domingo, 6 de agosto de 2017

RETRATO SEM RETOQUE

Zuenir Ventura, O Globo
Assim como ocorreu na votação do impeachment de Dilma, tivemos na sessão que rejeitou a denúncia contra Temer uma amostra do eleitor brasileiro dada pela maioria de seus representantes na Câmara — desta vez revelando mais pelo que omitiu, escamoteou e calou do que pelo que foi manifestado. Em nenhuma das justificativas do “sim”, por exemplo, ouviu-se a confissão de que a decisão fora tomada por interesses fisiológicos como recompensa por um cargo, uma emenda, um favor qualquer oferecidos pelo presidente. Todos tinham como motivação uma causa nobre: o desenvolvimento econômico, a estabilidade política, enfim, o bem do país, não o próprio, claro. Já imaginaram aqueles dez ministros que deixaram provisoriamente os cargos para votar a favor, admitindo que estavam ali, desempenhando o vergonhoso papel, apenas porque o chefe mandou?
A distância entre a opinião dos eleitores manifestada nas pesquisas e a dos eleitos é tão grande que uma dúvida nos assalta (no Brasil de hoje até as dúvidas assaltam): será que nas entrevistas dos institutos o eleitor finge ser, pensar e querer, e não mostra o que de fato é? Trata-se de uma aparente contradição que os entendidos devem saber explicar: da boca pra fora, ele condena Temer; na Câmara, absolve. E se aquela gente feia moral e até fisicamente (com licença da observação politicamente incorreta) for de fato o retrato sem retoques do nosso eleitor?
Vamos combinar que há uma inversão de sinais no nosso atual código de ética, com o desvio sendo a norma, e vice-versa. A melhor ilustração é a daquele que o presidente classificou de “bandido”, o delator Joesley Batista, se indignando com o que viu. Ele declarou — parece que sem corar — que “o dia 2 ficará marcado como o dia da vergonha”. E aquela noite no porão do Jaburu ficará marcada como?
A ironia não é minha, é da História: cada vez mais estamos dependendo dos vilões menores para descobrir os maiores. Pense no que foi possível graças a eles nesse processo de depuração moral da política. Se bobear, vão acabar heróis. O próximo candidato a tentar limpar sua ficha pode ser o prisioneiro Eduardo Cunha, aquele que o grande Jorge Bastos Moreno apelidou de “coisa ruim”. É só ele resolver abrir a boca.
Essa comédia de erros não terminou. O vitorioso de hoje pode ser o vilão no final. O tempo di-lo-á.
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Nesta temporada de incongruências, um destaque para a senadora Gleisi Hoffmann, que manifestou em seu nome e no do PT “apoio e solidariedade ao presidente Maduro frente à violenta ofensiva da direita”, ou seja, da ONU, União Europeia, EUA, entre outros que comandam a “ofensiva”. Lá, se fosse presidente de um partido de oposição, ela estaria na cadeia junto com os dois líderes perseguidos implacavelmente apenas por serem opositores.
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REFORMAR PARA PIOR

Mary Zaidan, Blog do Noblat
Depois de a Câmara dos Deputados rejeitar a continuidade das investigações da denúncia de corrupção contra o presidente Michel Temer, as reformas voltaram à baila. Mas com sinal invertido. As da Previdência e tributária, essenciais à saúde econômica do país, têm menos chance de sair do papel do que o arremedo de reforma política que o Congresso pretende aprovar até 2 de outubro, data limite para alterar regras quanto ao pleito de 2018.
Até aí, nada de novo. O script sempre se repete no ano que antecede eleições, com o digníssimo propósito de garantir benefícios aos que já têm mandato. O eleitor? Ele que se dane. Melhor ainda se ele não questionar as mudanças e seus propósitos.
Claro que há boas ideias. Mas, por contrariar interesses dos eleitos, elas acabam engavetadas.
Em novembro do ano passado, o Senado aprovou a cláusula de barreira, mecanismo que impede a proliferação endêmica de partidos políticos, e o fim das coligações em eleições proporcionais. As matérias não foram votadas pela Câmara, que, pelas mãos do deputado Vicente Cândido (PT-SP), se debruça em outro projeto de reforma, sob o argumento de ser mais ampla.
E ela até poderia ser caso o interesse não fosse o de garantir a própria pele. A tentativa de emplacar a “emenda Lula”, que proíbe prender políticos até oito meses antes da eleição, é prova cabal disso.
O relatório, que deve ser votado na comissão especial ainda este mês, prevê instrumentos inéditos no Brasil, alguns bastante avançados como a possibilidade de recall para revogação de mandatos de presidente, governador, prefeito e senador. Traz ainda a combinação de voto proporcional com distrital, neste caso com candidatos definidos previamente pelo partido e apresentados em lista fechada, escondendo-os do eleitor. Em sintonia com o século 21, autoriza a propaganda paga na internet, e retrocede décadas ao aumentar as regalias de gênero, estabelecendo mais vantagens para candidatas.
Mas o ponto central, o único que interessa aos políticos, é o financiamento público das eleições, pago pelo contribuinte sem perguntar ao eleitor se ele topa ou não custear candidaturas.
Se aprovada -- talvez até com esquisitices como o Distritão, que só existe na Jordânia, no Afeganistão e em duas ilhas do Pacífico, Vanuatu e Pitcairn, mas é defendido por Temer e por parcela significativa dos seus apoiadores --, a matéria terá de voltar ao Senado. Lá, pode ser corrigida ou ainda mais vitimada.
Entre os senadores, a tese do parlamentarismo ressurge – o que sempre acontece quando o país se vê diante de crises - e pode se tornar mais robusta se o tucano José Serra assumir a relatoria da Comissão que tratará do tema.
Ideia, no mínimo, extemporânea. Não devido ao fato de o sistema ter sido rejeitado em plebiscito por duas vezes, em 1963 e 1993. Mas pela necessidade de, antes de adotá-lo, estabelecer vínculos entre o Parlamento e o país, elo que se perdeu há tempos e que não será fácil reconstruir.
Ainda que o parlamentarismo seja um regime de governo com características democráticas indiscutíveis, sua adoção depende de premissas que o Brasil não exibe hoje. E está longe de alcançar. A primeira delas é ter um Legislativo em que o cidadão confie. Que verdadeiramente represente os interesses do eleitor e não o dos que lá se assentam.
Para tal, além de antídoto para sem-vergonhice, seria obrigatório rever os critérios de proporcionalidade, revogando de vez o Pacote de Abril do governo Geisel, e o sistema eleitoral, adotando voto distrital puro ou misto, mais compatível com o parlamentarismo. O modelo também não combina com o voto obrigatório. Portanto, seria imprescindível facultá-lo ao eleitor.
O país teria muito a ganhar em um debate sobre regime de governo e sistemas eleitorais, mas nunca se faz isso a sério. Entra ano, sai ano, de eleição em eleição, todos são unânimes em dizer da essencialidade da reforma política, de se aproximar o eleitor do eleito. E o que se tem é a aprovação de remendos que só aumentam esse fosso.
Estejam certos, desta vez não será diferente.
Batizado com o nome pomposo de Fundo Especial de Financiamento da Democracia, que, coitada, é aviltada cotidianamente, vem aí mais subvenção pública para custear campanhas eleitorais que o país não quer ver, com dinheiro que o país não tem.
Mary Zaidan, é jornalista
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APAGANDO VELINHAS

Hoje é dia de parabenizar nossa querida amiga, a guerreira dona Socorro Prado, ou para os íntimos, Tia Bô. Socorro Prado é exemplo de luta, força, coragem, amizade e companheirismo.
Ex-primeira-dama (duas vezes) de Sobral (CE), desenvolveu excelente trabalho como secretária de Ação Social. Dona Socorro Prado, parabéns, saúde e felicidade!  Abraço.
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sábado, 5 de agosto de 2017

META FISCAL AUMENTA PRESSÃO POR REFORMAS

Editorial O Globo
A agenda política monopolizou as atenções nas últimas semanas, por inevitável, mas, como nada fica estagnado, as preocupações com o quadro fiscal aumentaram. E sem desatar este nó, a confiança não volta e a economia não acelera.
Sem o PIB crescer, a receita tributária também não evolui e dificulta bastante o atingimento das metas fiscais, que ainda são de grandes déficits: R$ 139 bilhões este ano, R$ 129 bilhões no próximo, alguma coisa na faixa dos 2% do PIB, sem considerar as despesas financeiras (a conta dos juros dívida pública).
Com a Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) de 2018 ainda a ser votada, o governo precisa decidir se revisará a meta deste e do próximo ano. O ideal é que não altere as metas, para não perder credibilidade perante os agentes econômicos, fator-chave para estimular a volta de investimentos e também do consumo.
Mas, para isso, é preciso agir contra vários interesses corporativistas. Um deles, dos servidores públicos da União, beneficiados por aumentos de salários na fase final do governo Dilma, e, por erro, mantidos, de forma escalonada, pelo presidente Temer.
A lógica e o bom senso aconselham retirá-los da proposta orçamentária de 2018, o que significará uma economia de R$ 8 bilhões. Ainda no campo das medidas tópicas, há o projeto de mais uma rodada de renegociação de dívidas tributárias (Refis), desfigurado na Câmara, que precisa ter os termos originais restabelecidos.
Antes de ser desfigurado, sob a relatoria do deputado Newton Cardoso Júnior (PMDB-MG), o projeto permitiria uma arrecadação de R$ 13 bilhões; depois, a cifra caiu para menos de R$ 500 milhões, devido a generosas benesses concedidas por emendas a devedores do Tesouro, inclusive ao próprio deputado mineiro.
É necessário, também, aprovar o Plano de Demissão Voluntária (PDV) para o funcionalismo, incluindo a possibilidade de redução de jornada com o correspondente corte de salário. Tudo o que se fizer para conter a folha de salários é bem-vindo, porque se trata do segundo item mais pesado do Orçamento. Deve chegar este ano a R$ 284 bilhões, incluindo Legislativo e Judiciário.
O primeiro item, a Previdência, é o maior e crescente fator de desequilíbrio das contas. O déficit, devido a razões estruturais, aumenta em alta velocidade: no ano que vem, ele crescerá em R$ 50 bilhões. A cifra, por si só, absorverá toda a margem de aumento de despesas a ser estabelecida pela regra do teto constitucional para os gastos públicos. Apenas este ano, o déficit total será de R$ 188 bilhões.
O sistema previdenciário clama por uma reforma como a proposta pelo governo, com a fixação de uma idade mínima (65 anos) para a aposentadoria. É suicídio continuar-se a permitir que a idade média de quem se aposenta seja de 58 anos, com uma sobrevida para além dos 80.
A situação é de emergência fiscal, por isso requer ações urgentes. Mas não se pode esquecer, também, de uma reforma ampla do Estado, para reduzir seu tamanho e, portanto, o pesado custo que representa para o Erário.
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PARA AVANÇAR NAS REFORMAS

