quinta-feira, 24 de outubro de 2013

MARINA FORA DO AR

Por Tânia Monteiro, Agência Estado
Os telespectadores da TV Brasil, televisão pública do governo federal, não puderam ver "ao vivo" a ex-senadora Marina Silva, na noite de segunda-feira, quando ela foi a entrevistada do Programa Roda Viva, da TV Cultura. Segundo a assessoria da TV Brasil informou ao Estado, um "problema técnico de polarização de sinal", "causado por falha humana" impediu que o acordo entre a TV Brasil e a TV Cultura fosse cumprido, com a retransmissão do programa. O programa com Marina Silva será exibido nesta terça-feira, às 22 horas.
De acordo com a TV Brasil, um funcionário novo que estava no posto de trabalho no Rio de Janeiro, onde chegou a transmissão da TV Cultura, na hora do início do programa Roda Viva, "não conseguiu sincronizar o sinal que chegava de São Paulo". Quando o técnico mais antigo, conhecedor do procedimento chegou, já haviam se passado 15 minutos do início do programa com Marina Silva. A direção de Programação da TV Brasil decidiu, então, reprisar um programa antigo, com o artista e escritor, Nuno Ramos. Em mais um erro de operação, o programa velho foi exibido com a tarja de "ao vivo".
Quando as queixas começaram a surgir, no intervalo do programa, a TV Brasil exibiu um comunicado, explicando que "por problemas técnicos", a emissora estava "impossibilitada de exibir o programa Roda Viva". O mesmo informe acrescentava que, nesta terça-feira, às 10 horas da noite, a entrevista de Marina Silva seria exibida "na íntegra".
A TV Brasil foi criada em dezembro de 2007 e é gerida pela EBC - Empresa Brasileira de Comunicação, que também é responsável, entre outros órgãos, pela Agência Brasil, nove rádios, além da NBR, o canal de transmissão oficial da programação da presidente Dilma Rousseff.
Pronunciamento - Na noite de segunda-feira um outro problema foi enfrentado pelo governo, com a retransmissão do início do pronunciamento da presidente Dilma Rousseff em algumas emissoras de TV. A falha, neste caso, foi na retransmissão do sinal da Embratel. As emissoras que estavam captando o sinal por outra operadora não enfrentaram falha na transmissão.
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"O PETRÓIO É NOÇO"

Caio Rocha, professor de história, especial para o Sou Chocolate e Não Desisto
Pagando o que se paga nas bombas de postos de gasolina, nunca foi nosso. Mas enfim, o que faz a riqueza de uma nação não é a abundância de seus recursos minerais, naturais ou grandes reservas de hidrocarbonetos embaixo do solo marinho ou continental e sim a cultura de seu povo, a imagem que cultiva nas mentes de outras sociedades.
Se corretamente for aplicado estes recursos do pré-sal, teremos uma revolução na educação nacional, reduzindo as defasagens em relação aos países desenvolvidos. Se não, perderemos a oportunidade histórica de "acertar as contas com o tenebroso passado".
 O Brasil poderia estar em uma posição mais vantajosa se não fosse a cosmovisão parasitária que comungamos, expressa na confusão entre o que é público e o que é privado. Feliz será o dia em que o nosso país privilegiar o conhecimento técnico, expurgando de vez indicações políticas à cargos estratégicos.
Feliz será o dia em que a sociedade como um todo abdicar de paternalismos e considerar gestores como meros funcionários, deixando de envolvê-los em místicas. E considerar suas ações públicas, como meras obrigações frente aos cargos que ocupam. Precisamos abolir os ranços da república velha. Da escravidão intelectual que permeia todos os segmentos sociais. Inclusive da maior parte da elite nacional, inclusive a letrada.
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DIA DO OVO

Do UOL, São Paulo
O calendário oficial do Estado de São Paulo conta agora com o "Dia Estadual do Ovo", data a ser comemorada anualmente na segunda sexta-feira do mês de outubro.
O projeto foi apresentado pelo deputado estadual Vitor Sapienza (PPS) em fevereiro e tramitou em regime de urgência.
Na segunda-feira, o governador Geraldo Alckmin (PSDB) sancionou a lei. Ele vetou artigos que previam a realização de palestras gratuitas sobre o valor nutricional e a produção do ovo.
Também foi barrado um parágrafo da proposta que tratava da realização de cursos de culinária a serem ministrados no Dia Estadual do Ovo nas Padarias Artesanais do Estado, instituições do Fundo Social de Solidariedade que capacitam pessoas a produzir pães.
Depois de apresentar o projeto, Sapienza afirmou que sua intenção era homenagear Bastos (SP), maior produtora de ovos do Brasil, de acordo com o parlamentar.
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quarta-feira, 23 de outubro de 2013

O GRANDE VENCEDOR DO LEILÃO

O senador e pré-candidato à Presidência, Aécio Neves (PSDB-MG) criticou, em discurso realizado no plenário do Senado nesta terça-feira (22), o leilão de exploração da área de pré-sal de Libra. Segundo o senador, o ministro da Fazenda, Guido Mantega foi o grande vencedor do leilão. Clique aqui e veja o vídeo.
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LEILÃO DE UMA NOTA SÓ

Um só consórcio — formado pela Petrobras (10%), pela anglo-holandesa Shell (20%), pela francesa Total (20%) e pelas chinesas CNPC (10%) e CNOOC (10%) — venceu ontem o leilão para explorar o campo de Libra, na Bacia de Santos (RJ). A estreia do modelo de partilha, criado para as novas áreas do pré-sal, surpreendeu analistas e investidores. Eles esperavam a competição da parceria da estatal brasileira com as companhias asiáticas contra um grupo encabeçado pelas europeias. Com o arranjo final, a Petrobras, operadora compulsória do campo com participação garantida de 30%, elevou a sua cota a 40%.
A exploração do Campo de Libra deve elevar substancialmente as reservas nacionais de petróleo, atualmente de 15,3 bilhões, acrescentando entre 8 bilhões e 12 bilhões. Essa riqueza poderá fazer o país saltar da 11ª colocação entre os produtores mundiais para a quarta posição quando alcançar o auge da exploração na área, com picos de 1,4 milhão de barris diários, em 2025. O próximo leilão da área descoberta em 2005 só ocorrerá daqui a dois anos.
Com o único envelope aberto na tarde de ontem, durante cerimônia de 40 minutos realizada pela Agência Nacional do Petróleo (ANP) em um hotel do Rio de Janeiro, a maior reserva petrolífera já descoberta no país foi arrematada sem ágio: as empresas terão de entregar o mínimo de 41,65% do óleo excedente à União. Apesar disso, as autoridades aplaudiram o resultado e o contrato de 35 anos será assinado em um mês, quando o consórcio vencedor pagará R$ 15 bilhões em bônus ao caixa do governo — 80% a mais do que os R$ 8,3 bilhões arrecadados desde 1999, em licitações para exploração de óleo. Nesse esforço inicial, a Petrobras terá de desembolsar R$ 6 bilhões.
Águas ultraprofundas
A combinação inesperada de empresas provocou alívio nos mercados, ao garantir a reunião de capitais de diferentes origens com o conhecimento especial da Petrobras sobre o pré-sal e a extração em águas ultraprofundas. As ações preferenciais e ordinárias da companhia brasileira computaram alta de mais de 5%. As petroleiras que arremataram o bloco gigante, a sete mil metros abaixo da superfície do mar, informaram que têm pressa para explorar a primeira área sob o novo marco regulatório, considerando que sua produção só deve começar em cinco anos e atingir seu volume máximo de extração em até 10 anos.
Do Correio Braziliense
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terça-feira, 22 de outubro de 2013

MARINA SILVA NO RODA VIVA

No início deste mês, a ex-senadora anunciou sua filiação ao PSB, unindo-se ao governador Eduardo Campos, após o Tribunal Superior Eleitoral ter negado o registro do partido Rede Sustentabilidade.
Marina fez críticas: “Nas manifestações de junho surgiu a proposta de uma reforma política, mas tudo o que sobrou foi uma lei para evitar a criação do partido Rede Sustentabilidade”.
A ex-senadora também falou sobre o atual governo. Para ela, até agora o que se tem é a marca do retrocesso, no que se diz respeito à questão florestal.
Agora, espera-se que Marina seja lançada pelo PSB como vice de Eduardo Campos, porém ela ressalta que após a sua filiação apenas discutiram questões programáticas. “Eu não posso me colocar nesse lugar. Ainda não discutimos isso”!
Ambientalista, a acreana Maria Osmarina Marina Silva Vaz de Lima começou sua vida política em 1984, quando ajudou a fundar a CUT (Central Única dos Trabalhadores) no Acre, tendo o seringueiro Chico Mendes como coordenador e ela como vice-coordenadora da entidade.
A trajetória parlamentar de Marina Silva teve início em 1986 com a disputa por uma vaga na Câmara dos Deputados, pelo PT (Partido dos Trabalhadores), não conseguindo se eleger. Dois anos depois, em 1988, foi eleita vereadora no município de Rio Branco, capital do Acre, quando ficou conhecida pela atitude de devolver aos cofres públicos os benefícios e mordomias que tinha direito como parlamentar. Em 1990 foi eleita deputada estadual.
Em Brasília, foi a senadora mais jovem da República. Foi eleita em 1994, aos 36 anos, e reeleita em 2002. Nomeada ministra do Meio Ambiente no governo Lula, Marina ocupou o cargo de 2003 a 2008. Um ano depois, pediu sua desfiliação do PT. Disputou a presidência da República em 2010, pelo PV (Partido Verde), conquistando quase 20 milhões de votos.
Hoje, ela faz uma análise sobre os rumos do PT. “Eles não conseguiram atualizar a marca do partido, aconteceu uma estagnação. E está surgindo um novo sujeito político, daquilo que eu chamo de novo ativista. A rede é uma tentativa de atualização”.
Sobre a oposição que passa a ter nas eleições de 2014 ao lado do PSB, Marina diz que não está presa à lógica. “Eu não sou de assumir oposição por oposição. Eu assumo uma posição! O objetivo da minha vida não é ser Presidente da República, mas é lutar por um Brasil melhor”.
Apresentado pelo jornalista Augusto Nunes, o Roda Viva contou com uma bancada de entrevistadores e com a participação do cartunista Paulo Caruso, que ilustra com humor os entrevistados do programa.

