quarta-feira, 23 de agosto de 2017

O ATENTADO VERBAL DE DONALD TRUMP

Charlottesville era previsível. Imprevista era a reação de Trump, o primeiro presidente dos Estados Unidos a dar publicamente cobertura à violência e ao racismo da extrema direita. Com a polarização entre a chamada alt-right, a extrema-direita, e os antifas, os antifascistas, nascida da radicalização pela direita, um confronto desses tende mesmo a acontecer e mais de uma vez. Principalmente no Sul, onde os ânimos nunca foram exatamente serenos, quando se trata da questão racial. Há muito se sabe da existência de neonazistas no país. Mas a alt-right, reconvocou os extremistas com sua adesão explícita ao núcleo de valores que alimenta a intolerância nacionalista, o domínio masculino e a fé na supremacia branca. Um dos emuladores da alt-right é Stephen Bannon, amigo e principal conselheiro político de Trump, que estava aquartelado na Casa Branca. Até ser demitido na sexta (18). Bannon atacou o  Partido Republicano, dizendo que não existe um "partido conservador funcional" hoje nos Estados Unidos. Mostrou regozijo com as declarações de Trump que certamente influenciou. Havia e há identidade ideológica entre o presidente e seu estrategista. Trump, confidenciou a seus auxiliares estar aliviado em dizer o que realmente pensava após a última entrevista que foi a gota d'água a transbordar a indignação dos republicanos.
Como sempre, subestimou a reação do arco majoritário da sociedade americana, que se situa entre a direita liberal e a centro-esquerda. Os grandes empresários que viam nele o primeiro CEO a chegar à Casa Branca afastaram-se de seu governo, com declarações de repúdio a suas atitudes. Os chefes militares publicaram notas desautorizando o pensamento do seu comandante-em-chefe. Mas, pior para Trump, desfez-se o tênue apoio que ainda lhe restava no Partido Republicano. Trump não deu a importância devida ao fato de que a Ku Klux Klan não é aceita pela sociedade americana, nem mesmo pela maioria da população do Sul. Desprezou, igualmente, o fato de que, além dos típicos aparatos da KKK e de manifestações racistas contra os negros e os imigrantes, muitos agitavam bandeiras nazistas pelo campus da Universidade da Virgínia e gritavam palavras de ordem antissemitas.
Bannon deu demonstrações de aprovação desses sentimentos repulsivos e acirrou a oposição contra ele na entourage de Trump, liderada por seu cunhado judeu, Jared Kushner, e por sua filha convertida ao judaísmo, Ivanka. A reação contra Trump foi avassaladora. A maior parte da imprensa de direita, fora o Breitbart de Bannon, ficou contra ele, mesmo mostrando simpatia pela a alt-right e antipatia pelo que chama de alt-left, os grupos mais à esquerda de Bernie Sanders aos antifas. Se opuseram ao comportamento de Trump e à demissão de Bannon. O Breitbart estampou na sua primeira página, na sexta-feira da partida de Bannon da Casa Branca, manchete dizendo que ele voltava à casa e o chamava de "o herói populista".
Há uma clara cisão entre os republicanos. Um movimento no qual os mais conservadores parecem se afastar cada vez mais do partido. Começou com o Tea Party e ampliou-se com a alt-right e suas subdenominações. Pode estar se anunciando um novo realinhamento partidário nos Estados Unidos. O último, e quinto, aconteceu no New Deal, nos anos 1930, com a adesão dos eleitores negros e dos operários, blue-collar workers, ao Partido Democrata. Mudou totalmente a fisionomia do bipartidarismo americano.
As contradições de Trump são conhecidas e ridiculamente contraditórias. Espantado com a enorme reação de repúdio à sua atitude, cedeu às pressões de seu novo chefe de Gabinete, John Kelly, de seu genro e conselheiro íntimo, Kushner, e de seu assessor econômico, Gary Cohn e demitiu Bannon. Na sua desastrada entrevista, disse que Bannon não era racista e era um amigo. Sem dúvida, entre todos esses envolvidos no enredo da saída de Bannon é com ele que Trump tem mais afinidades de ideias, valores e sentimentos.
Trump está chegando a seu limite de resistência. Mesmo no presidencialismo imperial americano, um presidente não tem condições de governabilidade se perde o apoio do núcleo dominante de seu próprio partido. A estabilidade de seu mandato não depende, como no presidencialismo de coalizão brasileiro, de apoio da maioria do Congresso. Mas sem a sustentação do núcleo duro do seu partido, o mandato tende ao fim precoce. Há especulações de que Trump renunciaria no outono, por volta de outubro. Ele tem a personalidade daqueles que perdendo o gosto pelo novo brinquedo o abandonam repentinamente.
Mas há processos menos subjetivos em curso que podem levar ao mesmo destino. A investigação sobre as relações promíscuas de Trump e sua equipe de campanha com a Rússia está chegando à maturidade. Começará a gerar fatos concretos em breve e que podem abalar de vez o seu mandato. A aposta majoritária é que não ficará na presidência por todo o período de quatro anos. Os republicanos temem o que farão os eleitores nas eleições intermediárias. Tendem a afastar-se dele para preservar seus próprios mandatos. A debandada do big business, as declarações explícitas,  incomuns em CEO's normalmente avessos a declarações políticas, de oposição ao "racismo" do governo, a divergência declarada, também incomum, dos comandantes militares com a atitude do chefe e as críticas duras ao presidente vindas do establishment Republicano são sinais fortes de que ele está perdendo as condições de governabilidade.
Como Charlottesville não era um evento inesperado, ainda que difícil de prever com local, data e hora, um presidente politicamente hábil, com uma assessoria de comunicação competente, estaria preparado para dar a resposta política no tom certo, a incidentes dessa gravidade e teor. É um governo despreparado, nas mãos de um condutor destemperado e egocêntrico. Dele se pode esperar esse quadro surreal de idas e vindas, declarações inadmissíveis de parte do presidente dos Estados Unidos, demissões erráticas. É, com certeza, um governo perigoso para os americanos e para o mundo.
Vivemos numa sociedade de risco. Risco de todo tipo. Risco é a possibilidade de ocorrer algo imprevisível e que pode causar grande dano. Trump não é um risco. Ele pode causar grandes danos domésticos e globais, mas a possibilidade de que faça algo impensado e irreversível nada tem de imprevisível. É um perigo presente e iminente. Risco é um atentado como o de Barcelona. A arma é um veículo qualquer, ônibus, van, caminhão. O alvo é aleatório. Basta que haja um aglomerado, de preferência plural, de pessoas diversas. Em qualquer local público, de alguma capital-alvo, Paris, Berlim, Londres, Estocolmo, Bruxelas, Barcelona. O agente pode ser um nativo do país, ou um imigrante naturalizado há vários anos residente no país. Mas pode, também, ser um recém-chegado. Não há indícios prévios, reuniões monitoráveis, atitudes suspeitas, compra e porte de armas, presença detectável de explosivos. Esse tipo de atentado brutal e irracional é imprevisível e pode causar muito dano. Em Barcelona, matou treze, feriu quinze gravemente, atingiu perto de cem pessoas, de dezenas nacionalidades distintas.
Inesperada foi a trajetória eleitoral de Trump. Inesperadas são suas atitudes, quase tão aleatórias quanto os alvos dos atentados como o de Barcelona. Mas Trump já está conhecido. Pode-se esperar que cometa novos desatinos, não se sabe bem quando ou por que. Mas deve-se prever que, num desses, com a Coreia do Norte ou outro inimigo da vez, faça algo que provoque um grande incidente global de alarmante gravidade. Logo, é possível evitar que isto aconteça. Está, na verdade, nas mãos dos republicanos sensatos. E eles parece que estão cada vez mais alertas.
Sérgio Abranches, Blog do Matheus Leitão
* Sérgio Abranches é cientista político, escritor e comentarista da CBN. É colaborador do blog com análises do cenário político internacional
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MADURO AMA A ODEBRECHT, QUE AMA E É AMADA PELO PT

Clovis Rossi, Folha de S.Paulo
Há um elo entre o PT e a ditadura venezuelana que vai além da cumplicidade com a violência, o desrespeito aos direitos humanos e o imenso fracasso administrativo: é a Odebrecht.
Todo o mundo sabe, no Brasil, que o PT, enquanto esteve no governo, desenvolveu uma relação de promiscuidade com a construtora, conforme confessaram executivos da empresa, inclusive seu principal líder, Marcelo Odebrecht. Promiscuidade que se estendeu a outras empreiteiras, mas ficamos por hoje na Odebrecht.
Agora, na Venezuela, a procuradora-geral Luisa Ortega Díaz, nomeada por Hugo Chávez e ilegalmente afastada pela fraudulenta Assembleia Constituinte, acaba de contar ao jornal espanhol "El País" qual foi a razão verdadeira da perseguição que passou a sofrer: é exatamente a Odebrecht.
Segundo ela, agora exilada na Colômbia, a Procuradoria tinha "todos os detalhes de toda a cooperação [entre a empresa brasileira e autoridades venezuelanas], as quantias e personagens que enriqueceram". Completou: "Essa investigação envolve Maduro [o ditador Nicolás Maduro] e o seu entorno".
Está explicado, portanto, o silêncio que envolve, na Venezuela, as escandalosas operações da Odebrecht, ao contrário do que ocorre nos vários países latino-americanos em que se detectaram as digitais da companhia.
No Peru, por exemplo, há dois ex-presidentes acusados (Ollanta Humala e Alejandro Toledo), para não mencionar o caso de Lula, já condenado no Brasil e pendente de uma decisão de segunda instância.
Segundo as investigações em curso no Brasil, a Odebrecht teria pago o equivalente a US$ 98 milhões (R$ 308 milhões) em subornos na Venezuela, no período que vai de 2006 até 2015 –dinheiro que, agora, a procuradora ilegalmente afastada diz ter enriquecido o entorno do ditador Maduro.
A Odebrecht tem 11 projetos em execução na Venezuela.
O patriarca da empresa, Emílio Odebrecht, na delação premiada que fez à Lava Jato, disse ter procurado o então presidente Lula para reclamar de um suposto favorecimento de altos funcionários brasileiros à Andrade Gutierrez em concorrências da Venezuela.
Lula, segundo Emílio, ficou de "verificar o que estava acontecendo". Depois, sempre segundo o patriarca da Odebrecht, sua companhia acabou ficando com uma das obras.
O ex-presidente, aliás, nunca escondeu que atuava em favor de empresas brasileiras em muitas de suas viagens ao exterior. Não via nenhum problema; até achava que era sua obrigação.
Se se considerar que o relacionamento com Hugo Chávez sempre foi excelente, é razoável supor que a Odebrecht tenha se beneficiado dessa atuação na Venezuela.
Agora, com a denúncia de Luisa Ortega Díaz e a consolidação da ditadura na Venezuela, fica difícil apurar não apenas a corrupção interna mas também o eventual envolvimento dos amigos brasileiros da empreiteira. 
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OS ERROS FATAIS DO SOCIALISMO

