segunda-feira, 20 de abril de 2015
domingo, 19 de abril de 2015
PANELINHA BLOGUEIRA
Recentemente no Palácio do Planalto a presidente Dilma concedeu
entrevista à blogosfera, mais precisamente para uma “seleta” turma de
blogueiros, apenas seis blogs foram “escolhidos” para participar: Brasil 247, Blog do Miro, Jornal GGN, Blog Socialista
Morena, Carta Maior e Revista Fórum.
O critério de escolha
dos blogs para compor a "seleta" lista dos seis "sortudos"
é ser um blog companheiro; aqueles blogueiros que não contestam a gestão
petista e recebem patrocínio governo. Nenhum blogueiro presente discorda do
governo federal, na linguagem jornalística: um blog chapa-branca, na linguagem
popular ‘panelinha’.
Os jornalistas e blogueiros que participaram não fazem
oposição ou refuta qualquer ação desastrosa da administração petista da
presidente Dilma, em seus posts. Todos empenhados em perguntar o que a
presidente queria ouvir.
A entrevista foi boa, poderia ter sido melhor, mas não se
pode esperar muito de um grupo de jornalistas blogueiros em que todos são
vassalos do governo petista. Na entrevista, a presidente disse que em hipótese alguma
concede entrevista para a revista Veja.
GETÚLIO, 133 ANOS
Se vivo fosse, Getúlio Vargas, o “pai dos pobres” estaria
completando 133 anos. Getúlio Dornelles Vargas nasceu em São Borja, 19 de abril
de 1882, faleceu no Rio de Janeiro, em 24 de agosto de 1954.
Com um tiro no coração, Getúlio se suicidou no Palácio do
Catete, sede do governo brasileiro no Rio de Janeiro. A carta-testamento
deixada por Getúlio Vargas mostra que não dava mais para aguentar as pressões.
Getúlio Vargas governou o Brasil duas vezes: de 1930 a 1945
e de 1951 a 1954. No primeiro governo pôs fim à República Velha depondo seu 13º
e último presidente Washington Luís. No segundo governo foi eleito pelo voto
direto e criou as leis trabalhistas, a Petrobrás.
Getúlio, em 1930, pôs fim à República Velha, depondo seu 13º
e último presidente, Washington Luís, e, impedindo a posse do presidente eleito
em 1 de março de 1930, Júlio Prestes.
PAPÉIS SECRETOS
Da Época
Em 3 de dezembro de 2010, a petista Dilma Rousseff, eleita
havia poucas semanas para seu primeiro mandato como presidente da República,
mandou anunciar o nome do ministro mais poderoso de seu governo. Dali a dias,
Antonio Palocci – ex-ministro da Fazenda, ex-deputado federal, ex-prefeito de
Ribeirão Preto e hoje alvo ilustre da Operação Lava Jato – assumiria a chefia
da Casa Civil. Era a improvável ressurreição política de Palocci, ceifado do
governo Lula anos antes, quando, após resistir a toda sorte de acusações de
corrupção, acabou por não resistir ao escândalo da quebra dos sigilos do
caseiro Francenildo. Perdeu o cargo, mas não a influência. Palocci ressurgiu na
eleição de Dilma. Coordenou a campanha e atuou como arrecadador informal da
petista, ao lado do tesoureiro do PT, João Vaccari, hoje preso. A nomeação para
a Casa Civil, na qual sucederia a Erenice Guerra, premiava seus bons serviços
na campanha. Nas palavras de Dilma, Palocci fora “um dos artífices da jornada
vitoriosa” que a elegera. Estava claro quem mandaria em Brasília no terceiro
mandato petista.
No mesmo dia do anúncio, Palocci recebeu R$ 1 milhão do
escritório do criminalista Márcio Thomaz Bastos, segundo documentos da empresa
do petista, em poder do Ministério Público Federal (MPF) e obtidos por ÉPOCA.
MTB, como era conhecido o advogado, morreu no ano passado. Em 2010, após uma
longa passagem pelo Ministério da Justiça do governo Lula, na qual fez muitas
tabelinhas com Palocci, resistia como principal conselheiro jurídico da cúpula
do PT. O dinheiro foi repassado sem que houvesse sequer contrato formal. Era um
contrato de boca. Duas semanas depois, Palocci recebeu mais R$ 1 milhão de MTB.
Os R$ 2 milhões somavam-se aos R$ 3,5 milhões repassados durante a campanha e a
pré-campanha de Dilma. No total, 11 pagamentos. Sempre sem contrato. Sempre em
valores redondos – R$ 500 mil, no auge das eleições, e R$ 250 mil, antes.
Sempre depositados, segundo o próprio Palocci, na conta da Projeto, a empresa
de consultoria criada por ele após deixar o governo Lula.
Qual a origem do dinheiro? O Pão de Açúcar, dizem os
advogados de Palocci e do escritório de MTB. Por que o Pão de Açúcar pagaria
uma pequena fortuna a Palocci? Para que o petista, um médico sanitarista que
passava aqueles dias de 2010 na intensa faina de uma campanha presidencial,
ajudasse na fusão entre o grupo de Abilio Diniz e as Casas Bahia. Não se sabe
como Palocci poderia ser tão valioso numa negociação dessa natureza – nem por
qual razão o Pão de Açúcar não o contratara diretamente. Mas ele prestou algum
serviço? A renomada consultoria Estáter, contratada de forma exclusiva pelo Pão
de Açúcar para tocar a fusão, informou ao MPF que, por óbvio, não – Palocci não
prestou qualquer serviço, o que despertou suspeitas entre os investigadores.
Fontes que participaram das negociações confirmaram a ÉPOCA que Palocci não
participou de qualquer reunião, conversa informal ou troca de e-mails durante o
negócio. Em ofício ao MPF, o Pão de Açúcar disse que “em função da relação de
confiança desenvolvida” é comum que os “serviços de assessoria jurídica sejam
contratados de modo mais informal”. Palocci não é advogado. Procurado por
ÉPOCA, o Pão de Açúcar informou que não vai se pronunciar.
Palocci não tardou a cair novamente. Pouco após assumir a
Casa Civil, o jornal Folha de S.Paulo revelou que ele comprara um apartamento
avaliado em R$ 6,6 milhões, antes de voltar a Brasília. Palocci, que não tem
herança e sempre foi político, se recusou a explicar a origem do dinheiro.
Disse apenas que provinha dos clientes que contratavam a Projeto, sua empresa
de consultoria. Preferiu deixar a Casa Civil a revelar os nomes deles – e a
declinar para que fora exatamente contratado. Agora, ÉPOCA teve acesso a
documentos internos da empresa de Palocci, a uma investigação sigilosa do MPF
sobre ela e a uma lista com 30 nomes de empresas que pagaram o ex-ministro. Os
papéis oficiais, assim como a investigação dos procuradores, revelam que a
prosperidade da empresa de Palocci coincidiu com o momento em que ele assumiu
as tarefas de coordenar a campanha de Dilma – e de arrecadar para ela.
Em 2010, Palocci recebeu, ao menos, R$ 12 milhões em
pagamentos considerados suspeitos pelo MPF. Além dos pagamentos do escritório
de Márcio Thomaz Bastos, supostamente em nome do Pão de Açúcar, os procuradores
avaliaram como suspeitos os pagamentos do frigorífico JBS e da concessionária
Caoa. Eles somam R$ 6,5 milhões. São suspeitos porque, na visão do MPF,
Palocci, mesmo depois de ouvido, não conseguiu comprovar que prestou serviços
às empresas – ou foi desmentido por quem estava envolvido, como no caso da
consultoria Estáter e do Pão de Açúcar. Ademais, para o MPF, a inexistência de
contratos para muitos dos pagamentos reforça os indícios de que as consultorias
foram, na verdade, de fachada. Por que grandes empresas gastaram tanto com
Palocci? E qual o destino final do dinheiro? Ninguém sabe ainda.