Clique aqui e veja a entrevista. Site da Cultura
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segunda-feira, 21 de outubro de 2013

LIBERDADE DE EXPRESSÃO

Por Sonia Racy e Tahis Arbex,  O Estado de S.Paulo
Marta Suplicy lia os capítulos finais de Ma Double Vie, autobiografia da atriz francesa Sarah Bernhardt (1844-1923), quando, há alguns dias, ressurgiu no País a polêmica sobre a publicação de biografias não autorizadas. O estopim foi a declaração de apoio de Caetano Veloso, Chico Buarque e Gilberto Gil à bandeira carregada há anos por Roberto Carlos - em 2007, o Rei conseguiu na Justiça recolher das livrarias Roberto Carlos em Detalhes, de Paulo César de Araújo.
Até então, a ministra da Cultura acompanhava "com cautela" o debate que corre tanto no Congresso quanto no Supremo Tribunal Federal. Dizia estar "ouvindo todos os setores interessados para formar uma convicção". Mas, embora o governo ainda não tenha se posicionado, Marta decidiu falar. "Marx, Kennedy, Picasso ou Marilyn seriam maiores se não soubéssemos de seus deslizes? Certas figuras são tão grandes que transcendem seus pecadilhos ou pequenezas." Em outras palavras: "Minha opinião caminha para o apoio à liberdade de expressão, com multas mais vultosas aos autores que infringirem a verdade e a imagem do biografado".
A discussão está no limbo da Câmara. O projeto foi parar no fim da fila de 1.200 propostas - também à espera de votação - e corre risco de caducar. No STF, Cármen Lúcia, relatora da ação proposta por editoras para acabar com a autorização prévia de biografados ou familiares, convocou para novembro audiência pública com o intuito de discutir o tema antes da votação em plenário. Para Marta, será "péssimo" se o Supremo julgar a ação antes de o Congresso se posicionar. "Mais uma vez, o Legislativo não cumprirá o seu papel e dever. É a judicialização da política."
O debate está longe do fim. Enquanto isso, a ministra foca seus esforços no projeto que encara como "a possível grande marca do governo Dilma": o Vale Cultura. E até o final de sua gestão, quer tirar do papel pedido feito por Dilma quando assumiu o MinC, há um ano: a federalização do Museu de Brasília. Mais: almeja construir na capital federal um museu afro-brasileiro.
A seguir, os principais trechos da conversa.
Qual é a opinião do governo sobre o debate a respeito das biografias não autorizadas?
MARTA SUPLICY - O governo não se posicionou. O Ministério da Cultura tem procurado as diferentes opiniões com interesse e respeito pela suscetibilidade que o assunto traz.
E qual é a sua opinião?
MARTA SUPLICY - Minha opinião vem se afunilando. No momento, caminha para o apoio à liberdade de expressão, com multas mais vultosas aos autores que infringirem a verdade e a imagem do biografado. Surge o problema complexo do que seja a verdade - que sempre pode ser entendida ou interpretada por vários ângulos. E, se for verdade, que nível de autoridade a pessoa tem sobre o que ela quer preservar de sua intimidade? Existe um problema mais fácil: quando o biógrafo falta com a verdade. O debate é saudável numa democracia, desde que não entremos em ofensas pessoais, absolutamente desnecessárias e criadoras de turbulência no processo. Marx, Kennedy, Picasso ou Marilyn seriam maiores se não soubéssemos de seus deslizes? Certas figuras são tão grandes que transcendem seus pecadilhos ou pequenezas.
Concorda com a proposta de o biografado receber alguma porcentagem dos direitos autorais?
MARTA SUPLICY - A ideia parece ser para inibir interesses comerciais, mas não creio que seja o melhor caminho.
Cármen Lúcia marcou audiência pública para debater a questão. Mas Joaquim Barbosa já defendeu a publicação das biografias não autorizadas. Como o STF vai decidir o imbróglio?
MARTA SUPLICY - Existe a possibilidade de a ministra Cármen Lúcia julgar a ação (proposta pela Associação Nacional dos Editores de Livros, questionando trecho do Código Civil que trata da honra e da vida privada das pessoas) antes de o Congresso se posicionar - o que será péssimo. Pois, mais uma vez, o Legislativo não cumprirá o seu papel e dever. É a judicialização da política.
Como o discurso de Luiz Ruffato, a ausência de Paulo Coelho e as críticas à seleção dos escritores pela ausência de negros e aos R$ 18,9 milhões investidos na Feira de Frankfurt foram encarados pelo governo?
MARTA SUPLICY - O Brasil entrou na fita. Não sei se da melhor maneira, mas certamente não como pensávamos. Segundo o presidente da Feira, Jürgen Boos, o Brasil deixou de ser um País colorido onde ninguém trabalha.
Qual a sua avaliação após um ano à frente do MinC?
MARTA SUPLICY - Quando entrei no Ministério da Cultura - que é gigantesco, com sete entidades coligadas e oito secretarias -, escolhi três prioridades. Primeiro: fazer andar os projetos estruturantes para a cultura que estavam parados no Congresso; depois, a inclusão social, uma marca de Dilma e Lula; e, por fim, a internacionalização da cultura brasileira.
Sentia falta de metas no MinC?
MARTA SUPLICY - Não. É que entrei em um ministério enorme. Estão vinculadas ao MinC a Fundação Rui Barbosa, a Fundação Cultural Palmares, a Ancine, a Biblioteca Nacional. Tive de conhecer primeiro cada uma dessas instituições e seus desempenhos para fazer uma avaliação. O mesmo fiz nas oito secretarias. São muitos atores no ministério. E é um povo muito diverso. Vamos desde as tradições populares e culturais até os museus muito sofisticados, passando pelo cinema e pelos artistas exigindo melhorias em suas condições. Era fundamental que eu fizesse essa análise. Só depois disso - e levando em conta que teria dois anos para conseguir fazer algo - me perguntei: quais são os projetos fundamentais? O primeiro: o Sistema Nacional de Cultura, que estrutura a área cultural e permite que União, estados e municípios tenham um eixo de passagem de recursos.
De que forma?
MARTA SUPLICY - Fazendo com que cada cidade, mesmo aquelas com 10 mil habitantes, tenha um plano de cultura e uma organização cultural para funcionar como um fundo. A ideia é obrigar as cidades a discutirem um plano de cultura para que, a partir disso, possam ter recursos do Ministério da Cultura. É um plano estrutural muito importante para a próxima década.
Esse plano não existia?
MARTA SUPLICY - Não. Todo mundo quer os recursos, mas o ministério não sabe como dar. Não é isonômico, há os que pedem com mais poder e os com menos poder - ou com mais ou menos influência. Além do Sistema Nacional de Cultura, tinha de aprovar o Vale Cultura - porque é estruturante para a cultura e pode ser a marca do governo Dilma. É, até agora, o que o diferencia do governo Lula.
Quais eram as prioridades no Congresso Nacional?
MARTA SUPLICY - Havia uma demanda da classe artística, há muitos anos, em relação à fiscalização do Ecad. No começo de julho, conseguimos aprovar a lei que muda as regras no Ecad. E, há alguns dias, foi aprovada a PEC da Música, que isenta de impostos a produção de CDs e DVDs de artistas brasileiros. Depois de pensar nos projetos estruturantes para a cultura e nos que estavam parados no Congresso, fui para a inclusão social. Foi aí que percebi que a Lei Rouanet não atendia grupos pequenos. Daí fizemos os editais para os grupos que não tinham acesso à lei.
Como aconteceu com a moda?
MARTA SUPLICY - Sim. Mas também estou falando de editais para negros, mulheres, ciganos e povos indígenas.
Não é uma forma de preconceito? Pegar minorias e destacá-las?
MARTA SUPLICY - Não. Porque não se pode tratar diferentes como iguais. Olhei para a Rouanet e vi que essas minorias raríssimas vezes conseguem ter um projeto aprovado. E mais: quando o projeto é aprovado, não conseguem captar o dinheiro. Ninguém quer patrocinar projetos LGBT, por exemplo. Ninguém quer patrocinar uma produção negra. Eles não conseguem ter acesso aos que decidem os projetos nas empresas.
O Vale Cultura começou a vigorar este mês. Como está a adesão das empresas?
MARTA SUPLICY - Já temos 11 operadoras de cartões de crédito inscritas e abrimos inscrições para as empresas. Este ano será de promoção e divulgação. O programa ainda é novo para as pessoas, para as empresas e já estamos no final do ano.
É momento de implantação.
MARTA SUPLICY - É hora de as pessoas começarem a entender do que se trata, de ele ser discutido em negociações coletivas. As empresas estão começando a aderir e comecei a ter a percepção - que não sei se será certa - de que as empresas simples e de lucro presumido serão as que mais vão aderir.
Por quê?
MARTA SUPLICY - Comecei a ver pequenos empresários, como donos de padarias, dizendo que seus funcionários pediram "esse Vale Cultura". O patrão resolve dar porque são R$ 50 não tributados.
O Vale Cultura será a grande bandeira de sua gestão?
MARTA SUPLICY - A grande bandeira foi aprovar a estrutura de leis da cultura que estavam no Congresso havia oito anos e não passavam. Isto, sim, é uma grande marca, uma grande conquista.
Embora a moda tenha sido incluída na Lei Rouanet, nomes como Pedro Lourenço, Alexandre Herchcovitch e Ronaldo Fraga não conseguiram captar recursos para seus desfiles. O que deu errado?
MARTA SUPLICY - Não deu errado. Mas acho que, com o fato de a moda ter sido incluída na Rouanet, se criou uma discussão muito boa sobre a lei. Primeiro, foi difícil as pessoas entenderem que moda é cultura. As gerações, as décadas, os anos e os séculos passam e muita de sua tradução está na moda. Para entendermos como viviam as mulheres do século 18, olhamos para suas vestimentas. Veremos que não eram iguais às do século 15 nem iguais às de hoje. E isso tem a ver com a evolução da condição da mulher. A moda é parte da cultura e nos ajuda a compreender a civilização. Mas, em meio à confusão, uma barreira foi quebrada.
Quando assumiu o ministério, a presidente lhe fez algum pedido especial?
MARTA SUPLICY - Sim. Falou que queria a federalização do Museu de Brasília. Ela gostaria que ele abrigasse a coleção de artes de todas as estatais.
E como está esse projeto?
MARTA SUPLICY - Tem certa resistência de opositores políticos ao governador (do Distrito Federal,Agnelo Queiroz), que acham que a proposta tem de ser votada na Câmara. Mas temos um projeto de construir em Brasília um museu do acervo afro-brasileiro. Será em um terreno que Cristovam Buarque doou para a Fundação Palmares, uma de nossas coligadas, quando Nelson Mandela visitou Brasília. Será nos moldes do Museu da Língua Portuguesa. E mostrará, por meio da tecnologia, a história não contada.
Fala-se que a senhora pode substituir Aloisio Mercadante no Ministério da Educação.
MARTA SUPLICY - Olha, não existe a menor possibilidade de isso acontecer. Há um ano, assumi um compromisso com a cultura brasileira e com segmentos da cultura brasileira. Sinto que estou fazendo um trabalho de fôlego, que precisa de tempo. Espero que a presidente Dilma permita que eu fique até o final de 2014.
Gostaria de voltar a disputar algum cargo em São Paulo?
MARTA SUPLICY - Não penso nisso.
Nem o governo do Estado?
MARTA SUPLICY - Também não existe uma possibilidade no governo do Estado. O PT já tem candidato, é o meu candidato (Alexandre Padilha). Acho que ele poderá fazer um excelente governo - tem capacidade de ampliar alianças e também uma experiência muito interessante em diferentes setores. Espero ajudá-lo, suar a camisa para ele ganhar. Não sou candidata.
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sexta-feira, 18 de outubro de 2013

