quinta-feira, 11 de fevereiro de 2016

DIA DO AGRADO

Artigo de Rui Martins, Observatório da Imprensa
O Brasil tem uma tradição republicana laica, vinda dos franceses positivistas e dos maçons, assegurando a separação entre a Igreja e o Estado, integrada na Constituição de 1891. Não há uma declaração expressa afirmando essa separação, mas na Declaração dos Direitos dos Cidadãos, a Constituição deixava explícito no artigo 72, que, modificado em 1926 passou a ser :
§ 7º Nenhum culto ou igreja gosará de subvenção official, nem terá relações de dependencia ou alliança com o Governo da União, ou o dos Estados. A representação diplomatica do Brasil junto á Santa Sé não implica violação deste principio.
A Constituição reconhecia direito igual para todas as religiões, que as pessoas seriam livres para seguir qualquer religião ou não ter religião, que o ensino público seria laico nas escolas públicas e que só seria reconhecido o casamento feito em Cartório.
Entretanto, a Igreja Católica, na época dominante e sem  a concorrência atual dos evangélicos, considerou-se prejudicada inclusive na questão do casamento que só teria valor quando celebrado em cartório civil. Por isso, se mobilizou quando da elaboração da reforma das Constituições de 1934 e 1937, através da Liga Eleitoral Católica que pleiteava não só a validade civil dos casamentos feitos diante dos padres, chamados casamentos religiosos, como a inscrição na lei da indissolubilidade do casamento, para assegurar sua posição contra o divórcio.
Assim, embora se tivesse mantido a separação da Igreja e do Estado, o clero católico obteve também o retorno do ensino religioso e a administração dos cemitérios também por associações religiosas. Isso implicou igualmente na introdução da palavra Deus, no preâmbulo da Constituição, mas como argumentou o STF, sem poder normativo, isto é, sem que o Estado teista implicasse numa união com a Igreja, como ocorre em muitos países, inclusive Israel, e no Médio Oriente, que são Estados teocráticos.
Conquista da sociedade moderna
A separação do Estado da Igreja é uma conquista da evolução da sociedade moderna, do fim dos regimes religiosos da Idade Média na Europa, nos quais os próprios reis dependiam para serem coroados e governar do reconhecimento e bênção do Vaticano, considerado representante do poder divino. O Renascimento, o Iluminismo e a ruptura da unidade dos cristãos com a Reforma provocando um pluralismo religioso cristão, as interpretações não religiosas, seculares ou laicas da vida e da sociedade levaram à necessidade de se separar o Estado, ao qual pertencem todos os cidadãos, da Igreja com seus diferentes tipos de fé, seus dogmas, credos, crenças convivendo com o mundo real mas a ele não pertencendo.
Se durante um século, desde a introdução por missionários, as denominações protestantes foram minoritárias, contentando-se em ter apenas alguns deputados estaduais em alguns Estados e não se interessando, por tradição calvinista ou luterana, em intervir na legislação do Estado, (como tinham aconselhado Cristo e o apóstolo Paulo) esse quadro mudou nas últimas décadas.
O surto do evangelismo começou na América Central nos anos 60, onde a promessa bíblica de uma vida futura melhor, num céu ou paraíso e com vida eterna, fizeram as populações mais carentes darem mais crédito ao discurso de pregadores que aos dos políticos ou revolucionários. Mas tão logo os pregadores perceberam o número de fiéis, obtido com suas promessas de autênticos vendedores de loteamentos no céu e promessas abstratas, decidiram ter uma parcela do poder temporal, numa espécie de ter o certo possível que o duvidoso.
O centenário da Guerra dos Canudos nos leva a estabelecer uma certa relação do evangelismo populista, diferente do protestantismo clássico mais intelectualizado, com os seguidores ingênuos e beatos de Antonio Conselheiro, que sem exclusão e perseguição, se tornaram pacíficos, passivos e de grande abnegação. Ao mesmo tempo não se pode esquecer ser a religião um lenitivo contra as dores da pobreza, das injustiças e das depressões, funcionando o pregador como um psiquiatra dos pobres, ajudado pela magia dos cantos, das orações e da fé exercida em coletivo geradora de maior confiança.
Ao contrário das denominações protestantes, cujos pastores têm uma formação universitária teológica,os pregadores evangélicos se improvisam ao se sentirem chamados para levarem a palavra ao povo. Uma parte são aproveitadores da fé dos incautos e simples, mas outra parte age como tendo sido escolhida pelo deus com os quais imaginam ter uma relação mais próxima. E utilizando a sabedoria popular, mesmo sem formação escolar, conseguem encantar seus seguidores. As igrejas evangélicas garantem ser um canal direto de contato com deus.
Enquanto o protestantismo de origem européia e mesmo americana, como os presbiterianos, conseguem ser liberais e sempre foram pelo divórcio, aceitam o aborto e começam a aceitar o casamento homossexual e o exercício do pastorado por mulheres, o populismo evangélico e sua inspiração direta na Bíblia sem uma formação cultural, levam ao moralismo rígido de certa forma próximo do moralismo muçulmano, quando proíbem as mulheres de cortar o cabelo, de usar saias compridas e o véu na igreja, além de condenarem o homossexualismo  e a relação sexual antes do casamento.
O evangelismo chegou ao Brasil pouco antes do golpe militar e se expandiu com o apoio americano na compra de rádios e canais de televisão. Com uma Igreja Católica distante do povo com uma mensagem antiquada e condenando a teologia da liberatação para continuar junto do poder, os evangélicos encontraram um campo fértil para sua mensagem de se poder falar com deus e se ganhar uma vida eterna, com o perdão dos pecados, embora não se saiba muito bem que pecados possam ter os pobres trabalhadores.
Próximos dos 30 % da população, hoje os pregadores evangélicos se enriqueceram e sentiram ter também poder políticos. Alguns se sentem chamados por deus, mas outros utilizam a crendice popular como alavanca para terem cargos públicos e viverem melhor.
Tudo isso poderia ser muito simples, se os líderes evangélicos ficassem só nos cânticos dos salmos e hinos e nas prédicas para seus seguidores serem bons e abnegados. Mas não ficaram e hoje têm parlamentares e políticos decididos a colocar nas nossas leis e práticas o que imaginam ser da vontade de deus. E o Brasil já sente o risco de ter leis reacionárias para punir os homossexuais e as mulheres que abortam.
A Igreja Católica que sempre desfrutou do poder no Brasil, tendo apoiado o golpe dem 1964, namorar a possibilidade de ter uma Concordata com o Vaticano, como ocorre na Argentina (clero igualmente reacionário) com seus bispos sendo dignatários do Estado. Os evangélicos alimentam o projeto de as igrejas poderem fazer propostas ao governo ou parlamento.
A polêmica lei 13.246
E é nesse contexto que a presidente Dilma decide agradar os evangélicos sem desagradar os católicos, usando de seu cargo de dirigente de um país laico para decretar uma data para pregação do Evangelho, se esquecendo de que nem todos os brasileiros são cristãos ou religiosos.
Por ironia, a data escolhida, nesse gesto anti-laico, é o 31 de outubro – data  do primeiro protesto de Martinho Lutero contra as bulas papais e a venda das indulgências mas, ao mesmo tempo, a data da festa céltica  pagã de Halloween levada aos EUA pelos irlandeses, onde ficou muito popular com suas caveiras de abóboras, hoje comercializada, mas considerada pelos evangélicos como festa satânica.
Na sua incrível capacidade de errar, nossa presidente violou nossa tradição laica e querendo agradar aos evangélicos, que a fizeram em 2010 recuar depois de ter se declarado favorável ao aborto, não vetou uma lei levada ao Congresso em 2009 pelo deputado Neucimar Fraga, ex-prefeito de Vila Velha, no Espírito Santo. Depois de aprovada pela Câmara, a lei foi aprovada em 2015 pelo Senado com o apoio dos lobistas evangélicos.
A lei 13.246, que se esperava ser vetada por ser inconstitucional num país laico, foi sancionada na surdina, dia 12 de janeiro, pela presidente Dilma, numa tentativa de escapar do impeachment com o apoio dos deputados evangélicos. Será que a OAB vai deixar passar esse atentado à laicidade do Estado brasileiro?
***
Rui Martins é jornalista e escritor
Bookmark and Share