A investigação à qual ÉPOCA teve acesso corre em Brasília,
mas será requisitada por procuradores que trabalham nos dois maiores casos de
corrupção sob investigação no país: a Lava Jato. No petrolão, a
Procuradoria-Geral da República abriu inquérito para apurar a acusação de que o
petista arrecadou R$ 2 milhões – para a mesma campanha de Dilma em 2010. A
denúncia foi feita pelo delator Paulo Roberto Costa, ex-diretor de
Abastecimento da Petrobras. Como Palocci não tem foro privilegiado, o processo
contra ele corre no Paraná, sob a guarda do juiz Sergio Moro. Com base no
trabalho dos procuradores de Brasília, a Força-Tarefa de Curitiba espera
avançar mais rapidamente no rastro do dinheiro que circulou pelas contas
associadas ao ex-ministro. Eles preparam o pedido de quebra dos sigilos de
Palocci, entre outras medidas.
O CERCO SE FECHA
Da IstoÉ
Por volta das 6h da manhã da quarta-feira 15, a Polícia
Federal bateu à porta da casa de João Vaccari Neto em Moema, zona sul de São
Paulo. O petista se preparava para sua caminhada matinal e não ofereceu
resistência. Em tom sereno, pediu aos agentes alguns minutos para trocar o
moletom e o tênis. Vestiu uma calça jeans, camisa social xadrez e sapatos. Numa
pequena valise, que foi revistada, colocou peças de roupa íntima e material de
higiene pessoal. Poucas horas depois, Vaccari foi conduzido à carceragem da PF
em Curitiba, ponto de encontro dos réus do Petrolão. A prisão do até então dono
do cofre do PT, seguida da revelação dos agentes da Lava Jato de que ele
desviava recursos para a legenda havia 10 anos, compromete o partido e aproxima
a presidente Dilma Rousseff do escândalo. A força-tarefa já tem fortes indícios
de que as campanhas da petista em 2010 e 2014 foram abastecidas com dinheiro
ilegal, desviado de contratos da Petrobras. Além das doações oficiais, o MPF
descobriu que uma gráfica ligada ao PT foi usada para receber propina do
esquema. Registrada em nome do Sindicato dos Bancários de São Paulo e do
Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, a Editora Gráfica Atitude fez campanha
irregular para Dilma em 2010 – sendo inclusive multada pelo TSE – e, no ano
passado, publicou uma série de capas de apoio à reeleição da petista.
A pista da gráfica surgiu em depoimento complementar do
delator Augusto Mendonça, executivo da Setal Óleo e Gás, em 31 de março. Mendonça
contou que Vaccari lhe pediu que contribuísse com pagamentos à Editora, em vez
de proceder as habituais doações ao PT. A justificativa oficial seria a
publicação de propaganda na Revista do Brasil. Não há, porém, registro de que
tais anúncios foram publicados e nem havia interesse comercial da Setal em
fazê-lo. Segundo o delator, Vaccari, entre 2010 e 2013, o procurou em três
oportunidades para realizar os depósitos totalizando R$ 2,5 milhões. “Os
pagamentos foram efetuados de forma parcelada, mês a mês, neste período”,
disse. Para tentar conferir ares de legalidade aos repasses, todos
superfaturados, foram celebrados contratos de prestação de serviços, mesmo
expediente usado nos desvios das grandes obras da Petrobras. A quebra de sigilo
bancário da Atitude revelou 14 pagamentos de R$ 93.850,00 no período indicado,
num total de R$ 1,5 milhão.
Um dos dirigentes sindicais que administraram a gráfica
suspeita é José Lopes Feijó, nomeado assessor especial da Secretaria Geral da
Presidência. Feijó foi indicado na gestão de Gilberto Carvalho e permaneceu lá
com Miguel Rossetto. Ex-presidente do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC e
dirigente da CUT, seu nome chegou a ser sondado para o Ministério do Trabalho.
Além dele, também passou pelo comando da Gráfica Atitude o petista Luiz Claudio
Marcolino. O sindicalista e ex-deputado estadual concorreu a deputado federal
no ano passado, arrecadando R$ 2,5 milhões, dos quais R$ 580 mil oriundos de
empresas encrencadas na Lava-Jato.
A Revista do Brasil é um órgão com viés partidário e sem
distribuição oficial. Sua tiragem tampouco é auditada pelo mercado, sendo
impossível verificar se os anúncios foram publicados e na quantidade negociada.
Ela foi condenada por propaganda eleitoral irregular em abril de 2012. O TSE considerou
que a publicação de outubro de 2010 enalteceu a candidatura de Dilma “em
manchetes, textos e editoriais, como se a candidata fosse a mais apta a ocupar
o cargo público pretendido”. A ministra relatora Nancy Andrighi acusou a
revista de fazer propaganda negativa de José Serra, então candidato do PSDB à
Presidência.
Para os investigadores, será necessário, agora, comprovar a
veiculação dos anúncios públicos e privados na Revista do Brasil. O MPF também
pedirá ao juiz Sérgio Moro a extensão da quebra do sigilo bancário, fiscal e
telefônico dos sindicatos que controlam a Gráfica Atitude e de seus dirigentes.
Em 2005, a CPI dos Correios descobriu caso semelhante, sugerindo que esta é uma
velha maneira de operar do PT. A DNA Propaganda, de Marcos Valério, realizou
depósitos na conta da Gráfica FG, ligada a uma associação sindical beneficente.
A justificativa da agência para repasse foi a impressão de 1,5 milhão de
folhetos informativos do Banco do Brasil. Assim como a Atitude, a Gráfica FG
era dirigida por um sindicalista, Tsukassa Isawa, do Sindicato dos Metalúrgicos
do ABC. Para o procurador Carlos Fernando dos Santos Lima, integrante da
força-tarefa da Lava Jato, o caso da Atitude reforça a suspeita de uso de
agências de publicidade para o pagamento de propina. “Isso se liga naturalmente
às investigações da área de comunicação. Vamos verificar se há link com outros
casos já divulgados”, disse. Lima se referia à recente prisão do ex-deputado
federal e ex-secretário de Comunicação do PT André Vargas, acusado de receber
propina pela intermediação de contratos da agência Borghi Lowe com órgãos
públicos, como o Ministério da Saúde.
sábado, 18 de abril de 2015
ACIMA DO PREÇO DE MERCADO
O promotor de Justiça Marcelo Mendroni aponta
superfaturamento de R$ 110 milhões em três contratos da Companhia Paulista de
Trens Metropolitanos (CPTM), firmados em 2007 e 2008, governo José Serra (PSDB)
, “As empresas só montam cartel para superfaturar contratos. No caso desses
três contratos, que somam R$ 550 milhões, em valores de 2007, estimamos que o
superfaturamento tenha sido de 20%, ou R$ 110 milhões”, disse Mendroni nesta
sexta feira, 17.
Especialista em investigações sobre carteis, Mendroni já
apresentou anteriormente à Justiça de São Paulo cinco denúncias relativas a
contratos da CPTM e do Metrô, nos quais cita 34 executivos de multinacionais e
também de empresas nacionais.
A acusação divulgada nesta sexta feira, 17, se refere a
contratos da CPTM, três ao todo, firmados no governo José Serra (PSDB). O
ex-governador não é citado na denúncia. A investigação teve início a partir do
acesso a e-mails dos executivos interceptados pelo Conselho Administrativo de
Defesa Econômica (CADE), órgão antitruste do governo federal. Com autorização
judicial, em maio de 2013, o CADE fez buscas nos endereços de 18 empresas,
entre elas gigantes multinacionais, e copiou as correspondências que versam
sobre combinações em licitações.
“As pessoas que foram denunciadas foram citadas a partir de
e-mails que recebemos da superintendência do CADE. Confrontamos o que foi
combinado com o andamento das licitações e para termos certeza que de fato
houve uma ação de cartel”, relata o promotor, que atua no Grupo Especial de
Delitos Econômicos (GEDEC), Mendroni pede a condenação dos executivos por
crimes contra a ordem econômica e a administração pública. Outro denunciado,
Reynaldo Rangel Dinamarco, que presidia a comissão de licitações da CPTM na
ocasião, é acusado de crimes contra a administração pública por três vezes.
