sexta-feira, 17 de abril de 2015

MUDANÇA PARTIDÁRIA

O vereador paulistano, Netinho de Paula após passar alguns invernos no PC do B, desemborcou no PDT, comandado pelo ex-ministro do Trabalho, Carlos Lupi. A estreia de Netinho aconteceu nesta semana nas inserções do partido no rádio e na tv, em São Paulo.
Enquanto esteve no PC do B, Netinho se envolveu em alguns escândalos. No ano passado, Netinho então secretário da Secretaria de Promoção da Igualdade Racial do município de São Paulo, virou réu, acusado de ter usado notas fiscais frias para desviar verbas de seu gabinete enquanto era vereador.
Neste ano, Netinho voltou aos holofotes dos escândalos, o vereador usou verba a que tem direito como parlamentar para custear parte das despesas que assumiu nas eleições passadas, quando foi candidato a deputado federal.
De acordo com a prestação de contas realizadas por ele, ao menos R$ 27, mil foram repassado à empresa PN Mídia, em 2014 para pagar serviços de criação e elaboração do site da campanha. Sem o menor constrangimento, Netinho enviou à Câmara pedido de reembolso pelos gastos que teve com a PN Mídia.
Como justificativa para deixar o partido comunista, o vereador alegou “falta de espaço” na legenda. No PDT, Netinho não esconde o desejo de assumir a presidência municipal da sigla.
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EDUCAÇÃO EM BAIXA

O governador de Minas Gerais, Fernando Pimentel (PT), acabou com mais uma iniciativa implantada no estado nos últimos anos: a Escola em Tempo Integral. Criada em 2007, durante o governo Aécio Neves (PSDB), a iniciativa surgiu para suprir dificuldades de aprendizado de alunos carentes.
O programa estava presente em mais de 1.700 escolas em todas as regiões de Minas Gerais e, com a posse do novo governador, uma das primeiras iniciativas da Secretaria de Educação foi por fim ao programa.
Questionada pelos pais dos alunos, a secretaria informou que está reformulando as políticas educacionais do Estado. No projeto, entre as atividades oferecidas nas escolas após as aulas, estavam práticas esportivas, capoeira, aulas de música, teatro, cibercultura e trabalho em hortas escolares, além de acompanhamento pedagógico.
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HOSPITAL DE PORTAS FECHADAS

Cid Gomes e seu irmão Ciro inauguram no final de dezembro o Hospital Regional do Sertão Central, em Quixeramobim (CE). Cid era governador do Ceará e, Ciro, secretário de Saúde.
As portas foram abertas e... fechadas. Tocada pela empreiteira Fujita, a obra teve um custo de R$ 88 milhões. A construtora foi doadora da campanha do atual governador, Camilo Santana (PT), apoiado pela dupla do PROS.
Da IstoÉ
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quinta-feira, 16 de abril de 2015

OS BRASILEIROS COMEÇARAM A CORTAR GASTOS COM COMIDA

Deixar de comprar o carro que tanto ambicionava, dói. Mas passa. Deixar de comprar eletrônicos, como um novo modelo de celular, por exemplo, também dói. Ainda assim passa. O duro é cortar no que se come.
Isso já começou a acontecer com os brasileiros, segundo pesquisa de mercado feita pelo consultoria Nielsen, especializada em consumo.
Come-se menos pão, macarrão, peixe enlatado e açúcar. Até o iogurte, símbolo da prosperidade da classe C, come-se menos.
Na média, noticia O Estado de S. Paulo, as compras de alimentos ficaram praticamente estáveis nos três primeiros meses deste ano, registrando-se uma queda de apenas 0,1% se comparado ao mesmo período do ano passado.
Ocorre que o mercado estava costumado a fortes altas nos últimos 12 anos de governos do PT. Nos primeiros três meses de 2004, as vendas cresciam nessa época do ano 5,9%.
Causas do aperto do cinto? Inflação e medo do desemprego.
No país da propaganda de Dilma durante a campanha eleitoral, nada disso aconteceria. Nada.
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PEDE PRA SAIR

Da coluna Expresso, Época
Os maçons brasileiros deixaram os segredos de lado e enviaram ao Palácio do Planalto uma carta destinada à presidente Dilma Rousseff pedindo sua renúncia.

Em tom agressivo, a mensagem chama a chefe do Executivo de mentirosa, diz que está vilipendiando o povo brasileiro e afirma que o PT é partido de quadrilheiros.

Na carta, exige que os recursos públicos sejam aplicados sem má fé, sem negligência ou incompetência.
A mensagem pede reforma no governo com a redução do tamanho da máquina administrativa, transparência na aplicação dos recursos públicos, o fim do “aparelhamento” do PT de cargos no Judiciário e até a saída do ministro Dias Toffoli, do STF e TSE, da turma que vai julgar o petrolão.

Os maçons dizem na carta que a presidente perdeu o respeito dos brasileiros. Estima-se que existam quase 300 mil maçons no País.
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LIBERDADE ECONÔMICA: QUEM TEME ?

Por Caio Rocha, professor de História, via Facebook
O pensamento 'neo' liberal é desconhecido por muitos e devido a panfletaria de partidos trabalhistas ou de 'intelectuais' de cunho marxista em seus verminosos blogs, naturalmente espera-se que o conjunto da sociedade o rechace sem conhecer os propósitos mais elevados que esta categoria de pensamento defende. Farei uma breve exposição sobre isto:
Ampla liberdade econômica se traduz em redução do caráter interventor e regulador do Estado. Neste cenário, as forças econômicas privadas florescem, se desenvolvem e absorvem milhões outrora excluídos da sociedade de consumo.
A concorrência plena entre empresas de um mesmo segmento permite que os empresários ofereçam às massas produtos com maior qualidade e menor preço ficando sua margem de lucro condicionada à quantidade de bens adquiridos pela coletividade e não ao exorbitante preço cobrado por unidade, como acontecia em épocas pré-capitalistas onde um sapateiro, devido às limitações técnicas, produzia poucos pares de sapatos ao mês e o vendia por um preço caro, acessível somente aos nobres.
O processo de modernização do modo e das relações de produção iniciado há 2 séculos e que persiste firme e forte em tempos atuais permitiu que milhares ou milhões de pessoas pudessem adquirir produtos outrora acessíveis aos de maior poder aquisitivo. Viu-se o capitalista forçado a reduzir custos de produção e terceirizar suas operações para que obtivesse o máximo ganho de competitividade e lucratividade.
O mercado laboral tornou-se dinâmico e a renda per capita dos países industrializados cresceu. No Brasil, o liberalismo está pouco à pouco desabrochando em um cenário onde Estado comporta-se como um agente econômico onipresente atuando em áreas diversas: ramo do crédito (Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal, Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social), ramo petrolífero (Petrobrás, Br Distribuidora), ramo elétrico (eletrobras, eletronuclear).
Em nenhum destes ele atinge sua eficiência pois sua finalidade não é brincar de empresário. Cito um caso específico: o ramo petrolífero. O que ganha o Brasil com o monopólio virtual da Petrobrás, que concentra a maior parte da produção e distribuição de combustíveis? A quem ela interessa? A nós, com certeza não, pois pagamos alto pelo seu produto em decorrência de sua má gestão.
Vale salientar que no mercado internacional, o preço da gasolina despencou consideravelmente. Se existissem outras empresas do porte desta semiestatal atuando em nossas terras, as leis de mercado seriam impiedosas com ela e fatalmente teria de se tornar cada vez mais racional em sua governança para oferecer combustível com preço justo.
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SEM COMEMORAÇÃO

