Da revista Piauí
No dia 6 de março de 2011, um helicóptero branco, modelo Esquilo, com apenas dois anos de uso, caiu em Goiás. Além do piloto, estavam o jovem advogado Ricardo Fenelon das Neves Junior, então com 24 anos, e sua namorada, a estudante de direito Marcela Paes de Andrade Lopes de Oliveira, de 22 anos, filha do senador Eunício Lopes de Oliveira (PMDB-CE), dono da aeronave. As investigações apontaram combustível adulterado. Junior foi quem recomendou um aeródromo no interior do estado para abastecer o aparelho, mesmo sabendo que o local não era homologado pelas autoridades da aviação civil. Ocorre que não se deve julgar alguém apenas por não saber avaliar a qualidade de combustíveis. No mês passado, Junior foi indicado diretor do principal órgão fiscalizador da aviação civil do país, a Anac.
O desafortunado incidente aéreo ocorreu durante o Carnaval de 2011, quando os dois namorados resolveram viajar para o interior de Goiás. Depois de dois dias em Três Ranchos, cidade perto da fronteira com Minas Gerais, decidiram visitar a Fazenda Santa Mônica, uma gigante de 21 mil hectares (o equivalente a 21 mil campos de futebol), incrustada no centro do estado, em Corumbá de Goiás. A fazenda está entre os setenta imóveis rurais que o senador Eunício tem na região – há quem diga que ele é o “dono” de Corumbá de Goiás.
O trajeto de 373 quilômetros entre Três Ranchos e Santa Mônica seria feito a 170 quilômetros por hora, no helicóptero de Eunício, cujo prefixo PR-ELO remete às iniciais de seu nome. A aeronave estava registrada como propriedade de uma de suas empresas, que só no ano passado receberam pelo menos 85 milhões de reais em contratos com o governo federal.
Antes da viagem, porém, era preciso abastecer o aparelho. O piloto foi checar o Manual Auxiliar de Rotas Aéreas e percebeu que no percurso não havia nenhum posto homologado pela ANP (Agência Nacional de Petróleo). Afeito a desafios, Junior veio com a solução. O genro de Eunício sempre teve gosto pela aviação – foi estagiário da Procuradoria da Anac e até pouco tempo mantinha um blog sobre o tema, o Hangar20 – e logo informou que no caminho da fazenda havia o insuspeito Aeródromo de Catalão. O local, em obras desde 2009, ainda não fora homologado pelas autoridades para realizar abastecimento. Mas tudo bem. Dava para arriscar. Junior passou os contatos para o piloto.
No dia 6 de março, domingo de Carnaval, a aeronave pousou no Aeródromo de Catalão, no final da tarde. O abastecimento durou poucos minutos, e logo Junior e Marcela estavam de novo no ar. Após uma hora e quinze minutos de voo, uma luz acendeu. Fuel Filter, avisou o sistema do helicóptero. Problemas com o filtro de combustível. O piloto diminuiu a potência do motor, mas não adiantou. Alarmes sonoros apitavam na cabine, a aeronave precisaria fazer um pouso de emergência. O piloto pôs-se a procurar um local, mas não deu tempo. A poucos metros de altura o motor parou e a aeronave de 1,2 tonelada e 8 milhões de reais foi ao chão. Após chocar-se contra a terra, deslizou por 13 metros e foi parar num descampado, já na Fazenda Santa Mônica. Não levaria muito até que dois outros helicópteros chegassem às terras de Eunício para prestar socorro –um do Detran do Distrito Federal, embora o acidente tenha sido em Goiás, e outro do Corpo de Bombeiros. O piloto fraturou três vértebras; Marcela, uma, e teve de ser operada. Junior saiu ileso.
No começo de julho, quatro anos depois do acidente que quase causou a morte de três pessoas, ocorreu o segundo pouso forçado na vida de Junior. Ele foi indicado pelo sogro para ocupar uma das cinco diretorias da Anac, órgão responsável pela segurança de 117 milhões de passageiros por ano. Além do funcionamento de todos os aeroportos, de Guarulhos a Macapá, a agência fiscaliza a atuação de pilotos, determina quais aeronaves podem voar e regula os trâmites da aviação privada e das companhias áreas – não à toa, seus corredores já foram palco da ação de lobistas em prol dos interesses das aéreas nacionais.
Se o Senado aprovar seu nome em votação ainda em agosto, Junior receberá um salário de 14 376,03 reais e a garantia de emprego fixo pelos próximos cinco anos – o cargo não é passível de demissão, só em caso de condenação transitada em julgado. Também poderá influenciar na discussão de questões críticas sobre a aviação civil do país e, ao final de sua gestão, sairá no mínimo com coordenadas para um eventual voo solo na iniciativa privada.
Junior teve seu plano de carreira traçado pelo sogro. O senador tem bom trânsito na Secretaria de Aviação Civil (SAC), feudo do PMDB e à qual a Anac está vinculada. A pasta, criada em 2011, foi entregue ao partido em 2013, numa tentativa de satisfazer o apetite peemedebista por cargos. Da SAC, o nome do genro de Eunício voou até o Palácio do Planalto, onde ficou à espera de uma decisão de Dilma, que não é das mais ágeis nas indicações do segundo escalão.
Enquanto o currículo aguardava a chancela da presidente nos escaninhos da Casa Civil, Junior foi promovido: passou de namorado a marido de Marcela. No dia 20 de junho, os dois se casaram numa cerimônia com mais de mil pessoas, na casa do senador, às margens do lago Paranoá. Junior, filho de uma dentista e de um dermatologista de Brasília, aguardava sorridente a noiva no altar – construído nos jardins da casa do sogro –, sob o olhar de Dilma, do vice, Michel Temer, e do presidente da Câmara, Eduardo Cunha. Marcela surgiu no tapete amarelo, num vestido clássico assinado por Oscar de la Renta. Uma das mãos segurava a do pai, a outra, um buquê de rosas brancas e um terço. Treze dias depois da festa, o currículo foi finalmente desengavetado pela Presidência e aterrissou no Senado.
quarta-feira, 5 de agosto de 2015
GUERRA NO FACEBOOK
Uma briga familiar pode causar danos na imagem do Governo do
Estado do Ceará. O ex-vereador e advogado Régis Benevides denunciou através do
Facebook, a existência de uma máfia dos terceirizados com mais de mil nomes na
Secretaria da Fazenda (SEFAZ), comandada há mais de 8 anos pelo próprio irmão,
o secretário Mauro Filho.
Segundo a denúncia, correligionários do atual secretário
Mauro Filho são agraciados com cargos em troca de votos, no total que pode
ultrapassar mil cargos. Na publicação, Régis Benevides ainda pede a intervenção
da Polícia Federal para investigar essa suposta fraude cobra explicações ao
governador Camilo Santana, "que morre de medo de Mauro Filho, pois ele
sabe muito", segundo acusa o irmão do secretário da Fazenda.
Régis Benevides denuncia ainda a existência de nomeação de
familiares, amigos e correligionários. "Até o chefe de gabinete (prima do
chefe), nomeava amigos e parentes. Compra de votos mesmo, com o dinheiro do
contribuinte", diz o post. O irmão de Mauro Filho promete divulgar
diariamente os nomes dos beneficiados na máfia dos terceirizados, e começa
citando Lilia Benevides, que trabalharia na ouvidoria da SEFAZ.
Com esse escândalo ganhando espaço nas redes sociais, o
secretário Mauro Filho mantém o silêncio, mas sabe que a permanência na Sefaz
começa a ser um problema para o governador Camilo que tem sua autoridade
contestada.
Do CearaNews7
ASSÉDIO IDEOLÓGICO
Tramita na Câmara Federal projeto do deputado Rogério
Marinho (PSDB-RN) que prevê detenção de três a doze meses e multa para
professores que pratiquem "assédio ideológico" em salas de aula.
Apresentada em maio deste ano, a proposta altera trechos do Estatuto da Criança
e do Adolescente (ECA) e aguarda parecer na Comissão de Educação da Câmara.
“Entende-se como Assédio Ideológico toda prática que
condicione o aluno a adotar determinado posicionamento político, partidário,
ideológico ou qualquer tipo de constrangimento causado por outrem ao aluno por
adotar posicionamento diverso do seu, independente de quem seja o agente”, diz
o projeto.
Segundo o deputado, se observa hoje no Brasil "o total
desrespeito e afronta ao direito dos alunos em formar suas convicções a partir
de experiências pessoais e baseadas na formação provida na família e pela religião".
Ainda de acordo com Marinho, são inúmeros os casos de jovens
"doutrinados" por professores e educadores para seguir “ideologia
estatal”.
Além da penalidade de três a doze meses de detenção, o
deputado ainda prevê aumento de até 50% da pena em casos em que o “assédio”
resulte em “reprovação, diminuição de nota, abandono do curso ou qualquer
resultado que afete negativamente a vida acadêmica da vítima”.
“Mais grave ainda é o cometimento dessa ação criminosa para
arregimentar novos afiliados para partidos políticos. O indivíduo em formação
não possui maturidade intelectual suficiente para fazer juízo de valor acerca
de posicionamentos que lhe são apresentados, aproveitando-se o professor dessa
situação”, afirma o deputado.
Do O Povo
A CHANCELER E SEU MUNDO
Tem biografia nova no pedaço, chegou às livrarias Angela Merkel - a chanceler e seu mundo mostra a trajetória política, a vida pessoal da
primeira-ministra da Alemanha, Angela Merkel.
A obra revela a pessoa por trás da personalidade
política, trazendo à tona muitos detalhes intrigantes sobre a trajetória
pessoal e profissional de Merkel.
O autor habilmente examina o pano de fundo por trás da vida da
chanceler e suas convicções ideológicas, a fim de explicar a natureza de seu
poder e seu influente papel na Comunidade Europeia.
BOM DE FARO
A Prefeitura de Barueri, cidade da região metropolitana de
SP, atendeu um pedido do apresentador Rodrigo Faro, contrariou a procuradoria
da cidade e fez um projeto de lei para vender um terreno público para o artista
da TV Record, informa reportagem da Folha de S.Paulo.