Segundo o promotor “há mais pessoas que também receberam
e-mails tratando da combinação dos resultados, mas não foi possível levantar
provas contra elas”.
“Estou convencido que outras empresas, como a Siemens,
também participou do cartel, mas não foi possível obter provas contra
executivos dela”, disse o promotor, referindo-se à multinacional alemã que
denunciou o cartel metroferroviário em São Paulo, por meio de acordo de
leniência firmado em maio de 2013 com o CADE.
O promotor assinala que “as datas das licitações e dos
julgamentos favoreceram a ação que havia sido combinada”.
“Por isso que o presidente da comissão de licitações da CPTM
também foi denunciado. Ele foi ouvido por mim e negou as informações.”
ASSUNTO DE CAPA
As quatro principais revistas do país IstoÉ, Veja, Carta
Capital e Época que começaram a circular neste fim de semana, três delas trouxeram
como assunto de capa a prisão do tesoureiro do PT, João Vaccari Neto.
A revista Época trouxe como tema de capa uma reportagem
exclusiva, afirmando que o ex-ministro da Casa Civil, Antonio Palocci recebeu
R$ 12 milhões quando coordenava a campanha de Dilma, diz Época.
Segundo a
revista, ex-ministro atribuiu repasses a serviços prestados por sua consultoria
ao Pão de Açúcar, à Friboi e à Caoa em 2010. Emprestas contestam versão.
A matéria de capa da revista Veja, além da prisão de
Vaccari, coloca em xeque se a sigla está extinção e cita os principais motivos
que podem levar o Partido dos Trabalhadores ao fim – no fundo do poço o PT já
está há muito tempo.
IstoÉ cita os dez anos que o tesoureiro do PT comandou as
finanças do partido que está no poder há 12 anos. Segundo a revista, a prisão
de Vaccari, na Operação Lava Jato da Polícia Federal pode agravar ainda mais a
situação da sigla e se aproxima da presidente Dilma.
A Carta Capital – única revista de esquerda declaradamente
entre as quatro – também enfoca a prisão do tesoureiro, os efeitos – ainda mais
negativos para o governo que reacende a tese de impeachment da presidente
Dilma.
sexta-feira, 17 de abril de 2015
TEMPERATURA MÁXIMA
Toda vez que a presidente Dilma Rousseff começa a sair da
UTI, lá vem uma nova pneumonia, ora dela, ora por contaminação do PT. A da vez
é a prisão de João Vaccari Neto, o segundo tesoureiro do partido a parar atrás
das grades. E o pior que a ventania atingiu também a mulher, a cunhada e a
própria a filha dele. É aí que mora o perigo.
Foi assim, abalado com o envolvimento da família, que o
ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa decidiu botar a boca no trombone. O
grande temor de uns, ou a grande esperança de outros, é que a mesma pressão
produza igual resultado agora com Vaccari. Tal como Costa, ele sabe das coisas.
Mas sabe muito mais, pois conhece o PT e o ex-presidente Lula por dentro.
A prisão de Vaccari não tem a ver diretamente com Dilma, mas
já seria dramática em qualquer tempo, em qualquer lugar, em qualquer
circunstância, e é muito pior nesse contexto em que o PT esfarela, Dilma perde
o controle do próprio governo e o PSDB decide descer do muro e encampar a tese
do impeachment.
Principal líder tucano e, portanto, da oposição, Fernando
Henrique Cardoso mantém o discurso que a sólida formação acadêmica, a
experiência e até velhice recomendam. Mas FHC é passado, e a bancada tucana na
Câmara, cheia de gás e de ambições, é o futuro.
Estadistas podem puxar o freio, mas políticos jovens com
mandato metem o pé no acelerador, correndo atrás das pesquisas de opinião e das
manifestações de rua. Segundo o Datafolha, 63% dos brasileiros são favoráveis
ao impeachment da presidente. E, ontem, movimentos unidos pelo grito "Fora
Dilma!" foram à oposição cobrando que aja como oposição. Quem tem de
evitar o impeachment é o governo, não o PSDB. E daí, fazer ouvidos de mouco?
Aécio Neves jogou a toalha. Em vez da prudência de FHC,
agora opta pela ousadia da bancada, que atua em duas frentes: o convencimento
político no Congresso e a busca de pareceres jurídicos sólidos sobre a chamada
materialidade.
Dilma começou a sair da UTI quando partiu para um encontro
com Barack Obama no Panamá, deixando seu governo daqui em diante nas mãos do
vice-presidente e novo articulador político Michel Temer e do ministro e
coordenador econômico Joaquim Levy. Como diziam no governo Sarney, "a
crise viajou". Pois é, mas a crise foi, voltou e deu de cara com a outra
crise irmã - a do PT.
Todo o esforço de Temer na segunda e na terça, para
revitalizar a base aliada e retomar o ritmo de votações de interesse do governo
no Congresso, foi por água abaixo com a prisão de Vaccari ontem. Não dá para
competir nas TVs, nas rádios, nos jornais, na internet, nas conversas de
qualquer botequim do País.
Para piorar, o que deveria ser um gol a favor pode virar um
gol contra: a indicação do novo ministro do Supremo Tribunal Federal.
Independentemente de todas as qualidades intelectuais e técnicas de Luiz Fachin,
o fato é que suas ligações despejam toneladas de pedras no seu caminho.
Aliado do PT e da CUT, vai ser o 11º ministro justamente
durante as investigações dos petistas e aliados governistas da Lava Jato.
Defensor do MST e do rito sumário para a reforma agrária, vai precisar da
aprovação do PMDB e de uma forte bancada ruralista no Senado. E o que dizer de
seu discurso de defesa da candidatura Dilma Rousseff em 2010, alegando que
"tinha lado"? E se tiver de julgar o governo Dilma, vai se declarar
impedido?
O fato é que as duas desgraças chegam simultaneamente: a
crise política de Dilma já era flagrante e a crise ética do PT só piora. Isso
resulta numa explosão de proporções ainda não sabidas, mas o fato é que a tese
do impeachment voltou com força e isso resvala para a hipótese de renúncia. A
pergunta que cruza gabinetes, corredores e salões de Brasília, neste momento,
é: quem vai botar o guizo no gato?
MUDANÇA PARTIDÁRIA
O vereador paulistano, Netinho de Paula após passar alguns
invernos no PC do B, desemborcou no PDT, comandado pelo ex-ministro do
Trabalho, Carlos Lupi. A estreia de Netinho aconteceu nesta semana nas inserções do
partido no rádio e na tv, em São Paulo.
Enquanto esteve no PC do B, Netinho se envolveu em alguns escândalos.
No ano passado, Netinho então secretário da Secretaria de Promoção da Igualdade
Racial do município de São Paulo, virou réu, acusado de ter usado notas fiscais
frias para desviar verbas de seu gabinete enquanto era vereador.
Neste ano, Netinho voltou aos holofotes dos escândalos, o
vereador usou verba a que tem direito como parlamentar para custear parte das
despesas que assumiu nas eleições passadas, quando foi candidato a deputado
federal.
De acordo com a prestação de contas realizadas por ele, ao
menos R$ 27, mil foram repassado à empresa PN Mídia, em 2014 para pagar
serviços de criação e elaboração do site da campanha. Sem o menor
constrangimento, Netinho enviou à Câmara pedido de reembolso pelos gastos
que teve com a PN Mídia.
Como justificativa para deixar o partido comunista, o
vereador alegou “falta de espaço” na legenda. No PDT, Netinho não esconde o
desejo de assumir a presidência municipal da sigla.
EDUCAÇÃO EM BAIXA
O governador de Minas Gerais, Fernando Pimentel (PT), acabou
com mais uma iniciativa implantada no estado nos últimos anos: a Escola em
Tempo Integral. Criada em 2007, durante o governo Aécio Neves (PSDB), a
iniciativa surgiu para suprir dificuldades de aprendizado de alunos carentes.
