poder. Procure se colocar no lugar de um ex-escravo, no início dos anos 1860. Imagine então usar seus escritos para satirizar os políticos e os costumes, parodiar as instituições arcaicas, criticar os “doutores” e trazer à tona os temas da corrupção, do preconceito racial, do embranquecimento dos mulatos que renegavam as raízes e do anticlericalismo. Segundo a pesquisadora, Luiz Gama fez isso com essa obra. Ao publicar em 2000 uma versão compilada com a produção poética integral do abolicionista, Ligia abriu um frutífero campo de estudos.
Luiz Gama nasceu em 21 de junho de 1830 em Salvador, filho de uma africana livre, a “altiva” Luiza Mahin, e de um fidalgo de origem portuguesa e membro de uma importante família baiana. O abolicionista jamais revelou o nome do pai que o vendeu como escravo. Foi entregue ao negociante e contrabandista Antônio Pereira Cardoso, que, sem conseguir revendê-lo, acabou ficando com o garoto de 10 anos. Gama aprendeu a ser copeiro, sapateiro, a lavar e engomar, e a costurar. Sete anos mais tarde, conviveu com o estudante Antônio Rodrigues do Prado Junior, que lhe ensinou as primeiras letras. Em 1848, “havendo obtido de forma ardilosa e secretamente provas inconcussas de sua liberdade”, segundo seu próprio relato, foge da casa de Cardoso.
Apenas dois anos antes de sua morte, em 25 de julho de 1880, Luiz Gama envia carta a Lúcio de Mendonça, um dos fundadores da Academia Brasileira de Letras, revelando fatos inéditos de sua biografia. Ligia encontrou esse documento na Biblioteca Nacional, no Rio. “É um dos poucos relatos da vida de um ex-escravo no Brasil. Na história dos negros e das letras brasileiras, não há equivalentes das memórias de escravos, tão frequentes nos Estados Unidos”, diz. Esse texto é fundamental para compreender como Gama se tornou uma voz influente nos movimentos abolicionista e republicano.
A esse documento se soma uma carta anterior, de 26 de novembro de 1870, também na Biblioteca Nacional e publicada por Ligia no livro Com a palavra, Luiz Gama. Poemas, artigos, cartas, máximas – obra que traz uma seleção de mais de 40 textos de Gama, vários inéditos, e também cerca de 30 ilustrações, além de seis ensaios da autora. O destinatário da carta era José Carlos Rodrigues, fundador de O Novo Mundo, primeiro periódico em português publicado nos Estados Unidos. O abolicionista fala sobre o movimento republicano no Brasil e sobre a loja maçônica América, fundada por ele e um grupo de liberais que contava, entre seus membros notáveis, com Rui Barbosa e Joaquim Nabuco. “Asseguro-te que o partido republicano, graças à divina inépcia do sr. D. Pedro II, organiza-se seriamente em todo o império”, escreveu. Mas, segundo Ligia, defendia que a instauração de uma República deveria vir acompanhada da Abolição. A convicção era tamanha que ele abandonou a Convenção de Itu (1873), ao encontrar cafeicultores contrários à emancipação dos escravos na fundação do Partido Republicano Paulista.
Naquele momento, Luiz Gama já era uma personalidade. Em 1864, havia fundado, ao lado do caricaturista italiano Angelo Agostini, o Diabo Coxo, primeiro periódico humorístico ilustrado da capital paulista. Dois anos depois, colaborou no semanário Cabrião, também com Agostini e Américo de Campos. Em polêmicos artigos, criticava com veemência o regime escravocrata e passava a sofrer perseguições políticas. Sua ira se voltava contra o uso abusivo do Poder Moderador e o próprio imperador dom Pedro II, cuja imagem havia sido abalada na Guerra do Paraguai (1864-1870).
Em 1869, Luiz Gama obteve autorização para exercer a profissão de advogado em primeira instância, mesmo ano em que funda o Clube Radical Paulistano com outros membros da Loja América. Com sólidos argumentos, Gama revela a fragilidade do sistema judiciário. De acordo com a pesquisadora, além das críticas, tratou de inovar no plano jurídico, como quando desenterrou a Lei de 7 de novembro de 1831, que extinguiu o tráfico negreiro, para conseguir libertar africanos comercializados depois dessa data. Em um processo de 1869, entrou em choque com um dos principais juízes da capital, Rego Freitas, a quem exigiu que “respeita[sse] o direito e cumpri[sse] seu dever, para o que é pago com o suor da nação”. O discurso de Gama continua atualíssimo.
Foi também proprietário e redator do semanário político e satírico O Polichinelo(1876). A imprensa e a maçonaria foram fundamentais para o ativismo de Gama, porque lhe franquearam espaço para defender os ideais republicanos e o apoiaram na libertação dos escravos. No século XIX havia outros negros abolicionistas, como os jornalistas Ferreira de Menezes e José do Patrocínio ou o engenheiro André Rebouças, mas nenhum deles vivenciou o drama da escravidão. Pode-se comparar o brasileiro só a abolicionistas americanos, como os ativistas Frederick Douglass, autor de The life of an american slave (1845), ou Booker T. Washington, autor de Up from slavery (1901).
Gama manifestava admiração pelos Estados Unidos, para ele “o farol da democracia universal”. Um modelo exemplar: república federativa, de cidadãos livres e iguais, e ancorada nos ideais iluministas da liberdade, igualdade e fraternidade. Incomodava ao abolicionista o fato de que o Brasil se mantinha como única monarquia das Américas e última nação escravagista do Ocidente. A pesquisadora não deixa de questionar, no artigo “Representações da América nos escritos de Luiz Gama”, a ser publicado na Revista de Estudos Afroasiáticos, a ausência de alusões por parte de Gama aos conflitos raciais e à segregação dos negros nos Estados Unidos pós-escravista.
Ligia chama atenção para o fato de ele jamais ter mencionado Joaquim Nabuco em seus escritos, numa recíproca quase verdadeira. Isso decorreria do fato de que o também líder na luta antiescravista era filho de Nabuco de Araújo, ex-presidente da província de São Paulo e denunciado por Gama por sua conivência com a escravização ilegal de africanos. Gama, provavelmente cansado de esperar pela libertação dos africanos, defendia a incitação de um movimento popular, já que, para ele, se a insurreição é um “crime”, a “resistência” afigura-se como “virtude cívica”. Já Joaquim Nabuco estava convencido de que a Abolição deveria ser feita pela via parlamentar.
Luiz Gama morreu em 1882, antes de testemunhar a libertação dos escravos e o fim do Império. Para a pesquisadora, ele foi poupado de ver a República nascer de um golpe militar, constatar que os ideais de igualdade entre os homens não foram aplicados e que a campanha imigrantista tinha, entre seus propósitos, embranquecer o Brasil para eliminar os traços da estigmatizada e incômoda presença africana no país.
Por Eduardo Nunomura, publicado na revista Fapesp
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A LUTA FEMININA

