domingo, 17 de maio de 2015
sábado, 16 de maio de 2015
DESCASO NA SAÚDE
Do Ceará News 7
O médico Walmir Pontes, que teve o título de cidadão de
Quixeramobim revogado pela Câmara Municipal, denunciou nos últimos dias a
precariedade na saúde do município e o não funcionamento do Hospital Regional
Padre José Van Esch, entregue em dezembro de 2014 pelo então governador Cid
Gomes.
Em uma das postagens, o profissional pede a união de
entidades de classe, autoridades políticas, lideranças religiosas para que a
unidade hospitalar comece a funcionar.
"Quando transferimos um paciente para Fortaleza é um
martírio, sofrimento que não pode ser imaginado. Os hospitais de urgência IJF e
Hospital Geral, lotados, atendimentos até no chão como a imprensa mostra. Se
lideranças de todos os municípios, de forma coordenada, exigirem das
autoridades, será mais produtivo", ressalta.
"O hospital fechado esta estragando, materiais sem uso,
enquanto irmãos sofrem agruras nos hospitais de referencia e, aqui pertinho, um
equipamento novo aguarda decisão política para funcionar. Se todos trabalharem
mostrando a nossa força, o funcionamento será a solução para a saúde do Sertão
central. Quem se habilita? Estamos calados assistindo a depreciação de tão
importante investimento dos nossos impostos", declara o profissional.
A OBRA
O Hospital Regional do Sertão Central Padre José Van Esch,
foi um dos últimos atos do governador Cid Gomes, e foi construido às margens da
CE-060, na Rodovia do Algodão. Ao lado do irmão, secretário de Saúde Ciro
Gomes, Cid entregou a obra no dia 28 de dezembro de 2014.
“Estamos procurando levar para o interior equipamentos de
melhor porte, de melhor qualificação, para que a população possa ter um
atendimento mais próximo de onde mora”, disse Cid Gomes, que garantiu pleno
funcionamento da unidade hospitalar até o final do primeiro semestre de 2015.
A assessoria de imprensa da Secretaria de Saúde do Estado do
Ceará ainda não se pronunciou sobre o não funcionamento do Hospital Regional de
Quixeramobim.
FUTURO INCERTO
O Fundo de Financiamento Estudantil (Fies) do governo
federal esgotou seus recursos para 2015, de 2,5 bilhões de reais, e novas
edições do programa este ano e em 2016 dependem de disponibilidade de verba do
Orçamento da União, numa consequência do forte ajuste fiscal para organizar as
contas públicas.
"Não havendo mais recursos seria inútil a
reabertura", disse o ministro da Educação, Renato Janine Ribeiro, a
jornalistas nesta segunda-feira (4) ao ser questionado sobre a continuidade do
Fies. “Estamos esperando a definição do Orçamento para ver como fica o segundo
semestre”, afirmou.
O ministro disse que o Fies será realizado em 2016, mas sem
indicar valores para o programa, afirmando que o montante dos recursos será
definido posteriormente.
Destinado a custear a graduação na educação superior de
estudantes matriculados em instituições não gratuitas, a 1ª edição do Fies/2015
totalizou 252.442 novos financiamentos em instituições privadas, somando 2,5
bilhões de reais. "Com esses dados, nós esgotamos os recursos", disse
Janine Ribeiro.
Em edição similar realizada no ano passado, os recursos
foram de aproximadamente 4,8 bilhões de reais. O encolhimento do Fies ocorreu
após o governo federal restringir gastos de programas públicos, incluindo
projetos educacionais, uma bandeira da campanha eleitoral da presidente Dilma
Rousseff em 2014.
Os cursos mais procurados na atual edição foram engenharia,
direito, enfermagem, administração, psicologia, fisioterapia arquitetura e
urbanismo. O prazo para novos contratos, que estava aberto desde fevereiro, foi
encerrado em 30 de abril.
Polêmica
Janine Ribeiro foi intensamente questionado por repórteres
sobre a decisão da Justiça Federal do Mato Grosso do Sul, que na semana passada
determinou a reabertura da 1a edição do Fies/2015.
A decisão foi baseada na análise de que devido a erros
ocorridos durante o tempo em que o Fies esteve aberto seria necessário tempo
adicional para a inscrição de novos contratos.
Sobre essa questão, o ministro disse que o Ministério da
Educação irá recorrer imediatamente assim que a pasta for notificada
oficialmente.
O ministro repetiu que não há recursos e que a reabertura do
prazo exigiria o aporte de verbas que não estão disponíveis.
Da Reuters via site da Band
sexta-feira, 15 de maio de 2015
RECLAMANDO DE BOLSO CHEIO
São Paulo – O vídeo de um vereador do Pará ganhou destaque
por uma reclamação um tanto inusitada durante um discurso aberto na Câmara
Municipal de Parauapebas.
Odilon Rocha, do PMDB-PA, fez críticas ao salário dos
vereadores. Para ele, a remuneração de um vereador não é suficiente para
garantir o seu sustento.
Um vereador de Parauapebas ganha em média 10 mil reais, além
de outros benefícios, como vale combustível, telefone e até carro.
“Nunca tinha pensado na minha vida se vale a pena ser
vereador ou se não vale a pena. Tem coisas que são insignificantes em função de
outras. O valor que o vereador ganha aqui, se ele não for corrupto, ele mal se
sustenta durante o ano, durante o mês”, afirmou Rocha no vídeo.
O parlamentar tentou ainda se explicar com a imprensa depois
de o vídeo ser divulgado, afirmando que não quis dizer que alguém da casa era
corrupto, mas acabou caindo em contradição.
"Se eu for sobreviver apenas com esse salário, com
certeza absoluta, eu não passaria o padrão de vida que levo hoje".
Vida política
O vereador iniciou sua vida política na década de 90, sempre
em Parauapebas. Ele atualmente cumpre seu quinto mandato pelo PMDB.
Em seu perfil no site da Câmara de Parauapebas, o político
afirma que sua missão como vereador é “trabalhar em prol do povo que merece
escolas de qualidade, segurança, saúde e saneamento básico”.
Da Exame
quarta-feira, 13 de maio de 2015
CAOS NA SAÚDE
Nota enviado para o blog Sou Chocolate e Não Desisto pelas
Juventudes dos partidos PPS e PSB Ceará.
JUVENTUDES DO PPS E DO PSB SE POSICIONAM CONTRA O CAOS NA
SAÚDE DE FORTALEZA.
Em 2012 o povo de Fortaleza elegeu,no segundo turno, o
prefeito Roberto Claudio. A administração petista estava completamente
colapsada em diversos aspectos, principalmente em mobilidade urbana e saúde. O
"ex"Governador Cid Gomes, fiador e mentor do atual prefeito, faz
nesse vídeo o que foi o tom da campanha, que o problema de fortaleza não era
falta de recursos, mas sim falta de gestão e que Roberto Cláudio era o nome
certo para "enfrentar as dificuldades que uma prefeitura do tamanho de
Fortaleza apresenta" e que "com o apoio do Governo do Estado do Ceará
ele iria REVOLUCIONAR A SAÚDE de Fortaleza.".
Há dois dias vimos cenas vergonhosas no Instituto Dr. José
Frota - IJF, com pacientes sendo atendidos no chão por falta de macas. Ontem a
UTI neonatal do Hospital da Mulher foi fechada, por falta de pagamento dos
profissionais. A saúde em Fortaleza está um completo caos, ao que parece toda a
preparação técnica recebida pelo médico Roberto Claudio, com mestrado em saúde
pública, não surtiu em benefícios para o Fortalezense que depende do serviço
único de saúde.
O prefeito terá que escolher entre duas alternativas: ou
assume que é incompetente e que não tinha a menor ideia do que era ser um
gestor, ou que deliberadamente cometeu estelionato eleitoral e enganou ao fortalezense,
fazendo uso da velha demagogia. Por que à ele não é permitido fazer o jogo de
empurra-empurra com o governo do estado, pois tanto ele como o atual governador
(mais um preposto e exemplo de desastre administrativo herdado do governo CFG e
pauta para uma próxima postagem) são "filhos de um mesmo pai",
membros do mesmo grupo político e colocar a culpa um no outro seria por
consequência culpar o patrão de ambos.
O que ocorre em Fortaleza e no Ceará é o retrato de uma ação
política arquitetada apenas para ganhar eleições. Esse grupo político, liderado
pelos Ferreira Gomes se gabam da profissionalização alcançada quando o assunto
é eleições, mas esquecem que o que a população espera é que esse mesmo processo
seja empreendido na gestão da coisa pública. Estamos enfadados de discursos
bonitos, da megalomania e síndromes de faraós, da truculência e da
incompetência disfarçada pelo talento dialético e oral.