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2016

NEM TUDO ACABA NA QUARTA-FEIRA

Artigo de Fernando Gabeira
O carnaval é o tempo da alegria, em que as pessoas se irmanam no riso. Segundo o teórico russo Mikhail Bakhtin, a alegria popular é uma contrapartida à seriedade e chatice dos ritos oficiais. Acontece entre nós uma certa carnavalização da política. Algo diferente de se fazerem milhares de máscaras do japonês da Federal e sair cantando: vem pra cá, você ganhou uma viagem ao Paraná. Isso é a política no carnaval. Os discursos de Dilma e Lula são o carnaval na política. Ela conseguiu emplacar dois sucessos em 2015: “Saudação à mandioca” e “Armazenando o vento”.
Na primeira, Dilma pré-colombiana se entusiasmou com nossas origens indígenas. Na segunda, apenas mencionou um processo real mas que ainda não está consolidado: armazenar o vento nas rochas, como um ar comprimido. O sucesso da “Saudação à mandioca” é o entusiasmo de Dilma que se derrama para o milho. No “Armazenando o vento”, o refrão “daqui pra lá, de lá pra cá” transmite ação, é bastante expressivo para descrever o vento.
Deixando sua fase mais popular, Dilma ficou zangada com as previsões do FMI. “Estou estarrecida”, confessou. Como se nunca tivesse lido uma previsão que falasse do buraco em que caímos, até 2018, no mínimo. Mas estava reservada ao criador da criatura o papel de vocalista do bloco. Lula disse aos seus blogueiros de estimação que não existe no Brasil alma viva mais honesta do que ele. Com todas as reservas sobre a existência da alma, e dúvidas sobre se a de Lula está realmente viva ou é apenas um fantasma fugindo da polícia, esta frase abriu o carnaval de 2016.
Lula disse isso num momento em que está acossado por várias investigações, medida provisória vendida, compra de caças, triplex, sítio, enfim tudo o que aparece nas notícias e mais alguma coisa escondida nos inquéritos ou no fundo da garganta de um potencial delator premiado. Ao se proclamar a mais honesta alma viva do Brasil, Lula optou por um passe de mágica que deve ter maravilhado seus intérpretes oficiais, os blogueiros que levam grana do governo. É como se o protagonista, completamente cercado pela polícia, ficasse invisível, ou voasse como um herói de história em quadrinho: shazam.
Ele decidiu ocupar um lugar no Olimpo. O interessante é que, ao contrário dos deuses que tudo sabem, Lula nunca sabe de nada. É uma figura mitológica que derrota o amante traído na disputa por ser o último a saber. Bakhtin tem uma outra visão da etimologia do carnaval. Ao contrário dos que dizem que é a festa da carne, amparando-se na palavra latina, Bahktin mostra que a raiz germânica indica para a expressão: procissão dos deuses mortos.
O fato de os dirigentes serem carnavalescos não intencionais não teria o poder de atenuar seus erros com um pouco de humor? Sei que muitos vão escrever: onde está a indignação diante de tudo que roubaram? Não há espaço para rir deles. Concordo com a indignação com a roubalheira porque ela representa sofrimento, e no caso da saúde, morte precoce para o povo brasileiro. O fato é que eles estão aí. Sérios ou engraçados, assaltariam o país de qualquer maneira. Um pouco de humor não atrapalha. Como dizia Vinicius de Moraes, a gente trabalha o ano inteiro, por um momento de sonho, para fazer a fantasia de rei, ou de pirata ou da jardineira.
O sonho de carnaval, na canção de Vinicius, acaba na quarta-feira. Mas nesse ponto concordo com Bakhtin: o carnaval é mais longo. Aí está o nó. O Brasil oficial vive o sonho de uma potência emergente, incessante redistribuição de renda, orgulha-se de sair no bloco bolivariano e rejeita quem insiste que já é Quarta-feira de Cinzas. No entanto, é um país decadente, que puxa para baixo a própria economia global, e está infestado de mosquitos do Aedes aegypti real ao tsé-tsé simbólico. Aqueles blocos que saem depois do carnaval são animados, ganham alguns minutos na TV, mas sabem que são efêmeros.
Os blocos oficiais parecem não saber. Não adianta gritar que o carnaval acabou. Eles não ouvem. Se ouvirem, daqui a alguns meses, vão responder como Dilma ao documento do FMI: “estou estarrecida”. Estamos estarrecidos há muito tempo. E não apenas com a situação econômica, mas com a gravidade da crise, com a perda de oportunidades nacionais, com o estado da imagem do Brasil no mundo, enfim essa longa lista de choros.
O carnaval demarca o tempo da alegria, um prazer com tempo para acabar, a finitude como a qualidade do próprio prazer. O bloco do governo não soube brincar. Confundiu festa e trabalho, realidade e fantasia, partido e país, dinheiro público e patrimônio. É um dos blocos que o carnaval popular rejeita. De um modo geral, são os que saem fantasiadas da cadeia, na Quarta-feira de Cinzas.
Mesmo na política carnavalizada, no entanto, nem tudo acaba na quarta-feira. Um japonês sem máscara vai bater o ponto na Federal de Curitiba, os processos correm, as línguas desatam, daqui a pouco, quem sabe, é sábado de Aleluia.
Artigo de Fernando Gabeira publicado no Segundo Caderno de O Globo
Bookmark and Share

UNIDOS DE ATIBAIA

Via Blog do Simão, charge do Sid
Bookmark and Share

OS EQUÍVOCOS DO PT E O SONHO DE LULA

Leonardo Boff, O Globo
Durante quatro a cinco décadas houve vigorosa movimentação das bases populares da sociedade discutindo que "Brasil queremos", diferente daquele que herdamos. Ele deveria nascer de baixo para cima e de dentro para fora, democrático, participativo e libertário. Mas consideremos um pouco os antecedentes histórico-sociais para entendermos por quê esse projeto não conseguiu prosperar.
É do conhecimento dos historiadores, mas muito pouco da população, como foi cruenta a nossa história tanto na Colônia, na Independência como no reinado de Dom Pedro I, sob a Regência e nos inícios do reinado de Dom Pedro II. As revoltas populares, de mamelucos, negros, colonos e de outros foram exterminadas a ferro e fogo, a maioria fuzilada ou enforcada. Sempre vigorou espantoso divórcio entre o Poder e a Sociedade. Os dois principais partidos, o Conservador e o Liberal, se digladiavam por pífias reformas eleitorais e jurídicas, porém jamais abordaram as questões sociais e econômicas.
O que predominou foi a Política de Conciliação entre os partidos e as oligarquias mas sempre sem o povo. Para o povo não havia conciliação mas submissão. Esta estrutura histórico-social excludente predominou até aos nossos dias.
No entanto, pela primeira vez, uma coligação de forças progressistas e populares, hegemonizadas pelo PT, vindo de baixo, chegou ao poder central. Ninguém pode negar o fato de que se conseguiu a inclusão de milhões que sempre foram postos à margem. Far-se-iam em fim as reformas de base?
Um governo ou governa sustentado por uma sólida base parlamentar ou assentado no poder social dos movimentos populares organizados.
Aqui se impunha uma decisão. Na Bolívia, Evo Morales Ayma buscou apoio na vasta rede de movimentos sociais, de onde ele veio como forte líder. Conseguiu, lutando contra os partidos. Depois de anos, construiu uma base de sustentação popular, de indígenas, de mulheres e de jovens a ponto de dar um rumo social ao Estado e lograr que mais da metade do Senado seja hoje composta por mulheres. Agora os principais partidos o apoiam e a Bolívia goza do maior crescimento econômico do Continente.
Lula abraçou a outra alternativa: optou pelo Parlamento no ilusório pressuposto de que seria o atalho mais curto para as reformas que pretendia. Assumiu o Presidencialismo de Coalizão. Líderes dos movimentos sociais foram chamados a ocupar cargos no governo, enfraquecendo, em parte, a força popular.
Para Lula, mesmo mantendo ligação com os movimentos de onde veio, não via neles o sustentáculo de seu poder, mas a coalizão pluriforme de partidos. Se tivesse observado um pouco a história, teria sabido do risco desta política de Coalização que atualiza a política de Conciliação do passado.
A Coalizão se faz à base de interesses, com negociações, troca de favores e concessão de cargos e de verbas. A maioria dos parlamentares não representa o povo mas os interesses dos grupos que lhes financiam as campanhas. Todos, com raras exceções, falam do bem comum, mas é pura hipocrisia. Na prática tratam da defesa dos bens particulares e corporativos. Crer no atalho foi o sonho de Lula que não pode se realizar.
Por isso, em seus oito anos, não conseguiu fazer passar nenhuma reforma, nem a política, nem a econômica, nem a tributária e muito menos a reforma agrária. Não havia base.
A "Carta aos Brasileiros" que na verdade era uma Carta aos Banqueiros, obrigou Lula a alinhar-se aos ditames da macroeconomia mundial. Ela deixava pouco espaço para as políticas sociais que foram aproveitadas tirando da miséria 36 milhões de pessoas. Nessa economia, o mercado dita as normas e tudo tem seu preço. Assim parte da cúpula do PT, metida nessa Coalizão, perdeu o contato orgânico com as bases, sempre terapêutico contra a corrupção. Boa parte do PT traiu sua bandeira principal que era a ética e a transparência.
E o pior, traiu as esperanças de 500 anos do povo. E nós que tanta confiança depositávamos no novo, com as milhares comunidades de base, as pastorais sociais e os grupos emergentes... Elas aprenderam articular fé e política. A mensagem originária de Jesus de um Reino de justiça a partir dos últimos e da fraternidade viável, apontava de que lado deveríamos estar: dos oprimidos. A política seria uma mediação para alcançar tais bens para todos. Por isso, as centenas de CEBs não entraram no PT; fundaram células dele e grupos, como instrumento para a realização deste sonho.
O partido cometeu um equívoco fatal: aceitou, sem mais, a opção de Lula pelo problemático presidencialismo de coalizão. Deixou de se articular com as bases, de formar politicamente seus membros e de suscitar novas lideranças.
E aí veio a corrupção do "mensalão" sobre o qual se aplicou uma justiça duvidosa que a história um dia tirará ainda a limpo. O "petrolão" pelos números altíssimos da corrupção, inegável, condenável e vergonhosa, desmoralizou parte do PT e parte das lideranças, atingindo o coração do partido.
O PT deve ao povo brasileiro uma autocrítica nunca feita integralmente. Para se transformar numa fênix que ressurge das cinzas, deverá voltar às bases e junto com o povo reaprender a lição de uma nova democracia participativa, popular e justa que poderá resgatar a dívida histórica que os milhões de oprimidos ainda esperam desde a colônia e da escravidão.
Apesar de tudo, e quer queiramos ou não, o PT, como disse o ex-presidente uruguaio Mujica, quando esteve entre nós, representa a alma das grandes maiorias empobrecidas e marginalizadas do Brasil. Essa alma luta por sua libertação e o PT redimido continua sendo seu mais imediato instrumento.
Quem cai sempre pode se levantar. Quem erra sempre pode aprender dos erros. Caso queira permanecer e cumprir sua missão histórica, o PT faria bem em seguir este percurso redentor.
Leonardo Boff é filósofo, teólogo e professor aposentado de Ética da UERJ. Artigo transcrito do site 247
Bookmark and Share

