segunda-feira, 20 de abril de 2015

O VIGÁRIO E O VIGARISTA

Charge do Sponholz
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domingo, 19 de abril de 2015

PANELINHA BLOGUEIRA

Recentemente no Palácio do Planalto a presidente Dilma concedeu entrevista à blogosfera, mais precisamente para uma “seleta” turma de blogueiros, apenas seis blogs foram “escolhidos” para participar: Brasil 247,  Blog do Miro, Jornal GGN, Blog Socialista Morena, Carta Maior e Revista Fórum.
 O critério de escolha dos blogs para compor a "seleta" lista dos seis "sortudos" é ser um blog companheiro; aqueles blogueiros que não contestam a gestão petista e recebem patrocínio governo. Nenhum blogueiro presente discorda do governo federal, na linguagem jornalística: um blog chapa-branca, na linguagem popular ‘panelinha’.
Os jornalistas e blogueiros que participaram não fazem oposição ou refuta qualquer ação desastrosa da administração petista da presidente Dilma, em seus posts. Todos empenhados em perguntar o que a presidente queria ouvir.
A entrevista foi boa, poderia ter sido melhor, mas não se pode esperar muito de um grupo de jornalistas blogueiros em que todos são vassalos do governo petista. Na entrevista, a presidente disse que em hipótese alguma concede entrevista para a revista Veja
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GETÚLIO, 133 ANOS

Se vivo fosse, Getúlio Vargas, o “pai dos pobres” estaria completando 133 anos. Getúlio Dornelles Vargas nasceu em São Borja, 19 de abril de 1882, faleceu no Rio de Janeiro, em 24 de agosto de 1954.
Com um tiro no coração, Getúlio se suicidou no Palácio do Catete, sede do governo brasileiro no Rio de Janeiro. A carta-testamento deixada por Getúlio Vargas mostra que não dava mais para aguentar as pressões.
Getúlio Vargas governou o Brasil duas vezes: de 1930 a 1945 e de 1951 a 1954. No primeiro governo pôs fim à República Velha depondo seu 13º e último presidente Washington Luís. No segundo governo foi eleito pelo voto direto e criou as leis trabalhistas, a Petrobrás.
Getúlio, em 1930, pôs fim à República Velha, depondo seu 13º e último presidente, Washington Luís, e, impedindo a posse do presidente eleito em 1 de março de 1930, Júlio Prestes.
O blog Sou Chocolate e Não Desisto recomenda a leitura da trilogia biográfica – Getúlio: Dos anos de formação à conquista do poder, Getúlio:Do governo provisório à ditadura do Estado Novo, Getúlio – Da volta pela consagração popular ao suicídio – de Getúlio Vargas, escrita pelo jornalista Lira Neto.
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PAPÉIS SECRETOS