Com a palavra o ex-governador Cid Gomes e o prefeito Roberto
Claudio, pois o povo do Ceará e o cidadão fortalezense merecem respeito.
domingo, 10 de maio de 2015
MORRE LUIZ HENRIQUE DA SILVEIRA
O senador de Santa Catarina Luiz Henrique da Silveira (PMDB)
faleceu na tarde deste domingo. Luiz Henrique, de 75 anos, morreu em
decorrência de um infarto fulminante, em Joinville, no norte do estado. Ele
chegou a ser atendido por uma ambulância do Serviço de Atendimento Móvel de
Urgência (Samu) e ser levado ao Hospital da Unimed, na mesma cidade, mas não
resistiu.
De acordo com informações da comunicação do senador, o corpo
deve ser velado no Centro de Eventos Cau Hansen. Casado, ele deixou dois filhos
e três netos. A assessoria da prefeitura de Joinville informou que será
decretado luto oficial em função da morte do senador.
Em 40 anos de política, Luiz Henrique foi prefeito de
Joinville, deputado estadual, deputado federal e governador de Santa Catarina
por dois mandatos. Entre 1987 e 1988, foi Ministro da Ciência e Tecnologia. No
seu estado, ele é considerado um negociador hábil, e gostava de dizer que em
quatro décadas de política nunca perdeu uma eleição.
Na eleição presidencial de 2014 apoiou a candidatura de
Aécio Neves (PSDB-MG), e em 2015 disputou com Renan Calheiros (PMDB-AL) a
presidência do Senado. Na casa, ele também foi o relator de matérias como
Código Florestal e um projeto de mudança no indexador da dívida dos estados.
Em toda a sua trajetória, Luiz Henrique sempre foi filiado
ao PMDB, e no período da Ditadura Militar era de uma ala mais radical contra o
regime militar no Congresso.
RESULTADO DA ENQUETE
O blog Sou Chocolate e Não Desisto realizou nos últimos
trinta dias uma enquete sobre a redução da maioridade penal. A enquete do blog:
Você é a favor ou contra a redução da maioridade penal?
Para 38,10% dos internautas, votaram ‘a favor’ da redução da
maioridade penal de 18 para 16 anos. Mas, 61,90, se posicionaram ‘contra’ a
redução.
Recentemente a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da
Câmara dos Deputados aprovou a proposta que reduz a maioridade penal de 18 para
16 anos.
RENÚNCIA
O vereador de Fortaleza A Onde É renunciou ao cargo nesta
quinta-feira (7) após denúncias de desvios de verba parlamentar, de acordo com
o advogado do parlamentar, Leandro Vasques. O vereador chegou a ser preso e foi
liberado e teve o pedido de cassação aprovado em comissão na Câmara Municipal
de Fortaleza. Com a renúncia, o suplente Robert Burns assume a cadeira no
legislativo municipal.
O vereador foi preso em flagrante no dia 26 de agosto de
2014 pelo crime de concussão, quando tentava receber o salário de um assessor.
De acordo com as investigações do Ministério Público do Ceará (MP-CE), “A Onde É” contratava assessores
fantasmas para a Câmara Municipal de Fortaleza e se apropriava da remuneração
deles. Além disso, os assessores eram empregados como funcionários
terceirizados da Câmara.
“A Onde É” foi denunciado
pela Procuradoria dos Crimes contra a Administrção Pública (Procap) e
pela 18ª Promotoria de Justiça Criminal de Fortaleza pelos crimes de concussão,
peculato, lavagem de dinheiro e organização criminosa. Além disso, uma
representação junto à Câmara Municipal de Fortaleza pede a cassação do mandato
do vereador por improbidade administrativa.
De acordo com o promotor Ricardo Rocha, os assessores
admitidos passavam os números das contas, os respectivos cartões eletrônicos e
talões de cheque assinados em branco para o vereador e o chefe de gabinete que
sacavam os salários. Aos assessores era repassada uma quantia muito inferior ao
salário recebido.
A denúncia partiu de um dos assessores que acusou o
parlamentar de forçá-lo a entregar a remuneração por meio de ameaças e
intimidação. Com a prática, o vereador adquiriu bens incompatíveis com subsídio
de um parlamentar, segundo o MP-CE, como veículos de luxo e diversos
apartamentos em bairros nobres da capital cearense, além de terrenos na Região
Metropolitana.
Do G1, CE
MORRE MENDES RIBEIRO
O ex-ministro da Agricultura Mendes Ribeiro morreu neste
sábado, aos 60 anos. Ele estava internado na Santa Casa de Misericórdia de
Porto Alegre e há dois anos lutava contra um câncer no cérebro. Deputado
federal pelo PMDB do Rio Grande do Sul, Mendes Ribeiro ministro da Agricultura
entre agosto de 2011 e março de 2013. Na Câmara dos Deputados, teve cinco
mandatos consecutivos, desde 1996. Ele também se candidatou à prefeitura de
Porto Alegre em 2004.
Jorge Alberto Portanova Mendes Ribeiro Filho também foi deputado
estadual de 1986 a 1990 e de 1991 a 1994. Entre outros cargos ocupados por ele
no Estado natal estão o de secretário da Justiça (1983-1984), de Obras
Públicas, Saneamento e Habitação (1995-1996) e da Casa Civil (1996-1999).
Começou sua carreira política em 1982 pelo PDS como vereador de Porto Alegre,
aos 28 anos.
Em nota de pesar, a presidente Dilma Rousseff lamentou a
morte de Mendes Ribeiro e ressaltou o empenho do gaúcho por um país mais justo
e igualitário. "Hoje é um dia tristepara todos nós que lutamos, como
Mendes Ribeiro, pela democracia e por um país mais justo e menos
desigual", diz o texto.
Com informações Conteúdo Estadão
sábado, 9 de maio de 2015
TECIDO ESGARÇADO
Grande esperança da esquerda por décadas, o PT divorciou-se
das suas bases populares e frustrou as expectativas de quem apostava numa
transformação da política brasileira. Seu modelo de governabilidade, amparado
na aliança com setores conservadores e na barganha política, está exaurido, o
que explica a crescente insatisfação popular com governo Dilma Rousseff.
O diagnóstico é da deputada federal Luiza Erundina, que
ajudou a fundar o PT, foi prefeita da capital paulista pela legenda e desde
1998 está abrigada no PSB. Aparentemente, não por muito tempo. A parlamentar
está empenhada na construção de um novo partido: o Raiz Movimento Cidadanista,
inspirado no Podemos, da Espanha, e no grego Syriza. Na entrevista a seguir,
Erundina faz uma avaliação da conjuntura política e apresenta o norte do
movimento que ajuda a construir. Uma organização horizontal, sem lideranças ou
caciques partidários, norteado por princípios como o ecossocialismo. “Acredito
nisso. E não estou mais com idade para me enganar e viver uma fantasia”,
assegura, com brilho no olhar.
CartaCapital: Como entender a crise vivenciada pelo PT?
Luiza Erundina: É um ciclo histórico esgotado. O Partido dos
Trabalhadores surgiu com uma base social popular, dos sindicatos, do chão das
fábricas, das periferias dos grandes centros urbanos, da luta no campo pela
reforma agrária. Foi um momento áureo na história do Brasil, quando as camadas
populares passaram a exercer protagonismo na política. Esses grupos viam no PT,
além dos demais partidos de esquerda tradicionais, a possibilidade de
participar da política institucional. O PT representava, à época, uma esquerda
renovada. Um partido que surgiu de baixo para cima, e começou a eleger seus
primeiros vereadores, prefeitos, deputados e senadores. Mas esse ciclo se
esgota quando o PT chega ao poder, muito cedo, se vermos a história dos
partidos políticos no Brasil. Com a eleição de Lula, o PT deixou de lado a luta
concreta do povo, dos movimentos sociais, a luta sindical e pelos direitos
humanos. Aquelas lideranças populares deslocaram a sua militância da base para
as estruturas de governo, para os gabinetes.
CC: Houve uma excessiva burocratização da atividade
político-partidária.
