Da Folha de S.Paulo
SÃO PAULO e JUIZ DE FORA (MG)
O presidenciável Jair Bolsonaro (PSL) foi esfaqueado na tarde desta quinta-feira (6) em ato de campanha na cidade de Juiz de Fora, na zona da mata de Minas Gerais, segundo a Polícia Militar do estado.
O candidato era carregado por apoiadores na rua Halfeld, centro na cidade, quando foi atingido por um homem com uma faca. Depois do ataque, Bolsonaro foi retirado do local e levado à Santa Casa.
A unidade de saúde confirmou que o candidato sofreu uma perfuração na altura do abdômen. Bolsonaro passou por um ultrassom e foi encaminhado para o centro cirúrgico. O estado de saúde é estável.
A Santa Casa afirma que publicará informações mais detalhadas sobre o estado de saúde em um boletim médico.
Seu filho Flávio, candidato ao Senado pelo PSL do Rio, disse no Twitter inicialmente que o corte foi superficial e, duas horas depois, corrigiu. "Infelizmente foi mais grave que esperávamos. A perfuração atingiu parte do fígado, do pulmão e da alça do intestino. Perdeu muito sangue, chegou no hospital com pressão de 10/3, quase morto... Seu estado agora parece estabilizado. Orem, por favor!".
A PM informa que um suspeito de ser o esfaqueador foi detido e levado à delegacia da Polícia Federal da cidade. Ele se chama, segundo a Polícia Militar, Adélio Bispo de Oliveira, tem 40 anos e é de Montes Claros, no norte de Minas.
A Polícia Federal informou que abrirá inquérito para apurar o ataque ao candidato. O órgão explicou que o presidenciável teve um ferimento superficial.
Bolsonaro está em primeiro lugar nas pesquisas de intenção de voto, com 22%, segundo pesquisa Ibope divulgada nesta quarta-feira (5).
O presidente nacional do PSL, Gustavo Bebianno, disse à Folha que “agora é guerra” ao ser questionado sobre o ataque ao presidenciável.
Bebianno é o braço-direito de Bolsonaro e tem acompanhado todas as agendas do candidato.
Coordenador da campanha de Bolsonaro em São Paulo, o deputado Major Olímpio (PSL) diz que a segurança do presidenciável não poderia ser melhor e que a facada não deve mudar os procedimentos adotados atualmente para protegê-lo.
"Temos toda a cautela do mundo com os eventos do Bolsonaro. Eu participo e a Polícia Federal disponibiliza a segurança para ele o tempo todo, 24 horas por dia com ele, principalmente em ambientes públicos. Mas logicamente, como ele acaba chamando a atenção de milhares de pessoas e ele gosta de se aproximar de todo mundo, isso aumenta a vulnerabilidade."
quinta-feira, 6 de setembro de 2018
quarta-feira, 5 de setembro de 2018
NA RODA-GIGANTE, COM CRIVELLA E BOLSONAROS
Da PIAUÍ
A velha máxima do “se não pode vencê-los, junte-se a eles”
resume em poucas palavras a estratégia adotada para fazer girar um novo negócio
no Rio de Janeiro. De um lado do embate, o ganhador da licitação para construir
uma roda-gigante da altura de um prédio de 30 andares no Porto Maravilha, o
grupo Gramado Parks, cujos donos têm ligação com a Igreja Universal e que
pertence à família de Manu Caliari, vereadora gaúcha eleita pelo PRB, partido
do prefeito Marcelo Crivella. Na outra ponta estão aqueles que eram,
originalmente os perdedores: a Porto do Rio Empreendimentos, que chegou a
entrar com um recurso para desqualificar a concorrente e tem entre os sócios o
lobista Paulo Marinho, suplente de Flávio Bolsonaro (PSL) na disputa pelo
Senado no Rio. Cinco meses depois da concorrência na prefeitura, no entanto, os
antigos rivais se tornaram aliados na empreitada para erguer uma “London Eye”
carioca.
Mais do que isso: cada um agora detém 50% do empreendimento.
Inspirada na emblemática roda-gigante de Londres, a atração está prevista para
ser inaugurada em maio de 2019 na antiga região portuária da cidade. “Já era um
escândalo o prefeito ter beneficiado um grupo vinculado à Universal”, disse o
deputado estadual Átila Nunes, do MDB. Surpreso com a união dos antigos
oponentes, ele vai além: “Isso cheira ao famoso acordão. A firma que ganha é
favorecida, a perdedora pressiona as autoridades e o negócio é dividido.” O
deputado afirmou que vai denunciar o fato ao Ministério Público e pedir a
anulação da concorrência.
As ligações do Gramado Parks com o partido do prefeito do
Rio são facilmente confirmadas em buscas na internet. No seu perfil no
Facebook, Manu Caliari, atual presidente da Câmara dos Vereadores de Gramado,
expõe fotos ao lado de Crivella e de sua mulher, Sylvia Jane, tiradas há dois
anos, ainda no gabinete do então senador em Brasília. Em outra imagem, no calor
da campanha pela prefeitura da capital fluminense em 2016, Manu e Crivella
aparecem juntos com as duas mãos abertas (dez era o número do candidato). Na
postagem, ela não poupa exclamações: “E o Rio de Janeiro é Marcelo Crivella!!!
É 10!!! É PRB!!! Este homem tem todo o meu carinho e admiração!!! Muito
importante essa vitória para a nossa linda família republicana!!!”
A devoção extrapola o campo político e chega à religião.
Vale explicar que na composição social do Gramado Parks, aparece como sócio
Anderson Rafael Caliari, marido de Manu Caliari, vereadora em seu segundo
mandato pelo PRB. Embora amigos digam que o casal se separou recentemente, não
há como dissociar Manu dos negócios de Anderson, que inclui entre outros o
parque Snowland – uma espécie de Disneylândia da geada, que funciona
na Serra Gaúcha. Em 2016, quando questionada sobre o porquê
de não ter bens registrados na Justiça Eleitoral, a vereadora alegou que suas
propriedades estavam em nome do marido e das empresas da família. Declarava que
eram casados há dez anos em comunhão parcial de bens.
O casal vencedor da concorrência pela roda-gigante no Rio
aparece junto em vídeos na internet promovendo a Igreja Universal. Em um deles,
a dupla passeia por atrações de Gramado, troca chamegos em um cenário bucólico
e termina com ela dizendo: “Consegui mudar a minha história acreditando que o
impossível pode acontecer. Hoje sou uma mulher vitoriosa, eu sou a Universal”.
Em outra gravação, os dois surgem dando um testemunho em uma cerimônia
denominada Fogueira Santa, em que os adeptos da Universal fazem doações em
dinheiro em busca de bênçãos espirituais e materiais. Manu relata que procurou
a igreja inicialmente para melhorar sua vida sentimental e depois a parte
econômica. Ela conta, ainda no vídeo, que o casal chegou a doar um carro
importado e depois mais de 100 mil reais para a fogueira e que “as portas
começaram a se abrir”.
Procurada, a assessoria de Crivella não se pronunciou. Disse
apenas que a licitação não passa pelo prefeito e fica a cargo da área técnica,
a Companhia de Desenvolvimento Urbano da Região do Porto do Rio de Janeiro.
Do outro lado dessa atração estão Ricardo Amaral, empresário
carioca que ganhou fama nos anos 80 com a lendária boate Hippopotamus e hoje
tem negócios na área de entretenimento, e Sávio Neves, presidente do grupo
Esfeco (opera o trem do Corcovado e tem participações no AquaRio, também na
antiga zona portuária). O terceiro sócio da Porto do Rio Empreendimentos é
Paulo Marinho, personagem da sociedade carioca conhecido por estar sempre junto
de figuras conhecidas do mundo dos negócios e da política. Ex-marido da atriz
Maitê Proença, foi braço direito de Nelson Tanure, empresário famoso por se
embrenhar em grandes e intrincadas negociações. Mais recentemente, Marinho foi
notícia ao oferecer jantares em seu casarão no Jardim Botânico para João Doria,
ex-prefeito de São Paulo (PSDB). Também ajudou a organizar um coquetel para
empresários no Gavea Golf and Country Club, em São Conrado, durante a então
pré-campanha de Doria à Presidência.
Paulo Marinho também já foi visto algumas vezes no gabinete
do prefeito Crivella. Levava empresários para estreitar relações e apresentar
suas ideias ao mandatário. Além da sociedade na roda-gigante do Rio, Marinho
tenta emplacar desde a gestão anterior um projeto de revitalização para o
Jardim de Alá, no Leblon. No momento, porém, seus esforços se voltam para um
nome: Jair Bolsonaro. Além de estrear na política fora dos bastidores como 1º
suplente do filho do ex-capitão, Flávio Bolsonaro, que lidera as pesquisas de
intenção de voto para o senado no Rio, ele é um dos organizadores da campanha
do candidato do PSL. Quem convive com o empresário já o ouviu se referir a
Bolsonaro como “nosso querido capitão” e justificar sua opção por “identidade
ideológica”.
Embora o projeto do novo cartão-postal da cidade tenha a
ambição de ser uma réplica da atração londrina, a ideia de trazer uma
roda-gigante para o Rio surgiu em Orlando. Enquanto passava o último Natal na
Flórida, Crivella se encantou com o brinquedo instalado junto à International
Drive, a avenida mais famosa da Terra do Mickey. Ricardo Amaral lembra que,
pouco depois, estava em uma reunião com o prefeito discutindo outros assuntos
quando Crivella comentou que “seria ótimo” ter um destes equipamentos na
cidade. “Decidi correr atrás disso e procurei o Paulo Marinho e o Sávio Neves
para levantarmos o negócio”, contou Amaral. Mas como depois de perder a
licitação vocês se juntaram ao grupo vencedor? “Houve uma oportunidade de
entrarmos como sócios. Pessoas em comum é que fizeram essa boa intriga”,
desconversou o empresário.