Da Época
Em 3 de dezembro de 2010, a petista Dilma Rousseff, eleita havia poucas semanas para seu primeiro mandato como presidente da República, mandou anunciar o nome do ministro mais poderoso de seu governo. Dali a dias, Antonio Palocci – ex-ministro da Fazenda, ex-deputado federal, ex-prefeito de Ribeirão Preto e hoje alvo ilustre da Operação Lava Jato – assumiria a chefia da Casa Civil. Era a improvável ressurreição política de Palocci, ceifado do governo Lula anos antes, quando, após resistir a toda sorte de acusações de corrupção, acabou por não resistir ao escândalo da quebra dos sigilos do caseiro Francenildo. Perdeu o cargo, mas não a influência. Palocci ressurgiu na eleição de Dilma. Coordenou a campanha e atuou como arrecadador informal da petista, ao lado do tesoureiro do PT, João Vaccari, hoje preso. A nomeação para a Casa Civil, na qual sucederia a Erenice Guerra, premiava seus bons serviços na campanha. Nas palavras de Dilma, Palocci fora “um dos artífices da jornada vitoriosa” que a elegera. Estava claro quem mandaria em Brasília no terceiro mandato petista.
No mesmo dia do anúncio, Palocci recebeu R$ 1 milhão do escritório do criminalista Márcio Thomaz Bastos, segundo documentos da empresa do petista, em poder do Ministério Público Federal (MPF) e obtidos por ÉPOCA. MTB, como era conhecido o advogado, morreu no ano passado. Em 2010, após uma longa passagem pelo Ministério da Justiça do governo Lula, na qual fez muitas tabelinhas com Palocci, resistia como principal conselheiro jurídico da cúpula do PT. O dinheiro foi repassado sem que houvesse sequer contrato formal. Era um contrato de boca. Duas semanas depois, Palocci recebeu mais R$ 1 milhão de MTB. Os R$ 2 milhões somavam-se aos R$ 3,5 milhões repassados durante a campanha e a pré-campanha de Dilma. No total, 11 pagamentos. Sempre sem contrato. Sempre em valores redondos – R$ 500 mil, no auge das eleições, e R$ 250 mil, antes. Sempre depositados, segundo o próprio Palocci, na conta da Projeto, a empresa de consultoria criada por ele após deixar o governo Lula.
Qual a origem do dinheiro? O Pão de Açúcar, dizem os advogados de Palocci e do escritório de MTB. Por que o Pão de Açúcar pagaria uma pequena fortuna a Palocci? Para que o petista, um médico sanitarista que passava aqueles dias de 2010 na intensa faina de uma campanha presidencial, ajudasse na fusão entre o grupo de Abilio Diniz e as Casas Bahia. Não se sabe como Palocci poderia ser tão valioso numa negociação dessa natureza – nem por qual razão o Pão de Açúcar não o contratara diretamente. Mas ele prestou algum serviço? A renomada consultoria Estáter, contratada de forma exclusiva pelo Pão de Açúcar para tocar a fusão, informou ao MPF que, por óbvio, não – Palocci não prestou qualquer serviço, o que despertou suspeitas entre os investigadores. Fontes que participaram das negociações confirmaram a ÉPOCA que Palocci não participou de qualquer reunião, conversa informal ou troca de e-mails durante o negócio. Em ofício ao MPF, o Pão de Açúcar disse que “em função da relação de confiança desenvolvida” é comum que os “serviços de assessoria jurídica sejam contratados de modo mais informal”. Palocci não é advogado. Procurado por ÉPOCA, o Pão de Açúcar informou que não vai se pronunciar.
Palocci não tardou a cair novamente. Pouco após assumir a Casa Civil, o jornal Folha de S.Paulo revelou que ele comprara um apartamento avaliado em R$ 6,6 milhões, antes de voltar a Brasília. Palocci, que não tem herança e sempre foi político, se recusou a explicar a origem do dinheiro. Disse apenas que provinha dos clientes que contratavam a Projeto, sua empresa de consultoria. Preferiu deixar a Casa Civil a revelar os nomes deles – e a declinar para que fora exatamente contratado. Agora, ÉPOCA teve acesso a documentos internos da empresa de Palocci, a uma investigação sigilosa do MPF sobre ela e a uma lista com 30 nomes de empresas que pagaram o ex-ministro. Os papéis oficiais, assim como a investigação dos procuradores, revelam que a prosperidade da empresa de Palocci coincidiu com o momento em que ele assumiu as tarefas de coordenar a campanha de Dilma – e de arrecadar para ela.
Em 2010, Palocci recebeu, ao menos, R$ 12 milhões em pagamentos considerados suspeitos pelo MPF. Além dos pagamentos do escritório de Márcio Thomaz Bastos, supostamente em nome do Pão de Açúcar, os procuradores avaliaram como suspeitos os pagamentos do frigorífico JBS e da concessionária Caoa. Eles somam R$ 6,5 milhões. São suspeitos porque, na visão do MPF, Palocci, mesmo depois de ouvido, não conseguiu comprovar que prestou serviços às empresas – ou foi desmentido por quem estava envolvido, como no caso da consultoria Estáter e do Pão de Açúcar. Ademais, para o MPF, a inexistência de contratos para muitos dos pagamentos reforça os indícios de que as consultorias foram, na verdade, de fachada. Por que grandes empresas gastaram tanto com Palocci? E qual o destino final do dinheiro? Ninguém sabe ainda.
A investigação à qual ÉPOCA teve acesso corre em Brasília, mas será requisitada por procuradores que trabalham nos dois maiores casos de corrupção sob investigação no país: a Lava Jato. No petrolão, a Procuradoria-Geral da República abriu inquérito para apurar a acusação de que o petista arrecadou R$ 2 milhões – para a mesma campanha de Dilma em 2010. A denúncia foi feita pelo delator Paulo Roberto Costa, ex-diretor de Abastecimento da Petrobras. Como Palocci não tem foro privilegiado, o processo contra ele corre no Paraná, sob a guarda do juiz Sergio Moro. Com base no trabalho dos procuradores de Brasília, a Força-Tarefa de Curitiba espera avançar mais rapidamente no rastro do dinheiro que circulou pelas contas associadas ao ex-ministro. Eles preparam o pedido de quebra dos sigilos de Palocci, entre outras medidas.
Clique aqui e leia a reportagem completa da revista Época
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O CERCO SE FECHA

