quarta-feira, 6 de abril de 2016

CARDOZO, O "ROLANDO LERO"

O senador Waldemir Moka (PMDB-MS) aplicou um apelido no ministro-chefe da Advocacia Geral da União (AGU), José Eduardo Cardozo: "Rolando Lero". Trata-se de uma referência ao personagem imortalizado pelo falecido ator Rogério Cardoso, no programa humorístico “Escolinha do Professor Raimundo”, criado por Chico Anysio, que morreu em março de 2012. Em sua nova versão, o personagem é atualmente vivido pelo humorista Marcelo Adnet, mas Rogério Cardoso foi o ator original de "Rolando Lero".
Moka lembrou o histórico de embromação de Cardozo, desde os tempos em que ocupou o cargo de ministro da Justiça, quando prometeu solenemente que resolveria a situação do conflito de terras em Mato Grosso do Sul, entre produtores rurais e índios. Mas jamais cumpriu o compromisso assumido junto aos produtores rurais e à classe política do Estado, em várias reuniões.
Mas o senador chegou a conclusão de que Cardozo merece de fato herdar a alcunha de “Rolando o Lero” após seu desempenho como defensor da presidente Dilma Rousseff na comissão processante do impeachment, segunda-feira (4). O Waldemir Moka afirmou que o chefe da AGU “repetiu as mesmas lorotas” ao fazer a defesa de Dilma, “com argumentos vazios e inconsistentes”.
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DERROTA POLÍTICA

Na  busca para não ser derrubada através do processo de impeachment,  a Presidente Dilma Rousseff  (PT) tomou um cargo de Cid Gomes (PDT) e o entregou ao partido PROS. Na manhã desta quarta-feira (6), o Diário Oficial da União (DOU) publicou a exoneração do cearense Antônio Idilvan de Lima Alencar, da presidência do Fundo Nacional de Desenvolvimento do Nordeste (FNDE). Idilvan é ligado diretamente ao ex-governador do Ceará.
Diante da decisão de Dilma, Cid Gomes esbravejou à vontade, mas seus gritos não tiveram nenhum efeito. A presidente rebateu dizendo que, em troca, havia dado a Cid a Diretoria de Administração do Bando do Nordeste (BNB),  e que esse era o acordo com os Ferreira Gomes.  Em  tom ríspido, ela desabafou”: “eles querem tudo”!”.
Os protestos de Cid Gomes foram em vão. No lugar de Idilvan foi nomeado o maranhense Gaspar Vieira, filiado ao PROS  e que já foi ministro do Turismo.
Cid não absorveu a derrota  para um dos seus maiores inimigos políticos, o presidente nacional do PROS, Eurípedes Júnior. Agora, quem passa a ter força no FDNE é o deputado federal cearense Odorico Monteiro, o único parlamentar do partido que vota contra o impeachment.
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CORRIDA ELEITORAL

Após deixar o PSB em março, a deputada federal e ex-prefeita de São Paulo Luiza Erundina deve disputar a Prefeitura da capital pelo PSOL. A sigla formalizou neste sábado, 2, o convite durante uma plenária realizada em uma universidade da capital.
Durante o evento, que contou com a presença de intelectuais de esquerda, lideranças partidárias e do ex-senador Eduardo Suplicy, que será candidato a vereador pelo PT, a deputada foi ovacionada.
Erundina disputou a Prefeitura pela última vez em 2004 e teve como vice em sua chapa o hoje vice-presidente Michel Temer. Em 2012, ela era a mais cotada para ser candidata a vice na chapa de Fernando Haddad (PT), mas desistiu depois que ele se aliou ao ex-prefeito Paulo Maluf (PP).
A deputada ainda não deu uma resposta definitva ao Psol, o que deve acontecer na próxima terça-feira. O deputado federal Ivan Valente é o mais cotado para ser o vice dela na chapa e também o coordenador da campanha.
A filiação de Erundina ao PSOL tem um caráter provisório, já que ela está empenhada em fundar outro partido, o Raiz.
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terça-feira, 5 de abril de 2016

NO CENTRO DO "RODA VIVA"

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Marco Aurélio Mello participou ontem (segunda-feira) do programa Roda Viva, da TV Cultura.
Sabatinado por jornalistas, Marco Aurélio Mello respondeu sobre os temas impeachment da presidente Dilma Rousseff e o papel do Judiciário diante dos acontecimentos envolvendo políticos, partidos e instituições.
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TÁ TRANQUILO, TÁ LIBERADO

Por Bernardo Mello Franco, Folha de S.Paulo
O deputado Paulo Maluf (PP-SP), integrante da comissão do impeachment, acusa o governo de oferecer cargos para "comprar" o apoio de deputados do seu partido para salvar o mandato de Dilma Rousseff.
O ex-prefeito de São Paulo prometia votar contra a cassação da presidente, mas diz que se agora sente "liberado" para mudar de ideia.
"O governo está se metendo num processo de compra e venda que é detestável", disse Maluf à Folha. "Querem construir maioria no Legislativo dividindo o Executivo. Não é assim", afirmou.
O deputado não quis citar nomes de colegas do PP que estariam negociando votos em troca de cargos e verbas. Ele trava um conflito interno com a direção do PP.
"Se os deputados do partido se elegeram com a Dilma, eles tinham a obrigação moral de estar com ela agora", afirmou.
"Eu não queria fazer uma injustiça com a presidente, que é uma senhora correta e tem uma vida limpa. Mas agora a minha tendência está mudando", disse Maluf.
O ex-prefeito fez elogios ao vice-presidente Michel Temer (PMDB), que substituirá Dilma se o impeachment for aprovado. "O Michel é um sujeito correto e decente. É um homem respeitado, um político nota 10", disse Maluf.
NEGOCIAÇÃO
Em 2012, Maluf negociou o apoio ao então candidato do PT à Prefeitura de São Paulo, Fernando Haddad, em troca de um cargo no Ministério das Cidades. Ele emplacou um aliado na Secretaria de Saneamento Ambiental da pasta.
Três anos e meio depois, o ex-prefeito diz que não tem mais nenhum indicado na máquina federal. "Não indiquei nem um ascensorista no palácio", afirma.
PAULINHO DA FORÇA
Mais cedo, nesta terça (5), o deputado Paulinho da Força (Solidariedade-SP), um dos principais aliados de Eduardo Cunha (PMDB), acusou o governo de oferecer R$ 400 mil para parlamentares que se ausentarem da votação do impeachment da presidente no plenário e R$ 2 milhões para um deputado votar contra.
Sem apresentar provas, ele também se negou a dizer nomes dos deputados que teriam recebido as ofertas do Planalto. 
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BOLSAS BLOQUEADAS

BRASÍLIA — A Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), agência do Ministério da Educação (MEC) para fomento da ciência, bloqueou o acesso de estudantes a mais de 7 mil bolsas de pós-graduação no país inteiro — cerca de 9% do total disponibilizado hoje. Em circular ao qual O GLOBO teve acesso, universidades foram comunicadas sobre “a suspensão temporária de cadastramento de novos bolsistas” por até dois meses.
O argumento da Capes, segundo o informe, é que essas bolsas estavam “ociosas após fechamento do mês de março de 2016” e que serão objeto de análise para sua “recomposição gradual”. O presidente do órgão, Carlos Nobre, garantiu que a medida visa melhorar a eficiência no preenchimento das bolsas por parte das universidades e não significa cortes dos incentivos.
— Não tem a ver com cortes ou economia de recursos. As bolsas vão voltar. Pode ser que não voltem no nível anterior. Vamos fazer um estudo, com os pró-reitores, para diminuir o índice de ociosidade, de 8% a 9% na média, que constatamos — afirmou Nobre. — Se as universidades melhorarem seus índices, teremos mais alunos com bolsa da Capes neste ano. É isso que queremos.
A presidente da Associação Nacional de Pós-Graduandos, Tamara Naiz, critica o fato de as bolsas “aparentemente” ociosas, agora bloqueadas para novos alunos, terem como referência o fechamento do mês de março.
— É em março que muitos graduandos costumam se titular, quando se desvinculam da bolsa. Pode demorar um pouco para outro estudante acessar, com um novo CPF. Não significa que está ociosa — diz Tamara. — Não sei se, com essa suspensão, o governo quer fazer uma economia de dois meses ou se vai postergar isso, para depois dizer que há mesmo bolsas sem utilização até cortá-las de vez.
Tamara não contesta a existência de bolsas ociosas pelas universidades do país, mas diz que o problema é bastante pontual. Na maior parte das vezes, segundo a pós-graduanda, há disputa e espera pela oportunidade nas universidades. De acordo com ela, não é justificável que uma medida do governo para supostamente melhorar a gestão do programa atrase ainda mais os planos de quem aguarda pelo incentivo para estudar.
— Qual o incentivo para as pessoas fazerem pós-graduação? Hoje temos uma bolsa de R$ 1,5 mil para mestrado e R$ 2,2 mil para doutorado, sem direito trabalhista ou previdenciário nenhum. Agora, ao que parece, ainda vão restringir as oportunidades? — questiona Tamara.
O número exato de bolsas impactadas pela medida do governo é 7.408, que representa cerca de 9% dos 80.906 incentivos pagos atualmente a alunos de mestrado, doutorado e pós-doutorado. A maior parte das bolsas suspensas para novos estudantes é do chamado Programa de Demanda Social (PDS), focado na formação de mestres e doutores em cursos avaliados pela Capes com nota de 3 a 5, numa escala que vai de 3 a 7. Até porque esse é programa da agência com mais demanda, respondendo por cerca de 52 mil bolsistas, ou 64,2% do total.
De acordo Mercedes Bustamante, diretora de Programas e Bolsas no País da Capes, pró-reitores das universidades já começarão a se reunir na próxima semana para analisar os dados relacionados às bolsas ociosas e traçar mecanismos de melhoria da gestão. A diretora ressalta que a suspensão do acesso a novos estudantes poderá ser revogada, inclusive, antes do período de dois meses colocado nos informativos distribuídos às instituições de ensino superior. Ela reforça que não há intenção de cortar incentivos, embora reconheça que o aperto nas contas incentiva medidas do tipo:
— Há problemas no orçamento. É óbvio que quando você está nessa situação começa a olhar com mais atenção para a gestão, mas isso não significa que haverá redução de bolsas ou cortes.
Do O Globo, via Extra
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ESQUERDA CARCARÁ