Agora com vencedor e derrotado do mesmo lado, o círculo se
fecha. A Gramado Parks deu entrada em várias licenças na prefeitura para
começar as obras. “Não há nada de ilegal nisso. Aliás, é totalmente normal um
grupo que perdeu uma concorrência se associar ao que ganhou. Há vários exemplos
na cidade”, minimizou Ricardo Amaral. A vereadora Teresa Bergher (PSDB), no
entanto, vê com ressalvas a negociação. “Essa roda-gigante virou uma novela.
Acho muito estranho. Primeiro a licitação é vencida por uma empresa ligada à
Universal, o segundo colocado, também com membros apoiadores do prefeito,
esperneia e acaba se juntando. Difícil entender”, descreveu Bergher, que
encaminhou um requerimento à prefeitura pedindo detalhes do processo. Sabe-se
de antemão que a empresa do Sul venceu a concorrência com um lance de 200 mil
reais, enquanto a adversária ofereceu 65 mil reais mensais pela permissão de
uso do terreno para instalar a atração. E que o município receberá o que for
maior, esse aluguel ou 5% do faturamento do brinquedo.
Alheios à polêmica, Paulo Marinho e seus dois sócios e o
grupo Gramado Parks – que além de um parque de neve é dono de quatro resorts no
Rio Grande do Sul e inaugurará em 2019 uma estação termal em Gramado – já
definiram detalhes da roda-gigante. Com um investimento de cerca de 25 milhões
de reais, ela terá 92 metros de altura (contando com a base), 43 metros a menos
do que a London Eye e 75 abaixo do que a High Roller de Las Vegas, a maior do
mundo. Como comparativo, a roda-gigante que arrastou uma multidão para o Forte
de Copacabana, entre 2008 e 2009, tinha só 36 metros de altura.
Com peças importadas da China, o novo brinquedo carioca terá
54 cabines que poderão acomodar até oito visitantes em cada uma. A experiência
na gôndola com vista panorâmica para a Baía de Guanabara e o Centro do Rio deve
durar em média 15 minutos. Com capacidade para transportar cerca de 1 700
pessoas por hora, a expectativa da Gramado Parks (hoje constante nos contratos
com o nome Arc Big Eye Parques Temáticos e de Diversão Ltda) é atingir um
público semelhante ao do AquaRio. Vizinho à área, o aquário recebeu 1,4 milhão
de visitantes em seu primeiro ano. O valor dos ingressos deve ficar entre 25 e
45 reais.
O imbróglio em torno da roda-gigante, no entanto, não se
limita a negociação feita nos bastidores, pós-licitação. Pelo contrato de permissão
de uso do terreno do número 455, da Avenida Rodrigues Alves, o grupo vencedor
poderá explorá-lo por cinco anos e meio. Documentos da companhia de
desenvolvimento urbano do Rio mostram, porém, que por se tratar de “matéria
precária”, o prazo de vigência é indeterminado, podendo ser revogado a qualquer
momento. A encrenca é que a área com 2 459 metros quadrados está no centro de
uma disputa judicial. Desapropriado pela antiga gestão municipal, parte do
local foi usado na construção da Via Binário. Enquanto um perito avaliou aquele
naco de terra por 44 milhões de reais, o município contestou e fez um depósito
judicial no valor de 1,3 milhão de reais. A Bunge Alimentos, antiga
proprietária, recorreu à Justiça. Procurados, nem o advogado nem o departamento
de marketing do grupo Gramado Parks quiseram comentar essas questões.
Questionada sobre os prazos, a empresa afirmou que vai divulgar este mês quando
pretende começar a construir a roda-gigante.
SOFIA CERQUEIRA
Jornalista carioca, com passagens pelo Jornal do Brasil, O
Globo e Veja Rio.
MARINA MATA NO PEITO E CHUTA
Marina Silva, a candidata da REDE a presidente da República
pela terceira vez, deu um show na entrevista ao Jornal Nacional ontem à noite.
Exorcizou a imagem de mulher frágil.
Não fugiu às perguntas. Com a mão espalmada, soube impor
limite às falas dos jornalistas William Bonner e Renata Vasconcelos. Esteve
todo o tempo no controle.
Ao cabo de 27 minutos de interrogatório, e de mais um para
que dissesse o que deseja para o Brasil, saiu do ar como entrou – sem ter sido
atingida por uma única denúncia de malfeito.
Mas não só. Também sem ter sido pega em contradições, nem
hesitado nas respostas que ofereceu. Sempre haverá críticas ao seu novo
penteado, mas é impossível agradar a todo mundo.
Cobrada insistentemente por não conduzir seu partido com mão
de ferro, a certa altura ensinou sem perder a brandura: “Liderar não é ser dono
de partido, Bonner, é ser capaz de dialogar”.
Falou para os diversos tipos de eleitores, mas especialmente
para as mulheres que em sua maioria rejeitam a candidatura do deputado Jair
Bolsonaro (PSL). Por fim, prometeu:
– Vou fazer um governo de transição. Durante quatro anos, eu
vou governar este país para que a gente possa combater a corrupção, fazê-lo
crescer e ser um país justo para todas as pessoas.
Todos os candidatos dizem coisas parecidas? Bem, mas eles
não disputam prêmio de fantasia na categoria de originalidade.
O CALVÁRIO DO CARTOLA
Da ISTOÉ
Uma cela no estado de Nova York ou da Pennsylvania será a
residência oficial pelos próximos quatro anos do ex-presidente da Confederação
Brasileira de Futebol, José Maria Marin. Aos 86 anos, ele foi sentenciado pela
Corte Federal do Brooklyn, nos EUA, pelos crimes de conspiração, fraude
bancária e lavagem de dinheiro. Segundo a acusação, ele recebeu US$ 6,5 milhões
em propinas pelas transmissões das Copas do Brasil, América e Libertadores. Ao
saber da condenação, o ex-cartola chorou. “O futebol tem sido um grande amor.
Inclusive, na juventude, pude pagar assim meus estudos. Mas agora se tornou um
grande pesadelo”, afirmou. A juíza Pamela Chen rebateu: “Marin diz que ama o
esporte, mas ele e seus conspiradores foram o câncer no esporte que diz amar”.
Ex-dirigente e ex-governador paulista, Marin também foi
penalizado no bolso. Ele teve US$ 3,35 milhões confiscados e deve pagar US$ 1,2
milhão de multa. Em 20 de novembro, outra audiência definirá os valores a serem
ressarcidos à Fifa e à Conmebol (confederação sul-americana de futebol).
Apertado, na semana passada ele teve que se desfazer às pressas de um
apartamento em São Paulo. O imóvel estaria avaliado em R$ 16 milhões, mas foi
vendido pela metade do preço.
Presidente da entidade máxima do futebol brasileiro entre
2012 e 2015, Marin poderia ter sido condenado pela maneira desonesta com que
conduziu o esporte. Seu erro, porém, foi ter usado o sistema bancário dos EUA
para movimentações escusas. Ele participava de uma reunião da Fifa, na Suíça,
em 27 de maio de 2015, quando foi preso com outros cinco dirigentes
internacionais. Extraditado para os EUA meses depois, ficou parte do tempo em
prisão domiciliar em seu suntuoso apartamento na Trump Tower, na 5ª Avenida, a
mais cara de Manhattan.
Delação
Marin poderia estar livre, não fosse a delação do também
investigado J. Hawilla, dono da empresa de marketing esportivo Traffic. “Ele
foi a principal testemunha de acusação. Depôs por dois dias seguidos”, diz
Allan de Abreu, um dos autores de “O Delator”, livro que narra a queda do
empresário. Hawilla chegou a assinar um acordo para devolução de US$ 151
milhões, mas morreu em maio antes de pagar tudo.
Primeiro dirigente da CBF a ser condenado, Marin não está
sozinho. Também estão envolvidos Ricardo Teixeira e Marco Polo Del Nero, ambos
ex-presidentes da entidade. Como a Justiça brasileira não extradita seus
cidadãos, ambos seguem sem serem indiciados nos EUA. Menos sorte teve o cartola
paraguaio Juan Ángel Napout, 60 anos, ex-presidente da Conmebol, preso junto
com Marin na Suíça. Na quarta 29, ele foi condenado a nove anos de prisão pelo
mesmo tribunal de Nova York.
terça-feira, 4 de setembro de 2018
CONDENAÇÃO MANTIDA
Do G1, RJ
O ex-governador do Rio de Janeiro Anthony Garotinho teve a
condenação mantida nesta terça-feira (4), por 3 votos a 0, pelo Tribunal
Regional Federal da 2ª Região (TRF-2) pelo crime de formação de quadrilha
armada.
A pena de 2010, que em 1ª instância era de 2 anos e 6 meses
de reclusão, em regime aberto, foi ampliada para 4 anos e 6 meses e houve
mudança para o regime semiaberto, quando o preso dorme na cadeia. A defesa vai
recorrer ao Superior Tribunal de Justiça (STJ).
Garotinho e o ex-chefe de Polícia Civil Álvaro Lins foram
condenados no processo que investigou esquema de corrupção envolvendo delegados
acusados de receber propina para facilitar a exploração de jogos de azar no
estado, em 2008.
Justiça Eleitoral decidirá sobre candidatura
A condenação enquadra o ex-governador na Lei da Ficha Limpa
e pode torná-lo inelegível, mas a questão da candidatura dele ao Governo do RJ,
pelo Partido Republicano Progressista (PRP), ainda precisa ser decidida pela
Justiça Eleitoral, após ação movida pela Procuradoria Regional Eleitoral ou por
partidos políticos e coligações.
O Ministério Público Eleitoral informou que vai entrar na
quarta-feira com pedido de impugnação da candidatura de Garotinho.
"Quem decide sobre elegibilidade é o Tribunal Regional
Eleitoral, essa tarefa é da Justiça Eleitoral. O que caba aqui, a Justiça
Federal comum, é decidir se há ou não motivo para condenar. O governador
Garotinho está condenado em segunda instância por crime. Pela lei, isso afasta
a possibilidade de elegibilidade. Mas quem vai aferir se isso é ou não
aplicável ao governador Garotinho é a Justiça Eleitoral", explicou o
procurador Rogério Nascimento.