HIDRA

Charge do Izânio
Bookmark and Share

terça-feira, 9 de fevereiro de 2016

SITUAÇÃO INSUSTENTÁVEL

Editorial O Globo
Lançado no final de outubro do ano passado pelo PMDB, o documento “Uma ponte para o futuro” terminou contaminado por aquele momento político, em que o pedido de impeachment da presidente Dilma era o centro dos debates. Isso bastou para que o texto fosse interpretado como uma iniciativa do vice, Michel Temer, presidente do partido, para anunciar a plataforma do seu governo.
A interpretação atraiu ainda mais rancores do PT e aliados contra as propostas, rejeitadas também por princípio, ao reduzir o peso do Estado, dogma lulopetista. Até mesmo considerar o documento como “do PMDB” é um certo exercício de elasticidade, considerando-se a divisão da legenda, muito tensionada, com um bloco situacionista e um outro oposicionista. Mais ou menos como sempre.
O grupo de peemedebistas que lançou o texto decidiu patrocinar análises e sugestões que já transitavam no mundo acadêmico e na imprensa.
Apenas o PT não percebe — ou se percebe, não admite — que se esgotou um regime fiscal cujas raízes estão fincadas na visão ideológica embutida na Constituição de 1988: cabe ao Estado ser o principal instrumento do combate à pobreza, à miséria, ser o prestador de serviços de saúde a toda a população de forma gratuita, bem como educação de boa qualidade.
Estava pavimentado o caminho para o Estado, independentemente do governo de turno, ampliar a expropriação de rendas da sociedade, para ele distribuí-las no cumprimento desta enorme (e impossível) missão.
O saldo dessa trajetória é que o Brasil passou a ter a maior carga tributária entre os países emergentes (36% do PIB). Afinal, os gastos ditos sociais foram indexados, grande parcela deles ao salário mínimo. Para tornar tudo mais difícil, a correta política de valorização do mínimo, de FH, foi radicalizada com o PT no Planalto.
E, além de tudo, vincularam-se parcelas do Orçamento a gastos específicos: Saúde, Educação, sem falar na folha do funcionalismo, por definição fixa, dada a estabilidade legal do servidor. Pode ser cortada apenas pela inflação.
Uma engenharia dessas só se manteria em pé se a economia brasileira sempre crescesse, e a uma boa taxa. Como isso é impossível, todo este edifício desabou a partir do momento que a mistura de recessão com inflação, que chegou a dois dígitos, reduziu, de um lado, as receitas tributárias, e, de outro, jogou na estratosfera a maior parcela das despesas: Previdência e outros gastos ditos sociais. Não surpreende que o déficit nominal em 2015 haja sido de 10,34% do PIB, do nível da Grécia no auge da crise.
Ora, diante de uma situação insustentável como esta, economistas — e o PMDB os endossa neste documento — defendem, entre outras medidas, a desindexação do Orçamento e o fim das vinculações, o que implicará rever a qualidade de cada gasto na montagem anual dos orçamentos, algo imprescindível.
Se o PT e Dilma insistirem em manter a fórmula de alta carga tributária, a recessão se transformará em depressão, e a coleta de impostos desabará junto, num cataclismo.
Bookmark and Share

O TUCANO PROBLEMA

Nome que já foi apontado como um dos dirigentes de peso da 'nova geração' do PSDB, o governador do Paraná, Beto Richa, de 50 anos, vive dias de incerteza sobre seu futuro político. A realidade do tucano é rara no cenário nacional: arrecadação em alta, popularidade em baixa. Um ano e quatro meses depois de sair consagrado em uma reeleição de primeiro turno, com 55,7% dos votos contra os adversários Roberto Requião (PMDB) e Gleisi Hoffmann (PT), Richa viu sua aprovação despencar em meados do ano passado, no auge de um conflito de professores com a polícia: é o governador mais mal-avaliado do Brasil, segundo levantamento do Instituto Paraná Pesquisas. E agora entrou na mira do Ministério Público.
Embora não seja formalmente investigado, Richa está acossado por duas frentes de investigação: as operações Publicano e Quadro Negro. Em ambas, investigados declararam aos promotores paranaenses que dinheiro desviado dos cofres do Estado teria abastecido a campanha eleitoral do tucano. Richa nega.
Na Quadro Negro, que descobriu desvios de 18 milhões de reais na construção de escolas estaduais, duas funcionárias da construtora investigada relataram repasses de dinheiro à campanha de Beto Richa e a políticos ligados a ele, como Pepe Richa, secretário de Infraestrutura e irmão do governador. O tucano rechaçou as denúncias e afirmou que foi o Estado quem iniciou as apurações. A Procuradoria Geral da República já foi comunicada e vai decidir se há elementos para investigar Richa.
A Publicano desvendou um esquema de corrupção envolvendo auditores fiscais na Receita. Eles cobravam propina de empresas para reduzir ou anular débitos tributários. O Ministério Público já deflagrou quatro fases, denunciou mais de 200 pessoas - cerca de setenta fiscais são investigados. Os cofres estaduais deixaram de arrecadar cerca de 732 milhões de reais entre 2013 e 2015, e o rombo deve subir, segundo promotores.
No ano passado, Richa fez uma reclamação ao Superior Tribunal de Justiça (STJ) para que a Operação Publicano fosse suspensa e remetida à corte, em Brasília, o que na prática retiraria o caso das mãos do Ministério Público do Paraná e da 3ª Vara Criminal de Londrina. À época, o ministro João Otávio de Noronha negou a liminar pedida pelo tucano. Noronha reproduziu na decisão a garantia dada pela Justiça do Paraná de que Richa não era "investigado diretamente", apesar das menções ao nome dele em depoimentos.
Um dos fiscais investigados, Luiz Antônio de Souza, afirmou em delação premiada que a campanha de Richa à reeleição seria financiada com 4,3 milhões de reais do esquema, arrecadados em delegacias da Receita espalhadas pelo Estado. Ele também acusou um primo distante de Richa, Luiz Abi Antoun, que foi preso, de dar ordens no esquema. O Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado) continuou as investigações.
Agora, é a Procuradoria Geral da República quem pede ao STJ autorização para que Richa seja formalmente investigado. A papelada está nas mãos do ministro João Otávio de Noronha. O pedido de abertura de inquérito contra o tucano ainda não foi decidido, mas tem potencial para determinar o rumo político do governador. Nesta semana, Richa afirmou estar "tranquilo" e não ter o que temer. Richa disse ser o principal interessado no esclarecimento das denúncias. "Sempre fomos muito criteriosos, isso eu não aceito. Sempre tivemos esse cuidado de aceitar dinheiro de origem licita para campanha, prestando contas de todos os recursos que ingressam na campanha", afirmou.
Aliados de Richa avaliam que ele ainda não foi abatido porque não vieram a público provas documentais do envolvimento dele. Caso o inquérito seja arquivado, Richa deve se capitalizar e tentar uma das duas vagas em jogo no Senado em 2018, atualmente ocupadas por Requião e Gleisi. Conforme o deputado federal Sandro Alex (PPS), já existe uma "movimentação" política no plenário da Câmara para tentar desgastar o PSDB com os escândalos de corrupção que atingem o governo Richa.
"Eu não vi ainda ninguém falar que tinha contato direto ou participação dele. Se não houver apresentação dessas provas, vai para arquivamento. Agora, com apresentação de provas acho que vai haver uma dificuldade, porque o governo federal pode tentar usar um governo de seu inimigo político, o PSDB, para justificar os malfeitos. O PT pode utilizar como uma válvula de escape, para dizer 'cuidem do de vocês'. Eu percebo que existe uma tentativa de vinculação do que ocorre em Brasília com o que pode acontecer no Paraná. É uma oportunidade de tentar responder a Lava Jato e o petrolão com um problema localizado. A todo instante no plenário se levanta isso", afirma Sandro Alex.
O propinoduto foi instalado justamente em uma área de destaque do governo paranaense, a Fazenda estadual. O Paraná aumentou a receita corrente líquida para 31,8 bilhões de reais (aumento real de 1,4%) e acaba de anunciar um superávit de 1,9 bilhão de reais, em 2015. Mas Richa é um exemplo de que não bastam recursos fartos para prosperar na administração pública. Em dezembro, ele apareceu em último lugar em um ranking com treze governadores divulgado pelo Instituto Paraná Pesquisas. Conforme a pesquisa, o tucano tinha 71,2% de desaprovação e 24,4% de aprovação.
Afora as investigações sobre seu governo, deputados paranaenses relacionam a queda de popularidade do governador ao aumento de tarifas promovido em seu segundo mandato, ao confisco de 9 bilhões de reais da Previdência para reforçar o caixa e, sobretudo, à crise com servidores e professores grevistas da rede estadual, contrários à reforma previdenciária então em votação na Assembleia Legislativa. O estopim foi a batalha do Centro Cívico, nome dado ao confronto entre a Polícia Militar e professores que se manifestavam em abril de 2015. Mais de 200 pessoas ficaram feridas. Logo depois, em junho, a avaliação do governo Richa chegou ao pico de 84,7% de desaprovação, também conforme o Instituto Paraná Pesquisas. Richa e a antiga cúpula da secretaria da Segurança Pública, inclusive o deputado Fernando Francischini (SD), ex-titular, viraram alvo de uma ação civil pública.
O episódio foi criticado até pela cúpula do PSDB. Um ex-secretário de Richa afirma que a base do governador na Assembleia Legislativa está menor e que agora favorece a pressão para que se instale uma CPI da Operação Quadro Negro. "Aquela pancadaria com os professores foi um horror. Richa já não tem mais o glamour que tinha antes", disse o tucano, que pediu anonimato. Ele conta que todos os deputados do partido tiveram a imagem arranhada e foram pressionados publicamente por causa da repercussão negativa, em âmbito nacional, do confronto. Um dos temores é que as imagens do governador e do conflito sejam associadas a candidatos do PSDB e partidos aliados nas eleições municipais deste ano.
"O governador Beto Richa foi inábil politicamente. Ele promoveu no fim do primeiro mandato um ajuste fisal bem sucedido, que deu hoje estabilidade no Estado que os outros não têm. Estamos pagando mais impostos, subiu IPVA, ICMS, essas coisas. A inabilidade foi quando no início do segundo mandato ele não teve o tato necessário para conduzir a greve dos professores. Deixou na mão de dois ou três que fizeram loucura. Essas coisas de polícia, de colocar deputado na marra para ir votar dentro de camburão... Por isso caiu a popularidade dele. A sociedade não aceita isso", disse o deputado federal Sérgio Souza, do PMDB, partido de oposição ao tucano.
Logo depois do embate com os servidores, Richa foi à TV, em tom de arrependimento, pedir desculpas à sociedade e dizer que não deu ordens para a polícia agir. "Quem saiu mais machucado e ferido fui eu. Saí ferido na alma", disse. A depender do que as investigações revelarem, será difícil para os paranaenses aceitar o pedido.
Os tropeços de Richa
Outubro de 2014 - É reeleito no primeiro turno com mais 55% dos votos válidos, tendo derrotado os senadores Roberto Requião (PMDB) e Gleisi Hoffmann (PT).
Dezembro de 2014 - Anuncia ajuste fiscal, com aumento de impostos como IPVA e ICMS sobre a gasolina.
Março de 2015 - Gaeco de Londrina deflagra Operação Publicano, que desvendou esquema de fraude na Receita e já tem mais de setenta fiscais investigados entre as cerca de 200 pessoas denunciadas. Luiz Abi Antoun, parente do governador, é preso em investigação sobre fraude a licitação.
Abril de 2015 - Polícia reprime de maneira violenta manifestação de professores e servidores contrários à reforma da previdência estadual. A "batalha do Centro Cívico" deixou mais de 200 pessoas feridas. Episódio motivou até pedidos de impeachment do governador - rejeitados na Assembleia Legislativa.
Junho de 2015 - Um diretor da Secretaria da Educação e mais seis pessoas são presos pela Polícia Civil na Operação Quadro Negro, que combate corrupção e desvio de recursos na construção de escolas.
Setembro de 2015 - Richa vira réu em ação de improbidade administrativa por causa do confronto do Centro Cívico.
Janeiro de 2016 - Ministério Público denuncia à Justiça quinze pessoas entre empresários, laranjas e servidores públicos envolvidos no desvio de 18 milhões de reais, entre 2013 e meados de 2015, destinados a obras em escolas públicas. Entre eles está o ex-vereador Juliano Borghetti (PP), irmão da vice-governadora Cida Borghetti (Pros). Há suspeita de que dinheiro tenha abastecido a campanha de Richa. O tucano nega. PGR já recebeu informações do caso.
Fevereiro de 2016 - Ministério Público Federal pede abertura de investigação contra Beto Richa.
Bookmark and Share