Neste livro, Friedrich A. Hayek apresenta um exame fundamental e crítico das ideias centrais do socialismo. Ele argumenta que o socialismo, desde as suas origens, foi confundido com algo embasado em fundamentos científicos e factuais, e mesmo lógicos, mas que seus repetidos fracassos, nas muitas e diferentes aplicações práticas que o mundo testemunhou, foram o resultado direto desse equívoco conceitual.
Sempre contundente e controverso, marca de seus escritos, este manifesto traz um relato acessível às principais vertentes do pensamento de Hayek e explica a rede de erros em que todas as sedutoras e idealistas propostas socialistas se encerram.
"O traço intelectual mais marcante de F. A. Hayek é incomum na vida acadêmica: o espírito independente, que o levava a nadar contra algumas das correntes mais poderosas de sua época." JOHN GRAY - Filósofo e Político Inglês.
"A TAREFA MAIS CURIOSA DA ECONOMIA É DEMONSTRAR AOS HOMENS (E POLÍTICOS) QUÃO POUCO ELES SABEM SOBRE AQUILO QUE IMAGINAM PODER PLANEJAR." F. A Hayek
Sinopse do livro Os Erros Fatais do Socialismo - por que a teoria não funciona na prática, via biblioteca da Folha
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terça-feira, 22 de agosto de 2017

EMBARQUE IMPEDIDO

O secretário especial de assuntos estratégicos da Presidência, Hussein Kalout, foi impedido de embarcar em um voo da American Airlines para os Estados Unidos na segunda-feira (21), após se recusar a se submeter a uma inspeção especial, que ele considerou humilhante.
Kalout estava a caminho de Nova York, aonde iria em missão oficial para participar de eventos no Council of the Americas e no Council on Foreign Relations.
Segundo o secretário, ele estava prestes a entrar no avião, na fila dentro do finger, quando foi retido por um funcionário da companhia aérea. O funcionário o informou que ele teria de sair e se submeter a uma inspeção especial para poder embarcar.
Kalout argumentou que já havia passado pelo procedimento de segurança e indagou o motivo para a inspeção especial. "São ordens do governo americano", teria respondido o funcionário, no aeroporto em Brasília.
O secretário especial da Presidência se negou a passar pela inspeção corporal, que seria realizada pelos funcionários do aeroporto, dizendo que já havia sido revistado e que portava passaporte diplomático.
Voltou a perguntar qual era o motivo de ser submetido à revista especial e, mais uma vez, recebeu a resposta de que era determinação do governo dos Estados Unidos.
"Fui a única pessoa a ser retirada da fila, quase entrando no avião, porque meu nome é árabe. Está evidente que foi racismo", diz Kalout, que foi colunista da Folha.
Em outras viagens aos Estados Unidos, ele já tinha sido submetido a inspeções e questionamento, mas sempre em aeroportos em solo americano e antes de se tornar integrante do ministério.
O secretário diz acreditar que a situação tenha piorado por causa das regras mais duras do governo de Donald Trump em relação à entrada de estrangeiros provenientes de alguns países árabes. Kalout é brasileiro com ascendência libanesa.
"Não estou pedindo tratamento VIP, só não quero ser humilhado; é aceitável uma autoridade do governo brasileiro ser submetida a um constrangimento dentro do aeroporto de Brasília, por regras do governo americano?", disse. "Eu já tinha passado pelo raio-X, já tinham vistoriado minha mala de mão, por que me tirar da fila para uma inspeção especial?"
DESCULPAS
Kalout se recusou a passar pela inspeção e foi informado de que não poderia embarcar no voo 214 da American Airlines, cujo destino era Miami, com conexão até Nova York. Cancelou todos os compromissos oficiais que teria nos Estados Unidos.
Segundo Kalout, o número dois da embaixada americana nos EUA, William W. Popp, foi à secretaria pedir desculpas e lamentar o ocorrido. "Foi um gesto significativo e respeitoso", disse.
A Embaixada dos EUA em Brasília não quis comentar o assunto. O Ministério das Relações Exteriores afirmou que não irá se pronunciar sobre o assunto.
OUTRO LADO
Em comunicado enviado à Folha, a American Airlines afirmou que apenas segue as regras de inspeção da Transportation Security Administration (TSA), a agência do governo dos Estados Unidos que cuida da segurança em aeroportos.
A empresa não quis informar por que o secretário especial de assuntos estratégicos da Presidência, Hussein Kalout, foi selecionado para passar pela inspeção especial nem quis especificar se ele foi o único passageiro retirado da fila de embarque para ser submetido à vistoria.
"As inspeções de segurança são realizadas de acordo com os regulamentos da Transportation Security Administration (TSA) com base em seus protocolos de seleção e designação", informou a empresa. "As isenções desses protocolos de triagem são definidas pela TSA e não são controladas pela American. A companhia não comenta a natureza específica das medidas de segurança implementadas."
A empresa disse que não comenta casos individuais envolvendo passageiros.
Segundo a Folha apurou, o secretário havia sido selecionado para a inspeção e deveria ter passado pela revista antes de chegar ao portão de embarque. Por alguma falha, ele chegou à porta do avião com o carimbo no cartão de embarque indicando que ele precisava ser revistado, mas ainda não havia passado pela inspeção, por isso foi retirado da fila.
As companhias aéreas afirmam que é feita uma seleção aleatória de passageiros que precisam ser inspecionados de forma mais detalhada e nega haver discriminação. Se ele tivesse aceitado a revista, teria embarcado.
Apenas presidentes e primeiros-ministros ficam isentos de inspeções de segurança.
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SALÁRIO PARCELADO

Do G1, DF
O governador do Distrito Federal, Rodrigo Rollemberg, anunciou na tarde desta terça-feira (22) que vai parcelar o salário de agosto – a ser depositado no início de setembro – dos servidores que ganham acima de R$ 7,5 mil. Segundo ele, o governo "não tem condições de garantir o pagamento integral dos salários e das pensões e aposentadorias" deste mês.
De acordo com o governo, 78% dos servidores têm vencimentos inferiores a R$ 7,5 mil e, por isso, continuarão recebendo normalmente. Esse percentual corresponde a 155,8 mil funcionários públicos, concursados e comissionados.
Outros 44.953 funcionários públicos recebem mais que R$ 7,5 mil mensais. Neste caso, eles vão receber essa quantia pontualmente e o que sobrar, independentemente do valor, cairá em conta na semana seguinte.
A princípio, o parcelamento ocorre só em setembro. No entanto, a medida pode continuar em vigor se o governo não conseguir aumentar arrecadação.
Série de motivos
Durante a entrevista, Rollemberg enumerou uma série de motivos para que o Palácio do Buriti não consiga honrar a folha de pagamento. A lista é bastante similar aos motivos alegados, nos últimos anos, para fracionar salários, suspender reajustes e abrir mão de obras e projetos.
Segundo Rollemberg, a arrecadação de 2017 até o momento foi menor que o previsto e, com isso, o DF acumula déficit anual de R$ 1,6 bilhão. De acordo com as planilhas apresentadas, esse valor era de R$ 3,5 bilhões quando o atual governo assumiu, em janeiro de 2015.
Outro problema, de acordo com a área econômica do governo, é o "crescimento vegetativo da folha salarial". Isso quer dizer que, mesmo sem contratar ou dar aumento, o gasto com salários cresce 3% ao ano – um acréscimo global de R$ 800 milhões.
Uma "novidade" nas justificativas do Buriti, neste ano, é o impacto do anúncio da Reforma da Previdência. Com medo das novas regras, 5,5 mil servidores deram entrada nos pedidos de aposentadoria em 2017. No anterior, foram 4,5 mil funcionários.
Contingenciamento
Na mesma coletiva, Rodrigo Rollemberg anunciou que R$ 544 milhões do orçamento do DF em 2017 serão contingenciados. Isso significa, na prática, que o equivalente a esse valor terá de ser retirado do planejamento das secretarias e órgãos públicos da capital, para garantir o caixa.
Segundo a secretária de Planejamento, Leany Lemos, a lei obriga o DF a “fechar os cofres” por causa do déficit de R$ 1,6 bilhão para fechar o ano. Ela também lembrou que o governo já tinha contingenciado R$ 727 milhões no começo do ano, mas o dinheiro permaneceu "curto".
A ideia do governo é reduzir ainda mais as "despesas de custeio": viagens, eventos, passagens, hospedagens, contratos de manutenção, limpeza, compra de equipamentos. Até mesmo devolver servidor cedido pode ser uma forma de economizar, afirma o GDF.
A medida preserva algumas áreas consideradas estratégicas pelo governo – o que significa que, nas outras, o sacrifício terá de ser maior. De acordo com o anúncio, ficam preservados os recursos de Educação, DF Sem Miséria, Passe Livre Estudantil e Orçamento da Criança e do Adolescente (OCA). entre outros. A folha de pagamento também é considerada "prioridade".
O contingenciamento não afeta o setor de Segurança Pública, "abastecido" pelo Fundo Constitucional, nem repasses federais para a Secretaria de Saúde. Quanto ao orçamento da Saúde pago com verba do próprio GDF, o governo deu o adiantamento referente a um mês de salário para a pasta conseguir fechar o ano.
"[É preciso que os gestores] Olhem para o seu orçamento e vejam o que podem reduzir. Vai exigir que se reduza valor de contratos, seja o numero de prestadores de serviço ou chamando os prestadores para renegociar os preços", afirmou o secretário da Casa Civil, Sérgio Sampaio.
Questionado pelo G1, ele deu um exemplo de "corte criativo", citando o contrato de vigilantes. "Se você substituir alguns postos de trabalho por sistemas de circuito interno [câmeras de segurança], você reduz o custo. Cada gestor terá de ser criativo."
Apesar de não serem gastos obrigatórios, serviços considerados essenciais serão mantidos, de acordo com o governo. Entre eles há o pagamento a empresas de ônibus e a manutenção dos serviços de coleta de lixo. A liberação da verba, no entanto, só deve ocorrer com o aval da cúpula do governo.
Previdência
Como salvação, o governo do DF conta com o repasse de cerca de R$ 1 bilhão de verba devida pela União – principalmente referente a dívidas previdenciárias.
Outra medida anunciada pelo governo como fonte de futuro alívio a curto prazo para a crise é uma reforma nos fundos de Previdência dos servidores públicos do DF (Iprev).
Nesta terça (22), o governo vai enviar um projeto de lei à Câmara Legislativa propondo criar um fundo de Previdência complementar.
O objetivo é fazer com que sejam pagas aposentadorias que chegam só até o teto (atualmente em R$ 5.531) e evitar com que o governo tenha que arcar "cobrindo o rombo do déficit da Previdência". Hoje, o governo precisa pagar R$ 170 milhões por mês para suprir o déficit do Iprev, garantindo o pagamento em dia aos servidores.
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SANGUE DERRAMADO