Da IstoÉ
Por volta das 6h da manhã da quarta-feira 15, a Polícia Federal bateu à porta da casa de João Vaccari Neto em Moema, zona sul de São Paulo. O petista se preparava para sua caminhada matinal e não ofereceu resistência. Em tom sereno, pediu aos agentes alguns minutos para trocar o moletom e o tênis. Vestiu uma calça jeans, camisa social xadrez e sapatos. Numa pequena valise, que foi revistada, colocou peças de roupa íntima e material de higiene pessoal. Poucas horas depois, Vaccari foi conduzido à carceragem da PF em Curitiba, ponto de encontro dos réus do Petrolão. A prisão do até então dono do cofre do PT, seguida da revelação dos agentes da Lava Jato de que ele desviava recursos para a legenda havia 10 anos, compromete o partido e aproxima a presidente Dilma Rousseff do escândalo. A força-tarefa já tem fortes indícios de que as campanhas da petista em 2010 e 2014 foram abastecidas com dinheiro ilegal, desviado de contratos da Petrobras. Além das doações oficiais, o MPF descobriu que uma gráfica ligada ao PT foi usada para receber propina do esquema. Registrada em nome do Sindicato dos Bancários de São Paulo e do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, a Editora Gráfica Atitude fez campanha irregular para Dilma em 2010 – sendo inclusive multada pelo TSE – e, no ano passado, publicou uma série de capas de apoio à reeleição da petista.
A pista da gráfica surgiu em depoimento complementar do delator Augusto Mendonça, executivo da Setal Óleo e Gás, em 31 de março. Mendonça contou que Vaccari lhe pediu que contribuísse com pagamentos à Editora, em vez de proceder as habituais doações ao PT. A justificativa oficial seria a publicação de propaganda na Revista do Brasil. Não há, porém, registro de que tais anúncios foram publicados e nem havia interesse comercial da Setal em fazê-lo. Segundo o delator, Vaccari, entre 2010 e 2013, o procurou em três oportunidades para realizar os depósitos totalizando R$ 2,5 milhões. “Os pagamentos foram efetuados de forma parcelada, mês a mês, neste período”, disse. Para tentar conferir ares de legalidade aos repasses, todos superfaturados, foram celebrados contratos de prestação de serviços, mesmo expediente usado nos desvios das grandes obras da Petrobras. A quebra de sigilo bancário da Atitude revelou 14 pagamentos de R$ 93.850,00 no período indicado, num total de R$ 1,5 milhão.
Um dos dirigentes sindicais que administraram a gráfica suspeita é José Lopes Feijó, nomeado assessor especial da Secretaria Geral da Presidência. Feijó foi indicado na gestão de Gilberto Carvalho e permaneceu lá com Miguel Rossetto. Ex-presidente do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC e dirigente da CUT, seu nome chegou a ser sondado para o Ministério do Trabalho. Além dele, também passou pelo comando da Gráfica Atitude o petista Luiz Claudio Marcolino. O sindicalista e ex-deputado estadual concorreu a deputado federal no ano passado, arrecadando R$ 2,5 milhões, dos quais R$ 580 mil oriundos de empresas encrencadas na Lava-Jato.
A Revista do Brasil é um órgão com viés partidário e sem distribuição oficial. Sua tiragem tampouco é auditada pelo mercado, sendo impossível verificar se os anúncios foram publicados e na quantidade negociada. Ela foi condenada por propaganda eleitoral irregular em abril de 2012. O TSE considerou que a publicação de outubro de 2010 enalteceu a candidatura de Dilma “em manchetes, textos e editoriais, como se a candidata fosse a mais apta a ocupar o cargo público pretendido”. A ministra relatora Nancy Andrighi acusou a revista de fazer propaganda negativa de José Serra, então candidato do PSDB à Presidência. 
Para os investigadores, será necessário, agora, comprovar a veiculação dos anúncios públicos e privados na Revista do Brasil. O MPF também pedirá ao juiz Sérgio Moro a extensão da quebra do sigilo bancário, fiscal e telefônico dos sindicatos que controlam a Gráfica Atitude e de seus dirigentes. Em 2005, a CPI dos Correios descobriu caso semelhante, sugerindo que esta é uma velha maneira de operar do PT. A DNA Propaganda, de Marcos Valério, realizou depósitos na conta da Gráfica FG, ligada a uma associação sindical beneficente. A justificativa da agência para repasse foi a impressão de 1,5 milhão de folhetos informativos do Banco do Brasil. Assim como a Atitude, a Gráfica FG era dirigida por um sindicalista, Tsukassa Isawa, do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC. Para o procurador Carlos Fernando dos Santos Lima, integrante da força-tarefa da Lava Jato, o caso da Atitude reforça a suspeita de uso de agências de publicidade para o pagamento de propina. “Isso se liga naturalmente às investigações da área de comunicação. Vamos verificar se há link com outros casos já divulgados”, disse. Lima se referia à recente prisão do ex-deputado federal e ex-secretário de Comunicação do PT André Vargas, acusado de receber propina pela intermediação de contratos da agência Borghi Lowe com órgãos públicos, como o Ministério da Saúde.
Clique aqui e leia a reportagem completa da revista IstoÉ 
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sábado, 18 de abril de 2015

ACIMA DO PREÇO DE MERCADO

O promotor de Justiça Marcelo Mendroni aponta superfaturamento de R$ 110 milhões em três contratos da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM), firmados em 2007 e 2008, governo José Serra (PSDB) , “As empresas só montam cartel para superfaturar contratos. No caso desses três contratos, que somam R$ 550 milhões, em valores de 2007, estimamos que o superfaturamento tenha sido de 20%, ou R$ 110 milhões”, disse Mendroni nesta sexta feira, 17.
Especialista em investigações sobre carteis, Mendroni já apresentou anteriormente à Justiça de São Paulo cinco denúncias relativas a contratos da CPTM e do Metrô, nos quais cita 34 executivos de multinacionais e também de empresas nacionais.
A acusação divulgada nesta sexta feira, 17, se refere a contratos da CPTM, três ao todo, firmados no governo José Serra (PSDB). O ex-governador não é citado na denúncia. A investigação teve início a partir do acesso a e-mails dos executivos interceptados pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica (CADE), órgão antitruste do governo federal. Com autorização judicial, em maio de 2013, o CADE fez buscas nos endereços de 18 empresas, entre elas gigantes multinacionais, e copiou as correspondências que versam sobre combinações em licitações.
“As pessoas que foram denunciadas foram citadas a partir de e-mails que recebemos da superintendência do CADE. Confrontamos o que foi combinado com o andamento das licitações e para termos certeza que de fato houve uma ação de cartel”, relata o promotor, que atua no Grupo Especial de Delitos Econômicos (GEDEC), Mendroni pede a condenação dos executivos por crimes contra a ordem econômica e a administração pública. Outro denunciado, Reynaldo Rangel Dinamarco, que presidia a comissão de licitações da CPTM na ocasião, é acusado de crimes contra a administração pública por três vezes.
Segundo o promotor “há mais pessoas que também receberam e-mails tratando da combinação dos resultados, mas não foi possível levantar provas contra elas”.
“Estou convencido que outras empresas, como a Siemens, também participou do cartel, mas não foi possível obter provas contra executivos dela”, disse o promotor, referindo-se à multinacional alemã que denunciou o cartel metroferroviário em São Paulo, por meio de acordo de leniência firmado em maio de 2013 com o CADE.
O promotor assinala que “as datas das licitações e dos julgamentos favoreceram a ação que havia sido combinada”.
“Por isso que o presidente da comissão de licitações da CPTM também foi denunciado. Ele foi ouvido por mim e negou as informações.”
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ASSUNTO DE CAPA