A esquerda brasileira
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DEBANDADA PETISTA

São Paulo - Desde meados do ano passado, quando a crise política se aprofundou, até o dia 2 de abril, fim do prazo legal para mudança partidária, 24 prefeitos do estado de São Paulo trocaram o PT por outras legendas. O número corresponde a exatamente um terço (33,3 %) dos 72 prefeitos eleitos pelo partido no estado em 2012.
Além disso o PT perdeu 186 (28%) dos 664 vereadores que elegeu no estado. Vários deles eram vistos como possíveis candidatos do partido na disputa por prefeituras importantes. O caso mais vistoso é o de Carapicuíba, cidade com mais de 270 mil eleitores, governada pelo PT há oito anos, onde o presidente da Câmara e pré-candidato a prefeito, Abraão Junior, trocou o partido pelo PSDB para disputar a eleição de outubro.
A maioria dos prefeitos que deixou o PT governa pequenas ou médias cidades. A principal baixa foi o prefeito de Osasco, Jorge Lapas, que trocou a sigla pelo PDT. Osasco é o quinto maior colégio eleitoral de São Paulo com 548 mil eleitores.
O motivo alegado, na maioria dos casos, é o forte sentimento antipetista manifestado por setores do eleitorado desde o aprofundamento das crises política e econômica que tem como protagonista o governo Dilma Rousseff e as revelações feitas pela Operação Lava Jato.
Na carta em que justificou sua desfiliação, Lapas citou o “momento delicado pelo qual o PT está pasando no cenário nacional” como uma das razões que o levaram a sair do PT. Outro motivo alegado por Lapas é a “desunião e fragilidade resultantes da disputa interna” no partido.
Se citar nomes, Lapas dizia respeito ao ex-deputado João Paulo Cunha, que até o início de março cumpria pena em prisão domiciliar, em Brasília, por envolvimento no mensalão.
Lapas reclamou a adversários que João Paulo estaria jogando o PT local contra a prefeitura por não ter espaço para indicação de cargos na administração municipal. No final do ano, ainda antes de Cunha ter tido a pena extinta pelo Supremo Tribunal Federal, aliados do ex-deputado iniciaram um movimento por prévias para a escolha do candidato petista.
A vereadora Professora Mazé (PT) usou a cota de correspondência a qual tem direito para distribuir um jornal com críticas à gestão Lapas. “Aquilo foi um grito de socorro. Era a necessidade de discutir uma administração com viés petista”, disse a vereadora.
Para alguns petistas, Lapas usou a disputa interna com Cunha como desculpa para deixar o partido. “O prefeito sempre teve respaldo do Emídio (de Souza, presidente estadual e ex-prefeito de Osasco). Para o pertido foi uma traição. Ele nunca foi muito orgânico no PT. Certamente foi picado pela mosca azul”, disse Aparecido Luiz da Silva, o Cidão, secretário estadual de Comunicação do PT paulista.
Segundo pesquisas internas, a associação do PT ao nome dos pré-candidatos a prefeito tem o efeito de uma âncora no eleitorado. Até prefeitos cujas administrações têm boa avaliação são puxados para baixo nas intenções de votos quando associados ao PT. O efeito é maior nas cidades grandes e médias.
O caso mais emblemático foi o do presidente da Câmara Municipal de Carapicuíba (SP), Abraão Júnior, que deixou o PT na sexta-feira (1º) para se filiar ao PSDB. "Não acho isso incoerente. As pessoas de bem do PT estão saindo. Não existe só malandro no partido", diz Pedro Tobias, presidente do PSDB de São Paulo.
Para o deputado Paulo Teixeira (SP), que é membro da direção nacional do PT, os prefeitos petistas que deixaram a sigla foram influenciados pelo momento atual. "Muitos prefeitos superestimaram a crise e não esperaram sua superação. Fizeram uma leitura precipitada".
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segunda-feira, 4 de abril de 2016

O DOCUMENTO SUMIU

Investigação realizada pela Corregedoria do Estado de São Paulo aponta que cerca de R$ 3 milhões foram desviados dos cofres públicos em dois contratos assinados entre o governo estadual e a Cooperativa Orgânica Agrícola Familiar (Coaf), para o fornecimento de alimentos e suco de laranja para a merenda escolar.
Ainda segundo o corregedor Ivan Agostinho, um documento considerado prova importante para confirmar o envolvimento de servidores públicos estaduais no esquema de fraude nas licitações sumiu da Secretaria da Educação. As informações foram divulgadas pelo Bom Dia São Paulo nesta sexta-feira (1º).
A assessoria da Secretaria da Educação informou que a pasta já abriu um processo de apuração e pediu a um representante da Corregedoria que acompanhe a sindicância.
O documento a que Agostinho se refere foi citado em uma conversa telefônica entre o chefe de gabinete da Casa Civil paulista Luiz Roberto dos Santos, o “Moita”, e o suposto lobista Marcel Ferreira Julio, que estava foragido desde janeiro e se apresentou à polícia nesta quinta-feira (31).
Na gravação telefônica interceptada pela Polícia Civil, Moita diz a Marcel que o então chefe de gabinete da Secretaria da Educação Fernando Padula, aconselhou a Coaf a usar o termo “reequilíbrio econômico” para justificar o aumento do valor de um dos contratos assinados com o estado.
Um livro de protocolo da Secretaria Estadual da Educação aponta que o pedido foi feito em 16 de dezembro do ano passado, mas o documento sumiu. O corregedor disse que orientou a pasta a instaurar um procedimento administrativo para investigar o caso.
“Não tem uma explicação. A última funcionária que teve acesso a esse documento não sabe como ele desapareceu, simples assim. Não tenho como explicar. Não há nenhuma ilação em relação a isso: se alguém roubou, se alguém perdeu, ou se foi na bagunça, isso não é esclarecido”, afirmou Agostinho.
Verba federal
O esquema começou a ser investigado no ano passado. Segundo o Ministério Público, a Coaf assinou ao menos R$ 7 milhões em contratos com 21 prefeituras paulistas, além do governo estadual, entre 2014 e 2015, para o fornecimento de alimentos e suco de laranja para a merenda escolar.
Parte desse valor, no entanto, era usada ao pagamento de intermediários, os chamados lobistas, e agentes públicos, que atuavam no sentido de facilitar ou fraudar as licitações para que a cooperativa sempre fosse beneficiada.
Para o corregedor de São Paulo, o governo estadual foi vítima do esquema. Agostinho explicou que a União determina que 30% da verba destinada à merenda escolar devem ser usadas na compra de produtos da agricultura familiar. O repasse é feito, ainda de acordo com o corregedor, pelo próprio Governo Federal.
“Então, em tese, quem teve esse prejuízo pode ter sido à União. A verdade é essa: uma quadrilha que se instalou lá enganou a todos. Enganou o governo do Estado, enganou a União, enganou as prefeituras, enganou os próprios cooperados, que também são vítimas dessa maneira irresponsável de administrar”, afirmou.
Agostinho disse ter encaminhado cópia da investigação realizada pela Corregedoria à Procuradoria Geral do Estado e à Controladoria Geral da União, para que tomem as medidas cabíveis. Além disso, não descartou a hipótese de reabrir o caso, após os depoimentos dos suspeitos presos na segunda fase da Operação Alba Branca.
“Eu posso reabrir a qualquer tempo, não tenho dificuldade nenhuma em relação a isso. Chegando informação nova, que faça mudar alguma coisa constante no relatório, nós podemos mudar”, concluiu.
Do G1, Ribeirão e Franca
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O TIRO SAIU PELA CULATRA

