quinta-feira, 13 de agosto de 2015

10 ANOS SEM MIGUEL ARRAES

Miguel Arraes de Alencar era cearense de nascimento, mas construiu sua carreira política em Pernambuco e se tornou um dos maiores expoentes da esquerda brasileira.
Foi deputado estadual, federal e governador de Pernambuco por três vezes. Arraes nasceu no dia 15 de dezembro de 1916, em Araripe, Ceará, onde frequentou os primeiros anos de escola. Em 1932, concluiu o curso secundário no Colégio Diocesano, no Crato, também
no Ceará, e em seguida mudou-se para a capital pernambucana. No Recife, foi aprovado num concurso público para o hoje extinto IAA (Instituto do Açúcar e do Álcool).
Foi no IAA que Arraes conheceu Barbosa Lima Sobrinho, seu ex-presidente, e que o levou para a vida pública.
Em 1948, Miguel Arraes aceitou convite do então governador de Pernambuco, Barbosa Lima Sobrinho, para ocupar o cargo de secretário estadual da Fazenda. Dois anos depois, disputou sua primeira eleição para deputado estadual e ficou na suplência, vindo depois a ocupar a cadeira. Em 1958,  conquistou uma vaga de titular na Assembleia Legislativa de Pernambuco.
No governo de Cid Sampaio, em 1959, voltou à Secretaria da Fazenda como titular. Nesse mesmo ano, foi convocado pelas forças progressistas para ser candidato a prefeito do Recife e se elegeu para seu primeiro mandato executivo.
Em 1962, depois de uma administração aprovada pela população da capital, Miguel Arraes foi eleito pela primeira vez para governar Pernambuco.
No seu governo (que não chegou a concluir), Miguel Arraes implantou programas de destaque na área de educação e no setor rural. O Acordo do Campo, assinado em seu gabinete, teve como princípio a implantação da justiça na relação trabalhista dos canavieiros com os donos de usinas.
No dia primeiro de abril de 1964, Arraes foi deposto pelo Golpe que instituiu a ditadura militar  no Brasil. Depois de ficar preso em quartéis do Recife e da Ilha de Fernando de Noronha, seguiu em 1965 para o Rio de Janeiro onde pediu asilo na Embaixada da Argélia. Ao lado da família, passou 14 anos exilado na capital argelina. Retornou ao Brasil em 1979, quando foi decretada a anistia pelos militares golpistas que estavam sendo pressionados por vários setores da população brasileira.
De volta ao Recife, Arraes retomou sua trajetória política, se filiando ao PMDB ( Partido do Movimento Democrático Brasileiro). Foi eleito deputado federal em 1982.
Em 1986, ainda pelo PMDB, Miguel Arraes foi eleito pela segunda vez para governar Pernambuco. Em 1990, já filiado ao Partido Socialista Brasileiro (PSB), do qual presidente nacional, Arraes foi eleito, novamente, deputado federal, com a maior votação proporcional do país.
Em 1994, foi eleito pela terceira vez governador de Pernambuco. Quatro anos depois de perder a reeleição para o quarto mandato de governador, Arraes elegeu-se mais uma vez elege-se deputado federal.
Morreu aos 88 anos, no dia 13 de agosto de 2005, no exercício do mandato, depois de passar quase dois meses internado no Hospital Esperança, no bairro da Ilha do leite, na área central do Recife.
Informações do Instituto Miguel Arraes
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DEBAIXO DESSE ANGU TEM CARNE

Via Facebook do deputado federal, Antonio Imbassahy 
Em maio, o presidente do Senado, Renan Calheiros, disparou cobras e lagartos contra o arrocho fiscal de Dilma. Na semana passada, participou de um jantar com líderes da oposição para discutir o impeachment da presidente.
De repente, mudou de ideia: juntou duas dúzias de propostas requentadas, batizou de “Agenda Brasil” e entregou para a presidente que, não tendo qualquer projeto para o país, achou a agenda ótima.
Como se sabe, por conta da Lava Jato, Renan está sendo investigado pelo procurador-geral da República, Rodrigo Janot, novamente indicado por Dilma. E Dilma está nas mãos do TCU, que tem de analisar as 'pedaladas fiscais' da presidente e, se reprová-las, abrirá caminho para o impeachment.
Agora, surpreendentemente, o Senado, presidido por Renan, pediu ao TCU mais tempo para a análise das contas. As peças se mexem num jogo que não interessa aos brasileiros.
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UM ANO DEPOIS

Hoje completa um ano que Eduardo Campos morria num trágico acidente aéreo, em Santos (SP). O ex-governador de Pernambuco, então candidato a presidente da República Eduardo Campos e mais seis pessoas morreram na queda do avião.
Na última segunda-feira, dia 10, Eduardo Campos completaria 50 anos, o ex-governador recebeu um tributo no Palácio Campos das Princesas, sede do governo pernambucano.
Eduardo também foi homenageado ontem (12), numa sessão especial, no Congresso Nacional, Renata Campos, viúva de Eduardo e seus cinco filhos estiveram presentes.
Lançado hoje, Viva Eduardo Campos, o site mostra uma linha do tempo com a trajetória de vida e política de Eduardo Campos.
“Não vamos desistir do Brasil” – Eduardo Campos.
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quarta-feira, 12 de agosto de 2015

JIMMY´S HALL

A história de Jimmy Gralton, líder comunista irlandês nos anos 30, que desafiou a Igreja Católica questionando sua censura à liberdade de expressão, chega às telas de cinema.

Gralton gerou discórdia ao inaugurar um espaço para as pessoas debaterem, aprenderem e, sobretudo, dançarem.

Jimmy Gralton, encontra em um grupo de jovens sedentos de novidades, carentes de de diversão e cultura, então decide reabrir um salão para abrigar aulas de dança, literatura e artes.

A trama retoma o período em que o rapaz volta a seu país natal, após ter passado dez anos em Nova York.
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IMAGEM HISTÓRICA

Mais uma imagem histórica para a galeria da hipocrisia petista.
O ex-presidente Lula que tanto demonizou o PMDB, principalmente essa turma que aparece na foto, hoje, Lula, o PT e a esquerda raivosa estão de cócoras para o PMDB - o partido de todos os governos.
Lula foi à Brasília, implorar apoio do PMDB ao governo de sua pupila, Dilma Rousseff. Até um diálogo com FHC foi ensaiado há alguns dias.
Na visão dos petistas, o PSDB é a escória da vez – mas se for para salvar a pele do governo Dilma, eles aceitam de bom agrado, tudo em nome da governabilidade.
Aquela coerência política bradada exaustivamente pelo PT, ficou no passado, foi mandada às favas, tudo em nome do projeto de poder. Viva a hipocrisia petista! 
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CLIMA MUSICAL

Desde que o semestre legislativo começou, na semana passada, os distritais já apresentaram 53 projetos de lei. Assim como ocorreu no primeiro semestre, há muitas propostas que preveem a inclusão de eventos no calendário oficial da cidade. Os parlamentares têm demonstrado um apreço especial pela música…
O mais recente é de autoria de Júlio César (PRB) e propõe a criação do Dia do Cantor Gospel. O PL já está na Comissão de Constituição e Justiça. Já o deputado Lira (PHS) quer instituir no DF a Semana do Samba do DF, em dezembro.
Ainda no clima musical, o petista Ricardo Vale quer declarar o rock brasiliense como Patrimônio Cultural Imaterial do Distrito Federal.
Além dos projetos de cunho cultural, também foi apresentada pelo deputado Rafael Prudente uma proposta (PMDB) que prevê penas para quem fotografar cadáveres em clínicas, laboratórios, hospitais ou em funerárias. O tema ganhou força depois do vazamento de imagens do cantor sertanejo Cristiano Araújo.
Do blog do CB.Poder
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CONVERSANDO COM KENNEDY

A presidente Dilma Rousseff concede entrevista ao jornalista Kennedy Alencar, no SBT Brasil, do SBT, desta quarta-feira (12), que vai ao ar às 19h45. A entrevista foi gravada no Palácio do Planalto no mesmo dia, à tarde.
Em tempos de crise, arrocho fiscal, a tática do Palácio do Planalto é manter Dilma encastelada, longe de possíveis protestos. É melhor evitar panelaço.
A solução tem sido conceder entrevista gravada no Palácio do Planalto, de preferência, para programas que vão ao ar no fim de noite ou madrugada. Qualquer evento fora das paredes do Palácio, a plateia tem sido escolhida, aquela que só diz ‘Sim’.
Não crie expectativas sobre essa entrevista – será mais uma chapa-branca – o  Blog do Kennedy Alencar, é um dos beneficiados com verbas de publicidade federal destinada parablogs, sites, páginas em redes sociais que o governo Dilma destina para esses veículos digitais, classificados pelo governo de mídias alternativas.
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SOBRE "ÓDIO"

Por Caio Rocha, professor de História, via Facebook
Às vezes leio em postagens de amigos ou em sites panfletários que no Brasil atual vive-se uma suposta "onda" de ódio e intolerância. Errado. Ninguém odeia alguém meramente por pensar diferente no plano político. Eu não "odeio" o PT por causa de seu conteúdo ideológico, mas pelas suas ações concretas no poder.
Causa-me nojo o relativismo ético-moral a que tanto se apegam. Usam dos erros de outros governos para legitimar os seus. O que há no Brasil não é um sentimento de ódio, mas de cansaço dos brasileiros diante de tanta corrupção patrocinada por um projeto criminoso de poder articulado internacionalmente, inclusive. Os petistas se fazem de "judeus" e nós, que fazemos oposição a este governo, somos os "nazistas". Mas quem não tolera a oposição?
Sim, ele mesmo! O Stálin cachaceiro de Caetés, o ex-sindicalista líder da seita-partido que entregava seus próprios companheiros de sindicato para órgãos da ditadura. Inclusive era qualificado em registros do extinto DOPS com o codinome "Barba".
A sociedade protestará no dia 16 contra as mentiras de sua mandioquíssima gerentona nada sapiens. Contra as pedaladas fiscais. Contra a conta de energia nas alturas. Contra o corte em direitos trabalhistas. Contra aumentos de impostos.
Contra altas taxas de juros. Contra a classe política em geral. Contra o PT, que se beneficiou de generosas "doações legais" advindas de propinas na Petrobras. Contra o loteamento de cargos públicos para garantir governabilidade. Contra sua incompetência em administrar o Brasil. Contra a inflação e o desemprego.
FORA PT;
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UM BURACO NA CAMPANHA