Defesa vai ao STJ
O cumprimento da pena também depende de recursos de defesa.
Além de ir ao STJ, os advogados entrarão o único recurso disponível para a defesa
no TRF-2, já que a decisão foi unânime. São os chamados embargos de declaração,
que não têm poder de reverter a condenação, mas somente de esclarecer
ambiguidades, pontos obscuros, contradições ou omissões no acórdão (documento
que oficializa a decisão).
Após o julgamento dos embargos no TRF-2, poderá ser expedido
o mandado de prisão. Nesse caso, ao recorrer ao STJ e depois ao Supremo
Ttribunal Federal (STF), Garotinho já poderá estar preso.
Garotinho cita 'sistema podre'
O ex-governador convocou uma entrevista coletiva após o
julgamento. Garotinho disse se considerar vítima de um "conjunto de
ações" para invializar sua candidatura.
"Essa decisão não me surpreende. Ela faz parte de um
conjunto de ações que foram elaboradas para inviabilizar a única candidatura
contra esse sistema podre que foi denunciado por mim no Rio de Janeiro. Ninguém
tem dúvida de que, se não fossem minhas duas denúncias-crime no Ministério
Público Federal, em Brasília, o Sérgio Cabral ainda estaria passeando por aí
com sua facção criminosa.”
Garotinho disse que seguirá com seus compromissos de
campanha.
Esquema de corrupção
Os desembargadores confirmaram a condenação estabelecida em
2010. Álvaro Lins também teve a pena aumentada. O deputado estadual cassado é
apontado como o chefe da quadrilha e teve a pena estabelecida em 28 anos, dois
meses e 27 dias. Com a votação no TRF-2, a pena foi fixada em 28 anos, 1 mês e
12 dias.
Além deles, foi condenado Ricardo hallack, outro ex-chefe de
Polícia Civil, que teve a pena estabelecida em 7 anos e 1 mês.
Foi julgada nesta terça a apelação apresentada pelas
defesas. Eles foram condenados no processo que investigou esquema de corrupção
envolvendo delegados acusados de receber propina para facilitar a exploração de
jogos de azar no Estado.
Outros processos
O ex-governador do Rio já teve problemas judiciais e
eleitorais em outros momentos:
Foi preso em processo por corrupção, participação em
organização criminosa e falsidade na prestação de contas eleitorais em Campos
em 2016
Um ano depois, em 2017, foi condenado à prisão domiciliar
por crime eleitoral
Nesta segunda-feira (3), foi condenado em primeira instância
por injúria contra um desembargador.
Em agosto, Procuradoria Regional Eleitoral pediu impugnação
de candidatura de Garotinho por crime de improbidade administrativa e
enriquecimento ilícito
Decisão do Tribunal de Justiça do Rio suspendeu direitos
políticos de Garotinho por oito anos pelo mesmo motivo.
Foi condenado a prestar serviços comunitários por ofender
ex-PM do Bope
TRE condenou Garotinho por campanha antecipada em redes
sociais
Foi condenado a indenizar o ex-secretário de Segurança
Pública José Mariano Beltrame por danos morais
PELA TERCEIRA VEZ
O Ministério Público do Estado de São Paulo apresentou
denúncia contra o candidato a vice-presidente pelo PT, Fernando Haddad, por
corrupção pelo recebimento de 2,6 milhões de reais de propina da empreiteira
UTC Engenharia para pagamento de dívida contraída durante a campanha eleitoral
à prefeitura da capital paulista em 2012, informou o MPSP nesta terça-feira.
Haddad, provável substituto do ex-presidente Luiz Inácio
Lula da Silva na cabeça da chapa presidencial do PT após o ex-presidente ter
sido barrado da disputa na semana passada, já havia sido acusado pelo MP de
improbidade administrativa e enriquecimento ilícito, além de ser alvo de uma
denúncia feita à Justiça Eleitoral com base no mesmo caso.
Segundo o MP, o ex-tesoureiro do PT João Vaccari Neto pediu
ao então presidente da UTC, Ricardo Pessoa, que fizesse o pagamento da dívida
da campanha de Haddad com gráficas no valor de 2,6 milhões de reais, em troca
de um eventual favorecimento à empreiteira por parte da administração
municipal.
Vaccari e Pessoa, que já foram condenados em ações de
corrupção no âmbito da operação Lava Jato, também foram denunciados pelo MP
paulista, assim como o doleiro Alberto Youssef e o ex-deputado estadual pelo PT
Francisco Carlos de Souza.
Haddad rejeita a acusação e alega que Pessoa, cuja delação
ajuda a sustentar a ação do Ministério Público, está mentindo. Segundo ele, há
um componente eleitoral por trás das ações do MP a poucas semanas da eleição
presidencial de outubro.
“Surpreende que no período eleitoral, uma narrativa do
empresário Ricardo Pessoa, da UTC, sem qualquer prova, fundamente três ações
propostas pelo Ministério Público de São Paulo contra o ex-prefeito e candidato
a vice-presidente da República, Fernando Haddad. É notório que o empresário já
teve sua delação rejeitada em quase uma dezena de casos e que ele conta suas
histórias de acordo com seus interesses”, disse a assessoria de imprensa do
candidato em nota nesta terça-feira.
Na semana passada, quando foi apresentada a denúncia por
improbidade administrativa, o ex-prefeito disse que contrariou interesses de
Pessoa.
“No meu caso ele tinha razão para mentir”, disse Haddad. “Eu
cancelei com 44 dias (de mandato) uma obra milionária da UTC e Odebrecht…
Porque eu cancelei? Porque meu secretário me disse que a obra estava
superfaturada.”
O candidato a vice-presidente também questionou o fato de ser
alvo de reiteradas denúncias neste momento.
“A gente fica pensando o que está por trás disso”, disse.
“Durante 24 anos o PSDB atua em São Paulo, tem escândalo em todo canto, não tem
nada ali que pare em pé e não há nada, nenhum procedimento.”
Haddad provavelmente vai substituir Lula na cabeça de chapa
do PT depois que o ex-presidente foi barrado da corrida ao Palácio do Planalto
pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) com base na Lei da Ficha Limpa.
O ex-presidente, que está preso em Curitiba desde abril
cumprindo pena por condenação em segunda instância por corrupção e lavagem de
dinheiro no caso do tríplex do Guarujá (SP), lidera as pesquisas de intenção de
voto.
Na ação de improbidade administrativa, o MP pediu suspensão
dos direitos políticos de Haddad de oito a 10 anos, entre outras punições.
Em nota, a UTC e seu acionista informam que “sempre
colaboraram, colaboram e continuarão a colaborar com as autoridades
responsáveis pelas investigações, processos administrativos e judiciais
relacionados às licitações com empresas e órgãos públicos”.
Da Reuters, via EXAME
segunda-feira, 3 de setembro de 2018
PROTEÇÃO A MUSEUS
Da Agência Lupa
Na noite do último domingo (2), um incêndio de mais de cinco
horas destruiu a maior parte do acervo do Museu Nacional, mantido pela
Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Enquanto as chamas consumiam o
edifício histórico, que completava 200 anos em 2018, candidatos e políticos de
diferentes espectros ideológicos foram às redes sociais denunciar o descaso dos
governos com a instituição. O próprio ministro da Cultura, Sérgio Sá Leitão, em
entrevista à GloboNews, disse que a tragédia era resultado de negligência.
Por conta da dimensão da perda e da repercussão midiática, é
bem provável que a cultura finalmente entre na pauta da campanha eleitoral. Por
conta disso, a Lupa checou como os candidatos à Presidência da
República trataram a preservação do patrimônio cultural e a política de museus
nos programas de governo que registraram no Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
Veja a seguir o resultado:
13
Programas presidenciais registrados no TSE foram
analisados pela Agência Lupa
2
Trazem proposta específica, relacionada à política de
museus:
Marina Silva (Rede) e PT
Marina Silva (Rede) e PT
7
Trazem proposta para cultura, sem especificar os museus:
Alvaro Dias (Podemos), Ciro Gomes (PDT), Eymael (DC), Geraldo Alckmin (PSDB), Guilherme Boulos (PSOL), João Amoedo (Novo) e João Goulart Filho (PPL)
Alvaro Dias (Podemos), Ciro Gomes (PDT), Eymael (DC), Geraldo Alckmin (PSDB), Guilherme Boulos (PSOL), João Amoedo (Novo) e João Goulart Filho (PPL)
4
Não trazem nenhuma proposta para a cultura:
Cabo Daciolo (Patriota), Henrique Meirelles (MDB), Jair Bolsonaro (PSL) e Vera Lucia (PSTU)
Cabo Daciolo (Patriota), Henrique Meirelles (MDB), Jair Bolsonaro (PSL) e Vera Lucia (PSTU)
Veja agora os detalhes:
ALVARO DIAS (Veja aqui o programa)
O candidato do Podemos não traz nenhuma proposta para
preservação do patrimônio cultural ou para a valorização de museus. No campo da
cultura, a única promessa é “Cultura livre com Cartão Cultura”.
CABO DACIOLO (Veja aqui o programa)
O candidato do Patriota não menciona nenhuma política
voltada especificamente para a cultura em seu programa.
CIRO GOMES (Veja aqui o programa)
O pedetista destaca um capítulo de seu programa para
promessas relacionadas à cultura, entretanto não faz nenhuma menção direta à
valorização de museus. O tópico que tangencia o tema promete “preservação e ampliação
de nosso patrimônio artístico-cultural”.
EYMAEL (Veja aqui o programa)
O candidato do DC faz três promessas amplas para a cultura,
incluindo “resgate e valorização da cultura e da identidade nacional”. Não há
nenhuma menção sobre valorização ou política de museus.
GERALDO ALCKMIN (Veja aqui o programa)
O tucano atrela as políticas culturais a pautas econômicas
em seu plano de governo. Afirma que o desenvolvimento da indústria criativa
auxiliará o empreendedorismo em cultura. Também diz que reconhece as diversas
manifestações artísticas como parte de um desenvolvimento econômico. O
candidato não traz nenhuma proposta sobre a preservação do patrimônio cultural
ou uma valorização dos museus.