BOAS INTENÇÕES

O senador Eduardo Suplicy (PT-SP) causou alvoroço nesta quinta-feira (17) ao ler uma carta do movimento Black Bloc no Plenário. O senador Aloysio Nunes (PSDB-SP) chegou a se irritar por conta de um trecho em que o grupo defende o fim da ação da Polícia Militar para defender  ”a sociedade civil, a juventude e os trabalhadores indignados, por trás de um capuz negro”. Segundo ele, Suplicy leu uma mensagem”facista” que vai contra a ordem democrática. “Eles querem se impor pela violência, na marra, são brucutus cuja atuação é incompatível com a ordem democrática”, disse. “Com paus, pedras e marretas, eles estão criando deliberadamente uma ocasião para agir nas manifestações e protestos”, completou.
Para Suplicy, porém, a leitura da carta é necessária para ampliar a compreensão sobre o sentimento desses manifestantes. Segundo ele, apesar de serem considerados vândalos mascarados por aqueles que condenam as depredações, é notório que eles “buscam justiça” e, por isso, ganharam a simpatia de boa parte da população. “As boas intenções deles, pelas práticas violentas, terminam sendo contraproducentes ao seu próprio objetivo”, defendeu – apesar de garantir ser contra os atos de vandalismo do grupo.
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HOMENAGEM REJEITADA

A bancada ruralista se recusou a dar o nome de Chico Mendes ao plenário onde funciona a Comissão da Amazônia, na Câmara dos Deputados. Os representantes da Frente Parlamentar da Agropecuária, que fazem parte da comissão, criticam duramente a homenagem. Alegam que o nome do líder seringueiro é uma ‘infeliz escolha’ e que a história de Mendes ‘é uma farsa’.
O projeto que batiza o espaço de Chico Mendes é da deputada Janete Capiberibe (PSB-AP). Ele foi aprovado no plenário da Câmara há cinco meses. No entanto, até agora, não foram instaladas placa e foto do seringueiro, nem houve qualquer celebração, como é de praxe nesse tipo de evento. Janete disse que vai recorrer para o cumprimento da decisão no plenário da Câmara.
Em entrevista ao jornal O Globo, o deputado federal e produtor de arroz, Paulo César Quartiero (DEM-RR), atacou o seringueiro. “Essa homenagem é um blefe. Chico Mendes foi um factoide criado pelas ONGs.”
Chico Mendes foi assassinado na porta de casa, em dezembro de 1988, pelos fazendeiros Darly Alves da Silva e Darly Alves Ferreira, em Xapuri, no Acre. À época, Mendes reuniu indígenas, pescadores e populações ribeirinhas para a criação de reservas extrativistas e lutar contra a derrubada da floresta para dar lugar às serrarias, ao pasto e aos latifúndios de monocultura.
Brasil de Fato
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Artigo de Marina Silva, publicado na Folha de S. Paulo
Li e quero compartilhar o artigo de Sérgio Abranches (em www.ecopolitica.com.br) que mostra com clareza a ideia de aliança programática, dando exemplos de como ocorre na Europa e do avanço que pode trazer à política brasileira.
Uso, assim, um instrumento comum na internet, onde se desenvolvem novos aplicativos para a democracia. Pelo compartilhamento recebo contribuições vindas de diferentes lugares e pessoas. Mas gosto da ideia para além do ambiente virtual, quando acontece na vida em sociedade: compartilhar é distribuir, colocar à disposição, recomendar. Assim se ampliam as possibilidades de uma nova política, na qual prospera um ativismo autoral, sem o controle das estruturas estagnadas de poder.
A democracia controlada pelos partidos, com a participação popular reduzida ao voto nas eleições, é só o passo inicial de uma longa evolução. Lutamos para conquistá-la, devemos defendê-la contra qualquer tentativa de retrocesso. Porém essa defesa não pode ser passiva, estacionária, tem que se dar num movimento de ampliar e aprofundar.
Podemos superar a ideia de hegemonia, que baseou a formação dos movimentos políticos modernos. Partidos buscam hegemonia na política, facções lutam pela hegemonia em cada partido, indivíduos o fazem dentro de cada facção. Paradoxalmente, a democracia torna-se o ambiente em que todos buscam reduzir a própria democracia.
A hegemonia se faz na ocupação de espaços, na divisão de cargos, na coalizão baseada em acúmulo de poder. O atraso político leva tudo isso ao pântano, ao ponto de degradar até a linguagem das negociações. Tome-se, por exemplo, a distribuição de ministérios e secretarias "com porteira fechada", expressão que designa o controle de todos os cargos pela facção que recebe aquele pedaço do Estado.
Só um realinhamento político ancorado num programa pode desconstruir as máquinas de hegemonia e controle através do compartilhamento, da distribuição horizontal do poder e de ideias oriundas de vários centros não hierarquizados.
É possível ter estabilidade e "fazer as coisas" com uma política radicalmente democrática? Essa dúvida vem do medo de aceitar o outro, ouvir sua voz, compreender a necessidade de sua presença. Permanece entre nós a ideia militarista de divisão, embate, ordem unida. Eis a bipolaridade: governo contra oposição, aliados contra inimigos. No final das contas, brasileiros contra brasileiros. Repete-se o "ame-o ou deixe-o", como se fosse impossível amar e discordar.
Numa agenda pactuada com a sociedade, compartilhando poder e responsabilidades, podemos criar um campo virtuoso em que a democracia é o ambiente no qual se gera mais democracia.
Chegaremos lá.
Marina Silva, ex-senadora, foi ministra do Meio Ambiente no governo Lula e candidata ao Planalto em 2010. Escreve às sextas na versão impressa da Folha de S. Paulo.
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DESPENSA VAZIA

Por Felipe Néri, do G1, Brasília
O presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), está com a despensa de sua residência oficial vazia há cerca de uma semana devido à suspensão de licitação de R$ 98 mil para a compra de alimentos, segundo informou sua assessoria de imprensa nesta quinta-feira (17). Com a interrupção - há aproximadamente um mês - do pregão, que previa também fornecimento de materiais de cozinha, copa e equipamentos de limpeza, Renan tem feito as refeições fora de casa nos últimos dias, de acordo com seus assessores.
Os envelopes para a licitação seriam abertos no último dia 2, mas o diretor-geral do Senado, Helder Rebouças, determinou a suspensão do pregão após serem constatadas suspeitas de superfaturamento. O documento prevê a compra, por exemplo, de 100 quilos de filé mignon, com valor estimado em R$ 4.050.
O edital para o fornecimento de alimentos estabelecia a validade do contrato com a empresa fornecedora pelo prazo de 6 meses. Neste período, também poderiam ser comprados outros 25 quilos de camarões vermelhos grandes, com preço estimado em R$ 2.765,75, e 180 quilos de frango congelado, com estimativa de custo de R$ 3.034, 80.
O edital estabelece que o pregão seria “destinada à contratação de empresa especializada para o fornecimento parcelado de gêneros alimentícios e materiais de copa, cozinha, limpeza e higienização, para o Senado Federal, à medida que houver necessidade, durante 6 (seis) meses consecutivos”. Segundo a assessoria de Renan, o contrato seria voltado exclusivamente para a residência oficial.
A previsão é que o próximo edital seja lançado nos próximos 20 dias. Em agosto, Renan Calheiros proibiu a contratação de serviços pela Casa sem processo licitatório. A lei das licitações, 8.666 de 1993, permite compras diretas e contratação de serviços pelas instituições públicas federais sem que haja processo licitatório para os casos em que o valor da aquisição seja de até R$ 8 mil.
A decisão do presidente do Senado foi anunciada após o jornal “O Globo” publicar reportagem informando que o Senado comprou dois guardanapos no valor de R$ 420 cada, mais um freezer de quase R$ 78 mil para equipar restaurante da Casa - um freezer custa cerca de R$1,5 mil. No mesmo dia, a assessoria do Senado confirmou a compra de 24 guardanapos de linho e 3 toalhas de mesa pelo valor total de R$ 2.085 sem processo licitatório. A assessoria não confirmou o valor do freezer.
(Atualização: posteriormente, o presidente do Senado divulgou nota na qual afirma que "não procede" a informação de falta de alimentos na residência oficial. Leia na reportagem "Renan diz queinformação de falta de alimento em residência 'não procede'").
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IGUAL A SAL