LE: Exatamente. O PT deixou de ser um partido de massas,
dedicado à formação política das classes populares, dos trabalhadores, dos
sindicatos, das periferias. O foco da militância se deslocou. Eles saíram do
chão da fábrica, das periferias, dos movimentos sociais e campesinos. Eles
entraram para os espaços da política formal. Com isso, o partido perdeu a
novidade que carregava. O PT se divorciou de suas bases. Não diria que isso foi
intencional, uma ação planejada. A própria dinâmica do jogo político levou a
esse distanciamento, a esse divórcio com as bases. De repente, as lideranças
populares e sindicais estavam nos espaços institucionais, sem aquela mesma
liberdade, criatividade e ativismo que representava o PT. E não havia outro
partido que pudesse se aproximar e ser isso que um dia foi o PT. Essas forças
sempre estiveram aliadas ao PT, mas agora dentro da lógica do presidencialismo
de coalizão.
CC: E como se deu a formação dessa coalizão governista?
LE: Para garantir a governabilidade, o PT teve de se aliar a
um conjunto de forças políticas sem nenhuma identidade ou compromisso com seus
projetos e sua origem. Alguns partidos de esquerda ficaram como força auxiliar
desse governo de coalizão, mas na condição de minoria. Na maioria, sempre
estiveram forças políticas conservadoras. Certas figuras deram sustentação à
ditadura. Outras lideram legendas sem projeto partidário ou ideologia alguma.
Resultado: hoje temos 28 partidos com assentos no Congresso e outros tantos
disputando uma vaga. Durante certo tempo, o PT até conseguiu algum resultado.
Com o carisma que tem, Lula conseguiu administrar essa base tão heterodoxa e
heterogênea, mediante barganha, na troca de aprovação de medidas por cargos. O que
na prática isso significa? O PT abdicou de transformar a política brasileira.
Ele apenas reproduziu aquele modelo antigo, tradicional, de uma democracia
representativa, sem sustentação em mecanismos de democracia direta ou
participativa, representada pela sociedade civil.
CC: Seria possível governar de forma diferente?
LE: Fui prefeita de São Paulo pelo PT e governei por quatro
anos com minoria na Câmara Municipal, pois não cedi às pressões da barganha
política entre o Executivo e o Legislativo. Foi um período muito difícil, mas
consegui aprovar os Orçamentos, levar adiante políticas de saúde, educação e
transporte que marcaram a vida da cidade, com mecanismos de participação
popular. Meu governo não tentou silenciar os movimentos. Ao contrário, estimulou
que eles tivessem vida autônoma. E eles retribuíram. Houve momentos em que essa
turma acampou na Câmara, por quatro dias e quatro noites, num período de muito
frio, porque os vereadores queriam cassar o meu mandato. Não caí por ter uma
aliança concreta com a sociedade civil organizada.
CC: Lula não buscou essa aliança com a sociedade civil?
LE: O que Lula fazia? Ele colocava as lideranças sindicais
numa mesa para negociar. Criou uma cota de 10% das contribuições para as
centrais sindicais, esvaziando os sindicatos de base. Na prática, cooptou o
movimento sindical. Repare: o dia 1º de maio perdeu completamente o sentido. As
centrais não organizam mais manifestações, parece que nem há mais uma pauta de
reivindicações. Agora tudo não passa de uma grande festa, com shows, sorteio de
automóveis. E por quê? As centrais deixaram de ter uma relação de confronto com
o governo, de luta por novas conquistas. Matou-se a mobilização, o protagonismo
popular, a possibilidade de aliança com esses setores para fazer o enfrentamento
necessário das contradições que se impõem na sociedade.
CC: A chamada “Nova Classe C” foi uma das principais
beneficiárias dos avanços sociais das últimas décadas, mas agora engrossa a
rejeição ao governo Dilma Rousseff e parece ter incorporado o antipetismo. Por
quê?
LE: Os programas sociais não promoveram ninguém de classe.
Eles deram o fundamental básico: alimentação, a comida de todo o dia. Com o
boom da economia, tivemos uma expansão na oferta de crédito. No salário mínimo,
houve recuperação de perdas e um aumento real. Por outro lado, o sistema
tributário não fez isso, pois é regressivo. Proporcionalmente, paga mais quem
ganha menos. Portanto, não foi um governo que emancipou as pessoas. Ele apenas
as transformou em consumidores. Facilitou-se a compra do televisor de plasma,
do celular moderno, do primeiro automóvel. Mas eles querem mais. Não há uma
lealdade com os governos petistas. Num primeiro momento, até poderia haver, mas
na medida em que se sentem ameaçados de perder esse poder de compra, eles se
voltam contra. Até porque essas conquistas não foram resultado de uma luta por
direitos, eles não foram emancipados. Se a economia vai mal, eles perdem tudo.
Mas há um outro momento-chave para entender essa crise, que foram as
manifestações de junho de 2013.
CC: A insatisfação já aparecia com força naquele momento...
LE: Sim, havia uma insatisfação muito grande com os
políticos e com a política em geral. Tinha muitos jovens, mas também adultos,
que vinham agastados com as práticas políticas do País. A palavra de ordem era:
“vocês não nos representam”. Havia uma indignação muito forte com a corrupção.
E essa juventude se via sem alternativa, pois os partidos ligados à organização
dos estudantes também acabaram por cooptar o movimento estudantil. Na verdade,
a maior parte dos movimentos sociais e populares perdeu sua autonomia,
independência e legitimidade pela proximidade com os partidos no poder. Isso
lhes custou a perda do protagonismo. Além da corrupção, os manifestantes
reivindicavam saúde, educação e transporte de qualidade. Emergiu, ainda, uma
enorme rejeição aos partidos. Nenhuma legenda conseguiu se aproximar e tomar as
rédeas do movimento. Aliás, nenhum sindicato, nenhuma estrutura com organização
mais orgânica.
CC: A reação do governo foi inadequada naquele momento?
LE: Muito. Foi uma resposta superficial, improvisada e sem
sustentação alguma. Dilma prometeu, por exemplo, uma reforma política a ser
aprovada por uma Constituinte exclusiva. Não conseguiu emplacar, até por não
ter amparo legal. O programa Mais Médicos, embora importante, não é a solução
para os problemas da saúde. Enfim, ela apresentou um conjunto de medidas
improvisadas, que não se viabilizaram ou que eram incapazes de acenar para a
resolução dos problemas. Acredito que tanto o governo quanto o Legislativo
acreditaram que aquele movimento iria se esvair aos poucos e tudo voltaria a
caminhar como antes. Mas a cinza estava quente, a brasa ainda estava acesa. E a
insatisfação voltou a transbordar em março deste ano. Só que forma mais irada,
mais odienta, com fortes preconceitos e ameaças de retrocesso. Em meio ao “Fora
Dilma”, surgem mensagens de ódio. Até porque a direita está assanhada.
CC: Mas o que explica, então, a reeleição de Dilma em 2014?
LE: Na verdade, não havia uma alternativa. Aécio Neves, do
PSDB, representava mais do mesmo, além de ser um candidato desgastado, tanto
que perdeu no estado dele. Os candidatos tinham propostas muito parecidas, se
nivelavam. Tínhamos a Marina Silva, que ameaçou chegar ao segundo turno. Ela
apresentou o seu programa, mas acabou muito prejudicada, pois virou alvo
constante de ataques dos adversários. Veja o porcentual de votos brancos, nulos
e abstenções. Atingiu quase um terço do eleitorado. É muita coisa.
CC: Não havia uma diferença no campo econômico? Dilma
prometera não ceder à ortodoxia econômica, embora tenha feito o oposto ao
iniciar o segundo mandato, com o seu indigesto pacote de ajuste fiscal...
LE: É verdade. No primeiro mandato, Dilma adotou uma série
de medidas que não agradaram à ortodoxia financeira, ao mercado em geral. Por
isso, ela conseguiu se credenciar junto a um eleitorado que não era exatamente
o dela, mas queria evitar a política econômica do outro candidato, o velho
modelo tucano de governos anteriores. Mas não havia muita opção, ou era o
remédio petista ou o tucano. A proposta de Marina não empolgou, ela virou alvo
de ataques e não soube fazer a defesa adequada, além de não ser a cabeça de
chapa do PSB. Tornou-se candidata após a morte de Eduardo Campos. Há um
conjunto de circunstâncias que explicam o desempenho eleitoral. Mas o fato é
que não havia um candidato favorito, e a prova disso é que ficamos o tempo todo
especulando quem iria para o segundo turno.
CC: Em que medida o desgaste do PT no poder não traz
prejuízos para a esquerda como um todo?