Mario Vargas Llosa, EL PAÍS
O terrorismo sempre fascinou Albert Camus, que, além de uma obra de teatro sobre o tema, dedicou bom número de páginas de seu ensaio sobre o absurdo, O Mito de Sísifo, a refletir sobre este insensato costume dos seres humanos de achar que assassinando os adversários políticos ou religiosos se resolvem os problemas. A verdade é que salvo casos excepcionais, em que o extermínio de um sátrapa atenuou ou pôs fim a um regime despótico –os dedos de uma das mãos dão e sobram para contá-los- esses crimes costumam piorar as coisas que querem melhorar, multiplicando as repressões, perseguições e abusos. Mas é verdade que, em alguns raríssimos casos, como o dos narodniki russos citados por Camus, que pagavam com sua vida a morte dos que eles matavam pela “causa”, havia, em alguns dos terroristas que se sacrificavam atentando contra um verdugo ou um explorador, certa grandeza moral.
Não é o caso, com certeza, de quem, como acaba de ocorrer em Cambrils e nas Ramblas de Barcelona, investe ao volante de uma van contra indefesos transeuntes –crianças, idosos, pedintes, jovens, turistas, moradores- tentando atropelar, ferir e mutilar o maior número de pessoas. O que querem conseguir, demonstrar, com semelhantes operações de selvageria pura, de crueldade inaudita, como fazer explodir uma bomba num show, num café ou numa danceteria? As vítimas costumam ser, na maioria dos casos, pessoas comuns, muitas delas com preocupações econômicas, problemas familiares, tragédias, ou jovens desempregados, angustiados por um futuro incerto neste mundo em que conseguir um posto de trabalho se tornou um privilégio. Trata-se de demonstrar o desprezo que nutrem por uma cultura que, de seu ponto de vista, está moralmente aviltada porque é obscena, sensual e corrompe as mulheres outorgando-lhes os mesmos direitos que aos homens? Só que isso não tem sentido, porque a verdade é que o podre Ocidente atrai, como o mel faz com as abelhas, milhões de muçulmanos que estão dispostos a morrer afogados para entrar neste suposto inferno.
Também não parece muito convincente que os terroristas do Estado Islâmico ou da Al-Qaeda sejam homens desesperados pela marginalização e discriminação de que padecem nas cidades europeias. A verdade é que bom número dos terroristas nasceu nelas e lá recebeu sua educação, e se integrou mais ou menos às sociedades nas quais seus pais ou avós escolheram viver. Sua frustração não pode ser pior que a dos milhões de homens e mulheres que vivem na pobreza (alguns na miséria) e não se dedicam por isso a estripar seus próximos.
A explicação está pura e simplesmente no fanatismo, aquela forma de cegueira ideológica e depravação moral que fez correr tanto sangue e injustiça ao longo da história. É verdade que nenhuma religião nem ideologia extremista se livrou dessa forma extrema de obsessão que faz algumas pessoas acreditarem que têm direito de matar seus semelhantes para lhes impor seus próprios costumes, crenças e convicções.
O terrorismo islâmico é hoje o pior inimigo da civilização. Está por trás dos piores crimes dos últimos anos na Europa, esses cometidos às cegas, sem alvos específicos, a granel, em que se tenta ferir e matar não pessoas específicas, mas o maior número de pessoas anônimas, porque, para aquela obnubilada e perversa mentalidade todos os que não são os meus –essa pequena tribo na qual me sinto seguro e solidário- são culpados e devem ser aniquilados.
Nunca vencerão a guerra que declararam, é óbvio. A mesma cegueira mental que mostram em seus atos os condena a ser uma minoria que pouco a pouco –como todos os terrorismos da história- irá sendo derrotada pela civilização com a qual querem acabar. Mas é claro que ainda podem provocar muito dano e que continuarão morrendo inocentes em toda a Europa, como os 14 cadáveres (e os 120 feridos) das Ramblas de Barcelona e sendo semeado o horror e o desespero em incontáveis famílias.
Talvez o maior perigo desses crimes monstruosos seja que o melhor que o Ocidente tem –sua democracia, sua liberdade, sua legalidade, a igualdade de direitos para homens e mulheres, seu respeito pelas minorias religiosas, políticas e sexuais- se veja de pronto empobrecido no combate contra este inimigo insidioso e ignóbil, que não mostra a cara, que está encistado na sociedade e, claro, alimenta os preconceitos sociais, religiosos e raciais de todos e leva os governos democráticos, impulsionados pelo medo e pela cólera que os pressionam, a fazer concessões cada vez mais amplas nos direitos humanos em busca da eficácia. Na América Latina aconteceu; a febre revolucionária dos anos sessenta e setenta fortaleceu (e às vezes criou) as ditaduras militares, e, em vez de trazer o paraíso à Terra, pariu o comandante Chávez e o socialismo do século XXI na Venezuela da morte lenta de nossos dias.
Para mim, as Ramblas de Barcelona são um lugar mítico. Nos cinco anos em que vivi nessa querida cidade, duas ou três vezes por semana íamos passear por elas, comprar o Le Monde e livros proibidos em seus quiosques abertos até depois da meia-noite, e, por exemplo, os irmãos Goytisolo conheciam melhor que ninguém os segredos escabrosos do bairro chinês, que estava a suas margens, e Jaime Gil de Biedma, que depois de jantar no Amaya sempre conseguia escapulir e desaparecer em algum desses becos escuros. Mas, talvez, o maior conhecedor do mundo das Ramblas barcelonesas fosse um madrilenho que aparecia nessa cidade com pontualidade astral: Juan García Hortelano, uma das melhores pessoas que conheci. Ele me levou uma noite para ver numa vitrine que só se iluminava ao escurecer uma grotesca coleção de preservativos com cristas de galo, capelos e tiaras pontifícias. O mais pitoresco de todos era Carlos Barral, editor, poeta e estilista, que, rodando sua capa negra, sua bengala medieval e com seu eterno cigarro nos lábios, recitava aos gritos, depois de uns gins, o poeta Bocángel. Aqueles anos eram os dos últimos suspiros da ditadura franquista. Barcelona começou a se libertar da censura e do regime antes que o restante da Espanha. Essa era a sensação que tínhamos passeando pelas Ramblas, que já aquilo era Europa, porque ali reinava a liberdade de palavra, e também de obra, porque todos os amigos que estavam lá atuavam, falavam e escreviam como se a Espanha já fosse um país livre e aberto, onde todas as línguas e culturas estavam representadas na dissimilar fauna que povoava esse caminho pelo qual, conforme se baixava, cheirava-se (e às vezes até se ouvia) a presença do mar. Lá sonhávamos: a libertação era iminente, e a cultura seria a grande protagonista da Espanha nova que já estava surgindo em Barcelona.
Era exatamente esse símbolo o que os terroristas islâmicos queriam destruir derramando o sangue dessas dezenas de inocentes que aquela van apocalíptica –a nova moda- foi deixando espalhados nas Ramblas? Esse recanto de modernidade e liberdade, de fraterna coexistência de todas as raças, idiomas, crenças e costumes, esse espaço onde ninguém é estrangeiro, porque todos o são, e onde os quiosques, cafés, lojas, mercados e vendas diversas têm mercadorias e serviços para todos os gostos do mundo? Claro que não conseguirão. A matança dos inocentes foi uma poda, e as velhas Ramblas continuarão atraindo a mesma variada humanidade, como antes e como hoje, quando o aquelarre [sabá] terrorista for apenas uma lembrança apagada dos velhos, e as novas gerações se perguntarem do que falam, o que e como foi aquilo.
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DE VOLTA AOS TRIBUNAIS

Por unanimidade, a Segunda Turma do STF (Supremo Tribunal Federal) aceitou nesta terça-feira, 22, denúncia apresentada pela PGR (Procuradoria-Geral da República) contra o senador Fernando Collor (PTC-AL) pelos crimes de corrupção, lavagem de dinheiro e organização criminosa. Com a decisão, Collor vira réu nas investigações da Operação Lava Jato.
A PGR acusa o parlamentar de receber R$ 29 milhões em propina pela suposta influência política na BR Distribuidora, empresa subsidiária da Petrobras. Segundo o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, além de Collor, estão envolvidos no suposto esquema a mulher do senador, Caroline Collor, e mais seis acusados que atuavam como “operadores particulares” e “testas de ferro” no recebimento dos valores.
Denúncia
Os ministros Gilmar Mendes, Dias Toffoli, Ricardo Lewandowski e Celso de Mello seguiram o voto do relator, Edson Fachin. Sem entrar no mérito das acusações, que serão analisadas ao fim do processo, Fachin entendeu que a denúncia contém os indícios legais que autorizam a abertura de ação penal contra o senador.
A denúncia afirma que o senador comprou carros de luxo com o dinheiro da suposta propina. Entre os veículos estão um Lamborghini, avaliado em R$ 3,2 milhões, uma Ferrari (R$ 1,4 milhão), um Bentley e duas Land Rover. Em julho de 2015, os carros de luxo foram apreendidos na residência particular do senador em Brasília, conhecida como Casa da Dinda.
Outro lado
Na semana passada, durante a primeira parte do julgamento, os advogados de Collor defenderam a rejeição da denúncia. O defensor de Collor sustentou durante o julgamento que não há provas de que o parlamentar teria recebido dinheiro desviado. Para o advogado Juarez Tavares, não há ato de ofício que possa comprovar contrapartida por parte do senador para receber a suposta propina.
"Não há prova efetiva de que o senador Collor de Mello tivesse recebido dinheiro destas entidades às quais estaria vinculado, ou seja, a BR Distribuidora, os postos de gasolina ou as empresas privadas às quais fazia contrato. Não há uma prova de que o ingresso nas contas do senador advém dessas empresas ou de atos vinculados à realização desses contratos”, disse o advogado.
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GAFE PETISTA