As quatro principais revistas do país IstoÉ, Veja, Carta Capital e Época que começaram a circular neste fim de semana, três delas trouxeram como assunto de capa a prisão do tesoureiro do PT, João Vaccari Neto.
A revista Época trouxe como tema de capa uma reportagem exclusiva, afirmando que o ex-ministro da Casa Civil, Antonio Palocci recebeu R$ 12 milhões quando coordenava a campanha de Dilma, diz Época
Segundo a revista, ex-ministro atribuiu repasses a serviços prestados por sua consultoria ao Pão de Açúcar, à Friboi e à Caoa em 2010. Emprestas contestam versão.
A matéria de capa da revista Veja, além da prisão de Vaccari, coloca em xeque se a sigla está extinção e cita os principais motivos que podem levar o Partido dos Trabalhadores ao fim – no fundo do poço o PT já está há muito tempo.
IstoÉ cita os dez anos que o tesoureiro do PT comandou as finanças do partido que está no poder há 12 anos. Segundo a revista, a prisão de Vaccari, na Operação Lava Jato da Polícia Federal pode agravar ainda mais a situação da sigla e se aproxima da presidente Dilma.
A Carta Capital – única revista de esquerda declaradamente entre as quatro – também enfoca a prisão do tesoureiro, os efeitos – ainda mais negativos para o governo que reacende a tese de impeachment da presidente Dilma.
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sexta-feira, 17 de abril de 2015

NO QUADRADO

Charge do Fernando Brum, via IstoÉ
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TEMPERATURA MÁXIMA

Toda vez que a presidente Dilma Rousseff começa a sair da UTI, lá vem uma nova pneumonia, ora dela, ora por contaminação do PT. A da vez é a prisão de João Vaccari Neto, o segundo tesoureiro do partido a parar atrás das grades. E o pior que a ventania atingiu também a mulher, a cunhada e a própria a filha dele. É aí que mora o perigo.
Foi assim, abalado com o envolvimento da família, que o ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa decidiu botar a boca no trombone. O grande temor de uns, ou a grande esperança de outros, é que a mesma pressão produza igual resultado agora com Vaccari. Tal como Costa, ele sabe das coisas. Mas sabe muito mais, pois conhece o PT e o ex-presidente Lula por dentro.
A prisão de Vaccari não tem a ver diretamente com Dilma, mas já seria dramática em qualquer tempo, em qualquer lugar, em qualquer circunstância, e é muito pior nesse contexto em que o PT esfarela, Dilma perde o controle do próprio governo e o PSDB decide descer do muro e encampar a tese do impeachment.
Principal líder tucano e, portanto, da oposição, Fernando Henrique Cardoso mantém o discurso que a sólida formação acadêmica, a experiência e até velhice recomendam. Mas FHC é passado, e a bancada tucana na Câmara, cheia de gás e de ambições, é o futuro.
Estadistas podem puxar o freio, mas políticos jovens com mandato metem o pé no acelerador, correndo atrás das pesquisas de opinião e das manifestações de rua. Segundo o Datafolha, 63% dos brasileiros são favoráveis ao impeachment da presidente. E, ontem, movimentos unidos pelo grito "Fora Dilma!" foram à oposição cobrando que aja como oposição. Quem tem de evitar o impeachment é o governo, não o PSDB. E daí, fazer ouvidos de mouco?
Aécio Neves jogou a toalha. Em vez da prudência de FHC, agora opta pela ousadia da bancada, que atua em duas frentes: o convencimento político no Congresso e a busca de pareceres jurídicos sólidos sobre a chamada materialidade.
Dilma começou a sair da UTI quando partiu para um encontro com Barack Obama no Panamá, deixando seu governo daqui em diante nas mãos do vice-presidente e novo articulador político Michel Temer e do ministro e coordenador econômico Joaquim Levy. Como diziam no governo Sarney, "a crise viajou". Pois é, mas a crise foi, voltou e deu de cara com a outra crise irmã - a do PT.
Todo o esforço de Temer na segunda e na terça, para revitalizar a base aliada e retomar o ritmo de votações de interesse do governo no Congresso, foi por água abaixo com a prisão de Vaccari ontem. Não dá para competir nas TVs, nas rádios, nos jornais, na internet, nas conversas de qualquer botequim do País.
Para piorar, o que deveria ser um gol a favor pode virar um gol contra: a indicação do novo ministro do Supremo Tribunal Federal. Independentemente de todas as qualidades intelectuais e técnicas de Luiz Fachin, o fato é que suas ligações despejam toneladas de pedras no seu caminho.
Aliado do PT e da CUT, vai ser o 11º ministro justamente durante as investigações dos petistas e aliados governistas da Lava Jato. Defensor do MST e do rito sumário para a reforma agrária, vai precisar da aprovação do PMDB e de uma forte bancada ruralista no Senado. E o que dizer de seu discurso de defesa da candidatura Dilma Rousseff em 2010, alegando que "tinha lado"? E se tiver de julgar o governo Dilma, vai se declarar impedido?
O fato é que as duas desgraças chegam simultaneamente: a crise política de Dilma já era flagrante e a crise ética do PT só piora. Isso resulta numa explosão de proporções ainda não sabidas, mas o fato é que a tese do impeachment voltou com força e isso resvala para a hipótese de renúncia. A pergunta que cruza gabinetes, corredores e salões de Brasília, neste momento, é: quem vai botar o guizo no gato?
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MUDANÇA PARTIDÁRIA