GUILHERME BOULOS (Veja aqui o programa)
O candidato do PSOL dedica oito páginas do seu programa à
cultura e define oito promessas para a área, incluindo 2% do PIB. Entretanto,
Boulos não apresenta nenhuma proposta relacionada de forma direta à política de
museus.
HENRIQUE MEIRELLES (Veja aqui o programa)
O emedebista não expôs nenhuma proposta para a área da
cultura, preservação do patrimônio cultural ou museus em seu programa.
JAIR BOLSONARO (Veja aqui o programa)
O candidato do PSL também não menciona propostas para a
cultura e política de museus.
JOÃO AMOÊDO (Veja aqui o programa)
Na disputa representando o partido Novo, João Amoêdo não
traz nenhuma proposta relacionada à preservação de patrimônio cultural. Neste
campo, somente afirma que implementará “novas formas de financiamento de
cultura, do esporte e da ciência com fundos patrimoniais de doações”
JOÃO GOULART FILHO (Veja aqui o programa)
Dos 20 pontos em seu programa, o representante do PPL dedica
um à cultura. Ainda assim, não há nenhuma menção direta à valorização de
museus. As propostas tratam sobre restabelecer uma política cultural e focar em
produzir ambientes digitais de memória.
PROGRAMA DO PT (Veja aqui o programa)
O PT, que teve Lula considerado inelegível na última
sexta-feira, afirma em seu programa de governo que fortalecerá o Iphan e o
Ibram para “proteção e promoção do patrimônio cultural e de fortalecimento da
política nacional de museus”.
MARINA SILVA (Veja aqui o programa)
A candidata da rede incluiu a política de valorização de
museus em seu programa. Ela afirma o seguinte: “Nos comprometemos a oferecer
condições de funcionamento a museus, arquivos e bibliotecas”
VERA LUCIA (Veja aqui o programa)
Representante do PSTU na corrida presidencial não inseriu
nenhuma proposta relacionada a política de museus em seu programa.
Editado por: Cristina Tardáguila e Natália Leal
ESTREITOS HORIZONTES
Artigo de Fernando Gabeira
Uma das coisas de que não gosto nessas minhas viagens
semanais é me sentar na poltrona do meio. São trechos longos, como Macapá ou
Boa Vista-Rio. Preciso trabalhar, mas o espaço fica muito contraído, e detesto
incomodar o sonolento vizinho do corredor quando preciso ir ao banheiro.
Jamais pensei que faria um texto cujo tema é o assento 23B.
Mas essa sensação de estar meio espremido, sem horizontes, lembrou-me de minhas
inquietações espaciais na Rússia.
Fotografei muitos prédios em todos os estilos, mas queria
ressaltar a arquitetura stalinista, sobretudo um grupo de arquitetos surgidos
na época do Plano Diretor, quando tudo deveria se submeter aos desígnios do
Estado.
Os intelectuais eram chamados de engenheiros das almas, e
esse grupo de arquitetos projetou inúmeros prédios onde tudo era coletivo.
Todos os que conhecem a história recente da Rússia sabem que a vida se tornou
muito difícil nessa atmosfera desenhada e que as pessoas costumavam até comer
na cama, desesperadas por uma nesga de privacidade.
Vejo agora que uma escola de Tocantins, da cidade de Formoso
do Araguaia, ganhou um prêmio internacional de arquitetura, o melhor prédio
escolar do ano. As fotos das estruturas de madeira são bonitas. A história,
mais reveladora ainda. O projeto da escola, na Fazenda Canuanã, foi realizado
pelo designer Marcelo Rosenbaum e o escritório de arquitetura Aleph Zero.
Os autores contaram com a ajuda dos alunos que moravam no
prédio e indicaram as linhas por onde deveria ser melhorado. Eles diziam que
moravam na escola. Agora, não dizem mais. Um traço da mudança foi abrir mais
espaços para a privacidade individual.
Portanto, o êxito dos arquitetos brasileiros avançou
exatamente no sentido oposto ao dos stalinistas. Certamente, foram ajudados
pela opinião dos estudantes.
Mas a simples inquietação com o espaço não me levaria a
escrever sobre o 23B. O assento parece o lugar adequado para pensar no Brasil:
estreito, sem grandes horizontes.
Já vivemos os grandes horizontes do país do futuro. Hoje
está tudo tão apertado. Um copo d’água, um pacote de biscoitos salgados, penso
na eleição presidencial: vejo apenas o estreito caminho que o Congresso abrirá
ao vencedor.
Projetos, projetos, mas não vejo de onde virá o dinheiro. Um
dos temas mais populares é a promessa de tirar o nome dos devedores do SPC. Não
entro no mérito, porque não sei quanto custará. Sei apenas que é mais uma
sedução pelo consumo, não muito diferente da visão que nos arruinou.
Mesmo no campo do delírio, Cabo Daciolo me desapontou. Foi
para a montanha falar com Deus. Não esperava que, no seu encontro com Deus,
produzisse lindos poemas místicos como as freiras Mariana Alcoforado e Sor
Juana Inés de la Cruz. Mas ele recebeu uma vulgar teoria da conspiração, que
está em qualquer lugar da internet.
Deus mesmo, quando vier, que venha armado. Essa frase de
Guimarães Rosa deve ter inspirado a política de segurança de Bolsonaro.
Deixo para trás Roraima com seu impasse. Não há como fechar
a fronteira nem recursos para aguentar as consequências de sua abertura. Tudo
muito B23.
O que me salva é um livro de Antônio Damásio, “A estranha
ordem das coisas”. Fala de miniorganismos, de como as bactérias sentem o
ambiente e reagem de forma organizada para sobreviver a ele. Elas fazem
alianças até com inimigas, para sobreviver.
Essa sabedoria bacteriana, essa capacidade de realizar a
homeostase, equilibrar diferentes variáveis, seria fundamental num momento em
que estamos com uma perspectiva de dias piores ainda.
Crescimento econômico e mais consumo não bastam. Será
preciso reativar valores, pois foi sua falência que nos trouxe à ruína.
Enquanto não soar a consciência do perigo à frente, mesmo consumindo mais,
nossas esperanças no país continuarão baixas.
No 23B, estreitos cenários do segundo turno, as promessas de
reforma política, mas ninguém combinou com os russos. Ainda nem sabemos quem
serão os russos, a suspeita é de que sejam os mesmos de sempre.
Certamente, acharemos a saída. É pouco mais difícil achá-la
aqui no 23B. Estamos chegando, vejo o Rio de Janeiro, minha alma canta. Canta
de teimosa no estreito assento do meio. Crivella baixou a taxa municipal de
exumação. Depois da morte, não é que a vida melhorou?
Artigo publicado no Jornal O Globo em 03/09/2018
ASSOPRANDO VELAS
Paulo Maluf completa hoje, 87 anos de vida. Na vida pública
desde 1969, Maluf é certamente uma das figuras políticas mais notórias,
polêmicas e controvertidas da política brasileira.
Em sua biografia Ele,
Maluf, trajetória da audácia, lançada em 2008, o define com estilo
voluntarioso e frequentemente arrogante. Se diz orgulhoso de tudo aquilo que
realizou.
Amado por alguns e rejeitados por outros, ele angariou uma
enorme antipatia nesses anos de politica. Acusações de malversação de recursos
públicos lhe são feitas com frequência.
Com uma extensa carreira política, Maluf é colecionador de
frases polêmicas, entre elas: “O que fazer com um camarada que estuprou uma
moça e matou. Tá bom, está com vontade sexual, estupra, mas não mata”.
MEMÓRIA QUEIMADA
Do O DIA
Rio - Um incêndio atinge o Museu Nacional da Quinta da Boa
Vista, em São Cristóvão, desde as 19h30 de domingo. Bombeiros de pelo menos
quatro quartéis atuam no combate às chamas. Uma equipe especializada dos
bombeiros entrou no prédio por volta das 21h15 para tentar bloquear áreas ainda
não atingidas pelas chamas e avaliar a extensão dos estragos.
Duas escadas Magirus são usadas, e dois caminhões-pipa se
revezam fornecendo água para o trabalho dos bombeiros. Dois andares foram
bastante destruídos e parte do teto desabou. Nas redes sociais, muitas pessoas
postam fotos e vídeos do incêndio, que pode ser visto de várias partes da
cidade. Ninguém se feriu.O presidente Michel Temer lamentou o incêndio que
atinge o Museu Nacional. Em nota, ele lembrou que foram "perdidos 200 anos
de trabalho, pesquisa e conhecimento". Temer classificou o episódio como
perda "incalculável".
"O Museu Nacional é um dos símbolos da nossa cultura.
Ele completou 200 anos em 2018, mas as coleções têm muito mais que isso. É uma
tragédia lamentável", disse à GloboNews Paulo Knauss de Mendonça, diretor
do museu.
"É uma tragédia imensurável. Acho que todos os
brasileiros estão de luto", afirmou o ministro da Cultura, Sérgio Sá
Leitão, à GloboNews.
Quando o fogo começou, a visitação ao museu já havia sido
encerrada e estavam no prédio quatro vigilantes, que não se feriram.
Entre os funcionários da Universidade Federal do Rio de
Janeiro (UFRJ) que, em prantos, acompanhavam o incêndio estava o bibliotecário
Edson Vargas da Silva, de 61 anos, que trabalha há 43 anos no museu. "Tem
muito papel, o assoalho de madeira, muita coisa que queima muito rápido. Uma
tragédia. Minha vida toda estava aí dentro", afirmou.
Uma parte do acervo não fica nesse prédio, então está
preservado. Mas o que havia em exposição aparentemente foi todo consumido. O
Zoológico do Rio de Janeiro fica bem próximo do Museu Nacional, mas não foi
atingido.