Acusado pela atual gestão de ter gastado além do que podia, o ex-governador Agnelo Queiroz (PT), pelo jeito, também deixou um buraco na campanha. A produtora de vídeo Fabrika está executando o petista na Justiça com uma ação de cobrança no valor de R$ 1,6 milhão. O processo não é contra o PT, e sim contra o próprio Agnelo.
Candidato à reeleição, ele tinha o maior tempo de televisão no programa eleitoral gratuito e fez superproduções na tentativa de mostrar realizações. No segundo turno, a empresa também fez o programa do atual governador Rodrigo Rollemberg (PSB).
Na prestação de contas ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE), consta repasse do comitê do ex-chefe do Executivo local de pouco mais de R$ 4 milhões à firma, que garante que a dívida não está quitada.
Paulo Guimarães, que defende Agnelo, afirma “não ter o menor conhecimento do que se trata”. O ex-advogado de Agnelo, Luis Carlos Alcoforado, é outro na fila de pagamento da campanha petista.
Médico de carreira da Secretaria de Saúde, Agnelo tirou sete meses de licença após deixar o Palácio do Buriti. Ele deveria ter voltado ao trabalho no início de agosto, mas apresentou um atestado médico que adiou o seu retorno para a próxima quinta-feira, dia 13.
A expectativa no meio político é de que o ex-governador assuma um cargo no governo federal ou na liderança do PT no Congresso Nacional para evitar a volta à sala de cirurgia, depois de mais de 20 anos dedicado à política.
Do blog do CB.Poder - charge Kleber Sales.
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terça-feira, 11 de agosto de 2015

COMO CONTINUAR PETISTA?

Por Tati Bernardi, colunista da Folha de S.Paulo
Nasci numa família petista. Acho que já escrevi isso antes, mas é uma lembrança muito forte: eu morava no Tatuapé, de frente para a fábrica de eletrodomésticos Philco, e o Lula comandava as greves lá. Eu acordava com ele berrando, irritada, mas minha mãe me mandava ter respeito pelo homem que mudaria o país. Quando o Lula foi eleito pela primeira vez e subiu a rampinha pra abraçar o Fernando Henrique, lembro da minha mãe no meio da sala, chorando mais do que quando eu voei da bicicleta, quebrei a clavícula e fiquei desacordada por longos segundos.
Sempre votei em todos eles: Suplicy, Marta, Mercadante, Lula, Dilma, Haddad. Mas de uns dois anos pra cá, minha família fez como a Marta: me abandonou, pegou horror ao partido. Se tornaram magoados vingativos. Os xingamentos vão de pinguço ladrão a escória da humanidade. Ela virou a típica senhorinha reaça das redes sociais, postando "Revoltados On Line", ajudando a viralizar vídeos terríveis de ministros sendo vaiados acompanhados de suas famílias. Senti um soprinho de esperança em recuperar meus pais quando num almoço o tema foi difamar o Cunha. Mas, no cafezinho, eles voltaram com força total, mostrando um clipezinho musicalizado da Dilma saudando a mandioca. E o milho também.
Fiquei sozinha nessa. Segui defendendo a ciclovia. Mesmo aturando 80% dos meus amigos falando que na periferia o Haddad deixou a desejar, que a faixa termina em lugar nenhum, que é malfeita, que antes a cidade deveria dar segurança pras pessoas andarem de bicicleta, que quem mandou comprar carro pra aquecer a economia foi o próprio PT. Que ciclovia é coisa pra agradar os alunos "de esquerda, mas com dinheiro" dele, que moram no centro expandido. Perdi uma quantidade enorme de amigos (que nunca fiz) quando comemorei a reeleição da Dilma. Tudo bem que fui meio sem noção e escrevi "Chupa Itaim" e "pega no meu pau Vila Nova Conceição" no Facebook. Muitos outros, esses sim importantes, me deram apenas "hide" e avisaram por inbox: "Quando você se curar dessa doença maligna chamada ignorância política, voltamos a falar". Não se "cura" com facilidade algo que se aprendeu a amar na infância. Sigo me agarrando aos poucos amigos que acreditam. Lendo os poucos articulistas que acreditam. Pedindo a um amigo que trabalha com o Haddad que me coloque em contato com ele, pra que eu possa conversar mais, entender mais, e não perder a fé. Mas a cada dia, um bom combatente entrega os pontos. Ligo para um colega escritor intelectual de esquerda e ele me aconselha: "Não escreve sobre isso não, tá feia a coisa, eu não acredito mais".
Está cada dia mais difícil responder "mas tanto foi feito pelos pobres" a cada 765 motivos para deixar de ser petista. Zé Dirceu armou o maior esquema de propina da história e mesmo depois de ser pego, armou de novo! Mas tanto foi feito pelos pobres! Os discursos da Dilma nunca falam com clareza sobre pedaladas fiscais e Petrolão! Mas tanto foi feito pelos pobres! Daí tento "mas nunca em um governo se colocou tanto bandido na cadeia! É a democracia!". Mas Dilma foi uma péssima gestora, olha como está o dólar, a inflação, o desemprego, os cortes na educação, na saúde, na grana dos aposentados! Mas nunca em um governo se colocou tanto bandido...Mas os bandidos estavam mancomunados com o PT ou, em grande parte, ERAM do PT. Mas nunca em... É... Veja bem... Que tristeza tudo isso.
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segunda-feira, 10 de agosto de 2015

O QUE VALE É A CONVENIÊNCIA

Em visita ao estado do Maranhão, nesta segunda-feira (10), a presidente Dilma criticou o que chamou de  “vale tudo”, para atingir “qualquer governo”. Mais uma vez o governo Dilma mostra total incoerência em seus discursos. A conveniência política é a meta.
Então o “vale tudo” valia, só tinha sentindo na campanha do PT na eleição do ano passado? Na campanha de 2014, o PT usou seu exército de MAVs, seus braços UNE, MST, toda estrutura do Estado para aniquilar quem contrariasse seu projeto de permanência no poder.
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EDUARDO CAMPOS, 50 ANOS

Vítima de acidente aéreo em 13 de agosto do ano passado, o ex-governador, Eduardo Campos, completaria 50 anos hoje. Em Recife, hoje, na manhã desta segunda-feira, aconteceu um tributo em homenagem a Eduardo, no Campo das Princesas, Palácio do Governo de Pernambuco.
Lideranças políticas participaram do tributo: o governador de Pernambuco, Paulo Câmara, o prefeito de Recife, Geraldo Júlio, o governador do Distrito Federal, Rodrigo Rollemberg, a ex-senadora Marina Silva, o ex-governador do Espírito Santo, Renato Casagrande e os deputados federais, Beto Albuquerque e Júlio Delgado.
Os discursos de Eduardo Campos como governador de Pernambuco – 2007 a 2014 – incluído o último discurso em abril de 2014, quando deixou o governo pernambucano para concorrer à Presidência, estão reunidos no livro Eduardo Campos, lançado pela Fundação João Mangabeira.
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ARTILHARIA PESADA

Charge do Paixão, via Gazeta do Povo
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RECORDANDO FREI TITO