TRAINDO O PRÓPRIO PAI
Na eleição de 1994 chegavam denúncias no comitê do meu pai,
então candidato a Senador, que meu irmão Mauro Filho estava mandando votar nos
dois senadores adversários de nosso genitor, mas nunca levamos a sério, até que
um dia, chegaram na serigrafia de um casal amigo, levadas pelo motorista de
Mauro Filho, camisas a serem pintadas com Mauro Filho Dep estadual e os outros
dois senadores, da coligação adversa a de meu pai.
Revoltado, o casal dono da serigrafia, que nutria por nós
grande simpatia, nos chamou até lá e nos mostrou as blusas pintadas. O casal
então guardou uma, eu guardei outra e um irmão meu, chorando, levou pra sua
casa unidade da camiseta.
Obcecado pelo poder e para sentar na cadeira de Camilo
Santana, já articula sua candidatura a vice-governador, o que lhe asseguraria
estar a um passo para realizar sua grande obsessão - GOVERNAR O CEARÁ, mesmo
que para isso tivesse que trair o pai de novo, pisar na própria mãe ou entregar
a cabeça do chefe ao inimigo. E Mauro Filho teve sucesso...naquela eleição, meu
pai perdeu.
terça-feira, 4 de agosto de 2015
LEI PAPA-LÉGUAS
O deputado Marquinho Palmerston (PSDB) apresentou na
Assembleia Legislativa de Goiás um projeto curioso.
Preocupado com os atrasos nos serviços de entrega de comidas
fast-food e suas consequências para o consumidor, o tucano quer estabelecer,
por meio de lei, o prazo máximo de 50 minutos (em dias úteis) e 60 minutos
(fins de semana e feriados) para empresas realizarem o serviço.
De acordo com o texto, que aguarda análise da Comissão de
Constituição, Justiça e Redação (CCJ), o objetivo é “assegurar o perfeito
atendimento ao consumidor de pizzas, lanches rápidos, sanduíches, enfim
alimentos de preparo rápido. Os atrasos são corriqueiros e ninguém se
responsabiliza pelos eventuais atropelos na vida do consumidor, apesar da
cobrança pelo serviço de entrega”.
Em entrevista ao Jornal Opção Online, Marquinho Palmerston
relatou que recentemente pediu sanduíches em um pit-dog do Setor Bueno e o
pedido demorou 1h40 para chegar. “Um desrespeito claro com o consumidor. Às
vezes tem uma criança em casa e quando chega a comida você já nem quer comer.
Por isso é preciso ter um parâmetro para fazer reclamações”, justifica.
Além disso, o deputado conta que se baseou em um projeto de
lei do Rio de Janeiro que também estabelece este tempo limite. “É uma forma de
profissionalizar a atividade. Se não cobrarmos, fica do jeito que está. As
vezes não dão nem um desconto ou sequer pedem desculpas”, lamenta ele.
Questionado sobre riscos aos entregadores — que seriam
pressionados pelas empresas para realizarem as entregas mais rapidamente — caso
o projeto seja aprovado, Marquinho sustenta que “não pensou sobre o assunto
ainda”. “Acredito que as empresas, se quiserem continuar oferecendo o serviço,
vão ter que investir em mais funcionários e não mandar os motoqueiros irem mais
rápido. Mas eu não posso obrigar ninguém a contratar mais”, argumentou.
Se o projeto for aprovado em plenário pelos deputados, as
empresas, restaurantes e lanchonetes terão prazo máximo para a entrega de 50
minutos em dias normais e de 60 minutos em feriados prolongados. O controle
será feita a partir da emissão da nota fiscal dos produtos adquiridos.
O não cumprimento da lei terá quatro tipos de punição:
advertência por escrito, multa de R$ 350,00 no primeiro atraso, R$ 700,00 até a
quinta reincidência e suspensão do alvará de funcionamento do estabelecimento.
Do jornal Opção Online
BRIZOLA, O MITO
A trajetória política, a vida pessoal de Leonel Brizola
rende muitos livros – como já rendeu. Entre alguns livros que li, destaco a
biografia El Caudillo - um perfil biográfico, do jornalista FC Leite Filho e o livro Leonel Brizola - A Legalidade e outros pensamentos conclusivos, organizado por Osvaldo Maneschy,
Apio Gomes, Madalena Sapucaia e Paulo Becker.
O livro mais recente sobre Brizola foi escrito por quem conviveu lado a lado com ele: Clóvis Brigagão e Trajano Ribeiro. O novo livro que
mostra para as novas gerações o lugar de Leonel Brizola na política brasileira
Revivendo grandes momentos da história de Brizola, conseguimos entender o
quanto foi fundamental a sua dedicação ao Brasil.
Autor de pérolas como 'estou pensando em criar um
vergonhódromo para políticos sem vergonha' ou 'Sou como uma planta no deserto,
basta uma única gota de orvalho para me alimentar', Brizola foi o único
político que conseguiu se eleger governador em dois estados - Rio Grande do Sul
e Rio de Janeiro.
Resistiu à ditadura militar e teve uma imprescindível
participação no processo de redemocratização do país. Criou o PDT e se dedicou
durante cerca de 50 anos a luta por uma nação independente das amarras
estrangeiras, por uma educação de qualidade e inclusiva e por ideais que o
mantinham firme em direção ao sonho de se tornar presidente do Brasil.
Ao seu lado nessa trajetória estiveram Clóvis Brigagão e
Trajano Ribeiro, que agora decidiram revisitar seus baús repletos de memórias
para contar fatos interessantes e curiosos da vida política do gaúcho.
São pontos de vista de dois companheiros que acompanharam de
perto cada detalhe do retorno de Brizola ao Brasil e estiveram juntos na
trajetória daquele que até hoje permanece no inconsciente coletivo de muitos
brasileiros como um verdadeiro mito.
RECORDANDO PADRE PALHANO
Hoje, 4 de agosto, dia que se comemora o Dia Do Padre, o blog Sou
Chocolate e Não Desisto relembra a trajetória política de Padre Palhano
de Sabóia.
Após a renúncia a Prefeitura de Sobral, o Deputado Pe.
Palhano tentou vôos mais altos, representando Sobral e o Ceará em Brasília.
Todavia, com a morte de seu maior opositor, Coronel Chico Monte
em 16 de março de 1961, Padre José Palhano de Sabóia não detivera a
oportunidade de disputar diretamente uma eleição contra o velho coronel. Apesar
de, ter realizado uma administração singela frente ao Paço Municipal, o Padre
piloto, disputa a eleição de 1962, como candidato forte da Região Norte do
Estado.
No pleito citado, o Prefeito Padre, enfrentaria uma dupla
missão; eleger-se ao Congresso Nacional, e “fazer” seu sucessor. Esse lançara
Jerônimo de Medeiros Prado – UDN- e a oposição expunha ao crivo dos
sobralenses, o mais novo desafeto de José Palhano, seu ex-amigo Cesário
Barreto. Este vencera as eleições municipais com 8471 sufrágios, derrotando o
candidato do Prefeito-candidato Padre Palhano de Sabóia. (RIBEIRO: 2001: 25)
No entanto, apesar do dissabor de não eleger seu sucessor,
Padre Palhano, estabelecia o fim da Era Montista, elegendo-se Deputado Federal
com significativa votação. Foram 7842 sufrágios, mais até que a votação dos
candidatos de oposição juntos. Francisco Adeodato com 3438 e Marcelo Sanford
com 2562 votos.
Desta feita, com sua vitória a Deputado Federal, ele passou
de líder local á liderança nacional, pondo fim a “liderança” do velho coronel,
e doravante, principiando uma nova era política em Sobral.
A partir do fim da “Era montista”, Sobral vivenciava novos
ares políticos e chegaria ao fim o período do coronelismo tradicional na
cidade. O município deixava de viver sob a égide de um chefe político com todos
os pressupostos de coronel tradicional – o título, as práticas políticas, o
voto de cabresto, clientelismo, intimidação do eleitorado, truculência e
comando político de apenas um sujeito-, essas são as principais características
de um legítimo coronel tradicional.
Senão, o coronel Chico Monte detinha toda essa identidade
coronelística supracitada e ainda, perdurava no poder com as práticas políticas
discutidas, e, como fala Lustosa da Costa; esse fora o “o último dos coronéis”.
Entretanto, o coronelismo não findou, apenas se adequou as novas perspectivas e
contexto político e social cedendo margem ao “o Novo Coronel”, este não mais
tendo as características e identidade de Chico Monte, mas, representa-se nos
sujeitos da modernidade; o Coronel advogado, médico, empresário, engenheiro,
padre, ou seja, de fato ainda há os coronéis na Nova Era (PARENTE: 2000:388).
Não obstante, a vitória de Padre Palhano de Sabóia em 1958 e
1962, derrotando a facção montista, constitui um marco na História política de
Sobral visto que, desde então nenhum outro grupo partidário conseguiria
permanecer no poder local por mais de dois mandatos. Fato esse ocorrendo apenas
duas vezes em toda a segunda metade do século XX. Primeiro com um dos liderados
de Padre Palhano, em 1972 José Parente Prado que vencera com 13529 votos, o
candidato do grupo dos Barretos, Carlos Alberto Arruda que perdera com 11331
sufrágios. Esse também, apoiado pelo Padre político, elegera José Euclides
Ferreira Gomes Júnior com 15079 votos, que vencera o “inimigo gratuito de
Palhano” - Palhano se referia assim ao candidato derrotado-, Cesário Barreto
que obteve 14658 votos.
Outrossim, no segundo caso, o mesmo, José Prado, Prefeito de
Sobral de 1989-1992, elegera seu sucessor, Ricardo Barreto Lima em 1992, numa
união inesperada das facções de Prados com Barretos principiada em 1989, em
oposição a facção dos Ferreira Gomes, vencendo, José Pimentel Gomes.
Desta feita, conforme discutido já nesse trabalho, após
Padre Palhano por fim ao coronelismo tradicional, não se teria em Sobral a
mesma experiência de poder do velho coronel, no século XX. Este apenas seria
superado no século seguinte, com o advento da “Era cidista”.