O vereador paulistano, Netinho de Paula após passar alguns invernos no PC do B, desemborcou no PDT, comandado pelo ex-ministro do Trabalho, Carlos Lupi. A estreia de Netinho aconteceu nesta semana nas inserções do partido no rádio e na tv, em São Paulo.
Enquanto esteve no PC do B, Netinho se envolveu em alguns escândalos. No ano passado, Netinho então secretário da Secretaria de Promoção da Igualdade Racial do município de São Paulo, virou réu, acusado de ter usado notas fiscais frias para desviar verbas de seu gabinete enquanto era vereador.
Neste ano, Netinho voltou aos holofotes dos escândalos, o vereador usou verba a que tem direito como parlamentar para custear parte das despesas que assumiu nas eleições passadas, quando foi candidato a deputado federal.
De acordo com a prestação de contas realizadas por ele, ao menos R$ 27, mil foram repassado à empresa PN Mídia, em 2014 para pagar serviços de criação e elaboração do site da campanha. Sem o menor constrangimento, Netinho enviou à Câmara pedido de reembolso pelos gastos que teve com a PN Mídia.
Como justificativa para deixar o partido comunista, o vereador alegou “falta de espaço” na legenda. No PDT, Netinho não esconde o desejo de assumir a presidência municipal da sigla.
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EDUCAÇÃO EM BAIXA

O governador de Minas Gerais, Fernando Pimentel (PT), acabou com mais uma iniciativa implantada no estado nos últimos anos: a Escola em Tempo Integral. Criada em 2007, durante o governo Aécio Neves (PSDB), a iniciativa surgiu para suprir dificuldades de aprendizado de alunos carentes.
O programa estava presente em mais de 1.700 escolas em todas as regiões de Minas Gerais e, com a posse do novo governador, uma das primeiras iniciativas da Secretaria de Educação foi por fim ao programa.
Questionada pelos pais dos alunos, a secretaria informou que está reformulando as políticas educacionais do Estado. No projeto, entre as atividades oferecidas nas escolas após as aulas, estavam práticas esportivas, capoeira, aulas de música, teatro, cibercultura e trabalho em hortas escolares, além de acompanhamento pedagógico.
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HOSPITAL DE PORTAS FECHADAS

Cid Gomes e seu irmão Ciro inauguram no final de dezembro o Hospital Regional do Sertão Central, em Quixeramobim (CE). Cid era governador do Ceará e, Ciro, secretário de Saúde.
As portas foram abertas e... fechadas. Tocada pela empreiteira Fujita, a obra teve um custo de R$ 88 milhões. A construtora foi doadora da campanha do atual governador, Camilo Santana (PT), apoiado pela dupla do PROS.
Da IstoÉ
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quinta-feira, 16 de abril de 2015

OS BRASILEIROS COMEÇARAM A CORTAR GASTOS COM COMIDA

Deixar de comprar o carro que tanto ambicionava, dói. Mas passa. Deixar de comprar eletrônicos, como um novo modelo de celular, por exemplo, também dói. Ainda assim passa. O duro é cortar no que se come.
Isso já começou a acontecer com os brasileiros, segundo pesquisa de mercado feita pelo consultoria Nielsen, especializada em consumo.
Come-se menos pão, macarrão, peixe enlatado e açúcar. Até o iogurte, símbolo da prosperidade da classe C, come-se menos.
Na média, noticia O Estado de S. Paulo, as compras de alimentos ficaram praticamente estáveis nos três primeiros meses deste ano, registrando-se uma queda de apenas 0,1% se comparado ao mesmo período do ano passado.
Ocorre que o mercado estava costumado a fortes altas nos últimos 12 anos de governos do PT. Nos primeiros três meses de 2004, as vendas cresciam nessa época do ano 5,9%.
Causas do aperto do cinto? Inflação e medo do desemprego.
No país da propaganda de Dilma durante a campanha eleitoral, nada disso aconteceria. Nada.
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PEDE PRA SAIR

Da coluna Expresso, Época
Os maçons brasileiros deixaram os segredos de lado e enviaram ao Palácio do Planalto uma carta destinada à presidente Dilma Rousseff pedindo sua renúncia.

Em tom agressivo, a mensagem chama a chefe do Executivo de mentirosa, diz que está vilipendiando o povo brasileiro e afirma que o PT é partido de quadrilheiros.

Na carta, exige que os recursos públicos sejam aplicados sem má fé, sem negligência ou incompetência.
A mensagem pede reforma no governo com a redução do tamanho da máquina administrativa, transparência na aplicação dos recursos públicos, o fim do “aparelhamento” do PT de cargos no Judiciário e até a saída do ministro Dias Toffoli, do STF e TSE, da turma que vai julgar o petrolão.

Os maçons dizem na carta que a presidente perdeu o respeito dos brasileiros. Estima-se que existam quase 300 mil maçons no País.
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LIBERDADE ECONÔMICA: QUEM TEME ?