Há exatos 41 anos, prestes a completar 29 anos, morria o homem que foi o símbolo da luta pelos direitos humanos na ditadura militar: Tito de Alencar Lima, conhecido como Frei Tito.
Enforcou-se na zona rural do convento de L’Arbresle, nos arredores de Lyon, França, já enlouquecido pelo trauma de ter passado 14 meses nos porões da ditadura militar.
A tragédia que tirou a vida do frei acontecera na noite do dia dez de agosto de 1974, quando a repressão da qual ele foi vítima ainda continuava a prender, torturar e assassinar no Brasil.
Pensei em iniciar este resumo com os nomes dos seus torturadores conhecidos, porém a náusea não me permitiu.
Desde muito novo Tito concluíra que só a vida religiosa daria sentido luminoso aos seus passos e que só na Igreja – consoante visões febris de Isaias – viria fazer justiça aos pobres da terra. Para ele, a Igreja não é templo dos ricos; ao contrário, é ainda a fraternidade subversiva das catacumbas romanas, sem profanações do dinheiro, e para sempre incumbida da construção de um futuro de justiça e liberdade, do futuro sem peias, quando Deus mesmo estará com seu povo.
Em 1969, Tito cursava Filosofia na Universidade de São Paulo e já tinha em seu currículo um histórico de militância: fora dirigente regional e nacional da Juventude Estudantil Católica, um dos movimentos de vanguarda da militância cristã da época.
Na madrugada do dia 3 para o dia 4 de novembro, Tito foi preso junto com outros dominicanos no convento em que morava pela equipe do delegado Sérgio Paranhos Fleury, seu primeiro torturador. Nesse dia, a sua igreja lhe faltou.
Entre os presos estava Frei Betto, suspeito de participar de um esquema comandado pelo líder da Aliança Libertadora Nacional (ALN), Carlos Marighella, grande vulto brasileiro que pregava a luta armada. Começava, assim, o martírio de Frei Tito e dos seus irmãos. Como instrumento de intriga, os agentes da repressão espalharam a história que os dominicanos traíram os participantes da ALN, sendo este mal entendido esclarecido apenas em 1982, com a publicação do formidável Batismo de Sangue, livro do frei Betto.
Foram vários meses de horrores e vilanias. “Se sobreviver, jamais esquecerá o preço de sua valentia”, disse-lhe um torturador. O frade dominicano passou pelo pau-de-arara, sentou na cadeira do dragão e recebeu choques elétricos na cabeça, nos ouvidos e nos tendões do pé.
Deram-lhe pauladas nas costas, no peito e nas pernas, incharam suas mãos com palmatória, revestiram-no de paramentos e o fizeram abrir a boca "para receber a hóstia sagrada" - descargas elétricas na boca. Queimaram pontas de cigarro em seu corpo e fizeram-no passar pelo "corredor polonês". Apesar da intensa tortura que sofrera, Frei Tito nunca falou. “É preferível morrer do que perder a vida”, anotou em sua Bíblia, depois que um de seus torturadores avisou que, se não falasse, seria quebrado por dentro.
Em janeiro de 1971, foi banido do país; voou para o Chile e, depois, para Roma, Paris e Lyon. Mas o sonho da morte o habitava. A tortura que sofrera no Brasil havia rebentado seu espírito e continuava atormentando-o sem parar. “Longe vem o retirante... vem dizer que nos esquecemos de amar”, ele disse nos poemas. Tito sentia “um silêncio de Deus”. Certa vez, escreveu: “Não busco o céu, mas talvez a terra, um paraíso perdido”. Mas, o paraíso na terra estava perdido para sempre: em agosto de 1974 Frei Tito livra-se da tortura e morre, na certeza de poder viver depois da morte.
Na cruz que lhe coube entre os bosques de L’Arbresle, está gravado: "Frei da Província do Brasil. Encarcerado, torturado, banido, atormentado até a morte, por ter proclamado o Evangelho, lutando pela libertação de seus irmãos. Tito descansa nesta terra estrangeira".
A inscrição termina com estas palavras cortantes de Lucas: “Digo-vos que, se os discípulos se calarem, as próprias pedras clamarão”.
Em 1970, sob custódia da “Operação Bandeirantes”, frei Tito escreveu sobre a sua tortura num documento que rodou o mundo, tornando-se um dos símbolos da luta pelos direitos humanos na ditadura. Quando foi solto, em dezembro do mesmo ano, pediu exílio no Chile, de onde seguiu para Itália e França.
As feridas de seu corpo cicatrizaram, mas as torturas deixaram marcas incuráveis em sua alma. Era constantemente atormentado pelos fantasmas do passado, via Fleury em todos os lugares, ouvia suas ameaças. Fez terapia, mas de nada adiantou: seus traumas eram demasiadamente profundos. Enlouquecido, sozinho, atormentado, Tito morreu sob a copa de um álamo. “Se minha alma está morta, quem a ressuscitará?”, escrevera ele pouco antes de morrer. Esse discípulo não se calou. Afirmou seus princípios no paraíso da meninice, nos longos dias de combate e no inferno que finalmente o consumiu.
Quando, só em 25 de março de 1983, o corpo de Frei Tito chegou ao Brasil, foi realizada em São Paulo uma missa de corpo presente acompanhada por mais de 4 mil pessoas.
Fontes: jornais e Grupo Tortura Nunca Mais.
Conteúdo do blog Ainda Espantado
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domingo, 9 de agosto de 2015

A ESTÉTICA DA GUERRA

Por Lindy Lima, colunista do blog SCND
Era pra ser uma segunda-feira como outra qualquer, 6 de agosto de 1945 por volta das 8 da manhã, quando muitas pessoas se dirigiam ao trabalho ou levavam seus filhos a escola. Mas no caminho sentiram um perfume. Era o perfume da Rosa Little Boy. Ela veio em uma onda de explosão com 50% vento, 35% de calor e 15% de radiação e, aproximadamente, 160 mil pessoas sucumbira a seu perfume que nem mesmo o domo de Hiroshima conseguiu ficar, completamente, incólume.
O perfume da primeira rosa criada pelo bicho homem, era de longo alcance e os ventos do poder continuaram a soprá-la para outras localidades! O seu aroma alcançou, 3 dias depois, em 9 de agosto, precisamente, às 11h02 da manhã a vizinha Nagasaki como a rosa Fat boy, 1,5 vez mais potente que o anterior, onde mais cerca de 80 mil pessoas também quedaram ao seu perfume maldito.
Seria poético se não estivéssemos nos referido aos bombardeios atômicos realizados pelos Estados Unidos sobre as cidades japonesas de Hiroshima e Nagasaki. Os americanos, exigiam a reedição imediata do Japão assim como fizera outras nações do eixo, mas mediante a negativa do país do sol nascente, eles cumpriram a ameaça feita na Declaração de Potsdam em 26 de julho de 1945, Uma "destruição rápida e total". Caso não houvesse reedição incondicional das forças armadas daquele país.
Em agosto daquele ano, foi o primeiro e único momento na história em que armas nucleares foram usadas contra alvos civis, colocado fim aos remanescente da Guerra no Pacífico e determinado o fim do episodio que foi um marco na historia da humanidade; a Segunda Guerra Mundial.
Embora hoje, 70 anos depois aquele fétido aroma ainda esteja presente não pelo sentido olfativo, propriamente dito, mas por todo o organismo de milhares de centenas de pessoas. É como dizia o pesador Douglas MacArthur “Só os mortos conhecem o fim da guerra”.
Tenho um grande amigo, a quem chamo carinhosamente de Augustinho. Ele foi quem melhor definiu a guerra até hoje. Disse ele : A guerra é esforço, é inquietude, é ânsia, é transporte...E a dramatização sangrenta e dura, da avidez com que o espírito procura, ser perfeito, ser máximo, ser forte! E a subconsciência que se transfigura; Em volição conflagradora...
É a coorte; das raças todas, que se entrega à morte para a felicidade da criatura! E a obsessão de ver sangue, é o instinto horrendo; de subir, na ordem cósmica, descendo à irracionalidade primitiva. E a Natureza que, no seu arcano, precisa de encharcar-se em sangue humano para mostrar aos homens que está viva!
Meu amigo Augusto dos Anjos morreu há mais de 100 anos, fazia jus a ao sentido do também poeta Pablo Neruda “Os poetas odeiam o ódio e fazem guerra à guerra.
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NIXON, 41 ANOS DEPOIS

Há exatos 41 anos, Richard Nixon renunciava à presidência dos EUA. Watergate, o escândalo que derrubou Nixon foi cavado por ele próprio, com as escutas telefônicas clandestinas instaladas nos escritórios do Partido Democrata.
As escutas telefônicas clandestinas instaladas no edifício Watergate, ficaram comprovadas que Nixon fazia dele próprio, incluindo sua família, assessores e ministros. Nixon, era um desconfiado de tudo e de todos.
Algumas das paranoias de Nixon podem ser conferidas na polêmica biografia Os segredos mais escuros de Nixon, do jornalista correspondente da Casa Branca, Don Fulson, na obra, o autor afirma que Nixon era homossexual, maltratava a esposa e tinha graves problemas com a bebida.
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sábado, 8 de agosto de 2015