Em 1992, Ciro Gomes era governador do Ceará, em meio a greve de dois meses da classe médica da rede estadual, Ciro comparou os profissionais a sal: “Branco, barato e tem em todo lugar”.
18 de outubro, Dia do Médico.
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quinta-feira, 17 de outubro de 2013

10 ANOS SEM JERÔNIMO PRADO

Fotos: da esq. para à dir.O prefeito Jerônimo Prado ao lado da primeira-dama dona Francisquinha Prado assina a Lei 214 que cria a Universidade Vale do Acaraú - UVA. O prefeito Jerônimo Prado, ao lado de seu filho, o secretário José Parente Prado inaugura a primeira praça do então distrito Forquilha. Sempre acompanhado de seu filho Zé Prado, Jerônimo Prado inaugura o primeiro colégio do distrito Olho d´Água – hoje Rafael Arruda.
Em 17 de outubro de 2003 morre em Sobral (CE) um dos maiores líderes políticos: Jerônimo Medeiros Prado. Nasceu em 15 de julho de 1909, no povoado de São Vicente, distrito de Jaibaras, da cidade de Sobral. Em 1932 Jerônimo Prado mudou para Sobral com a família e dar início a uma nova fase de sua vida, começa a ser comerciante.
Em 1940 Jerônimo Prado funda em Sobral a Brasil Oiticica, era a pioneira no comércio de oleaginosas da zona norte do Ceará. Com o sucesso da empresa, Jerônimo Prado mais uma vez se aventura e investe na cultura sobralense e cria o primeiro cinema da cidade, o Cine Alvorada, que se tornou referência cultural no Ceará.
Em 1966, Jerônimo Prado é eleito prefeito de Sobral, começa então a saga da família Prado na política sobralense como exemplo de gestão séria com a participação popular. De 1967 a 1971, Sobral foi administrada por Jerônimo Prado.

Obras importantes foram construídas na gestão Jerônimo Prado: o Estádio Plácido Aderaldo Castelo, conhecido como Estádio do Junco. A adutora para o abastecimento de Sobral. Por meio da Lei Municipal número 214, de 23 de outubro de 1968 cria a Universidade Vale do Acaraú – UVA. A Universidade se torna referência no ensino superior e cultural no estado do Ceará.
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quarta-feira, 16 de outubro de 2013

ENTRADA PROIBIDA

Por Márcio Falcão, Flávia Foreque, de Brasília, da Folha de S. Paulo
Sob o comando do deputado Marco Feliciano (PSC-SP), a Comissão de Direitos Humanos da Câmara aprovou nesta quarta-feira (16) projeto de lei que livra os templos religiosos, padres e pastores de serem enquadrados na lei de discriminação se vetarem a presença e participação de pessoas "em desacordo com suas crenças".
Na prática, a proposta quer evitar que os religiosos sejam criminalizados caso se recusem a realizar casamentos homossexuais, batizados ou outras cerimônias de filhos de casais gays ou mesmo aceitar a presença dessas pessoas em templos religiosos.
Autor do projeto, o deputado Washington Reis (PMDB-RJ) propõe alterar uma lei de 1989 que define como crime praticar, induzir ou incitar a discriminação ou preconceito de raça, cor, etnia, religião ou procedência nacional. Essa norma estabelece prisão de um a três anos para tais situações.
Segundo parlamentares, essa lei é utilizada atualmente por homossexuais que se sentem discriminados. A criação de uma lei específica contra a discriminação de gays sofre resistência no Congresso.
"Deve-se a devida atenção ao fato da prática homossexual ser descrita em muitas doutrinas religiosas como uma conduta em desacordo com suas crenças. Em razão disso, deve-se assistir a tais organizações religiosas o direito de liberdade de manifestação", afirmou Reis.
A posição foi reforçada pelo relatório do deputado Jair Bolsonaro (PP-RJ). "O alcance da lei, antes voltado mais à questão racial, tem sido ampliado, tendendo a estender proteção também à prática homossexual. Assim, [a proposta] esclarece melhor o alcance da referida norma ao diferenciar discriminação de liberdade de crença", disse ele.
"As organizações religiosas têm reconhecido direito de definir regras próprias de funcionamento e inclusive elencar condutas morais e sociais que devem ser seguidas por seus membros", completou Bolsonaro.
O texto, que foi aprovado pela comissão formada majoritariamente por evangélicos, segue para votação na CCJ (Comissão de Constituição e Justiça) da Câmara.
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terça-feira, 15 de outubro de 2013

CHEIRO DE GOLPE NO AR

Por Francisco Pereira do blog Política com “P”
Bem se sabe que, o governismo petista não tem correspondido aos anseios da coletividade brasileira e tendo assim, sido detentor de diversas críticas dos mais diferentes seguimentos da sociedade, não sendo essas as preocupações das frentes progressistas brasileiras, mas sim, o surgimento de frentes retrógradas da política brasileiras.
Divagando na rede mundial de computadores, ver-se os mais diversos tipos e expressões e seguimentos interagindo. Não obstante, nesse domingo último (13.10.2013), deparei-me com alguns absurdos do elitismo liberal, direitista e centrista brasileiro. Acessando a página no Facebook do Partido da Social democracia Brasileira- PSDB, visualizei a seguinte “pérola”, a face aberta e sem máscaras do movimento silencioso golpista direitista: “Que falta de visão do PSDB... 
Não enxerga o tanto que as coisas estão deteriorando e ainda fica nesse lero-lero de campanha [socialista light], atuando no mesmo nicho dos demais candidatos socialistas... Nós, eleitores de centro e de direita deste país, estamos tentando tirar os militares dos quartéis, por que candidato nenhum estimula o nosso interesse.” Comentário de Lucas Garibaldi Cidade atual: Aracaju Cidade Natal: Guadalajara. Esse tipo de movimento e comportamento não é revelado e discutido nos principais veículos de informação do país. Estamos por eclodir o regime democrático conquistado a duras penas. A VOLTA DA DITADURA NO BRASIL.
No entanto, a expressão citada é apenas uma breve e sucinta exposição daquilo que pensa e diz em seu íntimo, a elite do Brasil sobre os demais brasileiros. Vejamos mais o que diz Lucas Garibaldi em sua própria página do Facebook: “O que existe de eleitor liberal, de centro e de direita, torcendo pro DEM lançar um candidato à presidente, não está no gibi... primeiro, porque nós somos muitos e não temos quem nos represente e receba nossos votos, e é por isso que não vamos às ruas e nos tornamos militantes de nada, durante as eleições... Precisando de um candidato com idéias tradicionalistas.” A sociedade civil brasileira precisa está atenta as movimentações da elite brasileira.
Portanto, precisamos aprofundar mais nosso lócus de pesquisa na rede de computadores, não ficar apenas em redes sociais pessoais, mais observar os mais diferentes movimentos e seguimentos que divagam e formatam-se arregimentam um NEO-GOLPE institucional no regime político brasileiro. Esse tipo de ação é repugnante na conjuntura atual tupi-guarani. MOVIMENTO DE OPRESSÃO NUNCA MAIS!
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PROFESSOR POR AMOR

Em setembro de 2011, o governador do Ceará, Cid Gomes ( hoje dono do Pros), participando de um congresso sobre educação em Natal (RN), fez um comentário sobre os educadores, disse que os professores deviam dar aula por amor.
Dois anos depois, Cid se sustenta no adágio popular: “ Faça o que eu mando, mas não faça o que eu faço”. Em miúdos, o governador que é um funcionário do serviço público, continua dando expediente sem amor no Palácio Iracema, mas feliz com a dinheirama que cai em sua conta todo mês.
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CANTA SUPLICY, CANTA!

Por Gabriela Guerreiro, de Brasília, da Folha de S. Paulo
Conhecido por suas performances musicais, o senador Eduardo Suplicy (PT-SP) cantou nesta segunda-feira (14) trechos de músicas de Vinicius de Moraes no plenário do Senado em homenagem ao centenário do nascimento do compositor brasileiro.
Mesmo com o plenário esvaziado --apenas três senadores acompanharam a fala e as canções de Suplicy-- o senador petista discursou por mais de meia hora, mesclando canções e poemas de Vinicius.
Suplicy cantou trechos das músicas "Chega de Saudade", "Garota de Ipanema" e "A Felicidade". Também relembrou momentos da carreira de Vinicius, como o filme "Orfeu Negro"--e relembrou trecho da canção "Manhã de Carnaval", que ganhou notoriedade após a exibição do filme.
"Olha, o Brasil hoje é algo que pode ser expresso por esta música tão bela do Orfeu do Carnaval, que diz: 'Tristeza não tem fim, felicidade sim. A felicidade do pobre parece a grande ilusão do carnaval. A gente trabalha o ano inteiro, por um momento de sonho, pra fazer a fantasia de rei ou de pirata ou jardineira, pra tudo se acabar na quarta-feira'", cantou Suplicy.
O senador disse que Vinicius, "o diplomata, o poeta, o escritor", foi o homem que "mudou a música brasileira". "Vinicius conseguiu criar uma música popular que transcendeu todas as classes, todas as raças, todas as pessoas, como nunca havia acontecido no Brasil", afirmou.
Ao final do discurso, Suplicy foi aplaudido pelos poucos senadores que estavam em plenário. Mas sua performance como cantor não agradou todos os presentes. "Como cantor, o senhor é um ótimo senador", disse Ana Amélia Lemos (PP-RS).
"O senhor é cantor, senador, artista. Entre todas essas suas atribuições, eu fico com a de senador", ironizou Paulo Paim (PT-RS).
O Senado realizou nesta segunda-feira sessão em homenagem ao centenário do nascimento de Vinicius. Suplicy não participou do ato solene porque disse que estava em um compromisso anteriormente agendado, por isso usou parte da sessão tradicional do Senado para homenagear o compositor.
Não é a primeira vez que o senador usa o plenário do Senado para cantar. Em 2010, o petista cantou trechos da música "Para Não Dizer que Não Falei das Flores", de Geraldo Vandré.
Também surpreendeu os colegas cantando uma canção de Cat Stevens para comemorar o Dia dos Pais. Ele ainda fez interpretações de Bob Dylan e do grupo de rap Racionais MC's.
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É PROIBIDO PROIBIR