Artigo de Roberto Freire
Em mais um capítulo da tumultuada quadra política que o país enfrenta, os brasileiros acompanharam a votação na Câmara dos Deputados que sacramentou o arquivamento do pedido de licença para que o Supremo Tribunal Federal (STF) analisasse se havia ou não elementos suficientes que ensejassem a abertura do processo com base na denúncia apresentada pela Procuradoria-Geral da República (PGR) contra o presidente Michel Temer. Ao contrário do que apregoavam alguns analistas mais precipitados, o governo de transição demonstrou que ainda tem uma sólida base parlamentar de apoio no Congresso Nacional e, por isso, obteve uma vitória por ampla margem.
A bancada do PPS decidiu votar pela autorização da licença, seguindo um princípio histórico adotado pelo partido no sentido de que todas as denúncias de eventuais irregularidades devem ser rigorosamente apuradas, com total transparência. Mesmo assim, devemos reconhecer que, juridicamente, a peça apresentada pela PGR tinha fragilidades e uma série de inconsistências que certamente influíram no resultado final da votação. Além disso, parece consensual que houve certo açodamento do Ministério Púbico Federal ao apresentá-la sem ter reunido um cabedal probatório mais substancioso.
Com o resultado, a Câmara indica que o atual mandato será cumprido com Temer na Presidência da República. Se, em algum momento, havia a possibilidade de um outro presidente liderar a transição, hoje essa alternativa está, evidentemente, excluída.  Diante de uma vitória tão acachapante, cabe ao governo a grandeza – e ela já transparece nas palavras do próprio presidente Temer – de buscar a reaglutinação da base de apoio na luta pelo impeachment em sua integralidade, sem excluir os deputados que, divergindo da posição do governo, votaram pelo pedido de licença já arquivado pela Câmara. A partir daí, na continuidade da transição, devem ser esses parlamentares os responsáveis pela retomada da votação das reformas.
O apoio à transição e às reformas tem de ser a palavra de ordem para chegarmos a 2018 em melhores condições e tendo superado os problemas decorrentes do perverso legado do lulopetismo. A principal tarefa do governo será rearticular todas essas forças políticas em prol de uma agenda reformista, positiva e necessária ao Brasil. No caso do PPS, é importante ressaltar que o partido segue com uma posição de independência, mas plenamente integrado na transição e na luta pela votação das reformas e pela recuperação econômica do país.
Apesar de algumas pesquisas de opinião apontarem uma grande rejeição ao presidente, a sociedade desta vez não se manifestou de forma significativa nem foi às ruas – ao contrário do que se viu no impeachment de Dilma Rousseff, que registrou as maiores mobilizações da história democrática do país. Trata-se, evidentemente, de uma clara demonstração de que a parcela amplamente majoritária dos brasileiros repudia a atual oposição, capitaneada pelo PT e também formada por alguns de seus satélites, como o PCdoB e o PSOL. O povo, definitivamente, não encampou a bandeira do “Fora, Temer” empunhada por aqueles que, abusando da desfaçatez, se dizem contra a corrupção, mas apoiaram Lula e Dilma; ou falam supostamente em favor da democracia e defendem a ditadura venezuelana chefiada por Nicolás Maduro.
A população brasileira demonstrou, afinal, que não se esquece do descalabro dos últimos 13 anos: corrupção desenfreada e escândalos em série como o mensalão e o petrolão, a destruição quase completa da Petrobras, a maior recessão econômica da história do Brasil, com mais de 14 milhões de desempregados, entre outras mazelas. Diferentemente do que pregam os áulicos do lulopetismo, que constroem uma narrativa falaciosa, enviesada e desconectada da realidade, os brasileiros não desejam a volta de Lula e do PT ao poder. As eleições municipais de 2016 já haviam sinalizado de forma categórica que o país quer olhar para frente, seguir adiante com um novo governo e avançar em uma agenda virtuosa que nos traga desenvolvimento e crescimento econômico.
O cumprimento dessa pauta benfazeja é o norte a orientar os parlamentares e partidos que têm a exata dimensão da importância de não desperdiçarmos a chance de tirar o país da crise. Já o reconduzimos de volta aos trilhos depois do desmantelo lulopetista. Agora é preciso acelerar e consolidar a retomada da economia.
Roberto Freire é deputado federal por SP e presidente nacional do PPS
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MACACOS E GIRINOS

Ana Maria Machado, O Globo
Uma tristeza, esse momento do país. Denúncia contra Temer arquivada, nova denúncia esperada. A profunda crise econômica mostra que seguimos pagando o preço da irresponsabilidade e incompetência da “nova matriz econômica” de Dilma e Mantega, de terrível memória. O PMDB continua o de sempre. O PSDB se esgarça, entre a gravação de Aécio e o pragmatismo que sufoca a ética. A atual oposição — PT e outros — repete o macaco da história: pendurado pela cauda corrupta, ri do rabo alheio. Até despencar do galho. Como se não fosse vergonha ter indignação seletiva diante da corrupção.
As coisas têm de mudar.
Não se trata apenas de dar um basta nesse descalabro e começar de novo, sem ao menos ter clareza de por onde iniciar. É fundamental saber o que pretendemos recusar. E para onde queremos ir.
Também precisamos ter noção das prioridades, do que deve vir primeiro na agenda, dos prazos que correm. Por um lado, há muita coisa a fazer em pouco tempo, exigindo foco nítido. De outra parte, não adianta querer tudo de uma vez, nos arriscando a não conseguir nada.
Substituir uma palavra de ordem por outra é só uma forma de autoengano, de dar a impressão de que se está fazendo alguma coisa, protestando. Mas pode não passar de ilusão a girar no seco, sem sair do lugar. Os meses se escoam. Não adianta só trocar o “não vai ter golpe” pelo “fora Temer”, e assim por diante. Já devíamos ter aprendido. O mecanismo de que falava José Padilha é poderoso. Tudo é feito para não dar certo, o país continuar desigual, e se manter quem já está no poder.
Algo tem de mudar, além dos slogans. Com alvos nítidos. Por exemplo, algumas regras. E logo. As eleitorais têm de ser definidas até o mês que vem, para cumprir o prazo constitucional de um ano antes das eleições. Os políticos preferem nem falar nisso, deixando tudo como está. Ou piorar ainda mais, para garantir sua reeleição — e o foro privilegiado que pode protegê-los da cadeia, ao ganhar tempo em sucessivos adiamentos e recursos, até o possível crime prescrever. Preferem mudar de assunto e trazer novos temas para desviar o debate público. Nem que seja o número de tornozeleiras de Goiás.
A operação abafa contra punir os corruptos é ostensiva, frisa o ministro Barroso. Inventam todo tipo de obstáculo às investigações. Fingem garantir os direitos de defesa — que precisam mesmo ser mantidos, desde que não sirvam apenas para alimentar manobras de adiamento. Ou disfarçam a inercia sob a capa de preocupação com abuso de autoridade, a ponto de congelar a ação investigativa antes até de começar. E propõem mudanças estratégicas no Código de Processo Penal.
De qualquer modo, temos pouco tempo. Doações de empresas já não são mais permitidas. Em seu lugar virá o quê? Como termos campanhas mais baratas? Debates mais diretos? Fim do marketing? Ou virá esse famigerado fundo de dinheiro público a rodo, que estão querendo implantar? A encobrir um jeito legal de transferir grana para os partidos, junto com o direito de eles escolherem para qual cacique vai nosso precioso voto. Vamos deixar?
E os partidos que se alastram feito mofo? Como vão ser controlados? Haverá cláusula de desempenho? De que tipo? Poderão fazer coligações? Dentro de que limites? Será possível lançar candidaturas independentes, de gente que não esteja filiada a qualquer partido? Em vez de se adotar o voto distrital ou misto, vai se consolidar o Distritão, para que tudo fique como está? Quem esclarece a diferença entre um e outro?
A Lei da Ficha Limpa ainda vale? Ou vai se fingir que ela não existe? Ao menos desistiram da emenda Lula, do deputado petista Vicente Cândido, que ia blindar candidatos réus nos oito meses antes da eleição. Valeu a pena reagir... Mas muitos dos ingênuos que pensam protestar se calaram.
Para atuar politicamente com eficiência, é melhor sair da inércia gritadeira de slogans. Começar a pressionar os políticos que achamos honestos (em qualquer partido, se é que existem) para que mudem o mecanismo que perpetua a corrupção. Não mais insistir nessas cruzadas de moralismo superficial a exagerar eventuais escorregadelas da Lava-Jato ou deslizes da mídia ( e eles existem). Há que ter um pouquinho de jogo de cintura que nos leve adiante. Temos de descobrir possibilidades de fazer alianças e aumentar a resistência.
As pesquisas de opinião mostram um descrédito geral. Segundo as mais recentes, 94% da população reprovam Temer, 90% não querem saber de Aecio, 80% rejeitam Lula, 67% execram Alckmin.
Podemos aprender com a experiência alheia. Nos EUA, as exigências de pureza ideal fizeram com que eleitores democratas, que só admitiam Bernie Sanders e se negavam a aceitar Hillary, ajudassem a eleger Trump.
Não adianta esperar o candidato dos sonhos. Salvador da pátria não existe. Cabe a nós a função de tocar para a frente. Quem não quiser ficar reduzido a ter de se jogar em um colo populista vai precisar engolir uns sapinhos. Melhor examinar girinos com antecedência e considerar alternativas, do que vomitar e chorar diante da urna.
Ana Maria Machado é escritora
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PORTO MARAVILHA