Sobre o Museu Nacional
Primeira instituição museológica e de pesquisa do Brasil, o
Museu Nacional completou 200 anos no dia 6 de junho deste ano. Localizado no
interior do parque da Quinta da Boa Vista, no bairro de São Cristóvão, o museu
foi criado como Museu Real, em 1818, por D. João VI. É a instituição cientifica
mais antiga do Brasil e uma das principais da América Latina.
O conjunto arquitetônico da Quinta da Boa Vista, o edifício
do museu e a coleção Balbino de Freitas são tombados, desde 1938, como
patrimônio cultural brasileiro pelo Instituto do Patrimônio Histórico Artístico
Nacional (Iphan), entidade vinculada ao Ministério da Cultura.
A instituição conta com um acervo de mais de 20 milhões de
itens, subdivididos em temas como antropologia, botânica, entomologia, geologia
e paleontologia.
Além disso, possui uma das maiores bibliotecas
especializadas em ciências naturais do Brasil. Incorporado à Universidade
Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) desde 1946, oferece cursos de extensão,
especialização e pós-graduação em diversas áreas do conhecimento.
Entre as preciosidades do museu estão 1560 peças raras, mais
de 26 mil fósseis nas coleções paleontológicas, e o maior meteorito brasileiro,
com 5,36 toneladas, o chamado Bendengó. O espaço abriga ainda os ossos e a
reconstituição facial de Luzia, fóssil humano mais antigo do Brasil, com mais
de 12 mil anos.
domingo, 2 de setembro de 2018
NÃO DEIXEM DE VOTAR
Eduardo Goulart, via Facebook
Queridas mulheres, nesta eleição venho fazer um pedido a
vocês. Venho pedir que honrem a luta de mulheres que no passado penaram,
sangraram, morreram para que vocês hoje tenham o direito ao voto assegurado.
NÃO DEIXEM DE VOTAR!
E mais, UNAM-SE porque se vocês não se unirem, os homens no
poder não farão nada por vocês ou não farão o que precisa ser feito, como não
fizeram até hoje.
Você, mulher, sabe a importância de governos que venham a
assegurar salários iguais entre homens e mulheres, que fiscalizem o mercado de
trabalho contra desmandos machistas. Você, mulher, sabe a importância de poder
ter creches para deixar seus filhos enquanto trabalham, muitas de vocês tem que
trabalhar duro porque o pai é ausente. O Brasil é o país com o maior número de
filhos sem o nome do pai no registro, são os "abortos masculinos" que
a sociedade ignora, não se incomoda.
Vocês podem votar em homens e em mulheres capacitados nessas
eleições, mas acredito que seja o momento dos grupos historicamente
fragilizados se protegerem e elegerem gente sua para proteção de seus grupos,
para batalhar por direitos e impedir retrocessos. O congresso que aí está é
hipocritamente conservador e o que vai entrar provavelmente será mais do mesmo,
a menos que façamos algo.
Não deixem de votar, não deixem de ocupar a política, não
deixem de falar sobre suas dores e de batalhar pela cura delas. Não se
envergonhem da palavra FEMINISMO, quem conhece o movimento feminista sabe da
importância histórica dele e todas as benesses que todos nós, mulheres e
homens, usufruímos hoje. Sim, porque, o machismo é um peso para todos nós
enquanto o feminismo busca nos igualar, absolver.
Obrigado e desculpem-me por usar seu lugar de fala, mas
sinto que precisamos todos nos alertar, um grande risco nos assombra.
Com amor,
Eduardo Goulart.
sábado, 1 de setembro de 2018
MUITO GASTO PARA POUCA CURTIDA
Da revista PIAUÍ
Passadas duas semanas do início oficial da campanha, os
candidatos declararam gastos de 2 milhões de reais em impulsionamento de posts
nas redes sociais, na primeira eleição no país em que há regulamentação desse
tipo de propaganda. Mas isso não representou necessariamente mais popularidade
nas redes nesse período. Uma análise de desempenho dos candidatos feita pela
piauí com a ferramenta CrowdTangle mostra que o impulsionamento não só não
garante exposição, como às vezes o engajamento nas redes chega a cair após o
pagamento.
A reportagem analisou o desempenho das redes dos candidatos
que declararam ao TSE gastos em patrocínio de postagens em dois períodos: nos
15 dias anteriores ao início oficial da campanha, em 15 de agosto, e na
quinzena posterior, a partir de 16 de agosto. Posts impulsionados são os que
são pagos pelos donos de uma página, para ter alcance maior ou chegar a
usuários específicos – seguidores ou não do perfil. Até o início da campanha
oficial, não era permitido fazer impulsionamentos de divulgação das candidaturas.
Henrique Meirelles (MDB) é o candidato a presidente mais
empenhado em engajar eleitores nas redes sociais. A piauí analisou 420
impulsionamentos de posts, publicados entre 22 e 30 de agosto, tanto no
Facebook, quanto no Instagram (que é da mesma empresa). Por enquanto, essa é a
única despesa declarada pela candidatura de Meirelles, no valor de 50 mil
reais. Desde o início da campanha, porém, os números de interação no Facebook
do ex-ministro da Fazenda caíram 59%, segundo análise usando o CrowdTangle
(ferramenta que hoje é do Facebook). No Instagram, o cenário é parecido. De 1 a
15 de agosto, o candidato teve 43,3 mil interações em 79 posts analisados pela
piauí. De 16 a 30 de agosto, foram 19,8 mil interações em 52 postagens
analisadas. Uma queda de 54,2%. Meirelles está usando também a estratégia de
“dark posts”, publicações que só aparecem no feed de notícias de um determinado
público-alvo. Esses posts não são mensuráveis pelo CrowdTangle.
Guilherme Boulos (PSOL), Marina Silva (REDE), Geraldo Alckmin
(PSDB) e João Amoêdo (Novo) também já começaram a usar a ferramenta de
impulsionamento, mas em menor escala. Esses candidatos ainda não declararam os
gastos com o Facebook ao TSE. Lula e Bolsonaro ainda não impulsionaram posts
próprios, mas são citados centenas de vezes em publicações impulsionadas de
terceiros.
Até agora apenas 367 candidatos informaram ter gasto com
impulsionamento. Cida Borghetti (PP) é quem mais gastou em propaganda nas redes
entre todos os candidatos a todo e qualquer cargo até aqui. Ela declarou 150
mil reais ao TSE em gastos com o Facebook. Os resultados que ela obteve –
embora tenha impulsionado apenas 29 vezes entre os dias 28 e 30 de agosto –
também não foram positivos, assim como os de Meirelles. Na primeira quinzena do
mês, a governadora paranaense conquistou 114,2 mil interações em 71 posts
analisados. Na segunda, foram 42,7 mil interações em 37 publicações. Isso
representa uma queda de 62,6%.
Com pouco tempo de tevê, o meio digital acaba se tornando um
palanque importante para os candidatos a ocupar uma cadeira na Câmara dos
Deputados. Candidata à reeleição na Câmara, a piauiense Iracema Portella (PP),
que gastou 35 mil reais até agora, também está tendo dificuldades com o
engajamento, que caiu 63%. Natacha Maranhão, assessora da deputada, disse que
essa movimentação já era esperada e que “o Facebook não liberou os
impulsionamentos imediatamente”. A rede social ainda não respondeu se isso
confere.
Candidato ao governo em São Paulo, João Doria teve um
aumento no engajamento geral em sua rede desde que a campanha começou. No
entanto, a média de interação por post caiu, já que o candidato postou mais e
as interações não acompanharam o aumento da quantidade de conteúdo. Nos
primeiros quinze dias do mês, conseguiu 87 mil interações em 39 posts
analisados pela reportagem, o que dá uma média de 2.230 interações por post. Já
nos últimos quinze dias esse número de média cai para 1.321 interações por post
– segundo análise feita pela reportagem em 88 posts, que tiveram, ao todo,
116,3 mil interações.
Daniel Braga, responsável pelas redes de Doria e de
Meirelles, disse que o aumento na quantidade de posts se deu por causa dos
debates, e que “é normal que quando se poste mais, caia o engajamento
unitário”. “Ainda não dá para avaliar o efeito, pois impulsionamos muito
pouco”, disse. Até a quinta-feira, 30 de agosto, foram 52 impulsionamentos na
página do ex-prefeito de São Paulo.
Mendonça Filho (DEM), candidato ao Senado em Pernambuco, que
declarou 75 mil reais em gastos com Facebook, também viu as interações em sua
página sumirem após 65 impulsionamentos. Do dia 1 ao 15 de agosto, foram 23,2
mil interações em 48 posts analisados pela piauí. Já de 16 a 30 de agosto,
foram 9,8 mil em 56 postagens analisadas. No caso dele, nem postar um pouco
mais garantiu mais interações de outros perfis em sua página.
Outros candidatos declararam valores entre 50 mil reais e 55
mil reais em gastos com o Facebook no TSE. Gelson Merisio (PSD), candidato a
governador em Santa Catarina, e Felipe Carreras (PSB), candidato a deputado
federal em Pernambuco, tiveram aumento no engajamento num total. Mas, para
isso, elevaram a quantidade de posts e perderam em interações por post. Os
tucanos Alexandre Almeida, candidato ao Senado no Maranhão, e Reinaldo
Azambuja, candidato a governador no Mato Grosso do Sul, tiveram retorno
positivo.
Assim como eles, quem também está indo bem é João Amoêdo. O
candidato à Presidência pelo Novo conquistou mais de 700 mil seguidores desde o
início oficial da campanha, com apenas 32 posts impulsionados. Um vídeo em que
Amoêdo aparece na frente do Palácio da Alvorada em Brasília dizendo que “lugar
de político não é em palácio” chegou a mais de um milhão de pessoas. Amoêdo
ainda não declarou gastos na rede social ao TSE.
A Adyen, uma das empresas que faz transações financeiras
para o Facebook e o Instagram no Brasil, é a quinta no ranking das prestadoras
de serviço com mais dinheiro já recebido das campanhas – até a manhã desta sexta-feira 1,4 milhão de
reais havia sido declarado pelas campanhas em pagamento à intermediária. Em 31º
no mesmo ranking está a Facebook Serviços Online do Brasil Ltda., com 493 mil
reais declarados no CNPJ da empresa.