OLIGARQUIA IRRITADA

Por Daniela Pinheiro, da revista Piauí
Pergunte aos Gomes se eles se consideram uma oligarquia e a reação, bem no estilo deles, será de irritação. "Isso é reducionismo, é uma burrice", diz o chefe do clã, Ciro Gomes, o deputado federal mais votado do Brasil, proporcionalmente. "Não estamos no poder porque um impõe o outro, e sim porque temos vocação política e consciência pública", afirma o seu irmão Cid Gomes, governador do Ceará. "É como um karma", fala o irmão caçula Ivo, deputado estadual e chefe de gabinete de Cid. "É bobagem nos definir assim", garante a senadora Patrícia Saboya, ex-mulher de Ciro, que abandonou há pouco o sobrenome Gomes. "Nossa família tem cem anos de vida pública, colhemos o espaço natural de quem trabalhou direito a vida toda", finaliza o primo Tim Gomes, presidente da Câmara de Vereadores de Fortaleza.
Como oligarquia é o regime político em que o poder é exercido por um pequeno grupo de pessoas, pertencentes à mesma classe ou família, os Gomes não têm por que se irritar. Poderiam até se alegrar, já que, ao contrário de outras oligarquias nordestinas, como os Sarney, os Magalhães, os Alves e os Maia, que foram humilhados nas urnas na última eleição, eles estão por cima da carne-seca. Desbancaram o grupo capitaneado pelo senador tucano Tasso Jereissati, têm cinco da família em cargos eletivos e são os chefes políticos incontestes do Ceará.
Tendo como vitrine a cidade sertaneja de Sobral, a oligarquia dos Gomes acalenta um sonho: botar Ciro na Presidência da República. "Vamos trabalhar muito para isso", diz a senadora Patrícia. "Não há ninguém com tanto potencial e honestidade como ele", emenda o deputado Ivo. "Conversamos muito e Ciro está certo de que agora é o momento dele", revela Tim. O desejo dos oligarcas é que o presidente Lula o lance como sucessor.
Ciro Gomes foi deputado estadual, prefeito de Fortaleza e governador do Ceará antes de ser chamado pelo presidente Itamar Franco para ser ministro da Fazenda, substituindo às pressas Rubens Ricupero, cuja frase imortal ("Eu não tenho escrúpulos") foi captada por antenas parabólicas. Depois foi ministro da obscura pasta da Integração Nacional no primeiro governo Lula. Ele não é um político que se destaque pela coerência. Ou que esteja preocupado em construir um partido. Tanto que já passou por seis diferentes, tendo sido peemedebista, tucano, comunista e filopetista. Candidatou-se à Presidência por duas vezes, em 1998 e 2002, e é difícil lembrar alguma idéia sua, original ou não. É mais fácil lembrar que chamou um ouvinte, no rádio, de "burro". Ou da vez que xingou um fotógrafo de "babaca". Ou, ainda, quando disse que a função da sua namorada, a atriz Patrícia Pillar, na campanha, era "dormir com o candidato".
"Olhando para trás, até agradeço não ter ganho aquelas eleições, eu não estava pronto", avalia Ciro Gomes, 49 anos, com as entradas no cabelo se tornando calva indisfarçável. E agora está? "Amadureci", disse, numa recente manhã de domingo, de leve ressaca, com um sorriso congelado nos lábios. Ele havia varado a madrugada no casamento do filho do ministro César Asfor, do Superior Tribunal de Justiça, uma festança que eletrizou a alta sociedade de Fortaleza.
Ele se levantou pouco antes do meio-dia e me recebeu descalço, com uma blusa azul, de mangas curtas, que deixava ver a tatuagem de dragão na parte interna do braço direito. Os pés de Ciro parecem desproporcionais à sua altura: são pequenos, muito brancos, têm os dedos curtos e delicados. O dragão, em tons de preto e laranja, está sempre escondido sob as mangas compridas. "Não é a jornalista que está vendo essa tatuagem, tá?", diz. Ele sai da sala para fazer café na cozinha. Não toca nos pedaços de bolo, comprados numa padaria, em cima da mesa. De volta à sala, se deitou no chão e se apoiou no antebraço para se expressar melhor.
"Mudei, cresci", informa, tirando longas baforadas. "A gente aprende assim mesmo, na marra. Achava que tinha que impor minha opinião, mas era algo que, no fundo, denotava agressividade e insegurança. Minha fase de vida é outra, estou muito legal, na boa. Se eu quiser parar, agora posso porque tenho um sucessor. Cid é melhor do que eu. É o novo líder do Ceará." Fumou cinco cigarros Charm em duas horas. Sobre a eleição em 2010, é lacônico: "não estou preocupado com isso agora".
Ciro Gomes conta que a sua relação com Lula, que se estreitou durante a crise do mensalão, é bem maior do que se imagina. "Durante meses, amanheci todos os dias às 7 da manhã no Planalto", conta. "Eu, a Dilma Rousseff e o Marcio Thomaz Bastos. A gente passava a manhã inteira debatendo a crise, procurando saídas para o problema. Depois, despachávamos com Lula", diz. Ele revela ter sido o autor de algumas das perguntas feitas por Lula ao candidato tucano, Geraldo Alckmin, nos debates na televisão durante a campanha.
Quando a conversa se fixa nas ações do governo, Ciro tem uma ligeira regressão à zanga característica dos Gomes. "Só intelectualóide aburguesado é que critica o bolsa-família", ataca. "Falar que é esmola é de uma ignorância que irrita. Eu já vi gente faminta invadindo supermercado. Quem já viu isso não tem coragem de falar uma bobagem dessas."
O apartamento de 250 metros quadrados fica de frente para a praia de Iracema e tem a decoração esquálida da casa de um jovem de 20 anos: um sofá de dois lugares que um dia foi creme, uma poltrona vinho desbotada ("A Patrícia ia jogar fora os móveis e pedi para ficar com eles", conta), um bar bem abastecido ("A única garrafa aberta é a de uísque, o resto é tudo presente"), home theatre e um narguilé. Nenhum quadro na parede, nenhum enfeite, nenhuma planta. "Estava ainda pior", reconhece. "A Patrícia esteve comigo aqui dois meses, arrumou bastante coisa, mas é casa de homem sozinho mesmo."
Ciro Gomes se senta. Abraça os dois joelhos. Sua voz continua mansa. Até começar a falar sobre o governador de São Paulo, José Serra. Três dias antes, pela segunda vez, tivera sua conta bancária bloqueada por conta de um processo aberto por Serra. "É algo totalmente ilegal, fico sem poder tirar dinheiro no caixa eletrônico, é absurdo", irrita-se. Foi processado porque, na campanha presidencial de 2002, atribuiu a Serra a batida policial que encontrou dólares vivos num comitê de Roseana Sarney.
Ele se levanta para pegar a terceira xícara de café. Fala do passado. Remói a suspeita de que foi o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso quem tornou público o seu namoro, até então secreto, com a atriz Patrícia Pillar. "Tenho certeza de que foi ele, só contei para ele", diz. "Contei porque ele me sondava para um cargo e eu estava naquele momento de vida complicado. No outro dia, a história já estava no jornal." Em 2002, durante a campanha de Patrícia Saboya à prefeitura de Fortaleza, surgiram boatos de que a proximidade com a ex criara ciúmes em Patrícia Pillar. Pergunto sobre o assunto. Ciro Gomes fica mudo, à espera da mudança de assunto. Ele está mesmo mais controlado.
"Trato todo mundo bem, acho legal, mas não vou sair para jantar eu, o Ciro e a Pillar, óbvio", diz a senadora Patrícia Saboya, de 44 anos, que foi casada por catorze e tem três filhos com Ciro Gomes. Em seu gabinete em Brasília, ela puxa uma cadeira, ajeita a saia preta, pega um cinzeiro. Quando ri, os olhos se espremem até formar só um risco. Ela usa perfume caro e bom. Antes de expor um raciocínio sobre separação conjugal e política, ela pede café. "Eu era vista como uma coitadinha traída", diz. Ela atribui à fossa da separação a derrota que sofreu nas urnas. "Estava muito fragilizada, e as pessoas percebem isso. Para piorar, o Ciro ficava do meu lado no palanque." Ciro Gomes a chama de senadora.
Mesmo negando a existência da oligarquia dos Gomes, Patrícia Saboya diz que é o seu ex-marido "quem passa proteção para o grupo". Às vezes, ela reconhece, a proteção é excessiva: "Ele ainda intimida a mim e aos irmãos. Eu falo melhor, discurso melhor se ele não está por perto". À época da separação, a mãe de Ciro Gomes se solidarizou com a ex-nora. "Eu não aceitava essa história", conta dona Maria José, que tem o apelido de Mazé. "A Pillar me chamava para ficar na casa dela, e eu não ia." Os filhos do casal moram sozinhos, em São Paulo, e a senadora adotou por conta própria uma menina. Até há pouco tempo, ela namorava Sergio Alberto Monteiro de Carvalho, irmão de sua amiga Lilibeth, primeira mulher de Fernando Collor.
Na família Gomes, na regra, as mulheres se dedicam às prendas domésticas. Aos 77 anos, Mazé mora sozinha e toma aulas de canto lírico. Apesar de participar da campanha dos filhos, sua opinião é pouco solicitada. "São eles que decidem as coisas, eles que sabem", diz a matriarca. Todos os filhos têm os olhos e o sorriso da mãe. "Eu não queria me casar, gostava muito de festa", lembra ela. Sucumbiu aos 28 anos. Era professora primária, no interior de São Paulo, onde conheceu o marido, que insistiu em voltar para sua terra natal. Afastada da família, ela viajava para Pindamonhangaba, onde morava sua mãe, para dar à luz. Ela ainda fala os "rr" como se morasse no interior de São Paulo.
Ciro e o segundo irmão, Lúcio, 48 anos, ex-chefe de gabinete e tesoureiro de campanha do mais velho, nasceram lá. Cid está casado pela segunda vez. Sua mulher, que espera um bebê para junho, é vista apenas em solenidades. Ivo se casou, aos 33 anos, com uma ex-rodomoça. Tem dois filhos. Ele não se lembra como se conheceram. "Ela gosta de ficar em casa", diz.
Em 10 de novembro de 1919, o berço político dos Gomes foi destaque no New York Times: "A teoria de Einstein triunfa!", comemorou o jornal americano. Uma expedição de cientistas ingleses e americanos foi a Sobral para comprovar, por meio da observação de um eclipse, um efeito previsto na Teoria da Relatividade: o desvio da luz ao passar por um intenso campo de gravitação, como o do sol. Só havia dois lugares do mundo para se observar o fenômeno: Sobral e o arquipélago de São Tomé e Príncipe, na África, onde choveu. Em Sobral, o tempo foi perfeito.
A 230 quilômetros de Fortaleza, temperatura média de 34 graus à sombra, Sobral teve relevância regional no final do século XIX. Por décadas, foi governada por padres que fundaram jornais, a universidade, construíram museus e controlavam a leitura da população. Situada nas imediações do porto de Camocim, o único que havia no Ceará, a cidade era um entreposto comercial. Tudo e todos que rumavam à capital passavam antes por ali. Comerciantes locais trocavam charque e couro por jogos completos de porcelana da Companhia das Índias, trazidos pelos europeus. Usavam-se luvas na rua. Havia segregação explícita: morenos e negros andavam de um lado da calçada. Os brancos, do outro. Foi daí que nasceu o mito de que quem nasce em Sobral é "besta" - que no vocabulário local quer dizer "metido".
Há duas Sobral. Numa, a "besta", há uma réplica do Arco do Triunfo, um jóquei clube, ônibus escolares amarelos, onde se lê "School bus", doados pelo governo americano, escola de línguas pública, um museu de arte moderna, um de arte sacra, um casario tombado pelo Patrimônio Histórico e locais onde é possível acessar a internet sem-fio. Um dos restaurantes mais chiques, o Pinos, fica no prédio de um supermercado no estacionamento de um posto de gasolina. Na outra Sobral, campeiam as favelas, a miséria, a sujeira. Nela, as promessas eleitorais dos Gomes não saíram do papel. Na sociedade, há três Sobral: a casta decadente, habituada a um glamour do passado; a emergente, formada por profissionais liberais atraídos pelos dois motores econômicos da cidade: a fábrica de cimento Poty e a Grendene, que juntas empregam mais de 16 mil funcionários; e os pobres.
As famílias ricas eram os Saboya, os Sanford, os Deodatos, os Mont'Alverne. Só recentemente os Gomes passaram a integrar a elite. Antes, eram pequenos comerciantes ou funcionários públicos, como o patriarca, o defensor público José Euclides Ferreira Gomes Júnior. Gordo, suado boa parte do tempo, sem alguns dentes molares, fama de galanteador, ele não se importava com a pecha, disseminada na cidade, de grosseiro e pão-duro. Apesar disso, José Euclides era tido como muito culto e inteligente. Não tinha militância política, apenas uma difusa simpatia pelo regime militar. Foi um espanto, pois, em 1975, quando seu nome foi cogitado para ser prefeito de Sobral.
"Papai entrou por acaso na política, mas ganhou a eleição em que era o azarão", explica Cid. Até então, a política sobralense se alternava entre duas famílias: os Prado e os Barreto. Zé Prado estava em busca de um sucessor, e José Euclides lhe pareceu adequado por ter fama de austero. Sua inabilidade ficou visível na campanha, quando chamou parte do eleitorado de "bagaceiros". Eleito por uma diferença mínima de votos, teve uma gestão morna: de relevante, construiu uma estrada para a serra, a sede da prefeitura, abriu uma avenida e fez um mercado municipal, desativado pelo sucessor. Ele morreu em 1997.
José Euclides não costumava beijar nem abraçar os filhos. Acreditava que criá-los com distância, e mão firme, os tornaria independentes. Ciro era seu preferido. "Ele apoiava tudo o que Ciro fazia, e com os outros filhos não era bem assim", lembra Mazé. A família vivia modestamente. "Não era gastança, mas a gente viajava de avião numa época que isso era raro, sempre tivemos comida na mesa, e os filhos não tinham que herdar as roupas dos irmãos", conta. Na adolescência, Ciro era conhecido como "Pescoção", Cid era "Tatá", Lúcio "O Pose" (porque era tido como arrogante) e Ivo é "Ivinho" até hoje.
Ivo Gomes é considerado o mais irritadiço e culto da família. Na adolescência, fez intercâmbio nos Estados Unidos. Foi o primeiro dos Gomes a falar inglês. Depois de ter se formado em Direito, prestou concurso para a Procuradoria Geral de Fortaleza e continuou morando na casa dos pais. Pouco ficou no cargo. Desde cedo, assumiu postos nas campanhas e nos governos dos irmãos.
Com a indicação de Mangabeira Unger, guru de Ciro, Ivo foi aceito para o mestrado em Harvard. A foto da formatura está na parede de seu gabinete. Harvard se tornou quase um sobrenome. "Ivo tem mestrado em Harvard", repetem parentes, amigos, conhecidos e áulicos ao se referir ao caçula. "Menos títulos e mais grana talvez fosse melhor", diz ele, gargalhando.
Era quase noite, quando Ivo abriu a porta de seu gabinete. Calça jeans, mocassim marrom e camisa ocre, ele aparenta mais do que seus 38 anos. Como os irmãos, Ivo adora citar números e estatísticas. Costuma elevar o tom de voz quando é interrompido por uma pergunta. "Meu pai tinha mesmo adoração pelo Ciro", diz. "Fui criado no clima de 'respeite seu irmão mais velho', mas não tenho problemas com isso, sou resolvido." Ele pede licença para comer. "Ainda não almocei", explica. Toma água com biscoitos de polvilho.
Na volta dos Estados Unidos, Ivo resolveu se candidatar a deputado estadual. Está em seu segundo mandato. Ciro Gomes diz que chegou a brigar com o irmão para que não o fizesse: "O cara saiu de Harvard com proposta de 15 mil dólares de emprego e quis ser político no Ceará. Eu falei para ele não vir. Ficamos quatro anos brigados por isso". Ivo se levanta, para buscar um livro com a radiografia da Educação no Ceará. "Passei quatro anos fazendo isso como deputado, pode levar", oferece. Agradeço e digo que vou ler. "Não seja cínica", me diz.
Os Gomes nunca tiveram bandeira política. "Afinamos de ouvido porque compartilhamos as mesmas idéias", diz Cid. Governam cercados de amigos, mesmo que seja preciso mudar leis, ou passar por cima de algumas, para nomear correligionários. Cid Gomes nomeou Ivo para chefe de gabinete, o que lhe valeu acusações de nepotismo. No mês passado, alterou um decreto regional para acomodar um aliado.
Contam com uma tropa de choque regional e amigos fiéis como o ex-deputado Oman Carneiro, assessor parlamentar de Ciro, ou Leônidas Cristino, atual prefeito de Sobral, e o empresário Arialdo Pinho, chefe da Casa Civil. Foi ele quem empregou Ciro como diretor estratégico do Beach Park, então de sua propriedade, com um polpudo salário e um Audi A6, depois da sua primeira campanha para presidente. Há anos os Gomes vivem da política. Construíram o grosso do patrimônio graças ao eleitorado.
Cid Gomes, de 43 anos, é tido como o mais habilidoso. Além de conseguir compor seu governo agregando até adversários, ele promoveu várias melhorias na Sobral "besta". Em dois mandatos como prefeito, ele tirou jumentos das ruas e botou esgoto, calçadas, asfalto, biblioteca, pontes e museu. Também incentivou a produção de um vinho tinto sobralense (de qualidade duvidosa). O outro lado do rio Acaraú ainda lembra uma favela abandonada.
Com 1,84 metro de altura, 80 quilos, Cid Gomes tem o cabelo tão escuro que parece pintado. Num fim de manhã, ele usava camisa Lacoste azul com as mangas arregaçadas, calça azul escura e sapatos bem lustrados. Cid responde às perguntas de maneira monossilábica. "Sou tímido", informa. Desde que assumiu o governo, passa pelo menos catorze horas enfurnado em seu gabinete. Quando quer relaxar, brinca no computador com um joguinho chamado Luxor. É no gabinete que almoça, uma porção de camarão com molho branco e arroz com passas.
Ele conta que teve uma curta experiência na iniciativa privada: "Montei na faculdade uma revendedora de medicamentos com colegas, comprei uma Parati e logo descobri que meu negócio é política", diz. Aos 19 anos, já trabalhava com Ciro. "Foi quando ganhei meu primeiro salário, que mal dava para pagar as contas", lembra.
Cid termina de almoçar e passa para o sofá. Acende o segundo cigarro. Assim como Ivo e Ciro, que passaram temporadas nos Estados Unidos, Cid morou em Washington por seis meses. Mantinha-se com uma bolsa do Banco Interamericano de Desenvolvimento, no valor de 6 mil dólares mensais. Cid diz ter dois apartamentos, um de 200 e outro de 250 metros quadrados, na capital, e onze terrenos em Sobral. Cid faz longas pausas antes de responder. A resposta mais rápida foi por que a maioria das obras de Sobral era tocada pela empreiteira Tecnocom, de propriedade de um amigo dos irmãos Gomes, Irineu Júnior.
As sobralenses se cumprimentam com beijinhos no ar. Nunca na bochecha. Até há alguns anos, os clubes eram fechados e as senhoras se descabelavam para entrar na lista das dez mais bem vestidas. "Hoje tá tudo povão aqui, misturou demais", lamenta a ex-socialite Lúcia Rocha, dona de uma butique. Ela diz que as famílias da elite só se encontram no Rotary ou no Lions Club, "e nas casas da Serra da Meruoca". A quinze quilômetros da cidade, com temperaturas até quinze graus mais amenas, Meruoca é uma espécie de Campos do Jordão cearense. Os mais abonados mantêm as casas de campo, algumas com lareira. Há um restaurante especializado em fondue. Os Gomes também têm uma casa na serra. "Herança", diz Ciro Gomes. É ali que ele se hospeda quando está na cidade com Patrícia Pillar. Além do sítio, ele e os irmãos herdaram do pai três fazendas.
Se houve bons tempos do society local, eles foram animados por Adonias Filho, o factotum da cidade. Decorador, colunista, estilista, cabeleireiro, promoter, ex-professor de patinação, dono de boate, seu investimento mais recente foi abrir um motel (7 reais a hora) de tijolos aparentes na porta ao lado de sua casa. Magro, cabelos tingidos de loiro, óculos escuros de lente azul, brinco na orelha, 63 anos, mesmo os machões da cidade o cumprimentam com beijos. No Carnaval, ele se vestia de She-Ra, a irmã de He-Man, pintava um jumento de tinta branca, para parecer o cavalo branco da personagem do desenho.
Por mais de uma década, Adonias Filho editou o jornal Um luxxo, no qual elegia as dez mais elegantes de Sobral. Quando Ciro Gomes foi eleito prefeito de Fortaleza, ele encabeçou uma manifestação contrária. Trazia uma faixa crítica. Cid Gomes partiu para cima para rasgá-la. Adonias se enrolou no pano. Ele conta: "Eu disse: 'Se for rasgar, me rasgue também'". Foram parar na delegacia. "Os Gomes são temidos", diz. "São como sombra de mangueira: embaixo deles não nasce nada", afirma.
Antonio Carlos Magalhães, do PFL, acha que os Gomes têm chances de chegar ao Planalto. Poucas chances, porque o senador não acredita que Lula vá apoiar Ciro. A vantagem de Ciro, avalia, está justamente na família. "O irmão, o governador, é mais hábil e moderado do que ele. E o Ciro controla a Patrícia. Não a Pillar, a senadora. Quer dizer: ele controla as duas. O que prejudicou o Ciro nas eleições para presidente foi a língua, aquele jeito de usar frases inconvenientíssimas e respostas violentas para coisas menores." Foi derrotado pelo estilo Gomes.
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MODO PETISTA DE FAZER POLÍTICA