O "Movimento Brasil Livre", que defende o impeachment da presidente Dilma Rousseff (PT), provocou revolta em inúmeros seguidores de sua página no Facebook ao fazer críticas à ex-ministra do Meio Ambiente Marina Silva, da Rede Sustentabilidade.
Misteriosamente, o MBL passou a fazer postagens criticando Marina com base em argumentos rasos e tendenciosos, o que provocou uma rápida reação de milhares de pessoas que até então se identificavam com o movimento.
Alguns seguidores acusam o MBL de ser financiado pelo PSDB e PMDB, daí a razão para o inexplicável ataque à ex-ministra, líder da Rede, que desponta em primeiro lugar em todas as pesquisas de intenções de voto para a Presidência da República realizadas recentemente pelos principais institutos do País.
Numa das postagens contra Marina, uma seguidora comentou:
"Entrei na página errada. Movimento se mostra partidário, alimenta uma guerra contra um partido e não a favor da Brasil. Marina Silva não esta concorrendo a nada no momento e está afastada de cargos públicos, porque ela está em pauta? Só falta vocês apoiarem Aécio"
Outro complementou:
"Cara, vocês ficam falando asneiras e nem se deram ao trabalho de ver a entrevista da Marina ontem que disse com todas as letras ser à favor do Impeachment e de todo o processo legal da Lava Jato. Errado é defender o atual governo, pois o Temer sim foi comparsa da Dilma em tudo, desde a campanha fraudulenta até as famigeradas pedaladas. Porque somente um vai pagar o pato? O Lula não saber de nada tá errado, o Temer tá tudo bem? A Marina apareceu em alguma delação? Vou parar de seguir essa página, defender o PMDB que vai pra onde o vento tá levando sem posicionamento algum é o fim da picada"
Muitos avisaram que deixariam de curtir a página, por ser tendenciosa e emitir opiniões preconceituosas:
Valeu, saindo aqui da página. Muita pregação xenofóbica. Não esta se lutando por um Brasil livre mas sim por um Brasil escravo do PSDB e em guerra civil. Esse ódio exarcebado do PT está criando verdadeiros fascistas capazes de agredir uma pessoa só porque ela esta vestida de vermelho. Isso não é liberdade isso é irresponsabilidade.
Um internauta alertou que, embora se declare apartidário, o MBL está intimamente ligado a políticos como Eduardo Cunha, Jair Bolsonaro e Aécio Neves:
Nem perco meu tempo lendo, não gosto de pessoas oportunistas!!!! Só gostaria de saber por que não falam o mesmo do Bolsonaro e Aécio?? Estariam eles financiando o MBL??????? Só gente do bem em uma mesma foto!!!
Outro arrematou:
O que tem a ver Mariana com o posicionamento dela contra o Impeachment? Se ela não foi atuante após a tragédia é por não exercer cargo público. E não apoiar a escalada do PMDB pós-Impeachment só a faz mais sensata. Sinceramente, esse tom "quem não concorda 100% comigo é meu inimigo" tem, sim, o cheiro forte de fascismo.
Um criticou diretamente o coordenador do MBL, Kim Kataguiri:
Rapaz, quem corre o risco de desaparecer após o impeachment é vc; não Marina Silva. Desde a sua primeira coluna na Folha, ao invés de contribuir com um debate de idéias e conjuntura, prefere fazer - talvez por não saber escrever, de fato - ataques ridículos contra pretensos antagonistas.
Marina aparece à frente de Aécio Neves (PSDB), que mesmo sendo um dos principais líderes da oposição, também foi apontado por vários delatores como beneficiário das propinas pagas por empreiteiras e doleiros no esquema de corrupção investigado pela operação Lava Jato, por meio do qual foram roubados bilhões de reais da Petrobras e dos cofres públicos.
Nas pesquisas, a ex-ministra também possui larga vantagem sobre o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que é investigado por falsidade ideológica, tráfico de influência, lavagem de dinheiro e recebimento de propina, nos casos "Triplex" e "Petrolão".
Um fato curioso apontado por alguns seguidores insatisfeitos é que o MBL não fez qualquer menção à lista de políticos beneficiados com pagamentos da Odebrecht, uma das empreiteiras acusadas de saquear a Petrobras. No documento aparecem os nomes de diversos políticos da oposição, como Aécio, José Serra (PSDB), Geraldo Alckmin (PSDB) e Paulinho da Força (SD).
Veja mais críticas feitas ao MBL em sua página no Facebook:
movimento brasil livre também já foi corrompido.. comprado... está claramente engajado em desacreditar Marina usando o ridículo e o lúdico como forma de argumento depreciativo... É tão corruptível quanto qualquer partido...
realmente estamos de olho... mas em vocês... esse desespero atacando Marina Silva só mostra a cara de vocês... a MÁSCARA caiu MBL ... entendam...
Que patético colunista. O que ele queria é que ela fosse em Mariana para tirar fotos com as pessoas e capitalizar em cima da tragédia? Isso sim seria Oportunismo. Verdadeiro babaca e ainda mais babaca é quem defende um imbecil como esse ou um imbecil como Bolsonaro. Impeachment não é golpe mas cogitar colocar uma figura como Boldonaro na presidência da república é a mais profunda estupidez.
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domingo, 3 de abril de 2016

CONTAGEM REGRESSIVA

Artigo de Fernando Gabeira
Começou a contagem regressiva para a queda de Dilma. Abril será um mês terrível para o governo que, por sua vez, tentará transformá-lo em terrível para todo o Brasil. Foi uma semana intensa de trabalho. Presenciei alguns dos principiais episódios: saída do PMDB, entrega de dois milhões de assinaturas pedindo dez medidas contra a corrupção e, sobretudo, as audiências da Comissão do Impeachment.
Nela, os dados estão lançados. Há uma expressiva maioria a favor da queda de Dilma. Só um milagre, desses bem poderosos, poderá mudar o jogo. Sabendo previamente do resultado, os deputados jogam para cumprir tabela, preocupados apenas em agradar sua plateia. Eles se enfrentam com cartazes, contra ou a favor do impeachment. Quando isso acontece, de um modo geral, eles querem dizer que não há muita discussão possível, nem grandes esperanças na troca de argumentos. Se a vitória do impeachment é quase certa na comissão, a contagem dos votos no plenário ainda não autoriza uma previsão tão nítida. O governo sempre poderá atrair deputados não para o voto contra, mas para a abstenção. É mais fácil negociar esta saída com eles. Não se desgastam tanto com a opinião pública, podem apresentar uma desculpa.
Em quase todas as votações decisivas, um grande número de deputados fica em seus gabinetes, à espera dos momentos finais. Os deputados que vendem sua abstenção são mais sutis que os defensores abertos do governo. Alguns deputados da base, sobretudo os do PT, não têm outro caminho, exceto votar por Dilma. O máximo que pode acontecer é perder alguns votos, sem contudo contrariar aquele núcleo para quem o voto pelo impeachment é uma traição. Estive na reunião do PMDB que rompeu com o governo. Em cinco minutos acabaram com cinco anos de relação. Não houve uma análise sobre o que os unia no passado e o que os separa no presente.
Eles gritaram: “Brasil urgente, Temer presidente e fora PT”. Na verdade, ninguém parecia preocupado com a saída do governo mas com seu lugar no que seria instalado com a queda de Dilma. Estavam felizes como se não houvesse amanhã, nem os novos passos da Lava-Jato. Na plateia, figuras controvertidas como Newton Cardoso, ex-governador de Minas; na mesa, Eduardo Cunha, cuja liberdade me faz duvidar da Justiça brasileira. O amanhã será complicado. Os políticos tradicionais que pensam em se aproveitar do desastre do PT para retomar o governo como se o Brasil fosse o mesmo do tempo de Sarney vão levar um susto. De um lado, enfrentarão o próprio PT e movimentos sociais ligados a ele, algo que me parece possível, se a democracia for usada com inteligência. Mas o Brasil que emerge desse processo, com intensos debates nas redes sociais, muito mais atento às peripécias da política, pode varrê-los do cenário, sem piedade.
As pessoas amadureceram para compreender a tática, a necessidade de organizar os passos intermediários para se alcançar um objetivo a mais longo prazo. No momento, o foco é o governo do PT, suas pedaladas fiscais, o rombo na Petrobras, a corrupção que se espraiou, o cinismo e a cara de pau de seus líderes. Um governo de transição só pode ser estável se equacionar bem suas relação com a Lava-Jato. Se escolher nomes de gente sob investigação, vai demonstrar que pensa como o PT e o desalojou do poder apenas para não partilhar com ele as benesses da mamata federal.
Não ter gente investigada é pouco. Será preciso também definir, publicamente, sua norma para o futuro. Aliás, voltar a uma norma do passado, quando existiam ainda vestígios de decência: no governo Itamar, as pessoas investigadas saíam para se defender. Volto para a casa cansado, escrevendo um pouco espremido no avião. O discurso da advogada Janaína Paschoal, uma das autoras do pedido de impeachment, aponta, entre outras, duas realidades interessantes para mim. A primeira delas é a de que há uma conexão entre as pedaladas fiscais, decretos secretos, rombo no orçamento e a corrupção que corroía o país. O dinheiro fantasiado nos planos de Dilma, era, de alguma forma, o dinheiro que se roubava ou, simplesmente, se dilapidava com a incompetência. Um outro ponto que me comoveu foi sua mensagem ao Parlamento: somos apenas parte de um povo que, na realidade, sofreu um golpe, pois analisava a realidade a partir do falso quadro desenhado pelo governo. A missão das ruas é clara: descrever aos parlamentares uma situação em que o povo foi roubado e enganado com fantasias eleitorais. O país sofreu um golpe. Sua única saída é responder ao golpe com uma medida constitucional de autodefesa, que é o impeachment.
Senti que grande parte dos parlamentares compreendeu o cenário. Mesmo os que parecem não ter compreendido, caso de Renan Calheiros, estão apenas fazendo cálculos sobre sua própria salvação. Não creio que exista salvação para figuras como Cunha e Renan. A própria Justiça, cheia de dedos com gente como eles, terá de levar a sério a tese de que a lei vale para todos. Ninguém sai às ruas apenas para trocar de bandidos no poder.
Artigo publicado no Segundo Caderno do Globo em 03/04/2016
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TIRADOS DO PODER