Charge do Cazo

O segundo governo Dilma chega aos seus 100 primeiros dias sem ter o que comemorar. A desarmonia entre o governo e o Congresso é geral.

A presidente Dilma sem força política, refém da base aliada, principalmente do PMDB, ela terceirizou o governo, entregando a coordenação política para o vice Michel Temer.

A terceirização branca de Dilma é evidente: Michel, Renan Calheiros e Eduardo Cunha, dão as cartas. São eles que decidem o que entra ou não em pauta. Enquanto isso, Dilma e seu PT são sucumbidos.

O jogo está meio embolado, em seu quarto mês de governo, Dilma já fez substituição em seu time que começou jogar no dia 1º de janeiro; cinco ministros já deram adeus ao governo. É praticamente um ministro por mês.
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ENQUANTO ISSO...

Charge do Izânio
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quarta-feira, 15 de abril de 2015

ATRÁS DAS GRADES

O tesoureiro do PT, João Vaccari foi preso nesta quarta-feira (15), na 12ª fase da Operação Lava Jato. O petista foi detido na casa dele, em São Paulo, e transferido para a sede da Polícia Federal em São Paulo.
No final da tarde, o PT lançou uma nota na qual diz que a prisão de Vaccari é desnecessária e reitera a confiança no tesoureiro. O PT também anunciou o afastamento – agora ? – de João Vaccari da tesouraria do partido. 
A prisão do agora ex-tesoureiro pegou a alta cúpula do partido de surpresa. Mas por que será que ficaram surpresos? Vaccari é o segundo tesoureiro do PT que vai parar atrás das grandes, antes, Delúbio Soares, condenado no escândalo do Mensalão foi para o xilindró.
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terça-feira, 14 de abril de 2015

CASERNA PLANFETÁRIA

Por Caio Rocha, professor de História, via Facebook
Alguém tem dúvida de que o endeusado "patrono" da educação nacional, o Sr. Paulo Freire foi apenas um mero doutrinador marxista que concebia a escola como uma caserna panfletária para formar novos soldadinhos a atuarem na fratricida luta de classe que supostamente move a história e antagoniza de maneira virulenta pobres e ricos? Vejamos uns trechos do pensamento de Freire que se coadunam bastante com o marxismo revolucionário, extraídos de Pedagogia do Oprimido:
“aos esfarrapados do mundo e aos que neles se descobrem e, assim descobrindo-se, com eles sofrem, mas, sobretudo, com eles lutam”.
"A violência dos opressores que os faz também desumanizados, não instaura uma outra vocação – a do ser menos. Como distorção do ser mais, o ser menos leva os oprimidos, cedo ou tarde, a lutar contra quem os
fez menos. E esta luta somente tem sentido quando os oprimidos, ao buscar recuperar sua humanidade, que é uma forma de criá-la, não se sentem idealistamente opressores, nem se tornam, de fato, opressores dos opressores, mas restauradores da humanidade em ambos. "
Os trechos anteriores apresentam propósitos semelhantes aos do Manifesto Comunista, de Karl Marx: "Homem livre e escravo, patrício e plebeu, barão e servo, numa palavra, opressores e oprimidos, em constante oposição, tem vivido numa guerra ininterrupta, ora franca, ora disfarçada; uma guerra que terminou sempre ou por uma transformação revolucionária da sociedade inteira ou pela destruição das duas classes em luta".
A revolução socialista é, nas entrelinhas, a forma de regenerar a humanidade do pecado do lucro e de reconciliar-se consigo mesma. Adorado pela elite acadêmica por incontáveis frases desconexas mas de profundo apelo sentimental em sua obra, retoma muito do pensamento do norte-americano John Dewey, que buscava através de métodos fazer links de experiências individuais e sociais.
Defendo que a escola seja sim questionadora da realidade, mas o aluno deve construir conceitos de mundo com base em uma gama de elementos informações disponíveis, contemplando o máximo de pluralidade de ideias e interpretações. O mundo é muito mais complexo que a dialética materialista exposta no pensamento de Paulo Freire. Sejamos honestos: No Brasil, quem nos oprime mesmo os mais pobres é a classe política e a burocracia de Estado, não os empresários.
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segunda-feira, 13 de abril de 2015

UM BRAÇO DO PT?

No Senado, o PSB tem dado demonstrações que está a serviço do PT. Pelo segundo dia consecutivo, o Palácio do Planalto conseguiu barrar a criação de mais uma CPI no Senado, a dos Fundos de Pensão.
A oposição havia reunido assinaturas de 30 senadores, mas por pressão do governo, seis voltaram atrás e retiraram seu apoio, o que arquivou o pedido de criação da comissão de inquérito pela falta de uma assinatura.
Dos seis senadores que retiraram as assinaturas, cinco são do PSB, que havia rompido sua aliança com o governo federal desde as eleições de 2014, mas vem sinalizando uma proximidade com o Planalto.
São eles: Romário (PSB-RJ), Lídice da Mata (PSB-BA), Roberto Rocha (PSB-MA), João Capiberipe (PSB-AP) e Fernando Bezerra (PSB-PE), além do senador Ivo Cassol (PP-RO).
Nesta terça, o Planalto também convenceu seis senadores a retirarem assinaturas de outra CPI que investigaria empréstimos do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico Social), todos de partidos aliados de Dilma. Sem o número mínimo de apoio, a comissão também não foi criada.