PIONEIRA - Theodosina Ribeiro fez história ao se eleger a primeira vereadora negra de São Paulo, em 1968
Criada em 1560, a Câmara Municipal de São Paulo (CMSP) esperou quatro séculos para testemunhar a chegada de uma mulher, com a eleição de Elisa Kauffmann Abramovich (veja matéria na pág. 18), em 1947. Hoje, os homens ainda ocupam cerca de 90% das cadeiras do Legislativo paulistano, mostrando que a luta das mulheres pela igualdade na participação política ainda está longe de terminar.
É uma batalha que começa no século 19, com o aparecimento das primeiras feministas brasileiras, inspiradas em movimentos europeus e norte-americanos. A Constituição Republicana de 1891, na mesma linha de outras da América Latina, nem se dava ao trabalho de proibir o voto feminino, já que apenas os homens eram considerados cidadãos. Na época, algumas militantes tentaram usar essa brecha para obter o direito ao voto na Justiça ou pressionar pela criação de novas leis, mas a resistência dos homens que dominavam a política era feroz.
Mulheres nunca poderão votar, porque possuem “cérebros infantis”, sofrendo de “inferioridade mental” e “retardo evolutivo” em relação aos homens – era o que argumentava o deputado Tito Olívio (lembrado por Augusto C. Buonicore em estudo incluído no livro Voto Feminino & Feminismo). A maioria dos inimigos do voto feminino, contudo, preferia argumentos mais condescendentes, dizendo que a mulher deveria continuar a exercer o seu nobre papel de “rainha do lar”, evitando se meter em algo tão prosaico como a política.
A primeira vitória ocorreu em 1928, quando o governo do Rio Grande do Norte aprovou o direito ao voto feminino, abrindo passagem para a eleição da primeira vereadora e da primeira prefeita (veja mais na pág. 23). Para as outras mulheres do País, a conquista só chegou em 1932, com a promulgação do novo Código Eleitoral.
Clubes do Bolinha
Na Câmara Municipal de São Paulo, os efeitos dessa conquista só iriam aparecer 20 anos depois. A primeira eleição para vereadores com participação feminina, em 1936, escolheu apenas homens. No ano seguinte, veio a ditadura do Estado Novo, que fechou os Parlamentos. O Clube do Bolinha parlamentar só seria desfeito com a vitória de Elisa, em 1947 – que, mesmo assim, foi cassada antes de tomar posse. Mulher no Plenário, mesmo, é algo que o Legislativo paulistano só foi conhecer em 1952, com Anna Lamberga Zeglio, primeira mulher a ser empossada vereadora na cidade. Na mesma legislatura (que durou até 1955), a suplente Dulce Sales Cunha Braga assumiu no lugar de Estanislau Rubens do Amaral, iniciando, assim, uma longa carreira política, que a levaria até o Senado.
Nos anos seguintes, as mulheres, ainda que em minoria, estiveram presentes em quase todas as legislaturas, menos entre 1973 e 1977, quando os paulistanos voltaram a reeditar o Clube do Bolinha parlamentar, elegendo apenas homens. Em 1961, Ruth Guimarães tornou-se a primeira mulher a ocupar cargo na Mesa Diretora, como 3ª secretária. Outro marco da época foi a eleição da primeira vereadora negra, Theodosina Rosário Ribeiro, em 1968. Ela ainda seria eleita a primeira deputada estadual negra por São Paulo, em 1970.
Atualmente, a Mesa Diretora da Câmara abriga duas mulheres: a 1ª vice-presidente Marta Costa (PSD) e a corregedora-geral Sandra Tadeu (DEM). As outras vereadoras são Edir Sales (PSD), Juliana Cardoso (PT), Noemi Nonato (PROS) e Patrícia Bezerra (PSDB).
Lei que não pega
“O déficit de mulheres nos cargos de poder e de representação política é fruto de um sistema patriarcal caracterizado pelo monopólio do poder político, militar e econômico nas mãos dos homens, assegurado mediante o controle físico e ideológico exercido sobre o corpo e a vida das mulheres na esfera privada e pública”, afirma a advogada Isadora Brandão Araújo da Silva, da Marcha Mundial das Mulheres, em artigo publicado no relatório Direitos Humanos no Brasil 2012, da Rede Social de Justiça e Direitos Humanos. Para Isadora, os partidos políticos tendem a reproduzir os mesmos limites para a participação feminina. “São atribuídas às mulheres tarefas subvalorizadas, como as de secretariado e logística, ao passo em que são alijadas das instâncias de formulação política, deliberação e articulação.”
Na busca de abrir mais espaço para as mulheres na política, o relatório destaca o papel das leis que implantaram as cotas de gênero. A Lei 9.100, de 1995, obrigou os partidos a reservar pelo menos 20% das vagas para candidaturas de mulheres. Em 1997, a Lei 9.504 aumentou o percentual das vagas para 30% (para candidaturas de cada sexo).
Foi uma lei que demorou a pegar. Entendendo que a cota mínima de mulheres deveria ser calculada sobre o número de candidaturas que cada partido poderia lançar, e não sobre o número real de candidaturas, a maioria dos partidos passou anos sem atingir a cota mínima de mulheres candidatas. Nas eleições municipais de 2008, por exemplo, as candidaturas femininas eram apenas 19,84% do total.
A situação só mudou após uma resolução do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), em 2011, deixar claro que a cota de 30% valia para o número de candidatos inscritos pelos partidos, e não para o número dos que poderiam se inscrever. Nas eleições de 2012, segundo o TSE, foi a primeira vez em que a participação feminina atingiu a cota prevista na lei, chegando a 32,57% das candidaturas a vereador.
As seis vereadoras que atuam hoje na Câmara paulistana correspondem a 10,9% do Parlamento, abaixo das médias do continente americano (25,2%) e do mundo (21,8%). “A participação feminina na política, do ponto de vista formal dos cargos eletivos, ainda é muito baixa. Enfrentamos uma política que não abre espaço para as mulheres”, afirma a militante feminista Maria Amélia de Almeida Teles, autora de Breve História do Feminismo no Brasil.
Para Amélia, a política de cotas é fundamental, mas só vai funcionar quando os partidos investirem para valer na formação e na mobilização feminina. Ela também acredita que não dá para integrar as mulheres sem criar horários de reuniões que respeitem a lógica da dupla jornada, por exemplo. “Muitos partidos buscam aplicar a lei de forma burocrática, chamando mulheres só para preencher vagas, e não para ganhar eleição”, diz. Enquanto isso não mudar, “continuaremos a ter uma política toda feita por homens para homens”.
Por Fausto Salvadori, da revista Apartes
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segunda-feira, 12 de maio de 2014

COM QUE ROUPA?

O PMDB cearense entregou os cargos inexpressivos que ocupava no governo do Estado. Com a candidatura de Eunício Oliveira ao Palácio da Abolição, o partido tenta se firmar como oposição à candidatura oficial da oligarquia Ferreira Gomes que governa o Ceará, e atualmente está alojada no recém-criado PROS.
Quem acredita no PMDB como oposição no Ceará? Até o fim de abril deste ano era vassalo da administração cidista. Como se fosse uma roupa que se troca da noite para o dia, o partido amanhece se apresentando como uma via oposicionista ao governo do qual fez parte oito anos.
Com certeza tem quem acredite que Eunício Oliveira (foto) seja candidato de oposição. Não se enganem, Eunício é o Plano B da família Ferreira Gomes, os laços políticos não foram rompidos, continuam ligados. As juras de apoio ainda existem, apenas estão camufladas.
Único partido chancelado oposição a esse grupo político que domina o Ceará, atende pela sigla PR, comandado pelo ex-deputado federal Roberto Pessoa e o ex-governador, Lúcio Alcântara. As outras siglas que lançarem candidaturas podem ser classificadas como ‘as vingadoras’.
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BICO SECO

Charge do Aroeira
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domingo, 11 de maio de 2014