Da Época
Existem cidades assentadas sobre falhas geológicas, o que aumenta a probabilidade de terremoto – casos de Tóquio, Los Angeles e Istambul. Seus habitantes têm de se acostumar a pequenos sismos cotidianos e preparar-se para a ocorrência de grandes tremores. Em sua relação com o mundo político, os brasileiros vivem como os habitantes dessas cidades. Ocorrem terremotos todas as semanas – e, depois deles, terrenos que pareciam firmes se tornam movediços. Dois desses terremotos ocorreram neste início de agosto. O primeiro foi a prisão de José Dirceu, na segunda-feira, dia 3. O segundo foi a rebelião da base aliada do governo, na quarta-feira, dia 5, que se somou à divulgação de uma pesquisa em que a presidente Dilma Rousseff aparece com seus piores índices de popularidade.
A prisão de José Dirceu representou um grande baque para o Partido dos Trabalhadores. Primeiro, porque dirige os holofotes da Lava Jato para o primeiro mandato do ex-presidente Lula, onde foram montados os esquemas do mensalão e do petrolão. Revelações incômodas sobre a gênese da corrupção podem ferir gravemente uma candidatura de Lula à Presidência no futuro. Segundo porque, em meio às provas abundantes contra Dirceu, há sinais de enriquecimento pessoal. Isso torna difícil defender Dirceu junto à militância. Quando foi preso no mensalão, Dirceu deixou-se fotografar erguendo o punho cerrado – no gesto que os Panteras Negras, militantes do movimento negro nos anos 1960, tornaram célebre. Naquela ocasião, nas redes sociais, militantes petistas apresentaram Dirceu como vítima de um “julgamento político”. Desta vez, o partido abandonou Dirceu.
A semana atribulada de Dilma começou na quarta-feira, quando a Câmara, em sua estratégia irresponsável de explodir o Orçamento, aprovou um dos itens da “pauta-bomba”: a vinculação dos salários da Advocacia-Geral da União, delegados civis e federais a 90,25% da remuneração dos ministros do Supremo. Isso significa um gasto adicional de R$ 2,4 bilhões por ano, numa época em que qualquer gasto adicional pode representar uma piora sensível da situação econômica e dos cidadãos. É aquela situação em que os eleitos pelo povo, por puro oportunismo, prejudicam os próprios eleitores. Na mesma quarta-feira, dois partidos da base aliada, o PDT e o PTB, romperam com o governo – que ficou, assim, ainda mais frágil. A semana de más notícias se completou com a divulgação, na quinta-feira, de uma pesquisa em que Dilma atingiu seu pior resultado: 71% dos brasileiros consideram seu governo “ruim” ou “péssimo”, em comparação a 65% da pesquisa anterior. É o pior resultado da série histórica de Dilma.
Existem muitas conexões entre os dois fatos, a prisão de Dirceu e a crise do governo Dilma. A mais importante – e talvez menos aparente – é que uma coisa é consequência da outra. Muitas das agruras do governo Dilma foram plantadas durante o governo Lula, especialmente na época em que José Dirceu era o todo-poderoso ministro da Casa Civil. Se o governo sofre hoje com as investigações da Lava Jato, isso se deve a uma decisão tomada no início da era Lula. Em entrevista recente, o deputado Miro Teixeira disse que participou de uma reunião na qual estiveram quatro integrantes do governo. O tema da reunião era como formar uma base de apoio político. Alguns, como o ex-­ministro da Fazenda Antonio Palocci, defendiam que deveria ser via convencimento, negociando propostas com outros partidos – na mesma linha do que ocorrera com o PFL, fiel aliado do governo Fernando Henrique. A proposta vencedora, no entanto, foi a via “orçamentária”: a base de apoio seria negociada caso a caso, com uso de dinheiro como argumento, de acordo com as “demandas” de cada partido ou parlamentar. O cinismo em relação à democracia levou aos esquemas de compra de apoio, mensalão e petrolão.
Se Dilma enfrenta problemas na economia, isso se deve a uma mentalidade estatizante que começou ainda no governo Lula. Que, num primeiro momento, ficou sob controle. Lula, pragmaticamente, adotou o arcabouço econômico do governo anterior, cujos fiadores eram o ministro da Fazenda, Antonio Palocci, e o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles. A partir da crise de 2008, no entanto, criou-se a “Nova Matriz Econômica”, política aprofundada no governo Dilma. A reboque da Nova Matriz, implantada na gestão de Guido Mantega, o mais longevo ministro da Fazenda da era democrática, o governo perdeu o controle dos gastos, tentou maquiar o deficit com as “pedaladas” e jogou o país na crise que vivemos.
Por fim, se Dilma enfrenta animosidade no Legislativo, e tem dificuldades para firmar um pacto nacional, isso se deve, em grande parte, à arrogância que se instaurou no governo desde os tempos de Lula e Dirceu. Como relembra o economista Ricardo Paes de Barros, Lula teve humildade, no início do mandato, para implantar várias políticas do governo anterior – além do já citado arcabouço econômico, Lula “importou” da era tucana o programa de combate à pobreza criado pela equipe de Paes de Barros no Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea). Lula implantou o Bolsa Família com competência e convicção. Os bons resultados desta e de outras políticas acertadas, aliados a uma conjuntura internacional favorável, levaram os petistas a achar que a política brasileira se dividia entre “antes” e “depois” deles – ideia expressa num dos bordões mais arrogantes de nossa história política, o “nunca antes neste país”. O crescimento brasileiro no período democrático, e a melhoria das condições de vida da população, se deve a uma sequência de fatos que começa na Constituição de 1988 e deve muito à estabilização econômica obtida no governo Fernando Henrique. Dizer que tudo começou com o governo do PT equivale a alguém comprar uma casa térrea, transformá-la num sobrado e maldizer quem construiu os alicerces (Constituição) e a parte de baixo (governos anteriores) – como se fosse possível erguer um segundo andar sem a existência do primeiro.
Corrupção na base política, má gestão econômica e a arrogância que divide o país. Três erros do modo petista de governar que, hoje, têm influência decisiva na crise. Neste momento em que urge criar um pacto nacional, é hora de reconhecer tais erros – e aprender com eles.
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A MENSAGEM DO PANELAÇO