CONTAS CANCELADAS

O Twitter revelou que, desde maio de 2015, mais de 125.000 contas na rede social foram canceladas por conta de ameaças e apologias ao terrorismo. Segundo a empresa, que tem sua sede na Rua Market (São Francisco, Califórnia), recrutadores do Estado Islâmico (EI) usavam seus perfis como ferramenta para atrair pessoas que identificavam como suscetíveis à manipulação. Em seu blog, a companhia explica: “Condenamos o uso do Twitter para promover o terrorismo. A ameaça terrorista evoluiu e nossa forma de lidar com ela também”.
Por isso, a equipe de funcionários que se dedica a monitorar as atividades que podem ser consideradas delitos foi ampliada. Outra de suas metas é melhorar o tempo de resposta e decisão para detectar e cancelar as contas na rede social.
Além do efetivo humano destinado a essa atividade, imprescindível para captar duplos sentidos, mensagens subliminares e ironias, o Twitter também criou um algoritmo capaz de captar o conteúdo. “As plataformas globais na rede estão obrigadas a tomar decisões que são um desafio no campo da detecção, mesmo sem ter experiência prévia”, afirma a publicação no blog.
A rede social do passarinho azul resolveu anunciar essa medida poucos dias antes de publicar seus resultados financeiros, na próxima quarta-feira. Também se espera que o Twitter informe, antes dessa data, dados relacionados ao produto. E a finalidade é clara: impulsionar a ação antes de prestar contas publicamente.
O Google também não ficou para trás. Segundo algumas publicações, a empresa modificou seu sistema de anúncios, o AdWords, para funcionar de maneira contrária. Se alguém pesquisar termos relacionados com o EI, o buscador dará destaque a resultados que fazem propaganda contra o radicalismo islâmico, para dificultar a troca de ideias e informações entre simpatizantes. Essa medida foi incluída como parte do programa da empresa que promove ações sem fins lucrativos.
Anthony House, o executivo responsável pela ideia, explicou seu motivo ao site Mashable: “Temos que colocar ordem em tudo que é ruim, mas também é importante que as pessoas encontrem boas informações, que quando se sintam isolados e busquem, desesperadamente, um grupo ao qual se integrar, não se juntem a um que seja ruim”. Além disso, dentro do programa de promoção de anúncios grátis, mais ONGs têm acesso à difusão.
O governo dos Estados Unidos trabalha em parceria com o Twitter, o Google, e também com o Facebook, para frear o avanço da difusão de mensagens a favor do terrorismo. Em janeiro, foi realizada uma reunião para discutir diferentes fórmulas de contenção de recrutamento. A intenção da administração pública dos EUA é promover técnicas para detectar e medir os níveis de radicalização.
Bookmark and Share

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2016

MIGUEL ARRAES IGNORADO

Primeira escola a desfilar, Unidos de Vila Isabel, que homenageou o grande Miguel Arraes em seu centenário de nascimento não teve seu desfile transmitido pela Rede Globo.
A emissora preferiu apresentar o reality show Big Brother Brasil. Lamentável! Um pouco de nossa história política recente foi ignorada.
Pelo menos em Pernambuco a transmissão do desfile não foi preterida pela Globo; foi gravada, mas foi ao ar.
E os pernambucanos, cearenses, admiradores de Arraes que estão fora de Pernambuco?
Bookmark and Share