Por Ruth de Aquino, colunista da revista Época
"Eu digo não ao não. Eu digo. É proibido proibir. É proibido proibir. É proibido proibir. É proibido proibir.” As repetições não são minhas. São de Caetano Veloso, em música-hino contra a censura e a ditadura, em 1968. Franzino e rebelde, ele reagia às vaias no festival gritando: “Os jovens não entendem nada. Querem matar amanhã o velhote inimigo que morreu ontem”.
Caetano hoje é a favor – com Chico Buarque, Gilberto Gil, Erasmo Carlos, Milton Nascimento, Djavan e Roberto Carlos – de proibir biografias sem autorização prévia dos biografados ou de seus herdeiros. Essa aliança entre a Tropicália e a Jovem Guarda quer liberar só as biografias chapa-branca. Nossa “intelligentsia” musical é formada por mitos enrugados e calejados por seus atos e desatinos. São músicos brilhantes, mas péssimos legisladores.
Claro que Caetano tem o direito de mudar de campo e querer proibir. A idade mudou e, com ela, a cor dos cabelos. Aumentou o tamanho da sunga e a conta no banco. Anda com lenço e documento. Pode mudar o pensamento. Por que não? Não seria o primeiro. Quem não se lembra da admiração tardia de Gláuber Rocha por Golbery do Couto e Silva? Depois do exílio, em 1974, antes de voltar ao Brasil, Gláuber disse achar Golbery “um gênio”. Pagou por isso.
Caetano só precisa sair do armário. Abraçado a Renan Calheiros e aos podres poderes do reacionarismo – hoje travestidos, na América Latina, de defensores do povo. Na Venezuela, na Argentina, no Equador, na Bolívia, o movimento é o mesmo de nossos compositores no Olimpo. A liberdade de expressão é relativa e tem de ser monitorada e pré-censurada.
Arauto da vanguarda, Caetano tem o direito de reescrever sua história. Em vez de matar o amanhã, o chefão da máfia do dendê quer matar o passado, quando for clandestino e incômodo. Ele agora diz sim ao não. As lembranças privadas, quando tornadas públicas, podem incomodar a sesta depois do vatapá.
O grupo de músicos contra biografias não autorizadas foi intitulado “Procure saber”. Deve ser uma licença poética da MPB, porque significa o oposto: “Procure esconder”. Ou, quem sabe: “Procure aparecer”. Querem acossar nossa Constituição, favorável à liberdade de expressão, com um artigo pernicioso do Código Civil. O Artigo 20 estabelece que textos, palavras e livros poderão ser proibidos por qualquer pessoa, “a seu requerimento e sem prejuízo da indenização que couber, se lhe atingirem a honra, a boa fama ou a respeitabilidade, ou se se destinarem a fins comerciais”.
Os termos são tão subjetivos que poderiam ser usados para cortar e censurar colunas e composições de nossos músicos combativos. Muita gente já sentiu sua honra ferida pela verve da MPB e pelas polêmicas de Caetano na imprensa. Incomoda, portanto, a contradição do libertário provocador. Só ele pode dizer o que pensa sem pedir permissão?
Há outro detalhe que explica a patrulha contra Caetano. Um detalhe moreno de 1,73 metro de altura, coxas fortes e cabelos compridos. É sua ex, Paula Lavigne, que aos 13 anos começou a namorá-lo. Hoje produtora e empresária, Paula ocupa o cargo pomposo de “presidente da diretoria do grupo Procure Saber”, que ela chama de “uma plataforma profissional de atuação política em defesa dos interesses da classe”...
É a mesma que arremessou um BMW blindado contra a garagem do flat onde se hospedava Caetano logo após a separação. Barrada pelos seguranças, derrubou o portão de 270 quilos. Gaba-se de ter multiplicado a fortuna de Caetano. Passou depois a produzir filmes, discos e shows. Presenteou os fãs com uma foto, em rede social, de Caetano pelado. Nu frontal.
Paula tenta ler reportagens antes da publicação, porque acha que pode. Age como imperatriz louca da Tropicália. Sua resposta, no Twitter, a uma colunista da Folha de S.Paulo, dizendo que “mulher encalhada é f...”, não faz jus a seu cargo. “Tw ñ paga minhas contas”, tuitou Paula, isso é “muita baixaria” (!). Ter um porta-voz como ela é suicídio para qualquer causa. Feliz é Chico que se casou com Marieta Severo, atriz com luz própria, discrição, inteligência. Quem acredita no discurso de Paula, de que a preocupação dos músicos é com os lucros do biógrafo e com o sensacionalismo? No Brasil, biógrafo nenhum fica rico com os livros.
O ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, afirmou que vetar a publicação de biografias que não tenham autorização prévia é “censura” e, por isso, “inadmissível” no estado de direito. Disse que qualquer eventual calúnia ou difamação deve ser reparada pelo Judiciário. O músico Alceu Valença concorda: “Arrisco em dizer que cercear autores seria uma equivocada tentativa de tapar, calar, esconder e camuflar a história no nosso tempo e espaço”.
Em seus artigos, Caetano costuma perguntar se nós, brasileiros, perdemos nossa capacidade de indignação. Ele diz que detesta demagogia. Nós também. Detestamos demagogia, caretice e obscurantismo. Apesar de vocês, amanhã há de ser outro dia. 
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segunda-feira, 14 de outubro de 2013

DILMA BOLADA

Por Ygor Salles, do Hashtag, da Folha de S. Paulo
O evento no último sábado parecia (e era) sério: um anúncio de investimentos em mobilidade urbana em Porto Alegre. Mas, ‘inspirada’ pela efeméride, a presidente Dilma Rousseff resolveu falar de forma improvisada sobre o Dia das Crianças. O que viralizou foi um vídeo no Youtube contendo a fala da presidente:
O resultado soou estranho, uma espécie de mistura de Dilma Bolada com Vanuza cantando o Hino Nacional. E virou assunto nas redes sociais na tarde de hoje.
A princípio achei que fosse uma edição maledicente para tirar um sarro de Dilma. Mas não: está até na transcrição oficial do discursono site do Planalto.
“Principalmente porque, se hoje é o Dia das Crianças, ontem eu disse que criança… o dia da criança é dia da mãe, do pai e das professoras, mas também é o dia dos animais. Sempre que você olha uma criança, há sempre uma figura oculta, que é um cachorro atrás, o que é algo muito importante.”
O corte feito tira a frase do contexto, o que deixa o discurso um pouco mais factível. A presidente estava homenageando a primeira-dama de Porto Alegre, Regina Becker, que é defensora da causa dos animais.
Mas soou estranho da mesma forma, não?
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BOLSA FAMÍLIA IRREGULAR

Por Gabriela Guerreiro, de Brasília, da Folha de S. Paulo
Mais de 2.000 prefeitos e vereadores eleitos no ano passado receberam, até o início deste ano, recursos do programa Bolsa Família do governo federal.
O Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome identificou 2.168 beneficiários que continuaram recebendo o dinheiro do programa apesar de terem sido eleitos para prefeituras e Câmaras Municipais.
A legislação brasileira veda políticos eleitos de receberem o benefício, mas determina que os próprios políticos acusem o fato de serem beneficiários do programa --o que na prática permite que muitos continuem a receber o dinheiro.
O governo encontrou as ilegalidades ao cruzar dados do ministério com do TSE (Tribunal Superior Eleitoral). A operação, realizada em fevereiro deste ano, encontrou inicialmente 2.272 eleitos que poderiam se enquadrar na situação ilegal. Após um pente-fino, com o envio de questionários às prefeituras, o ministério chegou ao número de 2.168 confirmados como políticos eleitos que são beneficiários do principal programa de transferência de renda do governo federal.
Todos tiveram os benefícios cancelados. Os outros 104, que chegaram a ter os pagamentos suspensos, tiveram os valores desbloqueados.
A lei 10.836/2004 obriga os beneficiários que tenham "dolosamente" prestado informações falsas para permanecerem no programa Bolsa Família devem ressarcir os cofres públicos o valor recebido irregularmente. O ressarcimento, segundo a lei, deve ser atualizado com base no IPCA. O ministério não informou se os políticos que receberam o dinheiro irregularmente fizeram o ressarcimento.
IRREGULARIDADES
Nas eleições de 2004 e 2006, o TCU (Tribunal de Contas da União) cruzou a lista de beneficiários do Bolsa Família com a relação de políticos eleitos e seus suplentes. Na época, o cruzamento revelou a existência de 20.601 políticos que recebiam o Bolsa Família, a maioria deles na categoria dos extremamente pobres. Na folha de pagamentos de um mês, fevereiro de 2008, os políticos receberam R$ 1,6 milhão.
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domingo, 13 de outubro de 2013