Geraldo Alckmin até aqui não declarou à Justiça Eleitoral
gastos com impulsionamento no Facebook. Na saída do debate dos presidenciáveis
promovido pela RedeTV!, em 17 de agosto, o publicitário Lula Guimarães disse à
piauí que ele não gastaria com redes sociais por ser “muito caro” e que a
estratégia seria apenas a de crescer organicamente. Menos de uma semana depois
do início oficial da campanha, a candidatura de Alckmin mudou seu marqueteiro
digital, e Marcelo Vitorino foi substituído por Alexandre Inagaki, e houve uma
mudança. No Arquivo de Anúncios – criado pelo Facebook após as inúmeras
denúncias de irregularidade durante as eleições americanas de 2016, onde é
possível visualizar os posts pagos pelos candidatos para impulsionar – está
registrado que o candidato impulsionou o link para sua própria página 23 vezes,
entre 29 e 30 de agosto. Em um dia, conquistou 1.356 curtidas – a média dos
últimos 30 dias foi de 150 por dia.
Entre as regras do TSE para a primeira eleição no país com
leis estabelecidas para a propaganda nas redes sociais, estão a transparência
dos gastos com posts e outras formas de impulsionamento. O Twitter não quis
participar e apenas Google e Facebook estão permitindo impulsionamento de
propagandas políticas.
CANDIDATURA REJEITADA
Do G1
A maioria dos ministros do Tribunal Superior Eleitoral (TSE)
votou nesta sexta-feira (31) pela rejeição do pedido de registro de candidatura
do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) à Presidência da República.
Ainda há possibilidade de recurso, ao próprio TSE ou ao Supremo Tribunal
Federal (STF).
Na sessão, a maioria dos ministros também proibiu Lula de
fazer campanha como candidato, inclusive na propaganda de rádio e TV, que
começa neste sábado (1º) para os presidenciáveis. O PT terá agora dez dias para
substituir o candidato e, até que o faça, não terá direito ao horário eleitoral
no rádio e na TV.
Até a última atualização desta reportagem, cinco dos sete
membros do tribunal já haviam considerado o petista inelegível com base na Lei
da Ficha Limpa. Um (Edson Fachin) se posicionou a favor da autorização
provisória da candidatura. O resultado será proclamado somente após concluídos
os votos de todos os ministros.
COMO VOTARAM OS MINISTROS
Contra a candidatura A
favor da candidatura
Luís Roberto Barroso Edson
Fachin
Jorge Mussi
Og Fernandes
Admar Gonzaga
Tarcísio Vieira
Fonte: Tribunal Superior Eleitoral
A rejeição da candidatura pelo TSE ainda poderá ser
contestada em recurso da defesa ao próprio tribunal ou ao Supremo Tribunal
Federal – nesta última hipótese, ele já não poderá se apresentar como
candidato.
Na sessão, os ministros acolheram contestação do Ministério
Público, que apontou a inelegibilidade do petista com base na Lei da Ficha
Limpa. A lei proíbe candidaturas de políticos condenados em órgão colegiado da
Justiça.
Lula foi condenado em abril pelo Tribunal Regional Federal
da 4ª Região (TRF-4) por corrupção passiva e lavagem de dinheiro, no caso do
triplex em Guarujá (SP), no âmbito da Operação Lava Jato. Desde abril, ele
cumpre pena de 12 anos e 1 mês de prisão em Curitiba.
Um acordo entre PT e PCdoB prevê a deputada estadual Manuela
D'Avila (PCdoB-RS) como vice na chapa, seja na hipótese de Lula candidato, seja
na hipótese de o atual vice de Lula, Fernando Haddad (PT), assumir a
candidatura a presidente.
Voto do relator
Luís Roberto Barroso - O relator do pedido no TSE, ministro
Luís Roberto Barroso, foi o primeiro a votar pela retirada de Lula da disputa,
em razão de condenação por corrupção e lavagem de dinheiro em órgão colegiado –
uma das causas de impedimento previstas pela Ficha Limpa.
“O Brasil é um estado democrático de direito. Não estamos
sob regime de exceção. Todas as instituições estão em funcionamento regular. O
Poder Judiciário é independente. Os juízes de primeira e segunda instâncias são
providos em seus cargos por critério exclusivamente técnico, sem vinculação
política. A defesa pode perfeitamente alegar erro judiciário, mas não se mostra
plausível argumento de perseguição política”, afirmou o ministro, em resposta a
argumentos da defesa em favor da candidatura.
Voto divergente
Edson Fachin - Segundo a votar no julgamento, o ministro
Edson Fachin divergiu e propôs uma autorização provisória para Lula concorrer.
Apesar de considerar o petista inelegível pela Ficha Limpa, o ministro levou em
conta recomendação recente do Comitê de Direitos Humanos das Nações Unidas
(ONU) em favor da participação de Lula no pleito.
“O cumprimento [da decisão] está relacionado com dever de
boa-fé. Descumpri-la pode violar o dever de boa-fé, uma vez que, na prática, o
que estamos a fazer é esvaziar a competência do comitê prevista em regras do
qual o Brasil é parte”, disse o ministro.
Demais votos
Jorge Mussi - Terceiro a votar, o ministro Jorge Mussi
defendeu a rejeição da candidatura de Lula. Na fala, enalteceu a Lei da Ficha
Limpa, como parte do “processo de moralização” da política no país.
“A Lei da Ficha Limpa, cuja constitucionalidade foi
reconhecida pelo STF, representa essencial mecanismo de iniciativa popular em
favor da probidade administrativa e da moralidade para exercício de mandato,
considerada a vida pregressa dos candidatos e que se aplica de modo pleno e
irrestrito a todos os cidadãos”, afirmou o ministro.
Og Fernandes - Quarto a votar, Og Fernandes também votou
contra a candidatura de Lula. Após elogiar a Lei da Ficha Limpa, disse que ela
também deveria ser aplicada ao petista, em razão da igualdade dele em relação a
outros políticos que também foram excluídos da disputa eleitoral.
“Estamos a decidir a igualdade de todos perante a lei e
perante a Constituição. Isso implica resistir a um estado anticonstitucional.
Noutros termos, se a lei vale para uns, há de valer para todos”, afirmou o
ministro, acompanhando a posição de Barroso.
Admar Gonzaga - O ministro Admar Gonzaga foi o quinto a
votar e formou maioria na Corte pela exclusão de Lula do pleito. No voto,
reiterou a ideia de que não cabe ao TSE avaliar se a condenação do petista foi
ou não justa, mas se sua situação se enquadra na Lei da Ficha Limpa.
Ele também rechaçou a tese de que a recomendação da ONU deve
ser obedecida pelo Brasil. “O pacto internacional sobre direitos civis e os
atos do comitê ostenta natureza de norma intermediária, e não pode contrariar o
texto originário da Constituição, que estipula requisitos mínimos de moralidade
e probidade”, disse.
Tarcísio Vieira - O ministro Tarcisio Vieira de Carvalho
Neto deu o quinto voto contra Lula. Disse também que a Lei da Ficha Limpa se
aplica ao petista, concordando com a proibição da propaganda eleitoral a partir
da decisão.
Diante da celeridade que permeia os processos de registro,
mormente por se tratar de candidato a presidente, impõe-se desde logo sua
execução. Não sendo necessário aguardar os embargos de declaração [recurso],
que não têm efeito suspensivo”, disse o ministro.
PT divulga nota
O PT divulgou nota no fim da noite desta sexta-feira (31) na
qual afirma que a decisão do TSE de rejeitar a candidatura de Lula é uma
"cassação política, baseada na mentira e no arbítrio, como se fazia no
tempo da ditadura".
Segundo a nota, diante da "violência" da decisão que
barrou Lula, o PT "continuará lutando por todos os meios para garantir sua
candidatura".
“Vamos apresentar todos os recursos aos tribunais para que
sejam reconhecidos os direitos políticos de Lula, previstos na lei e nos
tratados internacionais ratificados pelo Brasil”, diz a nota.
Defesa de Lula
Na sessão, a defesa de Lula argumentou que o TSE deve seguir
recomendação do comitê dos Direitos Humanos da ONU que recomendou a
participação de Lula na disputa.
A advogada Maria Claudia Bucchianeri afirmou que decisão do
órgão “tem força impositiva, necessária e obrigatória”, citando casos semelhantes
no México e na Espanha, em que candidaturas foram aprovadas a pedido do órgão.
Também em favor de Lula, o advogado Luiz Casagrande Pereira
citou diversos casos em que o TSE reverteu decisões anteriores da Justiça
Eleitoral que haviam rejeitado o registro de candidatura.
“São aproximadamente 1.500 candidatos no Brasil que se
elegeram com registro indeferido. Todos eles estão a exercer o mandato”,
afirmou o advogado. “O que o presidente Lula quer não é nada mais do que deram
a 1.500 de 2010 para cá. Mas também não quer menos”, completou.
Contestações
Ainda antes dos votos, a procuradora-geral da República,
Raquel Dodge, argumentou que a recomendação do Comitê de Direitos Humanos não
pode ser aplicada no caso. Segundo Dodge, o Brasil não promulgou acordo internacional
que obrigue a obediência ao órgão.
“A defesa de direitos humanos que motivou a edição da Lei da
Ficha Limpa. Foi fruto de inciativa popular, após ampla mobilização da
sociedade civil, aprovada pelo Congresso e sancionada por Luiz Inácio Lula da
Silva”. A Ficha Limpa, disse Dodge, favorece a “democracia e a boa governança”.
“A lei neste caso, ao invés de violar direitos fundamentais, as protege”,
disse.
Em nome do partido Novo, um dos que impugnaram a candidatura
de Lula, a advogada Marilda Silveira também disse que decisão do Comitê de
Direitos Humanos da ONU não obriga o Judiciário brasileiro. “O órgão reconhece
expressamente que tem competência opinativa”, afirmou.