As informações são da Folha Online.
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AS RUAS, SEMPRE AS RUAS

Artigo de Marina Silva
Todos estão atentos às manifestações de rua marcadas para este domingo, que darão a medida do descontentamento político do país. Alguns analistas preveem manifestações menores que as do mês passado. A questão não é o número de pessoas. Menos gente nas ruas não significa menor insatisfação; ao contrário, pode até significar um aumento da desesperança, o represamento de uma revolta que pode retornar mais forte depois de algum tempo.
O sistema político se move descolado da sociedade, muitas vezes contra ela, mas não ao ponto de descuidar de sua própria sobrevivência e, por isso mesmo, está bem atento ao que ela antecipa. Agora mais ainda, pois ela antecipa, cada vez mais explicitamente, uma negação do sistema, de seus meios e de seus fins.
Se a sociedade explicita seu desejo, o poder está ainda mais nu. E já não consegue ocultar-se na pele ovina da defesa do interesse público. As medidas contra a crise já nem tem aparência de soluções, tem o claro objetivo de manter, ampliar ou conquistar o objeto de desejo dos que se movem na crise e pescam em suas águas turvas: o poder. Juros altos, inflação escapando a metas e previsões, endividamento das famílias, demissões, descontrole fiscal, corrupção sistêmica e endêmica. Pode haver dúvidas se esses são os elementos da crise ou o receituário para sair dela, mas basta olhar o ambiente político para ver que tudo serve à manipulação, que o objetivo não é sair da crise, mas usá-la.
Mas nem só de poder vivem os homens. E as perdas na vida das pessoas, a fragilização da democracia e a descrença no funcionamento das instituições são realidades que acabam se impondo e tornando a mudança política uma necessidade. O próprio túnel da crise produz uma luz ao seu final.
Assim, torna-se possível vislumbrar o desenvolvimento e a prosperidade, mas num novo modelo institucional. E atualizam-se, com mais dramaticidade, velhos dilemas não resolvidos na história do país. Em duas eleições seguidas – e nos quatro anos entre elas – sustentei com insistência a ideia do “Estado mobilizador” como alternativa à reducionista polarização entre Estado fiscalizador e Estado provedor, que alinhava em campos opostos neoliberais e desenvolvimentistas – ou quaisquer rótulos com que se tenham acusado mutuamente. Procurava, deste modo, indicar a superação da velha polêmica sobre o tamanho do Estado e colocava o foco no seu relacionamento com as forças sociais e econômicas, que devem ser mobilizadas na construção de um novo modelo de desenvolvimento, sustentável, e de uma gestão pública democrática que aproveitasse as possibilidades oferecidas pelas novas tecnologias de comunicação.
Mas para buscar ou aceitar ideias alternativas é fundamental desfazer-se da ilusão de autosuficiência e de possuir, sozinho, a medida certa e a resposta para a enormidade da crise. E reconhecer erros ou limites nunca foi virtude dos governos anteriores, menos ainda do atual, que em qualquer ação – até nas mais rotineiras e prosaicas – procura sempre localizar inimigos, “eles”, e atribuir-lhes a culpa pelos males do Brasil.
Esse comportamento economiza a lógica. Torna dispensável explicar, por exemplo, como se pode discursar ao lado da ministra de Direitos Humanos pela manhã e demiti-la à tarde. Lançar uma campanha para combater as ofensas e mentiras na internet, sem mencionar que a “guerrilha virtual” – montada na campanha eleitoral e mantida com recursos públicos – é um dos piores exemplos do mal que se deseja combater. Falar em combate à corrupção, orgulhar-se de “deixar” a polícia investigar, sem explicar como é possível dirigir uma empresa por 12 anos levando-a do alto da montanha ao fundo do abismo sem suspeitar que ela estava sendo saqueada.
É na falta de lógica que se assenta o sistema contraditório em que o governo opera. Depois de fazer, nas eleições, a apologia de todo e qualquer tipo de aliança para poder ter maioria no Congresso, e após ter distribuído 39 pedaços do Estado entre os dez partidos da base dita aliada, o único cacife que tem é o de não ter cacife para nada. Sustenta-se porque não tem força para cair.
O governo não está em crise, ele é a crise. Isolado pelos aliados, sabotado por seus próprios integrantes, solapado até pelos que lhe deram origem, o governo dá respostas atabalhoadas aos problemas, a maioria criados por ele mesmo.
Mas ainda há tempo. O país ainda não afundou em uma crise constitucional e, sejamos justos, essa precária estabilidade deve-se em grande parte ao comportamento comedido e responsável de boa parte da oposição que, embora apoiando e considerando legítima a revolta da sociedade, não se lança na articulação de pretensas saídas que possam gerar o risco de fragilização do processo democrático. Reconheço e quero destacar entre todos o exemplo de lucidez e responsabilidade republicana do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso que, sem abdicar de suas críticas ao governo, tem contribuído para analisar a crise política do país de um ponto de vista mais amplo, alertando para a necessidade de preservar o estado de direito conquistado com o fim da ditadura.
O próprio governo, forçado pelas circunstâncias, acaba aderindo, em alguns setores, a uma agenda republicana que não fazia parte de suas intenções iniciais. Em apenas três meses, mudou cinco ministros e, acertadamente, colocou na pasta da Educação um respeitado acadêmico que tinha e mantém posições críticas e relativa independência política. Assim como o ministro Joaquim Levy na Fazenda, o professor Renato Janine na Educação tem a responsabilidade de dar o exemplo ao restante do governo de como se pode “tocar o barco” ouvindo não apenas as ordens dos comandantes da política, mas também a do imenso número de passageiros e tripulantes e, principalmente, seguindo as leis do mar e as condições reais de navegação.
É pouco, muito pouco, diante de uma crise que anuncia agravamento contínuo e de uma insatisfação tão grande, que saiu às ruas há um mês. Neste domingo, a questão será colocada novamente – e ninguém se engane quanto à força que ela tem, demonstrada ou não.
O protesto fornece à presidente da República mais uma oportunidade de responder diretamente, sem terceirizar sua relação com a sociedade. Terá força e disposição para fazer isso? Espero que sim. Melhor a fragilidade dos pés de carne e osso das ruas, do que a aparente firmeza do pé-de-barro do marketing.
Com ou sem resposta, as pessoas marcham. E sabem que é melhor marchar, umas ao lado das outras, nas ruas da desaprovação. É melhor andarem juntos, os indignados com a institucionalização da corrupção. É melhor unir-se na desconfiança, abandonando falsas tábuas de salvação oferecidas por quem só sabe repetir-se – e a repetição não produz esperança. Marchar é um alento e os ativistas das ruas, autores de seu próprio movimento, como em todos os tempos no mundo inteiro, só tem a si mesmos, mas sabem que trazem a possibilidade de algum futuro.
As ruas, sempre as ruas, fazem lembrar as palavras de Martin Luther King em seu célebre discurso:
“Permitam-me dizer que, se vocês estão cansados de protestos, eu estou cansado de protestar (…). Mas o importante não é quanto eu estou cansado; a coisa mais importante é nos livrarmos da condição que nos leva a marchar. Senhores, vocês sabem que não temos muita coisa. Não temos dinheiro suficiente. Realmente não temos muito estudo e não temos poder político. Temos apenas nossos corpos, e vocês estão pedindo que abdiquemos da única coisa que possuímos quando dizem: ‘Não marchem’.”
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FORTALEZA, 289 ANOS