Da Veja
No começo, era apenas um despiste. "Espalhamos que já tinha gente na fila para colaborar, mas a gente ainda não tinha nada." A confissão, divulgada meses atrás, é do procurador Carlos Fernando Lima, considerado o cérebro da força-tarefa de Curitiba, quando lembrava como ele e os colegas conseguiram atrair os primeiros suspeitos da Lava-Jato para inaugurar os hoje tão famosos, tão temidos e tão aguardados acordos de delação premiada. Paulo Roberto Costa, ex-diretor da Petrobras, abriu a fila. Seu acordo foi homologado pelo juiz Sergio Moro em 27 de agosto de 2014, uma quarta-feira. Daí em diante, um carrossel virtuoso começou a girar com uma delação puxando a outra, e alguns acusados apressando-se para assinar a delação antes que não houvesse mais novidades a revelar. Na semana passada, a Lava-Jato tinha 25 acordos homologados. Mas, como se tornou habitual nesse escândalo, as expectativas sempre se voltam para o próximo acordo.
Na mira dos procuradores está o empreiteiro Léo Pinheiro, ex-presidente da OAS, preso há nove meses. Desde o primeiro contato com o Ministério Público, seus advogados estão negociando os termos de uma delação cujo potencial explosivo é medido em escala atômica. A princípio, o empreiteiro resistia à delação na esperança de pegar até dois anos de prisão em regime fechado, limite que dizia suportar. Na semana passada, o juiz Sergio Moro condenou Pinheiro a dezesseis anos de prisão, dos quais pelo menos dois e meio terão de ser cumpridos em regime fechado. A condenação, um pouco maior do que o esperado, pode quebrar suas últimas resistências a abrir o bico. Outros dois, ambos ex-diretores da Petrobras, ainda não assinaram acordo, mas já estão em estágio avançado conversas para informar os procuradores sobre o que podem oferecer em troca de redução de pena. São eles: Renato Duque, homem do PT na direção da Petrobras, e Nestor Cerveró, o propineiro de Pasadena.
O volume de acordos de delação premiada na Lava-Jato é algo jamais visto em qualquer investigação criminal no país. Resulta da confluência de um acontecimento de 1990 com outro de 2004. Em 1990, o instituto da delação premiada apareceu pela primeira vez na legislação brasileira, na nova lei dos crimes hediondos. Foi ampliado nove anos depois para todos os demais crimes, deixando de se restringir aos hediondos. Em 2004, quando trabalhava no caso Banestado, escândalo de remessa ilegal de dinheiro para o exterior, um jovem juiz homologou uma das primeiras delações feitas nos moldes atuais. Era Sergio Moro. O delator era o mesmo Alberto Youssef de agora, o doleiro que se tornou talvez o único brasileiro a ter feito não uma, mas duas delações premiadas. Juntando a lei de 1990, o juiz de 2004 e a megarroubalheira na Petrobras, produziram-se as condições para o recorde: 25 acordos de colaboração, e a conta ainda não terminou.
A delação premiada surgiu como um antídoto contra a globalização do crime. Com organizações criminosas transnacionais cada vez mais sofisticadas, os legisladores, sobretudo na Itália e nos Estados Unidos, passaram a pensar em instrumentos capazes de chegar aos chefes desses mamutes do crime: as máfias, os cartéis da droga, os grupos terroristas, as quadrilhas de corruptos. A colaboração de um acusado em troca da redução da pena surgiu como o único meio de quebrar o código de silêncio dos criminosos e pôr as mãos no alto-comando. Nos últimos trinta anos, os Estados Unidos acumularam vasta experiência nesse campo. Desde a Operação Mãos Limpas, na década de 90, uma gigantesca ação contra políticos corruptos, a Itália também avançou. O relativo sucesso da delação premiada no combate ao crime organizado levou a ONU a lançar uma convenção anticorrupção cujo texto sugere explicitamente que os países-membros adotem algum tipo de recompensa aos criminosos que denunciam comparsas.
Assim, a delação premiada começou a proliferar pelo mundo. O Brasil assinou a convenção no ano do seu lançamento, em 2003, e promulgou-a três anos depois. A novidade, no entanto, está longe de ser consensual. Os advogados, em geral, e os criminalistas, em particular, consideram a delação premiada um instrumento antiético e imoral porque a negociação da pena corrompe o processo penal, cuja essência é comprovar, ou não, a culpa do réu, e não colocá-la numa barganha. Também lhes desagrada o fato de a delação premiada levar o acusado a renunciar a um direito fundamental - o direito a um processo justo -, pois a sentença é previamente acertada. As reservas são mais fortes em países como o Brasil, cujo ordenamento jurídico vem da tradição romana, em contraposição ao de tradição inglesa. Em 2003, quando o governo da França propôs uma reforma jurídica que copiava parte do sistema dos Estados Unidos, houve uma gritaria geral. Mesmo na pátria mundial da cidadania, os franceses acabaram se rendendo à dureza da realidade do crime. A Assembleia Nacional aprovou as mudanças, inclusive a delação premiada. Hoje, um francês pode ficar até quatro dias preso sem acusação formal, algo impensável até uma década atrás.
Para ler a continuação dessa reportagem compre a edição desta semana de VEJA.
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O ADEUS DA LEGENDA