LE: E que esquerda nós temos mais? Temos algum partido de
esquerda? Acredito que temos algumas pessoas, certos princípios, uma referência
socialista, uma utopia que alimenta a muitos. Mas eu não posso mais dizer que o
meu partido, por exemplo, é de esquerda. Aliás, o PT é de esquerda? O PCdoB
também? Se a gente se refere à história dessas legendas, às suas origens, aos
sonhos que eles alimentaram por décadas, podemos dizer que sim. Mas isso não se
reproduz nos dias de hoje. A esquerda está em xeque, porque envelheceu. Os seus
paradigmas, seus propósitos, a sua utopia se esvaziou. É um fenômeno mundial.
CC: A reforma política poderia trazer algum lampejo de
esperança?
LE: Participei de todas as comissões especiais dedicadas à
reforma política desde o meu primeiro mandato, iniciado em 1999. Estou
convencida de que qualquer reforma traria remendos num tecido já esgarçado,
absolutamente não funcional para o momento em que o País vive. Há expectativas
que surgem da evolução das novas tecnologias da informação. A internet está
criando novos valores, paradigmas e exigências. Hoje, temos um marco legal,
institucional e estrutural absolutamente obsoleto. De que adiantaria melhorar
uma ou outra norma eleitoral? Que diferença faria mudar uma ou outra regra
aplicada aos partidos, se eles carregam consigo toda uma cultura ultrapassada?
Há um esgotamento dos modelos de Estado, democracia e representação política.
Por isso, vemos essa rebelião na Espanha, na Grécia, em Portugal, na Itália, na
Tailândia. Mas há também o surgimento de uma nova onda, em que a juventude vem
movida por outros sonhos e utopias. Essa é uma experiência que começou na
Europa e surge agora no Brasil com o Raiz.
CC: O que este novo partido, em formação, traz de diferente?
LE: O Raiz é um embrião. Começou da luta de alguns
companheiros da Rede Sustentabilidade, que se frustraram com a proposta da
Marina Silva após ela fazer uma inflexão para o velho e ultrapassado modelo de
fazer política. Depois, o movimento ganhou a adesão de outros cidadãos
dispostos a participar. Qual é a grande novidade: o sujeito político deixa de
ser a liderança partidária, e passa a ser o sujeito coletivo. Segundo Hanna
Arendt, a política é a ação de sujeitos coletivos. E, atualmente, eles não
querem mais se expressar pela mediação de partidos, e sim por organizações
horizontais, articuladas em rede, de forma absolutamente plural. Mesmo com um
apelo à utopia socialista, suas estruturas, sua forma de organização, até para
disputar o poder, é absolutamente oposta a tudo o que está aí. Eu participei da
elaboração do manifesto do Raiz, vi o documento ser construído coletivamente,
em rede, pela internet e em encontros presenciais. Vi as teses sendo votadas
por todos os participantes. É real isso, eu presenciei. E esses jovens, alguns
com 16, 17, 18 anos, têm uma capacidade de análise política surpreendente.
CC: Essa turma estava nas manifestações de 15 de março?
LE: Não, não. Um ou outro poderia estar, mas não a maioria.
Quem foi para as ruas em 15 de março não parece ter o interesse de construir
nada, de propor uma outra coisa. Mas essa outra coisa vai vingar, pode
escrever. Até porque já está preenchendo um vazio nas mentes e nos corações das
pessoas. Esse é um projeto dos jovens, empenhados em fazer algo diferente. Não
é o fim da política, não é o fim da disputa pelo poder, é algo muito novo em
resposta à crise dos modelos antigos. É uma nova forma de organização política,
sem a forma de um partido, em que o sujeito não tem dono, não tem estrutura
orgânica e rígida. Vai seguir as regras eleitorais de formação de partido só
para se legalizar. Mas a prática política e a relação entre as pessoas é de
outra natureza.
CC: Mas qual é a proposta que orienta esse novo partido?
LE: Temos eixos que marcam a nossa proposta. É o bem-viver,
e não o viver bem. Trata-se de viver em harmonia com a natureza. Propomos o
ecossocialismo, uma proposta de desenvolvimento que leva em conta o equilíbrio
da natureza. Evidentemente, haverá um programa, para não ficar só nas ideias
abstratas. Mas a forma de fazer política é radicalmente diferente. Você viu o
encontro do primeiro-ministro grego, Alexis Tsipras, com a chanceler alemã,
Angela Merkel? Fiquei impressionada. Ele é um menino, bem jovem. Conseguiu
impor-se ao poder maior, forçou a Alemanha a negociar. Repare a diferença nos
semblantes. Merkel, com sua postura sisuda, e o menino Tsipras sorridente, com
uma desenvoltura enorme. Estamos vivendo um novo tempo. Gostaria de ter mais
tempo de vida para ver os frutos dessa experiência que está sendo gestada. O
poder é muito bom, necessário, útil, sem ele você não muda nada. Mas a questão
central é: a quem ele serve hoje? Queremos que sirva ao sujeito coletivo, e
isso é muito novo, é revolucionário. Claro que isso é uma mudança cultural,
leva tempo para ser gestada. Mas eu acredito nisso. E não estou mais com idade
para me enganar e viver uma fantasia.
ASSUNTO DE CAPA
As quatro principais revistas semanais do país Veja, IstoÉ,
Época e Carta Capital começaram a circular neste fim de semana, cada uma trouxe
como assunto de capa um tema diferente.
A Veja trouxe como tema de capa o novo indicado da
presidente Dilma para o Supremo Tribunal Federal (STF), o advogado Luiz Edson
Fachin. Cabo eleitoral de Dilma em 2010, Fachin precisa ser sabatinado no
Senado e a reportagem da revista mostra porque é preciso ser uma sabatina
rigorosa.
O ex-presidente Lula e a presidente Dilma são a matéria de
capa da revista IstoÉ. Segundo reportagem da revista, Lula tenta se afastar do
governo de sua pupila, Dilma que, a cada dia, comete mais trapalhadas.
Época mostra em reportagem de capa como a dengue já fez mais
vítimas neste ano de 2015 do que no ano passado. Segundo a reportagem, erros
cometidos pelos governos levaram o país viver esse momento de epidemia.
FOGO AMIGO
Da IstoÉ
Desde 2003, quando Luiz Inácio Lula da Silva e o Partido dos
Trabalhadores chegaram juntos ao poder, o governo e a legenda da estrela rubra
nunca estiveram tão em conflito como agora. O embate, em muitos aspectos, não
passa de esperta conveniência. Nesse momento, interessa tanto ao PT como ao
governo Dilma Rousseff parecerem longes um do outro. Num jogo de sombras, o PT
tenta se dissociar das medidas econômicas de arrocho adotadas por Dilma, que
estão na contramão das bandeiras históricas da esquerda. Já ao governo, abalado
pela deterioração da popularidade da presidente, é vantajoso se desvincular dos
escândalos de corrupção protagonizados por dirigentes petistas. Na verdade,
porém, embora queiram só o bônus da relação, PT e governo são sócios da crise
instalada no País. Na semana passada, ela se intensificou com o acirramento dos
ânimos no Congresso e colocou em risco o ajuste fiscal tão necessário para o
reequilíbrio das contas públicas do País. Na quinta-feira 7, o pacote só foi
aprovado – e por uma diferença de apenas 25 votos – graças ao apoio de setores
da oposição. O estopim da mais nova crise foi justamente a ação que o PT
empreendeu para tentar se desvincular das trapalhadas de Dilma, como se isso
fosse possível.
Em programa do partido, exibido na noite de terça-feira 5,
que não contou com a participação de Dilma, o PT se colocou frontalmente contra
a terceirização dos empregos e o ajuste fiscal patrocinado pelo Planalto. Coube
ao ex-presidente Lula o papel de mensageiro do PT. A estratégia, no entanto,
revelou-se um fracasso. Porque enquanto Lula, em nome do PT, aparecia na TV
para atacar a Câmara e os deputados aliados por causa do projeto de
terceirização aprovado em abril, em Brasília, a presidente Dilma e o ministro
da Fazenda, Joaquim Levy, suplicavam para que os parlamentares aprovassem o
pacote do ajuste fiscal. Os mesmos deputados aos quais Dilma implorava por
apoio seriam, segundo Lula, responsáveis por fazer “o Brasil retornar ao que
era no começo do século passado”, quando “o trabalhador era um cidadão de
terceira classe, sem direitos, sem garantias, sem dignidade”. “Nós não vamos
permitir esse retrocesso”, afirmou. Claro que o gesto do ex-presidente não
ficaria impune em meio a um ambiente político inflamável.