Fortaleza, a capital do meu querido estado do Ceará completa hoje 289 anos. Uma das principais cidades escolhidas por turistas de todo o Brasil e do mundo que buscam praias exuberantes e boa gastronomia.
A população de Fortaleza aumentou nos últimos dez anos e hoje a capital cearense é a quinta (2.551.805 habitantes) maior do Brasil, segundo dados de 2013 do IBGE.
A todos que trabalham para construir a cada dia uma cidade mais forte e solidária, àqueles que fazem da terra do sol sua moradia é hora de comemorar! Este blog deseja mil felicidades a Fortaleza.
Parabéns, Fortaleza!
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PATINAÇÃO

Artigo de Marta Suplicy, publicado na Folha de S.Paulo
Não é no gelo nem em pista. É no governo mesmo. Toda semana quero mudar de assunto e não consigo. Esta semana não foi a bola que entrou redonda no Planalto e saiu quadrada, mas a trapalhada foi de tal tamanho que virou vexame.
Ação que humilhou um ministro, que soube por meio de um site que estava sendo demitido, um convite ao futuro ocupante sem conversar com seu partido, o que propiciou o não aceite público do convidado. E, para finalizar, usar da prerrogativa presidencial de extinguir um ministério e nomear o vice-presidente como responsável pela interlocução política do governo sem dar os passos básicos que antecedem tal operação. Inclusive no Legislativo. Nunca antes o país presenciou tanta falta de jeito e perda de oportunidades de fazer o erro reverter em aprendizado e benefício.
A seguir a patética --e inacreditável-- entrevista de Pepe Vargas aceitando o "apelo" da presidenta para assumir a Secretaria de Direitos Humanos e logo sendo interrompido na coletiva por um telefonema. Volta acabrunhado para dizer que não havia confirmação. No final do dia ocorre a nomeação. Foi de um constrangimento que ninguém merece. Nem nós.
Logo após passamos a ter a dimensão do desacerto. O vice não aceita mais o ministério, somente a incumbência do trabalho de interlocução. Saíram todos descontentes, como sempre.
Nos ombros do vice repousa agora imensa responsabilidade. Mas qual é o significado do vice-presidente, que também é presidente do maior partido aliado, ser incumbido da tarefa de fazer a articulação política do governo? Temer já entrou na roda em momentos de apuro nas relações entre seu partido e o governo.
Mas é diferente de assumir as negociações com o Congresso como um todo. Não que não possua o talento necessário. Ele já conversa bem com todos os segmentos e ter-se mantido há anos na presidência do PMDB, com tantos caciques, comprova suas habilidades.
Temer pode obter um bom resultado, o que facilitará a aprovação das MPs de ajustes que o governo necessita. Entretanto o resgate da credibilidade perdida pela figura da presidenta dificilmente ocorrerá. Na hora em que tenta um atalho de governabilidade via Temer, Dilma continua fugindo da responsabilidade da autocrítica, sem fazer a repactuação sincera com a sociedade.
Melhorando a relação com o Congresso não sei quão "feliz" ficará a presidenta, e seus próximos, com o aumento de poder do vice e de seu partido. Já entregou a economia e agora com a terceirização da política, como reagirá com a mudança efetiva do eixo do poder?
Em patinação, fazer piruetas e saltos, sem talento ou treino adequado, costuma ser muito arriscado.
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domingo, 12 de abril de 2015

MORRE PAULO BROSSARD

Morreu neste domingo (12), em sua residência em Porto Alegre (RS), o ex-ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Paulo Brossard, 90 anos.
O governador do Rio Grande do Sul, José Ivo Sartori (PMDB), decretou luto oficial de três dias. O velório ocorrerá no Palácio Piratini, sede do governo do Estado.
O jurista Paulo Brossard de Sousa Pinto nasceu em Bajé (RS) em 23 de outubro de 1924, filho de pecuaristas do município.
A carreira política de Paulo Brossard começou em 1954, quando elegeu-se deputado estadual, sendo reeleito mais duas vezes para o cargo. Foi eleito deputado federal pelo Movimento Democrático Brasileiro (MDB) em 1966 e senador em 1974.
Brossard foi ministro da Justiça no governo Sarney e ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) de 1989 a 1994. Brossard era casado com Lúcia Alves Brossard de Sousa Pinto, com quem teve dois filhos.
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BYE BYE DILMA !