Contudo, o personagem central da discussão proposta nesse
trabalho, configura-se como o “divisor de águas” na História e memória da
cidade. Haja visto, as reminiscências e salto no recorte histórico que se faz
necessário na discussão proposta, afim de que se possa estabelecer boa
compreensão das teses propostas nesse trabalho. Desta feita, observa-se o
quanto a presença e influência na memória política de Sobral de Padre Palhano,
estabelecendo assim um aspecto simbólico dum vir-a-ser antes e depois de José
Palhano de Sabóia.
Todavia, com o advento do Golpe Militar, era cessado o
período democrático no Brasil, e com a conivência dos militares, a oposição
consegue reunir documentos que resultariam na cassação de Padre Palhano quando
Deputado Federal. A documentação era referente ao período em que o mesmo,
exercia as funções de Prefeito.
O sucessor, do Padre piloto, Cesário Barreto ao assumir o
Paço, fizera auditoria na Prefeitura e elaborara documento que comprovaria uma
série de irregularidades de seu sucessor. Essa documentação fora formulada como
dossiê publicado com o seguinte título: “A verdade sobre a administração
Palhano”. A referida publicação pressupõe possível descalabro, pífia gestão e
desagravo ao gestor Padre Palhano (LIMA: 1963).
A medida que, era estabelecido o golpe militar, dispondo de
dois parentes militares, o Prefeito Cesário Barreto, consegue que o Deputado
Federal Padre Palhano de Sabóia seja cassado, tanto o mandato como os direitos
políticos em razão das acusações impetradas e apresentadas pelo seu ex-amigo,
então Prefeito Cesário Barreto.
José Palhano, então ex-deputado, anos depois em 4 de outubro
de 1967 apresentara documentação, que comprovaria sua inocência quanto as
acusações que resultara na perda de seu mandato, intitulado “Em busca da
Verdade” (SABÓIA: 1967), apresentado pelo Deputado Federal Osíris Pontes, que
expôs defesa no Congresso Nacional das acusações impetradas pelo Prefeito
Cesário Barreto.
Contudo, não mais valeria muito a comprovação de sua
inocência e absolvição das denúncias. Haja visto, que sua trajetória política
já havia sido abortada precocemente e fortemente comprometido suas aspirações
políticas, por tal razão, não mais tivera oportunidade de ocupar novos cargos
políticos.
Entretanto, José Palhano atribuía as duras posições
contrárias pelos seus opositores, o motivo de que “descobriram na minha pessoa
uma ameaça de provável futuro competidor”. Desta feita, apontamos três
principais características que simbolizam a derrocada do príncipe do clero
sobralense, são: a morte de D. José Tupinambá, uma oposição implacável e o
advento do golpe militar.
Visto isso, com sua perda de mandato e desaparecimento da
vida pública, ao menos de forma direta em cargo eletivo, o Padre cassado, não
pode alcançar destaque como coronel tradicional, de mesma identidade e
características semelhantes ao coronel Chico Monte. Assim, esse não fora um
coronel de fato, mas sim, o algoz e responsável pelo Fim do Coronelismo
Tradicional em Sobral.
Do blog Política com “P”
O PORTÃO
Em sua trajetória política, pela terceira vez, Dirceu é
preso; na Ditadura, no Mensalão – que cumpria pena domiciliar – a agora, na
Operação Lava Jato.
Segundo os investigadores, Dirceu é um dos responsáveis de
criar um esquema de corrupção na Petrobras quando era ministro da Casa Civil do
presidente Lula.
Charge de Sinfrônio
NEM É BOM LEMBRAR
Uma polêmica começa a surgir em Campinas e pode ganhar o
Brasil com a criação do 'Dia do Gol da Alemanha', numa referência à derrota de
7 a 1 do Brasil para o time europeu na Copa do Mundo de 2014. Embora o projeto
de lei esteja no singular, todos sabem que foram bem mais do que apenas um gol.
"Não é para ser comemorado e sim para ser lembrado como
o dia da maior tragédia do futebol brasileiro", essa é a justificativa de
um vereador de Campinas, no interior de São Paulo, que propôs o projeto que
institui o dia 8 de julho como o 'Dia do Gol da Alemanha', quando a seleção de
Felipão apanhou da Alemanha no Mineirão. O projeto foi protocolado nesta
segunda-feira na primeira sessão da Câmara, após o recesso de julho, pelo
vereador Jota Silva (PSB).
"Longe de ser um dia para piadas e gozações e sim um
dia para refletir e pensar na construção de um futebol sem corrupção, sem
batalhas entre torcidas organizadas, ou seja, um futebol para o povo", diz
o político para justificar o projeto a fim de relembrar o dia em que a seleção
brasileira foi goleada em sua pior apresentação num Mundial.
O vereador, que é locutor esportivo de uma rádio de
Campinas, disse que a ideia é que em todo dia 8 de julho sejam promovidos
debater e atividades para lembrar a "tragédia do Mineirão". Segundo Jota Silva, essa é uma oportunidade
de o município discutir a situação do futebol brasileiro, já que os clubes de
Campinas (Guarani e Ponte Preta) "fazem parte deste caótico e falido
futebol".
O vereador defendeu a seriedade do projeto de lei e disse
que "não tem nada de piada nisso", mas sim organizar um debate
permanente (todo dia 8 de julho) sobre os rumos do futebol. "Guardadas as
devidas proporções, todas as grandes tragédias mundiais são lembradas. Porque
essa tragédia no esporte brasileiro também não deveria ser lembrada?",
questionou.
Em seu terceiro mandato na Câmara de Campinas, Jota Silva é
autor de projetos de lei que instituíram na cidade, por exemplo, a 'Semana da
Música Sertaneja', 'Dia do Policial' e o 'Dia do Instrutor de Autoescola'.
DUPLO HOMICÍDIO
O prefeito da cidade de Matrinchã, Daniel Antônio de Sousa
(PTB), de 50 anos, e sua esposa, Elizeth Bruno de Barros, foram encontrados
mortos na chácara onde moravam, nesta terça-feira (4), conforme informações da
Polícia Militar.
Os policiais encontraram marcas de tiros nos corpos do
casal, mas ainda não têm informações sobre a motivação nem o horário do crime.
Com apenas 4 mil habitantes, Matrinchã fica na região noroeste de Goiás, a
cerca de 260 km da capital.
O delegado Paulo Roberto Tavares, responsável pelo caso,
informou ao G1 que "tudo leva a crer que seja um duplo homicídio". Os
corpos, segundo ele, foram encontrados nesta manhã por dois assessores do
prefeito que tinham uma reunião marcada com ele.
Segundo o delegado, havia vestígios de sangue do lado de
fora da casa. A área do local do crime está isolada enquanto a Polícia
Técnico-Científica realiza a perícia.
A Associação Goiana de Municípios (AGM) informou, em nota,
que está “enlutada” e “lamenta o fato”. O presidente do órgão, Cleudes
Bernardes Baré, disse que tomou conhecimento da notícia quando viajava para
Brasília, onde cumpriria uma agenda junto a Confederação Nacional de
Municípios. Logo que soube, ele retornou a Goiânia para acompanhar o desenrolar
da investigação.
Do G1, em GO
segunda-feira, 3 de agosto de 2015
DE VOLTA PARA A CADEIA
O ex-ministro da Casa Civil José Dirceu é um dos alvos da
nova fase da Operação Lava Jato, que acontece na manhã desta segunda-feira (3)
em Brasília e nos Estados de São Paulo e Rio de Janeiro. A informação foi
confirmada pelo advogado do ex-ministro, Roberto Podval.
PIRAÇÃO INTERNA BRUTA
Artigo de Fernando Gabeira
O início de agosto vai me colher numa viagem pelo interior
do Tocantins. Precária conexão por telefone e internet. Em outros momentos,
mergulhar no interior é mais fácil. Mas agora, surpresas acontecem com muita
rapidez. Como será o Brasil quando voltar? Minha ligação emocional com o país não
me abre alternativas. Plutão? Pequeno, redondinho, uma lua chamada Charon, mas
um coração de planícies geladas. Kepler 452-B? Muito longe, e os endereços
seriam complicados: Kepler 452-B, SQS, QI 4 casa 2.
Ouço entre os mais jovens e competentes que a alternativa é
o aeroporto. Permitam-me lembrar que daqui a pouco os aeroportos podem estar
tomados pela Polícia Federal. As concessões para sua exploração foram entregues
às empresas do Lava-Jato. Imaginem o que aconteceu?
Agosto talvez coloque algumas coisas no eixo, com a volta
das manifestações. Lula e Dilma estão pisando em brasas, e isso ferve seus
neurônios. Lula afirmou que os petistas são perseguidos no Brasil como os
judeus na Alemanha, os cristãos em Roma, os italianos sob o fascismo. E Dilma garantiu
que a operação Lava-Jato é responsável pela queda de 1% no PIB. O restante foi
derrubado pelo suspeito de sempre: a situação lá fora.
Não basta contestar Lula mostrando que Curitiba não é
Dachau. Nem tentar ajudá-lo mostrando que os leões comiam cristãos na arena,
mas aqui o leão é apenas um cara de bigode, anunciando que a Receita Federal já
recuperou mais de R$ 200 milhões em impostos das empresas da Lava-Jato.
Compreendo que se sintam perseguidos e queiram buscar
aliados confortantes na história: judeus, cristãos, democratas italianos.
Ninguém diz abertamente: estamos sendo perseguidos como Al Capone ou a Máfia
Siciliana. De um ponto de vista objetivo, gângsteres e a máfia são o melhor
exemplo. Foram simultaneamente perseguidos pela polícia e fisco, dentro das
normas democráticas que, por sinal, inexistiam no nazismo, no fascismo e na
própria Roma antiga.
Dilma resolveu que a Lava-Jato provocou uma queda de 1% no
PIB. Como calculou isso? Nunca se devolveu tanto dinheiro roubado, nem se
arrecadou tanto com impostos sonegados. Ela queria bater de frente com a
operação que desvendou os mistérios das campanhas milionárias. Não teve
coragem.