Tarcísio Motta, O Globo
Porto Maravilha, a caixa-preta bilionária
Era uma vez um prefeito que fez parceria com empreiteiras para que administrassem um pedaço da cidade. Essas empresas, por sua vez, contrataram uma companhia de coleta de lixo para prestar serviço nesse território. Só que essa companhia era da própria prefeitura. Assim, a tarefa continuou sendo da alçada do prefeito, só que mais cara.
Não se trata de um plano mirabolante de Odorico Paraguaçu, o personagem de Dias Gomes que tinha como bandeira a construção de um cemitério na cidade. Foi a estratégia executada pelo antigo prefeito do Rio para a implantação do Porto Maravilha.
Neste drama real, as empreiteiras são Odebrecht, OAS e Carioca Engenharia, que formam a concessionária Porto Novo; e a empresa pública é a Comlurb. Mas o mau negócio não parou por aí.
A verba usada pela Porto Novo para administrar o território saía de um fundo da Caixa, que, sofrendo as consequências do péssimo investimento, parou de fazer repasse para a concessionária recentemente.
Resultado: a prefeitura está realizando todos os serviços que a Porto Novo deveria fazer. Dessa forma, a operação que fora anunciada como a grande solução para a administração pública desce pelo ralo.
Desde que foi implementada, a operação coleciona denúncias de mau uso do dinheiro público, falta de transparência, remoções forçadas, descumprimento da legislação ambiental e esquemas de propina — entre eles, estão os que levaram ao afastamento do ex-presidente da Câmara, Eduardo Cunha. As três construtoras, inclusive, são alvos de investigações da Lava-Jato.
O mito que se vendia era de que a parceria público-privada (PPP) melhoraria o território sem trazer dispêndio para o município. Na teoria, isso parece ótimo, mas não é o que se comprova no Porto Maravilha, uma área de cinco milhões de metros quadrados que se tornou a maior caixa-preta do país.
Terrenos da União foram subvalorizados; certificados que autorizam a construção de andares acima do limite definido pelo zoneamento da cidade foram comprados pela Caixa com o dinheiro do FGTS; a habitação social, obrigatória segundo lei federal, não aconteceu; o estudo de impacto ambiental foi ignorado e o de impacto da vizinhança, repleto de omissões, chegou a ser questionado pelo Ministério Público.
A iniciativa envolveu mais de R$ 8 bilhões, valor maior que a previsão inicial das obras do Maracanã e da Linha 4 do metrô juntas.
Por se tratar de uma PPP, a Câmara Municipal — assim como o Tribunal de Contas — tem dificuldade de acesso a detalhes dos processos de administração daquele território.
A CPI do Porto Maravilha, pedida na Câmara dos Vereadores, pretende passar o pente fino em todas essas transações, aprofundando as investigações do MP e da Polícia Civil, mas o bloco do governo Crivella continua se negando a assinar esse pedido.
Mesmo perdendo dinheiro com esse grande esquema, como agora, o prefeito não se manifesta sobre o assunto. Ele não promete cemitérios, como faz o político da história de Dias Gomes, mas se faz de morto. Por que será?
Tarcísio Motta é vereador no Rio pelo PSOL
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PT, POLÍTICA E CRIME

Ruy Fabiano, Blog do Noblat
O reiterado apoio do PT e de seus satélites (Psol, PCdoB, PDT etc.) à sangrenta ditadura venezuelana – que matou, nas ruas, mais de cem manifestantes em dois meses -, indica a natureza do projeto político interrompido pelo impeachment de Dilma Roussef.
Interrompido, mas não extinto. Mais que nunca, o partido o defende, num de seus raros gestos de coerência e sinceridade. Coerência, sim: sem o apoio dos governos de Lula e Dilma, o regime hoje comandado por Nicolas Maduro não existiria.
Lula, quando da celebração dos 15 anos do Foro de São Paulo, em 2005, jactou-se de ter “inventado o Chavez”. E inventou mesmo.
Esta semana, o condenado (embora solto) José Dirceu fez coro à presidente do partido, Gleisi Hoffmann, defendendo o regime de Maduro num artigo para o jornal espanhol El País.
A ladainha é a mesma: Maduro é democrata, difamado pela imprensa burguesa e pelos lacaios do imperialismo. Os cidadãos assassinados e os presos políticos, claro, são um detalhe.
O que se deduz é que, na remota eventualidade de retorno do partido ao poder – que José Dirceu, sonhando com Lula, garante que ocorrerá -, já se sabe qual o modelo político a ser imposto ao país.
As milícias que assassinam nas ruas de Caracas existem também aqui. E Lula chamou-as de “exército do Stédile”, ameaçando, em mais de uma ocasião, jogá-las contra seus adversários. O “exército” apresenta-se sob diversas siglas: MST, CUT, MTST etc.
Lula não hesitou em ameaçar o próprio Sérgio Moro: disse, em seu depoimento, em maio passado, que, voltando ao poder, mandará prender os que hoje pedem a sua prisão. Ao ser instado a se esclarecer, disse que falava em sentido figurado. Claro, claro.
Em relação ao chavismo, o PT admite, nas atas de seu 5º Congresso, em 2015, que cometeu uma falha. Enquanto Chávez, coronel do exército venezuelano, engendrou seu golpe com o apoio das Forças Armadas, o petismo quis impor sua revolução à revelia delas – e contra elas. Em vez de conquistá-las, quis enfraquecê-las.
O sentimento revanchista, sobrepôs-se ao pragmatismo. A Comissão da Verdade, que intentava punir os raros sobreviventes do regime militar, findo há mais de três décadas, blindou as Forças Armadas ao discurso esquerdista.
O partido lamentou também não ter intervindo no currículo das escolas militares, manejado as promoções dos oficiais de alta patente e aparelhado o suficiente a Polícia Federal. E são essas as instâncias, na máquina do Estado, hoje hostis ao projeto petista.
Mesmo assim, ainda tem (literalmente) alguma bala na agulha. O partido investiu na formação de uma Força Nacional, subordinada ao governo – e não às Forças Armadas -, e pretendia extinguir as PMs, o que enfraqueceria o poder dos governadores.
Depois de desarmar a população, queria desarmar os estados e desaparelhar os militares. Não deu tempo.
Mas as conexões com o crime organizado avançaram. A inteligência do Exército constatou que, apenas no Rio, há nada menos que 15 mil fuzis, além de metralhadoras, granadas e até obus nas mãos das quadrilhas do narcotráfico. Sem destroçar esse arsenal, o patrulhamento ostensivo terá curta validade.
E é esse o cerne da presente intervenção no Rio, que poderá, diante de eventuais (e prováveis) vinculações para além daquela área, estender-se a outros estados. O Estado Maior que opera na cidade não desconhece a presença de aliados revolucionários de países vizinhos, espalhados em outras cidades, a postos para entrar em ação. Nada é dito, mas tudo é monitorado.
Enquanto a política continua a exibir seu estado de degradação – e a rejeição à denúncia contra Temer, na quarta-feira, na Câmara dos Deputados, dispensa comentários -, novas prisões pela Lava Jato prosseguem em território fluminense.
Mas há mais: há um outro jogo com cheiro de pólvora sendo jogado no país. Em dez anos de guerra no Vietnã, os EUA perderam 60 mil soldados. É o número de brasileiros mortos por ano na guerra civil da criminalidade. Um Vietnã por ano – e isso há mais de dez anos. Eis o desafio que corre paralelo à luta contra a corrupção da política – e que guarda conexões cada vez mais visíveis com ela.
O PT deixou o governo, mas seu legado está vivíssimo.
Arte: Marcelo / O Globo
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A CRISE NÃO ACABOU