RENAN E O EMPREITEIRO

Da IstoÉ
Termina nesta semana o prazo concedido à Polícia Federal pelo ministro Teori Zavascki, relator da Lava Jato no Supremo Tribunal Federal (STF), para a conclusão do inquérito que relaciona o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), ao esquema do Petrolão. Nele, Renan é suspeito de ser beneficiário de propina desviada da Petrobras. A julgar pelo que os investigadores conseguiram desvendar até agora, o presidente do Senado terá dificuldades para escapar da denúncia. Obtido por ISTOÉ, relatório produzido pela PF no Paraná, a partir do conteúdo encontrado num celular do ex-presidente da OAS, Léo Pinheiro, – condenado a 16 anos de prisão por, entre outras razões, pagar propina a políticos –, é explosivo. O material de 50 páginas indica uma série de mensagens trocadas entre Pinheiro e seus auxiliares, em que o empreiteiro demonstra intimidade com o presidente do Senado. Mais do que isso.
Trechos das conversas sugerem, de acordo com os investigadores, a influência exercida pelo empreiteiro sobre Renan, que à frente de uma das Casas do Congresso teria passado a atuar em sintonia com as conveniências da OAS – uma das empreiteiras do Petrolão que mais contribuíram para a campanha de seu filho ao governo de Alagoas. Os documentos em poder da PF indicam que Pinheiro possa ter influído para enterrar o projeto que proibia a doação privada a políticos bem como a CPI dos gastos com a Copa, temas considerados de suma importância para a empreiteira. Ambos dependiam da caneta e do prestígio político de Renan para serem sepultados. E foi exatamente o que ocorreu com as duas proposições entre 2013 e 2014. Da cadeira de presidente do Senado, Renan mandou-as para o arquivo.
As mensagens encontradas no celular de Pinheiro revelam que, para alcançar o seu objetivo de interferir em projetos de seu interesse no Congresso, o executivo da OAS participou de uma série de reuniões com Renan. Ao menos uma delas ocorreu no final de semana. Diz o relatório: “Uma breve análise das mensagens trocadas entre Leo Pinheiro e o usuário identificado por Renan Calheiros reflete entre 2012 e 2014 ao menos 06 pedidos para encontro ou contato, 02 comunicações que indicam que um interlocutor (de Pinheiro) estava ou estaria logo em um determinado local, 03 agradecimentos de Leo Pinheiro para Renan Calheiros e 14 citações de notícia de Renan no email de Leo Pinheiro”.
Numa sequência de mensagens rastreadas pela PF, ocorridas entre os dias 13 e 17 de setembro de 2013, a Lava Jato conseguiu identificar claramente a ingerência da OAS sobre a pauta do Congresso. Segundo o relatório, em 13 de setembro de 2013, o assessor de Leo Pinheiro, Marcos Ramalho, o comunica sobre um encontro com Renan na residência oficial do Senado que ocorreria no domingo seguinte às 11h. A reunião, avisou o assessor, havia sido agendada por Alexandre Grangeiro, um conhecido lobista da OAS em Brasília. No dia marcado, Pinheiro, em mensagem encaminhada ao assessor, checa o local do encontro. “Bom dia. O encontro das 11hs será na residência da Presidência?”. Ao que o assessor confirma: “Sim, na residência oficial”. Procurado por ISTOÉ, Renan reconheceu por meio de sua assessoria que se reuniu “em algumas oportunidades com o Sr. Leo Pinheiro”. “Todas as conversas foram estritamente institucionais”, acrescentou a assessoria de Renan. Para a PF, no entanto, a quebra do sigilo telefônico do ex-presidente da OAS indica que a reunião de Pinheiro e Grangeiro com o presidente do Senado, no domingo 15, serviu para que os três combinassem o arquivamento de uma proposta que a empreiteira não gostaria que prosperasse na Casa. O empreiteiro da OAS parecia empenhado em conseguir o que queria. No dia seguinte, ele mandou entregar na casa de Renan um corte de terno. Por acaso, era aniversário do presidente do Senado. “Hoje é aniversário Sen. Renan Calheiros (corte já entregue)”, avisa seu assessor pelo celular. Na terça-feira 17, dois dias depois do encontro, consumou-se o desenlace esperado por todos. Pinheiro enviou uma mensagem ao diretor jurídico da OAS, Agenor Valadares, em que afirmou que o presidente do Senado estava, naquele momento, ligando para ele. “Renan está me ligando. Engavetou?”, questionou Pinheiro. “Sim. Engavetou. Porém a expectativa é de que só até dezembro. Em dezembro, teria uma reavaliação”, respondeu Valadares. Para os investigadores da Lava Jato, essa troca de mensagens revela que o que fora acertado com Renan, na conversa na residência do Senado da qual participaram os dirigentes da OAS, foi cumprido.
Para identificar o que tanto interessava à OAS àquela altura, a Lava Jato cruzou as datas das mensagens trocadas pelo celular com os temas em discussão no Senado durante aqueles dias. Bingo! Os investigadores descobriram que tramitava na Casa um assunto essencial para empreiteira: o projeto que acabava com as doações eleitorais de empresas. De iniciativa do senador Randolfe Rodrigues (Rede -AP), a proposta fez parte de uma minireforma política em apreciação na Casa como resposta às manifestações populares que ocorreram em junho daquele ano. O tema não interessava a empresários e muito menos aos políticos. Por isso, a importância para a OAS do seu engavetamento. Naquele momento, a Lava Jato não era uma realidade. Hoje, perto de completar dois anos, a investigação revelou como são intrincadas as relações entre financiamento eleitoral, políticos e contratos com a administração pública. Em 2013, para o deleite de Leo Pinheiro, o Senado presidido por Renan recusou a proposta de barrar o dinheiro empresarial. No ano passado, o STF se encarregou de jogar uma pá de cal nas doações privadas. Mas esta é outra história.
O arquivamento da proposta que poria fim às doações de empresas a políticos não foi o único tema de interesse da OAS que contou com a contribuição de Renan naquele ano. Segundo relatório da Lava Jato, em 24 de julho de 2013, Pinheiro manifestou outra preocupação ao lobista Alexandre Grangeiro. Naquela semana, havia sido apresentado no Senado um requerimento para a criação de uma CPMI, de autoria do deputado Izalci Lucas (PSDB-DF), para que fossem investigados os gastos do governo brasileiro com a organização da Copa do Mundo, incluindo as despesas com a construção dos estádios. A OAS foi responsável pela construção das arenas Dunas, no Rio Grande do Norte, e Fonte Nova, na Bahia. Portanto, não tinha interesse em uma investigação parlamentar. Dizia a mensagem trocada entre os executivos da OAS e rastreada pela PF: “O requerimento teve assinatura de 186 dep e 28 sen, das 171 e 27 mínimas necessárias. Agora é preciso a leitura em sessão do Congresso prevista para 20/08, mas depende de decisão de Renan. Os parlamentares podem retirar assinatura até meia noite do dia da leitura. Eu já mandei o requerimento anteriormente por email. Abs.” Segundo a investigação da PF, Renan matou essa no peito. Foi articulada no Senado a retirada de assinaturas, o que acabou se consumando em 20 de agosto, quando quatro parlamentares recuaram. Em novembro de 2013, a PF encontrou uma nova referência ao assunto no celular do então dirigente da OAS. Pinheiro comenta com o diretor-executivo da OAS, Roberto Zardi, sobre uma reunião na qual Renan e o então presidente da Câmara, Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN), participavam, fazendo um pedido para alguém tratado como “presidente”. “Avisa para ele que Renan e Henrique estão com presidente daí fazendo um apelo”.
O relatório com as mensagens do ex-presidente da OAS está sendo analisado pelo grupo de procuradores e policiais federais encarregados de investigar os políticos beneficiados com dinheiro desviado da Petrobras. A OAS junto com outras empreiteiras do Petrolão respondeu por 40% das doações eleitorais feitas ao filho de Renan, atual governador de Alagoas. Em delação premiada, o empresário Ricardo Pessoa, da UTC, disse que as doações a Renan Filho pelo caixa um serviram para encobrir o pagamento de propina. Para a força-tarefa da Lava Jato, Renan, que controla há muitos anos o diretório do PMDB de Alagoas, seria o elo com a OAS. O caso se junta a outras frentes de apuração que implicam Renan. O presidente do Senado é alvo de cinco inquéritos que tramitam no Supremo. No início de novembro, a procuradoria pediu a quebra do sigilo bancário e fiscal do parlamentar, assim como a realização de buscas na residência oficial da Presidência do Senado, no escritório do PMDB de Alagoas e endereços vinculados ao deputado Aníbal Gomes. Zavascki poupou a residência oficial, mas deu sinal verde para que fosse vasculhado o diretório estadual do partido de Renan - diretório que, segundo o Ministério Público Federal, possui o parlamentar como responsável junto aos registros da Receita Federal. Os advogados do presidente do Senado reclamaram da decisão, alegando que seu cliente já havia colocado suas informações bancárias e fiscais à disposição das autoridades. Os investigadores ficaram satisfeitos com o resultado das buscas. Encontraram documentos que corroboram a versão apresentada pelo ex-diretor de Abastecimento da Petrobras Paulo Roberto Costa e o doleiro Alberto Youssef. De acordo com os dois delatores, o próprio Renan também foi beneficiado com propina na forma de doação eleitoral. “Renan tinha um representante para receber propina”, disse Paulo Roberto Costa. Uma das comissões era repassada por fornecedores da Transpetro, a subsidiária da Petrobras comandada entre 2003 e 2014 por Sérgio Machado, aliado do senador. “Uma análise sistemática dos depoimentos contidos no bojo do Caso Lava Jato, permite identificar contornos muito claros de fato específico a envolver os parlamentares Renan Calheiros e Aníbal Gomes, com a obtenção de vantagens a partir de contratos firmados pela Transpetro”, afirmou o chefe do Ministério Público Federal, Rodrigo Janot, no início de dezembro.
As suspeitas, neste caso específico, estão relacionadas à licitação para a construção de estaleiro encarregado de produzir barcaças e empurradores destinados ao transporte de etanol entre Mato Grosso e São Paulo (hidrovia Paraná-Tietê). Há indícios de irregularidades na licitação vencida pelo consórcio formado pelas empresas SS Administração e Serviços, Estaleiro Rio Maguari S.A. e Estre Petróleo Gás. Segundo o que revelaram Costa e Youssef, além das informações colhidas pelo MPF, a SS Administração arrendou área na cidade de Araçatuba com o objetivo de construir os comboios para a Transpetro antes mesmo de iniciado o processo licitatório, num indício de que o vencedor da concorrência já estaria escolhido. Além disso, entre o início da licitação e a divulgação do resultado, as empresas do consórcio vencedor - apesar de sediadas em São Paulo (SP) e Belém (PA) - fizeram doações eleitorais em favor do diretório estadual do PMDB de Alagoas. Foram transferidos, em 19 de julho de 2010, cerca de R$ 650 mil para o PMDB de Alagoas. Parte do dinheiro seguiu no mesmo dia para o caixa eleitoral de Renan. “Constata-se que em 19 de julho de 2010 ocorreram duas transferências para a campanha de Renan Calheiros, ambas no valor de R$ 200.000,00, perfazendo-se um total de R$ 400 mil correspondentes aos valores depositados pelas empresas que fraudulentamente venceriam a licitação”, afirmou Janot. Por considerá-lo o seu principal aliado no Congresso, o Planalto acompanha com lupa o desfecho das investigações envolvendo Renan. Se, ao que tudo indica, o peemedebista for denunciado, ele arrastará consigo a esperança do governo de ver enterrados sumariamente o processo de julgamento das contas de Dilma, reprovadas pelo TCU, e um eventual pedido de impeachment, caso ele seja aprovado na Câmara. À espera do desfecho do caso Renan, Brasília estremece. 
Bookmark and Share

NA PASSARELA DO SAMBA

O centenário de Miguel Arraes, ex-governador de Pernambuco, ex-deputado federal, será celebrado neste ano.
Arraes será homenageado pela Unidos de Vila Isabel, nesta segunda-feira, no sambódromo, na Marquês de Sapucaí, na passarela do samba Darcy Ribeiro, Rio de Janeiro.
O samba-enredo Pai Arraia foi o vencedor da Unidos de Vila Isabel; composto por Martinho da Vila, André Diniz, Mart’Nália, Arlindo Cruz e Leonel.
Pai Arraia
“Meus olhos ficavam rasos d´água
A seca minha alma castigava
O sol queimava e rachava o chão
Os carcarás pousavam no sertão
Cresci sonhando renovar os sonhos
Revitalizar a vida
Que se equilibra sobre a palafita

Dar pra gente mais sofrida dignidade e amor
Pra essa gente aguerrida, dignidade, amor

Acordei o campo para um novo dia
Com o futuro santo, lindos ideais
Acordei o campo pra haver justiça
Flora esperança nos canaviais

Carinhosamente... Pai Arraia
No lugar onde arrecifes desenham a praia
Acolhi um movimento, real solução
Mais do que alento, a cura dos ais
Liberdade se conquista com educação
Juntando artistas e intelectuais

Pra fazer a cartilha no cordel
Ensinar do abc à profissão e buscar na arte a inspiração

Tao bom cantarolar, me emocionar, estar aqui
Pra ver na avenida
O valor da verdadeira Vila
De gente humilde que defende a tradição no seu lugar
Um momento de cultura popular

Vem sambar no frevo e na ciranda
Silenciar jamais!!!
Até o Galo da Madrugada

Se entregou à batucada, misturando carnavais”.
Bookmark and Share

PARABÉNS, MARINA

Hoje é dia de parabenizar a ex-senadora Marina Silva. Ela representa muito bem a força da mulher brasileira.
Maria Osmarina Marina Silva Vaz de Lima nasceu no dia 8 de fevereiro de 1958 na localidade de Breu Velho, no Seringal Bagaço, no estado do Acre.
Parabéns, Marina! Desejo saúde, paz e felicidade. 
Bookmark and Share