Artigo de Fernando Gabeira
Domingo é dia. De novo. O governo respondeu mal. Ele joga com o tempo. Sabe que é difícil manter tanta gente na rua quando sem um resultado tangível. É um cálculo válido para período de estabilidade e crescimento. O Brasil em crise é um fio desencapado. As manifestações não conseguiram ainda seu objetivo: Fora Dilma.
No entanto, Dilma já não está tão dentro como antes. A iniciativa política foi arrebatada pelo PMDB. O ajuste econômico é conduzido pelo liberal Joaquim Levy, que o negocia com o Congresso Nacional.
O debate sobre o ajuste tem conteúdo para ser discutido dias seguidos. Quase todos concordam que um ajuste adequado levará o Brasil de novo ao crescimento. Mas poucos se perguntam sobre o crescimento. Será que vamos reunir forças para um novo voo de galinha? Retomar o crescimento significa entupir os lares de eletrodomésticos e carros, exaurir os rios de forma irresponsável?
Mesmo para um voo de galinha as perspectivas não são boas. Teremos energia para o crescimento em 2016? Nossas estradas suportam um aperto econômico – elas que foram devastadas pelo tempo e pela corrupção? Todos se interrogam para onde estamos indo. Marchar para uma euforia consumista e, depois, cair na depressão torna a política econômica uma nova droga.
O escritor Frei Betto usou a imagem do filme Good Bye Lenin! para expressar o espanto de alguns eleitores de Dilma: é como se dormissem com a vitória de sua candidata e acordassem com a de Aécio Neves, seu adversário. Esse filme de Wolfgang Becker é bem lembrado porque conta a história de uma comunista fervorosa de Berlim oriental que ficou oito meses em coma e acordou depois da queda do Muro. E o esforço do seu filho era para mascarar os traços do capitalismo e evitar que ela se chocasse com o movimento da História.
Good Bye Lenin!, na minha opinião, não exprime apenas a perplexidade dos eleitores de Dilma. Ele exprime a perplexidade de toda a esquerda, que deveria estar acordando de um grande sonho e se espantar com o mundo, como a comunista de Berlim ao ver um imenso anúncio publicitário do outro lado da rua. Seria como se um cubano acordasse na Costa Rica ou um venezuelano nos supermercados do Peru, algo tão diferente. Nesses anos em que o Muro de Berlim caiu, muitos continuaram em coma, ou protegidos das mudanças no mundo real.
Isso não teria tanta importância se a esquerda não fosse para o poder com uma parte das ilusões. Ela confundiu partido com Estado e capitalismo de leis implacáveis com seus sonhos socialistas.
Não deveria. Marx estudou muito para explicitar essas leis. Nem sempre acertou, mas as estudou profundamente e jamais apoiaria um enfoque apenas consumista. Não porque Marx fosse da elite branca. Mas porque saberia que a conta seria cobrada na frente.
Hoje a conta está sendo cobrada. Dormiu-se com a promessa do paraíso, acorda-se numa realidade inequívoca: tanto Dilma como Aécio seriam obrigados a algum tipo de ajuste.
A confusão entre governo e poder, entre partido e Estado acabou arruinando uma experiência, finalmente, dinamitada pela corrupção.
Uma esquerda no governo não poderia comprometer-se a fundo com Cuba e Venezuela. Ainda que admirasse os dois modelos, o que é um alto grau de miopia, deveria levar em conta uma posição nacional.
Uma esquerda no governo deveria abster-se de levar o capitalismo a um outro sistema, mas, sim, tirar o melhor proveito de suas potencialidades e reduzir seus impactos negativos. O capitalismo pode alcançar altos níveis de inovação e criatividade, como nos Estados Unidos, ou mesmo uma respeitável rede de proteção, como na Escandinávia.
Não vejo como transitar do capitalismo para outro sistema econômico, exceto através da decadência e destruição de seus alicerces. E isso nem na Venezuela vai acontecer. O sonho bolivariano encarnou num homem que esmaga os opositores e conversa com passarinhos. Quando vão despertar? Quando encontrarem Nicolás Maduro cantando salsas e merengues nas pizzarias do seu bairro?
Bye Bye Dilma não é apenas o acordar de um sonho eleitoral. E um sono de 12 anos – de pouco mais de 25 anos se contarmos da queda do Muro de Berlim. O projeto não se perdeu apenas pela questão ética. Seus passos estão intensamente discutidos no escândalo do petrolão e outros que se espalham como tanques em chamas.
Mas os fins, quais eram mesmo os fins? Para onde é que nos levavam?
Dentro do País vivemos a crise do populismo econômico. Lá fora, nossa importância diplomática foi dramaticamente reduzida.
Não dói somente ver Dilma e o PT se comportarem como se nada de errado tivesse acontecido. Dói também ver a perspectiva de um grande esforço fiscal desaguar numa visão de crescimento de novo insustentável, tanto econômica como ambientalmente.
A Califórnia passou por mil desafios, abrigou a indústria de cinema e da informática, e agora se vê diante da necessidade de se reinventar. E muitos perguntam se conseguirá, como das outras vezes. A crise hídrica é grave por lá. No Brasil nem sequer nos colocamos a ideia de uma primeira reinvenção. E a crise hídrica é grave por aqui.
Toda vez que falam “vamos fazer o ajuste fiscal, voltar a crescer”, tenho um calafrio. De novo, um voo de galinha na economia e na política?
Seria necessário rever o caminho. A visão puramente eleitoral é sempre punida pelas leis do capitalismo. Não há espaço para uma esquerda monocrática que confunde suas ideias com o interesse nacional, que julga aproximar-se do socialismo, mas avança para o colapso econômico.
Essa esquerda dormiu abraçada numa bandeira vermelha e acordou com a multidão em cores verde e amarelo. Se acordou, finge que está dormindo.
Artigo publicado no Estadão em 10/03/2015
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sábado, 11 de abril de 2015

ANTROPOFAGIA SOCIALISTA

O bombeiro e deputado federal estreante Cabo Daciolo (PSOL-RJ), em processo de expulsão do PSOL, pretende levar o partido à Justiça. O imbroglio começou quando Daciolo propôs uma PEC que muda o texto da Constituição para  ‘Todo poder emana de Deus’, e não ‘do Povo’.
Ele questiona a legenda por que não faz o mesmo com o colega Jean Wyllys (PSOL-RJ), que apresentou proposta de implantar na grade escolar pública o ensino do Islamismo. Daciolo também questionará o partido sobre as doações de empresas para campanhas de alguns colegas.
A bancada do PSOL na Câmara é composta por cinco parlamentares, e forte no Rio de Janeiro. Além de Daciolo, tem o líder Chico Alencar e o ex-BBB Jean Wyllys. Os outros são Edmilson Rodrigues (PA), ex-prefeito de Belém, e Ivan Valente, de SP.
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ESPERANDO NA JANELA

Num vídeo recente, o senador Aécio Neves convoca a população e principalmente a militância tucana pra ir às ruas no próximo domingo.
Aécio convoca, mas ele não sai do ninho. A grande manifestação que ocorreu 15 de março, o tucano não foi, preferiu vê a banda passar da janela de seu confortável apartamento.
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sexta-feira, 10 de abril de 2015