Do UOL
Ao longo de 126 anos de história republicana, o Brasil teve até hoje 34 presidentes que chegaram ao poder de diversas formas: eleição direta por voto popular ou indireta pelo Congresso Nacional, golpe de Estado ou através da linha sucessória. Sete deles, junto com Júlio Prestes, que nem chegou a assumir o cargo, foram de alguma maneira tirados do poder -- ameaça que ronda a atual presidente, Dilma Rousseff, que enfrenta um processo de impeachment na Câmara dos Deputados.
Desde o marechal Deodoro da Fonseca, derrubado pelas Forças Armadas depois de fechar o Congresso, até Fernando Collor de Mello, que renunciou em 1992 após ver seu impeachment aprovado pela Câmara, o UOL compila os presidentes que não tiveram condições de cumprir seu mandato até o final. A lista inclui Jânio Quadros, que renunciou em 1961 ao dizer que "forças terríveis" o impediam de governar.
A reportagem contou com auxílio dos professores de História Daily de Matos Oliveira, do Curso Objetivo, e Célio Tasinafo, da Oficina do Estudante.
O marechal liderou o levante das Forças Armadas que derrubou Dom Pedro 2º em 1889 e foi o primeiro presidente da República, mas seu governo durou apenas dois anos. Segundo Daily Oliveira, Deodoro era um monarquista que só se uniu ao movimento republicano em nome da unidade militar. Governou provisoriamente até fevereiro de 1891, quando foi eleito indiretamente. Em novembro, sem apoio dos parlamentares, decidiu fechar o Congresso. Outro marechal, o vice-presidente Floriano Peixoto, contou com apoio da Marinha para obrigar a saída de Deodoro, que acabou renunciando. Apesar da Constituição de 1891 pedir a convocação de novas eleições em caso de saída do presidente, Floriano Peixoto, conhecido como "Marechal de Ferro", se manteve no poder até 1894 e entregou o cargo para o civil Prudente de Morais, vencedor das primeiras eleições presidenciais do Brasil.
Eleito em 1926, Washington Luís foi o último presidente da República Velha, conhecida pelo domínio das oligarquias paulista e mineira no poder. Washington Luís enfrentou a crise internacional de 1929, que afetou diretamente a exportação brasileira de café, e resistência de militares de ideiais nacionalistas. Ainda assim, elegeu seu sucessor, o então governador paulista, Júlio Prestes, no pleito de 1930. Prestes venceu a eleição em março, derrotando Getúlio Vargas, em um pleito marcado por denúncias de fraude e rachas entre as oligarquias. Em julho, o assassinato do vice de Vargas, João Pessoa, em um crime aparentemente não relacionado à disputa presidencial, agravou as hostilidades. Em outubro, Vargas, com apoio dos militares, foi à capital exigir a saída de Washington Luís, que deixou o Palácio do Catete preso, rumo ao Forte de Copacabana. Sua queda ocorreu um mês antes de passar o cargo para Júlio Prestes, que nem chegou a assumir. Ambos se exilaram no exterior temporariamente após a Revolução de 1930. "Eles estavam isolados. Não tinham apoio nem das oligarquias, nem da população e nem do Exército. Qualquer esboço de reação foi abafado", diz Célio Tasinafo.
Getúlio Vargas (1945 e 1954)
O líder da revolução que acabou com a República Velha comandou um governo provisório até 1934, quando foi eleito indiretamente para um mandato que se encerraria após as eleições presidenciais de 1938. Um ano antes, no entanto, Vargas estabeleceu o Estado Novo (acabando com as eleições diretas) até 1945, ano do fim da Segunda Guerra Mundial. O governo ditatorial de Vargas não condizia com o apoio do país aos Aliados no conflito que encerrou os regimes de Hitler e Mussolini, e aos poucos o líder brasileiro, que já enfrentava forte oposição, reestabeleceu a democracia, permitindo a volta dos partidos políticos e convocando eleições para aquele ano. Mesmo assim, os militares temiam um novo golpe e depuseram Getúlio que, sem ter os direitos cassados, se manteve na política e foi eleito senador. Vargas voltou ao poder pelo voto popular em 1951, mas com oposição de militares, empresários e de políticos --o principal era Carlos Lacerda, da UDN. Em meio a denúncias de corrupção envolvendo seu governo, Vargas enfrentou e superou um processo de impeachment em junho de 1954. Em 5 de agosto, no entanto, a situação se agravou após o Atentado da Rua Tonelero, que vitimou o major da FAB Rubens Vaz --o ato, supostamente orquestrado pela segurança de Getúlio, visava Carlos Lacerda, que ficou ferido. Acuado por políticos e militares, Vargas se recusou a renunciar. Sem enxergar alternativas, p presidente deu um tiro no peito no Palácio do Catete em 24 de agosto. Sua morte provocou comoção popular e reverteu a onda de rejeição a Vargas por causa das polêmicas em seu segundo mandato, levando o presidente ao status de herói nacional. Em 1954, novamente presidente, Vargas se suicidou após sofrer forte pressão política da oposição.
Carlos Luz (1955)
O vice-presidente Café Filho assumiu o cargo após o suicídio de Vargas, mas a tensão política persistiu. Nas eleições de 1955, venceu a chapa formada por Juscelino Kubitschek (PSD) e João Goulart (PTB, herdeiro do varguismo), por uma pequena vantagem sobre o candidato da UDN, Juarez Távora. A UDN e a oposição tentou articular um golpe para evitar que Juscelino assumisse o poder. Em novembro de 1955, 50 dias antes da posse de JK, Café Filho se afastou por motivos de saúde. O presidente da Câmara dos Deputados, Carlos Luz, herdou o cargo interinamente, mas foi deposto três dias depois pelo general Henrique Lott, com apoio do Congresso, pela acusação de conspirar contra JK. "Carlos Luz disse que o Juscelino não podia ser considerado legítimo conseguindo só 35% dos votos", diz Daily Oliveira. Luz tentou reagir, mas desistiu. Com o país em estado de sítio, Nereu Ramos, vice-presidente do Senado, assumiu o cargo até a posse de JK. Também acusado de conspiração, Café Filho foi impedido de retomar o poder. "Café Filho e Carlos Luz não conseguiram base de sustentação política nem militar. E naquele ambiente, o presidente precisava de apoio das Forças Armadas", diz Célio Tasinafo.
De ascensão meteórica, Jânio Quadros chegou à Presidência com apenas 13 anos de vida política. Jânio venceu as eleições de 1960 com apoio da UDN e votação recorde, mas desde o início sofreu forte oposição no Congresso. Segundo Daily Oliveira, a popularidade de Jânio, que prometia caçar os corruptos, caiu no mesmo ritmo da alta dos preços no país. Ele ainda reatou as relações com a União Soviética e homenageou Che Guevara, o que desagradou militares, os Estados Unidos e a UDN, preocupados com a relação de Jânio com países e líderes socialistas. Sem apoio do Congresso, ele renunciou em 25 de agosto de 1961 dizendo que "forças terríveis" o obrigaram a tomar essa decisão. Segundo Daily Oliveira, Jânio tentou uma manobra para que sua renúncia não fosse oficializada pelo Congresso -- era sexta-feira, e os deputados já se preparavam para deixar Brasília. Assim, Jânio planejava conquistar apoio popular durante o fim de semana para retomar o poder na segunda. "Só que o presidente do Congresso fechou o espaço aéreo de Brasília e convocou os parlamentares para voltar. A renúncia foi lida e Jânio foi obrigado a sair, sem comover a população como esperava", afirma Oliveira.
João Goulart (1964)
Se Jânio Quadros já sofria rejeição pela relação com governos socialistas, João Goulart, ex-ministro de Vargas ligado ao sindicalismo, sofria uma oposição ainda maior, tanto civil quanto militar. Goulart estava na China no dia da renúncia de Jânio e só voltou quando o Congresso aprovou uma emenda institucional que instaurou o parlamentarismo. Em janeiro de 1963, Jango convocou um plebiscito que decidiu pelo retorno do presidencialismo, retomando seus poderes de presidente. Mesmo assim, Goulart continuou sem apoio parlamentar e tentou mobilizar as classes populares para conseguir governar. Em março de 1964, com o país polarizado, Jango discursou no Rio de Janeiro e falou sobre a intenção de promover a reforma agrária. Militares, empresariado, Igreja Católica, imprensa e setores conservadores se uniram, sob o temor das reformas de base e de um regime socialista, e Goulart foi deposto pelo Exército entre 31 de março e 2 de abril, quando partiu para o Uruguai. Ele foi o último presidente civil até José Sarney, em 1985.
O primeiro presidente eleito em quase 30 anos durou 33 meses no poder. O país enfrentava um momento de grave crise econômica, com hiperinflação, e as primeiras medidas de Collor para conter a recessão foram congelar preços e salários e confiscar os depósitos bancários por 18 meses. Eleito por uma pequena vantagem em relação a Luiz Inácio Lula da Silva, seu adversário no segundo turno, Collor logo perdeu apoio popular e também no Congresso. Denúncias de um esquema de corrupção comandado por Paulo César Farias, seu tesoureiro na campanha presidencial, abalaram o governo, que sofreu um processo de impeachment. Em meio a grandes manifestações pela saída de Collor, o presidente viu o impeachment aprovado pela Câmara dos Deputados em 29 de setembro de 1992 e foi afastado da presidência, dando lugar ao vice Itamar Franco. Collor renunciou em 29 de dezembro, um dia antes de o Senado votar a favor do impeachment e da perda de mandato.
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sábado, 2 de abril de 2016