O programa estava presente em mais de 1.700 escolas em todas
as regiões de Minas Gerais e, com a posse do novo governador, uma das primeiras
iniciativas da Secretaria de Educação foi por fim ao programa.
Questionada pelos pais dos alunos, a secretaria informou que
está reformulando as políticas educacionais do Estado. No projeto, entre as
atividades oferecidas nas escolas após as aulas, estavam práticas esportivas,
capoeira, aulas de música, teatro, cibercultura e trabalho em hortas escolares,
além de acompanhamento pedagógico.
HOSPITAL DE PORTAS FECHADAS
Cid Gomes e seu irmão Ciro inauguram no final de dezembro o
Hospital Regional do Sertão Central, em Quixeramobim (CE). Cid era governador
do Ceará e, Ciro, secretário de Saúde.
As portas foram abertas e... fechadas. Tocada pela
empreiteira Fujita, a obra teve um custo de R$ 88 milhões. A construtora foi
doadora da campanha do atual governador, Camilo Santana (PT), apoiado pela
dupla do PROS.
Da IstoÉ
quinta-feira, 16 de abril de 2015
OS BRASILEIROS COMEÇARAM A CORTAR GASTOS COM COMIDA
Deixar de comprar o carro que tanto ambicionava, dói. Mas
passa. Deixar de comprar eletrônicos, como um novo modelo de celular, por
exemplo, também dói. Ainda assim passa. O duro é cortar no que se come.
Isso já começou a acontecer com os brasileiros, segundo
pesquisa de mercado feita pelo consultoria Nielsen, especializada em consumo.
Come-se menos pão, macarrão, peixe enlatado e açúcar. Até o
iogurte, símbolo da prosperidade da classe C, come-se menos.
Na média, noticia O Estado de S. Paulo, as compras de
alimentos ficaram praticamente estáveis nos três primeiros meses deste ano,
registrando-se uma queda de apenas 0,1% se comparado ao mesmo período do ano
passado.
Ocorre que o mercado estava costumado a fortes altas nos
últimos 12 anos de governos do PT. Nos primeiros três meses de 2004, as vendas
cresciam nessa época do ano 5,9%.
Causas do aperto do cinto? Inflação e medo do desemprego.
No país da propaganda de Dilma durante a campanha eleitoral,
nada disso aconteceria. Nada.
PEDE PRA SAIR
Os maçons brasileiros deixaram os segredos de lado e
enviaram ao Palácio do Planalto uma carta destinada à presidente Dilma Rousseff
pedindo sua renúncia.
Em tom agressivo, a mensagem chama a chefe do Executivo de mentirosa, diz que está vilipendiando o povo brasileiro e afirma que o PT é partido de quadrilheiros.
Na carta, exige que os recursos públicos sejam aplicados sem má fé, sem negligência ou incompetência.
Em tom agressivo, a mensagem chama a chefe do Executivo de mentirosa, diz que está vilipendiando o povo brasileiro e afirma que o PT é partido de quadrilheiros.
Na carta, exige que os recursos públicos sejam aplicados sem má fé, sem negligência ou incompetência.
A mensagem pede reforma no governo com a redução do tamanho
da máquina administrativa, transparência na aplicação dos recursos públicos, o
fim do “aparelhamento” do PT de cargos no Judiciário e até a saída do ministro
Dias Toffoli, do STF e TSE, da turma que vai julgar o petrolão.
Os maçons dizem na carta que a presidente perdeu o respeito dos brasileiros. Estima-se que existam quase 300 mil maçons no País.
Os maçons dizem na carta que a presidente perdeu o respeito dos brasileiros. Estima-se que existam quase 300 mil maçons no País.
LIBERDADE ECONÔMICA: QUEM TEME ?
O pensamento 'neo' liberal é desconhecido por muitos e
devido a panfletaria de partidos trabalhistas ou de 'intelectuais' de cunho
marxista em seus verminosos blogs, naturalmente espera-se que o conjunto da
sociedade o rechace sem conhecer os propósitos mais elevados que esta categoria
de pensamento defende. Farei uma breve exposição sobre isto:
Ampla liberdade econômica se traduz em redução do caráter
interventor e regulador do Estado. Neste cenário, as forças econômicas privadas
florescem, se desenvolvem e absorvem milhões outrora excluídos da sociedade de
consumo.
A concorrência plena entre empresas de um mesmo segmento
permite que os empresários ofereçam às massas produtos com maior qualidade e
menor preço ficando sua margem de lucro condicionada à quantidade de bens
adquiridos pela coletividade e não ao exorbitante preço cobrado por unidade,
como acontecia em épocas pré-capitalistas onde um sapateiro, devido às
limitações técnicas, produzia poucos pares de sapatos ao mês e o vendia por um
preço caro, acessível somente aos nobres.
O processo de modernização do modo e das relações de produção
iniciado há 2 séculos e que persiste firme e forte em tempos atuais permitiu
que milhares ou milhões de pessoas pudessem adquirir produtos outrora
acessíveis aos de maior poder aquisitivo. Viu-se o capitalista forçado a
reduzir custos de produção e terceirizar suas operações para que obtivesse o
máximo ganho de competitividade e lucratividade.
O mercado laboral tornou-se dinâmico e a renda per capita
dos países industrializados cresceu. No Brasil, o liberalismo está pouco à
pouco desabrochando em um cenário onde Estado comporta-se como um agente
econômico onipresente atuando em áreas diversas: ramo do crédito (Banco do
Brasil, Caixa Econômica Federal, Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e
Social), ramo petrolífero (Petrobrás, Br Distribuidora), ramo elétrico
(eletrobras, eletronuclear).
Em nenhum destes ele atinge sua eficiência pois sua
finalidade não é brincar de empresário. Cito um caso específico: o ramo
petrolífero. O que ganha o Brasil com o monopólio virtual da Petrobrás, que
concentra a maior parte da produção e distribuição de combustíveis? A quem ela
interessa? A nós, com certeza não, pois pagamos alto pelo seu produto em
decorrência de sua má gestão.
Vale salientar que no mercado internacional, o preço da
gasolina despencou consideravelmente. Se existissem outras empresas do porte
desta semiestatal atuando em nossas terras, as leis de mercado seriam
impiedosas com ela e fatalmente teria de se tornar cada vez mais racional em
sua governança para oferecer combustível com preço justo.
SEM COMEMORAÇÃO
Charge do Cazo
O segundo governo Dilma chega aos seus 100 primeiros dias sem ter o que comemorar. A desarmonia entre o governo e o Congresso é geral.
A presidente Dilma sem força política, refém da base aliada, principalmente do PMDB, ela terceirizou o governo, entregando a coordenação política para o vice Michel Temer.
A terceirização branca de Dilma é evidente: Michel, Renan Calheiros e Eduardo Cunha, dão as cartas. São eles que decidem o que entra ou não em pauta. Enquanto isso, Dilma e seu PT são sucumbidos.
O jogo está meio embolado, em seu quarto mês de governo, Dilma já fez substituição em seu time que começou jogar no dia 1º de janeiro; cinco ministros já deram adeus ao governo. É praticamente um ministro por mês.
O segundo governo Dilma chega aos seus 100 primeiros dias sem ter o que comemorar. A desarmonia entre o governo e o Congresso é geral.
A presidente Dilma sem força política, refém da base aliada, principalmente do PMDB, ela terceirizou o governo, entregando a coordenação política para o vice Michel Temer.
A terceirização branca de Dilma é evidente: Michel, Renan Calheiros e Eduardo Cunha, dão as cartas. São eles que decidem o que entra ou não em pauta. Enquanto isso, Dilma e seu PT são sucumbidos.