As declarações de Lula tiveram efeitos colaterais
pesadíssimos. A primeira reação veio da sociedade, que respondeu com os já
tradicionais panelaços organizados nas principais capitais do País. Desta vez
com um agravante: o episódio escancarou que parcela significativa dos
brasileiros não reprova exclusivamente Dilma. Rejeita também o PT e o
ex-presidente Lula, hoje o principal nome da legenda para 2018. Outra reação às
palavras do ex-presidente partiu do Palácio do Planalto. A postura do PT no programa
partidário caiu como uma bomba no governo e exaltou os ânimos entre cabeças
coroadas do partido e do Executivo federal. A interlocutores, a presidente
reclamou que seu partido, numa semana decisiva, deveria ter a obrigação de
fazer a defesa do pacote, e não transferir a responsabilidade do ajuste para o
governo, deixando a parte positiva com o PT, como de fato aconteceu. O PT,via
emissários, respondeu no mesmo tom. Disse que em nenhum momento a presidente os
chamou para discutir as propostas.
Mas foi no Congresso que pegou fogo. O bate cabeça entre o
governo e o PT em torno das medidas provisórias do ajuste foi utilizado pelo
presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), para impor uma grande derrota a
Dilma. A sessão da noite de terça-feira 5 que estava programada inicialmente
para votar uma das MPs do arrocho foi usada para apreciar a Proposta de Emenda
à Constituição 457/2005, conhecida como PEC da Bengala, por estender de 70 para
75 anos a idade máxima de atuação em tribunais superiores. Ao aprovar a
proposta, o Congresso tirou da presidente o poder de nomear cinco ministros do Supremo
Tribunal Federal (STF), três do Superior Tribunal de Justiça, seis do Superior
Tribunal Militar, três do Tribunal Superior do Trabalho e três do Tribunal de
Contas da União. “É evidente que a presidente da República e o vice-presidente
perderam poder”, disse o presidente do Congresso, senador Renan Calheiros
(PMDB-AL), durante a cerimônia de promulgação do projeto. A inversão de pauta
tramada por Cunha foi uma retaliação ao governo.
O líder do PMDB na Câmara, Leonardo Picciani (RJ), expôs a
insatisfação. Avisou que a bancada suspenderia o apoio ao ajuste até o PT
assumir publicamente a defesa da proposta encaminhada pelo governo. “Não vamos
assumir o ônus sozinhos. Não votaremos a MP 665 até que o PT nos explique o que
quer. Se for o caso, feche questão para votação das matérias do ajuste fiscal.
Se não for assim, não contem conosco”, ameaçou Picciani. Embora contrariada, a
maior parte da bancada de 64 deputados do PT se posicionou favoravelmente ao
projeto do governo. Mesmo assim, um parlamentar petista votou contra e 9
faltaram à votação, e, se não fossem os votos da oposição, o texto não teria
sido aprovado. “O PT está cheio de fujões. Deveriam espalhar cartazes de
procura-se”, ironizou o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ). Para
constranger os petistas a votar com o governo, a Força Sindical liderada pelo
deputado Paulo Pereira da Silva, o Paulinho, lotou as galerias do plenário
arremessando notas falsas de dólares estampadas com os rostos de Lula, Dilma e
do ex-tesoureiro da sigla João Vaccari Neto, preso sob a acuação de participar
do esquema de corrupção investigado pela Operação Lava Jato. O deputado
Vicentinho (PT-SP) foi o mais alvejado com cartazes e palavras de ordem que
atribuíam a ele o título de traidor, realçando seu passado de militante
sindical em defesa da luta dos trabalhadores. Próximo ao término da sessão, o
líder do governo na Câmara, José Guimarães (PT-CE) reconheceu a ajuda da
oposição na votação da primeira MP do pacote do ajuste fiscal. “Quero agradecer
toda a nossa base e aqueles da oposição que votaram conosco em função dos
compromissos com o País.”
A Câmara só encerrou a votação da MP na noite de
quinta-feira 7. O texto aprovado indica que o trabalhador só terá direito ao
benefício se tiver recebido 12 meses de salário nos 18 meses anteriores à data
de demissão. Pelas regras anteriores bastavam seis meses de salário para ter
direito ao seguro. O governo pretendia aprovar uma mudança que obrigava o
trabalhador a receber 18 salários antes de acessar o benefício. Com a alteração
do texto de 18 meses para 12 meses, a contenção de despesas caiu da projeção de
R$ 18 bilhões para R$ 15 bilhões por ano.
Apesar da ação desastrada que, ao fim, trouxe mais ônus do
que bônus ao partido e ao próprio Planalto, tentar descolar-se de Dilma, quando
é conveniente, foi a maneira encontrada pelo PT para sobreviver até as eleições
de 2018. Por enquanto, essa estratégia não colou perante os eleitores e
provocou uma crise com o Congresso e com a própria presidente num momento
crucial para o governo. É impossível prever se dará certo mais adiante. “As
declarações de Lula mostram que ele vai se apresentar como uma candidatura
alternativa à Dilma e não como sucessor dela. O afastamento é uma sobrevivência
para o PT. A junção entre o partido e o Planalto não foi ruim para o PT
enquanto o governo ia bem. Mas se o governo de Dilma degringolar, o PT vai
junto”, afirma o cientista político Artigas Godoy, professor da Universidade
Federal da Paraíba. Seguindo essa lógica, a CUT convocou uma paralisação nacional
para o próximo dia 29. Segundo a Central, os protestos serão contra o projeto
de terceirização e as mudanças no seguro-desemprego e na aposentadoria
propostas pelo governo federal. A postura de confronto não ocorre por acaso. Em
conversas internas, líderes sindicais se revelam preocupados com o crescente
desgaste do governo. Para não perder o apoio de suas bases, a alternativa é
tentar retomar bandeiras históricas. “Não há uma briga de fundo. A questão é
tática. Está todo mundo no mesmo barco e para o PT e sindicatos a melhor
estratégia é reafirmar sua identidade”, analisa Godoy.
O PT corre contra o tempo. O quadro para as eleições
municipais de 2016, por ora, é desolador para o partido. O diagnóstico é
baseado em pesquisas internas. Para piorar, há registros de desfiliação de
correligionários tradicionais. No PT da Bahia, o ex-deputado Sérgio Barradas
deixou o partido após 15 anos. O diretório estadual do Rio Grande do Norte e os
regionais de Foz do Iguaçu e Caruaru tiveram desfiliações em massa e, em
Jundiaí (SP), o sociólogo Paulo Taffarello deixou a sigla para se juntar ao
PSOL. Petistas históricos engrossam o coro das críticas. “O PT tem que se
cuidar para não perder a vergonha”, disse o vice-presidente do Senado, Jorge
Viana (PT-AC), um dos fundadores do partido no Acre. Para o ministro do
Desenvolvimento Agrário, Patrus Ananias, o partido absorveu práticas de “uso e
abuso” de poder. “O fundamental agora é o PT recuperar sua dignidade”, disse o
integrante do primeiro escalão de Dilma. Já para o jornalista Ricardo Kotscho,
o ex-ministro da Comunicação do primeiro governo petista, o desgaste da legenda
não só já contaminou Lula como pode limar suas pretensões eleitorais para 2018.
“O panelaço sofrido por Lula e o esfriamento da militância apontam para
caminhos difíceis”, prevê. Ao comentar a participação do líder petista no 1º de
maio no Vale do Anhangabaú, em São Paulo, Kotscho lamentou: “Lula nunca ficou
tão isolado num palanque, sem estar cercado por importantes lideranças
políticas, populares e sindicais. O discurso de Lula também não tem mais
novidades, não aponta para o futuro. Tem sido muito repetitivo, raivoso,
retroativo, sempre com os mesmos ataques à mídia e às elites”. Para o amigo do
ex-presidente, o cenário eleitoral para Lula e o PT é sombrio. “Lula já não
lidera as pesquisas para 2018 em várias regiões do País. Claro que a situação
pode mudar até lá, mas a volta de Lula tornou-se bem mais difícil”,
prognosticou. Kotscho não está errado. Embora o PT, na pessoa de Lula, e
governo se esforcem para demonstrar distanciamento quando lhes é oportuno, as
investigações da Lava Jato tratam de lembrá-los que eles são como irmãos
siameses. Em depoimento à Justiça Federal realizado na terça-feira 5, o
ex-diretor da área Internacional da Petrobras, Nestor Cerveró, afirmou que foi
convidado para o cargo pelo então presidente Lula e a então ministra de Minas e
Energia, Dilma Rousseff. Ele negou qualquer indicação política do PMDB e se
disse mais próximo ao PT. Em outro depoimento, desta vez à CPI da Petrobras na
Câmara, o ex-diretor de Abastecimento da estatal, Paulo Roberto Costa,
responsabilizou a presidente pelas perdas na refinaria de Pasadena, no Texas, e
reafirmou que houve um repasse da cota que era do PP para a campanha da
presidente Dilma em 2010. “Houve pedido de R$ 2 milhões para a campanha da
presidente Dilma, sim”, disse.
sexta-feira, 8 de maio de 2015
OS "PROCURADOS"
Se a mentira tem pernas curtas, e a verdade demora, mas não
falha, o PT tá sentindo na pele tudo isso. O feitiço virou contra o feiticeiro.