Vice-presidente do PT de Estância, em Sergipe, Zé Carlos do PT cometeu uma baita gafe ao anunciar a chegada à cidade do principal líder do seu partido, o ex-presidente Lula.
Em mensagem compartilhada por meio do WhatsApp, o dirigente chama o petista de “futuro presidiário”. Recentemente, Lula foi condenado a nove anos e meio de prisão pelo juiz Sérgio Moro e pode, realmente, ser detido, caso a segunda instância mantenha a decisão.
“Por oito votos favorável (sic), cinco contra e uma abstenção, foi confirmam (sic) o Título honorífico de cidadania estanciana para o futuro presidiário Lula (sic)”, diz a mensagem, com ênfase nas últimas palavras. Veja:
Após a trapalhada, o vice-presidente tentou se explicar. Disse ter caído em uma postagem irônica e “tendenciosa do jornalista antipetista Diogo Oliveira”.
“Quero repudiar uma nota publicada no Site Diário Sergipano do último dia 17 de agosto, do ano em curso, onde o seu diretor, o senhor Pisca Júnior, usando de má fé, mesmo sabendo que foi um equívoco meu, em compartilhar a nota escrita por Diogo Oliveira, que é assessor de comunicação do Município de Estância, a qual eu não tive o devido cuidado de ler todo o conteúdo, fui vítima dessa imprensa marrom, que tenta a qualquer custo me desqualificar perante meus companheiros de luta”, diz a nota.
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O TERCEIRO NOME...

O PSDB pode ganhar um terceiro nome para disputar com Geraldo Alckmin e João Doria a vaga de candidato do partido à sucessão do presidente Michel Temer.
O nome de um político rico, que não precisa roubar para sustentar suas próximas gerações. Que não está envolvido com falcatruas apuradas por tantas operações policiais.
Que dispõe de jatinho para viajar sem escala aos Estados Unidos ou à Europa. Que nacionalmente é conhecido e respeitado pelos que de fato detêm o poder. E que tem o perfil de algo novo, embora seja velho.
O nome é Tasso Jereissati, senador pelo Ceará, presidente em exercício do PSDB desde que seu colega, Aécio Neves (MG), foi abatido pela denúncia de que pediu R$ 2 milhões ao empresário Joesley Batista.
Tasso não trabalha para ser candidato. Depois de um período afastado da política, apesar da oposição da família, candidatou-se ao Senado com a pretensão de cumprir um único mandato. Não mudou de ideia.
As circunstâncias é que mudaram. Uma vez indicado por Aécio para substitui-lo temporariamente, Tasso aliou-se à banda do PSDB que defende o desembarque do partido do governo Temer.
Suas ações nesse sentido culminaram com o recente programa do partido no rádio e na televisão sob o mote “O PSDB errou”, levado ao ar na semana passada. Foi um desmantelo.
A banda do PSDB governista detestou o programa, jurou fidelidade a Temer e conspira abertamente para derrubar Tasso. É possível que lance até um manifesto exigindo a sua renúncia.
Nada disso seria preciso. Basta que Aécio informe a Tasso que retomará a presidência do partido para que ele perca o cargo. O cargo será de novo de Aécio até dezembro, quando expira seu mandato.
Tasso começou a limpar as gavetas da presidência do PSDB. Está pronto para sair como punido por patrocinar um programa que disse não o que as pessoas queriam ouvir, mas o que elas gostariam de falar.
Haverá situação mais promissora para quem apenas pretendia se despedir da política? Presidência da República é mais destino do que escolha.
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MANDATO CASSADO

Do G1, RJ
O Tribunal Regional Eleitoral do Rio de Janeiro (TRE-RJ) cassou os diplomas do prefeito e do vice-prefeito de Duque de Caxias, na Baixada Fluminense, em sessão plenária realizada na segunda-feira (21). Washington Reis (PMDB) e Marcos Elias Moreira (PRP) foram condenados por crime ambiental pelo Supremo Tribunal Federal (STF). Com isso, Reis foi enquadrado na Lei da Ficha Limpa, que exige que candidatos não tenham condenação em órgão colegiado.
De acordo com a decisão do TRE, Reis e Moreira só deverão se afastar dos cargos após o trânsito em julgado ou a apreciação de um eventual recurso no tribunal.
A Prefeitura de Duque de Caxias informou, por nota, que o prefeito Washington Reis lamenta profundamente, considera injusta a decisão e que vai recorrer da decisão. Ainda cabem recursos no processo.
Em dezembro de 2016, quando exercia o mandato de deputado federal Reis foi condenado a sete anos e dois meses de prisão em regime semiaberto por crime ambiental, além de pagamento de multa de 67 salários mínimos. Por unanimidade, os cinco ministros do colegiado consideraram irregular a divisão de terrenos vendidos ao deputado para a construção de um loteamento em Xerém, na Baixada Fluminense, no entorno da Reserva do Tinguá.
As obras foram iniciadas em 2003 e incluíram corte de vegetação em encostas e área de preservação permanente e a terraplanagem em beira de rio, desviando o curso da água, de acordo com a denúncia apresentada pelo Ministério Público Federal.
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segunda-feira, 21 de agosto de 2017

NA MIRA DO STF

O procurador-geral da República, Rodrigo Janot, denunciou ao Supremo Tribunal Federal o líder do governo no Senado Federal, Romero Jucá (PMDB-RR). A Procuradoria acusa o senador por crimes no âmbito da operação Zelotes, que investiga fraudes no Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf). Não se tem mais informações sobre a denúncia porque que o caso é tratado em segredo.
A notificação da denúncia será feita pelo relator do inquérito, o ministro do STF Ricardo Lewandowski, que vai receber a resposta e encaminhar para o julgamento na segunda turma do Supremo, que vai decidir se Jucá vira réu ou não.
Operação Zelotes
Neste mês, a Zelotes teve sua primeira delação premiada homologada pela Justiça Federal. O acordo foi com o réu Paulo Roberto Cortez, ex-integrante do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf), no último dia 11.
Em troca do desbloqueio de seus bens e de ter sua pena limitada a um ano de prestação de serviços comunitários, Cortez deu detalhes sobre o esquema para fraudar decisões do Carf, que é a última instância de recursos administrativos conta a cobrança de impostos e onde, em geral, são julgadas dívidas milionárias com a Receita.
Em julho, a operação descobriu que o auditor da Receita Federal em São Paulo Eduardo Cerqueira Leite recebeu R$ 1,5 milhão em propina no esquema de fraude do Carf, o chamado “Tribunal da Receita”.
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UM CHUCHU INCONVENIENTE

Mario Vitor Rodrigues, ISTOÉ
Responda rápido: quantas vezes você se preocupou em desmentir um boato falso a seu respeito? Excetuando episódios de difamação, convenhamos, talvez nunca. Afinal, que urgência pode existir em contradizer uma acusação vazia? Por outro lado, se o desejo é precisamente o de reforçar um rumor, negá-lo ad nauseam pode ser útil.
Assim faz João Doria, sempre que é confrontado sobre uma possível candidatura sua à Presidência da República. Tal estratégia tem funcionado, contudo o cenário poderia ser ainda mais alvissareiro para o prefeito paulistano se não fossem Geraldo Alckmin e o PSDB, legenda habituada a patinar nas próprias vaidades.
Não por acaso, uma celeuma impensável em outras paragens se repete no seio do partido liderado por Fernando Henrique Cardoso: mais de um nome se apresenta em condições de disputar o pleito em 2018, sendo que apenas um deles vai ao encontro do anseio popular por novidades. E ainda assim cogitam apostar em Geraldo.
Questionar a sua capacidade administrativa de Alckmin requer prudência. No fim das contas, não pode ter sido apenas por excesso de carisma que ele foi eleito governador de São Paulo em duas ocasiões, sem contar os cargos de deputado estadual e federal. Entretanto, o seu tempo já passou.
E não apenas pelo fato de já ter tido a oportunidade de se eleger presidente em 2006, quando foi derrotado por Lula, mas pelo que representa.
O viço de um candidato não pode desviar a atenção do eleitor quando esstee julga o seu plano de governo e capacidade para sugerir ideias. Assim como a sua lisura moral não deve ser tomada como inatacável de antemão, somente pelo vigor de um discurso moderno. Essas e tantas outras ressalvas podem fazer sentido, mas a verdade é que chegou a hora de políticos com quase meio século de vida pública cederem espaço para uma nova geração.
Titubear na hora de tomar decisões importantes sempre foi uma postura detestável por parte dos tucanos. Tanto quando o País esteve melhor, período em que ocuparam o poder, quanto depois, ao se oferecem submissos para o surgimento da nefasta hegemonia petista.
Pois, dessa vez, espera-se que pelo menos concedam ao cidadão a oportunidade de ter uma opção diferente. Com todos os cuidados que esse termo pede, mas também com a esperança de quem está exausto de ser conduzido à urna para votar nos mesmos nomes.
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domingo, 20 de agosto de 2017