O jogo está meio embolado, em seu quarto mês de governo, Dilma já fez substituição em seu time que começou jogar no dia 1º de janeiro; cinco ministros já deram adeus ao governo. É praticamente um ministro por mês.
quarta-feira, 15 de abril de 2015
ATRÁS DAS GRADES
O tesoureiro do PT, João Vaccari foi preso nesta
quarta-feira (15), na 12ª fase da Operação Lava Jato. O petista foi detido na
casa dele, em São Paulo, e transferido para a sede da Polícia Federal em São
Paulo.
No final da tarde, o PT lançou uma nota na qual diz que a
prisão de Vaccari é desnecessária e reitera a confiança no tesoureiro. O PT
também anunciou o afastamento – agora ? – de João Vaccari da tesouraria do partido.
A prisão do agora ex-tesoureiro pegou a alta cúpula do
partido de surpresa. Mas por que será que ficaram surpresos? Vaccari é o
segundo tesoureiro do PT que vai parar atrás das grandes, antes, Delúbio
Soares, condenado no escândalo do Mensalão foi para o xilindró.
terça-feira, 14 de abril de 2015
CASERNA PLANFETÁRIA
Alguém tem dúvida de que o endeusado "patrono" da
educação nacional, o Sr. Paulo Freire foi apenas um mero doutrinador marxista
que concebia a escola como uma caserna panfletária para formar novos
soldadinhos a atuarem na fratricida luta de classe que supostamente move a
história e antagoniza de maneira virulenta pobres e ricos? Vejamos uns trechos
do pensamento de Freire que se coadunam bastante com o marxismo revolucionário,
extraídos de Pedagogia do Oprimido:
“aos esfarrapados do mundo e aos que neles se descobrem e,
assim descobrindo-se, com eles sofrem, mas, sobretudo, com eles lutam”.
"A violência dos opressores que os faz também
desumanizados, não instaura uma outra vocação – a do ser menos. Como distorção
do ser mais, o ser menos leva os oprimidos, cedo ou tarde, a lutar contra quem
os
fez menos. E esta luta somente tem sentido quando os
oprimidos, ao buscar recuperar sua humanidade, que é uma forma de criá-la, não
se sentem idealistamente opressores, nem se tornam, de fato, opressores dos
opressores, mas restauradores da humanidade em ambos. "
Os trechos anteriores apresentam propósitos semelhantes aos
do Manifesto Comunista, de Karl Marx: "Homem livre e escravo, patrício e
plebeu, barão e servo, numa palavra, opressores e oprimidos, em constante oposição,
tem vivido numa guerra ininterrupta, ora franca, ora disfarçada; uma guerra que
terminou sempre ou por uma transformação revolucionária da sociedade inteira ou
pela destruição das duas classes em luta".
A revolução socialista é, nas entrelinhas, a forma de
regenerar a humanidade do pecado do lucro e de reconciliar-se consigo mesma.
Adorado pela elite acadêmica por incontáveis frases desconexas mas de profundo
apelo sentimental em sua obra, retoma muito do pensamento do norte-americano
John Dewey, que buscava através de métodos fazer links de experiências
individuais e sociais.
Defendo que a escola seja sim questionadora da realidade,
mas o aluno deve construir conceitos de mundo com base em uma gama de elementos
informações disponíveis, contemplando o máximo de pluralidade de ideias e
interpretações. O mundo é muito mais complexo que a dialética materialista
exposta no pensamento de Paulo Freire. Sejamos honestos: No Brasil, quem nos
oprime mesmo os mais pobres é a classe política e a burocracia de Estado, não
os empresários.
segunda-feira, 13 de abril de 2015
UM BRAÇO DO PT?
No Senado, o PSB tem dado demonstrações que está a serviço do PT. Pelo segundo dia consecutivo, o Palácio do Planalto conseguiu barrar a
criação de mais uma CPI no Senado, a dos Fundos de Pensão.
A oposição havia reunido assinaturas de 30 senadores, mas
por pressão do governo, seis voltaram atrás e retiraram seu apoio, o que
arquivou o pedido de criação da comissão de inquérito pela falta de uma
assinatura.
Dos seis senadores que retiraram as assinaturas, cinco são
do PSB, que havia rompido sua aliança com o governo federal desde as eleições
de 2014, mas vem sinalizando uma proximidade com o Planalto.
São eles: Romário (PSB-RJ), Lídice da Mata (PSB-BA), Roberto
Rocha (PSB-MA), João Capiberipe (PSB-AP) e Fernando Bezerra (PSB-PE), além do
senador Ivo Cassol (PP-RO).
Nesta terça, o Planalto também convenceu seis senadores a
retirarem assinaturas de outra CPI que investigaria empréstimos do BNDES (Banco
Nacional de Desenvolvimento Econômico Social), todos de partidos aliados de
Dilma. Sem o número mínimo de apoio, a comissão também não foi criada.
As informações são da Folha Online.
AS RUAS, SEMPRE AS RUAS
Artigo de Marina Silva
Todos estão atentos às manifestações de rua marcadas para
este domingo, que darão a medida do descontentamento político do país. Alguns
analistas preveem manifestações menores que as do mês passado. A questão não é
o número de pessoas. Menos gente nas ruas não significa menor insatisfação; ao
contrário, pode até significar um aumento da desesperança, o represamento de
uma revolta que pode retornar mais forte depois de algum tempo.
O sistema político se move descolado da sociedade, muitas
vezes contra ela, mas não ao ponto de descuidar de sua própria sobrevivência e,
por isso mesmo, está bem atento ao que ela antecipa. Agora mais ainda, pois ela
antecipa, cada vez mais explicitamente, uma negação do sistema, de seus meios e
de seus fins.
Se a sociedade explicita seu desejo, o poder está ainda mais
nu. E já não consegue ocultar-se na pele ovina da defesa do interesse público.
As medidas contra a crise já nem tem aparência de soluções, tem o claro
objetivo de manter, ampliar ou conquistar o objeto de desejo dos que se movem
na crise e pescam em suas águas turvas: o poder. Juros altos, inflação
escapando a metas e previsões, endividamento das famílias, demissões,
descontrole fiscal, corrupção sistêmica e endêmica. Pode haver dúvidas se esses
são os elementos da crise ou o receituário para sair dela, mas basta olhar o
ambiente político para ver que tudo serve à manipulação, que o objetivo não é
sair da crise, mas usá-la.
Mas nem só de poder vivem os homens. E as perdas na vida das
pessoas, a fragilização da democracia e a descrença no funcionamento das
instituições são realidades que acabam se impondo e tornando a mudança política
uma necessidade. O próprio túnel da crise produz uma luz ao seu final.
Assim, torna-se possível vislumbrar o desenvolvimento e a
prosperidade, mas num novo modelo institucional. E atualizam-se, com mais
dramaticidade, velhos dilemas não resolvidos na história do país. Em duas
eleições seguidas – e nos quatro anos entre elas – sustentei com insistência a
ideia do “Estado mobilizador” como alternativa à reducionista polarização entre
Estado fiscalizador e Estado provedor, que alinhava em campos opostos
neoliberais e desenvolvimentistas – ou quaisquer rótulos com que se tenham
acusado mutuamente. Procurava, deste modo, indicar a superação da velha
polêmica sobre o tamanho do Estado e colocava o foco no seu relacionamento com
as forças sociais e econômicas, que devem ser mobilizadas na construção de um
novo modelo de desenvolvimento, sustentável, e de uma gestão pública
democrática que aproveitasse as possibilidades oferecidas pelas novas
tecnologias de comunicação.
Mas para buscar ou aceitar ideias alternativas é fundamental
desfazer-se da ilusão de autosuficiência e de possuir, sozinho, a medida certa
e a resposta para a enormidade da crise. E reconhecer erros ou limites nunca
foi virtude dos governos anteriores, menos ainda do atual, que em qualquer ação
– até nas mais rotineiras e prosaicas – procura sempre localizar inimigos,
“eles”, e atribuir-lhes a culpa pelos males do Brasil.