Demorou, é verdade. Mas a ficha caiu inteirinha para os brasileiros que não
suportam mais o PT, o Lula, a Dilma e cambada encastelada no Palácio do
Planalto.
Tanto é que em São Paulo e outras cidades do interior aparecem
coladas em postes e paredes e paredões grandes cartazes com o título
“Procurado”, sendo estampadas as fotos de Lula e Dilma, segundo noticia o site
do Estadão.
Os cartazes são feitos aos moldes dos usados nos EUA na
época da ocupação do velho oeste. Com programação visual que lembra papel
antigo, Dilma e Lula são retratados como culpados pelo "roubo" de
direitos trabalhistas e outras rapinagens que vieram à tona na Operação Lava
Jato.
Cálculos por baixo, indicam que apenas na Petrobras a
corrupção fez evaporar da estatal algo em torno de R$ 6 bilhões, cifra que pode
ir mais além.
Isto sem contar os rombos no BNDES, Caixa Econômica Federal,
Correios e Fundos de Pensão. É roubalheira como nunca antes se viu na história
deste país.
O PT não gostou de ‘sinceridade’ dos cartazes, e já anunciou
que vai acionar a Justiça para punir os responsáveis pelos cartazes que já são possíveis
ser vistos nas maiores ruas da capital paulista.
PEDIU PRA SAIR
Francisco Francischini, já não atende mais como secretário de
Segurança do Paraná. Francischini entregou carta de demissão na manhã desta
sexta-feira (08), ao governador Beto Richa (PSDB).
A situação do secretário ficou insustentável após ação
truculenta da polícia com os professores que aconteceu na semana passada,
deixando mais de 200 profissionais feridos. A greve da categoria continua.
A polícia comandada por Francischini impediu a entrada de
professores na Assembleia Legislativa do Paraná. O resultado, já sabemos.
Lamentável!
O desgaste no governo do Paraná é tanto com essa batalha que
aconteceu em frente a Assembleia Legislativa que, na última quarta-feira (06),
o secretário de Educação do Estado, Fernando Xavier que deixou o cargo alegando
motivos pessoais.
quinta-feira, 7 de maio de 2015
OS DONOS DO JOGO
O PMDB é quem governa. a política econômica é do PSDB e o
PT, ah, o PT ! Foi eleito mais faz só figuração.
O PMDB samba na cara do PT, em particular na da presidente
Dilma. As últimas declarações dos presidentes Renan Calheiros (Senado) e Eduardo
Cunha (Câmara), deixam bem claro.
Renan Calheiros acha ridículo a presidente Dilma não ir à tv
no 1º de maio Dia do Trabalhado, porque segundo Calheiros, Dilma não tem o que
dizer.
quarta-feira, 6 de maio de 2015
MOTIVOS PESSOAIS
Francisco Xavier, já não atende mais como secretário de Educação
do Paraná. Xavier pediu demissão do cargo alegando motivos pessoais. A carta de
demissão foi entregue nesta terça-feira (06) ao governador Beto Richa (PSDB).
A situação do secretário ficou insustentável após ação
truculenta da polícia com os professores que aconteceu no fim de abril,
deixando mais de 200 profissionais feridos. A greve da categoria continua.
O secretário de Segurança do Estado, o delegado e deputado
Fernando Francischini está com os dias contados. A demissão ou renúncia de
Francischini já é dada como certa, no máximo até a próxima semana.
terça-feira, 5 de maio de 2015
ALMOÇO EXORBITANTE
R$ 1.495,00 por um almoço em Brasília e pago com dinheiro
público. Se você acha impossível, então leia!
Esta não é a primeira vez e certamente não será a última que
falo sobre a Cota para o Exercício da Atividade Parlamentar (Ceap). A Ceap é um
recurso financeiro disponível a todos os deputados federais e o seu valor varia
de acordo com o estado de origem do parlamentar. Hoje, para os deputados do
Distrito Federal, cabe o menor valor – R$ 27.977,66. Aos deputados de Roraima,
o maior valor – R$ 41.612,80.
Mas, para que serve esta verba?
Teoricamente, a Ceap é “destinada a custear gastos
exclusivamente vinculados ao exercício da atividade parlamentar, observados os
limites mensais estabelecidos no Anexo…” (Ato da Mesa 43/2009).
O Artigo 2º do Ato da Mesa 43/2009, no item VI diz que o
parlamentar pode utilizar deste recurso financeiro para custear despesas com
refeições. Entretanto, apesar de não estar explicitado, outras pessoas não
podem se beneficiar deste recurso, como assessores, secretários, amigos e
parentes, uma vez que…
“Na Administração Pública não há liberdade nem vontade
pessoal. Enquanto na administração particular é lícito fazer tudo que a lei não
proíbe, na Administração Pública só é permitido fazer o que a lei autoriza”.
Meirelles (2000, p. 82).
Com absoluto descaso ao que é público e sem tomar
conhecimento do que a lei determina, alguns deputados utilizam esta verba para
pagar despesas com refeições não apenas dele. Pelo menos esta é a dedução óbvia
que temos ao comparamos as notas e cupons fiscais utilizados para o
ressarcimento (logo apresentarei outros casos similares).
O fato
Nota apresentada pelo deputado garantiu o ressarcimento
depois cancelado pela própria Câmara.
Era um domingo, primeiro dia de fevereiro do ano de 2015.
Vários parlamentares se reuniram num dos mais sofisticados e caros restaurantes
de Brasília, o Dom Francisco, localizado à beira do Lago Paranoá. Um verdadeiro
cartão postal.
A reunião tinha o propósito de comemorar a posse dos
deputados federais. Alguns poucos “barrigas-verdes” da política se misturaram
às velhas raposas matraqueadas e sorridentes.
Um deles, Benjamin Maranhão (SD-PB), após ignorar a ética
que deveria fazer parte de sua jornada política, resolveu que a sociedade
trabalhadora brasileira deveria pagar a sua conta, a módica quantia de R$
1.495,00.
Mas, como alguém sozinho poderia gastar tanto assim com
alimentação em uma única refeição? Talvez não fosse difícil se ele estivesse em
Mônaco ou Abu Dhabi. Mas a trágica história aconteceu em pleno Planalto Central
brasileiro.
No cardápio do pomposo restaurante, o prato mais caro é
Bacalhau na Brasa e ele não sai por menos de R$ 199,80. Mas, ainda sim, como o
nobre parlamentar conseguiu chegar ao valor de quase R$ 1.500,00?
Não é preciso dizer que é humanamente impossível neste caso,
que uma única pessoa consiga consumir quase dois salários mínimos num único
almoço, sendo que bebidas alcoólicas não podem ser ressarcidas.
Então, como se chegou a este valor?
Em contato telefônico com o Noel, assessor do deputado, me
foi prometido o esclarecimento do fato no dia seguinte, mas a promessa não foi
cumprida.
Antes de publicar meu vídeo semanal no Youtube que abordaria
inclusive este tema, eu entrei em contato com a Câmara solicitando
esclarecimentos acerca deste ressarcimento pouco usual.
O vídeo foi ao ar no último dia 29 e neste mesmo dia, a nota
fiscal citada “sumiu” do Portal de Transparência da Câmara. A explicação veio
no dia seguinte em forma de e-mail. A Câmara reconheceu o erro e solicitou ao
deputado o ressarcimento ao erário público que foi prontamente atendido pelo
parlamentar.
Câmara admite pagamento indevido a deputado
Porém, tanto o deputado quanto sua assessoria se mantiveram
em silêncio, demonstrando que não há interesse por parte deles de esclarecerem
os fatos à sociedade brasileira e nem mesmo a seus eleitores.
Para muitos, o caso poderia ser considerado encerrado. Mas
há fatos nessa história que ainda precisam ser explicados:
1 – Que tipo de verificação é realizada nos gastos da Ceap
pela Câmara que não identificou este absurdo?
2 – Até que ponto este trabalho da Câmara é confiável?
A verdade é que esta verba indenizatória é extremamente mal
utilizada. Inúmeros casos envolvendo abusos com o uso deste dinheiro já viraram
notícias aqui no Congresso em Foco e em outros tantos meios de comunicação.