DOIS CONTRA DILMA

Por Leandro Loyola e Diego Escosteguy, com Flávia Tavares e Marcelo Rocha, da revista Época
Na tarde do primeiro sábado deste mês, no exato dia em que a Constituição da República completava 25 anos de vida, dois políticos adentraram o auditório do Hotel Nacional, em Brasília, para anunciar a mais espetacular e improvável aliança eleitoral desde a redemocratização do Brasil. Marina Silva, exibindo ao país toda a força política de sua frágil figura num tailleur preto, entrava no auditório com 20 milhões de votos, 500 mil assinaturas para o partido que tentava criar e um carisma ainda impossível de medir em números. Eduardo Campos, vestindo camisa social branca e calça jeans, não entrava apenas com o frescor de sua juventude e a simpatia de seus olhos verdes. Levava também um partido, tempo de TV, dinheiro, marqueteiros, palanques regionais e, sobretudo, uma candidatura presidencial ambiciosa, ainda que neste momento empacada nas pesquisas, construída minuciosamente para derrotar o PT de Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff nas eleições que se aproximam. Separados, os dois pareciam não ter chances reais de chegar ao Planalto. Juntos, podiam sonhar.
Marina se sentia claramente vítima do partido que a acolhera por quase três décadas. Atribuía ao governo do PT o fato de, dois dias antes, não ter conseguido o registro eleitoral para o partido Rede Sustentabilidade. Isso a obrigava a se filiar a outro partido, caso quisesse disputar as eleições de 2014. “Não estamos pensando o processo político se resumindo a eleições, ainda que elas sejam muito importantes. Estamos iniciando um processo de governabilidade programática, em vez de uma governabilidade pragmática, que privatiza pedaços do Estado para partidos. Estamos iniciando um processo para fazer um realinhamento histórico e sepultar a Velha República!” A claque que lotava o auditório irrompeu em aplausos e assovios. Algo mudara em Marina. Ela falava com a indignação que só a raiva dá. Nas palavras e no semblante, havia uma determinação que não se vira nas eleições de 2010. Campos podia ser o candidato, mas era ela a estrela.
Em seguida, falou Campos, anunciado como “futuro presidente da República”. “Nossa inquietação com tudo isso que está aí nos moveu. Aqui estamos porque o Brasil espera de nós uma atitude que vá além do olhar eleitoral”, disse ele sobre uma aliança que nasceu, bem, por causa das eleições de 2014. O Brasil assistia ao vivo. O auditório do Hotel Nacional transformara-se no palanque que dava início à imprevisível campanha presidencial de 2014, precipitada pela pragmática união de dois políticos que sonham em derrotar o governo. Se agora era vilipendiado por ambos, num passado não tão distante, ainda nos tempos da Velha República, no dizer de Marina, albergava-lhes confortavelmente. Nascia, portanto, um bicho político inclassificável. Mas que, se vingar, mudará o jogo eleitoral no país, impedindo, pela primeira vez em cinco eleições presidenciais, a disputa bipolar entre PT e PSDB.
O bicho nasceu inteiramente da cabeça de Marina, ainda sob o calor da derrota da Rede no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), na quinta-feira anterior à apoteose política no Hotel Nacional. Era tarde da noite quando ela, acompanhada de aliados, deixou a sede do TSE e se encaminhou para o apartamento de uma amiga, onde cerca de 40 colegas da Rede a esperavam. Alguns choravam. O clima era de desânimo e derrota. Sem o registro da Rede, Marina e seus aliados perdiam a plataforma que haviam construído para a campanha de 2014. O que fazer? Era quase meia-noite quando Marina, já com a ideia de se aliar a Eduardo Campos fervilhando na cabeça, estimulou o início de um debate para decidir o destino dela e da Rede. Restavam menos de 48 horas para o encerramento do prazo de filiações. Qualquer decisão teria de ser tomada rapidamente.
Trecho da reportagem de capa da revista ÉPOCA desta semana.
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O ÚLTIMO A SABER

Da coluna Felipe Patury, por Marcelo Sperandio
A filiação do dono da Coteminas, Josué Gomes da Silva, ao PMDB provocou mal-estar no PT. Entre janeiro e agosto, o ministro do Desenvolvimento, Fernando Pimentel, atraiu Josué para a política. Tentou filiá-lo ao PMDB. Não conseguiu. Depois, sugeriu o PSD. Não conseguiu. Josué parou de atender às ligações de Pimentel.
Candidato ao governo mineiro pelo PT, Pimentel queria Josué em sua chapa, como candidato a vice ou a senador. No dia 1o, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva ligou para contar-lhe que Josué entraria no PMDB. Horas depois, o vice-presidente Michel Temer liberou o partido a lançar candidatura própria em Minas. Pimentel não comentou o caso.
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ENTREVISTA EXCLUSIVA

Da revista ISTOÉ
Às 10h14, da quarta-feira 9, a reportagem de ISTOÉ chegou à residência do governador de Pernambuco, Eduardo Campos, para uma entrevista exclusiva. Desde que decidiu reformar o Palácio das Princesas, sede do governo, Campos se divide entre o gabinete provisório, instalado num centro de convenções, e sua casa – que, na verdade, pertence à família de sua mulher, Renata, há 40 anos. É lá que ele vive com os quatro filhos e os sogros. Localizada num bairro da zona rural de Recife, a residência é decorada por uma grande variedade de obras de artesanato regional. A preferida de Campos é uma imagem de São Francisco em tamanho natural. “A política brasileira tem que entrar na era do Papa Francisco”, diz o candidato do PSB à Presidência da República. “E não adianta quererem me colocar contra a Marina”, brinca, referindo-se à nova aliada, que é evangélica fervorosa. A primeira-dama dá boas-vindas da varanda, em companhia da filha Maria Eduarda, de 21 anos. Ela exibe a gravidez de Miguel, o quinto filho do casal, que chegará ao mundo em fevereiro. Eduardo Campos despacha com um de seus secretários na mesa da sala, e o pequeno José Henrique, de 8 anos, corre de um lado a outro com o smartphone do pai. Os outros dois filhos, João (19) e Pedro (17), estavam fora, estudando. “Tem político que gosta de criar bois. Outros preferem cavalos. Eu gosto de criar gente.”
ISTOÉ – Por que o sr. acredita que pode ser um bom presidente?
Eduardo Campos – Porque somos capazes de mudar a qualidade da política no País. A política se degradou. Vivemos uma encruzilhada. Não podemos colocar em risco o que acumulamos nas últimas três décadas, especialmente em termos de democracia, estabilidade econômica e inclusão social. Quero resgatar o bom debate, a utopia, a leveza e o respeito da sociedade. Representamos milhões de brasileiros que acreditam em democracia, que é possível um padrão sustentável de desenvolvimento econômico, que é preciso aumentar a participação da sociedade na governança pública. Minha aliança com Marina é a primeira resposta à crise de representatividade que o País está vivendo. O PSDB e o PT já tiveram sua chance de liderar o processo político. Agora é a nossa vez.
ISTOÉ – O sr. acredita mesmo em possibilidade de retrocesso nas conquistas sociais?
Campos – Enquanto a nova agenda for negligenciada, sim. As pessoas não têm acesso a serviços públicos de qualidade. Quem passa quatro horas num ônibus, quem espera oito meses para fazer um exame, com risco até de perder a vida pela demora no atendimento, quer mudança. As respostas para essas questões não serão dadas com velhas práticas políticas.
ISTOÉ – O que são as velhas práticas?
Campos – Achar que basta juntar uns partidos para ter tempo de TV, contratar um bom marqueteiro e depois contar os parlamentares, distribuir ministérios entre partidos, sem discutir conteúdo de nada. O que está posto na sociedade? Quer ter uma telefonia decente, transporte público de qualidade, energia sustentável para iniciarmos um novo ciclo de crescimento. Quem entendeu o que aconteceu nas ruas em junho entende a aliança que estamos fazendo agora e a pauta que estamos colocando.
ISTOÉ – Essas questões são antigas e ninguém mudou.
Campos – São questões que estão postas há duas décadas, ao menos. É o que ocorre, por exemplo, com as reformas política e tributária. O presidente Lula tentou fazer. Só que político pensa no imediato e, se aquilo vai prejudicá-lo, ele não apoia. A saída é propor reformas escalonadas, com previsão de entrar em vigor em oito, 12 ou 16 anos. Na reforma política, por exemplo, poderíamos terminar, de saída, com a coligação proporcional, com a cláusula de barreira e a coincidência de mandatos. Isso já dá uma primeira arrumada.
ISTOÉ – Se Lula não fez as reformas com a popularidade e a base de apoio que tinha, por que o sr. acha que conseguirá?
Campos – Porque o Brasil que sairá das urnas em 2014 será outro. Foi por isso que alguns setores tentaram reduzir as chances de debate, polarizando a disputa. Em 2014 teremos uma eleição de posturas. Precisamos usar mais mecanismos de democracia direta, usar o potencial de 108 milhões de brasileiros com smartphones ligados à internet. Os governos precisam ser digitais. Com isso, dá para governar com uma base menor, mas que tenha qualidade.
ISTOÉ – Não é um sonho governar com uma base menor?
Campos – É preciso testar. Não dá para ficar alimentando um ciclo que não está sendo bom para a política brasileira. Estamos há dois anos lutando contra essa inflação renitente, empurrando para cima da meta prudencial. Tem muita gente que subiu degraus, deu entrada na casa própria, comprou máquina de lavar, televisão de tela plana, assumiu vários compromissos financeiros. Se a economia não melhorar, essas pessoas podem ser obrigadas a descer esses degraus.
ISTOÉ – E o que o sr. fará para melhorar a economia?
Campos – A tarefa de conter a inflação não é só taxa de juros. É preciso encarar a economia como você enfrenta outros problemas. No caso da segurança pública, o que você faz? Não é só colocar polícia na rua, tem que ter escola, assistência social, uma Justiça mais ágil, combater a impunidade. Na economia, é fundamental compatibilizar a política fiscal com a monetária, e passar segurança aos agentes econômicos.
ISTOÉ – Como passar essa segurança? Qual é o seu plano econômico?
Campos – Não quero antecipar um debate que estou começando. Mas o País precisa de um rumo estratégico, como o que Lula fez na “Carta aos Brasileiros”, em 2002. A eleição dele gerou na ocasião mais ansiedade no mercado, mais sobressaltos, que qualquer outra crise, levando o dólar na casa dos R$ 4. Há hoje uma crise de confiança que precisa ser neutralizada. Tem que fazer o dever de casa, alavancar os investimentos, combater a corrupção, implementar uma gestão pública mais eficiente, baseada na transparência, no controle social e na meritocracia, e não no apadrinhamento. Eu fiz isso em Pernambuco. Todos concordam que é preciso reduzir o número de ministérios. É uma questão simbólica.
ISTOÉ – O sr. vai se apresentar como uma terceira via?
Campos – Não é uma terceira via, mas é “a via”. Não gosto do clichê de terceira, porque parece que há uma primeira e uma segunda. Não quero ser a contestação da contestação, quero ser o caminho para melhorar a vida das pessoas.
ISTOÉ – Apesar do desempenho como governador, o candidato Eduardo Campos ainda é desconhecido dos brasileiros. Como pretende mudar isso?
Campos – É verdade que o Brasil ainda não me conhece. Mas não fiz até agora nenhum esforço sistemático para mudar isso. Recentemente, temos falado na TV, mas apenas dez minutos a cada seis meses.
ISTOÉ – E como virar o jogo?
Campos – Vamos andar juntos pelo Brasil, eu e Marina. Vamos ter o apoio desse maravilhoso mundo da internet, participar de fóruns e atividades País afora. Os espaços vão surgindo naturalmente, é um processo em construção. Não pode ser um processo ansioso, mas tranquilo, como estamos. Quem não está tranquilo são os outros!
ISTOÉ – Qual é a estratégia de sua campanha?
Campos – Vamos correr o País. Estamos fechando uma agenda de debates e atividades, de agitação de ideias e participação em eventos públicos. Nos próximos dias já vamos começar a aparecer juntos. Haverá também atividades internas direcionadas à militância do PSB e da Rede, que devem estar coesas. Queremos o apoio de personalidades e de diversos setores da sociedade civil. Mostrar que temos um campo que inclui outras lideranças políticas, como Luiza Erundina, Pedro Simon, Jarbas Vasconcelos. A campanha será a expressão política do desejo de mudanças que alimenta protestos e manifestações País afora. Podemos expressar esses valores que estão sendo reclamados na vida pública em torno de ideais que vão juntar as pessoas.
ISTOÉ – E os palanques regionais? Vocês vão cobrar fidelidade e expulsar o PT das coligações?
Campos – Não vamos expulsar ninguém. Sai quem quiser. Os Estados estão livres para fazer os arranjos necessários, desde que garantam o palanque para nossa candidatura.
ISTOÉ – Mas a Dilma também vai querer o palanque. Vocês vão dividir?
Campos – Pode ser, não vejo problema.
ISTOÉ – A Marina vai ajudar a projetar sua imagem?
Campos – Acho que a aliança vai ajudar a difundir ideias que são novas, simples, mas de grande impacto e com grande sinergia com as pessoas que não são candidatas e que não são partidárias. Pessoas que militam por um Brasil melhor. Não podemos ser encarados como ofensa, só por oferecer um caminho alternativo.
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sábado, 12 de outubro de 2013