Esse comportamento economiza a lógica. Torna dispensável
explicar, por exemplo, como se pode discursar ao lado da ministra de Direitos
Humanos pela manhã e demiti-la à tarde. Lançar uma campanha para combater as
ofensas e mentiras na internet, sem mencionar que a “guerrilha virtual” –
montada na campanha eleitoral e mantida com recursos públicos – é um dos piores
exemplos do mal que se deseja combater. Falar em combate à corrupção,
orgulhar-se de “deixar” a polícia investigar, sem explicar como é possível
dirigir uma empresa por 12 anos levando-a do alto da montanha ao fundo do
abismo sem suspeitar que ela estava sendo saqueada.
É na falta de lógica que se assenta o sistema contraditório
em que o governo opera. Depois de fazer, nas eleições, a apologia de todo e
qualquer tipo de aliança para poder ter maioria no Congresso, e após ter
distribuído 39 pedaços do Estado entre os dez partidos da base dita aliada, o
único cacife que tem é o de não ter cacife para nada. Sustenta-se porque não
tem força para cair.
O governo não está em crise, ele é a crise. Isolado pelos
aliados, sabotado por seus próprios integrantes, solapado até pelos que lhe
deram origem, o governo dá respostas atabalhoadas aos problemas, a maioria
criados por ele mesmo.
Mas ainda há tempo. O país ainda não afundou em uma crise
constitucional e, sejamos justos, essa precária estabilidade deve-se em grande
parte ao comportamento comedido e responsável de boa parte da oposição que,
embora apoiando e considerando legítima a revolta da sociedade, não se lança na
articulação de pretensas saídas que possam gerar o risco de fragilização do processo
democrático. Reconheço e quero destacar entre todos o exemplo de lucidez e
responsabilidade republicana do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso que,
sem abdicar de suas críticas ao governo, tem contribuído para analisar a crise
política do país de um ponto de vista mais amplo, alertando para a necessidade
de preservar o estado de direito conquistado com o fim da ditadura.
O próprio governo, forçado pelas circunstâncias, acaba
aderindo, em alguns setores, a uma agenda republicana que não fazia parte de
suas intenções iniciais. Em apenas três meses, mudou cinco ministros e,
acertadamente, colocou na pasta da Educação um respeitado acadêmico que tinha e
mantém posições críticas e relativa independência política. Assim como o
ministro Joaquim Levy na Fazenda, o professor Renato Janine na Educação tem a
responsabilidade de dar o exemplo ao restante do governo de como se pode “tocar
o barco” ouvindo não apenas as ordens dos comandantes da política, mas também a
do imenso número de passageiros e tripulantes e, principalmente, seguindo as
leis do mar e as condições reais de navegação.
É pouco, muito pouco, diante de uma crise que anuncia
agravamento contínuo e de uma insatisfação tão grande, que saiu às ruas há um
mês. Neste domingo, a questão será colocada novamente – e ninguém se engane
quanto à força que ela tem, demonstrada ou não.
O protesto fornece à presidente da República mais uma
oportunidade de responder diretamente, sem terceirizar sua relação com a
sociedade. Terá força e disposição para fazer isso? Espero que sim. Melhor a
fragilidade dos pés de carne e osso das ruas, do que a aparente firmeza do
pé-de-barro do marketing.
Com ou sem resposta, as pessoas marcham. E sabem que é
melhor marchar, umas ao lado das outras, nas ruas da desaprovação. É melhor
andarem juntos, os indignados com a institucionalização da corrupção. É melhor
unir-se na desconfiança, abandonando falsas tábuas de salvação oferecidas por
quem só sabe repetir-se – e a repetição não produz esperança. Marchar é um
alento e os ativistas das ruas, autores de seu próprio movimento, como em todos
os tempos no mundo inteiro, só tem a si mesmos, mas sabem que trazem a
possibilidade de algum futuro.
As ruas, sempre as ruas, fazem lembrar as palavras de Martin
Luther King em seu célebre discurso:
“Permitam-me dizer que, se vocês estão cansados de
protestos, eu estou cansado de protestar (…). Mas o importante não é quanto eu
estou cansado; a coisa mais importante é nos livrarmos da condição que nos
leva a marchar. Senhores, vocês sabem que não temos muita coisa. Não temos
dinheiro suficiente. Realmente não temos muito estudo e não temos poder
político. Temos apenas nossos corpos, e vocês estão pedindo que abdiquemos da
única coisa que possuímos quando dizem: ‘Não marchem’.”
FORTALEZA, 289 ANOS
Fortaleza, a capital do meu querido estado do Ceará completa
hoje 289 anos. Uma das principais cidades escolhidas por turistas de todo o
Brasil e do mundo que buscam praias exuberantes e boa gastronomia.
A população de Fortaleza aumentou nos últimos dez anos e
hoje a capital cearense é a quinta (2.551.805 habitantes) maior do Brasil,
segundo dados de 2013 do IBGE.
A todos que trabalham para construir a cada dia uma cidade
mais forte e solidária, àqueles que fazem da terra do sol sua moradia é hora de
comemorar! Este blog deseja mil felicidades a Fortaleza.
Parabéns, Fortaleza!
PATINAÇÃO
Não é no gelo nem em pista. É no governo mesmo. Toda semana
quero mudar de assunto e não consigo. Esta semana não foi a bola que entrou
redonda no Planalto e saiu quadrada, mas a trapalhada foi de tal tamanho que
virou vexame.
Ação que humilhou um ministro, que soube por meio de um site
que estava sendo demitido, um convite ao futuro ocupante sem conversar com seu
partido, o que propiciou o não aceite público do convidado. E, para finalizar,
usar da prerrogativa presidencial de extinguir um ministério e nomear o
vice-presidente como responsável pela interlocução política do governo sem dar
os passos básicos que antecedem tal operação. Inclusive no Legislativo. Nunca
antes o país presenciou tanta falta de jeito e perda de oportunidades de fazer
o erro reverter em aprendizado e benefício.
A seguir a patética --e inacreditável-- entrevista de Pepe
Vargas aceitando o "apelo" da presidenta para assumir a Secretaria de
Direitos Humanos e logo sendo interrompido na coletiva por um telefonema. Volta
acabrunhado para dizer que não havia confirmação. No final do dia ocorre a
nomeação. Foi de um constrangimento que ninguém merece. Nem nós.
Logo após passamos a ter a dimensão do desacerto. O vice não
aceita mais o ministério, somente a incumbência do trabalho de interlocução.
Saíram todos descontentes, como sempre.
Nos ombros do vice repousa agora imensa responsabilidade.
Mas qual é o significado do vice-presidente, que também é presidente do maior
partido aliado, ser incumbido da tarefa de fazer a articulação política do
governo? Temer já entrou na roda em momentos de apuro nas relações entre seu
partido e o governo.
Mas é diferente de assumir as negociações com o Congresso
como um todo. Não que não possua o talento necessário. Ele já conversa bem com
todos os segmentos e ter-se mantido há anos na presidência do PMDB, com tantos
caciques, comprova suas habilidades.
Temer pode obter um bom resultado, o que facilitará a aprovação
das MPs de ajustes que o governo necessita. Entretanto o resgate da
credibilidade perdida pela figura da presidenta dificilmente ocorrerá. Na hora
em que tenta um atalho de governabilidade via Temer, Dilma continua fugindo da
responsabilidade da autocrítica, sem fazer a repactuação sincera com a
sociedade.
Melhorando a relação com o Congresso não sei quão
"feliz" ficará a presidenta, e seus próximos, com o aumento de poder
do vice e de seu partido. Já entregou a economia e agora com a terceirização da
política, como reagirá com a mudança efetiva do eixo do poder?
Em patinação, fazer piruetas e saltos, sem talento ou treino
adequado, costuma ser muito arriscado.
domingo, 12 de abril de 2015
MORRE PAULO BROSSARD
Morreu neste domingo (12), em sua residência em Porto Alegre
(RS), o ex-ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Paulo Brossard, 90 anos.
O governador do Rio Grande do Sul, José Ivo Sartori (PMDB),
decretou luto oficial de três dias. O velório ocorrerá no Palácio Piratini,
sede do governo do Estado.