DESFILE DE DENÚNCIAS

Charge do Sinfrônio
Bookmark and Share

domingo, 7 de fevereiro de 2016

O CERTO E O ERRADO

Artigo de Fernando Henrique Cardoso, O Globo
O castelo de areia das grandezas do lulopetismo está desabando ao sopro da crise econômica e da Lava-Jato, como tantas vezes escrevi. Em meio ao desmoronamento, o lulopetismo procura embaçar a vista de quem assiste à sua queda dizendo que tudo não passa de uma trama “da direita” para desacreditá-lo por ser “de esquerda”.
Para desmontar a farsa, vale a pena ler a entrevista dada às páginas amarelas da “Veja”, na semana passada, por José de Sousa Martins, importante sociólogo e insuspeito de ser “de direita”. Martins diz que, no caso do PT, a dicotomia direita/esquerda provém da metamorfose do pensamento católico, que separa os bons dos maus, os fiéis dos que não creem. Há na matriz do petismo um reducionismo que transforma os adversários em inimigos e tem dificuldade de lidar com nuances de opinião. É a essa matriz que o lulopetismo busca retornar, agora como farsa.
Sobre a “esquerda” e a “direita” no Brasil, há anos eu repito a frase que ouvi do historiador Sergio Buarque de Holanda quando examinava uma tese de livre-docência sobre a política brasileira no Império. No trabalho, o autor confrontava o pensamento liberal, conservador e progressista. Sergio, referindo-se a um personagem simbólico de nossos conservadores naquele período, perguntou com certa ironia ao candidato: “você acredita que Bernardo Pereira de Vasconcelos lia Edmund Burke (um clássico do conservadorismo inglês, que via com maus olhos a Revolução Francesa)”? “Não”, respondeu o próprio Sergio, ele não era um verdadeiro conservador, não defendia ideias; ele era apenas um “atrasado”. Boa parte dos atuais lulopetistas tampouco é de esquerda, defende ou crê apenas em noções atrasadas.
Mas a disputa política não é uma batalha para ver quem são os mais bem informados. Ela sempre envolve percepções. Assim, o chavão dos “pobres versus ricos”, por mais que seja tosco, pode funcionar. Do mesmo modo pode aliciar muita gente o embuste de que a Lava-Jato seja uma manobra para perseguir os deserdados da fortuna em favor dos poderosos, como se os poderosos nos últimos 13 anos não tenham sido eles, em ligação corrupta com parte da elite econômica e política.
Por isso, cabe aos políticos de oposição, na luta ideológica, continuar a desmantelar as fortalezas do atraso. Além de desmontar o argumento da “armação jurídica”, é preciso reduzir ao ridículo a ladainha de que a crise atual decorre de fatores externos: vejam só, dizem eles, estávamos certos, foram as ondas externas (não mais marolas, mas tsunamis) que nos afetaram. Tão certos pensam que estavam que, ao derrubar o ministro Levy, renasceu a esperança do “mais do mesmo”, ou seja, mais crédito e mais consumo (por quem já está endividado e muitas vezes com menos renda e não raro sem emprego).
O que está claro para quem tem alguma noção das coisas e da História pode ser turvo para o cidadão comum. Por isso a repetição petista de uma argumentação descabelada pode parecer inútil, mas não é; é uma tentativa de preservar a imagem de que só o PT defende os pobres e só ele se opõe ao capitalismo desumano. Convém persistir em mostrar que o que foi feito na política econômica petista não foi obra do inevitável, mas produto de erros crassos.
Erros que não remetem à divisão esquerda/direita, mas se explicam pelo atraso na compreensão da política econômica e pelo interesse em manter o poder e os bolsos dos partidos e de alguns de seus dirigentes recheados com dinheiro alheio, dinheiro do povo. Que medida no presente pode ser mais “de esquerda”, mais progressista, do que recuperar o emprego e o poder de compra da maioria da população? E como fazer isso sem debelar a inflação? E como debelar a inflação sem ajuste fiscal? E como garantir o emprego futuro sem reconquistar a confiança do setor privado, já que o Estado sem os capitais privados não pode assegurar a retomada do investimento?
Qual a alternativa “de esquerda” a essas medidas? O novo “pacote de crédito público”, versão envergonhada da política que pedalou a ilusão da prosperidade em 2013 e 2014 rumo à reeleição, e que resultou em mais dívida para as famílias e mais desarranjo das finanças públicas, esta preocupação “de direita”, que obceca os “neoliberais”?
Houve quem escrevesse, e o fez em inglês, que às vezes há uma confusão no senso comum entre os conceitos políticos de esquerda e direita (right) e as noções corriqueiras de certo (right) e errado. As políticas de crescimento econômico do lulopetismo não foram “de esquerda”, mas certamente foram erradas.
É importante repisar isso para mostrar que as políticas de distribuição de renda precisam ser sustentáveis para produzir resultados duradouros. Muito do que foi conquistado desde o Plano Real está hoje ameaçado. Para amenizar o drama da terrível crise atual, é preciso manter a rede de proteção social que foi tecida em meu governo e reforçada no governo Lula. Mas é urgente corrigir os desatinos fiscais do lulopetismo, desaparelhar o Estado, reconquistar a confiança da sociedade e retomar a agenda de reformas que o lulopetismo abandonou em favor de anabolizantes pró-crescimento que produziram medonhos efeitos colaterais para o país. Só assim será possível retomar a trajetória que corresponde às aspirações da Constituição de 1988, contra a qual o PT votou, por julgá-la conservadora: um Brasil democrático, não apenas mais desenvolvido, mas so.
Há forças capazes de corrigir os desatinos cometidos. Para isso, é preciso que lideranças não comprometidas com o lulopetismo, apoiadas pelos grupos sociais que nunca se deixaram ou não se deixam mais seduzir pelo seu falso encanto, assumam a sua responsabilidade histórica, dentro da Constituição, para fazer o certo em benefício do povo e do país.
Via Blog do Noblat
Bookmark and Share

NÃO ACABA NA QUARTA-FEIRA DE CINZAS

Da Veja
Passados quase dez anos desde que a Cooperativa Habitacional dos Bancários de São Paulo (Bancoop) quebrou, e seis desde que a OAS começou a assumir alguns de seus empreendimentos, compradores de 376 imóveis até hoje não ouviram o tilintar das chaves do apartamento. Quando a cooperativa quebrou, em 2006, deixou quinze obras inacabadas. Oito foram repassadas para a OAS. Outras duas foram transferidas para construtoras menores - a MSM e a Tarjab, que concluíram os empreendimentos no prazo. Já no lote da OAS, três empreendimentos nunca ficaram prontos. Localizados em diferentes bairros de São Paulo, eles hoje se encontram abandonados. No Residencial Casa Verde, na Zona Norte da capital, há apenas um grande bloco de concreto onde deveria estar a garagem, e mais nada. A vegetação tomou conta do lugar. Os únicos funcionários que aparecem de tempos em tempos são faxineiros encarregados de dar fim a tudo o que possa se transformar em foco de criação do Aedes aegypti. No Liberty, no centro de São Paulo, a obra avançou um pouco mais antes de também parar. O esqueleto da construção foi erguido, mas ainda não tem nem elevador. A situação não é melhor no Villas da Penha II, na Zona Leste: embora algumas poucas casas projetadas tenham saído do papel, continuam sem portas nem janelas.
A OAS, em recuperação judicial desde que foi tragada pelo escândalo de corrupção na Petrobras, simplesmente diz que não tem dinheiro para terminar o que começou. Ainda há um quarto prédio inacabado, porque quem não quer que a empresa siga com a obra são os próprios ex-cooperados da Bancoop. Eles brigam na Justiça para que a OAS perca o direito sobre o prédio, por discordarem das condições estabelecidas para a retomada da construção. Ao todo, chega perto de 500 o número de ex-cooperados da Bancoop que, nas mãos da OAS, nunca receberam seu apartamento ou brigam na Justiça para não perdê-lo. É uma situação bem diferente da do ex-presidente Lula e seu hoje famoso tríplex do Guarujá, caprichosamente reformado e mobiliado pela empreiteira investigada na Lava-Jato.
A Bancoop foi criada em 1996 com a promessa de oferecer a seus associados imóveis a um custo 40% menor que o do mercado. Em sua maior parte, os cooperados eram filiados ou parentes de filiados ao Sindicato dos Bancários, por sua vez, ligado ao PT. Em 2006, a Bancoop fechou, deixando um rastro de prédios inacabados e centenas de famílias na ruína. Em 2010, ao varrer os subterrâneos da entidade, o Ministério Público descobriu o que a levara a quebrar. As investigações da contabilidade da cooperativa revelaram práticas estarrecedoras. Extratos bancários indicavam volumes milionários de saques em dinheiro feitos por meio de cheques emitidos pela Bancoop a si mesma ou ao seu banco. Outros cheques mostravam de forma mais clara os seus destinatários: dirigentes da cooperativa, os cofres do diretório nacional do PT e até um ex-segurança do então presidente Lula, Freud Godoy, já conhecido por seu envolvimento no "escândalo dos aloprados". A conclusão do MP à época foi que dirigentes da entidade, além de encher os próprios bolsos, haviam usado o dinheiro dos cooperados para financiar campanhas eleitorais de candidatos do PT, repassando valores para empresas de fachada que faziam "doações oficiais" aos seus comitês eleitorais.
Entre os diretores da Bancoop denunciados pelo MP à Justiça estava João Vaccari Neto. O ex-tesoureiro do PT, agora réu no processo do petrolão e preso desde abril, responde no caso da cooperativa por estelionato, formação de quadrilha, falsidade ideológica e lavagem de dinheiro. Afirma o promotor José Carlos Blat, responsável pela investigação: "A Bancoop foi o embrião dos grandes esquemas criminosos que vieram em seguida, como o mensalão e o petrolão".
Agora, uma nova apuração do MP, também conduzida por Blat, verifica se houve ilegalidade no repasse das obras da Bancoop para a OAS e se isso acarretou prejuízo para os mutuários. Na semana passada, VEJA ouviu os relatos de cooperados que afirmam ter sido coagidos pela empreiteira a aceitar termos duríssimos em troca da manutenção de seus contratos. Alguns perderam com eles as economias de toda uma vida. Outros ainda lutam para um dia ao menos poder colocar os pés naquilo que foi um sonho. Nenhum deles relata ter sido convidado a vistoriar seu imóvel na companhia do presidente da OAS.
Bookmark and Share