UMA PRESIDENTE FORA DE CONTROLE

Da ISTOÉ
Os últimos dias no Planalto têm sido marcados por momentos de extrema tensão e absoluta desordem com uma presidente da República dominada por sucessivas explosões nervosas, quando, além de destempero, exibe total desconexão com a realidade do País. Não bastassem as crises moral, política e econômica, Dilma Rousseff perdeu também as condições emocionais para conduzir o governo. Assessores palacianos, mesmo os já acostumados com a descompostura presidencial, andam aturdidos com o seu comportamento às vésperas da votação do impeachment pelo Congresso. Segundo relatos, a mandatária está irascível, fora de si e mais agressiva do que nunca. Lembra o Lula dos grampos em seus impropérios. Na última semana, a presidente mandou eliminar jornais e revistas do seu gabinete. Agora, contenta-se com o clipping resumido por um de seus subordinados. Mesmo assim, dispara palavrões aos borbotões a cada nova e frequente má notícia recebida. Por isso, os mais próximos da presidente têm evitado tecer comentários sobre a evolução do processo de impeachment. Nem com Lula as conversas têm sido amenas. Num de seus acessos recentes, Dilma reclamou dos que classificou de “traidores” e prometeu “vingança”. Numa conversa com um assessor, na semana passada, a presidente investiu pesado contra o juiz Sérgio Moro, da Lava Jato. “Quem esse menino pensa que é? Um dia ele ainda vai pagar pelo quem vem fazendo”, disse. Há duas semanas, ao receber a informação da chamada “delação definitiva” em negociação por executivos da Odebrecht, Dilma teria, segundo o testemunho de um integrante do primeiro escalão do governo, avariado um móvel de seu gabinete, depois de emitir uma série de xingamentos. Para tentar aplacar as crises, cada vez mais recorrentes, a presidente tem sido medicada com dois remédios ministrados a ela desde a eclosão do seu processo de afastamento: rivotril e olanzapina, este último usado para esquizofrenia, mas com efeito calmante. A medicação nem sempre apresenta eficácia, como é possível notar.
Em recente viagem a bordo do avião presidencial, um Airbus A319, tripulantes e passageiros ficaram estupefatos com outro surto de Dilma. Depois de uma forte turbulência, a presidente invadiu a cabine do piloto aos berros: “Você está maluco? Vai se f...! É a presidente que está aqui. O que está acontecendo?”, vociferou. Não seria a primeira vez que Dilma perdia o equilíbrio durante um vôo oficial. No final de janeiro, o avião da presidente despencou 100 metros, enquanto passava pela região entre a floresta Amazônica e o Acre. O piloto preparava-se para pousar em Quito, no Equador. Devido ao tranco mais brusco, Marco Aurélio Garcia, assessor especial, acabou banhado de vinho e uma ajudante de ordens bateu levemente com a cabeça no teto da aeronave. Copos e pratos foram ao chão, mas ninguém se machucou. A presidente saiu de si. Na sequência do incidente, tratou de cobrar satisfações do piloto. Aos gritos. “Não te falei para não pegar esse trajeto? Quer que eu morra de susto, cace...?”. Os desvarios de Dilma durante os vôos já lhe renderam uma reclamação formal. Em carta, a Aeronáutica pediu para que a presidente não formulasse tantas perguntas sobre trajetos e condições climáticas nem adentrasse repentinamente às cabines para não tirar a concentração dos pilotos. A presidente não demonstra paciência nem mesmo para esperar o avião presidencial seguir o procedimento usual de taxiamento. Um de seus assessores lembra que, certa feita, Dilma chegou a determinar à Aeronáutica que reservasse uma pista exclusiva para a decolagem de sua aeronave. Com isso, outros aviões na dianteira tiveram de esperar na fila por horas.
O modelo consagrado pela renomada psiquiatra Elisabeth Kübler-Ross descreve cinco estágios pelo qual as pessoas atravessam ao lidar com a perda ou a proximidade dela. São eles a negação, a raiva, a negociação, a depressão e a aceitação. Por ora, Dilma oscila entre os dois primeiros estágios. Além dos surtos de raiva, a presidente, segundo relatos de seus auxiliares, apresenta uma espécie de negação da realidade. Na semana passada, um presidente de uma instituição estatal foi chamado por Dilma para despachar assuntos de sua pasta. Chegou ao Palácio do Planalto, subiu ao terceiro andar e falaram longamente acerca da saúde da empresa e especialmente sobre a economia do Brasil e o contexto internacional. Ao final da conversa, observando o visível abatimento do executivo, Dilma quis saber: “Por que você está cabisbaixo?”. Franco, ele revelou sua preocupação com o cenário de impeachment que se desenhava, especialmente com o então iminente rompimento do PMDB. Ao ouvir a angústia do seu subordinado, que não está há muito tempo à frente da empresa, Dilma teve uma reação que tem se repetido sistematicamente: descartou totalmente a hipótese do seu impedimento. Ela exclamou: “Imagine, nada disso vai acontecer. Já temos garantidos 250 votos na Câmara”. O executivo tentou argumentar, mas foi novamente interrompido. A petista avaliou ser “até melhor” o rompimento com o PMDB, assim teriam a chance de “refundar” o governo. O presidente da instituição deixou a conversa completamente atônito. Considerou inacreditável a avaliação da chefe do Executivo.
Outro interlocutor freqüente diz que a desaprovação recorde junto aos eleitores é vista como mero detalhe pela presidente. “Que falta faz um João Santana”, disse referindo-se ao marqueteiro preso e, principalmente, conselheiro para todas as horas. Aos integrantes do núcleo político, Dilma deixa transparecer que não lhe importa mais a opinião pública. Seu objetivo é seguir no posto a todo e qualquer custo e, se lograr êxito, punir aqueles que considera hoje seus mais ferozes inimigos. Especialmente os do Congresso. Na tática do desespero oferece cargos e verbas para angariar apoios à sua causa, não se importando com o estouro do orçamento e muito menos com o processo sobre suas contas abertos nos órgãos de fiscalização e controle, como o TCU. Na quarta-feira 30, chegou ao cúmulo de sugerir uma audiência com Valdemar Costa Neto, do PR, para oferecer-lhe a indicação do ministério de Minas e Energia. Ocorre que, hoje, Costa Neto apresenta dificuldades e limites de locomoção devido ao uso de uma tornozeleira. Depois da gafe, o jeito foi recorrer a emissários.
É bem verdade que Dilma nunca se caracterizou por ser uma pessoa lhana no trato com os subordinados. Mas não precisa ser psicanalista para perceber que, nas últimas semanas, a presidente desmantelou-se emocionalmente. Um governante, ou mesmo um líder, é colocado à prova exatamente nas crises. E, hoje, ela não é nem uma coisa nem outra. A autoridade se esvai quando seu exercício exige exacerbar no tom, com gritos, berros e ofensas. Helmuth von Moltke, chefe do Estado-Maior do Exército prussiano, depois de aposentado, concedeu uma entrevista que deveria servir de exemplo para governantes que se pretendam grandes líderes. Perguntado como se sentia como um general invicto e o mais bem-sucedido militar da segunda metade do século XIX, Moltke respondeu de pronto: “Não se pode dizer que sou o mais bem-sucedido. Só se pode dizer isso de um grande general, quando ele foi testado na derrota e na retirada. Aí se mostram os grandes generais, os grandes líderes e os grandes estadistas”. Na retirada, Dilma sucumbiu ao teste a que Moltke se refere. Os surtos, os seguidos destemperos e a negação da realidade revelam uma presidente completamente fora do eixo e incapaz de gerir o País.
A maneira temperamental de lidar com as situações não é nova, embora tenha se agravado nas últimas semanas. Desde o primeiro mandato de Dilma, um importante assessor palaciano dedicou-se a registrar num livro de capa preta as reprimendas aplicadas por Dilma em seus subordinados. Ele deixou o governo recentemente por não aturar mais os insultos da presidente. A maioria injustificável, em sua visão. No caderno, anotou mais de 80 casos ocorridos entre 2010 e 2016. Entre eles, há o de um motorista que largou o automóvel presidencial no meio da Esplanada dos Ministérios depois de ser ofendido compulsivamente pela presidente e ameaçado de demissão por causa de um atraso. “Você não percebeu que não posso atrasar, seu m...Ande logo com isso senão está no olho da rua”, atacou Dilma. Consta também das anotações os três pedidos de demissão de Anderson Dornelles, que deixou o Planalto no último mês sob fortes suspeitas de ser sócio oculto de um bar localizado no estádio Beira-Rio de propriedade da Andrade Gutierrez. Nas vezes em que ameaçou deixar o governo, alegou cansaço dos destratos da presidente. “Menino, você não faz nada direito!”, afirmou ela numa das brigas. O ministro da Advocacia-Geral da União, José Eduardo Cardozo, também já experimentou a fúria da presidente. A irritação, neste caso, derivou das revelações feitas pelo empresário Ricardo Pessoa, da UTC, sobre as doações a sua campanha à reeleição em 2014. Participaram dessa reunião convocada pela presidente, além de Cardozo, os ministros Aloizio Mercadante, Edinho Silva e o assessor especial Giles Azevedo. Na frente de todos, Dilma cobrou Cardozo por não ter evitado que as revelações de Ricardo Pessoa se tornassem públicas dias antes de sua visita oficial aos Estados Unidos, quando buscava notícias positivas para reagir à crise. “Você não poderia ter pedido ao Teori (Zavascki) para aguardar quatro ou cinco dias para homologar a delação?”, perguntou Dilma referindo-se ao ministro que conduz os processos da Lava Jato no STF. “Cardozo, você fodeu a minha viagem”, bradou a presidente.
O episódio envolvendo Cardozo, no entanto, pode ser considerado até brando se comparado às situações enfrentadas por duas ex-ministras do governo, Maria do Rosário e Ideli Salvatti. Em 2011, ao debater com Rosário o andamento dos trabalhos da Comissão da Verdade, àquela altura prestes a ser criada pelo Congresso para esclarecer casos de violação de direitos humanos durante a ditadura militar, Dilma perdeu as estribeiras: “Cale sua boca. Você não entende disso. Só fala besteira”. Já Ideli conheceu o despautério da presidente logo no dia seguinte à sua nomeação para as Relações Institucionais. Quando ainda devorava jornais, Dilma leu uma reportagem em que a titular da pasta fazia considerações sobre os desafios do novo trabalho. Não gostou e deixou clara sua insatisfação: “Ideli, se na primeira coletiva você já disse bobagens, imagine nas próximas”.
Publicamente, a presidente tenta disfarçar seu estado de ânimo atual. Mas nem sempre é possível deixar transparecer serenidade quando, por dentro, os nervos estão à flor da pele. Seus últimos discursos refletem a tensão reinante nos corredores do Palácio do Planalto. Na quarta-feira 30, Dilma converteu o evento de entrega de moradias da terceira fase do Minha Casa Minha Vida em um palanque contra o impeachment. Na cerimônia, estiveram presentes integrantes de movimentos sociais, como o MST. Os representantes, —muitos deles chamados de última hora já que nenhum governador se dignou a ir e, dos 300 prefeitos convocados, só oito compareceram —, foram acomodados em lugares destinados a convidados, onde entoaram gritos de guerra pró-governo mesmo antes de o evento começar. Os presentes chamaram o juiz Sérgio Moro, o vice Michel Temer e a OAB de “golpistas” e bradaram o já tradicional “não vai ter golpe”. Detalhe: o coro foi puxado pela militante travestida de presidente da República.
As diabruras de “Maria, a Louca”
Não é exclusividade de nosso tempo e nem de nossas cercanias que, na iminência de perder o poder, governantes ajam de maneira ensandecida e passem a negar a realidade. No século 18, o renomado psiquiatra britânico Francis Willis se especializou no acompanhamento de imperadores e mandatários que perderam o controle mental em momentos de crise política e chegou a desenvolver um método terapêutico composto por “remédios evacuantes” para tratar desses casos. Sua fórmula, no entanto, pouco resultado obteve com a paciente Maria Francisca Isabel Josefa Antónia Gertrudes Rita Joana de Bragança, que a história registra como “Maria I, a Louca”. Foi a primeira mulher a sentar-se no trono de Portugal e, por decorrência geopolítica, a primeira rainha do Brasil. O psiquiatra observou que os sintomas de sandice e de negação da realidade manifestados por Maria I se agravaram na medida em que ela era colocada sob forte pressão. “Maria I, a Louca”, por exemplo, dizia ver o “corpo” de seu “pai ardendo feito carvão”, quando adversários políticos da Casa de Bragança tentavam alijá-la do poder. Nesses momentos, seus atos de governo denotavam desatino, como relatou doutor Willis: “proibir a produção de vinho do Porto na cidade do Porto”. Diante desse quadro, era preciso que ocorresse o seu “impedimento na Coroa”. Quanto mais pressão, mais a sua consciência se obnubilava, até que finalmente foi “impedida de qualquer ato na Corte”. Já com o filho Dom João VI no comando de Portugal, “Maria I, a Louca” veio às pressas para o Rio de Janeiro com a Família Real diante da invasão de Portugal. Aqui, ela tinha por hábito usar longos vestidos pretos e passava horas correndo pelos corredores palacianos gritando palavrões desconexos. Costumava acordar na madrugada e “berrava para seres imaginários descerem do Pão de Açúcar” porque nele “morava o diabo”. A sua derradeira frase em território lusitano pode ser interpretada como faísca de lucidez na loucura: “Não corram tanto, vão pensar que estamos sendo tocados ou que estamos fugindo”.
Antonio Carlos Prado
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UM FANTASMA NA LAVA-JATO