Pela coligação do candidato Jair Bolsonaro (PSL), que também
contestou a candidatura, o advogado Tiago Ayres disse que não há possibilidade
de aprovação futura do registro de Lula, em razão da condenação dele por órgão
colegiado, o que o enquadra na Ficha Limpa.
“Não basta desejar algo muito, é fundamental que esse querer
coincida com nossos valores e nossa higidez constitucional. Por mais que o
ex-presidente deseje ser presidente da República, nossa constituição não admite
essa pretensão”, disse o advogado.
Julgamento
Lula foi condenado em abril pelo Tribunal Regional Federal da
4ª Região (TRF-4), órgão colegiado, por corrupção e lavagem de dinheiro, no
caso do tríplex em Guarujá (SP), no âmbito da Operação Lava Jato. A candidatura
de Lula foi alvo de 16 impugnações no TSE.
Os advogados de Lula esperavam que o julgamento do registro
ocorresse nas próximas semanas, em razão de prazos maiores previstos pela lei
eleitoral para concluir o processo. Até lá, a expectativa é que ele pudesse
aparecer como candidato na propaganda de rádio e TV, que começa neste sábado
(1º).
O TSE, no entanto, acolheu pedido do MP para antecipar a
decisão sobre o registro da candidatura, sob o argumento de que, como a
campanha deve ser integralmente financiada com recursos públicos, seu uso para
a campanha seria um desperdício.
Recurso
A decisão do TSE ainda poderá ser objeto de recurso pela
defesa à própria Corte ou ainda ao Supremo Tribunal Federal (STF); nesta última
hipótese, o petista já não poderá mais se apresentar como candidato.
Um eventual recurso da defesa ao STF só poderá ser
encaminhado, por sorteio, a 7 dos 11 ministros da Corte, para relatar do caso.
Estarão impedidos como relatores três ministros que participaram do julgamento
no TSE (Luís Roberto Barroso, Edson Fachin e Rosa Weber), além da presidente do
STF, Cármen Lúcia.
Estarão aptos a relatar o recurso, portanto, os ministros
Alexandre de Moraes, Luiz Fux, Dias Toffoli, Ricardo Lewandowski, Gilmar
Mendes, Marco Aurélio Mello e Celso de Mello.
No recurso, a defesa pode pedir ao relator efeito suspensivo
da decisão do TSE.
A decisão definitiva sobre a candidatura em caso de um
eventual recurso no STF, porém, caberá ao plenário, formado por todos os 11
ministros da Corte.
FALANDO FRANCAMENTE
Da Marie Claire
Sentada em uma poltrona de couro em um amplo casarão do
bairro dos Jardins, em São Paulo, que usa como gabinete, Marta Suplicy, 73
anos, refletiu sobre sua trajetória. Com o olhar distante e nenhum esforço para
economizar críticas aos seus antigos aliados, a senadora conversou por duas
horas com Marie Claire. A motivação da entrevista foi o anúncio de que deixaria
de concorrer a cargos eletivos, anunciada em uma carta, no começo do mês. No
texto, ela também comunicava a saída do MDB, partido que se filiou depois de 34
anos de PT, em 2015. A decisão veio junto à recusa de ser vice de Henrique
Meirelles, candidato do partido à presidência da república.
Sempre com as pernas cruzadas e as mãos sobre os joelhos,
relembrou os 37 anos de militância e os cargos que ocupou como deputada
federal, senadora, ministra e prefeita da cidade de São Paulo. Reforçou que
foram também anos de defesa das causas feminista e LGBTQ+ e de uma série de
falas polêmicas e atitudes intempestivas.
“Sou impulsiva”, reconheceu, “mas minhas grandes decisões foram todas
pensadas”, concluiu, sobre a saída do PT e o voto a favor do impeachment de
Dilma Rousseff. Com a clareza que lhe é peculiar, disse que não levou amigos da
carreira política. Agora, quer se dedicar exclusivamente ao movimento das
mulheres e está especialmente interessada no "empoderamento de
meninas". Ficou impressionada com o discurso que sua neta de 13 anos
empunha a favor da causa. A seguir, os melhores trechos da conversa.
MC. Por que deixar a vida parlamentar agora?
Marta Suplicy. Primeiro, sinto uma sensação de missão
cumprida. Depois, a percepção de que o Congresso Nacional é refém dos
conservadores. Nos últimos anos, tenho me esforçado e gastado energia em barrar
o retrocesso civilizatório. Comecei a questionar o que que eu estava fazendo
ali. Lá fora, posso contribuir mais. E mais: os eleitos nestas eleições, vão
ser os mesmos. Ou vai ser pior ainda, porque vão eleger gente ligada ao
militarismo, de religiões muito conservadoras. Isso se não entrarem grupos
organizados do mal.
MC. Mas logo agora em que vemos esse conservadorismo tão
forte na política, não era justamente o momento de permanecer?
Hoje, estava caminhando de manhã e uma senhorinha veio falar
comigo: "É verdade que você não vai concorrer mais?". Respondi que
não vou mais concorrer para o Congresso e provavelmente não mais para o resto.
"Mas vai fazer muita falta", ela disse. Aquilo até me comoveu. Mas penso que tem
outras coisas que quero fazer na vida.
MC. Já tem em mente quais são os projetos fora da política
em que gostaria de trabalhar?
Não costumo planejar assim. Estou recebendo convites
interessantes, mas não estou aceitando nada por enquanto. Quero falar para a
massa. Gosto de massa. É aí que a gente influencia. Tem uma coisa que pensei
também: estou interessada em empoderamento de meninas. Muito interessada.
Porque daí virá uma mudança grande.
MC. Sobre essa questão do conservadorismo na política: seu
movimento recente de ir para o MDB, e estar mais perto dessa ala conservadora
dentro do partido... Isso influenciou na sua
decisão de deixar a vida parlamentar?
Não. O MDB é um partido plural e você tem total liberdade.
Então, não sinto essas amarras. Agora em relação, por exemplo, ao casamento
LGBT, teve uns problemas, mas no Senado, não com o MDB, necessariamente. Se
fosse o PT, teria dado um apoio para a coisa rolar. No MDB não senti nenhum
impedimento, mas não teve uma posição de governo. Porque quando existe essa
posição de governo, a coisa rola.
MC. Você considera o impeachment da Dilma um marco na
ascensão do conservadorismo?
Não tinha pensado nisso. Eu colocaria de outra forma. Ele é
um marco na polarização no Brasil. Na minha própria experiência, vejo isso.
Quando saí do PT, a maioria dos petistas até entendeu, por vários fatores, que
não valia a pena ficar. Com o impeachment, não. Aí foi um divisor de águas e vi
uma polarização que reflete o que está acontecendo com o país. Acontece que, se
não houvesse o impeachment, o Brasil teria mergulhado numa situação de um caos
sério. A polarização não veio do
impeachment. Veio da raiva que as pessoas estão sentindo.
MC. Foram 34 anos de PT, de 81 a 2015. O que você leva de
melhor de quando esteve no partido e o que leva de pior?
De melhor, a militância. Militância é uma coisa muito boa.
Eu adoro sair na rua, fazer política na rua, conversar com as pessoas. E isso o
PT tem muito forte. E poder também convencer alguns petistas. Quando entrei no
PT, era muito embrionária ainda a coisa. As pessoas não tinham essa clareza em
relação à homossexualidade, eram machistas, então tive uma influência grande no
partido em tudo isso. De pior, bem, a política é o contrário da busca da
verdade. Você tá indo para a direita, mas fala que tá indo para a esquerda.
MC. Mas isso é da política, acontece em todo partido ou era
exclusivo do PT?
Não, isso é do político, da pessoa política. Na política
você não tem uma linha reta, você não fala não, você não fala sim. Você vai. E
eu não sou muito boa nisso.
MC. Qual é seu feito mais estimado na política?
É da cota das mulheres na política. Eu mudei o Brasil por
causa disso. Sem falar que eu já tinha posto isso na mesa das famílias através
da TV: discutir homossexualidade, discutir mulher. Na política, eu levei esses
assuntos.
MC. Ainda hoje, em 2018, ser mulher na política é um
trabalho mais duro que ser homem?
Claro! O preço para a mulher na política é muito maior. A
cultura ainda é aquela em que a mulher cuida de tudo, da casa, de filho, de
geladeira. Uma mãe que se sujeite a não estar presente no sábado e domingo é
muito complicado. Por isso, ter tido uma presidente, como a Dilma, foi
importante. Uma menina poderia olhar e dizer "Eu chego lá". E
continua sendo importante ter tido uma mulher que foi presidente, não importa
se foi bem ou se foi mal.
MC. Você já sofreu algum tipo de violência de gênero, Marta?
Na profissão ou fora dela?
Não. Nem assédio. Acho que o que me preservou foi a TV
Mulher [na década de 1980, Marta apresentou o quadro Comportamento Sexual no
programa da Rede Globo]. Porque como eu falava de sexo e era muito despachada
eu acho que tinham medo de chegar perto de mim. Acho que é a única explicação.
Porque todas as mulheres têm um caso de assédio e eu não tive essa experiência.
MC. E aborto, você já fez?
Tive um espontâneo. Eu estava como psicóloga, na sala de
aula. Observando uma turma para fazer um trabalho e de repente abortei ali
mesmo. Foi horrível, mas foi muito menos traumático do que o aborto que as
mulheres têm que fazer. Foi entre o André e o João. Foi triste, não traumático.
Há algo na questão do aborto que eu não concordo. Quando uma mulher faz um
aborto, é muito difícil a tomada da decisão. Mas ninguém fala da sensação de
alívio que ela sente. Só fala do trauma psicológico, da dor. Ninguém faz aborto
porque quer fazer aborto. Faz porque tem alguma coisa que não a permite ter
aquela criança.
MC. Por que a pauta da descriminalização do aborto é um tema
tão difícil de avançar no Congresso?