sábado, 6 de fevereiro de 2016

OUTRA FORMA DE AMAR

Da Época
Aos 26 anos e grávida pela terceira vez, a carioca Pollyana Rabello já conhecia o trajeto a percorrer na madrugada de 28 de dezembro. As contrações fortes e frequentes não a deixaram dormir. Exausta após 48 horas de dor persistente, Pollyana foi encaminhada ao centro cirúrgico de um hospital em Niterói, cidade vizinha ao Rio de Janeiro. A anestesia da cesariana tirou sua sensibilidade da cintura para baixo, mas Pollyana continuou desperta. Rodeada por médicos e enfermeiros, acompanhou cada movimento que precedeu a chegada de Luiz Phillipe: o corte na barriga, a mão alcançando o bebê, o cordão umbilical sendo cortado. Ouviu o choro do filho e sentiu o êxtase da maternidade. O torpor raro foi interrompido pela notícia que mudaria sua vida: “Mãezinha, seu filho nasceu com microcefalia”, disse o médico, sem rodeio.
Naqueles dias em que Pollyana se preparava para o parto, outra gestante varava noites à caça de orientação. Ao longo de dois meses, a terapeuta capilar Mariana Mendonça, de 33 anos, comparecera dia sim, dia não a um laboratório no bairro de Bangu, no Rio de Janeiro, para exames de controle de ovulação. Apontado o período fértil, o médico recomendava: “Você precisa namorar amanhã”. Mariana cansou de namorar mecanicamente. Interrompeu o acompanhamento médico – e aí, sim, engravidou. Soube logo com um mês de gestação e a paz durou poucas semanas. Aos dois meses de gravidez, seu corpo foi tomado por manchas vermelhas, dores fortes e febre moderada. Seu obstetra pensou ser dengue. Mas, duas semanas depois, Mariana soube pela televisão da existência de um novo vírus que circulava pelo país. “Eu pirei”, afirma. O zika começava a aterrorizar e ninguém sabia explicar nada.
Em dezembro, Mariana apenas começava a enfrentar a torrente de dúvidas que já se abatera, por meses, sobre Gisele de Lima. Ela chegou sem respostas ao Hospital Universitário de Jundiaí, no interior de São Paulo, às 10 horas de 17 de dezembro. Por quase seis horas, trabalhou o parto de sua menina. A cada contração, vinham a dor, normal, e a angústia, que não deveria ser. Com quatro meses de gestação, Gisele fora diagnosticada com o zika. A posição de sua caçula no ventre impedira uma ultrassonografia conclusiva sobre o tamanho do cérebro da pequena. Às 15h40, a menina veio à luz. A médica a observou, tomou um pequeno susto – e Gisele, que passara os últimos cinco meses de gestação no escuro a respeito da saúde da filha, perdeu o ar. “Calma, mãe. Foi só o cordão umbilical que rompeu”, disse a médica. “Ela está bem. É saudável.” Gisele não ousou perguntar mais nada, de medo da resposta. Chorou, enquanto a filha era posta em seu peito, e fitou a cabeça da menina. Parecia normal. O desafogo da mãe foi intenso, mas incompleto. A menina teve anemia e ficou sete dias na semi-UTI. Ninguém sabe dizer se foi por causa do zika. Ninguém sabe dizer muito. O quarto de Gisele ficou cheio de médicos atrás de informações. Ela, cheia de dúvidas, era entrevistada em vez de orientada. Por pelo menos um ano, mãe e filha serão monitoradas. “Falaram que o cérebro da Geovanna ainda pode não se desenvolver. Não sabem se pode ter sequela, porque é um vírus novo”, diz.
As mães Gisele e Pollyana e a gestante Mariana se batem com incertezas que atormentarão famílias brasileiras por anos. Quando se tornaram públicos, em novembro, os casos dos 140 bebês que nasceram com a cabeça menor que o normal em Pernambuco, o fenômeno ainda parecia um mistério isolado. Na semana passada, 3.670 casos em investigação depois, viraram emergência global. A médica chinesa Margareth Chan, diretora-geral da Organização Mundial da Saúde (OMS), alertou que a recente explosão de casos de microcefalia merece um esforço internacional. É preciso acelerar o entendimento científico de como age o principal suspeito, o vírus zika. E é preciso combater a proliferação de seu principal transmissor, o mosquito Aedes aegypti. Legisladores e juízes também terão de enfrentar, com a urgência que uma crise demanda, temas difíceis como o aborto. Os discursos, os números assustadores e o empenho de cientistas, porém, fazem pouco ou nada, neste momento, pelas famílias que precisam tomar decisões e fazer preparativos já.
Bookmark and Share

CARNAVAL, UM BÁLSAMO NECESSÁRIO!

Artigo de Joaquim Cunha
Quanto riso, quanta alegria, pois é, milhões de palhaços neste imenso salão, pena que as caretas, já não são mais as mesmas, nem tem mais este nome, agora são máscaras, que não representam os ídolos da grande folia, mas, infelizmente, ex líderes que representam a nossa tristeza e decepção, que pena!
Mas é carnaval cidade, acorda pra ver!
Apesar de tudo, vamos comemorar o Reinado de Momo, afinal é a maior e melhor festa que temos, com ou sem fantasias, vamos às praças do centro da história, vamos ver a alegria da vida, a esperança perdida, renascer e coberta de glória, onde a grande avenida se encontra, com milhões de vozes e braços meninos, que noutra ocasião, com faixas e cartazes nas mãos, haverão de fazer a mudança da vida.
Outros dirão, todo mundo vai ao circo, menos eu, como pagar o ingresso, se não tenho nada, fico de fora, escutando a gargalhada...ou ainda, atrás do trio elétrico, só não vai quem já morreu...
Verdade, é contagiante, mas haverá também quem diga, tira o seu sorriso do caminho, quero passar com minha dor... Tantos poetas, cantaram e cantarão sempre, esta grande folia, para que a nossa gente, nestes dias, possam dizer: As águas vão rolar, garrafa cheia, eu não quero ver sobrar...
Finalmente, vamos curtir, hoje é dia de festa, somente nas cinzas, haveremos de reassumir as dificuldades normais do cotidiano.
Você era a mais bonita, das cabrochas desta ala... Alguém vai sambar comigo, e o seu nome eu não digo... Ou abre alas, que eu quero passar... Vai buscar Dalila...Eu vou andando a pé, pela Cidade...olá seu guarda, bota pra fora este moço, tá no salão brincando, com pó de mico no bolso... Balança o chão da praça, ou, ou, ou, ou, ou...
Salve o carnaval, vamos à folia!
Um abraço, Joaquim Cunha.
Joaquim Cunha, ex-prefeito de Gavião (BA) – Foi Presidente da Associação de Prefeitos da Região nordeste e Vice-Presidente da União dos Municípios da Bahia (UPB).
Bookmark and Share