CUNHO PRECONCEITUOSO

Do G1, RS
Declarações do prefeito de Carlos Barbosa, na Serra do Rio Grande do Sul, são motivo de polêmica. Ao abordar o tema da migração para o município, atualmente em 1º lugar no ranking do Índice de Desenvolvimento Socioeconômico (Idese) do estado, Fernando Xavier da Silva (PDT) disse que uma "infestação de baianos e goianos" poderia trazer "fome" para a cidade com menos de 27 mil habitantes.
As declarações do prefeito foram dadas no dia 31 de março, durante uma solenidade de apresentação da Festiqueijo 2014, o festival gastronômico do município.
Procurado pelo G1, o prefeito relatou inicialmente que “não disse isso”, mas em seguida ponderou que não lembrava das afirmações. “O que mais me deixa chateado é que eu não lembro o que eu falei. Se eu disse uma bobagem dessas, não me lembro de ter dito isso em forma de preconceito. Temos quantidades enormes (de migrantes). Acho que tem repercussão por tudo aquilo que aconteceu com o juiz (Márcio Chagas, alvo de racismo em uma partida do Campeonato Gaúcho, em Bento Gonçalves, também na Serra), que tem acontecido. Posso ter errado”, disse Silva.
Segundo o prefeito, as declarações dele foram mal-interpretadas. Fernando Xavier da Silva disse que não pretendia fazer propaganda da qualidade de vida de Carlos Barbosa para não atrair uma população maior que a cidade teria condições de suportar. "Não vamos fazer propaganda para evitar que de repente as pessoas se empolguem e venham todas de uma vez. Deixar que elas venham naturalmente. Disse para eles terem cuidado de não instigar as pessoas de fora para morar aqui”, detalhou.
Ao admitir que “pode ter dito algo errado”, Silva negou ser preconceituoso. “Não tenho preconceito contra nada. Não sou um sujeito que tenho curso superior, não sou muito letrado, até posso ter dito alguma coisa errada. Mas qual a razão de criar uma polêmica dessas? Aqui há um custo de vida muito alto, não queremos que as pessoas venham aqui para sofrer”, explicou.
Segundo a Prefeitura, Fernando Xavier da Silva é o único prefeito que foi reeleito na história de Carlos Barbosa. Ele também é considerado o político que mais vezes governou o município, com quatro mandatos. (1993/1996, 2001/2004, 2009/2012, 2013/2016).
Em Caxias do Sul, vereador também causou polêmica
Em Caxias do Sul, na mesma região de Carlos Barbosa, outra figura pública depertou polêmica no mês passado ao abordar o tema migração. Em sessão na terça-feira (18) para discutir os casos de racismo ocorridos na cidade, Flávio Dias (PTB) disse ser contra a ida de senegaleses e haitianos para o município.
“Eu não gostei nada desse pessoal vir para cá. Não vieram trazer benefício para o Brasil coisa nenhuma. Vieram trazer mais pobreza. Então eu não sou favorável a esses caras aqui, de jeito nenhum. O pessoal daqui precisa de muito apoio também e não tem”, afirmou Dias ao subir na tribuna da Casa.
Dias depois, o vereador usou o microfone na Câmara para dar explicações sobre o dia anterior e afirmou que não tem preconceito nem raiva dos imigrantes. Segundo ele, a declaração tinha como objetivo ressaltar o fato de a cidade não ter a estrutura necessária para receber um número elevado de imigrantes, o que poderia agravar problemas sociais.
Após repercussão negativa, em nota, o prefeito de Carlos Barbosa, Fernando Xavier da Silva pede desculpas e se diz ‘muito abalado’.
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ENTREVISTA: JAQUES WAGNER

Por Felipe Patury e Marcelo Sperandio, revista Época
O governador da Bahia, Jaques Wagner, conheceu o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva no final dos anos 1970, durante as reuniões que formaram o PT. Desde então, eles mantêm uma amizade próxima. Wagner foi ministro de três Pastas no primeiro mandato de Lula. Na crise do mensalão, em 2005, foi escalado para chefiar as Relações Institucionais. Há sete anos, comanda o quarto colégio eleitoral do país, o maior nas mãos do PT. Por causa de sua reconhecida capacidade de diálogo, Wagner é sempre acionado para apagar o fogo amigo. Agora, capitaneia o combate ao “Volta, Lula”. “Ele saiu do governo com 80% de aprovação. Não tem sentido pegar esse patrimônio e botar em teste.”
ÉPOCA – Por que o “Volta, Lula” prosperou com tanta força e durante tanto tempo?
Jaques Wagner – Os candidatos do PT e dos partidos aliados preferem disputar eleição no cenário mais confortável possível. De todos os políticos brasileiros, o ex-presidente Lula é o que tem o melhor desempenho nas pesquisas eleitorais. Se tem um cara com 50% e outro com 30%, tor­na-se natural o surgimento de uma marcha a favor de quem aparece à frente. O estilo de governar também entra nessa avaliação. Lula é mais afeito à confraria e ao diálogo que a presidente Dilma. É outro ponto que deixa os aliados mais confortáveis ao lado dele.
ÉPOCA – O “Volta, Lula” surgiu porque a popularidade da presidente Dilma está em queda?
Wagner – A queda na avaliação positiva da presidenta Dilma é uma fotografia do momento. As pesquisas na Bahia mostram que 91% dos entrevistados ainda não decidiram seus candidatos. Repare: isso quer dizer que a taxa de volatilidade beira a totalidade do eleitorado.
ÉPOCA – O PT suspeita da capacidade da presidente Dilma de vencer a eleição?
Wagner – Em 2010, quando a presidenta Dilma foi escolhida para disputar o Planalto, também havia esse temor entre os petistas e os aliados. As pessoas lembravam que ela não tinha sido testada no voto. Falavam que ela não tinha tarimba política. Muitos disseram que não daria. No final, deu.
ÉPOCA – Pela primeira vez, uma candidatura petista à Presidência é realmente desafiada dentro do partido. O “Volta, Lula” revela uma desagregação do PT?
Wagner – Revela que o PT sempre será um partido de grande diversidade. Também temos de admitir que o contexto atual é adverso. Depois dos protestos do ano passado, o povo está mais rigoroso no julgamento da classe política. Todos os políticos foram rebaixados. Quem era avaliado como excelente passou a ser visto como bom, e daí para baixo. Quem está no exercício do mandato perdeu crédito. A sociedade despertou para seu poder. Desconfia e cobra mais dos políticos. Talvez Lula seja a exceção. Ele é uma referência no imaginário popular. Por isso, muitos pedem sua volta. O “Volta, Lula” é natural, mas não é bom para a política. O Brasil é uma democracia grande demais para ficar refém de um único nome. Esse movimento é ruim para Lula. Ele saiu do governo com 80% de aprovação. Não tem sentido pegar esse patrimônio e botar em teste, a não ser numa situação de absoluta desarrumação, e não é o caso. Definitivamente, a página do “Volta, Lula” foi virada.
ÉPOCA – Em 2010, a quinta maior votação da presidente Dilma foi na Bahia, com 71% dos votos. Agora, o deputado Rui Costa, que o senhor indicou como sucessor, patina nas pesquisas. A Bahia entregará a Dilma a vantagem dada em 2010?
Wagner – Por enquanto, na Bahia, nossas pesquisas mostram a presidenta Dilma com 75% das intenções de votos válidos. Ela é forte, mesmo com todos os problemas. As pessoas sabem da presença do governo federal em vários programas muito fortes na Bahia, como o Mais Médicos e o Bolsa Família.
ÉPOCA – Em 2007, em seu primeiro ano de governo, a taxa de homicídios dolosos era 24,8 por 100 mil habitantes. Em 2012, ela chegou a 38,5 por 100 mil. O que deu errado?
Wagner – Não é que deu errado. Temos uma escalada de violência no país inteiro. A curva é linear. Subiu no meu governo tanto quanto no anterior. No ano passado, pela primeira vez em duas décadas, houve uma inflexão na curva de crescimento dos homicídios dolosos. Tivemos uma queda de 7,8%. Hoje, temos uma estrutura de segurança mais profissional. Temos prêmio por desempenho policial, contratamos 14 mil homens, a frota da PM foi renovada e os policiais tiveram um aumento salarial de 60% acima da inflação.
ÉPOCA – Se houve tantas melhorias, por que o senhor enfrentou duras greves dos policiais?
Wagner – Porque a gente precisa melhorar mais. Há uma série de vícios na administração, e também existem erros de relacionamento. É uma questão que depende de regulamentação nacional. Defendo que a Polícia Militar, como linha auxiliar das Forças Armadas, não tem direito de abandonar a população a sua própria sorte. Portanto, não existe a figura da greve na PM. Não adianta falar que houve greve pacífica. A greve da polícia não pode ser pacífica, porque entrega o Estado aos bandidos.
ÉPOCA – Qual o ponto fraco de seu governo?
Wagner – Queria ter avançado mais justamente na segurança. Tentei fazer um planejamento no meu primeiro mandato, mas não tive êxito. Só consegui implantar o planejamento, o Pacto pela Vida, no segundo governo. Começamos a avançar, mas ainda não chegou a hora de colher os frutos que espero. É uma batalha difícil. O crack e a cocaína estão na raiz de 75% dos homicídios na Bahia.
ÉPOCA – O combate do tráfico de drogas é atribuição do governo federal. O aumento na taxa de homicídios na Bahia foi causado por uma falha nos trabalhos da Polícia Federal?
Wagner – Falta planejamento para o maior controle de fronteira. Não é um problema estadual. É um problema nacional. Se a gente não limitar a entrada de droga no país, os governadores ficarão enxugando gelo. Precisa ser um trabalho combinado entre a presidenta e os governadores. Ela sabe disso. O Brasil não produz um grama de cocaína. Vem tudo de fora.
ÉPOCA – A cocaína vem daqueles países com relações privilegiadas com o Planalto nas gestões petistas. Os governos Lula e Dilma não se empenharam tanto quanto poderiam em combater o tráfico de drogas desses países para o Brasil?
Wagner – Não faltou empenho, mas é preciso ampliar o esforço e endurecer o jogo. Não sei se você conseguirá parceria com os governos dos países produtores. Não é fácil, porque nossa fronteira seca é muito extensa.
ÉPOCA – O Brasil é leniente com a Bolívia?
Wagner – Se for isso, direi que o governo americano é conivente, porque muita cocaína é exportada para os Estados Unidos.
ÉPOCA – Mas os Estados Unidos têm uma relação mais rigorosa com os governos dos países produtores.
Wagner – A única política que se pode ter passa por uma parceria internacional. Os países precisam se integrar para substituir a plantação de drogas por outras atividades econômicas. É preciso dar alternativas para que as pessoas possam sobreviver de outra forma.
ÉPOCA – O que o senhor se orgulha de ter feito como governador?
Wagner – Do resgate social. Geramos 565 mil empregos, alfabetizamos 1,3 milhão de pessoas e levamos água a 4 milhões de baianos.
ÉPOCA – Muitos petistas querem que o senhor seja escolhido pela presidente Dilma como um dos coordenadores da campanha dela. Ela já o chamou?
Wagner – Coordenarei a campanha dela na Bahia. Vou me dispor a viajar para Brasília para ajudar na coordenação central. Agora, essa conversa de coordenador do Nordeste não existe. Cada Estado da região terá seu coordenador específico.
ÉPOCA – Se a presidente Dilma for reeleita, o senhor espera ser convidado para ser ministro?
Wagner – Nunca conversei com ela sobre isso. Ela não me fez proposta alguma. Não é correto conversar sobre isso antes da definição eleitoral. Mas, por causa da nossa ótima relação, é natural que as pessoas especulem que ela me chamará para trabalhar em algum ministério.
ÉPOCA – Um dos personagens principais da CPI da Petrobras será seu secretário de Planejamento, José Sérgio Gabrielli. Isso o constrange?
Wagner – Não. A chance de o Gabrielli ter culpa no cartório é zero. Ele disse que quer ficar no meu governo até o fim.
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sábado, 10 de maio de 2014