CAMINHO ALTERNATIVO

Por Felipe Patury, João Gabriel de Lima e Helio Gurovitz, da Época
Eduardo Campos será pai. O nascimento de seu quinto filho está previsto para fevereiro do ano que vem. Ele deverá se chamar Miguel – mesmo nome do bisavô, Miguel Arraes, que iniciou Eduardo na política. Além de Miguel, 2014 promete trazer outras emoções para o governador de Pernambuco. O mesmo Campos que declarara apoio à presidente Dilma Rousseff nas eleições de 2014 entrou com tudo na corrida pelo Planalto, desde que Marina Silva resolveu apoiá-lo com sua Rede. Em entrevista a ÉPOCA para a série Líderes Brasileiros, ele discorre sobre suas ideias para o país e sobre política. “Quem apostar em algum problema entre mim e Marina vai perder. É melhor não apostar caro, para não perder muito.”
ÉPOCA – O senhor é ou será candidato à Presidência?
Eduardo Campos – O PSB e a Rede apresentarão uma proposta ao Brasil de um caminho alternativo, que possa garantir as conquistas que tivemos nas últimas décadas, mas que possa remeter o Brasil a um longo ciclo econômico, com visão social, um novo ciclo de desenvolvimento sustentável, com inclusão, que possa garantir melhoria na qualidade vida do povo brasileiro, com serviços públicos mais eficientes e que possam contemplar a demanda que está posta na vida pública brasileira por essa melhoria.
ÉPOCA – O senhor será o candidato do PSB ou existe a possibilidade de haver outro candidato?
Campos – Tomamos uma decisão. Vamos trabalhar o conteúdo dessa aliança, envolvendo a sociedade civil, o movimento social, a academia – e manter exatamente aquilo que a Marina eu colocávamos sempre: a decisão sobre a candidatura virá em 2014. Marina e eu estaremos juntos, levando esse conteúdo para todo o Brasil e à sociedade brasileira. Quem apostar que haverá algum problema entre mim e Marina vai perder. É melhor não apostar caro, para não perder muito.
ÉPOCA – O senhor apoiou o PT e disse que estaria com Dilma em 2014. O que o levou a mudar e a tentar criar uma alternativa?
Campos – Essa reflexão já vínhamos fazendo desde 2010, quando nós e o PSB discutíamos uma candidatura alternativa para um encontro no segundo turno com outra hegemonia, outra pactuação. No ano da eleição, vimos que havia a possibilidade de vencermos no primeiro turno. Sacrificamos uma candidatura própria do PSB e fomos para uma aliança com PT e PMDB, sob a coordenação do presidente Lula. E a eleição não foi resolvida no primeiro turno. Tivemos um debate superpobre do ponto de vista de conteúdo, que descambou mais para o eleitoral que o político, mais para o marketing que para a discussão da essência. Nosso partido tem 60 anos e ele já surgiu exatamente pela inquietação de intelectuais que se colocavam contra a posição gerada pela Guerra Fria: a esquerda liderada pelos comunistas, de outro lado os liberais, como se não houvesse nenhum outro caminho alternativo. Esse ato que consolidamos no sábado, uma aliança programática do PSB com a Rede, é um fato que ajuda a oxigenar a política, a fazer o debate de conteúdo. Não é contra quem quer que seja. É a favor da boa política, do Brasil e, sobretudo, da cidadania, para que ela tenha alternativas.
ÉPOCA – O período do PT se esgotou?
Campos – O Partido dos Trabalhadores – onde tenho amigos que pretendo preservar, como tenho no PSDB – precisa passar por um processo de inovação. A maior prova disso foi dada em 2010, quando a candidata foi a presidente Dilma Rousseff. Ali, já estava claro que o PT precisava renovar seus quadros e práticas. Dilma não é uma petista tradicional de origem. Se foi ela a candidata, é porque não havia nos quadros do PT quem cumprisse aquele papel.
ÉPOCA – O senhor acha que Dilma poderia ter aproveitado melhor sua chance no governo?
Campos – Essa é uma análise que a história fará. A gente falará muito sobre isso em 2014 – e, sobretudo, o povo poderá falar sobre isso em 2014.
ÉPOCA – Dilma perdeu a aura da ética?
Campos – É uma resposta que só o tempo dará. Ela é séria e a respeito. Mas é um erro político essa manutenção da coalizão onde as forças mais atrasadas e conservadoras passaram a ser o centro. Isso aconteceu em 2005, numa crise política em que o Lula teve de ampliar sua base. Há um aprofundamento dessa aliança para o centro e para o campo conservador. É um erro político.
ÉPOCA – O senhor se refere ao PMDB?
Campos – Sim. Mas não todo o PMDB. Tem o PMDB do Pedro Simon, tem o PMDB do Jarbas Vasconcelos, esse PMDB é outra coisa. Falo do núcleo que hoje comanda o PMDB.
ÉPOCA – Quais seriam três prioridades de um governo do PSB e da Rede?
Campos – Uma prioridade central é a qualidade de vida das pessoas. A sustentabilidade nada mais é que uma releitura, no século XXI, do que é o socialismo democrático, o desejo das pessoas de viver sob os valores da ética, dos direitos humanos, do respeito à diversidade. Há um grande desejo da população brasileira de melhorar a qualidade de vida. Uma prioridade central que responde à qualidade de vida e à questão econômica é ter uma educação efetivamente de qualidade, como direito de cidadania brasileira. Educação não é uma política pública em que você possa imaginar que terá resultados de curto prazo. Aí vem a diferença da aposta nesse caminho. É pensar o Brasil além da eleição, o Brasil da próxima década. Outra questão é garantir as conquistas que tivemos. A conquista democrática, que nos impõe melhoria da qualidade da política para melhorar as instituições, aproximando o Brasil real do Brasil oficial. A conquista da estabilidade, um patrimônio com que não podemos brincar. Se tivermos um problema sério na economia, a vida de uma legião de brasileiros – que adquiriram suas televisões, pagam prestações da casa própria, compraram motocicletas – pode se complicar.
ÉPOCA – Suas três prioridades seriam, então: qualidade de vida, educação e garantir as conquistas?
Campos – Isso.
ÉPOCA – O senhor falou em educação. Pernambuco criou um sistema que paga bônus a professores que cumprem metas. No Rio de Janeiro, o prefeito Eduardo Paes enfrenta uma greve, entre outras coisas, porque quer implantar algo parecido. Na Presidência, o senhor faria um programa de meritocracia semelhante?
Campos – Não é só colocar remuneração variável. É preciso haver valorização do professor, com plano de cargos, carreiras e vencimentos. Que diferencie quem faz especialização, que prestigie quem faz mestrado e doutorado, que possa abrir a possibilidade de o professor fazer reciclagem e capacitação continuada. Não posso substituir salário pela remuneração variável. Seria uma agressão ao bomsenso e ao professorado. É preciso haver salário e carreira para que o professor possa crescer. E ele tem de ter o bônus.
ÉPOCA – O professor ganha mal no Brasil?
Campos – Ganha mal. Acumulou-se a gestão malfeita no passado, e muitos lugares ficaram condenados a remunerar mal. Se houver diálogo com os professores, e se houver disposição, construiremos uma travessia de resgate de autoestima, fundamental para o resultado no aprendizado. Se o professorado ficar deprimido, não haverá resultado.
ÉPOCA – O que o senhor acha das cotas?
Campos – Elas vêm apresentando resultados no Brasil. Temos um quadro social muito duro no país. Há um desequilíbrio no acesso à educação de qualidade, quando se compara o filho de um trabalhador do sertão ao filho de um trabalhador da classe média urbana. Se não houver mecanismos de induzir, permitir que os estudantes em situação social mais dura tenham incentivo para chegar à universidade pública, será reproduzido um quadro de desequilíbrio. Precisamos de cotas hoje, porque vivemos numa sociedade com muito desequilíbrio social.
ÉPOCA – Inclusive cotas raciais?
Campos – Cotas raciais e cotas sociais. Pelas marcas da escravidão. Venho de um lugar marcado culturalmente pela casa-grande e a senzala. Sei o que é essa figura.
ÉPOCA – Como criar no Brasil uma saúde pública de qualidade?
Campos – Ou começamos o debate da saúde pela saúde ou tentaremos cuidar da doença, não da saúde. Fortalecer a atenção básica é estratégico. Para cuidar de 90% da população, a saída é essa. Existe também um subfinanciamento. A União vem se retirando do gasto na saúde. Em 1988, colocava-se 75%, hoje são menos de 50%. Para compensar, entram recursos dos municípios e dos Estados.
ÉPOCA – O senhor acha que a União deveria voltar a gastar mais na saúde? Como financiar isso?
Campos – A União precisa elevar o gasto, num processo de longo prazo, como está em discussão no Congresso agora.
ÉPOCA – O senhor usa o sistema de saúde pública?
Campos – Já tive experiência de ser atendido em emergência. Já como governador, tive um processo alérgico, estava próximo de um hospital público, e fui lá. Mas tenho seguro-saúde, o mesmo há 20 anos.
ÉPOCA – O que o senhor acha da importação dos médicos cubanos?