Da Veja
José Dirceu conversava animadamente em um restaurante de Brasília, no ápice da campanha presidencial, em 2002, quando foi interrompido por um homem bem vestido, de terno. Carregando uma valise, ele chegou apressado e fez sinal com as mãos de que precisava falar reservadamente. O então coordenador da campanha de Lula se levantou e apresentou o interlocutor: "Este aqui é o Delúbio, nosso tesoureiro". Os dois seguiram para um canto vazio e cochicharam por alguns minutos. Delúbio Soares passou rapidamente pela mesa, acenou e foi embora. Dirceu voltou ao seu lugar. Parecia transtornado. "Os tucanos estão preparando uma armadilha para nos destruir." "Que armadilha?", alguém perguntou. "Fizeram um dossiê para nos envolver no assassinato do Celso Daniel. Dizem que tem gravações telefônicas, depoimentos, gente do PT...". Antes de se despedir, Dirceu dimensionou o que estaria por vir: "Isso é muito grave. Precisamos reagir rápido, abortar o plano de qualquer maneira". Na conversa, que VEJA testemunhou, petistas e simpatizantes que estavam à mesa combinaram uma estratégia de defesa. Era preciso que se antecipassem, denunciando a farsa antes que viesse a público. Era preciso esclarecer que o caso constituía uma tentativa de golpe sujo e desesperado do governo tucano para atrapalhar a eleição de Lula.
O assassinato do prefeito Celso Daniel, de Santo André, ocorrido em janeiro de 2002, nunca deixou de assombrar o PT, fosse na forma de chantagens eleitorais ou de investigações policiais que, até hoje, não esclareceram a morte do prefeito. Assim, a dúvida sobre o envolvimento de petistas no caso paira no ar como uma nuvem de enxofre capaz de contaminar ainda mais o pântano em que se meteu o partido. Na semana passada, a mais recente fase da Lava-Jato voltou a agitar o fantasma de Celso Daniel. A operação foi chamada de Carbono 14, numa referência ao elemento usado pela ciência para desenterrar o passado. Mas o que um homicídio de catorze anos atrás tem a ver com a roubalheira na Petrobras? As conexões são um pouco intrincadas, mas, seguindo-se o calendário das investigações, tudo fica mais claro.
O começo se dá em 2012. VEJA revelou que Marcos Valério ainda guardava consigo segredos devastadores. Em depoimento à Procuradoria-Geral da República, o famoso operador do mensalão resolveu detalhar alguns deles. Um, em especial, parecia mirabolante. Valério disse que um obscuro empresário de Santo André, Ronan Maria Pinto, acionou o então secretário do PT, Silvio Pereira, para chantagear o ex-presidente Lula. A chantagem: ou o PT lhe dava 6 milhões de reais ou ele revelaria o envolvimento de Lula, José Dirceu e Gilberto Carvalho no assassinato de Celso Daniel. Disse mais: os 6 milhões de reais foram negociados pelo pecuarista José Carlos Bumlai, que tomou o dinheiro do cesto de picaretagens petistas na Petrobras. Diante dessa história, os investigadores arregalaram os olhos - era forte, mas também poderia ser resultado de imaginação positivamente fértil.
Em 2014, dois anos depois, durante as investigações da Lava-Jato, a polícia encontrou num escritório de contabilidade um contrato confidencial. Pelo documento, Marcos Valério emprestava 6 milhões de reais ao empresário chantagista Ronan Maria Pinto. O valor e o nome dos personagens acenderam uma luz vermelha. A polícia então interrogou a dona do escritório de contabilidade, Meire Poza. Ela contou que o contrato pertencia a um notório lavador de dinheiro chamado Enivaldo Quadrado. E Enivaldo Quadrado dizia que guardava uma via do tal contrato para resguardar-se. Era seu "seguro de vida contra o PT", uma "arma que derrubaria o Lula". E, claro, um instrumento para arrancar uma graninha do PT. E explicava que os tais 6 milhões do empréstimo serviriam para pagar a chantagem que Ronan Maria Pinto vinha fazendo contra o PT. O quebra-cabeça começava a tomar uma forma mais clara.
Leia a reportagem completa na edição da revista Veja que já está nas bancas.
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A DEBANDADA DO PMDB

Reunido com assessores em seu escritório no bairro do Itaim, em São Paulo, o vice-presidente Michel Temer pediu que, na manhã da quinta-feira, dia 24, a televisão de sua sala permanecesse ligada. Adepto de ambientes silenciosos para conversar, abriu a exceção porque vinha acompanhando com grande interesse a visita do presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, à América Latina. Naquela manhã da véspera da Sexta-Feira Santa, Obama se reunia com o recém-empossado Mauricio Macri, na Argentina, e jogava flores no Rio da Prata em homenagem às vítimas da ditadura militar que dominou o país. Temer, que vem observando o trabalho do presidente argentino, rasgou elogios e arrematou. “É disso que o Brasil precisa, de um efeito Macri”, afirmou aos que o acompanhavam, sem nenhum receio de ter sua fala interpretada como voluntarismo em excesso. Pelo contrário. A inspiração já é tratada com desembaraço.
O vice-presidente, que até pouco tempo temia levar sobre os ombros a pecha de conspirador, já não esconde o empenho em construir uma agenda política e econômica com o intento de conduzir o país num cenário pós-impeachment. O modelo Macri não é mimetizado tanto pela similaridade das medidas adotadas, mas pela sinalização emitida ao mundo, que alterou substancialmente a percepção sobre a Argentina. Se em pouco tempo o ex-prefeito de Buenos Aires conseguiu trazer esperança a uma nação mais combalida que o Brasil, reflete o vice em suas conversas, há uma saída possível. “Ele sabe que terá de agir rápido. Mas, pelo exemplo argentino, viu a importância do gesto, sobretudo na economia”, afirma um interlocutor do vice, que não parou de aparafusar as estruturas do que pretende ser seu futuro governo, mesmo depois de o Planalto abrir o varejo dos cargos e colocar a militância na rua para entoar até gritos de guerra anti-Temer.
De gestos, Temer e todo o PMDB entendem muito. O fluido que compõe a legenda é carregado de sinalizações, mais do que convicções. E Temer aposta no aprendizado adquirido ao liderar um partido com tantas nuances para conseguir garantir, ao mesmo tempo, a governabilidade no Congresso e a confiança do mercado. Jargões como “choque de gestão” e “guinada política” estão em sua cartilha de como recolocar a economia nos trilhos. Interlocutores que têm acompanhado o vice afirmam que ele passou a semana imerso em conversas e reuniões com algumas das principais lideranças políticas e econômicas do país. Os principais atores do setor bancário e da indústria estiveram em seu escritório, em São Paulo. Temer tem preferido isolar-se na capital paulista para fugir do tiroteio em voga no Congresso e receber com mais privacidade, fora das instalações do governo, pessoas interessadas em discutir o país num contexto, digamos, sem o PT.
Leia a reportagem completa na edição da revista Época que já está nas bancas.
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ESPERANÇA SEQUESTRADA