RELAÇÕES MINERAIS

Por Edson Sardinha, Congresso em Foco
Em audiência pública realizada na Câmara, o deputado Leonardo Quintão (PMDB-MG) admitiu uma prática que infringe uma regra pouco conhecida do Código de Ética da Casa: a que proíbe qualquer parlamentar de relatar proposta de interesse de empresas que tenham financiado sua campanha eleitoral. Relator do projeto do Código de Mineração, Quintão contou que recebeu recursos de mineradoras para sua eleição e que defendia os interesses do setor no Congresso. De acordo com o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), cinco mineradoras doaram R$ 379,7 mil para a campanha eleitoral do peemedebista em 2010. Por causa dessa ajuda, ambientalistas entraram nesta semana com representação na Câmara contra o deputado por quebra de decoro parlamentar.
Na presença de integrantes e convidados da Comissão de Meio Ambiente, em dezembro do ano passado, Quintão disse não ver nenhum conflito de interesse entre a doação e a relatoria do projeto. A declaração foi registrada em vídeo, divulgado esta semana na internet por ambientalistas. “Sou financiado, sim, pela mineração, legalmente. Alguns ambientalistas dizem: ‘você não pode ser relator porque é financiado pela mineração’. De forma alguma”, disse Quintão. “Não tenho nenhuma vergonha de ser financiado, dentro da lei, por mineradoras. Nosso projeto impede e inibe toda e qualquer especulação no setor mineral”, continua. “Eu defendo, sim, o setor mineral, respeitando as leis brasileiras”, acrescentou (veja trecho ou a gravação na íntegra, a partir de 1:29:07).
Representação inédita
De acordo com o inciso VIII do Art. 5º do Código de Ética da Câmara, fere o decoro parlamentar “relatar matéria submetida à apreciação da Câmara dos Deputados, de interesse específico de pessoa física ou jurídica que tenha contribuído para o financiamento de sua campanha eleitoral”.
O deputado virou alvo de uma representação inédita esta semana. Pela primeira vez, um parlamentar foi denunciado formalmente por relatar projeto que interessa a setor que financiou sua campanha. Pelo Código de Ética, a punição prevista para esse caso é a suspensão do direito de relatar qualquer proposição por determinado período, a ser determinado pelo Conselho de Ética. Procurada pelo Congresso em Foco, a assessoria de Leonardo Quintão informou que o deputado prefere não comentar o assunto.
Mas em entrevista à Agência Câmara, o deputado negou defender os interesses das mineradoras. Segundo ele, seu parecer foi contrário às empresas, pois aumenta de 2% para 4% sobre o faturamento líquido o valor a ser pago como royalties pelas empresas. Ambientalistas, no entanto, acusam o deputado de defender de “forma irredutível” os interesses das grandes mineradoras em prejuízo de populações indígenas e quilombolas.
De acordo com dados registrados no TSE, 20% dos R$ 2 milhões levantados pela campanha do deputado, em 2010, tiveram como origem doações da Acerlormittal, da Gerdau, da Usiminas, da Ecosteel e da LGA, empresas que atuam na área da mineração.
Prática perniciosa
Responsável pela representação, o advogado Raul do Valle, do Instituto Socioambiental (Isa), diz que o objetivo da denúncia é destituir Leonardo Quintão da relatoria do Código de Mineração e suscitar uma discussão aprofundada sobre a prática de parlamentares defenderem, no Congresso, interesses de setores que bancaram suas campanhas.
“Queremos abrir um precedente dentro da Câmara que possa moralizar a atuação do parlamentar frente os seus financiadores de campanha. Se nesse caso, tão óbvio e objetivo, a Câmara não tomar a decisão de retirá-lo da relatoria, que sirva de alerta para que casos equivalentes sejam revistos. É preciso acabar com essa prática perniciosa”, afirma.
Caberá ao presidente da Câmara, Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN), dar prosseguimento ou não à representação. Caso Henrique dê andamento, o caso será enviado ao corregedor, deputado Átila Lins (PSD-AM), que recomendará ou não à Mesa Diretora que envie o processo ao Conselho de Ética para a abertura do processo disciplinar.
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PODE CUSTAR CARO