Da ÉPOCA
Na tarde da quarta-feira (2), o presidente Michel Temer estava sentado no sofá da ampla sala de estar de seu gabinete no Palácio do Planalto. Acompanhava o que acontecia dentro da Câmara pela televisão de 72 polegadas e ao telefone, pelos relatos dos ministros que enviou ao plenário para convencer deputados – a todo custo – a livrá-lo de ser julgado pelo Supremo Tribunal Federal por corrupção passiva. Ficou satisfeito ao acompanhar o desempenho da primeira bancada, de Roraima. O elixir da velha política, composto de liberação de emendas e cargos, surtia efeito. Em junho e julho, Temer havia liberado para cada um dos roraimenses até R$ 10 milhões em emendas. Dos oito integrantes da bancada, obteve apenas um voto contrário. Mas veio a bancada do Rio Grande do Sul para azedar o humor, com xingamentos de “Temer corrupto”, e, o pior, as traições.
O deputado Luis Carlos Heinze, do aliado PP, assumiu o microfone e, para surpresa do presidente, votou por seu julgamento. “Ele esteve aqui comigo! Não vou ficar mais vendo isso”, disse Temer, entre chocado e irritado. Levantou-se do sofá resmungando que não queria mais acompanhar o voto a voto. Deixou na sala alguns correligionários que lhe faziam companhia, como o ministro Sergio Etchegoyen, do Gabinete de Segurança Institucional, e Torquato Jardim, da Justiça. Foi para uma sala privada, contígua à sua, menor – e sem TV. Heinze havia estado cara a cara com o presidente, a última visita delas em julho, às vésperas da votação, e jurou-lhe fidelidade. Integrante da bancada ruralista, beneficiada dias antes com uma renegociação de dívida de produtores, o deputado havia tratado com o governo a transferência de R$ 7,8 milhões para suas emendas somente nos últimos dois meses. “Ali é o seguinte. Este voto foi um caso específico. Mas eu voto com o governo. Eu estive com ele, fui ao Banco Central, Planejamento, Conab, mas tudo em nome dos produtores de arroz. Não é nada para mim”, disse, às gargalhadas, ao saber da reação do presidente.
Temer só saiu do isolamento por volta das 20 horas, quando foi avisado que já havia conseguido os 172 votos redentores. Foi um alívio. Ele permanecerá no cargo por pelo menos mais um mês. A próxima batalha deverá acontecer em setembro, quando o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, enviará nova denúncia à Câmara, desta vez por obstrução da Justiça. Mesmo com um placar mais modesto do que governistas anunciavam – 263 votos favoráveis e 227 contrários –, a vitória custará caro aos brasileiros. Só no mês de julho, foram empenhados mais de R$ 2 bilhões para deputados gastarem em suas bases eleitorais. Nunca foi tão fácil: todo parlamentar que pediu levou. Os acertos seguiram ainda com a votação em curso, a fim de convencer quem ainda se mostrava indeciso. Naquela tarde da quarta-feira, dia 2, o ministro da Saúde, Ricardo Barros, que não foi exonerado do cargo para votar pelo presidente e, portanto, estava investido do poder de chefe da Pasta, transferiu seu gabinete da Esplanada para dentro da liderança do PP na Câmara. “Em vez de receber [parlamentares] lá, eu recebo aqui, ué”, disse a ÉPOCA. E armou ali seu balcão de atendimentos. O deputado Paulo Henrique Lustosa (PP-CE) chegou ao “puxadinho” de Barros no PP e comentou com funcionários: “As coisas estão caminhando. Tem de insistir sempre, não é?”. Em resposta, ouviu de um servidor: “O líder [Arthur Lira] já falou com ele [Barros]. Está tentando liberar tudo”. O ministro da Secretaria de Governo, Antonio Imbassahy (PSDB-BA), também foi enviado ao Parlamento para desempenhar o mesmo papel. Circulou dentro do plenário com uma planilha nas mãos conferindo pleitos dos deputados e computando votos. Negociou ali mesmo, a céu aberto.
Leia a reportagem completa em ÉPOCA desta semana que já está nas bancas e nas plataformas digitais. 
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AS MALAS DE DINHEIRO DA JBS

Da ÉPOCA
“Quem é que fica andando com 500 mil de um lado para o outro?!”, perguntou, entre nervoso e espantado, o empresário Frederico Pacheco ao lobista Ricardo Saud, da JBS, na tarde do dia 12 de abril deste ano. Fred, como é conhecido o primo do senador Aécio Neves, estava no escritório de Saud, em São Paulo, para apanhar a segunda parcela de R$ 500 mil dos R$ 2 milhões acertados entre o presidente do PSDB e Joesley Batista dias antes. Fred fora designado para a tarefa por Aécio, como registrado em áudio pelo próprio senador: “Um cara que a gente mata antes de fazer delação”. A Polícia Federal monitorava o encontro – uma ação controlada, autorizada pelo ministro Edson Fachin, relator do caso no Supremo Tribunal Federal. Fred estava desconfortável. Não aceitou água nem café. Diante dele, numa mesa da sala de Saud, havia uma mala preta abarrotada de pacotes com notas de R$ 50, amarrados com liguinhas de plástico. Fred parecia verbalizar, um atrás do outro, todos os pensamentos que lhe assaltavam: “Onde eu tô me metendo, cara?”. A mala fora providenciada por Florisvaldo de Oliveira. Ele sempre auxiliava Saud nas entregas de dinheiro e mantinha um pequeno estoque delas à disposição. Para entregas a partir de R$ 500 mil, a mala preta era a mais adequada. Acomodava bem meio milhão de reais, até quase R$ 1 milhão em notas de R$ 50, se observado o método correto de organização de maços. Florisvaldo ajudara a recolher o cash para a propina de Aécio na central da JBS que reunia dinheiro vivo de clientes da empresa, como supermercados e distribuidores de carnes – clientes que giravam bastante dinheiro vivo. Essa central era chamada internamente de “Entrepostos”. Abastecia boa parte dos políticos que, como Aécio, pediam a sua parte em dinheiro vivo.
ÉPOCA reconstituiu a cena por meio de gravações autorizadas pela Justiça (ouça um dos áudios) de entrevistas reservadas com participantes da ação controlada. Reconstituiu, também, as outras quatro entregas de dinheiro vivo acompanhadas pela PF entre abril e maio deste ano, na Operação Patmos, resultado das delações dos executivos da JBS. Os cinco pagamentos somaram R$ 2,4 milhões. Foram três entregas de R$ 500 mil destinadas a Aécio, uma de R$ 400 mil destinada ao doleiro Lúcio Funaro e, por fim, uma de R$ 500 mil. Aquela mala preta com rodinhas, que cruzou velozmente as calçadas de São Paulo graças às mãos marotas de Rodrigo Rocha Loures, o “longa manus” de Michel Temer, nas palavras da denúncia da Procuradoria-Geral da República. A reportagem teve acesso, com exclusividade, a dezenas de imagens das malas, pastas e bolsas de dinheiro da JBS sendo estufadas com notas de R$ 50 e de R$ 100. Algumas poucas já eram públicas e outras estavam reproduzidas, em preto e branco, quase que como borrões, em processos no Supremo. O restante do conjunto, no entanto, permanecia inédito. ÉPOCA publica agora as imagens mais pertinentes. A força da íntegra desse material reside na exposição visceral e abundante do objeto que mobiliza o desejo e os atos dos corruptos, políticos ou não, no Brasil ou fora dele: notas, muitas notas, de dinheiro. Amarelas ou azuis. Em malas ou pastas. Recolhidas por familiares ou assessores. Dois meses após a delação da JBS, após semanas e semanas de discussões jurídicas e políticas sobre a crise que se instalou no Brasil, esse elemento tão primário, tão fundamental, ficou convenientemente esquecido.
De acordo com a reconstituição de ÉPOCA, Fred buscou todas as parcelas de R$ 500 mil de Aécio. Começou no dia 5 de abril, voltou no dia 12, já sob monitoramento da PF, e manteve o cronograma nas semanas seguintes: encontrou Saud, no mesmo local, também nos dias 19 de abril e 3 de maio. Cumpria a tarefa enquanto o Brasil conhecia o teor das delações da Odebrecht; enquanto o país assistia aos depoimentos dos executivos da empreiteira, que tanto incriminavam Aécio. “Eu durmo tranquilo”, disse Fred no segundo encontro, logo após racionalizar os crimes que cometia como um ato isolado, que não o definia. “Se eu te contar uma coisa, você não vai acreditar: a única pessoa com quem eu tratei em espécie foi você. A única pessoa que pode falar de mim é você.” Saud deixou-o à vontade para desabafar. “Como é que eu não faço? Tenho um compromisso de lealdade com o Aécio”, disse, antes de começar a contar o dinheiro:
– Um, dois, três, quatro, cinco... Ih, fiz a conta errada. Peraí. O que tem em cada pacotinho desses?
– Eu te ajudo a fechar aqui [a mala].
– Cem, 200, 300...
Naquele mesmo dia, relatórios do Conselho de Controle das Atividades Financeiras, o Coaf, registram operações com suspeita de lavagem envolvendo empresas e um assessor do senador Zeze Perrella, aliado de Aécio. Mendherson Souza trabalhava no gabinete do senador e tinha procuração para movimentar contas dele. Já aparecera em outras operações bancárias em cash, com suspeitas de lavagem. Acompanhava o primo de Aécio, como seu ajudante. No mesmo dia, também, Fred telefonou para um conhecido doleiro de São Paulo, de modo a buscar formas de esquentar o dinheiro.
Enquanto conferia os valores e colocava parte dos bolos de dinheiro numa bolsa que levara a São Paulo, o primo de Aécio não parava de falar sobre os riscos aos quais estava submetido. “Amanhã eu vou estar com Aécio na fazenda, em Cláudio, e vou falar que já fiz duas e faltam duas. [Fala como se estivesse se dirigindo a Aécio] ‘Só para você entender: estamos nos cercando de cuidados, mas não é uma operação 100% sem riscos.” Ele bolava maneiras de se proteger. E se fosse parado numa blitz? O que diria? “Pensei em fazer um contrato de compra e venda de uma sala, só para andar com um documento na pasta. ‘Não, acabei de vender uma sala. O cara quis pagar em dinheiro’...” Saud só assentia. Prosseguiu Fred: “O país está num momento esquisito. Se eu tiver de voltar aqui, eu faço uma promissória para você, uma mise-en-scène. Mas Deus vai nos proteger”. Antes de sair com a mala, insistiu: “Não tem perigo de filmar aqui? Vocês fazem varredura?”. “Sim, duas vezes por semana. Tranquilo”, disse Saud. A PF registrara tudo.
No terceiro encontro, Fred já estava mais à vontade. Pudera. Apesar do discurso, fora ele, segundo as planilhas de propina da JBS, que buscara R$ 5,3 milhões em cash para Aécio, durante a campanha de 2014. Desta vez, as notas eram de R$ 100 – seis pacotões numa mochila cinza. Após repassar a dinheirama para o assessor de Zeze Perrella, ficou para almoçar com Saud. Traçou uma picanha importada, enquanto falava de política e negócios. Lá pelas tantas, Fred perguntou: “Tem alguma chance de Joesley fazer delação? Se fizer, acaba o Brasil. Tem de inventar outro”. Saud só riu.
No dia seguinte, Florisvaldo teve mais trabalho. Saud precisava entregar R$ 400 mil a Roberta Funaro, irmã do doleiro. Era o mensalinho para manter Funaro, parceiro de negociatas do grupo, em silêncio dentro da prisão. Florisvaldo arrumou uma pasta preta; como as notas eram de R$ 100, seria possível preencher os R$ 400 mil nela. Saud entregou o dinheiro à irmã de Funaro num Corolla. Pediu à filha pequena de Roberta, que acompanhava a empreitada, para esperar num táxi que aguardava as duas: “Deixa o tio conversar com a mãe um pouquinho”. O lobista se sentiu mal com a situação, mas não havia jeito. Era preciso liquidar o assunto. Ele abriu a pasta e pediu que ela contasse o dinheiro. Roberta dispensou. Disse que não era necessário. Agradeceu e embarcou no táxi – e, minutos depois, num Jaguar que a levou para casa.
Uma semana depois, Florisvaldo pôs-se a trabalhar novamente. Mais uma mala preta. Mais R$ 500 mil. Daquela vez, em notas de R$ 50. Era a primeira entrega da semanada acertada entre Saud e Rocha Loures, em troca de um benefício ilegal no Cade a uma empresa do J&F que detinha contrato com a Petrobras.
A farra das malas da JBS encerrou-se no dia 3 de maio. Foi a vez de Fred, o primo de Aécio, apresentar-se para sua derradeira missão. Florisvaldo cumpriu antes a sua: arranjou uma mala preta semelhante à usada nas entregas anteriores. Separou seis bolos de notas de R$ 100, perfazendo pela quarta vez R$ 500 mil. No total, R$ 2 milhões ao presidente do PSDB. Em troca da promessa de obstruir a Lava Jato e de obter favores ilegais na Vale, onde detém influência, ao grupo J&F. Usou-se o mesmo método das operações anteriores. O primo de Aécio já parecia se acostumar com o papel de mula.
Quando a operação foi deflagrada, as mulas que botavam a mão no dinheiro da JBS foram presas, a pedido da PGR e por autorização de Fachin. Rocha Loures, Fred, o assessor de Perrella, a irmã de Aécio (que também organizara os pagamentos) – todos presos. A irmã de Funaro foi levada a depor. As semanas se passaram, e as solturas, tão criticadas por aqueles que combatem e estudam crimes de colarinho branco, não tardaram. Fachin concedeu prisão domiciliar a Rocha Loures – e este conseguiu furar a fila por uma tornozeleira. A Primeira Turma do Supremo, sob relatoria do ministro Marco Aurélio Mello, concedeu domiciliar para os demais envolvidos. O primo de Aécio ganhou domiciliar. A irmã de Aécio ganhou domiciliar. O assessor que ajudou Aécio ganhou domiciliar.
Aécio foi afastado por Fachin do exercício do mandato de senador e denunciado pela PGR, mas o Supremo devolveu-o ao cargo – e ainda não analisou a denúncia. Marco Aurélio Mello disse que Aécio tem uma "carreira política elogiável". Até agora, o Supremo gastou mais tempo debatendo a validade das malas de dinheiro da JBS do que os casos daqueles que as receberam. Temer derrubou a primeira denúncia contra ele, por corrupção passiva, na Câmara.
Em nota enviada a ÉPOCA, a defesa do senador Aécio Neves disse que os recursos recebidos da JBS são provenientes de um contrato de empréstimo, e que Joesley Batista se usou desse empréstimo para “única e exclusivamente forjar uma situação criminosa que lhe desse o benefício da delação premiada”. A nota não esclarece se Aécio pagou o empréstimo. A defesa diz que o senador é vítima de uma farsa. “Não existem provas que fundamentem as acusações de propina e favorecimentos ilegais. Também inexistem quaisquer atos do senador que possam ser considerados de obstrução aos trabalhos da Lava Jato.”
A defesa do ex-deputado Rodrigo Rocha Loures disse que não vai se manifestar. A defesa de Roberta Funaro afirmou que em momento algum sua cliente teve ciência de que poderia estar envolvida em objeto ou ação ilícita. Os advogados de Lúcio Funaro disseram que têm atendido a todas as necessidades processuais.
Procurado, o Palácio do Planalto não se manifestou.
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sexta-feira, 4 de agosto de 2017