Olha, a descriminalização é importante, mas ela sozinha não
vai ser suficiente. Temos que partir para a legalização. Porque você vai
descriminalizar e a moça negra, pobre, carente... não vai mudar a condição
dela. Um vértice do aborto é o direito da mulher à autonomia de seu próprio
corpo, e isso é fundamental na questão de gênero. O outro é a questão de saúde
pública, que é a mortalidade. São milhares de mulheres morrendo. Basta olhar
para o Congresso pra entender porque não avança.
MC. Você ainda se considera uma feminista?
Ainda? Gente, eu era feminista quando feminista era uma
palavra feia. O primeiro impacto que tive com o feminismo foi quando estudava
nos Estados Unidos, sei lá faz... 40 anos. E eu tinha uma amiga, Jane
Rubischek, da Universidade de Stanford, onde estudei. A gente ia entrar no
elevador e veio em rapaz e abriu a porta. A Jane falou "muito obrigada,
enquanto custar mil dólares por mês no meu salário, eu mesma abro". Eu
pensei assim... "não, quero os mil dólares iguais no meu salário e quero
alguém que abra a porta".
MC. Mas a Marta de agora pensaria a mesma coisa? Hoje você
quer alguém que abra a porta?
Hoje eu abro a porta porque sou muito despachada. Mas
percebo que não deveria abrir porque os homens gostam muito de abrir a porta. E
percebo que não tenho que ficar batendo o pé que eu quero abrir a porta, coisa
ridícula. Entende? Eu melhorei nesse sentido. Esses radicalismos não levam a
nada. Tem até a ver com as minhas percepções de feminismo hoje.
MC. Você leva grandes amizades da vida política ou não?
Não. Levo conhecidos, mas não fiz amizades de frequentar. As
minhas amigas são de sete anos de idade.
MC. Nesses últimos anos, por conta da mudança de partido e
entrar no MDB num momento turbulento da política, você se sentiu sozinha?
Sim, mas isso não é o que eu lembro que me fez mal. Quando
você sai de um partido e entra em outro, é uma transição. Porque você não sai
de algo totalmente ruim, você sai porque tem críticas pesadas, mas existem
pessoas que você admira. E você entra num outro partido que tem pessoas com as
quais você se dá muito bem e outras com as quais você não tem uma afinidade
ideológica. E você tem que se encontrar ali. Eu senti que fiquei meio patinando
um pouco sim, mas nada que me impedisse de fazer as coisas que eu queria fazer.
MC. Da sua experiência com o PT, você ainda tem relação com
alguém?
Não. Ninguém. Deu uma esfriada na época do impeachment,
porque me posicionei a favor. Era uma xingação absoluta.
MC. Essa questão do impeachment é muito sensível na sua
trajetória. O Supla fez uma música: “Meu pai é petista, minha mãe é golpista”.
Como que você recebeu essa saraivada de críticas?
Faz parte. Tomei na vida decisões difíceis. Quando tomo uma
decisão é como se tivesse já uma blindagem. Falem o que quiser. Eu sou
impulsiva, mas essas grandes decisões da vida pública e pessoal não foram
tomadas de forma impulsiva. Foi muito pensado tudo que eu fiz, mesmo a mudança
para o MDB.
MC. Você se arrepende de alguma delas?
Sim, me arrependo de não ter entrado antes na política.
Entrei muito tarde [em 1994, Marta candidatou-se a deputada federal]. Acho que
teria uma melhor percepção da política se eu tivesse tido a experiência do
convívio político parlamentar antes.
MC. Você gostaria de ter assumido algum cargo eletivo que
não assumiu?
Não. Eu assumi todos - menos governadora e presidente.
MC. Em uma entrevista recente, você disse que Lula estava
entre você, Dilma Roussef e Marina Silva para a candidatura do PT à presidência
em 2010, “mas aí foi a Dilma”. Você gostaria que tivesse sido você?
Sim e não. Uma vez estávamos viajando de avião e ele [Lula]
falou para mim: “Marta, minha sucessora vai ser uma mulher.” Pensei “a Marina
não vai ser porque ela estava brigando muito no governo. Pode ser eu, pode ser
a Dilma”. Alguns meses se passaram e a Dilma virou a “mãe do PAC”. “Vai ser a
Dilma”, pensei, “trabalha há oito anos com ele, braço direito, acompanha todos
programas, é pessoa de confiança dele”. São Paulo não queria a Dilma, os
deputados e vereadores. Não que eles quisessem a mim. Eles não queriam a Dilma.
Aí, chamei os deputados, os vereadores, conversei. “Olha, gente, é uma decisão
tomada. Ela tem uma competência, acompanha todos programas do governo, vai
continuar o governo.” Depois, ela teve o câncer. E fiz na minha casa um almoço
para ela com mulheres da área comunicação. Veio a Mônica Waldvogel e a Ana
Maria Braga, de quem Dilma até ficou próxima.
MC. Vocês duas chegaram a ser amigas?
Não, amigas não. Mas tínhamos uma relação cordial, afetiva,
simpática.
MC. Vocês se falam hoje?
Não. Acho que você não lembra como eu saí. Fiz uma carta
pesadíssima. Dizia “volta, Lula”. E ela queria ver o diabo, mas não queria me
ver. Foi difícil fazer esse “volta, Lula”, mas foi pela percepção de que ela
era incompetente e que o Brasil ia para o caos. Alguém tinha que fazer alguma
coisa. Eu era ministra, que recebia muitos deputados. Os deputados falaram para
mim, do PT e de outros partidos: “Tá um caos, tem que se fazer alguma coisa .
Vinha gente do PT: “Fala com Rui, tem que se começar a pensar, tem que ser o
Lula, não pode ser ela.” Aí fui falar com o Lula.
MC. Você falou com o Lula e ele?
Falou bastante mal dela. E que não ia ser candidato. Fiz um
encontro com empresários na minha casa. Ele foi e de novo falou mal dela,
muito, criticou a política econômica dela. A coisa foi se acirrando. Eu falei
com Lula que o PMDB tinha conversado comigo e que eu disse que não apoiaria
ela. Até que chegou um dia, ele me chamou e confirmou “não vou ser
[candidato]”. Eu falei “presidente, esse é o maior erro que o senhor poderia
fazer. Ela vai levar o Brasil para o caos”. Ele: “Marta, vai dar certo. Vamos
colaborar, você tem muito para fazer”. Eu: “Presidente, vou buscar o meu
caminho e não vou colaborar na campanha dela”. Fiquei no Ministério [da
Cultura] mais dois-três meses e não participei de mais de nada. No dia em que
ela ganhou, apresentei minha carta de demissão. Ela não aceitou. “Marta agora
tô indo para a Austrália e não é bom acontecer isso desse jeito. Você fica até
minha volta”. Eu falei, “bom, então vamos fazer um acordo, isso fica entre nós.
Fico até sua volta, mas não vamos vazar”. Quando faltavam uns três dias para
ela chegar, entro no gabinete e ouço: “Acabou de chegar um telefonema da Casa
Civil para todos ministros pedirem demissão.” Era para aguar minha saída. Fiz
algo que eu não queria fazer. Peguei minha carta, fui ao palácio e protocolei.
Aí, saiu para todos os lados. Porque era uma carta muito forte. Não teve
demissão nenhuma, de ministro nenhum, era só por causa da minha demissão. Nunca
mais encontrei ela e também não encontrei mais o Lula.
MC. O que pensa sobre a prisão do Lula?
Lei é lei. E a lei foi feita pelo próprio governo dele. Da
Ficha Limpa. Então, seguindo a lei, ele deveria estar preso.
MC. Para você, o fato dele estar preso é justo?
Não vejo como você poderia ser diferente se existe a Lei da
Ficha Limpa. Agora, se existe uma motivação política para a prisão, eu não sei.
Eu não me sinto confortável com tudo isso que está acontecendo. Porque, no
final, Lula está colocando a trajetória dele acima do Brasil. Ele está criando
uma situação de conflito, de dificuldade, porque o próprio eleitor tá preso no
seu voto.
MC. Você gosta da possível dupla petista Haddad e Manuela
D´Ávila?
Não. Se eu gosto? Não. Gosto muito da Manuela como pessoa.
Do Haddad não. Ele foi um péssimo gestor de São Paulo. Como ministro, fez
alguns projetos interessantes, mas como gestor foi muito mal. O próprio FIES,
você viu o que aconteceu. Agora está um desastre. A criação de inúmeras
universidades que não conseguem funcionar, o ensino básico abandonado.
MC. Quem é seu candidato?
Estou estudando para ver o que vai acontecer. Não sei ainda.
MC. Num cenário sem Lula, pesquisas apontam Bolsonaro como
preferido. Votaria nele?
Esse é o único que tenho certeza que não voto. Vejo dois
grupos que podem votar no Bolsonaro: um
é conservador, homofóbico, machista, que pensa igual a ele, a favor do
"bandido bom é bandido morto". Outro grupo diz: "não aguento
mais corrupção, não aguento mais um governo que não tá pensando no país, não
aguento mais um governo que não tem projeto". E erroneamente credita ao
Bolsonaro a capacidade de dar um rumo para o país.
MC. E para a televisão, você tem vontade de voltar?
Tenho. Dependendo do que fosse possível e interessante,
tenho.
MC. Como você avalia o governo Temer?
Ele fez coisas importantes em pouco tempo. Mas depois do
episódio com o Joesley [Batista] e o [Rodrigo] Janot, o governo se fragilizou
enormemente e não conseguiu mais aprovar o que tinha que aprovar. Acho que foi
uma degringolada que deu essa impopularidade gigantesca.
MC. Como é sua relação com ele?
Boa, boa.
MC. Por que você não aceitou ser vice do Henrique Meirelles?
Não tenho afinidade com ele.
MC. Não te interessava nem a posição de ser vice no próximo
governo?
Não. Nunca procurei posição nenhuma. Deixa eu esclarecer. O
Meirelles nunca ligou para mim. Foram ministros que sondaram. E fui sondada
seriamente. Mas falei que não tinha interesse.
MC. Tem alguma coisa que a gente não falou que você acha
importante dizer?
Bota aí: se tratando dos direitos das mulheres, as mudanças
são inexoráveis.
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