CONTA DE NUNCA CHEGAR

Artigo de Fernando Gabeira
Quando cheguei à Argélia para o exílio, o pernambucano Maurílio Ferreira Lima já morava lá. Levou-me para um passeio e passou num açougue para comprar carne. Fez a transação em francês mas, ao sair, disse da porta: “pendura”. Fiquei surpreso com a naturalidade e o sorriso do açougueiro. Maurílio revelou que esta era a única palavra em português que ensinou a ele.
Cada vez que o governo vem anunciar uma nota fiscal, lembro-me de Maurílio. É como se dissessem: “mais R$ 20 bilhões, pendurem”. Maurílio pagava suas contas em dia. Ao contrário do governo, tratava apenas do que comprava, e não de projeções para o ano seguinte. O governo pendurou R$ 20 bilhões em 2107 e anunciou que vai pendurar R$ 30 bilhões em 2018.
Quem vai pagar tanto dinheiro? Eles falam em economia nos gastos públicos. Não acredito. Os dados estão aí: deputados e senadores querem alguns bilhões para financiar suas campanhas.
Se fossem só os políticos, ainda havia uma esperança. A Justiça, que tem sido aliada da sociedade na luta contra a corrupção, é muito reticente quando se discutem os supersalários que excedem o teto legal. Nesta semana, falando com um procurador que atua no Norte do país, ele me passou um quadro desolador. Há promotores que chegam a ganhar R$ 125 mil mensais.
As notícias sobre juízes do Mato Grosso que receberam até R$ 500 mil frequentaram o noticiário e saíram em paz. Um dos juízes chegou a declarar: “não estou nem aí para o espanto que a notícia causou”. Ele não está mesmo. Considera legal receber, e pronto. O próprio Supremo Tribunal Federal sempre tem se manifestado a favor de quem ganha tanto dinheiro com salário e penduricalhos.
Nesse sentido, a orfandade dos brasileiros é total. Os políticos não só desviam dinheiro como inventam fórmulas para receber fortunas através de suas leis eleitorais. E a Justiça não mostra nenhuma sensibilidade para o problema. O que fazer nessas circunstâncias?
Dentro do quadro de apatia que se criou no país, parece que a alternativa é trabalhar e separar o dinheiro do imposto, assim como muitos, em áreas de risco, saem com o dinheiro exato do assalto. Mas é uma tática que tem seus limites. A máquina burocrática brasileira é muito pesada para o país. Ela se comporta como se estivéssemos nadando em dinheiro.
O grande problema da necessária austeridade é o próprio governo. Se ele tem um projeto de reforma da Previdência que implica em sacrifícios para alguns, quem vai apoiá-lo sabendo que não há reciprocidade nos esforços? O resultado disso é a marcha da insensatez que vai nos levando progressivamente ao caos. No momento, falamos em bilhões com tranquilidade, mas já há quem calcule em meio trilhão o rombo nos próximos anos.
Mas toda essa conversa sobre números acaba sendo abstrata. Nas estradas, caiu o policiamento; nas fronteiras, a redução de verbas dificulta a ação das Forças Armadas. Nos hospitais, então, a escassez mata.
Em 2013, a sociedade intuiu que isso estava errado e se manifestou nas ruas, queria serviços decentes para os impostos que paga. Naquele momento, as grandes empresas estavam tranquilas. Se reclamavam dos impostos, a resposta foi simples: ampliar isenções. O BNDES emprestava dinheiro a juros reduzidos, e os próprios políticos ofereciam isenções. De tal forma ofereceram que, no Rio, cabeleireiros, joalherias e até um prostíbulo tornaram-se isentos. A corrupção mostrou como recursos públicos eram drenados. A quebradeira agora vai colocar também em cena algo que não era tão discutido em 2013. Pedia-se um serviço decente em troca do imposto.
Agora, num momento em que cogitam a alta dos impostos, o Brasil merece um grande debate sobre como o bolo dos recursos públicos é dividido.
Por que há tantas isenções e qual o benefício que trazem para o país? Por que uma máquina com tanta gente é tão pouco produtiva? Por que salários tão altos, tantos penduricalhos?
No Congresso participei de inúmeros debates sobre isso, tentando convencer o governo, na época, a reduzir radicalmente as viagens, que custavam em torno de R$ 800 milhões por ano. Já havia os meios para isso: teleconferência, Skype. Hoje foram ampliados com novas alternativas.
O alto custo não é apenas com passagens, mas também com as diárias pagas aos funcionários. Por isso, quando se fala em reduzir custos e aumentar a produtividade, há sempre uma resistência. Apesar de haver gente bem-intencionada entre os funcionários, o ânimo para aumentar a produtividade de serviços públicos deveria vir do universo político.
Do mundo político não virá nada. Foi o próprio sistema político-partidário que criou esse monstro dispendioso. Os políticos, nesse episódio, não são uma solução, e sim uma parte substancial do problema. Se depender eles, o atraso se eterniza. Sempre que apertar, vão dizer: “pendurem”.
Artigo publicado no Segundo Caderno do Globo em 20/08/2017
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sábado, 19 de agosto de 2017

VERDE DEMISSÃO

Atritos envolvendo projetos e licenças ambientais e uma negociação política feita pelo prefeito João Doria (PSDB) para acomodar mais dois partidos - PR e PSB - na Prefeitura de São Paulo derrubaram o secretário municipal do Verde e do Meio Ambiente, Gilberto Natalini (PV). Ele deve deixar o cargo na próxima terça-feira e reassumir o mandato de vereador.
O Estado apurou que um dos fatores que pesaram na saída de Natalini, o quarto secretário a deixar a gestão em oito meses, envolve o licenciamento ambiental de obras. Ele teria denunciado à Controladoria-Geral do Município (CGM) um esquema que fraudava licenças para viabilizar edificações irregulares. Doria ouviu a queixa e teria dito ao secretário que o caso será investigado pelo novo controlador, Guilherme Mendes, que assumiu nesta sexta-feira, 18.
Segundo o Estado apurou, o prefeito estava descontente com o trabalho de Natalini, que teria dificultado o licenciamento ambiental de obras e não conseguiu contratar os serviços de zeladoria dos parques. A licitação foi suspensa em março pelo Tribunal de Contas do Município (TCM).
Outro ponto de desgaste envolveria o chamado Corredor Verde na Avenida 23 de Maio, inaugurado neste mês. O jardim vertical nos muros da avenida foi feito usando regras de um Termo de Compensação Ambiental (TCA) por cortes de árvores feito na gestão Fernando Haddad (PT), criticado por ambientalistas e contestado na Justiça por Natalini, vereador na época. Apesar da crítica, Doria disse ao secretário que vai expandir a ideia.
Arranjo. Desgastado, Natalini virou “solução” para uma minirreforma que Doria já pretendia fazer em seu secretariado para abrigar o PSB, que ficou sem cargo após a saída de Eliseu Gabriel em julho, e o PR, que apoiou Haddad na eleição. A adesão do PR ao governo Doria foi selada em almoço do prefeito com o presidente da sigla, Antonio Carlos Rodrigues, no início do mês. A pasta que será dada ao PR, que tem quatro vereadores na Câmara, deve ser anunciada neste sábado, 19, em almoço de Doria com os parlamentares aliados. O tucano quer aprovar ainda neste semestre o pacote de concessões e privatizações.
Procurado, Doria disse que “tem profundo respeito, admiração e amizade pessoal com Natalini”. Ele, por sua vez, não quis se manifestar.
Além de Natalini e Eliseu Gabriel, ex-secretário do Trabalho, também deixaram a Prefeitura as vereadoras Soninha Francine (PPS), ex-Assistência Social, e Patrícia Bezerra (PSDB), ex-Direitos Humanos. Nesta sexta, Doria também trocou dois prefeitos regionais, na Penha e na Vila Prudente.
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AS MANOBRAS PETISTAS