A entrevista que o pastor/deputado Marco Feliciano (PSC-SP) concedeu à revista Playboy, em abril deste ano, pode lhe custar caro. A Convenção Fraternal Interestadual das Assembleias de Deus no Estado de São Paulo Ministério do Belém (Confradesp), entidade da qual Feliciano é associado, abriu um processo em seu Conselho de Ética para apurar alguns questionamentos sobre a entrevista do deputado à publicação especializada em fotos de mulheres nuas.
“Esse tipo de literatura não é o tipo que recomendamos para os nossos fiéis. Eu acho estranho que um pastor aparecesse numa revista dessa", diz o pastor Lélis Washington Marinhos, membro da mesa diretora da Confradesp. Marinhos diz que o que será questionado não é o conteúdo da entrevista, mas sim a participação de Feliciano em uma publicação de apelo sexual.
Durante o processo, Feliciano, que é presidente da Assembleia de Deus Catedral do Avivamento, sediada em Orlândia, no interior de São Paulo, pode ser convidado para prestar esclarecimentos e, no fim da investigação, pode receber uma advertência, uma suspensão, ou ainda perder o título de pastor. “O Conselho de Ética irá examinar se (a entrevista de Feliciano) faltou com alguma coisa que é contra os nossos princípios. Se algo for encontrado, o conselho pode tomar uma decisão que teoricamente pode chegar ao extremo”, explica Marinhos.
Na polêmica entrevista publicada no mês passado, Feliciano contou suas experiências com drogas na juventude e opinou sobre preferências sexuais. "Conheci a cocaína nos bailinhos, no fim dos 12 anos”, disse, ao afirmar que já experimentou drogas. "Só a cocaína. Eu tentei a maconha, mas engasguei, nunca conse­gui fumar nem cigarro. Não conseguia tragar. Com a cocaína era fácil”, disse.
O pastor, que ano passado travou uma guerra com movimentos pró-direitos homossexuais ao comandar a Comissão de Direitos Humanos da Câmara, admitiu que seja possível ter prazer com sexo anal. "Com certeza, tem homens que têm tara por ânus, sim", disse, mas negou que já tenha experimentado. "E espero nunca fazer, porque pa­rece que quem faz não volta mais”.
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A ARTE DE ARMAR

Por Dora Kramer, colunista de O Estado de S.Paulo
Com toda a deterioração das condições objetivas para que o governo dê como favas contadas a reeleição da presidente Dilma Rousseff, convém que os candidatos de oposição não se animem em excesso nem desconsiderem a hipótese de que a Presidência seja do PT mais uma vez, a partir de 2015.
O que se tem como impossibilidade é apenas a vitória no primeiro turno, coisa que o bom senso, o histórico e os dados de realidade jamais autorizaram como cenário real. Se nas últimas três semanas o quadro mudou em desfavor do governo, nos próximos quatro meses nada impede que se inverta da trajetória.
Competência e instrumentos para construir a viravolta os ocupantes do poder já demonstraram que têm. E ultimamente vêm dando sinais de que encontraram um caminho em busca da salvação.
Desde que começou a ganhar eleições, o PT faz o mesmo: escolhe uma ideia-força que seja simples de entender, soe prazerosa aos ouvidos da população e martela aquilo de modo a que represente a salvação e o adversário seja o retrato da danação.
Em 2002, "a esperança venceu o medo". Esperança de quê? "De que um mundo diferente é possível". Em 2006, a oposição venderia a preço de banana todo o patrimônio do País, Petrobrás à frente. Em 2010, "a primeira mulher a governar o Brasil" levaria o País ao prometido futuro devido aos atributos de gestora excepcional.
Vencidas as validades desses slogans, hoje se prepara um novo roteiro, já posto em execução, com base na ideia-força da luta do bem contra o mal. Não se pode desprezar a eficácia dessa dicotomia.
Por ela, a presidente Dilma seria a representação de um horizonte confortável, com a continuidade das benesses dos últimos anos, sem crises nem remédios amargos. A oposição, por sua vez, que só fala em crise, na necessidade de se tomar medidas impopulares, representaria uma ameaça ao conforto proporcionado pelos governos do PT.
Aos ouvidos de plateias que dispõem de informações sobre o que vem por aí, o discurso até soa artificial. Mas, para a maioria não é assim. Para esse eleitorado, vale mais uma doce promessa na mão que a perspectiva de amargura voando.
É nessa arena que a oposição será desafiada. E por ora não parece preparada para responder.
Sem retoque. Ao dizer em entrevista à Folha de S. Paulo que a candidatura do senador Aécio Neves "tem cheiro de derrota no segundo turno", a candidata a vice-presidente da chapa do PSB, Marina Silva, foi apenas Marina Silva cumprindo o papel que lhe cabe na parceria estabelecida em moldes muito claros em termos de personalidade política e representatividade social.
Adversária dos tucanos, com a vida pública construída no PT até a saída do governo Lula e ocupando um espaço que vai muito além do papel de mera coadjuvante, natural que Marina marque seu território junto ao eleitorado.
Foi com a ideia de agregar essas forças que em 2010 já não quiseram se aliar ao PT nem ao PSDB que o ex-governador Eduardo Campos recebeu com entusiasmo a filiação de Marina, quando a Rede de Sustentabilidade não obteve registro na Justiça Eleitoral.
No momento em que o candidato do PSDB sobe nas pesquisas, o movimento do terceiro colocado é se diferenciar para disputar. Se não o fizer, transforma-se numa sombra daquele que pode até não ser o inimigo principal (não é quem se tenta afastar do poder), mas não deixa de ser um oponente.
A reclamação tucana de que Marina está "levando água para o moinho do PT" só faz sentido pelo desejo de que os colegas de oposição participem da campanha na condição de linha auxiliar. Na disputa para valer, ao dizer que Campos é o único em condições de derrotar o governo, Marina leva água para onde deve levar: ao moinho do PSB. Para onde mais?
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sexta-feira, 9 de maio de 2014