Por Caio Rocha, professor de História, via Facebook
O pensamento 'neo' liberal é desconhecido por muitos e devido a panfletaria de partidos trabalhistas ou de 'intelectuais' de cunho marxista em seus verminosos blogs, naturalmente espera-se que o conjunto da sociedade o rechace sem conhecer os propósitos mais elevados que esta categoria de pensamento defende. Farei uma breve exposição sobre isto:
Ampla liberdade econômica se traduz em redução do caráter interventor e regulador do Estado. Neste cenário, as forças econômicas privadas florescem, se desenvolvem e absorvem milhões outrora excluídos da sociedade de consumo.
A concorrência plena entre empresas de um mesmo segmento permite que os empresários ofereçam às massas produtos com maior qualidade e menor preço ficando sua margem de lucro condicionada à quantidade de bens adquiridos pela coletividade e não ao exorbitante preço cobrado por unidade, como acontecia em épocas pré-capitalistas onde um sapateiro, devido às limitações técnicas, produzia poucos pares de sapatos ao mês e o vendia por um preço caro, acessível somente aos nobres.
O processo de modernização do modo e das relações de produção iniciado há 2 séculos e que persiste firme e forte em tempos atuais permitiu que milhares ou milhões de pessoas pudessem adquirir produtos outrora acessíveis aos de maior poder aquisitivo. Viu-se o capitalista forçado a reduzir custos de produção e terceirizar suas operações para que obtivesse o máximo ganho de competitividade e lucratividade.
O mercado laboral tornou-se dinâmico e a renda per capita dos países industrializados cresceu. No Brasil, o liberalismo está pouco à pouco desabrochando em um cenário onde Estado comporta-se como um agente econômico onipresente atuando em áreas diversas: ramo do crédito (Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal, Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social), ramo petrolífero (Petrobrás, Br Distribuidora), ramo elétrico (eletrobras, eletronuclear).
Em nenhum destes ele atinge sua eficiência pois sua finalidade não é brincar de empresário. Cito um caso específico: o ramo petrolífero. O que ganha o Brasil com o monopólio virtual da Petrobrás, que concentra a maior parte da produção e distribuição de combustíveis? A quem ela interessa? A nós, com certeza não, pois pagamos alto pelo seu produto em decorrência de sua má gestão.
Vale salientar que no mercado internacional, o preço da gasolina despencou consideravelmente. Se existissem outras empresas do porte desta semiestatal atuando em nossas terras, as leis de mercado seriam impiedosas com ela e fatalmente teria de se tornar cada vez mais racional em sua governança para oferecer combustível com preço justo.
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SEM COMEMORAÇÃO

Charge do Cazo

O segundo governo Dilma chega aos seus 100 primeiros dias sem ter o que comemorar. A desarmonia entre o governo e o Congresso é geral.

A presidente Dilma sem força política, refém da base aliada, principalmente do PMDB, ela terceirizou o governo, entregando a coordenação política para o vice Michel Temer.

A terceirização branca de Dilma é evidente: Michel, Renan Calheiros e Eduardo Cunha, dão as cartas. São eles que decidem o que entra ou não em pauta. Enquanto isso, Dilma e seu PT são sucumbidos.

O jogo está meio embolado, em seu quarto mês de governo, Dilma já fez substituição em seu time que começou jogar no dia 1º de janeiro; cinco ministros já deram adeus ao governo. É praticamente um ministro por mês.
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ENQUANTO ISSO...

Charge do Izânio
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quarta-feira, 15 de abril de 2015

ATRÁS DAS GRADES

O tesoureiro do PT, João Vaccari foi preso nesta quarta-feira (15), na 12ª fase da Operação Lava Jato. O petista foi detido na casa dele, em São Paulo, e transferido para a sede da Polícia Federal em São Paulo.
No final da tarde, o PT lançou uma nota na qual diz que a prisão de Vaccari é desnecessária e reitera a confiança no tesoureiro. O PT também anunciou o afastamento – agora ? – de João Vaccari da tesouraria do partido. 
A prisão do agora ex-tesoureiro pegou a alta cúpula do partido de surpresa. Mas por que será que ficaram surpresos? Vaccari é o segundo tesoureiro do PT que vai parar atrás das grandes, antes, Delúbio Soares, condenado no escândalo do Mensalão foi para o xilindró.
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terça-feira, 14 de abril de 2015

CASERNA PLANFETÁRIA

Por Caio Rocha, professor de História, via Facebook
Alguém tem dúvida de que o endeusado "patrono" da educação nacional, o Sr. Paulo Freire foi apenas um mero doutrinador marxista que concebia a escola como uma caserna panfletária para formar novos soldadinhos a atuarem na fratricida luta de classe que supostamente move a história e antagoniza de maneira virulenta pobres e ricos? Vejamos uns trechos do pensamento de Freire que se coadunam bastante com o marxismo revolucionário, extraídos de Pedagogia do Oprimido:
“aos esfarrapados do mundo e aos que neles se descobrem e, assim descobrindo-se, com eles sofrem, mas, sobretudo, com eles lutam”.
"A violência dos opressores que os faz também desumanizados, não instaura uma outra vocação – a do ser menos. Como distorção do ser mais, o ser menos leva os oprimidos, cedo ou tarde, a lutar contra quem os
fez menos. E esta luta somente tem sentido quando os oprimidos, ao buscar recuperar sua humanidade, que é uma forma de criá-la, não se sentem idealistamente opressores, nem se tornam, de fato, opressores dos opressores, mas restauradores da humanidade em ambos. "
Os trechos anteriores apresentam propósitos semelhantes aos do Manifesto Comunista, de Karl Marx: "Homem livre e escravo, patrício e plebeu, barão e servo, numa palavra, opressores e oprimidos, em constante oposição, tem vivido numa guerra ininterrupta, ora franca, ora disfarçada; uma guerra que terminou sempre ou por uma transformação revolucionária da sociedade inteira ou pela destruição das duas classes em luta".
A revolução socialista é, nas entrelinhas, a forma de regenerar a humanidade do pecado do lucro e de reconciliar-se consigo mesma. Adorado pela elite acadêmica por incontáveis frases desconexas mas de profundo apelo sentimental em sua obra, retoma muito do pensamento do norte-americano John Dewey, que buscava através de métodos fazer links de experiências individuais e sociais.
Defendo que a escola seja sim questionadora da realidade, mas o aluno deve construir conceitos de mundo com base em uma gama de elementos informações disponíveis, contemplando o máximo de pluralidade de ideias e interpretações. O mundo é muito mais complexo que a dialética materialista exposta no pensamento de Paulo Freire. Sejamos honestos: No Brasil, quem nos oprime mesmo os mais pobres é a classe política e a burocracia de Estado, não os empresários.
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segunda-feira, 13 de abril de 2015