Na opinião dela, o Brasil está devastado por juízes,
procuradores e policiais que cumprem sua missão com eficácia. Se deixassem
soltos e intocados os empreiteiros e políticos, a magia do crescimento, via
corrupção, estaria garantida. Pelo menos 1% do PIB.
Não retomo argumentos de Lula e Dilma para criticá-los. O
Lula, para mim, tem habeas-língua, pode dizer qualquer bobagem. E Dilma
simplesmente não é do ramo, apesar da juventude na luta armada. Ou talvez por
causa dela: muitos na luta armada desprezavam a política.
Retomo apenas para, modestamente, sugerir a mudança de foco.
Eles reconhecem que são detestados, petistas se sentem perseguidos, mas são
incapazes de refletir profundamente sobre as causas. Comparar militantes de um
partido acusado de corrupção e incompetência com seis milhões de judeus mortos
nas câmaras de gás só faz aumentar a raiva das pessoas que têm um mínimo de
conhecimento do mundo. Atribuir a queda do PIB à mais séria das investigações
sobre assaltos que, inclusive, arruinaram a Petrobras significa admitir que a
corrupção é o dínamo do crescimento, e quanto mais bandido for o governo, mais
chance tem de levar o Brasil ao seu destino glorioso.
Tanto Lula e Dilma estão preocupados com a tolerância e
querem reduzir a tensão na política brasileira. No entanto, seus passos são
provocativos. Quanta tinta não vai se gastar para mostrar que Dilma agiu de má
fé ao atribuir a queda do PIB à operação Lava-Jato? No caso de Lula, sua frase
é de uma ignorância tão contundente que ninguém vai se dar ao trabalho de
escrever sobre ela.
De qualquer maneira, o essencial está aí: Dilma, Lula e o
PT, através da negação do assalto e das críticas aos procuradores e PF, são uma
das causas da rejeição ao governo e ao PT. O interessante é que se vestem de
laranja, sujam as mãos de óleo, enrolam-se na bandeira para defender a
Petrobras, mas quando se revela como ela foi aniquilada pelos saqueadores,
colocam-se contra a polícia que investiga.
É difícil transmitir a eles a ideia de que truques do PT não
colam mais. Dilma vai fritar ovo na televisão, sujar o avental, pedalar, beijar
o netinho, abraçar Lula no dia do amigo e estranhar a rejeição a uma presidente
“tão humana”. A mulher do empreiteiro talismã do PT, Marcelo Odebrecht, diz num
bilhete ao marido, sobre o jantar com sindicalistas: “Espero que não suje
minhas toalhas de linho. Vou pirar”.
Não se preocupe cara Odebrecht. Caiu um PIB mas aumentou um
outro: Piração Interna Bruta. Vocês já piraram lá atrás, no começo de tudo.
domingo, 2 de agosto de 2015
AGOSTO CHEGOU
Agosto chegou e, na política brasileira, o mês tem histórico
sombrio. O suicídio de Getúlio, o acidente automobilístico que matou Juscelino
Kubitschek, a morte de Eduardo Campos e a renúncia de Jânio Quadros: tudo
aconteceu em agosto.
Foi num fatídico mês de agosto que Fernando Collor perdeu
definitivamente o apoio popular em seu processo de impeachment. Agosto é tido
como o mês das bruxas, cachorros loucos.
Agosto vai ser mês tenebroso para a presidente Dilma;
rompido com o governo, o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ) vai
centrar fogo no governo.
Nas primeiras semanas de volta aos trabalhos legislativos,
Cunha deve instalar a CPI do BNDES, a dos Fundos de Pensão, analisar os 12
pedidos de impeachment da presidente Dilma.
ASSUNTO DE CAPA
As quatro principais revistas semanais do país Veja, IstoÉ,
Época e Carta Capital começaram a circular neste fim de semana.
Cada revista trouxe um tema diferente, porém, os assuntos de
cada publicação é a situação do país: política, econômica e os novos rumos que
podem resultar num impeachment da presidente Dilma.
TODO AQUELE IMENSO MAR DE LIBERDADE
Em Todo aquele imenso mar de liberdade, o autor destrincha
a história de um dos maiores colunistas políticos do país, Carlos Castello
Branco, o Castelinho. O autor dá uma aula sobre a vida política do país em uma
época em que tudo o que o governo queria era esconder o jogo.
De colunista do Jornal do Brasil a secretário de imprensa do
presidente Jânio Quadros, Castelinho teve de conviver até seus últimos dias com
a morte de seu filho Rodrigo, vítima de um desastre de carro em Brasília.
Outras angústias, pessoais e profissionais, também estão
relatadas, bem como frustrações que não deixam de vir acompanhadas das
alegrias, glórias, vitórias, histórias bem-humoradas e tiradas memoráveis.
Com sua Coluna do Castello, tornou-se ícone da imprensa
brasileira, cuja vida esta biografia, mesmo quando revela suas fraquezas.
Sinopse
VIÚVAS, PESCADORES E DESEMPREGADOS
Artigo de Fernando Gabeira
*Fernando Gabeira é jornalista
O chamado ajuste fiscal foi um ajuste no cinto das viúvas,
dos desempregados e dos pescadores. O governo reduziu brutalmente seu alcance,
sob o argumento de que a realidade é pior do que imaginava. Ou o governo não
tinha uma ideia precisa da realidade ou contou mais uma mentirinha para embalar
o País. A tática de Dilma é esta. Ela não muda jamais. Apenas conta uma nova
mentirinha para ganhar tempo. Foi assim nas eleições, foi assim com o ajuste
fiscal.
Sempre que as coisas complicam, Dilma chama o marqueteiro
João Santana para buscar uma saída. A próxima tese a ser desenvolvida no
programa do PT, certamente ao som das caçarolas, é a de que o Brasil foi pior
no passado. Essa brecha é excelente como orientação aos ministros. No caso do
crescimento da dengue, poderiam fazer um programa mostrando que a gripe
espanhola foi muito pior, ou a peste bubônica, por exemplo.
Uma das razões que condenam o ajuste fiscal de Dilma é o seu
isolamento político. Quanto mais isolada, mais gastará para sair da marca do
pênalti. Um exemplo: as emendas parlamentares. Em épocas normais, o governo as
libera a conta-gotas. No auge da crise, está liberando geral, para evitar novas
derrotas no Congresso. E vai empregar em massa quadros de segundo e de terceiro
escalões.
O destino de Dilma, que precisa gastar para sobreviver e
morre um pouco mais quando gasta, é parecido com o de um personagem de Balzac
no livro que se chamou aqui A Pele de Onagro. A cada desejo que um talismã
mágico realiza, a pele se contrai e a morte do dono do talismã se aproxima.
Isso é uma interpretação pessoal de um dos elos entre
política e economia. Num cenário de triunfo do populismo, sobraria algum
caminho demagógico para trilhar. Mas o Brasil iria para o espaço, não
necessariamente para Plutão ou o Kepler-452b, mas para a Grécia em ruína.
Não é golpismo pensar no Brasil sem Dilma. Na verdade, é uma
das tarefas dos que procuram uma saída no horizonte. Uma saída que só pode ser
constitucional. O que há de golpismo em pedir impeachment de um presidente?
Está previsto em lei.
A democracia é tão elástica que absorve até projetos que
mudem a lei, como, por exemplo, a legalização da maconha e a união gay. Se não
é proibido tentar, democraticamente, alterar uma lei, por que o seria utilizar
uma lei que já existe?
Toda essa gritaria sobre golpismo é um mecanismo para
intimidar. Agora decidiram, além de intimidar, comover a plateia. Lula disse
que os petistas são perseguidos como os judeus no nazismo, os cristãos em Roma,
os italianos no fascismo.
Curitiba não é Dachau ou Auschwitz. E em Roma os cristãos
eram entregues ao leão na arena. Num único momento eu me lembrei do leão, um
cara de bigode da Receita Federal que disse que havia arrecadado parte do
imposto que as empreiteiras devem no petrolão e esperava arrecadar mais.
Cristãos estão sendo trucidados no Oriente Médio. E um dos seus algozes é o
Estado Islâmico, com quem Dilma queria dialogar.
Ao recusar um encontro com Dilma, a oposição mostrou que não
gosta mais de apanhar. Já é um passo. Muito pequeno, entretanto, para o árduo
período de transição até 2018, quando esperamos, simultaneamente, um
abrandamento da crise e novas eleições.
Essa transição não se fará excluindo partidos políticos. Mas
é preciso encontrar uma fórmula em que tenham peso também forças sociais não
diretamente envolvidas com o processo eleitoral.
A transição é dura. Possivelmente, os líderes da oposição
temem consertar todos os estragos feitos pelo PT, que usaria este período para
propor de novo o paraíso. Eles temem, creio, um cenário perverso: o PT
desorganiza a máquina econômica, se afasta durante o conserto e volta,
triunfalmente, para arrasá-la de novo.
É um cenário que ignora o aprendizado do povo brasileiro e
supõe que ele vá se comportar sempre da mesma maneira, independentemente de sua
experiência histórica.
São essas dificuldades do Brasil pós-Dilma Rousseff que
inibem a oposição e outros atores democráticos. A opção de deixá-la sangrando,
fazer com que pague por seus erros, tem a força da inércia.
O fiasco do ajuste fiscal indica o horizonte de crise que se
estende até, pelo menos, 2017. Para quem está desempregado, a crise adia suas
esperanças; para quem teme o desemprego, aprofunda sua angústia; para quem tem
sonhos de progredir no próprio emprego, a saída é se conformar.
São dois caminhos claros para a escolha nacional: com ou sem
Dilma.
Naturalmente, há os que ainda acham o governo bom e
gostariam de vê-lo continuar. São poucos, segundo as pesquisas. Mas, ainda
assim, é muito grande o número de pessoas que acham que o governo deve
prosseguir, apesar de tudo. Ou por um discutível respeito à lei ou pelo prazer
de ver o PT se queimando nos incêndios que o próprio partido provocou.