BELAS E PODEROSAS

Eleitas pelo povo, lindas e poderosas! Algumas políticas brasileiras reúnem atributos que vão além da competência no exercício de tarefas dos cargos eletivos que ocupam e se destacam pela beleza. Você provavelmente conhece belas mulheres que ocupam cargos no Executivo e no Legislativo nacionais, mas o R7 escalou uma seleção de muito respeito. Veja nas fotos a seguir:
A senadora Gleisi Hoffmann (PT-PR) é considerada uma das mulheres mais bonitas da política. Gleisi completa 49 anos em setembro e chama a atenção tanto pela beleza como pela contundência de suas colocações e posicionamentos.
No governo Dilma Rousseff, ela atuou como chefe da Casa Civil até o início deste ano, quando precisou se desvincular do cargo no primeiro escalão para disputar as eleições em outubro. Gleisi vai se candidatar ao governo do Paraná.
Longe do ministério e de volta ao seu gabinete de senadora, Gleisi atua como uma verdadeira defensora das políticas da presidente. Nos bastidores, ela é considerada a porta-voz de Dilma dentro do Senado. Mesmo sem ocupar o cargo de líder do governo, é ela que vem se movimentando para defender os interesses do Planalto no Congresso, relembre alguns dos posicionamentos da senadora contra críticos do governo.
A bela é casada com outro poderoso da política. Gleisi é mulher de Paulo Bernardo, atual ministro das Comunicações. Os dois têm um casal de filhos. Apesar do casamento bem-sucedido, Gleisi confessou, em entrevista à imprensa assim que assumiu o cargo de ministra, que chegou a pensar em ser freira durante a juventude.
A deputada federal Manuela D'Ávila (PCdoB-RS) também arranca suspiros nos corredores da Câmara dos Deputados. Aos 32 anos, ela está no segundo mandato e integra a lista dos cem políticos mais influentes do Congresso.
Integrante da nova geração de políticos, a deputada é formada em jornalismo e, desde os 16 anos, milita no movimento estudantil. Aos 23 anos foi eleita a mais nova vereadora de Porto Alegre e, em 2007, tomou posse na Câmara Federal.
Manuela é reconhecida no Parlamento por sua habilidade como articuladora — com excelente trânsito nas diversas correntes políticas e facilidade de interpretar o pensamento da maioria, o que cria condições para formação de um consenso e de acordo para votações.
A prefeita de Cardeal da Silva (BA), Maria Quitéria (PSB), chama a atenção tanto pelos atributos físicos como pelo cargo central que ocupa na política de sua região.
Aos 35 anos, Quitéria está pelo segundo mandato consecutivo à frente da prefeitura de Cardeal da Silva. A bela prefeita é casada e mãe de dois filhos.
Nas redes sociais, ela divulga fotos das viagens que faz a Brasília para pedir apoio para as demandas das cidades baianas. Nesta foto, publicada em seu perfil no Facebook, ela está com o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), e atualiza os seguidores sobre o motivo do encontro.
Quitéria é formada em administração e direito. Sua primeira atuação no cenário político do Nordeste foi como secretária de Cultura e Turismo na cidade histórica de Penedo (AL).
A deputada do Distrito Federal Celina Leão (PDT) também chama a atenção pela beleza. Em um concurso promovido por uma revista masculina, a loira ficou entre as três mulheres mais bonitas a pleitear um cargo eletivo em 2010 e é considerada musa da Câmara Legislativa do Distrito Federal.
Assim que Celina assumiu o mandato, sua personalidade forte também começou a se destacar. Aos 37 anos, Celina está em seu primeiro mandato e ela nunca havia ocupado nenhum cargo eletivo antes.
A deputada admite que é vaidosa e conta que, sempre que arruma um tempo para cuidar dos cabelos e da pele, é em casa mesmo. Mas, apesar de toda essa preocupação com a aparência ela garante: “Eu viro bicho no plenário se for preciso”.
A jovem morena dos olhos castanhos é prefeita da cidade de Prado (BA). Além da beleza, Mayra Brito (PP) chama a atenção pelo protagonismo político mesmo sendo tão nova. Com apenas 27 anos, ela foi eleita com 8.600 votos dos eleitores. Ela vem de família tradicional na política da região e os admiradores podem perder as esperanças: a bela prefeita é casada.
Clarissa Garotinho, deputada estadual do Rio de Janeiro pelo PR, é filha do deputado federal Anthony Garotinho (PR-RJ) e da prefeita de Campos dos Goytacazes (RJ), Rosinha Garotinho.
Clarissa tem 31 anos e foi eleita deputada estadual do Rio em 2010, com mais de 118 mil votos — a mulher mais votada em todo o Estado.
A bela deputada começou sua carreira política aos 26 anos, como vereadora da cidade do Rio de Janeiro. Mas, na faculdade, já havia iniciado sua atuação no movimento estudantil e foi diretora da UNE (União Nacional dos Estudantes).
Com sobrenome famoso no mundo da política, a deputada Bruna Furlan (PSDB-SP) também se destaca como uma das beldades do Parlamento.  Formada em direito, Bruna está em seu primeiro mandato na Câmara dos Deputados.
Bruna é filha de Rubens Furlan, que já foi vereador e prefeito de Barueri (SP), além de deputado estadual em São Paulo e deputado federal.
Aos 31 anos, ela é autora de propostas que sugerem desde a instalação de creches noturnas em todo País até a implantação da Universidade Federal de Barueri — sua cidade natal.
A ministra da Cultura, Marta Suplicy, também faz sucesso com os olhos azuis. Ela é sexóloga e ganhou destaque na política por defender os direitos das mulheres e dos homossexuais.
Marta foi deputada federal, prefeita de São Paulo e ministra do Turismo. Atualmente, está licenciada do Senado para chefiar o Ministério da Cultura. Famosa pelos vestidos, terninhos e tailleurs que compõem seu guarda-roupa, Marta foi casada com o senador Eduardo Suplicy (PT-SP) com quem teve três filhos.
A prefeita de Parambu (CE), Keylly  Noronha, também arranca suspiros por onde passa. Aos 32 anos, ela comanda a prefeitura após vencer as eleições de 2012.
Keylly também é de família tradicional na política do Ceará. Ela foi vice-prefeita no mandato anterior, auxiliando o trabalho de Genecias Noronha (SDD-CE), que atualmente é deputado federal e padrinho político da bela prefeita. Do R7.
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A VOLTA DO RETORNO