GESTÃO TERCEIRIZADA

Charge de Fernando Brum, via IstoÉ
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CEM DIAS SEM RUMO

Da Veja
Em 1º de janeiro deste ano, ao tomar posse diante do Congresso Nacional, a presidente Dilma Rousseff prometeu: "Dedicarei obstinadamente todos os meus esforços para levar o Brasil a iniciar um novo ciclo histórico de mudanças, de oportunidades e de prosperidade, alicerçado no fortalecimento de uma política econômica estável, sólida, intolerante com a inflação, e que nos leve a retomar uma fase de crescimento robusto e sustentável, com mais qualidade nos serviços públicos". Passados exatos cem dias deste então, fica cada vez mais claro que Dilma não tinha razões para tanto otimismo. Quando a apertada vitória da petista se confirmou em outubro passado, reportagem do site de VEJA apontava a tempestade perfeita que cercava o segundo mandato da presidente. Já estavam dados os ingredientes da crise: o escândalo do petrolão atingia em cheio o governo e o PT, a economia encolhia enquanto a inflação aumentava. De janeiro até aqui, a fracassada articulação política de Dilma somou a este grave cenário uma rebelião da base aliada no Congresso - e azedou ainda mais a relação da presidente com o próprio partido e seu antecessor e criador, o ex-presidente Lula.
Hoje o país acumula inflação de 8,13% em 12 meses (a maior desde dezembro de 2003) e previsão de retração econômica de 1% em 2015, segundo estimativas do mercado. Em cem dias - e por sua própria responsabilidade - o governo Dilma foi arrastado para uma perigosa espiral: a crise econômica e os escândalos de corrupção erodem a popularidade da presidente (62% dos brasileiros reprovam seu governo, segundo pesquisa Datafolha), cada vez mais refém de uma base fragmentada no Congresso - o que dificulta a aprovação de projetos caros ao Planalto. Diante desse quadro, o governo fica impedido de apresentar uma resposta que ajude a reerguer a popularidade de Dilma. Irritado com as tentativas do Planalto de reduzir a participação do partido no governo, o PMDB age hoje quase como uma sigla de oposição. E mais: tornou o Executivo de tal forma dependente do Congresso que o presidencialismo brasileiro já se assemelha a uma forma bastarda de parlamentarismo. Nem dentro do próprio partido Dilma encontra refresco: contrário às medidas de ajuste fiscal adotadas pelo governo, o PT tem dado tanto trabalho ao Planalto no Congresso quanto os opositores. Tendo seu grupo inicialmente alijado do núcleo duro do governo, Lula não poupa a pupila de críticas públicas. O ex-presidente teme que um eventual fracasso da gestão Dilma interfira em seus planos de retornar ao poder em 2018.
É fato que o primeiro mandato de Dilma também incluiu momentos de turbulência. Em 2013, por exemplo, os protestos encurralaram o governo e derrubaram a popularidade da presidente. Naquela ocasião, entretanto, os atos não possuíam uma pauta única e o governo conseguiu se apropriar parcialmente das bandeiras apresentadas. Já os manifestantes que tomaram as ruas em 15 de março deste ano e se preparam para fazê-lo novamente no próximo domingo têm como foco a oposição ao governo e ao Partido dos Trabalhadores. É um dos muitos sinais de que as coisas mudaram.
As trapalhadas na articulação política e a postura inflexível da presidente ajudaram a desgastar no Congresso uma base que já havia saído das urnas enfraquecida na comparação com 2010. É assim, sem apoio expressivo nem nas ruas nem no Congresso, que a impopular e nada carismática Dilma Rousseff chega ao centésimo dia de governo. Até aqui, os poucos acertos do governo na reação do governo à crise surgiram apenas quando Dilma e o PT abriram mão de parte do seu poder. Dilma terceirizou a gestão da economia a Joaquim Levy, cujas ideias divergem radicalmente daquelas defendidas pelo PT, e atribuiu ao vice-presidente Michel Temer, do PMDB, a articulação política.
O deputado Paulo Teixeira (PT-SP) acredita que o pior já passou. "Dentro desse momento difícil, As coisas estão se arrumando para ela conseguir os resultados no médio prazo. O mês de fevereiro foi muito difícil, o de março também, mas menos. A tendência é melhorar". Já Onyx Lorenzoni (DEM-RS) faz um diagnóstico implacável: "O segundo governo Dilma vai ser o governo das crises. Ela vai ficar um fantasma no Planalto até o fim do mandato".
Campanha x realidade - Antes mesmo de a presidente reassumir o cargo, já estavam claras para os brasileiros as mentiras de que o PT fez uso para se manter no poder. Depois de acusar seus adversários Marina Silva (PSB) e Aécio Neves (PSDB) de agir em conluio com os banqueiros, por exemplo, Dilma convidou o presidente do Bradesco, Luiz Carlos Trabuco, para assumir o Ministério da Fazenda. Ouviu "não" como resposta e indicou, então, a Levy, um economista ortodoxo e alinhado ao pensamento do tucano Armínio Fraga.
A crise econômica e orçamentária, motivada em grande parte pelo populismo fiscal do primeiro governo Dilma, agora força o Executivo a abandonar promessas de campanha, como a de que os direitos trabalhistas eram intocáveis e a taxa de juros não seria usada para segurar a inflação. Paradoxalmente, a solução encontrada pelo governo distanciou a presidente da República das bases mais tradicionais do petismo, como sindicatos e movimentos sociais. A Central Única dos Trabalhadores, principal braço do PT, tem ido às ruas com bandeiras que, se passam pelo apoio ao governo contra o "golpismo", também incluem críticas diretas ao ajuste fiscal.
Reação - O Executivo ainda tem armas de sobra para articular uma reação. A principal delas é a chave do cofre da União, que costuma ser usado para cooptar tanto os movimentos sociais quanto partidos políticos. Mas até esse recurso é limitado. O corte orçamentário que deve ser anunciado em breve deve atingir ainda mais a já reduzida capacidade de investimento do governo e, assim, dificultar uma reação do Executivo.
A presidente chega aos cem dias de governo sem recursos para investir, com uma base aliada enfraquecida, um escândalo gigantesco de corrupção à porta, a popularidade em níveis abissais e sob a desconfiança do próprio PT. É possível que o cenário melhore no médio prazo. Mas o mais provável é que, para fazer isso, Dilma tenha de ser cada vez menos dona do próprio governo.
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NO XILINDRÓ