A FORÇA DO QUERER

Nelson Motta, O Globo
Depois de ser absolvido pelo TSE por excesso de provas, Temer conseguiu escapar da investigação da PGR pelo excesso de emendas parlamentares e cargos usados para convencer deputados a votar “pelo Brasil e pela governabilidade”.
Uma farsa vergonhosa com cartas marcadas que, por seu cinismo e previsibilidade, não mereceria uma cobertura de televisão ao vivo.
Até o “Jornal Nacional” e a novela “A força do querer” (que não é sobre Temer) não foram exibidos para que víssemos um espetáculo constrangedor, em que a oposição desempenhou o papel de legitimar a “vitória” governista dando quorum e votando “contra” para aparecer, para esbravejar em rede nacional, fingir que quer mesmo derrubar Temer, quando o quer fraco e sangrando até 2018.
O desinteresse e o desprezo da população pela “votação histórica” são mais que isto, são desesperança.
Com seu look antiquado de galã dos anos 50, Temer representa o arquétipo da velha política, uma raposa esperta que conseguiu ser presidente da Câmara três vezes e escolhido por Lula para ser vice de Dilma, para depois derrubá-la com a ajuda de uma maioria parlamentar.
É um exemplo de político brasileiro, um péssimo exemplo.
Um espécime em extinção que sintetiza as práticas que vêm deteriorando a política brasileira e revelando que todos os partidos, ou quase, desenvolveram um espírito de organização criminosa, para manter o poder e institucionalizar a corrupção, usando de todos os meios para inviabilizar as investigações e salvar a pele de um terço do Congresso.
OK, “Fora Temer” é uma unanimidade, mas e o pós-Temer?
Tirando os lulistas patológicos, e os fanáticos bolsonaristas, quem se anima para eleições diretas?
Diz a lenda que a História não anda para trás, mas não custa lembrar que Getulio Vargas, depois de ter sido por oito anos um ditador odiado, que censurou, prendeu e matou muita gente, cinco anos depois de deposto voltou nos braços do povo em eleições democráticas, saindo do lixo e entrando para a História.
O povo brasileiro é capaz de tudo. Até mesmo de esquecer as propinas e falcatruas de Lula e transformá-lo em um Getulio 2.0?
Nelson Motta é jornalista
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DITADURA DESCARADA

Se havia ainda algum resquício de dúvida de que o presidente Nicolás Maduro e seus asseclas do regime chavista estão mesmo dispostos a ir às últimas consequências para manter e reforçar cada vez mais a ditadura que estabeleceram na Venezuela, ele acaba de desaparecer. Não contente com a farsa do golpe da tal Assembleia Constituinte – programada para, com maioria assegurada de antemão ao chavismo, apagar os últimos traços de democracia no país, a começar pela Assembleia Nacional onde a oposição é majoritária –, 48 horas depois de sua “eleição” Maduro determinou a volta ao cárcere de dois dos principais líderes da oposição.
Leopoldo López, líder do Partido Voluntad Popular, que estava em prisão domiciliar desde 8 de julho, depois de ficar preso três anos e cinco meses, e Antonio Ledezma, prefeito de Caracas, detido em 2015 por três meses e desde então em prisão domiciliar, foram levados por policiais do Serviço Secreto (Sebin) ao presídio militar Ramo Verde, por ordem do Tribunal Supremo de Justiça (TSJ), controlado pelo governo, acusados de dar declarações de cunho político e de planejar fugir do país.
A prisão dos líderes oposicionistas provocou forte e imediata repercussão internacional. A começar pelo Brasil, que ocupa a presidência do Mercosul e instou o governo Maduro a “libertar imediatamente López e Ledezma”, lembrando que a medida foi tomada apenas “um dia depois de uma votação para eleger uma Assembleia Constituinte em franca violação da ordem constitucional venezuelana”. Dos Estados Unidos à União Europeia (UE), o sentimento é o mesmo. O secretário de Estado, Rex Tillerson, qualificou as prisões de “alarmantes” e advertiu que a crise na Venezuela está piorando e que os Estados Unidos estão “avaliando todas as opções”.
Na UE, sobe cada vez mais o tom das críticas dos países-membros – especialmente da Espanha – ao governo Maduro, acusado de dar “um passo na direção errada” com a prisão dos líderes oposicionistas. Sanções contra a Venezuela começam a ser estudadas, embora medidas mais duras contra o país ainda sofram resistência do governo grego.
A atitude de Maduro causou também surpresa porque, com a sua Assembleia Constituinte de cartas marcadas – e cuja eleição, ainda por cima, foi fraudada, como denunciou a própria empresa responsável pelas urnas eletrônicas, a inglesa Smartmatic –, ele tinha acabado de dar mais um duro golpe na oposição. Levar de volta à prisão militar, logo em seguida, dois de seus líderes que já se encontravam em prisão domiciliar pareceu a todos – dentro e fora do país – uma tentativa deliberada de acuar ainda mais a oposição, fechando todas as portas ao diálogo para exigir dela nada menos que uma rendição incondicional. Ou seja, a aceitação cabal da ditadura cuja fachada é a Assembleia Constituinte.
O passo seguinte pode ser a neutralização definitiva da Assembleia Nacional, na qual a oposição tem maioria. O artifício a ser usado para isso é simples. O regime chavista já deixou claro que a Constituinte vai se reunir no mesmo local que ela. É fácil imaginar que não demora muito a Assembleia Nacional terá de ceder suas dependências para os constituintes de Maduro, cujos “argumentos” para isso são bem conhecidos.
Além da força das milícias armadas e do controle de instituições como os tribunais, o regime chavista se apoia também no aparelho repressivo – o Serviço Secreto e as prisões onde a tortura contra os presos políticos se generaliza, de acordo com documentos obtidos pela Organização dos Estados Americanos (OEA). Eles mostram, de acordo com reportagem de Jamil Chade, que os presos políticos venezuelanos – cujo número chega a 440 – estão sendo submetidos a tratamentos bárbaros poucas vezes registrados nesse tipo de história macabra.
É esse o “socialismo” do século 21 que os bolivarianos que ainda restam na América Latina e o PT e o PCdoB teimam em aplaudir.
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RECORDANDO PADRE PALHANO