Existem frentes, relativamente autônomas, impulsionando uma
saída. Uma dessas frentes é o Tribunal de Contas da União (TCU), que julgará as
pedaladas fiscais. Outra é o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que julgará as
denúncias sobre a campanha de Dilma.
As anotações de Marcelo Odebrecht falam em avisar ao Edinho,
tesoureiro de Dilma, que as contas na Suíça poderiam chegar à campanha dela. As
contas na Suíça foram, parcialmente, reveladas.
Tudo isso já não depende tanto de interferência, apenas de
atenção. O problema é pensar um caminho até 2018 com um enfoque na economia.
A tendência, além do aumento do desemprego e das tensões
sociais, é também da multiplicação de ruínas, por falta de investimento. O
projeto de Dilma, assim como o de Lula, era o de um crescimento impulsionado
pelo poderoso Estado brasileiro, hoje falido.
No fundo, aquelas pontes fantasmas do Tocantins que ligam o
nada a lugar nenhum são a antevisão de alguns esqueletos com os quais vamos
conviver nos próximos anos.
sábado, 1 de agosto de 2015
OTIMISMO IRRESPONSÁVEL
Editorial, O Estado de S.Paulo
Ninguém espera que num momento de crise um governante
demonstre desesperança, mas Dilma Rousseff abusa da paciência dos brasileiros,
subestimando-lhes o discernimento com demagógicas e irresponsáveis
manifestações de otimismo. Na reunião com os governadores que promoveu na
quinta-feira em Brasília, depois de afirmar que não nega a existência de
problemas, mas garante que o governo “tem como enfrentar essas dificuldades e
em um prazo bem mais curto do que alguns pensam, voltar a ter, assistir à
retomada do crescimento da economia brasileira”, a presidente da República
tentou explicar como se faz isso: “Estou tentando mostrar que o estímulo à
exportação, o investimento em infraestrutura, a retomada do crédito e a
expansão do consumo vão fazer o Brasil voltar a crescer”.
Se tudo é tão fácil e óbvio, o que é que Dilma está
esperando para operar esse milagre e acabar com a agonia dos brasileiros? Ou
ela estava apenas ministrando aos governadores uma aula de princípios básicos
de economia que ela própria não quer ou não consegue seguir?
A verdadeira razão pela qual a chefe do governo convocou os
governadores para essa encenação em palácio foi resumida pela colunista do
Estado Eliane Cantanhêde: “Dilma só queria tirar uma foto e dar um grito de
socorro contra o impeachment. Seria só patético, não fosse dramático que uma
presidente recém-eleita, com apenas meio ano de mandato, tenha chegado a esse
ponto”.
Por ironia, a presidente comandou essa pantomima na capital
federal exatamente no mesmo dia em que o governo anunciava um inédito déficit
fiscal semestral de R$ 1,6 bilhão e cortes de R$ 1 bilhão no orçamento da
Educação, R$ 1,18 bilhão no da Saúde e R$ 4,6 bilhões no das obras de
infraestrutura previstas no PAC. É o caso de perguntar: como é que a chefe de
um governo que não consegue pagar suas contas e ainda é obrigado a cortar
recursos previstos para áreas essenciais da administração tem coragem de, como
se ainda estivesse em cima de um palanque eleitoral, fazer promessas obviamente
delirantes?
Em seu discurso de meia hora aos governadores Dilma expôs as
razões das “dificuldades passageiras” que ela reconhece existirem, mas apenas
como uma fase de “travessia”: crise internacional, desvalorização do real em
relação ao dólar, aumento da inflação, retração do consumo, falta de chuva,
etc. Mas teve o cuidado de esquecer a razão principal da crise: o malogro da
“nova matriz econômica” intervencionista, estatizante, que impôs ao País,
agravado por sua própria incompetência gerencial e política.
Tratando, de modo cautelosamente velado, do verdadeiro
motivo da convocação feita aos governadores – seu desejo de que todos colaborem
politicamente para impedir que progrida a ideia do impeachment –, Dilma tentou
ser sutil: “Essa é uma reunião que tem um papel muito importante nos destinos e
na condução dos caminhos do Brasil”. E passou a desenvolver um raciocínio no
qual está implícita a ameaça a cada um dos governadores – se ela rodar, eles
próprios correrão também o risco de perder o mandato.
Dilma cometeu com os governadores a injustiça de equipará-los
a si mesma, simplesmente porque foram todos “eleitos num processo democrático”.
A campanha eleitoral de Dilma nada teve de “democrática” no sentido de que foi
baseada em promessas mentirosas quando passou a atacar seus opositores,
atribuindo-lhes a intenção de adotar medidas econômicas impopulares que ela
mesma já estava planejando e colocou em prática a partir do primeiro dia de seu
novo mandato. Ela própria, por razões eleitorais, não cumpriu seu “dever em
relação à democracia, ao voto democrático e popular”.
Dilma tem todos os motivos para se preocupar com a
possibilidade do impeachment. Se isso vier a acontecer, será em função de
razões constitucionalmente objetivas relacionadas a fatos consumados. Mas só
acontecerá num ambiente político favorável, com indiscutível apoio popular. E a
esta altura dos acontecimentos nenhuma esperteza política será capaz de mudar
isso.
REMÉDIOS VENCIDOS
O Repórter Secreto do Fantástico, programa da Rede Globo de
Televisão, vai revelar, neste domingo, 02, um esquema de corrupção que é um
atentado contra a vida das pessoas.
Distribuidores vendem para prefeituras remédios fora do
prazo de validade, ou que estão a ponto de vencer. As prefeituras, por sua vez,
recebem uma “comissão” por baixo dos panos. E o que sobra para os pacientes?
Uma medicação que não serve para nada.
A exibição da reportagem poderá interessar especialmente ao
Sertão Central do Ceará. Recentemente, escândalos envolvendo medicamentos
vencidos ocorreram nos municípios de Quixadá e Canindé.
Em Quixadá, as denúncias resultaram no afastamento, por
determinação judicial, da então Secretária de Saúde, Selene Bandeira. Em
Canindé, foram encontrados num galpão cerca de 25 toneladas de medicamentos
vencidos.
AS PAUTAS-BOMBAS
Da Época
Existe uma correspondência clara entre os números ruins na
economia e as atribulações na vida do cidadão comum. Na semana passada, a
situação, que já era ruim, piorou um pouco mais. Os juros básicos subiram para
14,25% – recorde no governo Dilma e maior patamar em nove anos. As contas do
governo fecharam o primeiro semestre com deficit de R$ 1,6 bilhão, o pior
resultado desde 1997. Para o cidadão comum, isso significa juros mais altos em
qualquer tipo de crédito, dificuldade de conseguir aquele empréstimo para
reformar a casa (e, se conseguir, como pagá-lo?), alta dos preços na feira e no
supermercado e a ameaça crescente de aumento de impostos, num país onde eles já
são abusivos. Para defendê-lo, o cidadão comum elegeu, em 2014, seus representantes.
Eles formam o Congresso Nacional. Nesta semana, o Congresso volta de férias e
paira no ar um paradoxo. Os deputados e senadores escolhidos para representar o
cidadão comum podem piorar enormemente a vida do cidadão comum. É só aprovarem
a “pauta-bomba”, como está sendo chamada uma série de medidas que aumentam
gastos do governo – numa época em que, como os números mostram, qualquer
pequeno aumento que desequilibre a economia pode ser fatal para nossas vidas.
Em momentos assim, em que a vida cotidiana dos cidadãos está
nas mãos dos representantes que elegeram, tais representantes costumam ser
chamados à razão. Foi o que ocorreu em outras épocas históricas, em que
políticos esqueceram momentaneamente suas divergências para se unir em torno de
uma agenda comum. Num primeiro momento, tal agenda é simples. Basta evitar a
criação de novos gastos, como aumentos para o Judiciário ou nas aposentadorias.
Isso nos ajudará a atravessar este momento difícil. Mas, no médio prazo, não
será suficiente. Como mostra o economista Samuel Pessoa, os problemas na
economia brasileira vêm de longe e são mais complexos do que parecem num
primeiro momento. Para resolvê-los, será necessário um pacto ainda mais
profundo.
A presidente Dilma Rousseff tem condições de liderar esse
pacto? Dilma dedicou sua semana a reuniões com governadores e com seus
auxiliares diretos. Enquanto ela preferir relacionar o caos econômico às
investigações da Lava Jato em vez de cortar despesas seriamente, as
dificuldades continuarão. Para que qualquer pacto dê certo é preciso, antes,
reconhecer os erros. Dilma fez isso, num primeiro momento, ao abandonar a
política econômica equivocada do primeiro mandato e nomear Joaquim Levy, o que
representa uma grande correção de rumo. Ainda é pouco. Ela precisa fazer gestos
concretos que ajudem a cicatrizar feridas de campanha. Precisa também apoiar
seu ministro da Fazenda incondicionalmente, e demonstrar isso de maneira clara.
Só assim o cidadão comum – nós – poderá escapar de anos de sacrifícios
impingidos pelos representantes que, na eleição, mereceram sua confiança.
Leia mais sobre a "pauta-bomba" em ÉPOCA desta
semana.
A TEMPESTADE PERFEITA
Da Veja
As análises econômicas mais realistas e desapaixonadas
indicavam, fazia algum tempo, que a crise na economia brasileira era um acidente
prestes a acontecer. Por seis anos seguidos, o governo pisou fundo demais no
acelerador dos gastos públicos e aliviou o pé no freio do controle da inflação.
Em pouco tempo, arruinou a confiança construída em duas décadas de ajustes e
reformas - sem falar nas manobras na contabilidade federal. Ao assumir o
Ministério da Fazenda, Joaquim Levy apresentou um plano para evitar o desastre,
como o personagem do filme Juventude Transviada que escapa da morte ao saltar
do carro momentos antes da queda no desfiladeiro.