Artigo de Fernando Gabeira, publicado no jornal O Estado de S.Paulo
"Cuidado com a volta do retorno."
Quem me dizia sempre isso era Marinho Celestino, um cabeleireiro capixaba que estudou cinema em Paris e morreu no Brasil. Não sei se queria expressar com isso a circularidade do tempo ou se usava a expressão apenas para advertir os perigos de uma recaída. O movimento "Volta, Lula" sempre me lembra a expressão de Marinho Celestino: a volta do retorno, uma espécie de bumerangue.
Durante um tempo, ele se comportou apenas como um ex-presidente. Achei que merecia o habeas língua que sempre conferimos àqueles que já cumpriram sua tarefa. Clarice Lispector, num belo conto chamado Feliz Aniversário, conta a história de uma festa para a mulher que fazia 89 anos e de quem todos queriam arrancar uma palavra. A velha permaneceu calada, apesar de muitas provocações, até que, no final da festa, resolveu falar só isto: "Não sou surda!".
Para mim, Lula ainda é um jovem. Desenvolvi uma tolerância a suas frases e, em certos momentos, até me diverti com elas. Era só um ex-presidente, com direito a parar de fazer sentido.
Agora, que querem lançá-lo de novo à Presidência, é preciso ter cuidado com a volta do retorno. Não me preocupa tanto que tenha dito que o julgamento do mensalão foi 80% político e 20% técnico. Lula aprendeu, ao longo destes anos, a usar os números para tornar a mentira convincente. Se o apertarmos num debate, ele vai conceder: "Está bem, então 79% político, 21% técnico". Ele sabe que números quebrados convencem ainda mais que os redondos. O que me preocupou mais nessa entrevista aos portugueses foi ele ter encarnado o espírito de salvador, um arquétipo da nossa cultura luso-brasileira, um Dom Sebastião.
Ele disse que, apesar do que noticiavam os jornais, TV e oposição, o povo sempre olharia nos seus olhos e acreditaria na sua verdade. Isso implica uma visão pobre da democracia e, sobretudo, do povo. Como se as pessoas fossem completamente blindadas diante do debate nacional, como se não fossem curiosas, não formassem opinião por meio da troca de ideias, como se não estivessem constantemente reavaliando suas crenças com novos dados.
Nessa frase de Lula, o povo só se acende com o seu olhar hipnótico e é nele que procura a verdade, não nos fatos e nas evidências que se desdobram.
Cuidado com a volta do retorno. A realidade mostra que as pessoas avançaram, que valorizam melhorias materiais, mas pedem também mais do que isso. Seria interessante para o PT e para o próprio Lula darem uma volta pelas ruas do Brasil e tentar a fórmula olho no olho. No mínimo, vão se desapontar.
Lula não conseguiu, com olhar magnético, convencer o povo brasileiro de que a Copa foi uma decisão acertada num país com tantas dificuldades. Tanto ele quanto Gilberto Carvalho ficam perplexos diante das críticas. Como é possível não celebrar a Copa no Brasil?
Neste caso, a fantasia de uma identificação mítica com o povo vai para o espaço. Como restaurá-la? Com olho no olho?
O olhar número cinco falhou. A única saída é partir para outros truques, como, por exemplo, fazer com que os copos se movam sozinhos nas mesas, como naquelas sessões espíritas no princípio do século 20.
Na entrevista em Portugal, Lula procurou explicar também por que o povo olhava no seu olho e o apoiava. Mencionou, mais uma vez, a história da mãe que o aconselhou a andar sempre de cabeça erguida. Um conselho de mãe e o olho no olho são os talismãs que o protegem de todas as acusações, que lhe dão força, inclusive, para proteger em seu governo grandes e pequenos bandidos da política nacional. Não e à toa que alguns ratos começam a abandonar o navio da candidatura Dilma. Eles anseiam também por migalhas desse poder de Lula, querem se esconder embaixo do manto protetor.
E Dilma, ou o fantasma dela, apareceu na televisão. Gostei da maquilagem, do tom da pele, embora para muitos ela estivesse um pouco pálida. Os profissionais trabalharam bem no rosto, no penteado e mesmo nas ideias do texto. Você querem mudança? Nós somos a mudança.
Está chegando um tempo em que o abuso das palavras perde sua elasticidade. Um tempo em que a onipotência de um suposto magnetismo tem de descer ao mundo dos debates, do choque de ideias, da avaliação permanente dos rumos do País. É o ocaso da magia. Da cartola, saem apenas os velhos e combalidos coelhos: aumento da cesta básica, modesta redução no Imposto de Renda.
O naufrágio se define com a perda do horizonte. Mesmo o famoso mercado parece esperar a derrota de Dilma. Quando cai nas pesquisas, a Bolsa sobe. Mas nem sempre o mercado tem razão diante da política. Senão, substituiríamos o debate parlamentar pelo grito dos corretores na Bolsa. Realizar uma política social generosa, muitas vezes, bate de frente com o mercado. Só é possível levá-la adiante, de fato, num quadro econômico de crescimento sustentável. E parece existir no mercado a compreensão de que a atual política econômica está fracassando, de que Dilma foi má administradora em campos vitais, como a energia, e incompetente para deter a degradação da Petrobrás.
Não sei como Dilma e Lula vão se apresentar na campanha. Ele vai precisar de uma lente de contatos para mudar a cor dos olhos, em caso de necessidade. Dilma não poderá repetir apenas o que escrevem os marqueteiros. Ela apenas registrou que os ratos abandonavam o barco, mas não se perguntou em nenhum momento por que o barco começa a afundar.
No debate, os dois, cada um com seu estilo, vão ter de explicar o que fizeram do Brasil, que se vê agora sugado pela corrupção, gastando fortunas com as obras de uma Copa trazida pela visão megalomaníaca de Lula. Na África do Sul, ele até convidou atletas estrangeiros para se mudarem para o Brasil porque haveria tanta competição esportiva que nossas equipes não seriam capazes de disputar todas.
Nada como esperar a campanha presidencial de 2014. Por enquanto, o discurso do governo é 80% mentira e 20% malandragem.
Fernando Gabeira, jornalista, escritor e ex-deputado federal.
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MUDANÇA À VISTA

Diminuiu a chance de a presidente Dilma Rousseff vencer no primeiro turno a eleição de 5 de outubro. Uma das principais razões foi o crescimento das intenções de voto do pré-candidato do PSDB, o senador Aécio Neves (MG).
Segundo o Datafolha, no cenário mais provável a petista teria hoje 37% das intenções de voto e os outros candidatos estariam com 38%, somados. É uma situação de empate técnico, pois a margem de erro da pesquisa é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos.
O levantamento do Datafolha foi feito ontem e anteontem com 2.844 entrevistas, em 174 municípios do país.
Apesar de ter variado na margem de erro, a curva de Dilma não é estável. Ela tem recuado gradualmente nos levantamentos do Datafolha --enquanto seus dois principais rivais estão em ascensão.
No cenário hoje mais provável para a disputa de outubro, liderado por Dilma com 37%, o segundo colocado é Aécio, com 20%. Ele tinha 16% no início de abril. O tucano ganhou quatro pontos e apresentou a maior variação entre todos os candidatos.
O terceiro colocado é Eduardo Campos (PSB), que registrou 11% agora e também apresenta curva ascendente, sempre dentro da margem de erro --tinha 10% em abril e 9% em fevereiro. O pessebista é conhecido muito bem ou um pouco por 25% dos eleitores. Essa taxa é de 86% para Dilma e de 42% para Aécio.
Segundo o Datafolha, 16% dos entrevistados dizem que votariam hoje em branco, nulo ou em nenhum dos candidatos. Outros 8% declaram que ainda estão indecisos.
Dilma e o PT fizeram um esforço nos últimos dias para estancar sua perda de popularidade e frear o movimento pela volta do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva como candidato a presidente.
Segundo o Datafolha, 58% dos eleitores acham que Lula deveria ser o candidato do PT. Entre os que declaram preferência pelo partido, 75% dizem preferir Lula como candidato nas eleições deste ano.
Embora a variação de suas intenções de voto tenha sido negativa, Dilma ficou dentro da margem de erro da pesquisa. A aprovação ao governo (soma de quem acha o governo "ótimo" ou "bom") hoje é de 35%. Há um mês, era 36%.
Um aspecto positivo para a presidente é que as expectativas econômicas dos eleitores pararam de deteriorar.
Mas continuou a crescer o anseio do eleitorado por mudanças. Hoje, 74% dos eleitores dizem querer mudanças na forma como o país é governado. Para 38%, Lula é o mais preparado para fazer essas mudanças. Dilma foi citada por 15%. Ela tinha 16% há um mês e 19% em fevereiro.
Aécio e Campos melhoraram seu desempenho de fevereiro para cá. Há cerca de dois meses, o tucano era apontado como o mais preparado para fazer mudanças por 10% dos eleitores. Agora, 19% pensam assim. Campos era apontado por 5% e agora tem a simpatia de 10%.
O bloco dos nanicos é liderado por um ex-apoiador do PT e de Dilma, o candidato Pastor Everaldo (PSC), que tem 3% das intenções de voto e está empatado tecnicamente com os outros nanicos.
Eduardo Jorge (PV), José Maria (PSTU), Denise Abreu (PEN) e Randolfe Rodrigues (PSOL) registraram 1% cada um. Eymael (PSDC), Levy Fidelix (PRTB) e Mauro Iasi (PCB) tiveram menos de 1%.
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TOMANDO CIÊNCIA