Da ISTOÉ
Há duas semanas, a futura chefe do Ministério Público Federal, Raquel Dodge, foi procurada por emissários da Lava Jato de Curitiba. Na bagagem, os integrantes da maior operação de combate à corrupção da história recente do País levaram uma denúncia. No epicentro do escândalo, a entourage do ainda procurador-geral da República, Rodrigo Janot. Segundo o relato, há cerca de um ano e meio, Janot e sua equipe desenvolveram um roteiro paralelo às investigações da Lava Jato com o objetivo de favorecer o PT e seus principais líderes. Nos últimos dias, sem a anuência da turma de Curitiba, o grupo do procurador-geral resolveu protelar a homologação da delação da OAS, cujo conteúdo – “nitroglicerina pura” para Lula e o PT – já está à disposição da PGR para ser encaminhada ao STF há mais de 10 dias, para dar prioridade máxima à conclusão de forçados acordos com o ex-deputado Eduardo Cunha e o doleiro operador do PMDB, Lúcio Bolonha Funaro. O objetivo da ação seria o de fortalecer uma suposta nova denúncia contra o presidente Michel Temer. Os aliados de Janot querem, a qualquer preço, que as delações de Funaro e Cunha envolvam Temer e a cúpula do PMDB, mesmo que para isso tenham que agir ao arrepio da lei.
Os interlocutores de Raquel Dodge enxergam nos métodos nada ortodoxos do time de Janot um movimento claro, objetivo e muito bem direcionado, mas de fins nada republicanos: um esquema montado e conduzido pelo procurador-geral da República destinado a favorecer o ex-presidente Lula e os principais líderes petistas nos processos em que são alvos. Ou seja, as delações da OAS que comprometem definitivamente Lula e Dilma e narra detalhes sobre o tríplex no Guarujá e o sítio em Atibaia, casos em que o ex-presidente já é réu, ficam para as calendas. Já as delações ainda sem provas concretas que possam comprometer o presidente Temer e seus aliados são aceleradas. Há quinze dias, um dos integrantes da força-tarefa da Lava Jato sediado no Rio Grande do Sul já havia feito desabafo sobre o esquema do PT no Ministério Público a um ministro do STJ. O encontro ocorreu no saguão de embarque do aeroporto de Brasília. “Agora se sabe que a operação montada por Janot só não dominou completamente a Lava Jato porque houve uma forte resistência do pessoal de Curitiba”, sapecou.
O esquema funciona desde meados de 2015, com momentos de maior e menor intensidade. Ganhou musculatura depois do impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff e, nas últimas semanas, enfureceu os procuradores e agentes federais hoje mais alinhados com o coordenador da força-tarefa do MPF, Deltan Dallagnol. O estopim foi a maneira como se desenrolaram as tratativas para a delação de Eduardo Cunha. O acordo estava sendo negociado havia mais de três meses. São cerca de 100 anexos, que comprometem 20 políticos entre parlamentares e governadores. Os procuradores de Curitiba sustentam que já têm provas suficientes para apontar Cunha como chefe de uma organização criminosa e afirmam que o que ele está revelando agora já está bem caracterizado nas investigações da Lava Jato. Portanto, são contra oferecer ao deputado os benefícios da delação premiada. Apesar disso, os procuradores ligados a Janot procuram, desde julho, convencer Cunha a informar sobre uma conta ou um truste mantido em paraíso fiscal que pudesse ter ligação com o presidente Michel Temer e chegaram a oferecer ao ex-presidente da Câmara a possibilidade de ser colocado em liberdade até o final do ano. Como o peemedebista não trouxe à luz fatos que se enquadrassem às conveniências do grupo de Janot, na segunda-feira 14, os advogados de Cunha receberam a notícia de que as negociações estavam encerradas. Na última semana, procuradores próximos à futura comandante da PGR manifestaram que delações obtidas pelo esquema de Janot poderão ser alvo de revisões, o que será possível apenas com a anuência do Supremo Tribunal Federal. “Embora tenha sido indicado pelo PT e não esconda suas simpatias pelo partido, não acreditamos que o ministro Fachin, responsável por acompanhar a Lava Jato no STF, compactue com esse tipo de coisa”, afirmou à ISTOÉ um procurador ligado à Raquel Dodge na terça-feira 15.
De acordo com os relatos feitos ao grupo da futura procuradora-geral, no início da Lava Jato, o esquema de Janot procurava dificultar as delações que apontassem para os líderes do PT. Depois de aceito o processo do impeachment de Dilma na Câmara, Janot e seu grupo passaram a facilitar as delações que envolvessem adversários do PT. O objetivo era o de procurar interferir nos votos contra Dilma. “Ficou claro que há um direcionamento das delações”, afirma o procurador do Rio Grande do Sul. “Num primeiro momento para procurar evitar o impeachment colocando os líderes de todos os partidos em um mesmo saco. Agora, o roteiro de Janot é o de levar a pique o governo”.
O problema, para o procurador-geral, é que ele está cada átimo de tempo mais esvaziado na PGR. Desde que a Câmara rejeitou a denúncia contra o presidente e com a ascensão de Raquel Dodge ao posto máximo do MPF, o esquema vem ruindo como castelo de cartas. Escaldados, os procuradores antes unha e carne com Janot já atuam no sentido de se reposicionar internamente. Ninguém quer ficar carimbado como “preposto de Janot” a menos de um mês da troca da guarda na PGR. “Aos poucos, ele vai virando uma rainha da Inglaterra. Ninguém mais o obedece”, afirmou um integrante do MP de Brasília. Diante desse cenário, até a propalada segunda denúncia contra Temer estaria comprometida. “Sem as novas delações, falta substância e até apoio interno para uma nova investida contra o presidente”, acrescentou o mesmo procurador.
Claro há exceções. Uma delas é o procurador Carlos Fernando. Na semana passada, ele declarou que havia sido convidado por Temer, ainda na condição de vice-presidente, para uma conversa noturna fora da agenda, no Palácio Jaburu, para discutir os rumos da Lava Jato. O procurador não tem como provar o que diz e também não consegue explicar por que não fez tão importante revelação no momento em que o convite teria sido feito há um ano.
DELAÇÕES DIRIGIDAS
“Além do empenho em dirigir os depoimentos de Cunha, há duas delações que foram conduzidas pelo esquema de Janot para favorecer o PT”, confidenciou o procurador de Porto Alegre ao ministro do STJ. A primeira delas foi a do ex-presidente da Transpetro, Sérgio Machado. Historicamente ligado ao PMDB, Machado afirmou que líderes do partido como o ex-presidente José Sarney, o ex-ministro Romero Jucá e o senador Renan Calheiros, estariam empenhados em paralisar as investigações da Lava Jato. Como Machado não tinha como provar o que disse, ele foi orientado pela turma de Janot a gravar conversas com Sarney, Jucá e Renan no sentido de tentar obter algo que os comprometessem. A PF chegou inclusive a fornecer equipamentos de gravação e escuta para que o delator dirigido fizesse seu trabalho. As gravações foram feitas, mas não conseguiram elucidar nada. Mesmo assim, Machado teve a delação homologada. Recentemente, a PF reconheceu que a delação do ex-presidente da Transpetro se revelou ineficaz. “Não apenas quanto à demonstração da existência dos crimes ventilados, bem como quanto aos próprios meios de prova ofertados”, resumiu a delegada Graziela Machado da Costa e Silva. A delação dirigida de Machado foi feita em maio do ano passado e gerou notícias negativas para o PMDB e seus principais líderes. A votação do impeachment ocorreu três depois.
O mais flagrante esquema de favorecimento ao PT implantado por Janot na PGR se deu com a delação do empresário Joesley Batista. Nesse caso, além dos procuradores ligados ao grupo de Curitiba, as críticas também partem da Polícia Federal. Os policiais condenam com eloquência o acordo entre os sócios da JBS, os irmãos Joesley e Wesley Batista, que estão soltos, sem tornozeleira eletrônica, e tiveram até o direito de partir para um exílio dourado em Nova York. “As críticas internas são enormes”, contou um investigador à ISTOÉ. Para a Polícia Federal, os Batista não entregaram o que prometerem e, mesmo assim, continuam usufruindo dos benefícios como se tivessem cumprido o prometido. “Não havia motivo para conceder tantos privilégios a um grupo que cometeu crimes graves”, afirma outro delegado que atua há anos na Lava Jato. Janot é acusado de ter concedido um salvo conduto a Joesley, que não ficou nem um dia preso. Enquanto outros delatores não viveram esse ‘dolce far niente’. Além dos demasiados benefícios, delegados criticam abertamente a falta de provas nos acordos dos sócios da JBS. Eles entendem que apesar de todo o alarde, muito pouco foi documentado, o que fragiliza a delação.
Um dos exemplos da falta de elementos para assegurar a delação da JBS é o das investigações de contratos com o BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social). Para a Polícia Federal, os trabalhos caminhavam bem antes da assinatura dos acordos. “As investigações já estavam adiantadas, não precisava dessa delação”, disse um delegado na quarta-feria 16. “A gente alcançaria o mesmo resultado sem conceder tantos benefícios a pessoas que lesaram os cofres públicos por anos”, completou outro investigador ouvido por ISTOÉ. O objetivo do grupo de Janot ao acelerar a delação da JBS era o de desestabilizar a gestão de Temer ás vésperas da votação das reformas e obter elementos para forçar uma denúncia oficial contra o presidente.
Diante do escândalo, o grupo de Raquel Dodge já definiu que essa delação vai passar por um pente fino. Em algumas conversas, a futura procuradora- geral já afirmou que será rigorosa numa eventual revisão do caso. Ele terá que comprovar as acusações que fez. Além de facilitar e até incentivar as acusações contra o PMDB, Temer e parte do PSDB, principalmente Aécio Neves, o esquema paralelo montado por Janot dentro do Ministério Público procurou dificultar as delações que envolvem o alto escalão petista e até fez vistas grossas a algumas arbitrariedades. Quando a ex-presidente Dilma tentou nomear Lula para a Casa Civil, por exemplo, Janot cambaleou. No final de março, deu sinal verde dizendo que um presidente teria o direito de escolher seus ministros. Constrangido, foi obrigado a recuar e dez dias depois, em abril, pediu a anulação da nomeação porque o ato estava maculado de desvio de finalidade.
O esquema pró-PT passou a operar de forma mais visível e incisiva a partir de abril do ano passado, quando a Câmara dos Deputados aprovou a abertura de processo de impeachment contra ex-presidente Dilma Rousseff. Até então, a atuação do grupo se dava de maneira discreta, tentando impedir que as delações envolvendo a cúpula petista fossem homologadas. Para tanto, de acordo com um procurador que atua em Porto Alegre, Janot e seu grupo eram absolutamente rigorosos na busca de provas para tudo o que fosse revelado pelos delatores. No caso do ex-senador Delcídio Amaral, por exemplo, as confissões feitas por ele só receberam sinal verde da procuradoria após exaustiva investigação da Polícia Federal, que confirmou suas declarações por intermédio dos sistemas de segurança de restaurantes e cópias de passagens aéreas. Diretores de empreiteiras como Andrade Gutierrez e UTC só obtiveram os benefícios da delação premiada após apresentarem cópias de extratos bancários e de longas perícias feitas na contabilidade das empresas. “As exigências eram muitas e boa parte da investigação só foi avante devido o posicionamento do juiz Sérgio Moro e o respaldo encontrado por ele nos desembargadores do Tribunal Regional Federal”, disse o procurador ao ministro do STJ. Pelo bem do País e do estado democrático de direito, que hoje resvala no estado de exceção, os dias da atual gestão à frente da PGR estão contados.
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RECOMEÇA A FARRA POLÍTICA

Editorial ISTOÉ
Legendas de aluguel, candidatos de olho nas urnas, agremiações majoritárias e o elenco geral de parlamentares, governadores, prefeitos e agregados não pensam em outra coisa no momento. A “mãe” de todas as reformas, aquela que toca diretamente no destino e bolso dessa constelação de dependentes do voto, entrou na ordem do dia. Tem prazo até meados de setembro para ser aprovada. Caso contrário, suas regras não terão validade nas eleições de 2018. Sem ela será um “Deus nos acuda”. Repeteco de velhos vícios. Tramoias nas coligações. Acordos espúrios buscando tempo de veiculação de propaganda na TV. Disparada na quantidade de partidos na disputa. E mais grave, na concepção daqueles que estarão na corrida pela preferência popular: a falta de dinheiro. Sim, é com isso que estão fundamentalmente preocupados. Na prática, a turma do Congresso está fazendo a reforma política para resolver caixa de campanha. Arranjar um recursozinho extra. Meter a mão na bufunfa do Tesouro Público. Simples assim. Depois da proibição das contribuições de empresas. Depois da atenção redobrada da polícia sobre os esquemas de Caixa Dois. Depois do desencanto dos eleitores com seus representantes – enojados que estão devido às falcatruas sem fim. Depois, em resumo, da secura nas fontes de financiamento só restou como alternativa apelar ao erário. E é o que estão fazendo, com incontrolável desfaçatez, os menestréis do legislativo. Como medida um, já votada a toque de caixa, com a adesão da quase totalidade dos membros da comissão encarregada de analisar a matéria (25 dos 34 integrantes disseram sim e ainda ocorreram abstenções), formalizou-se a criação do famigerado “Fundo Especial de Financiamento da Democracia”. A pomposa nomenclatura libera uma espécie de cheque gordo, da ordem de R$ 3,6 bilhões, para bancar os gastos das legendas em 2018. Um despautério! Ainda mais se levando em conta a existência do chamado Fundo Partidário, que já recebe R$ 800 milhões de subvenções do Estado distribuídas proporcionalmente a cada sigla.
Com a verba adicional – de cunho democrático, como frisam seus idealizadores até no eufemismo bolado para desculpa – o falido modelo em vigor sai robustecido. O “Fundo Democrático” não deixa de ser uma contabilidade paralela. Uma grana de “pai para filho”, digamos, generosa. Assim a farra dos políticos recomeça de maneira revigorada daqui por diante. Não há como evitar. Prezados contribuintes, brasileiros cumpridores de deveres e pagadores de impostos, irritados com o pouco caso que fazem de suas economias, saibam de antemão: o custo extra pesará de novo nas suas costas. Informalmente, a Câmara dos Deputados e o Senado Federal já fecharam questão nesse sentido. Faltam leitos em hospitais, carteiras nas escolas, ônibus nas ruas. O País anda carente de uma enormidade de investimentos públicos. Mas o dinheiro dos políticos parece sagrado. Não pode faltar. Surge como prioridade por deliberação dos próprios. De Norte a Sul, o desejo maior que brotou nas seguidas discussões por mudanças foi por uma reforma política que varresse do mapa a picaretagem predominante na atividade. Ainda há chances de algo dessa natureza ocorrer através de outros instrumentos em estudo. Eles ficaram em segundo plano nas negociações, mas não estão descartados. A cláusula de barreira, por exemplo, que deverá servir para limitar o festival de siglas em operação, é uma delas. O aperfeiçoamento no regime de sucessão em caso de vacância de poder, especialmente no que se refere à presidência da República, é outra. Os mandatos nos tribunais – que terão prazo máximo de dez anos – e os modelos de posses, em um calendário mais racional, também entram no rol de revisões positivas. O “distritão”, onde cada estado vira um distrito e os mais votados são eleitos, representa por sua vez um erro. Se, por um lado, ele evita que deputados supervotados carreguem outros do partido ou da coligação com mau desempenho nas urnas; por outro, o “distritão” traz vários efeitos colaterais indesejáveis. Entre eles, o de tornar sem efeito boa parte da participação dos eleitores, gerando um “desperdício” de votos. Isso ocorre porque os votos dados “em excesso” a determinados candidatos são desconsiderados, assim como aqueles lançados em nomes que não conseguiram quórum mínimo para uma vaga. De uma maneira geral, reformas de qualquer natureza devem ser bem-vindas desde que contemplem o interesse da maioria. No presente caso, a minoria ruidosa dos parlamentares colocou na frente suas conveniências. Mau começo e sinal de que ainda não aprenderam.
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APAGANDO VELINHAS