A Polícia Federal prendeu nesta sexta-feira os ex-deputados André Vargas (ex-PT-PR) e Luiz Argôlo (Solidariedade-BA), na a 11ª fase da operação da Lava Jato. Serão cumpridos sete mandados de prisão, 16 de busca e apreensão, nove de condução coercitiva, quando a pessoa é levada para prestar depoimento, em seis estados (Paraná, Bahia, Ceará, Pernambuco, Rio de Janeiro e São Paulo) e no Distrito Federal.. André Vargas foi preso em um condomínio residencial em Londrina (PR).
Também foram presos  o irmão de André Vargas, Leoon Vargas, o ex-deputado Pedro Correia (PP-PE), que já cumpre prisão pelo mensalão do PT, Ivan Mernon da Silva Torres,  Élia Santos da Hora, secretária de Argôlo e Ricardo Hoffmann, que é diretor de uma agência de publicidade. Todos os presos serão levados à superintendência da PF em Curitiba.
Os envolvidos nesta fase da Lava Jato são acusados de crimes como organização criminosa, quadrilha ou bando, corrupção ativa, corrupção passiva, fraude em procedimento licitatório, lavagem de dinheiro, uso de documento falso e tráfico de influência. Além de corrupção na Petrobras, também são tratados desvios de recursos ocorridos em outros órgãos públicos federais, segundo a PF.
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DEPOIMENTOS INÉDITOS

1964: do golpe à democracia reúne textos e depoimentos inéditos de vários protagonistas da história brasileira recente, e também dos principais pensadores políticos contemporâneos. Além de intelectuais que vivenciaram o golpe da 1964 e os “anos de chumbo”, e hoje trabalham na restauração do sentido histórico dos acontecimentos e na indicação dos responsáveis pelos atos da ditadura militar, também comparecem pesquisadores que, em trabalhos recentes, trazem novas perspectivas para o debate.
(Fernando Henrique Cardoso, José Arthur Giannotti, Paul Singer, Francisco de Oliveira, José Carlos Dias, Paulo Sérgio Pinheiro, Elza Berquó, Maria Hermínia Tavares de Almeida, Ismail Xavier, Marcos Napolitano, Marcos Nobre, Fernando Limongi, Wanderley Guilherme dos Santos, Paulo Vannuchi, Argelina Cheibub Figueiredo, Isaura Botelho, Jorge Ferreira, Rodrigo Patto Sá Motta, Brasílio Sallum Jr., Glenda Mezarobba).
O conjunto lança uma forte luz sobre dois momentos cruciais da história brasileira. De um lado, o contexto pré-1964, o golpe militar e seus desdobramentos mais imediatos; de outro, seu “rescaldo” a longo prazo, o modo como as instituições e os atores políticos lidaram com o “entulho autoritário”, da Redemocratização até os turbulentos dias de hoje.
Se a história é a origem de tudo, grande parte da explicação da atual crise política brasileira se encontra nestas páginas.
Da Editora Hedra
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quinta-feira, 9 de abril de 2015

LARGA O OSSO, CID GOMES !

Do O Povo
O ex-ministro Cid Gomes recebeu salário superior ao teto do funcionalismo público nos meses de janeiro e fevereiro deste ano. Ele acumulou vencimentos de um órgão estadual e outro federal. Funcionário da Assembleia Legislativa do Ceará desde 1985, o ex-governador entrou nas folhas de pagamento da Casa e do Ministério da Educação (MEC).
O procurador do Ministério Público de Contas (MPC), Gleydson Alexandre, afirma que a remuneração cumulativa para cargos efetivos e comissionados (nomeação temporária) é permitida por lei.
“Em tese, ele está de acordo com a legislação. Normalmente, cargos comissionados não ganham muito, por isso não se exige que o servidor abdique de seu salário efetivo”, explica o procurador.
No entanto, a soma dos dois vencimentos acabou ultrapassando o teto do funcionalismo público, estabelecido em R$ 33.763 desde janeiro. O valor toma por base o salário dos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF).
Como ministro da Educação, cargo que ocupou de 1º de janeiro a 18 de março, Cid recebeu R$ 30.934,70 mensais. Na Assembleia, ele teve remuneração bruta de R$ 3.171,17 no mês de janeiro, na função de engenheiro, e R$ 2.882,88, em fevereiro, como analista.
Os acúmulos dos vencimentos atingem R$ 34.105,87 e R$ 33.817, 58, respectivamente. Por tanto, o valor total pago pela máquina pública ao ex-ministro está acima do permitido por lei.
A reportagem tentou contato com Cid Gomes, mas o ex-ministro não foi localizado para comentar a remuneração irregular.
Cedido
O status atual de Cid, conforme folha de pagamento da Assembleia, consta como “disposição de outro órgão”.
A assessoria informa que, em 7 de janeiro de 2015, o presidente da Casa, Zezinho Albuquerque (Pros), escreveu carta de “cessão” que liberava o servidor para o MEC.
No documento, ficou acordado que cada órgão seria responsável por remunerar Cid Gomes, de forma independente.
Saiba mais
O ingresso de Cid
Gomes como servidor da Assembleia não se deu por meio de concurso público. Além dele, várias outras pessoas foram admitidas no quadro permanente de funcionários da Casa em 1985.
A prática de distribuição de cargos comissionados no “Quadro Temporário”, conhecido como “Trem da Alegria”, era comum no País.
Na época, o irmão de Cid, Ciro Gomes (Pros), era deputado estadual e propôs emenda para abolir a distribuição de cargos e abrir concursos públicos, com a condição de que servidores temporários com contratação até 18 de julho de 1985 fossem efetivados. Cid foi contratado em 26 de fevereiro daquele ano.
A partir da Constituição de 1988, a distribuição aleatória de cargos passou a ser ilegal e os concursos públicos se tornaram a forma de ocupar vagas efetivas.
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DESEMPREGO NAS ALTURAS