UM BRAÇO DO PT?

No Senado, o PSB tem dado demonstrações que está a serviço do PT. Pelo segundo dia consecutivo, o Palácio do Planalto conseguiu barrar a criação de mais uma CPI no Senado, a dos Fundos de Pensão.
A oposição havia reunido assinaturas de 30 senadores, mas por pressão do governo, seis voltaram atrás e retiraram seu apoio, o que arquivou o pedido de criação da comissão de inquérito pela falta de uma assinatura.
Dos seis senadores que retiraram as assinaturas, cinco são do PSB, que havia rompido sua aliança com o governo federal desde as eleições de 2014, mas vem sinalizando uma proximidade com o Planalto.
São eles: Romário (PSB-RJ), Lídice da Mata (PSB-BA), Roberto Rocha (PSB-MA), João Capiberipe (PSB-AP) e Fernando Bezerra (PSB-PE), além do senador Ivo Cassol (PP-RO).
Nesta terça, o Planalto também convenceu seis senadores a retirarem assinaturas de outra CPI que investigaria empréstimos do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico Social), todos de partidos aliados de Dilma. Sem o número mínimo de apoio, a comissão também não foi criada.

As informações são da Folha Online.
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AS RUAS, SEMPRE AS RUAS

Artigo de Marina Silva
Todos estão atentos às manifestações de rua marcadas para este domingo, que darão a medida do descontentamento político do país. Alguns analistas preveem manifestações menores que as do mês passado. A questão não é o número de pessoas. Menos gente nas ruas não significa menor insatisfação; ao contrário, pode até significar um aumento da desesperança, o represamento de uma revolta que pode retornar mais forte depois de algum tempo.
O sistema político se move descolado da sociedade, muitas vezes contra ela, mas não ao ponto de descuidar de sua própria sobrevivência e, por isso mesmo, está bem atento ao que ela antecipa. Agora mais ainda, pois ela antecipa, cada vez mais explicitamente, uma negação do sistema, de seus meios e de seus fins.
Se a sociedade explicita seu desejo, o poder está ainda mais nu. E já não consegue ocultar-se na pele ovina da defesa do interesse público. As medidas contra a crise já nem tem aparência de soluções, tem o claro objetivo de manter, ampliar ou conquistar o objeto de desejo dos que se movem na crise e pescam em suas águas turvas: o poder. Juros altos, inflação escapando a metas e previsões, endividamento das famílias, demissões, descontrole fiscal, corrupção sistêmica e endêmica. Pode haver dúvidas se esses são os elementos da crise ou o receituário para sair dela, mas basta olhar o ambiente político para ver que tudo serve à manipulação, que o objetivo não é sair da crise, mas usá-la.
Mas nem só de poder vivem os homens. E as perdas na vida das pessoas, a fragilização da democracia e a descrença no funcionamento das instituições são realidades que acabam se impondo e tornando a mudança política uma necessidade. O próprio túnel da crise produz uma luz ao seu final.
Assim, torna-se possível vislumbrar o desenvolvimento e a prosperidade, mas num novo modelo institucional. E atualizam-se, com mais dramaticidade, velhos dilemas não resolvidos na história do país. Em duas eleições seguidas – e nos quatro anos entre elas – sustentei com insistência a ideia do “Estado mobilizador” como alternativa à reducionista polarização entre Estado fiscalizador e Estado provedor, que alinhava em campos opostos neoliberais e desenvolvimentistas – ou quaisquer rótulos com que se tenham acusado mutuamente. Procurava, deste modo, indicar a superação da velha polêmica sobre o tamanho do Estado e colocava o foco no seu relacionamento com as forças sociais e econômicas, que devem ser mobilizadas na construção de um novo modelo de desenvolvimento, sustentável, e de uma gestão pública democrática que aproveitasse as possibilidades oferecidas pelas novas tecnologias de comunicação.
Mas para buscar ou aceitar ideias alternativas é fundamental desfazer-se da ilusão de autosuficiência e de possuir, sozinho, a medida certa e a resposta para a enormidade da crise. E reconhecer erros ou limites nunca foi virtude dos governos anteriores, menos ainda do atual, que em qualquer ação – até nas mais rotineiras e prosaicas – procura sempre localizar inimigos, “eles”, e atribuir-lhes a culpa pelos males do Brasil.
Esse comportamento economiza a lógica. Torna dispensável explicar, por exemplo, como se pode discursar ao lado da ministra de Direitos Humanos pela manhã e demiti-la à tarde. Lançar uma campanha para combater as ofensas e mentiras na internet, sem mencionar que a “guerrilha virtual” – montada na campanha eleitoral e mantida com recursos públicos – é um dos piores exemplos do mal que se deseja combater. Falar em combate à corrupção, orgulhar-se de “deixar” a polícia investigar, sem explicar como é possível dirigir uma empresa por 12 anos levando-a do alto da montanha ao fundo do abismo sem suspeitar que ela estava sendo saqueada.