Hoje tem bolo de chocolate, é aniversário do ex-vereador de Sobral (CE), Zé Inácio. O jovem político da família Prado desenvolveu um excelente trabalho na Câmara Municipal, recebendo respaldo da população sobralense.
Parabéns, Zé Inácio! Saúde, paz e felicidade.
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sexta-feira, 18 de agosto de 2017

MAIS UMA DEMISSÃO

O prefeito de São Paulo, João Doria (PSDB), demitiu a controladora-geral do Município, a procuradora e funcionária de carreira Laura Mendes de Barros, nesta quinta-feira, 17. A nova controladora será um profissional do Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo (TRE-SP).
A informação foi confirmada na manhã desta quinta pelo secretário municipal de Justiça Anderson Pomini. O nome do futuro controlador ainda não foi anunciado e Pomini negou a existência de insatisfação com o trabalho de Laura.
“A equipe que foi constituída na gestão (do ex-prefeito Fernando Haddad) é a que continua capitaneando os trabalhos da controladoria. Agora, passados oito meses, a gestão entendeu por bem atualizar e incorporar membros desta gestão”, diz o secretário.
Em novembro do ano passado, Doria anunciou mudança de status na Controladoria. Após rebaixar a CGM, o tucano indicou uma funcionária de carreira da Prefeitura para o posto de chefe.
Depois de rebaixar o status da CGM, Doria indicou uma funcionária de carreira da Prefeitura para o posto de chefe da CGM. O órgão, que antes respondia apenas ao prefeito e resultou na recuperação de quase R$ 400 milhões desviados ilicitamente, passou a ter de se reportar a Pomini.
“Indicamos um profissional de absoluto renome, conhecimento técnico e experiência na área de controle. É um profissional do Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo que veio para auxiliar o trabalho da Controladoria, da Ouvidoria e da Corregedoria-Geral do município”, explica o secretário.
Do Estadão Conteúdo
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INTIMADO A DEPOR

A Polícia Federal (PF) deflagrou nesta sexta-feira, 18, a Operação Convergência, com objetivo de apurar pagamentos indevidos em obras de Infraestrutura no Estado do Tocantins. O governador Marcelo Miranda (PMDB) foi intimado a depor.
De acordo com a PF, cerca de 40 policiais federais cumprem mandados de busca apreensão e intimações. Todos os depoimentos serão acompanhados por um Ministro do STJ e por um Subprocurador da República.
A apuração, que tramita no Superior Tribunal de Justiça (STJ), apontou que obras de terraplenagem e pavimentação asfáltica realizadas no Estado do Tocantins entre 2011/2014 custaram cerca de aproximadamente R$ 850 milhões de reais, e geraram créditos indevidos a empresários.
Os pagamentos realizados entre os anos de 2011/2014 totalizaram aproximadamente R$ 730 milhões de reais, enquanto o restante, mais de R$ 120 milhões de reais foram efetivamente quitados em anos posteriores. O nome da operação faz referência a interseção existente entre a Operação Ápia e Operação Reis do Gado.
Do Estadão Conteúdo
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PRISÃO TEMPORÁRIA

Do G1, SP e Brasília
O ex-líder dos governos Lula e Dilma na Câmara dos Deputados Cândido Vaccarezza, que deixou o PT, foi preso nesta sexta-feira (18) em São Paulo. Ele é alvo da Operação Abate, uma das duas novas fases da Operação Lava Jato deflagradas nesta manhã.
A prisão é temporária, válida por cinco dias. Ele deixou seu apartamento, na Mooca, Zona Leste de São Paulo, por volta das 10h. Acompanhado de agentes da PF, ele entrou em uma Pajero preta e deve seguir para Curitiba ainda nesta sexta. A PF afirmou que agentes encontraram R$ 122 mil na casa de Vaccarezza.
O G1 não conseguiu contato com a defesa de Vaccarezza. O PT, por meio de nota, afirmou que não tem informações sobre o processo e que espera que o ex-deputado tenha a oportunidade de esclarecer a acusação.
Principais pontos das investigações
Ações apuram o favorecimento de empresas estrangeiras em contratos com Petrobras.
Operação Abate investiga fraudes no fornecimento de asfalto para a Petrobras por uma empresa norte-americana, entre 2010 e 2013.
Funcionários da Petrobras, o PT e, principalmente, Cândido Vaccarezza teriam recebido propinas que somam US$ 500 mil no esquema da Abate.
Operação Sem Fronteiras investiga o pagamento de propinas para contratação de armadores (transportadores marítimos) da Grécia, entre 2009 e 2013.
Ao menos 2% dos contratos com as empresas gregas, que superaram US$ 500 milhões, seriam propina para políticos, funcionários da estatal e operadores financeiros.
As investigações surgiram da delação do ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa.
O G1 não conseguiu contato com a defesa de Vaccarezza. O PT, por meio de nota, afirmou que não tem informações sobre o processo e que espera que o ex-deputado tenha a oportunidade de esclarecer a acusação. O Avante, antigo PTdoB, atual partido de Vacarezza, divulgou nota afirmando que desconhece o processo e aguarda esclarecimentos para se manifestar depois. O G1 não conseguiu contato com a empresa Sargeant Marine.
No total, foram cumpridas 46 ordens judiciais distribuídas em 29 mandados de busca e apreensão, 11 mandados de condução coercitiva e 6 mandados de prisão temporária – incluindo o de Vaccarezza – em São Paulo, Santos e Rio de Janeiro. Dois ex-gerentes da Petrobras estão entre os alvos dos mandados de prisão temporária.
Operação Abate
O Ministério Público Federal (MPF) afirma que Vaccarezza usou a influência decorrente do cargo em favor da contratação da empresa Sargeant Marine pela Petrobras. No total, a empresa obteve 12 contrato entre 2010 e 2013 que somam US$ 180 milhões.
O ex-deputado, segundo o MPF, foi o principal beneficiário de US$ 500 mil em propina que eram destinados ao PT. Também foram beneficiados pelo pagamento de propina o ex-diretor da estatal Paulo Roberto Costa, que se tornou delator da Lava Jato.
O MPF aponta ainda que Vaccarezza pode ter recebido propina e repassado informações confidenciais da Petrobras à empresa Quimbra na comercialização de tolueno (uma substância obtida do petróleo).
Outras suspeitas contra Vaccarezza
07 de março de 2015
STF divulga lista e autoriza investigação contra 47 deputados mencionados em delações premiadas na Operação Lava Jato. O nome de Cândido Vaccarezza aparece pela primeira vez como suspeito por desvio de recursos da Petrobras.
17 de junho de 2015
Vaccarezza foi à Polícia Federal depor sobre acusações de que teria recebido propina quando atuava na Petrobras. Na ocasião, o petista afirmou que as acusações contra ele eram inconsistentes.
03 de setembro de 2015
Polícia Federal conclui investigações contra Vaccarezza e afirma que haviam indícios de que Alberto Youssef, ex-doleiro do PP, pagou propina ao ex-deputado petista durante campanha eleitoral de 2010.
12 de janeiro de 2016
Em sua delação premiada, o ex-diretor da Petrobras Nestor Cerveró relata que foi indicado à diretoria financeira da BR Distribuidora por gratidão do PT com ele, após reunião com Vaccarezza e outros políticos.
15 de março de 2016
TRE-SP rejeita contas da campanha eleitoral de 2014 de Cândido Vaccarezza. Segundo o tribunal, o petista deixou de informar despesas realizadas que foram encontradas pela Justiça Eleitoral.
15 de junho de 2016
Delator da Lava Jato, o ex-presidente da Transpetro Sérgio Machado afirmou aos investigadores que Vaccarezza recebeu R$ 500 mil de propina desviada da Petrobras.
12 de abril de 2017
Relator da Lava Jato no STF, o ministro Edson Facchin pede abertura de inquérito contra Cândido Vaccarezza e mais 38 deputados. A suspeita é de que o ex-deputado do PT tenha pedido propina à Odebrecht em troca da aprovação de um investimento pela Previ, o fundo de pensão dos funcionários do Banco do Brasil.
Perfil
Cândido Elpídio de Souza Vaccarezza, 61 anos, foi duas vezes deputado estadual em São Paulo e outras duas deputado federal. Nos quatro mandatos era filiado ao PT. Em Brasília, foi líder do governo dos ex-presidente Lula e da ex-presidente Dilma Rousseff. Ganhou fama de articulador hábil e ecumênico, com trânsito nas bancadas de partidos que tradicionalmente fazem oposição ao PT.
Vaccarezza ganhou espaço nas articulações do PT em Brasília a partir do vácuo provocado derrocada do ex-ministro José Dirceu, a partir do escândalo do mensalão, em 2005. O então deputado foi apontado como figura decisiva nas negociações que levaram o petista Arlindo Chinaglia (SP) à presidência da Câmara dos Deputados, em 2007.
Apesar da carreira política construída em São Paulo, Vaccarezza nasceu na Bahia. Natural de Senhor do Bonfim (BA), iniciou a militância política no movimento estudantil. Participou da União Nacional dos Estudantes (UNE) e concluiu o curso de medicina na Universidade Federal da Bahia (UFBA). Atuou nos primórdios do PT em seu estado e migrou para São Paulo, na década de 1980, para fazer a residência médica. Fixou a nova morada e, a partir dos anos 2000, conquistou seus mandatos eletivos.
Ex-secretário da Cultura Esportes e Lazer da cidade de Mauá (SP), chegou à Assembleia Legislativa como suplente. Em 2001, assumiu cadeira na Casa em razão de parlamentares petistas que ocuparam secretarias na gestão de Marta Suplicy na prefeitura de São Paulo. Em 2002, Vaccarezza ganhou a vaga de titular nas urnas. Em 2006 e 2010 elegeu-se deputado federal. Tentou um terceiro mandato em 2014, mas não conseguiu a nova reeleição.
O fracasso nas urnas acelerou o distanciamento de Vaccarezza do PT e ampliou as críticas dirigidas pelo político ao governo de Dilma Rousseff. Ele deixou o partido em 2016, após 35 anos de militância. Na oportunidade, anunciou apoio ao candidato do PRB à prefeitura de São Paulo, Celso Russomanno.
Disposto a reconquistar o mandato, Vaccarezza filiou-se ao PTdoB e assumiu o diretório estadual da legenda, que recentemente mudou de nome para Avante.
Operação Sem Fronteiras
Também na manhã desta sexta-feira, a Polícia Federal deflagrou outra operação ligada à Lava Jato. A outra fase, chamada de Sem Fronteiras, tem como foco irregularidades envolvendo executivos da Petrobras e grupo de armadores estrangeiros, que obtiveram informações privilegiadas para fechar contratos milionários com a empresa brasileira.
Segundo as investigações, Paulo Roberto Costa ajustou com o cônsul honorário da Grécia no Brasil, Konstantinos Kotronakis, um esquema de facilitação de contratação de navios gregos. O operador Henry Hoyer de Carvalho, que foi alvo da 13ª fase da Lava Jato, teria efetivado o esquema entre 2008 e 2010. Depois, quem assumiu o comando foi uma empresa de brokeragem constituída na Inglaterra e pertencente a Georgios Kotronakis, filho de Konstantinos.
O MPF afirma que os grupos Tsakos e Aegean, dos quais Konstantinos Kotronakis é, respectivamente, diretor e sócio-administrador, além das empresas Dynacom Tankers Management, Galbraiths e Dorian Hellas, com as quais o cônsul grego tinha vínculos indiretos, formalizaram contratos de afretamento com a Petrobras, entre os anos de 2009 a 2013, em valores que superam US$ 500 milhões.
De acordo com as investigações, ao menos 2% desses valores era destinado ao pagamento de propina a funcionários públicos, operadores financeiros e políticos. Costa já tinha afirmado ao MPF que recebeu US$ 530 mil em propina de Konstantinos Kotronakis.
A defesa de Konstantino e Georgios Kotronakis disse que os clientes têm total interesse em esclarecer os fatos e contribuir com a Justiça.
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quinta-feira, 17 de agosto de 2017