Hoje, 04 de agosto, dia que se comemora o Dia do Padre, o blog Sou Chocolate e Não Desisto relembra a trajetória política de Padre Palhano de Sabóia.
Após a renúncia a Prefeitura de Sobral, o Deputado Pe. Palhano tentou vôos mais altos, representando Sobral e o Ceará em Brasília.
Todavia, com a morte de seu maior opositor, Coronel Chico Monte em 16 de março de 1961, Padre José Palhano de Sabóia não detivera a oportunidade de disputar diretamente uma eleição contra o velho coronel. Apesar de, ter realizado uma administração singela frente ao Paço Municipal, o Padre piloto, disputa a eleição de 1962, como candidato forte da Região Norte do Estado.
No pleito citado, o Prefeito Padre, enfrentaria uma dupla missão; eleger-se ao Congresso Nacional, e “fazer” seu sucessor. Esse lançara Jerônimo de Medeiros Prado – UDN- e a oposição expunha ao crivo dos sobralenses, o mais novo desafeto de José Palhano, seu ex-amigo Cesário Barreto. Este vencera as eleições municipais com 8471 sufrágios, derrotando o candidato do Prefeito-candidato Padre Palhano de Sabóia. 
No entanto, apesar do dissabor de não eleger seu sucessor, Padre Palhano, estabelecia o fim da Era Montista, elegendo-se Deputado Federal com significativa votação. Foram 7842 sufrágios, mais até que a votação dos candidatos de oposição juntos. Francisco Adeodato com 3438 e Marcelo Sanford com 2562 votos.
Desta feita, com sua vitória a Deputado Federal, ele passou de líder local á liderança nacional, pondo fim a “liderança” do velho coronel, e doravante, principiando uma nova era política em Sobral.
A partir do fim da “Era montista”, Sobral vivenciava novos ares políticos e chegaria ao fim o período do coronelismo tradicional na cidade. O município deixava de viver sob a égide de um chefe político com todos os pressupostos de coronel tradicional – o título, as práticas políticas, o voto de cabresto, clientelismo, intimidação do eleitorado, truculência e comando político de apenas um sujeito-, essas são as principais características de um legítimo coronel tradicional.
Senão, o coronel Chico Monte detinha toda essa identidade coronelística supracitada e ainda, perdurava no poder com as práticas políticas discutidas, e, como fala Lustosa da Costa; esse fora o “o último dos coronéis”. Entretanto, o coronelismo não findou, apenas se adequou as novas perspectivas e contexto político e social cedendo margem ao “o Novo Coronel”, este não mais tendo as características e identidade de Chico Monte, mas, representa-se nos sujeitos da modernidade; o Coronel advogado, médico, empresário, engenheiro, padre, ou seja, de fato ainda há os coronéis na Nova Era.
Não obstante, a vitória de Padre Palhano de Sabóia em 1958 e 1962, derrotando a facção montista, constitui um marco na História política de Sobral visto que, desde então nenhum outro grupo partidário conseguiria permanecer no poder local por mais de dois mandatos. Fato esse ocorrendo apenas duas vezes em toda a segunda metade do século XX. Primeiro com um dos liderados de Padre Palhano, em 1972 José Parente Prado que vencera com 13529 votos, o candidato do grupo dos Barretos, Carlos Alberto Arruda que perdera com 11331 sufrágios. Esse também, apoiado pelo Padre político, elegera José Euclides Ferreira Gomes Júnior com 15079 votos, que vencera o “inimigo gratuito de Palhano” - Palhano se referia assim ao candidato derrotado-, Cesário Barreto que obteve 14658 votos.
Outrossim, no segundo caso, o mesmo, José Prado, Prefeito de Sobral de 1989-1992, não elegera seu sucessor, José Pimentel Gomes, numa união inesperada das facções de Prado e Ferreira Gomes. Venceu o candidato dos Barretos, Ricardo Barreto Dias.
Desta feita, conforme discutido já nesse trabalho, após Padre Palhano por fim ao coronelismo tradicional, não se teria em Sobral a mesma experiência de poder do velho coronel, no século XX. Este apenas seria superado no século seguinte, com o advento da “Era cidista”.
Contudo, o personagem central da discussão proposta nesse trabalho, configura-se como o “divisor de águas” na História e memória da cidade. Haja visto, as reminiscências e salto no recorte histórico que se faz necessário na discussão proposta, afim de que se possa estabelecer boa compreensão das teses propostas nesse trabalho. Desta feita, observa-se o quanto a presença e influência na memória política de Sobral de Padre Palhano, estabelecendo assim um aspecto simbólico dum vir-a-ser antes e depois de José Palhano de Sabóia.
Todavia, com o advento do Golpe Militar, era cessado o período democrático no Brasil, e com a conivência dos militares, a oposição consegue reunir documentos que resultariam na cassação de Padre Palhano quando Deputado Federal. A documentação era referente ao período em que o mesmo, exercia as funções de Prefeito.
O sucessor, do Padre piloto, Cesário Barreto ao assumir o Paço, fizera auditoria na Prefeitura e elaborara documento que comprovaria uma série de irregularidades de seu sucessor. Essa documentação fora formulada como dossiê publicado com o seguinte título: “A verdade sobre a administração Palhano”. A referida publicação pressupõe possível descalabro, pífia gestão e desagravo ao gestor Padre Palhano.
A medida que, era estabelecido o golpe militar, dispondo de dois parentes militares, o Prefeito Cesário Barreto, consegue que o Deputado Federal Padre Palhano de Sabóia seja cassado, tanto o mandato como os direitos políticos em razão das acusações impetradas e apresentadas pelo seu ex-amigo, então Prefeito Cesário Barreto.
José Palhano, então ex-deputado, anos depois em 4 de outubro de 1967 apresentara documentação, que comprovaria sua inocência quanto as acusações que resultara na perda de seu mandato, intitulado “Em busca da Verdade” (SABÓIA: 1967), apresentado pelo Deputado Federal Osíris Pontes, que expôs defesa no Congresso Nacional das acusações impetradas pelo Prefeito Cesário Barreto.
Contudo, não mais valeria muito a comprovação de sua inocência e absolvição das denúncias. Haja visto, que sua trajetória política já havia sido abortada precocemente e fortemente comprometido suas aspirações políticas, por tal razão, não mais tivera oportunidade de ocupar novos cargos políticos.
Entretanto, José Palhano atribuía as duras posições contrárias pelos seus opositores, o motivo de que “descobriram na minha pessoa uma ameaça de provável futuro competidor”. Desta feita, apontamos três principais características que simbolizam a derrocada do príncipe do clero sobralense, são: a morte de D. José Tupinambá, uma oposição implacável e o advento do golpe militar.
Visto isso, com sua perda de mandato e desaparecimento da vida pública, ao menos de forma direta em cargo eletivo, o Padre cassado, não pode alcançar destaque como coronel tradicional, de mesma identidade e características semelhantes ao coronel Chico Monte. Assim, esse não fora um coronel de fato, mas sim, o algoz e responsável pelo Fim do Coronelismo Tradicional em Sobral.
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QUEM SALVA MICHEL, SALVA TODO MUNDO