O indicador de desocupação medido pela Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua subiu de 6,5% no trimestre encerrado em novembro de 2014 para 7,4% entre dezembro do ano passado e fevereiro deste ano. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, o desemprego também está maior este ano do que no mesmo período do ano passado, quando registrou no trimestre até fevereiro de 2014 uma taxa de 6,8%.
A Pnad Contínua utiliza uma metodologia de cálculo e abrangência diferente da Pesquisa Mensal de Emprego (PME), cuja taxa de desocupação bateu 5,9% em fevereiro. A ideia é que a Pnad substitua a PME por melhor interpretar o ambiente econômico. A PME leva em consideração dados apurados apenas em seis regiões metropolitanas do país.
Desde o mês passado, a Pnad Contínua está sendo divulgada mensalmente. O cálculo da Pnad é trimestral, ou seja, a pesquisa utiliza informações dos últimos três meses consecutivos.
"Dessa forma, a divulgação dos indicadores de janeiro de 2015 foram calculadas a partir das informações coletadas em novembro/2014, dezembro/2014 e janeiro/2015; os de fevereiro a partir dos dados de dezembro/2014, janeiro/2015 e fevereiro/2015; em março serão consideradas as informações de janeiro/2015, fevereiro/2015 e março/2015, coincidindo, neste caso, com o trimestre convencional da Pnad Contínua trimestral; e assim sucessivamente", explicou o instituto.
Conteúdo Veja on-line
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quarta-feira, 8 de abril de 2015

OS PUXADORES DA INFLAÇÃO

A variação mensal do IPCA foi a maior para meses de março há 20 anos, de acordo com o IBGE. Conta de luz foi o que mais pesou no índice.
Aumento da energia no mês passado foi de 22,08%. A alta pode ser explicada pela revisão tarifária, que permite reajustes extraordinários.
Juntos, alimentação e habitação representaram 81,82% do IPCA de março, que ficou em 1,32%.
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sábado, 4 de abril de 2015

TREM DAS ONZE

Artigo de Marta Suplicy, publicado na Folha de S.Paulo
Falta tudo. Vá num dos encontros organizados pela Câmara Municipal nas subprefeituras. Parece que São Paulo parou no tempo. No Jaçanã, zona norte, na parte mais carente a demanda é a mesma faz anos: melhores condições de funcionamento para o Hospital Municipal São Luiz Gonzaga, que atende em situação calamitosa. Unidades Básicas de Saúde (UBSs) não foram construídas e uma, segundo relatos, funcionando em "cabana de madeira".
Na periferia, o problema do lixo não se resolve. O metrô que não chega nunca, o transporte de ônibus é insuficiente e de péssima qualidade. As compensações ambientais acordadas na construção do Rodoanel até hoje não aconteceram. Os mesmos córregos sem canalização: Tremembé, Piqueri e Paciência (olha o nome!!!!). Enchentes sempre!
Alguma novidade? Sim. Em relação à Guarda Civil Metropolitana, que não aparece para controlar a zoeira dos "pancadões", à falta de equipamentos culturais para juventude se encontrar, mais pistas de skate, mais cultura nos CEUs. Lembrei dos "rolezinhos" , já esquecidos pelos prefeitos. Combate à corrupção é um mantra: "Aqui falta tudo e ainda roubam nossos impostos".
Saí triste com o sentimento ou percepção de abandono pelo poder público na fala dos moradores. Esta região tem 300 mil habitantes. Nas zonas leste e sul há subprefeituras com mais de 600 mil em igual situação. Faltam planejamento, recursos, contato com a realidade?
Um pouco de tudo. Quem planeja uma São Paulo tem que estabelecer prioridades. O orçamento é de R$ 51 bilhões (trabalhei, em valores atualizados, com R$ 30 bi), mas isso está longe de cobrir as necessidades. As prioridades também passam longe de 350 km de ciclovias.
A Câmara aprovou em março a redução do indexador da dívida de Estados e municípios com o governo federal a partir de 30 dias da aprovação pelo Congresso. É uma enorme vitória para a cidade que vive asfixiada com pesados juros e correções. O debate está no Senado e poderia ter sido votado no início da semana. Foi adiado pois o prefeito Haddad concordou com o ministro Joaquim Levy que esse alívio nas contas da prefeitura pode ficar para o ano que vem. Cooperação de São Paulo para consertar o caos na economia?
O que São Paulo paga para a União (nessa dívida), num ano, daria para construir 500 creches, 150 km de corredores viários e 10 mil habitações!
Na Comissão de Assuntos Econômicos, Levy deixou claro que o que for pago a mais desde agora até fevereiro de 2016 será restituído "se tudo der certo", isto é, se a recuperação da economia ocorrer.
Com o desastre das contas deste primeiro bimestre lembrei de Adoniran Barbosa: se São Paulo perder esse trem...
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sexta-feira, 3 de abril de 2015

EM QUEDA LIVRE

Charge de Fernando Brum, via Istoé
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quinta-feira, 2 de abril de 2015

ACIDENTE FATAL

Uma das cinco vítimas da queda de helicóptero ocorrido na tarde desta quinta-feira (2), em Carapicuíba, São Paulo era Thomaz Alckmin, filho caçula do governador de São Paulo, Geraldo Alckmin.
Thomaz trabalhava como piloto, e era casado desde 2011 com a arquiteta Thais Fantato. Ele deixa duas filhas, uma de dez anos e outra recém-nascida, com aproximadamente um mês.
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MÍDIA NÃO ALIENA

Caio Rocha, professor de História, via Facebook
Ao meu ver, a mídia brasileira não fabrica fatos. Seleciona dados que são convenientes com suas matrizes ideológicas, sejam estas de situação ou de oposição. Quando o JN ou qualquer periódico 'de direita' expõe dados econômicos negativos divulgados pelo próprio governo federal, não falta com a verdade, embora saibamos que pode-se embutir nestas divulgações uma finalidade.
O mesmo é feito pela Carta Capital e outros da mídia pró-PT: selecionam números que reforcem seus argumentos de que tudo está bem no Brasil ou que suavizem as críticas feitas pelos opositores.
Nunca vi o Planalto pedir direito de resposta por canais divulgarem as projeções de queda na atividade econômica brasileira feitas pelo BC e Ministério da Fazenda resultantes de uma série de equívocos praticados por autoridades fiscais e monetárias, pois sabe bem que esta é uma verdade inconteste e indigesta para quem governa e para quem é governado.
Quando este fato chega aos lares de milhões e cria-se um sentimento de indignação, busca-se desqualificar o veículo que propagou-o e surge o velho desejo de regular a mídia para que os desacertos não contradigam ao poderio midiático da máquina estatal.
Ao leitor ou telespectador de noticiários, cabe formar um ponto de vista com base no que mais de um meio de comunicação noticia.

Charge do Ivan Cabral
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quarta-feira, 1 de abril de 2015

NAVEGAR É PRECISO

Charge do Nani
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