CERIMÔNIA DA MENTIRA

Heródoto Barbeiro, Observatório da Imprensa
O rei está nu. Esta foi a melhor definição de transparência de todos os tempos. Todos viam as partes pudicas de sua majestade e não comentavam. Temiam a reação do soberano. Foi preciso que uma criança dissesse a verdade. Nos dias atuais o rei mudou de comportamento. Cobre tudo com o mais pesado tecido para que o povo não veja o que se passa no governo. Há um biombo que foi recentemente e parcialmente derrubado pelo portal da transparência. O que se viu foi uma suruba, usando a expressão de um probo senador da república.
O manto diáfano ainda cobre grande parte das instituições do Estado e o provedor de tudo, o contribuinte não tem acesso quanto e como se gasta o imposto que paga. A casta que domina o Estado privatizou suas atividades e perpetua esse domínio com as reeleições consecutivas para os cargos no legislativo e executivo. O judiciário é aparelhado pela promoção de escolhidos para os tribunais superiores que também são indicações políticas e não de notável saber jurídico. Uma tempestade perfeita contra o cidadão.
As autoridades de vários níveis exacerbam na realização de rituais e cerimonias. Dão a impressão à população que estão sendo transparentes, mas o que ocorre é apenas um processo narrativo. Todos saem do evento, uns com a sensação que há transparência, outros que conseguiram enganar o distinto público mais uma vez. Querem todos ficar bem na foto, tanto o principal oficiante como seus coadjuvantes. Para realizar uma narração perfeita leem disfarçadamente as mensagens que julgam mais importantes. Treinam ler o teleprompter duplo, transparente, que proporciona virar a cabeça de um lado e outro como se estivesse falando com os dois lados do auditório.
No vídeo publicado na internet passam a impressão que falam com convicção. Leem na câmara de tevê. Ou usam um púlpito especialmente construído com uma inclinação que impede o auditório, e as câmaras, mostrarem o papel com as key messages lá escolhidas. Mistura-se o improviso sobre o irrelevante com as mensagens escritas e lidas discretamente. Gestos, pausas, olhares no horizonte reforçam a encenação. Uma vez dado o recado, o condutor da cerimonia retira-se com sorriso falso e se recolhe com os seus assessores. Perguntas dos jornalistas não fazem parte cerimonial, portanto estão descartadas.
Mais informações e mais comunicação, necessariamente, não clarificam as instituições do Estado. Com o crescimento das mídias sociais é possível encher o vazio de notícias falsas que levem os cidadãos a acreditar que sabem de tudo o que tem direito. Elas também eximem os governantes de plantão de serem humilhados com a bateção de panelas quando convocam uma rede oficial de rádio e televisão. Portanto é preciso ficar atento que a massa de informação não gera verdade. Há necessidade que elas sejam processadas, avaliadas, criticadas e debatidas. Ou seja que a narrativa seja substituída pela adição de novas formas de avaliação intelectual.
Assim a sociedade da transparência elimina todos os rituais e cerimonias caras e que demonstram que os oficiantes não tem muito mais coisa para fazer durante o dia. Elas atrapalham a aceleração de circulação da informação, da comunicação e da produção. A agenda se torna mais encorpada e ganha destaque na divulgação.
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quarta-feira, 16 de agosto de 2017

MORRE ROGER MOLINA

Do G1, DF
Morreu às 4h43 desta quarta-feira (16) em Brasília o ex-senador boliviano Roger Pinto Molina, aos 58 anos. Ele estava internado em estado grave e "instável" no Hospital de Base desde quando se acidentou de um avião de pequeno porte no sábado (12).
Segundo a Secretaria de Saúde, ele teve parada cardiorrespiratória e não respondeu às manobras de reanimação. O corpo foi encaminhado para o IML, por se tratar de acidente aéreo.
Molina estava internado na UTI do próprio Hospital de Base. Ele deu entrada na unidade com diversas fraturas pelo corpo e com traumatismo craniano. A equipe médica chegou a fazer drenagens nos dois lados do tórax e uma traqueostomia – abertura no pescoço para a respiração artificial – de urgência.
O acidente
O acidente com o boliviano ocorreu após a decolagem no Aeroclube de Luziânia, cidade do Entorno do Distrito Federal. Os bombeiros prestaram os primeiros atendimentos e informaram que Molina tinha várias lesões pelo corpo, mas estava consciente.
Um helicóptero da corporação transportou o ex-senador para Brasília. O monomotor pertencia ao ex-senador, de acordo com registro na Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), tinha capacidade apenas para o piloto e um passageiro e foi fabricado em 2010.
A carcaça do avião está em um hangar do Aeroclube de Luziânia. Molina faria apenas um sobrevoo visual pela região e retornaria ao aeroclube. Um vídeo mostra avião que caiu com ex-senador boliviano minutos antes de decolagem (veja abaixo).
FAB investiga
A Força Aérea Brasileira (FAB) começou a apurar as causas da queda do avião ainda no sábado (13). De acordo com o órgão, uma equipe do Sexto Serviço Regional de Investigação e Prevenção de Acidentes (Seripa VI) foi ao local do acidente para colher informações para a perícia.
O Centro de Comunicação Social da Aeronáutica informou ao G1, neste domingo (13), que todos os procedimentos iniciais sobre a queda da aeronave foram feitos pelo Seripa, mas que ainda não há detalhes sobre as suspeitas da causa do acidente.
Asilo brasileiro
O ex-senador boliviano ficou conhecido no Brasil em 2013, quando ele buscou asilo político alegando perseguição do então presidente Evo Morales.
Roger Pinto Molina refugiou-se na embaixada brasileira em La Paz no dia 28 de maio de 2012. Em 8 de junho do mesmo ano, o Brasil concedeu asilo ao senador. A decisão foi criticada pela Bolívia, que falou em "equívoco".
Miguel era casado com Daniela Quiroga, filha de Molina, e tinha três filhos, o mais novo de apenas quatro meses. Ele também era o proprietário da empresa LaMia. Na época, o ex-senador chegou a pedir perdão às famílias das vítimas do acidente.
"Queremos dizer para os milhões de brasileiros, especificamente para os familiares, filhos, pais e irmãos de Chapecó que sentimos muito. A palavra desculpa não resolve nada. Mas, queremos pedir perdão se foi um acidente que poderia ser evitado ou não. A capacidade e a vontade do nosso filho não está em questão, as investigações vão estabelecer o grau de responsabilidade", disse.
Sem conseguir um salvo-conduto do governo boliviano, Roger Pinto Molina viveu mais de um ano no edifício da embaixada brasileira em La Paz. Segundo uma das três filhas, Molina estava em um espaço de 20 m², com cama, escrivaninha, TV, frigobar e mesa, sem banheiro próprio.
A viagem entre a capital boliviana e a cidade de Corumbá (MS) – que durou 22 horas – foi feita em um carro da embaixada do Brasil, com apoio de fuzileiros navais. A vinda dele foi investigada pelo Itamaraty.
Chapecoense
Roger Pinto Molina é sogro de Miguel Quiroga, piloto do avião que caiu com a delegação da Chapecoense, em novembro do ano passado, na região de Medellín, na Colômbia.
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