Artigo de Helena Chagas
Salvo Michel Temer, por obra e graça sobretudo do Centrão, o que acontece? Além de mudar o eixo político do governo, tirando Temer da gaiola tucana - despedaçada pelas bicadas internas - e jogando-o nos braços do grupo criado pelo ex-deputado e hoje presidiário Eduardo Cunha, ganham força no Congresso os movimentos que querem limitar a Lava Jato e salvar seus acusados. Quem salvou Michel, pode agora salvar todo mundo.
Acima e além das verbas, emendas, cargos e promessas que deram combustível à decisão do plenário da Câmara de enterrar a primeira denúncia do PGR contra o presidente da República, está um claro espírito de corpo, subordinado àquela lei não escrita da política segundo a qual é sempre bom escapar de situações do tipo eu posso ser você amanhã.
Nesse sentido, o caso de Michel Temer, acusado de corrupção passiva com base na delação premiada de Joesley  Batista, situação complicada ainda mais pelas imagens do assessor Rocha Loures puxando uma mala de dinheiro pela rua em São Paulo, serviu ao Congresso como uma espécie de teste. Se, com tudo isso, mostrado intensa e diariamente pelos meios de comunicação, o presidente não caiu, por que cairão deputados e senadores alvos de acusações semelhantes, em circunstâncias semelhantes?
Certo, alguns já caíram, perderam mandatos, estão até na cadeia. Até agora, a reação da opinião pública pró-Lava Jato cortou pela raiz iniciativas que pretendiam, ou ao menos pareciam pretender, cortar suas asas, como a anistia ao caixa 2, o projeto que torna mais rigorosa a punição ao abuso de autoridade e outros.
Tudo isso ocorreu num passado recente, até. Mas há indícios de que a situação mudou - ou, ao menos, de que boa parte do Legislativo tenha perdido a inibição diante das iniciativas de autoproteção. Afinal, as coisas pioraram muito para o lado dos políticos e as investigações que ficavam sobretudo na praia petista alcançaram os núcleos de poder do PMDB e do PSDB. O medo se espalhou entre deputados e senadores e agora a reação virou questão de sobrevivência.
Não afastar Michel Temer é, portanto, um gesto de autodefesa dos políticos. Inclusive com o beneplácito do PT de Lula, que tentou salvar as aparências no discurso pró-denúncia de seus líderes, mas que na prática pouco fez para mobilizar os movimentos sociais e a população a favor da aprovação da denúncia. O argumento de que manter Michel sangrando no Planalto é bom para os petistas em 2018 explica apenas uma parte da história. A outra tem a ver com o que vai acontecer agora no Congresso.
O próximo passo do roteiro, muito antes de se examinar uma segunda denúncia contra o presidente da República, virá na ação legislativa, e pode começar já na reforma política que tem que ser aprovada até o fim de setembro. Haverá iniciativas para distinguir caixa 2 de corrupção, livrando alguns dos citados nas delações premiadas da Odebrecht e da JBS e abrindo o caminho para uma anistia mais ampla. Institutos como a prisão preventiva e a delação premiada devem sofrer reparos na aprovação das mudanças no Código de Processo Penal.
A PEC que impõe restrições ao foro privilegiado, por sua vez, deve receber uma emenda estendendo-o a todos os ex-presidentes, com o objetivo de beneficiar Temer, mas também Lula (que sairia das mãos de Sergio Moro), Collor, Sarney, Fernando Henrique e Dilma. O  STF poderá rever sua interpretação sobre o cumprimento da pena após o julgamento na segunda instância por alguma mudança que será aprovada na lei.
É provável que tudo isso aconteça no rastro da vitória de Michel na Câmara nesta quarta, que encheu os políticos de autoconfiança. O mundo não caiu. Com exceção de alguns pneus queimados em estradas bloqueadas de manhã, e de umas poucas manifestações, o povo não foi às ruas. Assistiu meio distante a tudo, como se estivesse num zoológico vendo os animais.
É esse sentimento que deveria preocupar os políticos. Afinal, a apatia, o cansaço e a desesperança podem ter afastado as pessoas das ruas. Mas não vão impedi-las de votar no ano que vem.
Helena Chagas é jornalista desde 1983. Exerceu funções de repórter, colunista e direção em O Globo, Estado de S.Paulo, SBT e TV Brasil. Foi ministra chefe da Secretaria de Comunicação Social da Presidência (2011-2014). Hoje é consultora de comunicação.
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quinta-feira, 3 de agosto de 2017

MANDA NUDES

Um dos parlamentares que mais teve visibilidade nos últimos dias, Wladimir Costa (SD-PA) atraiu os holofotes para si mais uma vez nesta quarta-feira (2/8), durante a sessão plenária em que os deputados rejeitaram o prosseguimento da denúncia contra o presidente Michel Temer por corrupção passiva. Durante a votação, Wladimir foi flagrado pedindo fotos eróticas a uma mulher.
"Mostra a tua bunda. Mostra, afinal, não são suas profissões que a destacam como mulher. É sua bunda. Vai lá, põe aí, garota", escreveu o deputado. "Fátima Bernardes, Sônia Abraão, Marília Gabriela, Mariza Godói são elogiadas, respeitadas e até desejadas pelas suas capacidades técnicas e não por um par de bunda, já bastante banalizada por todo o Tapajós do decano shortinho preto que reveza com o vermelhinho já bastante desbotado pelos anos [sic]", completou.
Em uma mensagem a outra destinatária, o parlamentar envia uma imagem em que aparece como personagem do filme "O exterminador do futuro" com a legenda: "Wladimir Costa, o exterminador de comunas". Como reposta, o deputado recebeu um elogio: "gostei dessa foto".
Wladimir ficou famoso nesta semana ao apresentar uma tatuagem com o nome do presidente Michel Temer em seu ombro. De acordo com ele, o desenho custou R$ 1,2 mil, pagos em "6 vezes sem juros no cartão". O deputado também roubou a cena na votação pela admissibilidade do impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff no ano passado, quando estourou um "rojão" de papel picado no plenário da Câmara.
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CACO DE VIDRO

Mais em cima do muro do que caco de vidro, assim votou o PSDB. Os tucanos ficaram tipo: bem-me-quer, mal-me-quer. A bancada votou 21 votos pró-governo, 20 contra.

Ainda teve 4 tucanos fujões; entre eles, o cearense Raimundo Gomes de Matos que disse ter perdido o voo de Fortaleza para Brasília, porém, o parlamentar foi visto na Câmara terça-feira e ontem (02), dia da votação.
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PANELA VELHA

Na panela velha de Sérgio Reis, vale cozinhar, mas não entregar o cozido. Maior beneficiário com emendas, votou contra o governo.
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quarta-feira, 2 de agosto de 2017

DENÚNCIA ARQUIVADA

Encerrada a votação do parecer da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) sobre a denúncia contra o presidente Michel Temer, na Câmara. Ao todo, foram 492 parlamentares presentes, 227 votos contrários ao parecer e 263 votos favoráveis ao arquivamento da denúncia que acusa Temer de corrupção passiva, no Supremo Tribunal Federal (STF). Dezoito ausências e duas abstenções.
Para a oposição, formada por sete partidos (PT, PSDB, PSB, PDT, PCdoB, PPS e PHS) conseguir da prosseguimento à denúncia era preciso alcançar a marca de 342 votos, representando dois terços do número total de parlamentares presentes na votação. Já para a base aliada do governo, com 9 partidos (PP, PMDB, PR, PSD, DEM, PTB, PRB, Solidariedade e PSC), era necessário conquistar apenas 172 votos, que foram alcançados mesmo antes do final da votação.
A sessão analisou o relatório apresentado pelo deputado Paulo Abi-Ackel (PSDB-MG) na CCJ, que recomendou a rejeição da denúncia contra Temer, e teve início ainda pela manhã, às 9h. Por volta das 15h30, o placar registrava a presença de 342 deputados no plenário, atingindo o quórum mínimo pra que ocorresse a votação. Até cerca das 19h, horário em que os deputados começaram a votar, os parlamentares apresentaram argumentos favoráveis e contra a denúncia, na tribuna.
Denúncia
Michel Temer foi denunciado por corrpuação passiva ao STF após as delações premiadas da JBS, em que o empresário e presidente do grupo, Joesley Batista, gravou, sem o conhecimento de Temer, uma conversa com ele no palácio do Jaburu. Na gravação, o presidente da república dando aval para a compra de silêncio do ex-deputado Eduardo Cunha.
Além disso, a delação da JBS aponta que Temer destacou o deputado federal Rodrigo Rocha Loures (PMDB-PR) para intermediar interesses do grupo empresarial no Cade, órgão de defesa da concorrência.
Loures, que trabalha com Temer desde que ele ocupava o cargo de vice presidente de Dilma Rousseff, foi filmado recebendo uma mala com R$ 500 mil enviados por Joesley Batista.
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A PARCERIA CONTINUA

Uma das ajudas escancaradas que o PT deu a Temer veio da Bahia; o governador  Rui Costa exonerou secretários para votarem a favor do governo, barrando  a denúncia contra Temer. A parceria PT/PMDB continua firme e forte.
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terça-feira, 1 de agosto de 2017

MAIS UMA VEZ, RÉU

Da VEJA
Condenado a 9 anos e 6 meses de prisão na Operação Lava Jato, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva acaba de se tornar réu pela sexta vez. O juiz federal Sergio Moro, responsável pela primeira condenação de Lula, aceitou denúncia do Ministério Público Federal contra o petista pelos crimes de corrupção passiva e lavagem de dinheiro no caso envolvendo o sítio Santa Bárbara, em Atibaia (SP), supostamente reformado pelas empreiteiras Odebrecht e OAS e pelo pecuarista José Carlos Bumlai, amigo do ex-presidente.
O magistrado ressaltou que, ao aceitar denúncia oferecida pelos procuradores da República, não faz juízo de valor sobre as provas, mas observa apenas se há “justa causa”, ou seja, se a acusação “ampara-se em substrato probatório razoável”.
Moro enumera em 14 pontos e classifica como “expressivas” as provas reunidas pela força-tarefa da Lava Jato, entre as quais registros de que veículos de Lula estiveram 270 vezes na propriedade no interior paulista, a proximidade da família do petista com Fernando Bittar e Jonas Suassuna, donos “oficiais” do sítio, e documentos apreendidos na residência do ex-presidente referentes à propriedade rural, como notas fiscais de bens alocados no sítio e a minuta da escritura da compra de parte do terreno.
“Os elementos probatórios juntados pelo MPF e também colacionados pela Polícia Federal permitem, em cognição sumária, conclusão de que o ex-Presidente Luiz Inácio Lula da Silva comportava-se como proprietário do Sítio de Atibaia e que pessoas e empresas envolvidas em acertos de corrupção em contratos da Petrobrás, como José Carlos Cosa Marques Bumlai, o Grupo Odebrecht e o Grupo OAS, custearam reformas na referida propriedade, tendo por propósito beneficiar o ex-presidente”, escreveu Moro no despacho em que aceita a denúncia.
O juiz federal ainda observa que não há registro de que Lula tenha desembolsado “qualquer valor” pelas reformas e que “até o momento, não se ouviu, em princípio, uma explicação do ex-Presidente Luiz Inácio Lula da Silva do motivo de José Carlos Costa Marques Bumlai, do Grupo Odebrecht e do Grupo OAS, terem custeado reformas de cerca de R$ 1.020.500,00 no Sítio de Atibaia, este de sua frequente utilização, e que se iniciaram ainda durante o mandato presidencial”.
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SANÇÕES A MADURO