Campos – Importamos médico hoje, porque não formamos ontem no Brasil. No meu Estado, quando fiz um levantamento há três anos, vi que as vagas do curso de medicina nas universidades federais e estaduais eram menores que nos anos 80. Abri em Pernambuco dois cursos de medicina. Um no Agreste e outro no Sertão. Eles não terão impacto enquanto eu for governador, e sim daqui a dez anos. Durante algum tempo, se fecharam cursos de medicina Brasil afora. Há cidades com 15 mil ou 20 mil habitantes sem médico. Coloque-se numa cidade dessas, com um filho com crise de asma, uma mãe com desequilíbrio de diabetes ou pressão arterial elevada. Existe essa realidade, e é preciso enfrentá-la.
ÉPOCA – Qual sua opinião sobre as privatizações, no governo FHC e no governo Dilma? Como trataria a questão?
Campos – Não tenho preconceito com iniciativa privada, nem com Parcerias Público-Privadas, concessões. Não temos no orçamento fiscal brasileiro a capacidade de alavancar os investimentos, como a realidade exige. Temos de chamar a parceria da iniciativa privada. E ela não fará por filantropia uma rodovia, um porto, um aeroporto, uma linha de metrô. Fará para ganhar dinheiro. Precisamos garantir um ambiente que passe confiança e nos ajude a ter investimentos em áreas que melhorem a qualidade de vida e a produtividade da economia.
ÉPOCA – O governo atual errou em relação a isso?
Campos – O governo demorou a adotar o caminho das concessões e das Parcerias Público-Privadas. E, quando tomou a decisão de ir, não passou segurança aos agentes. Parecia que havia algo mal resolvido, um certo preconceito, um intuito de intervir no negócio do concessionário. O governo meio que fez, mas fez desconfiado. Fez, mas fez como se quisesse continuar como se fosse público. Isso teve consequências.
ÉPOCA – Isso significa que precisa haver capitalismo dentro do socialismo do PSB?
Campos – Sim.
ÉPOCA – O Brasil sofre com a armadilha de crescimento baixo. Da nossa riqueza, 40% vão para a máquina estatal. O que fazer?
Campos – O fundamental é desenhar o caminho estratégico. Teremos uma caminhada de uma década. Nessa caminhada, ajustaremos distorções que existem e compatibilizaremos as políticas fiscais e econômicas, num caminho em que passaremos confiança aos agentes econômicos. Há no Brasil mais uma crise de confiança do que uma crise econômica. Os fundamentos econômicos poderiam estar melhores? Sim, mas já estiveram piores. O importante é passar para a sociedade com clareza que há um projeto discutido, de longo prazo, que juntará boas ideias e boas pessoas. Isso conquista a primeira batalha: a batalha da confiança.
ÉPOCA – O senador Aécio Neves diz que, se eleito, reduziria o número de ministérios de 40 para 22. Temos ministérios demais?
Campos – Isso virou um símbolo para qualquer presidente novo que chegar. Ele terá de reduzir. Mas não resolve a questão fiscal. Pode ajudar a resolver a gestão. Se ele disse 22, posso dizer 20. Agora, se ficar por aí, não resolveu nada. É só um slogan, uma jogada de marketing. Precisa ir adiante. Criar indicadores de impacto na gestão, remuneração variável no serviço público, premiação para quem cumpre meta e orçamento. São ideias que já existem em prefeituras e Estados e a União precisa incorporar.
ÉPOCA – No mundo globalizado, quais são nossas forças? Onde devemos investir?
Campos – A gente precisa apostar na inovação. Melhorar onde somos bons. Podemos ter excelência em energia, temos condição de manter uma matriz energética limpa e renovável. Temos de seguir aumentando nossa produtividade como resposta à visão atrasada de que o agronegócio pode se sustentar por seu expansionismo. Ele se sustentará pelo que tiver de tecnologia, inovação e compatibilidade com a questão ambiental. Precisamos buscar inovação em setores da nossa indústria, porque não podemos ser o país só da agricultura e da exportação de commodities. Temos de fazer apostas em setores que serão fundamentais.
ÉPOCA – Marina Silva sempre teve uma relação difícil com o agronegócio. Como o PSB lidará com esse setor?
Campos – Não podemos ter preconceitos com setores. Há fábricas que poluem e as que não poluem. Há empresas na área de serviços que respeitam a regra na relação trabalhista e as que não respeitam. No agronegócio, tem gente com cabeça do século XX ou XIX e tem muita gente no século XXI. Esses serão nossos interlocutores. É preciso ficar claro que o caminho para melhorar a produtividade não é derrubar Mata Atlântica, Floresta Amazônica, mata ciliar, entrar em reserva legal. O caminho é levar e agregar conhecimento. No agronegócio brasileiro há grandes empreendedores, pessoas completamente sintonizadas com isso.
ÉPOCA – No Brasil, o empresário gosta de pedir dinheiro e desonerações ao governo. Como o senhor trataria isso num eventual governo PSB e Rede? Diria não aos empresários?
Campos – Quem governa, antes de aprender a dizer “sim”, tem de aprender a dizer “não”. Se não, não governa. Nos últimos meses, assistimos à desoneração de quase R$ 70 bilhões, e você não encontra um único segmento do empresariado brasileiro aplaudindo isso. Todos continuam reclamando. E alguns achando que não foram atendidos. Precisamos ter esse olhar em perspectiva para a construção de algumas apostas.
ÉPOCA – Para ampliar a inovação, como casar o conhecimento com o investidor?
Campos – Discutimos isso quando eu estava no governo do presidente Lula. Fizemos o debate da inovação há dez anos. FHC passou sete anos tentando fazer a lei da inovação. Precisamos tornar a inovação um conceito sistêmico para o governo. Na hora de dar um incentivo fiscal e de oferecer o crédito, de fazer as apostas na infraestrutura, isso tudo tem de ser destinado a quem está efetivamente inovando. Essa busca tem de estar em todos os setores, o próprio serviço público tem de buscar inovação. É preciso que essa pactuação seja de todos.
ÉPOCA – Qual sua opinião sobre o casamento gay?
Campos – É uma questão resolvida e bem resolvida pela Justiça brasileira. A suprema corte do Brasil foi lá e resolveu o que o Congresso Nacional não resolveu. Não só a união civil, como a questão previdenciária.
ÉPOCA – Aborto?
Campos – A legislação que está aí é a que o Brasil pode ter neste momento.
ÉPOCA – Descriminalização das drogas leves, como a maconha?
Campos – Não é o caso ainda no Brasil, neste momento.
ÉPOCA – Por quê?
Campos – Porque vivemos uma epidemia do crack. Precisamos romper essa epidemia com outros mecanismos para abrir um debate dessa natureza.
ÉPOCA - Marina disse que, a pretexto de combater a “homofobia”, havia o risco de surgir uma intolerância religiosa, a “cristofobia”. Qual sua opinião sobre isso?
Campos – Garantir direitos da fé é defender a Constituição. Tenho minha religião, mas nunca a trouxe para o debate político. Sou católico, mas nunca professei minha fé naquilo que estou discutindo aqui. É algo que me diz respeito.
ÉPOCA – O senhor é praticante?
Campos – Sou.
ÉPOCA – Vai à missa todo domingo?
Campos – Não. Minha agenda... mas tenho família de formação cristã.
ÉPOCA – O senhor foi criticado por ter mais de 20 parentes empregados no governo de Pernambuco. Outra acusação diz respeito a uma punição no Conselhinho do Banco Central, por uma questão envolvendo precatórios. Como lidará com elas?
Campos – Com muita tranquilidade. O primeiro Estado na federação que teve uma lei de nepotismo foi Pernambuco. Pelo fato de me eleger governador, não tenho como demitir do serviço público primos de minha mulher ou primos meus, filhos de pessoas de minha família, aprovados em concurso. Eles são servidores públicos. Agora, em relação ao Conselhinho (do Banco Central), é uma questão estapafúrdia, já suspensa por decisão judicial. O Supremo analisou a questão e, por unanimidade, depois de toda a investigação no Congresso, Ministério Público Federal, imprensa, meus adversários, me julgou (inocente). E, depois de o Supremo me julgar, fui julgado pelos que me conhecem, que moram em Pernambuco. Duas vezes. Da última, com 83% dos votos.
ÉPOCA – Um desafio da aliança entre PSB e Rede é o pouco tempo de televisão.
Campos – Eu falava com minha mulher, Renata: voltaremos a disputar eleição como no passado. Em 2006, fui candidato disputando valores em cima de caixotinho. Tempo de TV é importante, mas não é fundamental. Melhor não ter tempo e ter o que dizer do que ter muito tempo e não ter o que dizer.
ÉPOCA – Neste ano o povo brasileiro foi às ruas por não se sentir representado pelos políticos. Qual sua resposta a esse cidadão?
Campos – Foram para a rua para melhorar o Brasil. Ninguém sai à rua para piorar. A primeira das mudanças precisa ser na política. Se não mudar a política, não mudará o Brasil. A primeira resposta concreta é dada desde sábado. A gente oferece um caminho diferente, fora dos arranjos tradicionais, para colocar em debate. Isso animará enormemente a juventude, os militantes sociais, os que se preocupam com o futuro do Brasil, os que querem justiça social. Isso animará quem estava desanimado com a política. Qual o resultado? Teremos de esperar 2014 para ver o resultado.
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