Por alguns meses, parecia que Levy seria bem-sucedido. O
ministro procurou extinguir os trambiques do antecessor e propôs uma série de
medidas para reforçar o caixa do governo e impedir um rombo ainda maior nas
finanças públicas. A iniciativa seria um primeiro passo para arrumar a casa e
retomar os projetos de longo prazo para incentivar o crescimento econômico. O
clima político hostil, entretanto, atrapalhou os planos do ministro. Quanto
mais frágil a situação da presidente Dilma Rousseff e maior o envolvimento de
políticos da base aliada nas revelações da Lava-Jato, menor a disposição do
Congresso para aprovar ajustes impopulares. O tempo sobre a economia brasileira
já estava fechado. Agora, o país está sob a ameaça de lidar com uma verdadeira
tempestade perfeita.
O Brasil não é tão vulnerável como no passado, mas entrou
avariado na trovoada. O povo brasileiro já percebeu, em seu dia a dia, o
aumento no custo de vida, a dificuldade para quitar dívidas, o desemprego de
pessoas conhecidas. O pior, entretanto, está por vir. Principalmente se as
medidas de austeridade nas contas do governo não forem aprovadas. Na semana
passada, a agência americana de classificação de risco Standard & Poor's
reduziu para negativa a avaliação do país. Existe agora uma probabilidade
elevada de rebaixamento da nota do Brasil, possivelmente no próximo ano. Se
assim for, o país perderá, na avaliação da S&P, o status de grau de
investimento. E o que isso significa? A economia deixará de ter acesso ao
crédito farto e barato dos mercados internacionais. Os maiores fundos de pensão
estrangeiros restringem a aplicação em países sem o grau de investimento. Em
vez de ficar mais próximo de países como os Estados Unidos, a Alemanha ou o
Chile, o Brasil seria rebaixado para o grupo de caloteiros contumazes, que
inclui a Grécia, a Argentina e a Venezuela.
Não é apenas o governo que é afetado. As empresas
brasileiras também serão vistas como investimentos especulativos. Ao pôr a nota
do país em perspectiva negativa, a agência fez o mesmo para 41 empresas locais.
Entre elas figuram companhias que, a despeito do cenário econômico adverso,
estão entregando bons resultados e não têm dependência direta do Estado, como
Ambev e NET. Isso acontece porque a nota de crédito do país é o teto de classificação
das empresas. Raramente uma empresa pode ter nota melhor do que o país no qual
ela opera, porque sempre existe o risco de ser afetada por alguma restrição na
transferência de pagamentos.
Para ler a continuação dessa reportagem compre a edição
desta semana de VEJA.
A TURMA DE DILMA NO ELETROLÃO
Em julho de 2007, a então ministra da Casa Civil, Dilma
Rousseff, reuniu alguns ministros num comitê que tinha como missão fixar novas
metas para o programa nuclear brasileiro. Aficionada às questões do setor
elétrico, Dilma puxou para si o papel de coordenadora do grupo. O trabalho
resultou num plano que previa, dentre tantas metas ambiciosas, a conclusão das
obras da usina nuclear de Angra 3, paralisadas nos anos 80. No comando
operacional da empreitada estava o presidente da Eletronuclear, almirante Othon
Pinheiro da Silva, que se tornou na semana passada o principal alvo da 16ª fase
da Operação Lava Jato. Othon, que estava licenciado do cargo desde abril,
quando surgiram os primeiros indícios de irregularidades, foi preso pela
Polícia Federal sob acusação de receber R$ 4,5 milhões em propinas pagas por
empreiteiras integrantes do consórcio responsável pela obra. Embora o militar
tenha surgido como a face mais visível do esquema, a PF tem elementos que podem
fazer com que as investigações atinja outras personagens muito próximos da
presidente Dilma. “É possível que a gente chegue aos políticos”, disse o
delegado Igor Romario de Paula.
Chegar aos políticos é quase um eufemismo. Ao mergulhar no
setor elétrico, a PF vai bater na porta do Palácio do Planalto. Não há um só
projeto no setor elétrico que Dilma não tenha acompanhado de perto. Se como
presidente do Conselho da Petrobras a presidente alega que não tinha
informações completas sobre o que acontecia na estatal, dificilmente poderá
dizer que desconhecia os rolos em Angra 3 ou na usina de Belo Monte, os dois
maiores investimentos do governo em geração de energia. Em ambos os casos, os
investigadores já têm indícios de envolvimento de gente de confiança da
petista. Há informações, por exemplo, de que boa parte dos contratos de
equipamentos da mega hidrelétrica que está sendo construída na bacia do rio
Xingu era antes negociada num escritório de advocacia – ou lobby – abrigado num
imponente edifício de linhas modernistas e fachada de concreto na quadra 8 do
Lago Sul, bairro nobre de Brasília.
O imóvel está situado a apenas uma quadra do escritório de
advocacia de Erenice Guerra. E não é mero acaso. Além da ex-ministra de Dilma,
segundo investigadores, também frequenta o local o advogado Joaquim Guilherme
Pessoa e o empresário Marco Antonio Puig, ligado à empresa LWS envolvida numa
investigação de fraudes em contratos de informática nos Correios. Puig teria
relação com o diretor da Eletrobras Valter Cardeal, outro apadrinhado de Dilma.
O consórcio construtor de Belo Monte é liderado pela Andrade
Gutierrez em parceria com Odebrecht, Camargo Correa, Queiroz Galvão e OAS, as
mesmas do clube do bilhão, além de outras cinco menores. A PF sabe que no mesmo
local também eram negociados projetos para captação de investimento de fundos
de pensão e acertos para a anulação de multas fiscais no Carf (Conselho
Administrativo de Recursos Fiscais), que já é alvo de outra operação. Erenice,
dizem os investigadores, também atuou na comercialização de energia. Ela chegou
a se associar informalmente ao ex-ministro de Minas e Energia Silas Rondeau e ao
lobista Alexandre Paes dos Santos no Instituto de Desenvolvimento de Estudos e
Projetos Econômicos.
O caso da usina de Belo Monte, orçada em R$ 30 bilhões,
segundo um procurador da Lava Jato, se relaciona diretamente com o de Angra 3.
A força-tarefa obteve os primeiros indícios de que o esquema do Petrolão se
alastrara para o setor elétrico quando apreendeu com o doleiro Alberto Youssef
a planilha de 750 obras federais. Mais recentemente, em delação premiada, o
ex-presidente da Camargo Corrêa Dalton Avancini revelou detalhes sobre o
superfaturamento das obras e pagamento de R$ 20 milhões em propinas a
políticos, por meio de empresas de fachada. Avancini citou como um dos
beneficiários do esquema o diretor da Eletronorte Adhemar Palocci, irmão do
ex-ministro Antonio Palocci, que já é investigado em outro procedimento da Lava
Lato e foi um dos coordenadores da campanha de Dilma em 2010 – além de
sministro da Casa Civil. Adhemar era considerado intocável. Seu nome surgiu em
2009 na Operação Castelo de Areia.
Avancini também envolveu o nome de Flávio David Barra,
presidente global da Andrade Gutierrez Energia, que era seu interlocutor nas
obras de Belo Monte. Barra foi preso com Othon na semana passada. A PF cumpriu
ainda 30 mandados de busca e apreensão na sede da Eletronuclear e outros
imóveis residenciais e comerciais em Brasília, Rio de Janeiro, Niterói, São
Paulo e Barueri. As prisões se basearam em movimentações bancárias de empresas
envolvidas no esquema e no depoimento de Avancini, que revelou a existência de
um acerto para pagamento de propinas ao PMDB e a funcionários da Eletronuclear
em relação às obras de Angra 3. Ele contou detalhes de uma reunião feita em
agosto de 2014 e apontou Flávio Barra como “o representante da Andrade
Gutierrez que discutia valores a respeito da propina de Angra 3”, segundo o
procurador Athayde Ribeiro Costa.
As obras civis de Angra 3 começaram em 1984, mas ficaram
paralisadas por 25 anos. Foram retomadas em 2009 com previsão de aportes de R$
7 bilhões. Nessa época, o presidente da Eletronuclear – que segundo a Lava Jato
já recebia propinas – defendia a retomada do contrato com a Andrade Gutierrez,
mas o projeto antigo não considerava uma série de parâmetros de segurança
adotados mundialmente após o acidente nuclear de Three Mile Island, na
Pensilvânia (EUA), em 1979. As falhas de projeto foram denunciadas por ISTOÉ e
levaram os órgãos de controle a pressionarem o governo por uma reformulação do
projeto.
Em última análise, foi necessário o lançamento de uma nova
licitação. A concorrência foi vista pelas empreiteiras do clube do bilhão como
uma oportunidade para acertarem um novo negócio, elevando o custo da obra de R$
7 bilhões para R$ 15 bilhões. Segundo o MPF, a propina alcançaria o valor de 1%
dos contratos. No despacho que determinou as prisões, o juiz Sérgio Moro
ressaltou que Othon Pinheiro da Silva era ao mesmo tempo presidente da
Eletronuclear e proprietário da Aratec Consultoria e Representações,
configurando um conflito de interesses.
Outro provável foco de irregularidades na área sob controle
de Othon é o projeto do submarino nuclear, o Prosub. Coube ao presidente da Eletronuclear
a elaboração do projeto de aquisição de submarinos franceses. O pacote orçado
em R$ 28 bilhões inclui a compra de quatro Scorpéne de propulsão a diesel e o
desenvolvimento conjunto com a estatal DCNS de um modelo de propulsão nuclear,
que será montado num estaleiro em Itaguaí, no Rio. A Odebrecht foi escolhida
pela Marinha para construir o estaleiro, mas não houve licitação. Esse negócio
foi conduzido por outro militar, o coronel Oswaldo Oliva Neto, irmão do
ministro da Casa Civil, Aloizio Mercadante.
A investigação do MPF reúne indícios de que Oliva Neto possa
ter atuado como operador de Mercadante, que ao assumir a pasta de Ciência e
Tecnologia pressionou para a realização de uma nova licitação para Angra 3.