O jurista Paulo Brossard de Sousa Pinto nasceu em Bajé (RS)
em 23 de outubro de 1924, filho de pecuaristas do município.
A carreira política de Paulo Brossard começou em 1954,
quando elegeu-se deputado estadual, sendo reeleito mais duas vezes para o
cargo. Foi eleito deputado federal pelo Movimento Democrático Brasileiro (MDB)
em 1966 e senador em 1974.
Brossard foi ministro da Justiça no governo Sarney e ministro
do Supremo Tribunal Federal (STF) de 1989 a 1994. Brossard era casado com Lúcia
Alves Brossard de Sousa Pinto, com quem teve dois filhos.
BYE BYE DILMA !
Artigo de Fernando Gabeira
Domingo é dia. De novo. O governo respondeu mal. Ele joga
com o tempo. Sabe que é difícil manter tanta gente na rua quando sem um
resultado tangível. É um cálculo válido para período de estabilidade e
crescimento. O Brasil em crise é um fio desencapado. As manifestações não
conseguiram ainda seu objetivo: Fora Dilma.
No entanto, Dilma já não está tão dentro como antes. A
iniciativa política foi arrebatada pelo PMDB. O ajuste econômico é conduzido
pelo liberal Joaquim Levy, que o negocia com o Congresso Nacional.
O debate sobre o ajuste tem conteúdo para ser discutido dias
seguidos. Quase todos concordam que um ajuste adequado levará o Brasil de novo
ao crescimento. Mas poucos se perguntam sobre o crescimento. Será que vamos
reunir forças para um novo voo de galinha? Retomar o crescimento significa
entupir os lares de eletrodomésticos e carros, exaurir os rios de forma
irresponsável?
Mesmo para um voo de galinha as perspectivas não são boas.
Teremos energia para o crescimento em 2016? Nossas estradas suportam um aperto
econômico – elas que foram devastadas pelo tempo e pela corrupção? Todos se
interrogam para onde estamos indo. Marchar para uma euforia consumista e,
depois, cair na depressão torna a política econômica uma nova droga.
O escritor Frei Betto usou a imagem do filme Good Bye Lenin!
para expressar o espanto de alguns eleitores de Dilma: é como se dormissem com
a vitória de sua candidata e acordassem com a de Aécio Neves, seu adversário.
Esse filme de Wolfgang Becker é bem lembrado porque conta a história de uma
comunista fervorosa de Berlim oriental que ficou oito meses em coma e acordou
depois da queda do Muro. E o esforço do seu filho era para mascarar os traços
do capitalismo e evitar que ela se chocasse com o movimento da História.
Good Bye Lenin!, na minha opinião, não exprime apenas a
perplexidade dos eleitores de Dilma. Ele exprime a perplexidade de toda a
esquerda, que deveria estar acordando de um grande sonho e se espantar com o
mundo, como a comunista de Berlim ao ver um imenso anúncio publicitário do
outro lado da rua. Seria como se um cubano acordasse na Costa Rica ou um
venezuelano nos supermercados do Peru, algo tão diferente. Nesses anos em que o
Muro de Berlim caiu, muitos continuaram em coma, ou protegidos das mudanças no
mundo real.
Isso não teria tanta importância se a esquerda não fosse
para o poder com uma parte das ilusões. Ela confundiu partido com Estado e
capitalismo de leis implacáveis com seus sonhos socialistas.
Não deveria. Marx estudou muito para explicitar essas leis.
Nem sempre acertou, mas as estudou profundamente e jamais apoiaria um enfoque
apenas consumista. Não porque Marx fosse da elite branca. Mas porque saberia
que a conta seria cobrada na frente.
Hoje a conta está sendo cobrada. Dormiu-se com a promessa do
paraíso, acorda-se numa realidade inequívoca: tanto Dilma como Aécio seriam
obrigados a algum tipo de ajuste.
A confusão entre governo e poder, entre partido e Estado
acabou arruinando uma experiência, finalmente, dinamitada pela corrupção.
Uma esquerda no governo não poderia comprometer-se a fundo
com Cuba e Venezuela. Ainda que admirasse os dois modelos, o que é um alto grau
de miopia, deveria levar em conta uma posição nacional.
Uma esquerda no governo deveria abster-se de levar o
capitalismo a um outro sistema, mas, sim, tirar o melhor proveito de suas
potencialidades e reduzir seus impactos negativos. O capitalismo pode alcançar
altos níveis de inovação e criatividade, como nos Estados Unidos, ou mesmo uma
respeitável rede de proteção, como na Escandinávia.
Não vejo como transitar do capitalismo para outro sistema
econômico, exceto através da decadência e destruição de seus alicerces. E isso
nem na Venezuela vai acontecer. O sonho bolivariano encarnou num homem que
esmaga os opositores e conversa com passarinhos. Quando vão despertar? Quando
encontrarem Nicolás Maduro cantando salsas e merengues nas pizzarias do seu
bairro?
Bye Bye Dilma não é apenas o acordar de um sonho eleitoral.
E um sono de 12 anos – de pouco mais de 25 anos se contarmos da queda do Muro
de Berlim. O projeto não se perdeu apenas pela questão ética. Seus passos estão
intensamente discutidos no escândalo do petrolão e outros que se espalham como
tanques em chamas.
Mas os fins, quais eram mesmo os fins? Para onde é que nos
levavam?
Dentro do País vivemos a crise do populismo econômico. Lá
fora, nossa importância diplomática foi dramaticamente reduzida.
Não dói somente ver Dilma e o PT se comportarem como se nada
de errado tivesse acontecido. Dói também ver a perspectiva de um grande esforço
fiscal desaguar numa visão de crescimento de novo insustentável, tanto
econômica como ambientalmente.
A Califórnia passou por mil desafios, abrigou a indústria de
cinema e da informática, e agora se vê diante da necessidade de se reinventar.
E muitos perguntam se conseguirá, como das outras vezes. A crise hídrica é
grave por lá. No Brasil nem sequer nos colocamos a ideia de uma primeira
reinvenção. E a crise hídrica é grave por aqui.
Toda vez que falam “vamos fazer o ajuste fiscal, voltar a
crescer”, tenho um calafrio. De novo, um voo de galinha na economia e na
política?
Seria necessário rever o caminho. A visão puramente
eleitoral é sempre punida pelas leis do capitalismo. Não há espaço para uma
esquerda monocrática que confunde suas ideias com o interesse nacional, que
julga aproximar-se do socialismo, mas avança para o colapso econômico.
Essa esquerda dormiu abraçada numa bandeira vermelha e
acordou com a multidão em cores verde e amarelo. Se acordou, finge que está
dormindo.
Artigo publicado no Estadão em 10/03/2015
sábado, 11 de abril de 2015
ANTROPOFAGIA SOCIALISTA
Do blog Coluna Esplanada
O bombeiro e deputado federal estreante Cabo Daciolo
(PSOL-RJ), em processo de expulsão do PSOL, pretende levar o partido à Justiça.
O imbroglio começou quando Daciolo propôs uma PEC que muda o texto da
Constituição para ‘Todo poder emana de
Deus’, e não ‘do Povo’.
Ele questiona a legenda por que não faz o mesmo com o colega
Jean Wyllys (PSOL-RJ), que apresentou proposta de implantar na grade escolar
pública o ensino do Islamismo. Daciolo também questionará o partido sobre as
doações de empresas para campanhas de alguns colegas.
A bancada do PSOL na Câmara é composta por cinco
parlamentares, e forte no Rio de Janeiro. Além de Daciolo, tem o líder Chico
Alencar e o ex-BBB Jean Wyllys. Os outros são Edmilson Rodrigues (PA),
ex-prefeito de Belém, e Ivan Valente, de SP.
ESPERANDO NA JANELA
Num vídeo recente, o senador Aécio Neves convoca a população
e principalmente a militância tucana pra ir às ruas no próximo domingo.