Da IstoÉ
A segunda prisão de José Dirceu, ocorrida na segunda-feira 3, não constituiu uma surpresa para ninguém. Nem para ele. O ex-ministro, enredado no mensalão e, agora também, no Petrolão, já se encontrava na alça de mira da Lava Jato desde a prisão de Renato Duque, ex-diretor e seu apadrinhado na Petrobras. A delação do lobista Milton Pascowitch, relacionando o petista ao recebimento de propina pessoal travestida de consultoria, foi apenas a pá de cal. Apesar de não ter sido algo inesperado, o novo recolhimento de Dirceu ao cárcere teve um significado emblemático: cravou no partido a marca indelével da corrupção, decretando praticamente o fim da era petista no poder. Mesmo com a – cada vez mais improvável (leia mais à pag. 38) – sobrevivência da presidente Dilma Rousseff, fica difícil vislumbrar um horizonte para o PT sem haver uma reformulação radical na legenda. Isso se o partido não precisar mudar de nome mais adiante. “O cenário é distinto daquele do mensalão. Nem a melhora da economia salva o PT”, resignou-se o ex-presidente Lula em reunião com petistas na última semana. O Petrolão mostrou de maneira inequívoca que Dirceu e o PT criaram uma espécie de toque de Midas ao avesso: quase tudo em que o partido meteu a mão teve a sujeira da corrupção. Em vez de transformado em ouro, cada órgão administrado pela legenda se deteriorou. Saqueada pelo PT, segundo os investigadores da Lava Jato, a Petrobras já valeu R$ 500 bilhões em 2008. Hoje seu valor de mercado é de R$ 100 bilhões. Outras estatais como a Eletrobrás, aparelhadas sem piedade pelo partido, trilham semelhante caminho. Por práticas nada republicanas, foram parar na cadeia, antes de Dirceu, outras figuras de proa da legenda: o ex-presidente da sigla José Genoíno; o ex-presidente da Câmara, João Paulo Cunha; o ex-deputado e líder da bancada, Anré Vargas;; e os ex-tesoureiros Delúbio Soares e João Vaccari Neto.
A nova prisão de Dirceu trouxe, porém, outro elemento agravante – e, aí sim, decepcionante até para seus mais ferrenhos defensores, que ainda permaneciam iludidos, a despeito das abundantes e variadas evidências de desvios de dinheiro público. O petista, considerado “o capitão do time” por Lula quando era ministro da Casa Civil, foi apanhado roubando para enriquecimento pessoal e não mais em nome de um “projeto de País” ou de “poder”, como alegava o PT até então – como se isso já fosse algo banal. Ou seja, se já era abominável o discurso petista segundo o qual os fins justificavam os meios, mais inaceitável ainda é agora quando se descobre que tanto os meios quanto os fins eram indecentes. Ao decretar a prisão preventiva de Dirceu, o juiz Sérgio Moro disse que o petista recebia propinas desde 2003, quando assumiu a Casa Civil. Para Moro, as provas reforçam os indícios de “profissionalismo e habitualidade na prática do crime” e caracterizam “acentuada conduta de desprezo não só à lei e à coisa pública, mas igualmente à Justiça criminal e à Suprema Corte”. O procurador Carlos Fernando Lima, integrante da força-tarefa da Lava Jato resumiu: “A responsabilidade de José Dirceu, aqui, é como beneficiário de maneira pessoal, não mais de maneira partidária, enriquecendo pessoalmente”. Segundo a Lava Jato, os valores eram pagos a Dirceu por meio de falsos contratos de prestação de serviços da JD Consultoria. Às vezes em dinheiro vivo. Houve casos de ressarcimento de despesas pessoais. Entre 2007 e 2014, as propinas destinadas a Dirceu somavam R$ 90 milhões. Parte do dinheiro – cerca de R$ 1 milhão – serviu para reformar um apartamento do irmão do ex-ministro, Luiz Eduardo de Oliveira Silva, na Vila Mariana, Zona Oeste de São Paulo. Outros R$ 1,3 milhão pagaram a arquiteta responsável pela reforma da casa de Dirceu em Vinhedo (SP). O delator Milton Pascowitch ainda contou ter bancado para o petista metade de um jatinho Cessna 560 XL, avaliado em R$ 2,4 milhões. “O PT já está todo maculado. Isso é uma pá de terra”, avaliou o deputado federal Jarbas Vasconcelos (PMDB-PE). “O PT está afetado no limite máximo, pelo que algumas pessoas da sigla realizaram, no mensalão e no caso da Petrobras. O partido chegou ao fim de um ciclo”, reconheceu o ex-governador petista Tarso Genro, eterno candidato a promover a reformulação da legenda.
Não à toa, a recepção a Dirceu, na carceragem da PF em Curitiba, foi completamente distinta daquela exibida no mensalão. Em vez dos aplausos calorosos da militância, vaias, foguetórios e gritos de ladrão. Na primeira condenação, Dirceu, de punhos erguidos, foi recebido pelos camaradas ao coro de “guerreiro do povo brasileiro”. Havia, entre os petistas, a sensação de que a sentença inicial de Joaquim Barbosa, relator do mensalão, fora dura deamais ao apontá-lo. Semana passada, nem mesmo o PT teve a coragem de defendê-lo. Em nota, sem mencionar o líder de outrora, o partido alegou somente a legalidade das operações financeiras da legenda. “As acusações contra ele são de caráter pessoal”, lavou as mãos o presidente do PT, Rui Falcão. Claro, trata-se de mais uma estratégia do partido na tentativa de não se contaminar ainda mais com a prisão do seu ícone. Em vão — é impossível dissociá-los. A trajetória política e de vida de Dirceu se confunde com a do PT. Foi Dirceu quem, ao assumir o partido em 1995, pavimentou a ascensão de Lula e do PT ao poder, em 2002. Depois, tornou-se o homem forte de Lula na Presidência até desabar ladeira abaixo enrolado numa fieria de escândalos.
O que se conhece agora ainda é mais grave e, por isso, fere de morte a legenda um dia depositária dos sonhos de milhares e milhares de brasileiros que acreditaram na esperança vendida por Lula e companheiros. O esquema de corrupção e pagamento de propina começou no primeiro mandato lulista e perdurou até 2015, segundo a Lava Jato. Graças a uma simples descoberta, durante uma investigação de lavagem de dinheiro, a de que o doleiro Alberto Yousseff havia doado um carro importado a um diretor da Petrobras, no caso, Paulo Roberto Costa, o fio de um imenso novelo foi puxado e conclui-se sobre a confluência dos dois escândalos, o mensalão e o Petrolão. Ambos gestados, segundo os investigadores, a partir da Casa Civil de Lula. Agora, procuradores e agentes federais dedicam-se a buscar evidências que possibilitem destrinchar a cadeia de comando até o topo. Entre os investigadores, comentava-se na semana passada a possibilidade de o ex-presidente ser convocado a depor para prestar esclarecimentos, antes de uma eventual prisão, o que já seria péssimo para sua imagem. Para blindar Lula, há no Planalto quem defenda que ele assuma um ministério de Dilma. Neste caso, o ex-presidente ganharia foro privilegiado e, em caso de denúncia contra ele, o processo seria remetido ao STF. A alternativa, porém, dividia o governo até o fim da semana, pois enfraqueceria ainda mais a presidente.
Num último esforço para tentar limpar a barra da legenda, o PT foi à televisão na noite quinta-feira 6. Ao contrário do imaginado, no entanto, o programa só atiçou ainda mais a indignação de setores do eleitorado refratários ao PT – hoje a expressiva maioria da população. Recheado de cinismo, o filmete petista, ancorado pelo militante e abnegado petista José de Abreu, amigo pessoal de Zé Dirceu, chegou ao cúmulo de dizer que o País vivia “problemas passageiros na economia”. Dono dos piores índices econômicos em quinze anos, o partido teve a desfaçatez de se comparar ao que chamou de melhor período das gestões anteriores. “Nosso pior momento ainda é melhor do que o melhor momento dos governos passados”, diz, desta vez, na voz de Lula. Como na campanha, o PT ainda atentou contra o bom senso e a inteligência da população ao voltar a prometer a retomada do crescimento, com preços em baixa e emprego em alta, além de saúde e educação de qualidade. Resultado: consumou-se a reprise do sonoro panelaço a ecoar pelas principais cidades do País, gesto ilustrativo da debacle do partido.
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ASSUNTO DE CAPA

As quatro principais revistas semanais do país Veja, Época, IstoÉ e Carta Capital começaram a circular neste fim de semana, cada uma trouxe assunto de capa diferente, mas com o mesmo viés; a política brasileira.
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sexta-feira, 7 de agosto de 2015

REGISTRO REJEITADO

O ministro das Cidades, Gilberto Kassab (PSD), viu sua ideia de agradar a presidente Dilma ir por água abaixo, a recreação do Partido Liberal (PL) foi barrada no Tribunal Superior Eleitoral.