Coronel reformado, Oliva Neto ocupou até 2007 o cargo de chefe do Núcleo de
Assuntos Estratégicos (NAE) da Presidência. Desde então, ele reativou a Penta
Prospectiva Estratégica e passou a prestar consultoria em todos os grandes
projetos do governo do PT na área de defesa, não só na compra dos submarinos,
mas dos helicópteros franceses EC-725 e em projetos da Copa de 2014 e das
Olimpíadas de 2016. Em 2010, Penta se uniu à Odebrecht Defesa e Tecnologia,
criando a Copa Gestão em Defesa. Depois foi adquirida a Mectron, que igualmente
firmou sem concorrência contrato com a Amazul Tecnologias de Defesa, estatal de
projetos criada por Dilma para atuar no Prosub. A Lava Jato puxará agora o fio
desse novelo que pode levar a identificar possível tráfico de influência de
Mercadante e eventual uso da empresa de consultoria de seu irmão para
recebimento de propina.
ESSA CONTA NÃO FECHA
Da Veja
"Falso." O carimbo vermelho sobre um extrato
bancário. Essa imagem circulou freneticamente pelas redes sociais na semana
passada impulsionada pelo senador carioca Romário de Souza Faria, o imortal
craque que tantas alegrias deu aos brasileiros nos gramados e que tenta a mesma
sorte na política. O extrato de uma conta-corrente no banco BSI, da Suíça, com
saldo equivalente a 7,5 milhões de reais, havia sido publicado por VEJA na
semana anterior. O carimbo vermelho foi colocado pelo senador depois da viagem
a Genebra.
"Chateado! Acabei de descobrir aqui em Genebra, na
Suíça, que não sou dono dos R$ 7,5 milhões", postou o ex-craque.
O senador Romário deve ter se tornado, na última semana, a
primeira pessoa a voar para a Suíça motivada pelo extrato de uma conta que ele
garante não possuir e depois anunciar, triunfante, que não tem mesmo. Ele
viajou acompanhado da ex-mulher Isabella Bittencourt, que já morou na Suíça,
onde ainda tem família. Na quarta-feira, acompanhado de Isabella e de dois
advogados, foi ao BSI. Tomou lá suas providências e saiu anunciando não ser
dono daqueles milhões. O BSI, comprado no ano passado pelo brasileiro BTG
Pactual, de André Esteves, se comprometeu com os advogados de Romário a se
posicionar sobre o caso.
Procurado por VEJA antes da publicação da reportagem,
Romário foi bem menos enfático. Disse ele: "Para ser sincero, não sei se
fechei (contas na Europa). Mas nunca mais movimentei. Não tenho conhecimento
dessa (na Suíça). Até agradeço você me dizer". Nas redes sociais, a
princípio, Romário ainda não estava de todo certo: "É possível que tenha
sobrado algum rendimento. Honesto e suado". A viagem-relâmpago à Suíça e a
visita à agência do BSI de Genebra subiram o tom do discurso. Romário saiu de
lá aliviado. VEJA publicou a reportagem sobre o senador Romário, um servidor
público, cumprindo o papel mais nobre da imprensa. O extrato que ilustra a
reportagem está nas mãos do Ministério Público Federal. Ao contrário de
Romário, VEJA não tem nenhuma razão para duvidar da autenticidade do extrato
que publicou. Essa conta, portanto, não fecha facilmente.
DIÁLOGO INVIÁVEL
Da IstoÉ
Forjados no mesmo berço político, a esquerda paulista, os
ex-presidentes Fernando Henrique Cardoso e Luiz Inácio Lula da Silva são uma
espécie de irmãos Karamázov da política brasileira. Como os personagens do
romance de Dostoiévski, FHC e Lula reuniram predicados e exibiram visões de
mundo que os aproximaram no passado. Em 1978, primeiro ano das greves do ABC,
Lula chegou a participar da campanha de FHC ao Senado. O então líder sindical
foi quem apresentou o acadêmico às portas de fábrica. Juntos, panfletaram pelas
ruas de São Paulo. Embora estivessem unidos no começo de suas vidas públicas,
os dois, como os irmãos Karamázov, nunca mais convergiram na forma de pensar
política. Há pelo menos duas décadas, FHC e Lula trilham caminhos opostos e
defendem idéias e projetos completamente distintos para o País. Nos últimos
tempos, distanciaram-se de tal maneira que inviabilizou qualquer diálogo entre
os dois sobre o futuro do Brasil, como o imaginado e proposto há duas semanas
por Lula.
Os reais propósitos do petista, ao planejar o encontro,
ilustram bem o abismo existente hoje entre os dois principais líderes do País.
Atualmente, enquanto Fernando Henrique apresenta alternativas para livrar o
Brasil da crise política e econômica e demonstra preocupação com a manutenção
do equilíbrio entre os poderes e com a saúde das instituições, Lula manda às
favas as boas práticas republicanas. O petista articula nos bastidores toda a
sorte de pressões sobre órgãos do Legislativo e Judiciário, como o TCU e o STF,
onde o destino da presidente Dilma Rousseff será jogado no próximo mês. No
Instituto Lula, transformado em bunker desde sua saída do poder, o ex-presidente
orienta correligionários a trabalhar no Parlamento contra a rejeição das contas
de 2014 do governo, caso o TCU as reprove e o assunto ganhe o rumo do
Congresso, foro capaz de propor o impeachment de Dilma. A reunião com FHC faz
parte deste contexto. Hoje, o pretenso diálogo buscado por ele com a oposição
tem como único e real objetivo a tentativa de salvar a pele de Dilma, às voltas
com a ameaça de afastamento, e a de si próprio. Diante de um erro tão
surpreendente quanto primário do petista, qual seja, o de apresentar uma
proposta com evidentes traços oportunistas num momento de fragilidade de uma
presidente que ele próprio legou ao País, coube a FHC elevar o patamar do
debate. “O momento não é para a busca de aproximações com o governo, mas sim
com o povo. Qualquer conversa não pública com o governo pareceria conchavo na
tentativa de salvar o que não deve ser salvo”, afirmou o tucano.
Curiosamente, as trajetórias de Lula e FHC contrastam na
imagem apresentada e deixada por eles durante a chegada ao Planalto e o
desembarque do poder. O ex-presidente Lula saiu da Presidência muito maior do
que entrou. Depois de vencer as desconfianças iniciais, recuperou a
credibilidade do País, consolidou os pilares macroeconômicos e aprofundou o
processo de inclusão social, saindo do Planalto com uma popularidade colossal –
a maior registrada entre os presidentes no pós-redemocratização. O apoio da
população à sua gestão se traduziria nas urnas com a eleição da escolhida por
ele para ser a sua sucessora, a presidente Dilma Rousseff. Com FHC deu-se o
inverso. Sociólogo respeitado e eficiente ministro da Fazenda de Itamar Franco,
o tucano elegeu-se sem necessidade de segundo turno na esteira do retumbante
sucesso do Plano Real, responsável pelo fim da inflação e estabilização da
economia. O conturbado processo de aprovação da emenda à reeleição, com fortes
indícios de compra de votos, somado às controversas medidas adotadas pela área
econômica para manter a paridade entre o real e o dólar até a nova eleição foi
proporcional à crise provocada pela consequente brusca desvalorização da moeda.
Resultado: em 2002, FHC deixou o País à beira de uma crise. Portanto, menor do
que entrou. Na campanha, o designado para sucedê-lo, então ministro da Saúde,
José Serra, temendo perder votos, não se constrangeu em escondê-lo do programa
eleitoral na TV. O resto da história todos sabem. Na eleição, o sucessor de FHC
foi derrotado por Lula.
Hoje, aos 84 anos, FHC se redime de equívocos passados.
Distinguindo-se de Lula no modo de pensar e agir, como também nos projetos
desenhados para o País, o presidente de honra tucano comporta-se como estadista
que, até pouco tempo, o petista parecia ser. Mesmo sem exercer cargo público há
12 anos, Fernando Henrique tornou-se uma das vozes mais equilibradas e lúcidas
da atualidade. Desde 2007, integra a The Elders, colegiado idealizado por
Nelson Mandela e composto por figuras de renome internacional como o
ex-presidente dos EUA, Jimmy Carter, o ex-secretário da ONU, Kofi Annan e o
bispo anglicano Desmond Tutu. O grupo destina-se a promover a defesa dos
direitos humanos e buscar caminhos para a paz mundial. No Brasil, FHC ministra
palestras e, em seu Instituto, comanda debates onde busca alternativas para o
País e a América Latina. Em artigo publicado no último mês, conclamou o PSDB a
se aprumar à esquerda, ao condenar a aproximação do partido com as forças
conservadoras do Congresso. Ao analisar um possível pedido de impeachment
contra a presidente Dilma, ponderou. “Em sã consciência, nenhum líder político
responsável deve propor como objetivo um impeachment. Por outro lado, também
serão inconseqüentes se, diante do aumento do protesto e do aparecimento de uma
base jurídica, os líderes não assumirem a responsabilidade de encaminhá-lo”,
disse em recente entrevista. A oposição, para FHC, precisar ser propositiva e
apontar direções para o Brasil. “A oposição deve apoiar medidas do ajuste
fiscal que lhe parecerem necessárias. Ao mesmo tempo construir caminhos para a
política econômica e para o jogo do poder”. Do outro lado da trincheira, Lula,
vidrado no objetivo de perpetuar no poder ele e sua obra, apequena-se a cada
átimo de tempo. Na eleição do ano passado, Lula manchou sua biografia ao
endossar uma campanha de baixíssimo nível baseada em mentiras e difamações. Num
dado momento da refrega política, chegou ao ponto de subir num palanque para
insinuar que o adversário de Dilma tinha o costume de bater em mulher.
Na última semana, Lula ocupou as páginas do noticiário
nacional e internacional emoldurando a notícia de que passou a ser investigado
pelo Ministério Público por tráfico de influência, depois de deixar a
Presidência. “Há sempre um problema no fato de um ex-presidente usar seus
contatos, seu poder, para ajudar determinados interesses. Isso em si já traz
implicações éticas”, diz Alejandro Salas, diretor de Américas da Transparência
Internacional. A interlocutores, recentemente, o petista admitiu temer ser
preso em meio às investigações da Lava Jato. Pessoas próximas a Lula já se
encontram atrás das grades. De tão surrados, seus discursos já não emocionam
como em outros tempos. Pelo contrário. São recebidos com indignação por parcela
expressiva da população, tamanha a desfaçatez com que é pronunciado. As
recentes pesquisas de intenção de voto mostram a deterioração de sua imagem
pública. Antes favoritíssimo para 2018, Lula figura a dez pontos percentuais
atrás do senador tucano, Aécio Neves – algo impensável até pouco tempo atrás.