Aécio convoca, mas ele não sai do ninho. A grande
manifestação que ocorreu 15 de março, o tucano não foi, preferiu vê a banda
passar da janela de seu confortável apartamento.
sexta-feira, 10 de abril de 2015
CEM DIAS SEM RUMO
Da Veja
Em 1º de janeiro deste ano, ao tomar posse diante do
Congresso Nacional, a presidente Dilma Rousseff prometeu: "Dedicarei
obstinadamente todos os meus esforços para levar o Brasil a iniciar um novo
ciclo histórico de mudanças, de oportunidades e de prosperidade, alicerçado no
fortalecimento de uma política econômica estável, sólida, intolerante com a
inflação, e que nos leve a retomar uma fase de crescimento robusto e
sustentável, com mais qualidade nos serviços públicos". Passados exatos
cem dias deste então, fica cada vez mais claro que Dilma não tinha razões para
tanto otimismo. Quando a apertada vitória da petista se confirmou em outubro
passado, reportagem do site de VEJA apontava a tempestade perfeita que cercava
o segundo mandato da presidente. Já estavam dados os ingredientes da crise: o
escândalo do petrolão atingia em cheio o governo e o PT, a economia encolhia
enquanto a inflação aumentava. De janeiro até aqui, a fracassada articulação
política de Dilma somou a este grave cenário uma rebelião da base aliada no
Congresso - e azedou ainda mais a relação da presidente com o próprio partido e
seu antecessor e criador, o ex-presidente Lula.
Hoje o país acumula inflação de 8,13% em 12 meses (a maior
desde dezembro de 2003) e previsão de retração econômica de 1% em 2015, segundo
estimativas do mercado. Em cem dias - e por sua própria responsabilidade - o
governo Dilma foi arrastado para uma perigosa espiral: a crise econômica e os
escândalos de corrupção erodem a popularidade da presidente (62% dos brasileiros
reprovam seu governo, segundo pesquisa Datafolha), cada vez mais refém de uma
base fragmentada no Congresso - o que dificulta a aprovação de projetos caros
ao Planalto. Diante desse quadro, o governo fica impedido de apresentar uma
resposta que ajude a reerguer a popularidade de Dilma. Irritado com as
tentativas do Planalto de reduzir a participação do partido no governo, o PMDB
age hoje quase como uma sigla de oposição. E mais: tornou o Executivo de tal
forma dependente do Congresso que o presidencialismo brasileiro já se assemelha
a uma forma bastarda de parlamentarismo. Nem dentro do próprio partido Dilma
encontra refresco: contrário às medidas de ajuste fiscal adotadas pelo governo,
o PT tem dado tanto trabalho ao Planalto no Congresso quanto os opositores.
Tendo seu grupo inicialmente alijado do núcleo duro do governo, Lula não poupa
a pupila de críticas públicas. O ex-presidente teme que um eventual fracasso da
gestão Dilma interfira em seus planos de retornar ao poder em 2018.
É fato que o primeiro mandato de Dilma também incluiu
momentos de turbulência. Em 2013, por exemplo, os protestos encurralaram o
governo e derrubaram a popularidade da presidente. Naquela ocasião, entretanto,
os atos não possuíam uma pauta única e o governo conseguiu se apropriar
parcialmente das bandeiras apresentadas. Já os manifestantes que tomaram as
ruas em 15 de março deste ano e se preparam para fazê-lo novamente no próximo
domingo têm como foco a oposição ao governo e ao Partido dos Trabalhadores. É
um dos muitos sinais de que as coisas mudaram.
As trapalhadas na articulação política e a postura
inflexível da presidente ajudaram a desgastar no Congresso uma base que já
havia saído das urnas enfraquecida na comparação com 2010. É assim, sem apoio
expressivo nem nas ruas nem no Congresso, que a impopular e nada carismática
Dilma Rousseff chega ao centésimo dia de governo. Até aqui, os poucos acertos
do governo na reação do governo à crise surgiram apenas quando Dilma e o PT
abriram mão de parte do seu poder. Dilma terceirizou a gestão da economia a
Joaquim Levy, cujas ideias divergem radicalmente daquelas defendidas pelo PT, e
atribuiu ao vice-presidente Michel Temer, do PMDB, a articulação política.
O deputado Paulo Teixeira (PT-SP) acredita que o pior já
passou. "Dentro desse momento difícil, As coisas estão se arrumando para
ela conseguir os resultados no médio prazo. O mês de fevereiro foi muito
difícil, o de março também, mas menos. A tendência é melhorar". Já Onyx
Lorenzoni (DEM-RS) faz um diagnóstico implacável: "O segundo governo Dilma
vai ser o governo das crises. Ela vai ficar um fantasma no Planalto até o fim
do mandato".
Campanha x realidade - Antes mesmo de a presidente reassumir
o cargo, já estavam claras para os brasileiros as mentiras de que o PT fez uso
para se manter no poder. Depois de acusar seus adversários Marina Silva (PSB) e
Aécio Neves (PSDB) de agir em conluio com os banqueiros, por exemplo, Dilma
convidou o presidente do Bradesco, Luiz Carlos Trabuco, para assumir o
Ministério da Fazenda. Ouviu "não" como resposta e indicou, então, a
Levy, um economista ortodoxo e alinhado ao pensamento do tucano Armínio Fraga.
A crise econômica e orçamentária, motivada em grande parte
pelo populismo fiscal do primeiro governo Dilma, agora força o Executivo a
abandonar promessas de campanha, como a de que os direitos trabalhistas eram
intocáveis e a taxa de juros não seria usada para segurar a inflação.
Paradoxalmente, a solução encontrada pelo governo distanciou a presidente da
República das bases mais tradicionais do petismo, como sindicatos e movimentos
sociais. A Central Única dos Trabalhadores, principal braço do PT, tem ido às
ruas com bandeiras que, se passam pelo apoio ao governo contra o
"golpismo", também incluem críticas diretas ao ajuste fiscal.
Reação - O Executivo ainda tem armas de sobra para articular
uma reação. A principal delas é a chave do cofre da União, que costuma ser
usado para cooptar tanto os movimentos sociais quanto partidos políticos. Mas
até esse recurso é limitado. O corte orçamentário que deve ser anunciado em
breve deve atingir ainda mais a já reduzida capacidade de investimento do
governo e, assim, dificultar uma reação do Executivo.
A presidente chega aos cem dias de governo sem recursos para
investir, com uma base aliada enfraquecida, um escândalo gigantesco de
corrupção à porta, a popularidade em níveis abissais e sob a desconfiança do
próprio PT. É possível que o cenário melhore no médio prazo. Mas o mais provável
é que, para fazer isso, Dilma tenha de ser cada vez menos dona do próprio
governo.
NO XILINDRÓ
A Polícia Federal prendeu nesta sexta-feira os ex-deputados
André Vargas (ex-PT-PR) e Luiz Argôlo (Solidariedade-BA), na a 11ª fase da
operação da Lava Jato. Serão cumpridos sete mandados de prisão, 16 de busca e
apreensão, nove de condução coercitiva, quando a pessoa é levada para prestar
depoimento, em seis estados (Paraná, Bahia, Ceará, Pernambuco, Rio de Janeiro e
São Paulo) e no Distrito Federal.. André Vargas foi preso em um condomínio
residencial em Londrina (PR).
Também foram presos o
irmão de André Vargas, Leoon Vargas, o ex-deputado Pedro Correia (PP-PE), que
já cumpre prisão pelo mensalão do PT, Ivan Mernon da Silva Torres, Élia Santos da Hora, secretária de Argôlo e
Ricardo Hoffmann, que é diretor de uma agência de publicidade. Todos os presos
serão levados à superintendência da PF em Curitiba.
Os envolvidos nesta fase da Lava Jato são acusados de crimes
como organização criminosa, quadrilha ou bando, corrupção ativa, corrupção
passiva, fraude em procedimento licitatório, lavagem de dinheiro, uso de
documento falso e tráfico de influência. Além de corrupção na Petrobras, também
são tratados desvios de recursos ocorridos em outros órgãos públicos federais,
segundo a PF.
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