Artigo de Miguel Reale Júnior, O Estado de S.Paulo
No desespero por se manter no poder e garantir o emprego de milhares de apaniguados, o PT bate tambores, timbrando o mantra de ser o impeachment um golpe e de não haver crime. Todavia bastariam as denominadas “pedaladas fiscais” para verificar ter ocorrido um grave crime, cujos danos são extremamente sentidos pelos mais pobres.
Há um comportamento reiterado de tratar o público com se privado fosse, tendo-se por subproduto o surgimento de nova elite, a elite da propina, de que é exemplo o ocupar, como milionário, sítio e tríplex na praia recebidos como benesses pelas vantagens viabilizadas ao longo do governo.
Esse o clima prevalecente nos detentores do poder, que dele se assenhorearam para usufruir ao máximo, sem limites, os benefícios de viver à tripla forra à custa do bem público.
Ora, é dentro desse espírito e desse clima de fruição e manutenção do poder a qualquer custo que se adotou o expediente das pedaladas fiscais. Não era possível que os governantes – presidente, ministro da Fazenda, ministro do Planejamento, secretário do Tesouro Nacional – não soubessem, não previssem o desastre que estavam a brevemente causar à economia do Brasil e ao cotidiano de milhões de trabalhadores e milhares de empresários da indústria e do comércio.
As pedaladas fiscais constituíram perigoso e malicioso artifício por via do qual se realizaram operações de crédito – mútuos entre o Tesouro Nacional e as instituições financeiras controladas pela União – para pagamento de gastos primários, como Bolsa Família, seguro-desemprego, subvenções do Programa Minha Casa, Minha Vida, diferença entre os juros efetivos e os privilegiados cobrados pelo BNDES das grandes empresas.
Esses mútuos não foram meros adiantamentos, fluxo de caixa, como pode ter ocorrido nos governos passados, por breve tempo e em valores pequenos. Dizer isso é uma falácia. Acórdão do Tribunal de Contas da União (TCU) considera impossível ver valores dessa magnitude, em ritmo crescente, como mero fluxo de caixa entre banco e Tesouro. Ao ver do TCU, tratava-se de empréstimo, e não mero atraso, à beira do descontrole. Os níveis efetivamente foram elevadíssimos.
E o que é pior: essa dívida não foi registrada no Banco Central como passivo, enquanto as instituições financeiras as anotavam como crédito. Tal omissão dolosa de registro de dívida constitui crime de falsidade ideológica.
Construiu-se, deliberadamente, um saldo devedor enorme, escondido dos agentes econômicos e da população, escamoteando a existência de um débito fiscal que só aumentava como bola de neve e cuja consequência foi a débâcle da nossa economia. É o que o economista Marcos Fernandes da Silva denomina “populismo fiscal eleitoral”, pois, sem caixa, se criaram dívidas escondidas, para aparentar falsamente saúde financeira inexistente, dando sequência a medidas populares que sangravam o Tesouro, como desonerações tributárias, redução dos preços de eletricidade, congelamento do preço da gasolina, incentivo ao crédito consignado, montando um cenário paradisíaco falso para ganhar eleições.
Ao longo de 2014 e até meados de 2015, em vez de medidas corretivas dos erros econômicos e morais visíveis, o governo adotou a manutenção dos vícios, servindo-se das “pedaladas fiscais” como meio artificioso “para que os gastos não fossem devidamente computados nas contas públicas visando a mascarar o déficit fiscal,” como acentua José Roberto Afonso, um dos autores da Lei de Responsabilidade Fiscal. Assim, aos poucos foi se desfazendo a ilusão de crescimento de 4% com inflação controlada. A realidade era outra: destruíram um dos fundamentos da economia, o equilíbrio fiscal, e sequestraram a esperança.
A economia havia desandado: para obter meios o governo teve de disponibilizar títulos no mercado, que só os adquiria a juros mais elevados, dando início ao processo inflacionário. O preço da luz e o da gasolina tiveram de ser colocados em níveis reais, os investimentos reduziram-se. O governo, sem plano de ação administrativa, via suas grandes empresas encolherem, chafurdadas na mais impressionante corrupção.
Resultado: descrença no futuro como consequência da desconfiança absoluta na presidente e no seu governo, que agora, às vésperas da votação do impeachment, reincide nos pecados da desonestidade ao tentar cooptar no varejo, por meios heterodoxos, deputados a seu favor.
Mas àqueles que, à míngua de argumentos, insistem em dizer que não há crime cabe repetir tutelar-se a responsabilidade fiscal, valioso bem da República, por via da incriminação constante do artigo 359 A do Código Penal, e do artigo 10, n.º 9, na Lei 1.079/50, a lei do impeachment.
A Lei de Responsabilidade Fiscal edita no artigo 36 que é proibida operação de crédito da União com instituição financeira por ela controlada. O artigo 359 A do Código Penal, introduzido pela Lei n.º 10.028/2001, edita que constitui delito, punido com reclusão de um a dois anos, “ordenar, autorizar ou realizar operação de crédito, interno ou externo, sem prévia autorização legal”. Se a lei já proíbe nem poderia haver autorização.
Por sua vez, a Lei 1079/50, no item 9 do artigo 10, introduzido pela mesma Lei 10.028, estatui ser crime de responsabilidade “ordenar ou autorizar, em desacordo com a lei, a realização de crédito com qualquer ente da Federação, inclusive suas entidades da administração indireta”. Pena: perda do mandato.
Sábias essas disposições. E quem responde por esses atos contra a lei orçamentária é a presidente, seus ministros e secretários. E a presidente era unha e carne com o mentor da pedaladas fiscais, o secretário do Tesouro Nacional, com quem se reunia costumeiramente.
Assim, há, sim, crime de responsabilidade. Dizer o contrário, feito papagaio, é querer dar o golpe de joão sem braço, fingir-se de desentendida. Mude o disco, Dilma: não há golpe, há impeachment.
*Miguel Reale Júnior é advogado, professor titular da Faculdade de Direito da USP, membro da Academia Paulista de Letras e foi ministro da Justiça.
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BALCÃO DE NEGÓCIOS

Da ISTOÉ
Em desespero para impedir a oposição de alcançar os 342 votos necessários para apeá-la do poder, a presidente Dilma Rousseff transformou corredores e gabinetes da Câmara dos Deputados e do Palácio do Planalto em verdadeiros balcões de negócios. A exatos 6,5 quilômetros do Congresso, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva também participa da articulação e seu quarto de hotel foi convertido em sala de negociações, por onde passam a toda momento ministros e lideranças partidárias. No vale-tudo para escapar do impeachment, a presidente e o antecessor sem qualquer pudor entregam tudo para quem se dispor a ajudá-los a permanecer no poder.
O governo tem negociado até o que não tem. No contexto da crise econômica atravessada pelo País, o que Dilma e Lula promovem a céu aberto é, para dizer o mínimo, escandaloso: são mais de 600 cargos em jogo e R$ 50 bilhões em emendas parlamentares, valor correspondente a quase duas CPMFs. Nos últimos dias, emissários do Planalto buscaram uma abordagem individualizada junto aos deputados. Por cada voto favorável ao governo estariam sendo oferecidas emendas de até R$ 1 milhão para a construção de obras no reduto eleitoral de cada parlamentar. Já para quem simplesmente se prestar a faltar à votação, o valor seria de R$ 400 mil. Inclusive, como raros são os aliados que acreditam que o Planalto vá conseguir os 172 votos necessários para manter a chefe do Executivo no cargo, a aposta principal será justamente essa: jogar todas as fichas na tentativa de esvaziar o quórum pró-impeachment. Oposicionistas estimam que cerca de 40 votos estejam ameaçados com possíveis abstenções. Em tom irônico, o deputado Vítor Valim (PMDB-CE) chegou a discursar em plenário, alertando o Departamento Médico da Câmara para um possível surto de virose entre os deputados, no dia da votação, prevista para a segunda semana de abril, que causaria o “desaparecimento” de congressistas. “Parece que uma grande bactéria vem aí”, denunciou o cearense o que, de fato, seria mais um escárnio, como se a população não fosse entender a jogada. É o óbvio ululante. Os eventuais ausentes da votação do impeachment incluem-se no mesmo grupo dos que dizem “não” ao afastamento de Dilma, com uma diferença crucial: os que faltarem virarão as costas de maneira covarde à população.
Para sobrar dinheiro para o despudorado toma lá, da cá, que um dia em entrevista em rede nacional Dilma jurou ter abolido das práticas governamentais, o governo tampouco hesita em sacrificar suas principais bandeiras. Cortou R$ 4,27 bilhões da Educação e diminuiu em mais R$ 3,21 bilhões os recursos do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), carro-chefe da campanha presidencial, segundo o decreto de programação orçamentária divulgado na última quarta-feira 30, no Diário Oficial da União. O ministério da Saúde também sofreu uma redução emblemática, de R$ 2,37 bilhões. Isso tudo para preservar bilhões previstos em emendas parlamentares para 2016.
Com o desembarque do PMDB do governo, o Planalto também se vale de sete novos ministérios e cerca de 600 cargos de segundo e terceiro escalão para negociar. Os mais beneficiados devem ser siglas como PP, PR, PSD, PDT, PTB, PRB, PROS e alguns nanicos que, juntos, podem garantir a Dilma até 200 votos. Já o PT, partido da presidente, e o PCdoB, seu aliado fiel, correm o risco de perder mais espaço no governo para fortalecer essas siglas. Mas isso não importa, nem mesmo para o PT, quando o objetivo principal é a de se manter a todo custo no comando do Planalto. No raciocínio petista, eles perdem agora, para ganhar mais à frente.
Cada vez mais encrencado na Operação Lava Jato, da Polícia Federal, o PP pode acumular o Ministério da Saúde, oferecido ao senador Ciro Nogueira (PI), com o comando da Integração Nacional e ainda pleiteia a presidência da Caixa Econômica Federal e do Departamento Nacional de Obras contra a Seca (Dnocs). Já o PR, que hoje controla o Ministério dos Esportes, até o momento é o mais cotado para assumir também a pasta de Minas e Energia.
Filho do senador paraense Jader Barbalho, o ministro de Portos, Helder Barbalho (PMDB-PA), deve seguir no cargo. Ambos buscam manter o apoio do PT para vencer a disputa pelo governo do estado do Pará, em 2018. Aliado do líder do PMDB na Câmara, Leonardo Picciani (RJ), o ministro de Ciência e Tecnologia, Celso Pansera (PMDB-RJ), também tem chances de seguir no posto. O mesmo vale para a senadora Kátia Abreu (PMDB-TO), referência sobretudo na bancada ruralista e amiga pessoal de Dilma, que deve permanecer à frente da Agricultura. Ao todo, os três ministérios somam um orçamento de R$ 28,7 bilhões. O PRB já abandonou Dilma, mas o senador Marcelo Crivella entrou de cabeça nas negociatas para, talvez quem sabe, garantir uns votinhos para Dilma. Em contrapartida, acertou com o governo a redução de impostos para templos religiosos.
Um dos nós ainda não desatados é sobre como acomodar o PSD, que reivindica mais espaço para além do Ministério das Cidades, atualmente nas mãos de Gilberto Kassab (SP). O nome favorito do Planalto é o do ex-ministro Guilherme Afif Domingos, que poderia assumir a Secretaria da Aviação Civil. O baixo orçamento da pasta, com apenas R$ 600 milhões, somado à visão de que Afif seria uma indicação de Dilma e não da bancada, emperram as negociações. Não apenas isso. Nos bastidores, Kassab já avisou extraoficialmente que será o próximo a abandonar o barco.
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sexta-feira, 1 de abril de 2016