Para protegê-lo, o PT prometeu repetir o tom belicista da campanha de 2014 no
retorno do recesso do Congresso esta semana. Atribuem as investigações do MP a
uma ação orquestrada para atingir Lula. Das tribunas da Câmara e Senado, os
petistas planejam atacar governadores de oposição e cobrar que a Lava Jato
também aprofunde investigações sobre a relação das empreiteiras com governos do
PSDB.
O comportamento mostra como o diálogo apregoado por Lula é
implausível na atual circunstância política do País. Mesmo assim, manifestações
dos ministros Jaques Wagner, da Defesa, Edinho Silva, da Comunicação Social, e
Pepe Vargas, de Direitos Humanos, transmitiram a impressão de que o Palácio do
Planalto avalizava o movimento. “Sou plenamente favorável (ao encontro) e acho
que isso deveria acontecer mais no Brasil. Nos Estados Unidos, é a coisa mais
normal do mundo ex-presidentes se reunirem, inclusive, a convite do presidente
em exercício”, disse Edinho. “Apesar da última campanha dura, não podemos
deixar consolidar na alma brasileira, e na política brasileira, uma dicotomia
que não se conversa. Países que seguiram esse rumo não tiveram grande destino”,
fez coro Wagner. Como, na sequência, FHC colocou uma pá de cal no assunto,
Dilma, em reunião no Planalto, classificou as articulações para o encontro com
o tucano de “absurda”, numa tentativa de demonstrar que nunca trabalhou por ele
ou sequer almejou uma aproximação. A ser verídica esta versão, trata-se de mais
uma trombada entre Dilma e Lula, entre tantas colecionadas este ano.
A linha que hoje separa FHC e Lula e os acomodam em campos
diametralmente opostos já foi tênue. Quando debutaram na política, os dois
pareciam tocar de ouvido, de tão afinados. Além de integrarem a mesma campanha,
no fim da década de 70, FHC e Lula dividiram mesas de bar e, entre risadas e
perorações sobre o futuro do País, até desfrutaram de um fim de semana numa
casa de praia em Picinguaba, Ubatuba, litoral norte de São Paulo, ao lado de
suas respectivas mulheres. Antes de fundar o PT, em 1980, Lula discutiu com FHC
a criação de um partido socialista. A ideia não frutificou e cada um foi para
um lado. Mesmo com o recrudescimento dos discursos, e o antagonismo que marcou
as disputas entre o PSDB e o PT nas últimas quatro eleições, houve quem
defendesse a união das duas legendas. Em 2005, o filósofo Renato Janine
Ribeiro, atual ministro da Educação, evocou a “grande coalizão” na Alemanha
Ocidental de 1966, quando a direita se aliou ao SPD (Partido Social-Demorata),
para aventar a possibilidade de uma aliança entre PT e PSDB – FHC e Lula. Em
2011, o embaixador Rubens Barbosa propôs a união entre tucanos e petistas
durante os cem primeiros dias de governo, para a aprovação de uma agenda mínima
na qual os demais partidos agregariam os votos para a formação de maioria
qualificada de modo a aprovar reformas essenciais ao País como a política, tributária,
trabalhista e da previdência social. Mal sabia o embaixador, na ocasião, que
quem desceria ao nível mais rasteiro do debate, três anos depois, tornando
inviável qualquer forma de entendimento futuro, seria o ex-presidente petista,
no vale-tudo pela reeleição de Dilma. Para o cientista político, Gaudêncio
Torquato, é por essas e outras que Lula revela incoerência ao propor um diálogo
com os tucanos. “Durante anos e anos, os petistas execraram o governo Fernando
Henrique. Agora que o governo do PT se encontra num ringue e a imagem da Dilma
se deteriora cada vez mais, o Lula sugere um encontro com FHC?”, questionou.
A sórdida campanha de 2014 não seria o primeiro episódio em
que Lula e o PT colocariam seus projetos pessoais e de poder acima de interesses
nacionais e do bom e salutar debate republicano. Em 1984, quando percebeu que a
emenda Dante de Oliveira, que decidiria sobre o restabelecimento das eleições
diretas para presidente da República no Brasil após 20 anos de regime militar,
não seria aprovada no Congresso, as principais lideranças política se aliaram
em torno de Tancredo Neves, a quem coube liderar uma transição. O PT preferiu
ficar de fora.
A cena se repetiu na Constituinte de 1988, em 1993, quando
os partidos se uniram em torno do vice Itamar Franco, após o impeachment de
Collor, e durante a concepção do Plano Real, quando petistas não só opuseram
resistência à nova moeda como ingressaram com ações na Justiça para
inviabilizá-la. “Não é possível que os brasileiros se deixem enganar por esse
golpe que as elites aplicam na forma de um novo plano econômico”, afirmou o
ex-ministro Gilberto Carvalho na ocasião. Apostando no quanto pior melhor e
preocupado com as eleições seguintes, Lula seguiu na mesma toada. “Esse plano
não tem nenhuma novidade. Suas medidas refletem as orientações do FMI. Os
trabalhadores terão perdas salariais de no mínimo 30%. Ainda não há clima,
hoje, para uma greve geral, mas, quando os trabalhadores perceberem que estão
perdendo com o plano, haverá condições”. A história mostrou quem estava ao lado
do País e quem defendia interesses mais mesquinhos. Não à toa, as divergências,
hoje, entre FHC e Lula são inconciliáveis. Como aquelas nutridas pelos
Karamázov.
NÃO CABE RECURSO
O STJ (Superior Tribunal de Justiça) confirmou nesta
sexta-feira (31) a condenação do ex-ministro dos Transportes Anderson Adauto
por improbidade administrativa. Adauto foi ministro entre 2003 e 2004, no
primeiro mandato de Luiz Inácio Lula da Silva, quando deixou a função para se
candidatar a prefeito de Uberaba (a 478 km de Belo Horizonte).
A decisão transitou em julgado e a condenação é definitiva.
Ele foi sentenciado por uso indevido de dinheiro público
durante sua gestão à frente do município e multado em R$ 10 mil. Com a decisão,
o ex-ministro e ex-prefeito entra nos critérios de inelegibilidade da Lei da
Ficha Limpa, ficando impedido de se candidatar e de ocupar cargos públicos.
De acordo com a sentença do STJ, o ex-ministro teria usado
dinheiro público para promoção pessoal em informe publicitário distribuído pela
prefeitura no aniversário de Uberaba, bem como no convite para o evento
"Natal de Luzes", em 2006 e 2007.
Do UOL
CADÊ OS COMPUTADORES?
Governador Camilo (PT), cadê os computadores?! Tendo Dilma
como exemplo, já era esperado secretário de Educação, Maurício Holanda, uma solução para os estudantes que, de direito, esperam receber seus prêmios.
Vice-governadora, Izolda Cela (PROS), a galera
ganhadora precisa de sua força, os computadores custam menos do que os quadros
do pintor Raimundo Cela, seu parente, comprados pela bagatela de R$ 373, mil
pelo prefeito de Sobral (CE), que por um acaso, é seu esposo.
Do O Povo
Se tivesse recebido o computador prometido pelo Governo do
Estado ainda em 2014, o estudante do curso de Ciências Sociais, da Universidade
Estadual do Ceará (Uece), Adriel Pinheiro, 18, teria a vida mais fácil. “Hoje,
eu preciso recorrer aos meus amigos ou a uma lan house. O problema é que nem
sempre os equipamentos dos conhecidos estão disponíveis e eu tenho que gastar
muito dinheiro”, lamenta. Aluno da escola pública no ensino fundamental e
médio, Adriel conseguiu a premiação ao se destacar, ainda no 2º ano, no Exame
Nacional do Ensino Médio, no fim de 2013, mas, até o momento, ainda não recebeu
o notebook.
Um total de 16.614 alunos da rede pública que tiveram bom
desempenho no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) e no Sistema Permanente de
Avaliação da Educação Básica do Ceará (Spaece), em 2013 e 2014, ainda esperam
receber os notebooks prometidos pelo Governo do Estado. A premiação é garantida
pela lei nº 14.483, de 2009, reformulada em 2012 através da lei nº 14.691.
Nela, alunos das três séries do ensino médio de escolas estaduais devem receber
computadores se atingirem médias satisfatórias tanto no Enem quanto no Spaece.
As pontuações mínimas para receber o prêmio são 325 pontos
em Língua Portuguesa e 350 pontos em Matemática, na avaliação do Spaece. Já
para o Enem, a nota menor é 540 para alunos do 2º ano do ensino médio e 560
pontos para os alunos do 3º ano. A espera pelos equipamentos foi noticiada pelo
O POVO em março e em junho deste ano.
O vice-presidente do Sindicato dos Professores e Servidores
no Ceará (Apeoc), professor Reginaldo Pinheiro, afirma que o sindicato
solicitou uma pauta para discutir com o Estado a questão. “O Governo deve
explicar a razão da demora dos computadores. É uma cobrança para se ter respeito
à legislação”, diz.
Em nota, a assessoria de imprensa da Secretaria da Educação
do Ceará (Seduc) informa que realizou licitação para a compra de 32 mil
computadores, relativos aos anos de 2013 e 2014, conforme orienta a Lei de
Licitações 8.666/93. O restante dos computadores deve ser destinado ao alunos
que alcançarem as notas este ano. O processo continua em andamento na Central
de Licitações da Procuradoria Geral do Estado (PGE). A licitação foi realizada
no último dia 6 e agora está na fase de homologação.
Assinar:
Postagens (Atom)


