Já houve a “farra das passagens”, a “farra do cotão”, a
“farra da TV por assinatura” e tantos outros casos que não é compreensível
entender como ainda nenhum deputado tenha tomado a frente para exigir mudanças
radicais no uso indiscriminado deste dinheiro público.
Em fevereiro, o Congresso em Foco publicou os gastos
estratosféricos com esta verba na legislatura passada. Foram R$ 753 milhões.
Dinheiro suficiente para erguer 11 mil casas populares ou ainda tirar da
miséria absoluta, um milhão de famílias. Este ano, até agora, a conta já passa
dos R$ 20 milhões.
A OPS (Operação Política Supervisionada) trabalha
diariamente levantando dados, cruzando informações e denunciando os atos
“estranhos” e “inadmissíveis” praticados por políticos que, assim como o Sr.
Benjamin Maranhão, não tiveram ao menos a hombridade de se manifestarem
publicamente.
Infelizmente muitos outros casos ainda serão, em breve,
apresentados aqui por mim.
NEGANDO TRÁFICO DE INFLUÊNCIA
O presidente do BNDES, Luciano Coutinho, classificou nesta
segunda-feira, 4, como "infundada" a denúncia, agora sob investigação
do Ministério Público Federal, de que o ex-presidente Lula exerceu tráfico de
influência para liberação de empréstimos por parte do banco de fomento. Segundo
ele, é "absolutamente impossível qualquer tipo de ingerência" nos
processos decisórios da instituição.
"A hipótese é infundada, dados os processos impessoais,
técnicos, de avaliação, de decisão colegiada em todas as instâncias e, além do
mais, da avaliação de riscos e das garantias em todo e qualquer empréstimo do
BNDES, e isso inclui operação de exportações", afirmou em entrevista à
imprensa após a cerimônia de abertura da 2ª Feira Internacional do Plástico
(Feiplastic), na capital paulista.
Conforme revelou a revista Época na edição desta semana, o
MPF abriu investigação para apurar se Lula praticou tráfico de influência em operações
do BNDES. Coutinho avaliou que a matéria carece de fundamento e disse que
"encaramos com tranquilidade, porque não há qualquer tipo de ingerência
(nas operações do banco), de quem quer que seja".
O presidente do BNDES ressaltou que está em tratativa com a
Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado para revisar as condições pelas
quais o banco de fomento pode liberar informações relacionadas a comércio
exterior. "Queremos adotar práticas mais avançadas de transparência",
afirmou, ponderando que outras agências internacionais não detalham essas
operações, porque muitas vezes envolvem segredos comerciais.
Ele ressaltou que a instituição considerada mais
transparente é o US Exim (Banco de Exportações e Importações dos Estados
Unidos), que "tem práticas muito parecidas com a que nós já temos".
"Vamos aprofundar, porque queremos tornar mais transparente", disse,
lembrando que o banco também analisa uma revisão da classificação específica
das operações com Angola e Cuba.
Questionado se o banco teme a instalação de uma CPI na
Câmara, Coutinho disse que não iria comentar algo que ainda estava no mundo das
hipóteses. O movimento pela instalação do colegiado ganhou força nesta semana,
após a divulgação da investigação do MPF. A oposição espera contar com apoio do
presidente da Casa, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), para emplacar a criação da CPI.
Crise
Coutinho evitou comentar sobre como a instituição pretende
equacionar a captação de recursos em 2015 diante do ajuste fiscal na economia
brasileira, mas disse crer que o banco de fomento conseguirá "atravessar
bem o ano".
"Houve uma desaceleração de consultas, então, creio que
conseguiremos atravessar bem o ano de 2015, atendendo às nossas
necessidades", afirmou. Ele destacou que o banco não exercerá
"pressão sobre a dívida pública". "Isso já é uma premissa",
disse.
Questionado sobre possível captação de R$ 15 bilhões este
ano no mercado interno e externo, como revelou o Broadcast, serviço de notícias
em tempo real da Agência Estado, semana passada, Coutinho não confirmou a
operação. "É um pouco prematuro. Temos de esperar acalmar o mercado",
declarou, explicando que a estratégia de captação do BNDES depende das
circunstâncias do mercado. "Nossa estratégica de captação depende de
circunstância de mercado. Sempre fizemos captação no melhor momento, quando
liquidez e o custo estão mais favoráveis", afirmou.
O executivo informou ainda que a retirada da ressalva pela
KPMG relacionada às perdas do banco acarretadas pela desvalorização da
Petrobras depende ainda da divulgação do plano de negócios da estatal.
"Era uma ressalva transitória. Depende do balanço e do plano de negócios.
Uma condição, portanto, ainda não foi atendida", explicou.
segunda-feira, 4 de maio de 2015
SEM DINHEIRO, SEM FIES
O ministro Renato Janine Ribeiro, afirmou nesta
segunda-feira (4) que o Ministério da Educação não tem verba para novos
contratos do Fundo de Financiamento Estudantil (Fies).
Segundo o MEC, os R$ 2,5
bilhões destinados para novos contratos do programa já foram utilizados em
252.442 novas adesões.
Sério? E como fica o lema do governo 'Pátria Educadora'? Ah,
era mais uma do marketing selvagem do governo Dilma e seu marqueteiro de R$ 78
milhões, João Santana.
No governo da 'Pátria Educadora', Dilma corta R$ 7 bilhões
da pasta da educação e os professores não protestam; engolem tudo sem mastigar,
sem reclamar.
NEM AÍ PARA APOSENTADOS E PENSIONISTAS
Temendo uma derrota no Congresso, a presidente Dilma
Rousseff decidiu editar nesta terça-feira uma medida provisória para garantir a
aprovação da política de valorização do salário mínimo antes de 1º de maio,
quando se comemora o Dia do Trabalhador. Com a popularidade em queda livre, a
presidente fez um apelo para que os parlamentares aceitassem a proposta via
canetada presidencial.
Ao editar a medida provisória, Dilma garante que o texto
possa imediatamente entrar em vigor e supera a queda de braço travada no
Congresso em torno da proposta. No último dia 10, o texto-principal de projeto
de mesmo teor do editado pela presidente foi aprovado, mas faltava a análise de
uma emenda que elevaria os gastos do governo em um momento de corte de gastos:
a que estenderia a correção aos benefícios de aposentados e pensionistas -
medida proposta pela oposição que foi descartada na MP editada nesta tarde.
Em entrevista nesta manhã, o ministro Aloizio Mercadante
(Casa Civil) afirmou que a extensão dos critérios adotados com o mínimo é
inconstitucional e destacou que cada ponto percentual de aumento no reajuste
dos aposentados teria um impacto fiscal de 2 bilhões de reais nas contas da
Previdência.
mbora tenha adotado uma posição dura contra o governo desde
que assumiu a presidência da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ) cedeu à pressão e
decidiu retirar de ofício as emendas ao projeto, dando lugar à medida
provisória. "Eu pautei um projeto de salário mínimo, não de previdência. As
emendas estavam contaminando o objetivo da proposta. Nós não queremos que seja
uma coisa por emenda ou aproveitando da oportunidade possa contribuir para ser
esse o discurso para acabar com o ajuste fiscal", disse Cunha.
Depois do envio da MP, a única forma de estender o reajuste
a aposentados ou pensionistas é por meio de uma nova emenda - que a oposição já
se articula para apresentar.
A decisão do chefe da Câmara foi alvo de críticas de
deputados da oposição. "Ao retirar o projeto da política de salário
mínimo, ele retira aquilo que já foi discutido amplamente e que já foi votado.
Estou vendo um acordão com o governo. O presidente nos pegou de surpresa. É um
conluio a quatro mãos, desfazendo uma decisão do parlamento e dando aval a uma
medida provisória do governo que não altera em nada ao que já foi feito na
Casa", disse o líder do PPS, Rubens Bueno (PR). "A partir de agora
muda a nossa relação pela palavra quebrada pelo presidente da Casa",
continuou.
Na avaliação do líder do DEM, Mendonça Filho (PE), "o
governo editou uma medida provisória porque sentiu o cheiro da derrota ao
reajuste dos aposentados". "Não tem como ficar satisfeito [com a
decisão de Eduardo Cunha]. Minha aposta é a do Parlamento autônomo. Eu fico
muito incomodado com essa lógica de que a gente vira correia de transmissão do
Planalto. O governo passou por cima de um projeto editando uma medida
provisória", disse. E ironizou a aproximação de Cunha com o Planalto:
"Espero que esse seja um amor passageiro".