Editorial El País
Como não podia deixar de ser, a farsa organizada por Nicolás Maduro no domingo passado na Venezuela recebeu ampla condenação internacional, a começar pelos principais países da região. Colômbia, Panamá, Peru, Argentina, Brasil, México, Costa Rica e Chile alertaram que não reconhecem a eleição da Assembleia Constituinte com a qual Maduro pretende redigir uma nova Constituição sob medida para ele e enterrar definitivamente a democracia em seu país. Em termos idênticos se expressou a Organização dos Estados Americanos. O Peru convocou quase todos os ministros de Relações Exteriores da região para uma reunião no dia 8 de agosto em Lima. Fora da América Latina, Espanha, Estados Unidos, Suíça, o Parlamento Europeu e numerosas organizações não governamentais condenaram a manobra idealizada por Maduro.
Em outras palavras, numerosos Governos, instituições e organismos de países indiscutivelmente democráticos condenaram o desmantelamento violento – pelo menos dez pessoas morreram desde a noite sábado e mais de uma centena desde que foram convocadas as polêmicas eleições – da legítima Assembleia Nacional venezuelana eleita em dezembro de 2015. Mesmo destacados simpatizantes do falecido Hugo Chávez – artífice da Constituição ainda vigente – consideram que Maduro traiu o mandato recebido e provocou uma ruptura irreparável com os 18 anos precedentes de governo chavista na Venezuela.
Uma ruptura em que nem mesmo as infladas cifras oficiais de participação – o Conselho Nacional Eleitoral (CNE) afirma que 41,43% dos eleitores compareceram, enquanto a oposição rebaixa a taxa de comparecimento para 12% – permitem dizer que a maioria dos venezuelanos com direito a voto decidiu participar do projeto de Maduro. O mandatário não tem apoio ou credibilidade nem dentro nem fora de seu país.
Entretanto, e como já é de praxe desde o começo da crise institucional e econômica que arrasa a Venezuela, isso não é obstáculo para que o governante chavista leve adiante seus planos autoritários. Agora Maduro ameaça "tomar o comando" do Ministério Público em (mais) uma manobra claramente ilegal de invasão do poder Judiciário por parte do Executivo. Paralelamente, revelou que pretende anular a imunidade de que legalmente gozam os deputados de oposição para levá-los à Justiça. Ou seja: uma pura e simples perseguição política.
Não vale ficar em lamentações diante do atentado à democracia que se produziu na Venezuela. É necessária uma ação internacional coordenada que, sem prejudicar nem criar mais dificuldades ao povo venezuelano, faça os responsáveis pelo regime sentirem que suas ações não ficarão impunes. Pelo contrário: terão importantes consequências pessoais. Nesse sentido, entre outras iniciativas, são particularmente acertadas as medidas de caráter punitivo contra os responsáveis por essa derrota. Maduro deve ter a consciência de que não vai se safar dessa.
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CINCO MIL DIAS

Da Editora Boitempo
Cinquenta e dois autores – entre acadêmicos, lideranças políticas e ativistas sociais – de relevância nacional e de variadas matizes políticas no campo progressista realizam uma minuciosa avaliação, setor por setor, dos 13 anos de governos lulistas, que abrangem o período entre 2003 e 2016. São enfocados, entre outros, temas como economia em suas múltiplas variáveis, desenvolvimento, direitos sociais, judiciário, infraestrutura, energia, educação, saúde, cultura, segurança pública, meio-ambiente, direitos da mulher, população LGBT, povos indígenas, questão racial, esportes, combate à pobreza, comunicações, política externa, habitação e urbanismo e relações com movimentos sociais.
Para analisar os avanços e limites da mais longeva experiência de um partido político à frente do Governo Federal desde a redemocratização do país, os organizadores Gilberto Maringoni e Juliano Medeiros convocaram pensadores, ativistas, parlamentares, dirigentes políticos e lideranças de movimentos sociais. Contribuíram com o balanço nomes como André Singer, Armando Boito Jr., Aldo Fornazieri, Chico Alencar, Cid Benjamin, Edmilson Brito Rodrigues, Eduardo Fagnani, Eloísa Machado de Almeida, Erminia Maricato, Guilherme Boulos, Ivan Valente, Jean Wyllys, José Luiz Del Roio, Leda Maria Paulani, Ligia Bahia, Lúcio Gregori, Luis Felipe Miguel, Luiz Eduardo Soares, Nilcéa Freire, Pedro Paulo Zahluth Bastos, Reginaldo Nasser e Vladimir Safatle, entre outros.
“Se não houver uma reflexão coletiva das tentativas, omissões, acertos, erros e opções tomadas nas condições concretas da única oportunidade em que uma força egressa da esquerda alcançou o comando político do país, perderemos a chance de extrair algo valioso da derrota recente: o que fazer – como indicava um livro famoso – e, especialmente, o que não fazer. Em outras palavras, se não avaliarmos rigorosamente essa experiência – para o bem e para o mal – estaremos fadados a refazer velhas escolhas e a não aprender com os fracassos”, dizem os organizadores no prefácio.
Composto por 43 capítulos, o livro evita avaliações fáceis e passionais ao examinar os detalhes e as nuances do período lulista. No processo de elaboração da obra, a escolha de parâmetros e abordagens foi livre, e uma única pauta foi pedida aos autores: examinar a área de maior afinidade e especialização de cada um. “Tentamos ser abrangentes, sem a pretensão de chegarmos a uma convergência tácita ou a uma posição oficial desse ou daquele partido, organização ou escola de pensamento”, afirmam os organizadores.
O livro apresenta o passado como objeto de análise num esforço para se pensar o futuro. Assim, a última parte da coletânea propõe uma reflexão sobre os dilemas da esquerda em meio a um contexto até aqui adverso. “Sem isso, de pouco serviria o esforço de promover um balanço crítico dos anos recentes. Esperamos ser esta uma contribuição significativa para a reorganização da esquerda e do campo progressista e para a urgente construção de um novo projeto de desenvolvimento, que aponte rumos para a transformação social.”
Trecho da orelha
“A experiência do PT à frente do Executivo Federal tem a um só tempo a marca da mudança e da continuidade, chegando ao fim sem alterar as bases estruturais da dominação capitalista em nosso país. Refletir sobre essa experiência, num momento em que a esquerda busca reconstruir seu projeto, para responder aos desafios impostos pela agenda regressiva liderada pelas forças golpistas, é um imperativo histórico, uma tarefa impostergável.” – Luiza Erundina
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COXINHA DE ESQUERDA ?

Luciana Genro desmonta argumentos de Lula e do PT. Está nas livrarias, Cinco Mil Dias - O Brasil na Era do Lulismo, livro organizado por Gilberto Maringoni e Juliano Medeiros. Custa R$: 49,00.
Luciana Genro está lá. E escreveu um artigo sobre os governos do PT e pincei umas coisas. Ela permanece sem mandato desde 2014 quando disputou a Presidência da República contra Aécio; Dilma e Marina, pelo PSOL.
Militante inconteste da esquerda, as declarações de Luciana entre aspas, abaixo, não têm como desmentir, nem o petismo poderá chama-la de 'coxinha' ou 'tucana'. Ou vai mesmo assim?
O PT E TEMER
"O PT não tem interesse em derrubar Temer agora.  Eles querem deixar o governo sangrar e fazer os ajustes, a parte ruim, para assumir depois". "Eu teria esperança no afastamento do Presidente se houvesse uma grande mobilização popular empurrando a Câmara a abrir o processo".
LULA BATE E LEVA
Na semana passada, Lula criticou o PSOL. Disse que o partido precisa vencer uma eleição para parar de frescura. "Eles vão perceber que não dá pra gente nadar teoricamente. Entra na água e vai nadar, porra", afirmou.
"Lula entrou tanto no mar que se afundou, porque mergulhou na lama da corrupção", rebateu sem rodeios a ex-deputada Luciana Genro.
LULA DESMONTADO
"O problema do Lula é que ele não pode suportar  a ideia de que a sua autoridade moral está sendo questionada. Ele se coloca num patamar superior  ao dos mortais. Mas ficou evidente que ele estabeleceu relações promíscuas com as empreiteiras".
“Lula perdeu as condições de se apresentar como um candidato de esquerda. Quando empreiteiras pagam milhões a um metalúrgico, ele deixa de pertencer à sua classe de origem. Vira agente dos interesses do andar de cima".
A FAVOR DA LAVA JATO
"Apoio a Lava Jato e defendo que ela vá até o fim, doa a quem doer. Setores do PT já disseram que a operação seria uma manobra do imperialismo americano para destruir a esquerda brasileira. Se esse discurso tivesse prevalecido, não teríamos Eduardo Cunha preso; Temer denunciado e políticos do PSDB sendo investigados”.
O PT NO PODER
“A política econômica do petismo se apoiou numa aliança do Estado com o grande capital privado, os banqueiros e o agronegócio".
“Lula apostou na cooptação de trânsfugas da ditadura, como Sarney e ACM, e na gestão da massa fisiológica de parlamentares através de cargos e dinheiro. O mensalão foi parte desta gestão, algo que a Lava Jato mostrou ser apenas a ponta do iceberg"...
Via Cláudio Teran, com informações da Folha de São Paulo
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