Artigo de Marina Silva, publicado na Folha de S.Paulo
Na próxima semana estarei em Fortaleza, na 3ª Conferência Internacional sobre Adaptação Climática, que reúne cientistas e organizações usuárias de informações sobre mudanças climáticas.
Este ano, além dos cenários mostrados nas pesquisas recentes, o encontro vai explorar abordagens práticas e estratégias para tomada de decisões. A capacidade de tomar decisões é cada vez mais exigida num mundo de urgências e emergências.
No Brasil, os exemplos são claros. São Paulo está no limite do abastecimento de água e energia, Rondônia e Acre com grandes prejuízos causados pelas enchentes. Tais situações, como outras vividas nas várias regiões do país, ano após ano, denunciam nosso atraso estratégico.
Quem acompanha as negociações internacionais sabe que todos os governos se atrasaram. O último grande fiasco foi aqui mesmo, na Rio+20, que apenas adiou as decisões urgentes para deter o aquecimento global.
Mas a crise se agravou a olhos vistos e novas pesquisas mostram isso em detalhes. Ainda ontem foi anunciado que passamos todo o mês de abril acima do limite simbólico de 400 ppm (partes por milhão) de gases do efeito estufa na atmosfera. O sinal amarelo está ficando vermelho.
Estados Unidos e Europa já reconhecem o impacto das mudanças climáticas sobre suas economias. A China iniciou um gigantesco programa de plantio de árvores e a mudança de sua matriz energética.
Também no Brasil precisamos encarar a realidade.
É triste ver desastres repetidos por falta de políticas de adaptação e mitigação. Há poucos dias, a Fapesp divulgou o alerta do pesquisador José Galizia Tundisi: o desmatamento nas margens dos rios, além de reduzir os recursos hídricos, afeta a qualidade da água e torna 100 vezes mais caro seu tratamento.
Isso contradiz a falsa idéia de que o meio ambiente é entrave ao desenvolvimento. Ocorre exatamente o contrário: os prejuízos e atrasos se devem ao descuido com a sustentabilidade ambiental.
Mas permanece a generosa contribuição dos cientistas, ambientalistas, ativistas sociais, povos, comunidades e empresas com responsabilidade socioambiental. Há projetos e ações em todos os setores: energia, transporte, habitação, tecnologia, tudo o que pode resultar em políticas públicas, em decisão de Estado.
Gostaria de encontrar, com os cientistas em Fortaleza, políticos de todos os partidos, governantes do país, dos estados e municípios. Digo sempre: a sustentabilidade não é bandeira de um partido ou governo, é necessidade de sobrevivência que resulta num imperativo ético, um valor universal.
A ciência procura a política para um compromisso visando o futuro.
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quinta-feira, 8 de maio de 2014

MEU PASSADO ME CONDENA

Estados Unidos - Os ideais do politico conservador norte-americado Steve Wiles foram colocados em xeque. O candidato ao senado, que é religioso e declaradamente contra o casamento homossexual, já foi drag queen.
O caso foi revelado pelo dono da boate onde Wiles trabalhou, a Odyssey. Na época, o político atendia por "Miss Mona Sinclair", segundo o jornal Winston-Salem Journal .
"Quando vi a foto dele em uma matéria de jornal não tive dúvidas que era ele. Acho que ele é uma mentira", contou Randy.
O político chegou a ajudar a promover uma das edições do Miss Gay Americano.
"Independentemente do que eu tenha feito nos meus 20 anos, lembrem-se de votar hoje, votem com os conservadores e orem depois", falou o político no Facebook.
"Acho que todos têm direito de fazer suas próprias escolhas. Para mim, de um ponto de vista religioso, para minha vida, não era algo que eu queria continuar fazendo", declarou em entrevista ao site Business Insider .
"É claro que foi embaraçoso, mas você supera e faz de você quem você quer ser e é nesse ponto que estou agora", completou.
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DISCURSO CONTUDENTE

No último domingo (4), como parte da programação da Parada LGBT de São Paulo, aconteceu a coletiva de imprensa que contou com a presença do prefeito de São Paulo, Fernando Haddad (PT); do governador Geraldo Alckmin (PSDB), de Fernando Quaresma, presidente da Associação da Parada LGBT de SP (APOLGBT), e da ministra dos Direitos Humanos Ideli Salvatti, que realizou um dos discursos mais contundentes na ocasião e que pouca repercussão teve na imprensa.
Salvatti iniciou a sua fala levantando a necessidade de se criminalizar a homolesbotransfobia. “É difícil falar disso, e mais difícil é combater. Por que?”, questionou a ministra. Posteriormente, Salvatti comentou a respeito da disputa de poder em torno da agenda LGBT. “Quero aqui deixar muito claro que a compreensão que nós temos, enquanto governo da presidenta Dilma Rousseff e enquanto secretaria de Direitos Humanos é de que essas lutas e essa disputa, tanto na sociedade, no Congresso Nacional, no poder Judiciário, pelo direito de cada um ser o que é, para cada um poder exercer aquilo que acredita e que é da sua naturalidade e essência, é uma briga de poder. Isto é uma briga de poder”, comentou.
Para a ministra, se trata, no fundo, de uma luta contra o patriarcado. “É de poder, para ser exercido em nome e a favor de todos ou em nome e a favor de poucos. E ela tem muitas facetas. Muitas. O machismo é uma delas. O racismo é uma delas. O patrimonialismo é uma delas. A violência contra trans e lesbo é também uma delas. O poder, infelizmente, é homem, branco, rico e hétero. O poder é isto, no nosso país (mas a presidenta da república é Dilma Rousseff), e é por isso que a gente tem que cotidianamente trabalhar, disputar e avançar”, disse Ideli Salvatti.
A representante dos Direitos Humanos da presidência da República, afirmou que o governo luta contra as opressões às minorias e que é por esse motivo que se faz presente na Parada LGBT. “É por isso que existe o trabalho que a Secretaria de Direitos Humanos faz, com o Disque 100. Estamos hoje com a campanha “não guarde no armário“. Denuncie, disque 100, para a gente poder ter a dimensão exata do que acontece na nossa sociedade, de onde estão os focos, como a gente trabalha”, convocou a ministra.
Idlei Salvatti também tocou no assunto que sempre gera polêmica, a necessidade de fazer com que a Parada LGBT de São Paulo tenha ressonância política. “Nós temos, juntos, um grande desafio. Vocês colocam 2 milhões, 3 milhões de pessoas na rua. Nós precisamos transformar isso em votos no Congresso Nacional, para a gente poder aprovar. Porque a disputa do poder, essa imagem de poder de homem, branco, rico, hétero, está instalada lá. Nós temos que disputar lá”, criticou a ministra.
Ainda em sua explanação, Salvatti, que já foi deputada e senadora, comentou das dificuldades de se combater as forças conservadoras no Congresso e aprovar projetos de lei que visem ajudar os setores historicamente humilhados. “Quero dizer isso com muita tranquilidade, porque fui parlamentar. Fui deputada estadual, senadora e sei o quanto é difícil aprovar qualquer lei para combater essa visão de poder para poucos. Não pense, hoje a gente tem uma Lei Maria da Penha, mas foi um sufoco aprovar. Nós temos legislação contra o racismo, foi um sufoco. Estamos com a PEC contra o trabalho escravo tramitando há anos, e não conseguimos aprovar ainda”, relatou a ex-parlamentar.
Para Salvatti, as diferentes formas de opressões são “tudo face da mesma moeda”. “É por isso que temos uma parada, um processo eleitoral pela frente, onde temos indiscutivelmente que pautar essa discussão, mas não uma discussão setorializada. Ah, este segmento da sociedade sofre violência e discriminação… Não. Todos aqueles que não são sequer parecidos com a imagem do poder são discriminados e, portanto, temos que trabalhar em conjunto, na mesma visão, de defender um país governado para todos em nome de todos, e acabar com aquele sentimento que infelizmente ainda está na sociedade”, analisou.
Da revista Fórum
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OS CAVALOS DE REQUIÃO

O Ministério Público se movimenta para esclarecer o uso de dinheiro público no tratamento dos cavalos do senador Roberto Requião (PMDB) quando ele era governador entre 2003 e 2010.
Eram 15 cavalos que ficavam na Granja Canguiri, residência oficial do governo na época, e eram tratados às expensas do Estado.
Após se afastar do governo em abril de 2010, os cavalos foram transferidos ao Haras Rio Verde em Campo Largo. Os animais preferidos de Requião eram os cavalos Proletário, JG, 110 e as éguas Bolivariana e Benedita.
Do blog Olho Aberto Paraná
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