OPERAÇÃO CARBONO 14

O jornalista Breno Altman, que nesta sexta-feira (1º) foi conduzido sob vara para depor na Polícia Federal, na 27ª fase da Operação Lava Jato, é uma das figuras mais influentes no PT e no governo federal. Ele é suspeito de envolvimento no repasse de R$6 milhões para o empresário Ronan Maria Pinto, do jornal Diário do Grande ABC, supostamente para impedir a publicação de denúncia do evolvimento de próceres do PT no assassinato do ex-prefeito petista de Santo André (SP) Celso Daniel.
Muito ligado a José Dirceu, Altman fez questão de acompanhar o ex-ministro até a superintendência da PF em São Paulo, em 2013, quando ele se apresentou para cumprir pena de prisão em regime fechado, determinada pelo então presidente do Supremo Tribunal Federal, ministro Joaquim Barbosa.
O doleiro Alberto Yousseff revelou envolvimento de Breno Altman em repasses suspeitos de dinheiro. Em depoimento na CPI da Petrobras, a contadura Meire Poza, ligada a Youssef, contou que por três meses foi à casa de Altman pegar dinheiro em espécie para repassá-la a Enivaldo Quadrado, sócio da corretora Bônus Banval, condenado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) por lavagem de dinheiro. Foram três parcelas no valor de R$ 15 mil.
Meire admitiu também ter guardado um contrato  – apreendido pela Polícia Federal em seu escritório – de um "empréstimo" de R$ 6 milhões entre a 2 S Participações Ltda, empresa de Marcos Valério, e a Expresso Nova Santo André, de Ronan Maria Pinto, mas disse desconhecer sua utilização por Quadrado.
Breno Altman é diretor do site Opera Mundi e da revista Samuel, ligados ao PT, ao qual é filiado ao PT e compõe o diretório do partido em São Paulo. É "amigo pessoal" de Lula e Dirceu.
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DILMA DECEPCIONA

Da Exame
São Paulo – Até o final da tarde desta sexta-feira, a presidente Dilma Rousseff liderava – com folga – o posto de líder mais decepcionante do ano, segundo leitores da revista Fortune.
A lista dos 19 chefes de governo e de empresas que vivem momentos difíceis em sua gestão foi divulgada pelo site da revista no último dia 30, mas a publicação pediu a ajuda dos leitores para definir quem é o líder que mais desapontou no último ano.
Em menos de três dias, a presidente Dilma já tinha recebido cerca de 72 mil votos e desbancou até o ex-presidente da FIFA Joseph Blatter, que foi banido do futebol mundial por envolvimento em um escândalo de corrupção.
Junto com Michel Platini, ex-chefe da União das Associações Europeias de Futebol, Blatter arrematou só 2,8 mil votos até o final da tarde desta sexta.
Já o segundo colocado no ranking, o governador do estado do Michigan nos Estados Unidos, arrebanhou 6,6 mil votos – uma miséria perto dos 70 mil da petista.
A publicação explica que Dilma é alvo de um processo de impeachment por mascarar as contas do governo – devidamente negados pela presidente.
No entanto, a revista pontua que a situação da petista se complica dia após dia com as revelações sobre o escândalo de corrupção e “tropeços” da própria Dilma – como a nomeação do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva para ministro-chefe da Casa Civil.
Em tempo: cabe lembrar que, há uma semana, a mesma Fortune concedeu ao juiz Sergio Moro, que coordena a Operação Lava Jata em primeira instância, o título de 13º grande líder do mundo.
Tópicos: Dilma Rousseff, Personalidades, Políticos, Políticos brasileiros, PT, Política no Brasil, Governo Dilma, Impeachment.
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OS VENDILHÕES DO PLANALTO

A aprovação ou a rejeição do impeachment de Dilma Rousseff vai depender, exclusivamente, de que os vendilhões do Planalto consigam negociar em número suficiente a mercadoria no momento mais valorizada no cenário político: os votos a serem registrados na sessão plenária que vai decidir a sorte da presidente da República. Pode-se dizer, alternativamente, que o mandato de Dilma vai depender de que parlamentares venais fiquem satisfeitos com o que os traficantes de consciência, tendo à frente Luiz Inácio Lula da Silva, têm a lhes oferecer em troca do voto. E o mais vergonhoso é que essa estratégia de cooptação baseada na corrupção dos valores morais que deveriam prevalecer na gestão da coisa pública – estratégia definida esta semana pelo ministro Jaques Wagner como uma “repactuação” das alianças – foi concebida e é coordenada a partir dos gabinetes do poder e está sendo abertamente discutida nos círculos políticos. Definitivamente, o lulopetismo perdeu de vez a vergonha.
Há porta-vozes de Lula, como o senador Lindbergh Farias (PT-RJ), que até se permitem gabar-se do “sucesso” de suas artimanhas: “Diziam que após o rompimento do PMDB haveria uma debandada e o que estamos vendo hoje é um movimento inverso, vários partidos voltando para a base. O PMDB facilitou o jogo para o governo, que terá agora condições de construir uma maioria (sic) de 200 votos. Não haverá impeachment”.
De qualquer modo, a “repactuação” pela “maioria” de 200 votos vai dar trabalho a Lula e sua tropa de choque, a começar pelos seis Ministérios ocupados pelo PMDB que, pela lógica, já deveriam estar disponíveis para serem negociados por votos na Câmara dos Deputados. Henrique Eduardo Alves, do Turismo, já se demitiu. Até dois dias atrás era dado como certo que três ministros peemedebistas desejavam permanecer nos cargos: Kátia Abreu, da Agricultura, da cota pessoal de Dilma; Marcelo Castro, da Saúde; e Celso Pansera, de Ciência e Tecnologia. Outros três estariam dispostos a renunciar tão logo ultimassem questões pendentes em seus gabinetes.
Ontem, o panorama já era diferente: a despeito da decisão do Diretório Nacional de determinar a “imediata saída”, todos os seis peemedebistas passaram a demonstrar que gostariam de continuar ministros. Ocorre que o Ministério da Saúde, por exemplo, já está sendo negociado com outros partidos, para profunda frustração do controvertido ministro Marcelo Castro. Corre o mesmo risco outro que está agarrado ao cargo com unhas e dentes: Celso Pansera. De qualquer modo, a composição final do Ministério “repactuado” dependerá do que cada aspirante a ascender ou permanecer no cargo poderá oferecer em termos de votos contra o impeachment.
Enquanto isso, na linha da falta de compostura a que o desespero a está levando, Dilma Rousseff voltou, quarta-feira e ontem, a privatizar o espaço público da sede do governo de todos os brasileiros para promover comícios partidários em defesa de seu mandato. E não desperdiçou as oportunidades para elevar o tom na escalada “antigolpe” a que se entregou de corpo e alma. Como a palavra de ordem “impeachment é golpe” ficou desmoralizada pela evidência de que o afastamento é preceito constitucional inquestionável, Dilma foi forçada a fazer uma adaptação no mantra: “impeachment sem crime é golpe”, conforme berrou, com voz cada vez mais esganiçada, sob aplausos delirantes das claques.
Mais uma vez, Dilma age de má-fé e fala bobagem. O impeachment precisa, é claro, ter justificativa legal. Mas a existência ou não dos crimes alegados no pedido de impeachment é uma questão que cabe aos congressistas julgar. A presidente da República tem o direito de se defender, mas não o direito de se antecipar a uma decisão soberana do Congresso Nacional e decretar que o pedido de impeachment, já em tramitação na Câmara, não tem fundamento. Muito menos lhe cabe incendiar o País em benefício próprio. Se tivesse um mínimo de compostura, a desesperada chefe do governo preservaria a dignidade de seu mandato deixando a cargo de seus advogados e correligionários a tarefa de expor, nos foros adequados e com linguagem pertinente, os argumentos de sua defesa.
Mas Dilma só faz o que sabe. Formada na escola do “centralismo democrático”, com aperfeiçoamento no populismo lulopetista, ela acredita que o governante pode tudo, inclusive colocar-se acima da lei.
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DESEMBARQUE DO PSDB

Derrotado nas prévias do PSDB paulista, o vereador Andrea Matarazzo deixou o partido após 20 anos na legenda. Matarazzo se filiou ao PSD, partido de Kassab.
Matarazzo foi derrotado para João Doria Júnior nas prévias do partido para a escolha do candidato do partido para disputar as eleições municipais neste ano.
Matarazzo acusou João Dória de ter comprado a militância para votar a seu favor. Dória era o candidato do governador Geraldo Alckmin.  Matarazzo da ala tucana de Serra e Fernando Henrique Cardoso.
As prévias tucanas causou reboliço no ninho tucano: Edson Aparecido, secretário da Casa Civil do governo Alckmin, deixou a pasta após a eleição. Aparecido votou em Matarazzo.
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