CARNAVAL ZICADO

Via IstoÉ
Bookmark and Share

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2016

CONVERSA FRANCA

Por Mel Bleil Gallo, IstoÉ
Em janeiro, o ex-governador e ex-senador pelo PMDB do Rio Grande do Sul, Pedro Simon, completou um ano desde sua aposentadoria da vida parlamentar. Neste mesmo mês, ele comemora 86 anos, dos quais mais de 50 dedicados à vida pública, iniciada como deputado estadual em 1963. Longe da tribuna parlamentar, entretanto, Simon decidiu manter-se ativo no ano passado e optou por um giro pelo Brasil. Percorreu o País em palestras a políticos, estudantes, movimentos sociais e organizações empresariais. Agora, tira suas tradicionais férias na casa de verão na praia Rainha do Mar, de onde, após voltar de uma missa, conversou com ISTOÉ.
Entusiasmado com os rumos da investigação sobre o esquema de corrupção na Petrobras, o peemedebista acredita que as denúncias serão responsáveis por uma verdadeira transformação na ordem política brasileira. Segundo Simon, a novidade virá da Lava Jato, quando, segundo ele, “chegar em pessoas que nunca imaginávamos”. A partir daí, acredita ele, acontecerá uma grande renovação. Católico, ele diz rezar, diariamente, pela proteção de Sérgio Moro e do Papa Francisco. “Tenho muito medo que aconteça alguma coisa contra eles”, revela.
ISTOÉ - Existe a possibilidade de o ex-presidente Lula se lançar novamente como candidato à presidência em 2018. Como o senhor vê isso?
PEDRO SIMON - Quando houve a primeira denúncia no caso dos Correios, eu subi à tribuna e disse que o Lula iria demitir os envolvidos. Mas ele não demitiu, nem deixou que criássemos a CPI. Precisamos do STF para criá-la. Hoje, o Lula não pode mais dizer que não sabia, porque está tão provado, está tão certo, que o melhor é ele ficar quieto. Não sei o que vai acontecer com ele, mas, certamente, ele ficará marcado como uns dos homens públicos que levou à ruína do País. Ele não vai ser mais nada, as pessoas estão muito esclarecidas agora. O PT vai pagar suas contas e o Lula deixará a cúpula do partido.
ISTOÉ - O sr. já disse temer que a Lava Jato seja esvaziada. Por quê?
PEDRO SIMON - O Judiciário brasileiro nunca existiu, só existia para ladrão de galinha. Hoje, ele mudou. Com o Sérgio Moro as coisas vão aparecer. Vai ficar provado que o maior escândalo criminoso do século foi feito no Brasil e, pode ter várias origens, mas teve seu apogeu no governo Lula. Eu rezo todas as noites pelo Sério Moro e pelo Papa Francisco. Tenho muito medo que aconteça alguma coisa com eles, porque são duas pessoas muito boas e que estão fazendo coisas extremamente relevantes. 
ISTOÉ - O sr. acredita que nossa cultura de impunidade está mudando?
PEDRO SIMON - Certamente. O Moro é um homem fantástico. Merece uma estátua em praça pública. Se o Supremo não nos decepcionar, viveremos a época mais importante da história do Brasil. Desde Dom Pedro, o Brasil é o País da impunidade. Isso está mudando. Levei 20 anos no Congresso tentando criar a CPI dos empreiteiros, desde as denúncias na época do Collor. Mas nunca deixaram criar uma CPI sobre os corruptores, nem sobre os empreiteiros. A CPI só saiu agora, quando eles já estavam na cadeia.
ISTOÉ - Qual é a avaliação que o sr. faz hoje da atuação do Congresso?
PEDRO SIMON - Do Congresso, não se pode esperar nada, ele está vivendo uma realidade crítica. Virou a política do troca-troca. E agora, que Dilma está no seu pior momento, com a água chegando no pescoço, a prática do troca-troca está mais intensa do que nunca. Muda ministro atrás de ministro, dependendo das votações. Depois de cortar as doações das empreiteiras na eleição, multiplica o fundo partidário de R$ 300 para R$ 800 milhões e diminui o tempo de televisão. Faz tudo isso para evitar ao máximo a insatisfação popular, mas é só uma forma de apaziguar.
ISTOÉ - E do governo Dilma?
PEDRO SIMON - Eu felicito o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, um homem de muito mérito, e a Dilma, por permitirem a continuidade da operação Lava Jato. Desde que  assumiu o governo, Dilma demitiu seis ministros por corrupção. Eu aplaudi na tribuna e publiquei um livro chamado “Presidenta Dilma, resistir é preciso”. Ela deu sinais de que queria se libertar, mas aí veio o “Fora Dilma”, o Congresso parou de aprovar qualquer coisa e ela se entregou. Sem um apoio mais amplo, ela ficou isolada e entrou numa omissão total.
ISTOÉ - Qual é a sua posição sobre o impeachment?
PEDRO SIMON - Acho que houve um equívoco com relação ao momento de se pedir o impeachment. Eu fui um dos grandes responsáveis pela saída do Collor. Na época, nos reunimos em meu gabinete para criar uma CPI a partir das denúncias do irmão dele, o Pedro Collor, sobre o PC Farias. Ou seja, primeiro os fatos contra ele apareceram - e, sinceramente, nem eram tão graves quanto os que há hoje contra o Lula e a presidente. Mas dessa vez foi o contrário, foi antes do tempo, criaram a CPI para buscar os fatos. Eu confio muito mais no Supremo. Ele sim vai apurar dados graves contra o Lula e a Dilma.
ISTOÉ - Como o sr. vê a atuação do PMDB e as denúncias que pesam sobre o partido?
PEDRO SIMON - O PMDB não merecia viver o que está vivendo hoje. É possível que ele possa ajudar lá adiante, com uma realidade diferente e resgatando um pouquinho da cara da época em que foi o grande responsável pelas “Diretas, Já” e pela democracia no País. Hoje, ele não tem peso nenhum, porque tem uns para lá, outros para cá, e ninguém se importa com a opinião do PMDB.
ISTOÉ - Como o sr. avalia nosso cenário político atual, em comparação com outras crises vividas no País?
PEDRO SIMON - Eu me sinto no escuro. Essa fase que nós estamos vivendo, que começou com a derrubada do presidente Jango em 1964, já completou meio século. Desde o MDB, Arena, aquela coisa toda. Desde então, nós vivemos momentos em que as circunstâncias em que nós vivíamos e ram muito piores do que as de hoje. Tivemos cinco presidentes nomeados com atos institucionais, o Congresso Nacional foi fechado, a imprensa não tinha absolutamente nenhuma liberdade. Agora não, vivemos uma democracia, a presidente foi reeleita, o Congresso está funcionando, o STF está funcionando e a imprensa tem a mais absoluta liberdade. É um momento mais complexo do que vivemos no passado. As pessoas mais ricas e poderosas estão sendo punidas. Vemos o presidente da Câmara e do Senado investigados, o dono da Odebrecht e dessas empreiteiras sendo punidos. É um momento em que as coisas realmente estão acontecendo, mas a população só pode assistir.
ISTOÉ - O sr. acha que a população participa mais ativamente da vida política?
PEDRO SIMON - Na ditadura, nós lutávamos com as armas que tínhamos. Havia quem defendesse a luta armada, a guerrilha, o voto em branco. Mas nós tínhamos estímulos e uma expectativa. Uma esperança popular. Hoje vivemos uma fase dolorosa em que só assistimos a esses episódios. A oposição está brincando, não tem um projeto. E estamos todos assistindo o trabalho notável do juiz Sérgio Moro, do procurador-geral Rodrigo Janot, e do Judiciário. Esses sim estão vivendo um momento significativo de nossa história e que poderá, se Deus quiser, nos transformar de maneira profunda, se não aceitarmos que, aos poucos, se esvazie essa operação.
ISTOÉ - O que aconteceu com aquela esperança?
PEDRO SIMON - Na ditadura, havia uma grande expectativa sobre o MDB e ele conseguiu, apesar das divergências, reunir o povo em busca do fim da tortura, da liberdade de imprensa e das “Diretas, Já”. Veio então o Collor, que saiu daquele jeito e assumiu o Itamar Franco, na minha opinião o homem mais importante dos últimos 50 anos da nossa história. Itamar criou o Plano Real e conduziu muito bem aquela transição. Elegeu-se o FHC, que levou adiante o Real, é verdade, mas que comprou a reeleição e vendeu de graça a Vale do Rio Doce. Daí, veio o Lula, que era uma expectativa do tamanho de um bonde e criou o que criou. O PT foi, na história do Brasil, a maior decepção e a maior paulada que levamos na vida. Foi nossa maior esperança e nossa maior expectativa, que se contrabalanceou com a maior traição que tivemos. Você tinha um partido forte, uma grande referência na área social, mas viu que era tudo um esquema montado, no qual o governo esteve presente e continua até hoje.
ISTOÉ - O vice-presidente Michel Temer, atual presidente do PMDB, conseguirá se reeleger para o comando da sigla, em março?
PEDRO SIMON - O normal seria que ele não fosse candidato. Ele já bateu o recorde, está lá há mais tempo que o Ulysses Guimarães. Seria um gesto bacana se ele orientasse um grande movimento para reorganizar o partido, mas sem ser o candidato.
ISTOÉ - Quem seria o candidato ideal?
PEDRO SIMON - Algum nome não tão metido na confusão.
ISTOÉ - E para 2018, o sr. continua defendendo uma candidatura própria do partido?
PEDRO SIMON - Sempre fui a favor, mas esse grupo que está aí nunca deixou. Em fevereiro, terá uma reunião para discutir isso novamente. Vamos ver o que será decidido. Essas candidaturas que hoje estão colocadas se posicionam muito longe da realidade. Até lá vamos ter um choque. Essas lideranças do Congresso, esse sistema todo do qual fazemos parte, essa história que o PT chama de “aliança de esquerda”... O povo vai se rebelar contra isso tudo e surgirá uma fórmula nova. Acredito muito no povo, o povo tá tomando conhecimento desse escândalo, formando verdadeiras correntes. O problema é que o povo está assistindo, torcendo para que dê certo, mas não sabe o que fazer.
ISTOÉ - De onde virá a novidade?
PEDRO SIMON -  Da explosão da Lava Jato. Quando a investigação chegar a pessoas que nunca imaginávamos, o povo estará nas ruas e, queira Deus, que saia uma grande renovação. E que não seja a loucura que aconteceu na época do Collor, em que os candidatos eram excepcionalmente bons e ganhou o pior deles. Hoje, a economia está em pandarecos. Agora, a paralisia é um problema gravíssimo e temos de ter a capacidade de não querer o “quanto pior, melhor”. Não podemos boicotar o governo naquilo que é essencial como segurança, saúde, educação. A novidade é que nunca um general, um grande empresário, grandes líderes políticos haviam sido processados e presos, que nem hoje. Começou a punição dos grandes.
Bookmark and Share

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2016

DEBANDADA DA POUPANÇA

Os saques da caderneta de poupança superaram os depósitos em R$ 12,032 bilhões em janeiro, pior dado mensal da série histórica do Banco Central.
Com isso, representou o desempenho mais fraco para todos os meses da séria do BC, que começou em 1995, à frente do resultado de março do ano passado (- R$ 11,438 bilhões).
O dado, divulgado nesta quinta-feira (4), reflete um cenário de restrição orçamentária para os brasileiros, em meio à recessão, elevação do desemprego, inflação e condições mais caras de financiamento.
Financiamento imobiliário
O saque de recursos tem consequências para o financiamento imobiliário, porque as regras do Sistema Financeiro da Habitação (SFH) determinam que parte dos depósitos da poupança seja direcionada ao crédito habitacional.
No acumulado de 2015, os resgates superaram os depósitos na poupança em R$ 53,568 bilhões, valor recorde, refletindo a pressão para a retirada de recursos em meio à derrocada da economia, que deve persistir em 2016.
Investimentos
Em outra frente, a tradicional caderneta também perde atratividade como alternativa de investimento diante dos juros altos, oferecendo rentabilidade menor que aplicações que têm retorno baseado na Selic (taxa básica de juros).
A taxa básica de juros está em 14,25% ao ano desde julho do ano passado, numa tentativa do BC para combater a alta inflação no país.
A poupança, por outro lado, tem remuneração de 6% ao ano mais um pequeno acréscimo da Taxa Referencial (TR).
Da agência Reuters
Bookmark and Share

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2016

FORA DE CIRCULAÇÃO

O magistrado acatou pedido do MP-RJ (Ministério Público do Rio de Janeiro) e determinou que sejam  proibidas a comercialização, exposição e divulgação da obra. A multa para o descumprimento da decisão é de R$ 5 mil. De acordo com Salomão, o livro promove o nazismo e incita práticas de intolerância contra grupos sociais, étnicos e religiosos.
“Registre-se que a questão relevante a ser conhecida por este juízo é a proteção dos direitos humanos de pessoas que possam vir a ser vítimas do nazismo, bem como a memória daqueles que já foram vitimados. A obra em questão tem o condão de fomentar a lamentável prática que a história demonstrou ser responsável pela morte de milhões de pessoas inocentes, sobretudo, nos episódios ligados à Segunda Guerra Mundial e seus horrores oriundos do nazismo preconizado por Adolf Hitler”, avaliou o magistrado.
Em outro trecho da decisão, o juiz recorda um caso em que uma pessoa teve a solicitação de habeas corpus negada pelo STF (Supremo Tribunal Federal), condenado por publicar obra literária com conteúdo discriminatório. A pena está estabelecida pela Lei nº7.716/89, que prevê punição a crimes de discriminação e preconceito.
“É importante destacar que o Supremo Tribunal Federal já se pronunciou sobre o tema, oportunidades em que se posicionou pela tutela das garantias das pessoas humanas em detrimento de atos discriminatórios e incentivadores de ódio e violência”, lembrou.
Mandados de busca e apreensão já foram expedidos pelo magistrado do Rio. Diretores de livrarias em que ocorrem as buscas serão nomeados como os depositários dos livros apreendidos. O juiz deu o prazo de cinco dias para que as livrarias e seus representantes legais apresentem resposta.
Do UOL, com informações do TJ-RJ 
Bookmark and Share

MÁFIA DA MERENDA

Charge do Nani
Bookmark and Share