Articulada por Kassab, a volta do PL seria uma forma de mostrar fidelidade a Dilma, e agradecer o cargo de ministro. Se o PL voltasse, Kassab ajudaria a presidente nas votações no Congresso. Talvez ele tente outra vez.
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O CABRITO, A REALPOLITIK E A CRISE

Por João Almeida Moreira, da Piauí
A adega onde se forjou a era Lula fecha as portas
Antonio teve duas ideias. A segunda foi convencer Leone, o vizinho, a abrir seu restaurante no dia da folga semanal e reservá-lo só para ele. Leone aceitou: afinal, Antonio era uma autoridade na cidade e ia receber o seu chefe nacional, figura importante, célebre, merecedora de particulares e redobradas atenções. Como o chefe de Antonio sempre apreciou bacalhau, o restaurante português de Leone era, os dois concordaram, o lugar ideal para a reunião.
Não bastava, no entanto, reservar o espaço. Antonio também pediu a Leone que dispensasse todos os garçons, que atendesse pessoalmente os comensais, que desligasse as linhas telefônicas, reservasse uma mesa para os seguranças e mantivesse a porta fechada, tão fechada como se aquela segunda-feira de maio de 2002 fosse, para quem passasse pela rua, um dia normal de folga do restaurante. “Tudo bem”, respondeu o proprietário, consciente da gravidade do momento.
Antonio, o chefe dele e outros quadros destacados da organização precisavam de privacidade absoluta porque aquela não era uma reunião qualquer: durante o almoço, redigiriam e aprovariam uma carta que podia mudar os seus destinos para sempre. E os destinos do Brasil. Essa carta foi a primeira ideia de Antonio. Antonio Palocci.
Recém-licenciado do cargo de prefeito de Ribeirão Preto, Palocci agora se dedicava em tempo integral à candidatura ao Palácio do Planalto do chefe, Luiz Inácio Lula da Silva, e não queria falhar. Não podia falhar: porque o chefe já falhara nas três tentativas anteriores e porque as circunstâncias – baixa popularidade do rival Fernando Henrique Cardoso e, por extensão, do PSDB – conspiravam a favor.
Leone, de sobrenome Rufino, era um homem acostumado a servir de anfitrião aos intelectuais e endinheirados de Ribeirão Preto, como os Palocci. E sua mulher, a chef Anabela, perdera a conta dos elogios ao seu tempero, recebidos ora de clientes importantes, ora da crítica especializada – a Adega Leone foi considerada um dos quatro melhores restaurantes portugueses do Brasil anos a fio, e ganhou dezessete estrelas do prestigiado Guia Quatro Rodas.
Mas receber gente da relevância de Lula e da cúpula nacional do PT, assim, todos de uma vez? Nunca antes na história daquele restaurante.
Leone Rufino é um homem de estatura mediana, magro, calvo, mas com cabelos brancos nas têmporas. Nascido em Lisboa e criado no Porto, cujo sotaque cantado se revela quando recita Camões à mesa dos clientes mais chegados, Rufino aterrissou no Rio de Janeiro em 1965 com a mulher e os dois filhos para assumir o cargo de gerente de marketing da Coca-Cola. A multinacional havia fechado a sucursal onde ele trabalhava, em Angola, durante a guerra colonial entre o país africano e o Exército português, e o Brasil virou a sua nova casa. Do Rio, passou, cinco anos mais tarde, para a filial de Ribeirão Preto, onde, em 1994, encerraria a carreira na Coca-Cola e iniciaria a aventura na Adega Leone.
A Adega, um típico restaurante português, com azulejos por todo lado, trilha sonora permanente de Amália Rodrigues e pão e vinho sobre a mesa, foi uma das primeiras casas comerciais no Boulevard, bairro posteriormente transformado em região nobre do comércio de Ribeirão Preto. Vivia cheio antes daquele almoço de Lula e companhia. Continuaria cheio durante o tempo em que Lula e companhia estiveram no poder.
Naquela tarde de segunda-feira, a poucos meses do penoso fim do segundo mandato de FHC, meia dúzia de políticos ilustres comeram e conversaram animadamente a um cantinho do salão. Rufino tentou citá-los de cabeça: “Ora, estavam o Lula, o Palocci, o Dirceu, o Genoino, o Mantega, o Mercadante, o Duda Mendonça...”
A determinada altura, recorda Rufino, Duda se levantou e leu, em alto e bom som, uma versão da Carta ao Povo Brasileiro perante os companheiros. E perante Rufino. No documento, o PT trocava o ideário de esquerda em matéria econômica por uma espécie de radicalismo de centro. Rendia-se à realpolitik do Plano Real e piscava o olho para o PIB nacional. De charuto na mão, estômago afagado e sorriso no rosto, Lula, que por causa dessa carta se tornaria hóspede do Palácio da Alvorada por oito anos, aprovou.
“Pediram então mais vinho”, disse Rufino. “Beberam Cartuxa tinto, no total umas dez ou doze garrafas, e comeram um cabrito à Fornos de Algodres e uma tibornada de bacalhau com batatas a murro. E o Lula repetiu as batatas a murro”, completou Anabela, orgulhosa de sua memória e de suas batatas.
Depois desse almoço e dessa carta, todos sabemos o que aconteceu ao grupo de comensais e signatários. Lula saiu da Adega Leone quase direto para o Planalto, e do Planalto para a liderança espiritual do PT. Pelo meio, continuou a trocar piscadelas de olho com o PIB nacional. Palocci, ziguezagueando entre governo e iniciativa privada, enriqueceu. Dirceu e Genoino, de presos políticos, passaram a políticos presos, com um Mensalão pelo meio. Mensalão do qual Duda Mendonça escapou ileso. Mantega foi eterno na Fazenda enquanto o amor de Dilma durou. E Mercadante está eterno ao lado da presidente enquanto o amor durar.
Mas e o anfitrião e seu restaurante? O que é feito deles? Leone Rufino e sua adega resistiram enquanto puderam. Acreditaram que a marolinha que foi derrubando, uma a uma, cada casa comercial no Boulevard nunca chegasse a tsunami. Engano: a crise levou com ela a premiada instituição ribeirão-pretana fundada 21 anos atrás. “Não tem jeito, em época de crise, são os restaurantes, os bares ou os cinemas as primeiras coisas que as pessoas cortam: tive que fechar a Adega Leone no dia 1º de junho de 2015”, revelou o português, pesaroso e resignado, hoje com 77 anos, ao lado da mulher e chef Anabela, de 67.
Custos fixos elevados, impostos cada vez mais pesados, aluguel alto, movimento fraco, o cansaço do casal para enfrentar nova recessão – ou, em resumo, a situação econômica do país – foram os motivos que o levaram a fechar as portas, explicou Rufino. Assim a Adega, berço da tomada do poder pelo PT, chegou ao fim por culpa de uma crise econômica exatos treze anos depois de ali redigirem a Carta ao Povo Brasileiro, e ainda durante a gestão do mesmo partido. Leone Rufino, com o sorriso de quem gosta de iniciar polêmicas, faz uma previsão: “Depois de nós, o próximo a fechar as portas é o governo do PT.”
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PROJETO RETIRADO

Após repercussão negativa, o vereador Jota Silva (PSB), de Campinas (SP), retirou projeto de lei que criava o Dia do gol da Alemanha.
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A NOITE DOS PANELAÇOS

O programa do PT na televisão, ontem (6), foi de uma desfaçatez, cinismo, verdadeiro escárnio com a cara dos brasileiros; um show de mentiras. Enquanto o programa  - no mundo da lua – ia ao ar, o país inteiro realizava um estrondoso e barulhento panelaço. Se tem PT mentindo na TV, tem panelaço.
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quinta-feira, 6 de agosto de 2015

SUPORTANDO PRESSÃO

Charge de Izânio

O programa do PT  em cadeia nacional de rádio e televisão vai ao ar hoje, às 20h30. Dilma e Lula aparecerão para mais uma enxurrada de mentira, cinismo, desfaçatez.
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PRESIDENTE IMPOPULAR

Com 71% de reprovação, a presidente Dilma Rousseff (PT) superou as piores taxas registradas por Fernando Collor (1990-92) no cargo às vésperas de sofrer um processo de impeachment, mostra pesquisa Datafolha feita entre terça e esta quarta-feira (5).
No levantamento anterior, realizado na terceira semana de junho, 65% dos entrevistados viam o governo Dilma como ruim ou péssimo.
O grupo dos que consideram a atuação da petista ótima ou boa variou para baixo, dentro da margem de erro de dois pontos percentuais. Em junho, 10% dos consultados pelo Datafolha mantinham essa opinião. Agora, são 8%. Leia mais.
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ROMBO OCULTO

O Tribunal de Contas do Distrito Federal realizou uma auditoria para analisar as contas do Governo em 2014 e apontou um possível descumprimento do artigo 42 da Lei de Responsabilidade Fiscal. O levantamento indica um ocorrência de, pelo menos, R$ 173,4 milhões de despesas nos últimos oito meses de mandato do ex-governador Agnelo Queiroz.
Segundo o TCDF, o Governo do Distrito Federal teria feito despesas, no período de 1º de maio a 31 de dezembro do ano passado, com parcelas para 2015, mas sem deixar dinheiro suficiente para pagá-las.
O ex-governador do Distrito Federal Agnelo Queiroz teria omitido também um valor de R$ 2,2 bilhões relacionado à folha de pagamento de pessoal, aquisição de insumos, realização de obras e prestação de serviços que foram executados. Esse valor não teria sido pago, nem registrado na contabilidade. E 47,6% dos R$2,2 bilhões estão relacionados as despesas com as folhas de pagamento das Secretaria de Educação (SE/DF) e da Secretaria de Saúde (SES/DF), somadas às do Instituto de Previdência dos Servidores do DF.
O TCDF concedeu um prazo de 15 dias para que o ex-governador e os titulares da Secretaria de Planejamento e Orçamento e da Subsecretaria de Orçamento; da Secretaria de Fazenda e da Subsecretaria do Tesouro/SEF no exercício de 2014 apresentem esclarecimentos sobre as irregularidades encontradas.
Do Jornal de Brasília - Charge de William
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REDUÇÃO SALARIAL

A prefeita da cidade de Santana do Cariri (CE), Daniele de Abreu Machado que esteve envolvida em algumas polêmicas nos últimos dois anos, resolveu dar uma virada na imagem negativa em que sua administração tem aparecido no noticiário. Daniele anunciou redução do próprio salário, usou como argumento, a crise econômica que assola o país.
A prefeita baixou decreto reduzindo em 25% o próprio salário, do vice-prefeito e secretários municipais. Também ficou estabelecida a redução na jornada de trabalho dos servidores municipais para 6 horas diárias, em todas as repartições municipais, excetuando os órgãos vinculados à Saúde e aqueles que prestarem serviços de natureza essencial, como o Hospital Municipal.
As polêmicas de Daniele – em março deste ano, a prefeita usou o próprio nome como senha de wifi na praça pública, a população considerou a iniciativa da gestora uma promoção pessoal. Após a repercussão, a senha foi modificada. Outra polêmica envolvendo a administração de Daniele ocorreu em fevereiro de 2014, a compra de 890 quilos de colorau para merenda escolar. 
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