Uma nova política de valorização de salário mínimo é
necessária porque a regra atual vale somente até o fim deste ano. A lei em vigor
determina que o mecanismo de atualização do salário mínimo seja calculado com a
correção da inflação, medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor
(INPC) do ano anterior, mais a variação do PIB de dois anos anteriores. A MP
valerá somente a partir de 2016.
Conteúdo da Veja
O TRIÂNGULO E O CÍRCULO
É possível ver o poder no Brasil como um triângulo: Dilma,
Renan e Cunha. Olhando melhor, acho que é um círculo. Dilma é a expressão
momentânea de um projeto cuja ideia fundamental é a de que os fins justificam
os meios. Renan e Cunha são os instrumentos usados para enfraquecer o projeto
de Dilma. Combatemos o PT com seu próprio veneno: o círculo se fecha, o
triângulo é apenas uma ilusão.
O que me ajudou a concluir isto foi um texto de Maurice
Blanchot sobre Hermann Broch. O escritor austríaco, em “Huguenau ou o
realismo”, descreve um sistema onde não são os homens que se digladiam nem
acontecimentos que se chocam. O que está em jogo são os valores de que as
pessoas são protagonistas. No interior desse mundo singular, que é o mundo do
sucesso, o Huguenau de Hermann Broch só pode destruir aquilo que o estorva. Ele
não terá remorso nem mesmo lembrança do seu ato. Não percebe, em momento algum,
o caráter irregular de sua ação.
Blanchot acentua: não é um herói de Dostoiévski, o tempo dos
Demônios já passou: “Temos em Huguenau o primeiro dos homens comuns que,
protegidos por um sistema e justificados por ele, vão tornar-se, sem ao menos o
saber, burocratas do crime e contadores da violência”.
Transportando-me da literatura para a política, talvez
tivesse sido mais brando com Dilma, Renan e Cunha se os encarasse apenas como
parte de um sistema decadente que nos envolve a todos. Jamais vi uma centelha
de inteligência nos discursos, entrevistas e debates de Dilma. Leio agora na
entrevista da senadora Marta Suplicy que Dilma é muito culta, gosta de arte e
conhece profundamente vários museus. O repórter não pediu para Marta elaborar
sobre isso de conhecer profundamente vários museus. Mas, no mínimo, é uma
inteligência topográfica, qualidade que deve estimular várias outras.
Sobre Renan, no passado, cheguei a formular um cartaz em que
aparece com um chapéu de cangaceiro e o seguinte texto: “Se entrega, Corisco”.
No caso de Eduardo Cunha, cheguei a conectar seu olhar
enviesado com um estado de espírito, de alguém sempre escondido tramando algo
sospechoso.
Apesar de tudo, tanto Renan como Cunha, em seus impecáveis
profissionalismos, sempre me trataram com gentileza, talvez por compreender que
vivo num mundo de Dostoiévski, cercado de demônios que se extinguiram como os dinossauros,
a máquina de escrever ou o emplastro Sabiá.
Quase toda semana, um empreiteiro preso ameaça arrastar para
o escândalo do Petrolão Lula e o governo do PT. Mas é tudo objeto de cálculo,
engenheiros pensam coisas claras. O que é melhor: delatar agora e reduzir a
pena, ou ser condenado e protelar a execução da pena por vários anos? Com o
tempo vão se unir como nas licitações e retalhar as denúncias premiadas como o
fazem com as grandes obras: a OAS denuncia um edifício, a Camargo Corrêa uma
usina, a racionalidade os acompanhará até o fim.
Vivem como nos Sonâmbulos de Hermann Broch, onde se assiste,
segundo Blanchot, a uma nova forma de destino: o destino da lógica.
Transitar do triângulo ao círculo é admitir que há algo mais
amplo no processo de decadência da vida pública brasileira. Mas não é fácil
para meus modestos recursos. Tudo que posso é apenas querer alcançar o ponto de
fechamento do círculo e ganhar o direito de observar desse ponto um todo unido.
Como dizia Rilke: gosto quando o círculo se fecha, quando uma coisa se junta à
outra: nada mais sábio que o círculo. Os orientais também pensavam assim, e
Jung fez das mandalas o símbolo máximo da maturidade psicológica. Por enquanto
ainda me perco nos triângulos e quadriláteros, apenas arranho a lógica
dominante para encontrar nela os sintomas da irracionalidade.
Cunha contra Dilma, Renan contra Cunha, os lados se movem e
não consigo ver nisto nada além de um triângulo das Bermudas onde desaparecem
os frágeis barquinhos da esperança. Certamente serei acusado de pessimista,
querendo ver abaixo toda essa figura geométrica. A realidade é dura, os seres
humanos limitados, precisamos avançar com calma, dentro das condições
existentes.
O PT jamais hesitaria em usar Cunha e Renan para alcançar
seus objetivos. Mas o que deixou para a sociedade como esperança de
neutralizá-lo é um Congresso independente, liderado precisamente por Cunha e
Renan.
Deus me livre, mas creio que não estou sendo exato falando
de um círculo. Trato de um problema que não se resolve com régua e compasso: a
quadratura do círculo. Talvez olhando para fora, vendo a sociedade em
movimento, consiga vislumbrar a saída. Certamente não virá de manifestações
marcadas com um rígido calendário, como se a indignação tivesse que se submeter
também ao compasso burocrático.
No passado sonhávamos com a imaginação no poder. Reduzidos
os sonhos, vamos esperar, pelo menos, a imaginação na esquina.
Artigo publicado no Segundo Caderno do Globo em 03/05/2015
sábado, 2 de maio de 2015
A CULPA É DO MERCADANTE
Conversa vai, conversa vem, e Lula continua atribuindo ao ministro
Aloizio Mercadante (Casa Civil) as trapalhadas do governo Dilma. Em conversa
com líderes aliados, há dias, ele reafirmou a crítica. Disse – referindo-se a
Mercadante – que Dilma é cercada de “gente desastrada para quem não dei a menor
bola em oito anos como presidente”. Lula acha que os erros de Dilma decorrem de
“conselhos” do ministro.
Trombar com o presidente da Câmara, Eduardo Cunha foi, para
Lula, o maior erro político de Dilma, por influência do chefe da Casa Civil.
Lula acha que Dilma errou ao hostilizar Barack Obama, no
caso da espionagem, e a Indonésia, pela execução do traficante Marco Archer.
Segundo Lula, Dilma deveria ter feito a visita de Estado a
Washington, que ela cancelou, e respeitado as leis internas da Indonésia.
Ao criticar Dilma, Lula esquece um detalhe: a culpe é dele,
por dar cartaz ao aspone Marco Aurélio Top-Top, que define a política externa.
Leia mais na Coluna Cláudio Humberto.
PARE DE USAR
Do UOL
O Tribunal de Justiça de São Paulo determinou ontem (28) que
o PT pare de usar uma ilustração da presidente Dilma Rousseff usada na campanha
pela reeleição de 2014. Caso o PT não cumpra a determinação, será aplicada uma
multa diária de R$ 10 mil enquanto não retirar a imagem do site e do material
de circulação. A ilustração foi usada sem autorização e créditos do ilustrador
Sattu Rodrigues.
A imagem foi amplamente usada pela campanha da presidente
com o slogan "Dilma Coração Valente". O ilustrador entrou na Justiça
no passado questionando o uso da imagem sem os direitos autorais pela campanha
do PT. A decisão sobre a multa não representa a conclusão do processo, apenas
tenta evitar que a imagem continue sendo usada.
"É uma forma de prevenir um prejuízo ainda maior
enquanto o processo não é finalizado", defendeu o advogado André
Marsiglia, do escritório Lourival J. Santos Advogados, que representa Sattu.
"É uma decisão preventiva e muito importante."
Marsiglia afirmou inicialmente houve a tentativa de
conciliação entre o ilustrador e o PT, mas não houve acordo. "O Sattu fez
a ilustração para a revista 'Época' com uma intenção editorial. A campanha ou o
PT passou a usar a imagem sem autorização e sem crédito. A ilustração passou a
ser o ícone da campanha publicitária. Ele ficou chateado e indignado. O PT
chegou a alegar que não era dele."
O ilustrador fez o desenho com base em uma foto Dilma quando
foi ela presa pelo regime militar. A imagem foi usada pela revista
"Época" quatro anos antes da campanha.
"Eu acho que foi uma boa vitória e me sinto mais
tranquilo", comentou o artista sobre a decisão.
O UOL procurou o PT para comentar a decisão, mas o partido
ainda não se manifestou.
E O MENINO DA PORTEIRA...
sexta-feira, 1 de maio de 2015
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