É na falta de lógica que se assenta o sistema contraditório em que o governo opera. Depois de fazer, nas eleições, a apologia de todo e qualquer tipo de aliança para poder ter maioria no Congresso, e após ter distribuído 39 pedaços do Estado entre os dez partidos da base dita aliada, o único cacife que tem é o de não ter cacife para nada. Sustenta-se porque não tem força para cair.
O governo não está em crise, ele é a crise. Isolado pelos aliados, sabotado por seus próprios integrantes, solapado até pelos que lhe deram origem, o governo dá respostas atabalhoadas aos problemas, a maioria criados por ele mesmo.
Mas ainda há tempo. O país ainda não afundou em uma crise constitucional e, sejamos justos, essa precária estabilidade deve-se em grande parte ao comportamento comedido e responsável de boa parte da oposição que, embora apoiando e considerando legítima a revolta da sociedade, não se lança na articulação de pretensas saídas que possam gerar o risco de fragilização do processo democrático. Reconheço e quero destacar entre todos o exemplo de lucidez e responsabilidade republicana do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso que, sem abdicar de suas críticas ao governo, tem contribuído para analisar a crise política do país de um ponto de vista mais amplo, alertando para a necessidade de preservar o estado de direito conquistado com o fim da ditadura.
O próprio governo, forçado pelas circunstâncias, acaba aderindo, em alguns setores, a uma agenda republicana que não fazia parte de suas intenções iniciais. Em apenas três meses, mudou cinco ministros e, acertadamente, colocou na pasta da Educação um respeitado acadêmico que tinha e mantém posições críticas e relativa independência política. Assim como o ministro Joaquim Levy na Fazenda, o professor Renato Janine na Educação tem a responsabilidade de dar o exemplo ao restante do governo de como se pode “tocar o barco” ouvindo não apenas as ordens dos comandantes da política, mas também a do imenso número de passageiros e tripulantes e, principalmente, seguindo as leis do mar e as condições reais de navegação.
É pouco, muito pouco, diante de uma crise que anuncia agravamento contínuo e de uma insatisfação tão grande, que saiu às ruas há um mês. Neste domingo, a questão será colocada novamente – e ninguém se engane quanto à força que ela tem, demonstrada ou não.
O protesto fornece à presidente da República mais uma oportunidade de responder diretamente, sem terceirizar sua relação com a sociedade. Terá força e disposição para fazer isso? Espero que sim. Melhor a fragilidade dos pés de carne e osso das ruas, do que a aparente firmeza do pé-de-barro do marketing.
Com ou sem resposta, as pessoas marcham. E sabem que é melhor marchar, umas ao lado das outras, nas ruas da desaprovação. É melhor andarem juntos, os indignados com a institucionalização da corrupção. É melhor unir-se na desconfiança, abandonando falsas tábuas de salvação oferecidas por quem só sabe repetir-se – e a repetição não produz esperança. Marchar é um alento e os ativistas das ruas, autores de seu próprio movimento, como em todos os tempos no mundo inteiro, só tem a si mesmos, mas sabem que trazem a possibilidade de algum futuro.
As ruas, sempre as ruas, fazem lembrar as palavras de Martin Luther King em seu célebre discurso:
“Permitam-me dizer que, se vocês estão cansados de protestos, eu estou cansado de protestar (…). Mas o importante não é quanto eu estou cansado; a coisa mais importante é nos livrarmos da condição que nos leva a marchar. Senhores, vocês sabem que não temos muita coisa. Não temos dinheiro suficiente. Realmente não temos muito estudo e não temos poder político. Temos apenas nossos corpos, e vocês estão pedindo que abdiquemos da única coisa que possuímos quando dizem: ‘Não marchem’.”
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FORTALEZA, 289 ANOS

Fortaleza, a capital do meu querido estado do Ceará completa hoje 289 anos. Uma das principais cidades escolhidas por turistas de todo o Brasil e do mundo que buscam praias exuberantes e boa gastronomia.
A população de Fortaleza aumentou nos últimos dez anos e hoje a capital cearense é a quinta (2.551.805 habitantes) maior do Brasil, segundo dados de 2013 do IBGE.
A todos que trabalham para construir a cada dia uma cidade mais forte e solidária, àqueles que fazem da terra do sol sua moradia é hora de comemorar! Este blog deseja mil felicidades a Fortaleza.
Parabéns, Fortaleza!
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PATINAÇÃO

Artigo de Marta Suplicy, publicado na Folha de S.Paulo
Não é no gelo nem em pista. É no governo mesmo. Toda semana quero mudar de assunto e não consigo. Esta semana não foi a bola que entrou redonda no Planalto e saiu quadrada, mas a trapalhada foi de tal tamanho que virou vexame.
Ação que humilhou um ministro, que soube por meio de um site que estava sendo demitido, um convite ao futuro ocupante sem conversar com seu partido, o que propiciou o não aceite público do convidado. E, para finalizar, usar da prerrogativa presidencial de extinguir um ministério e nomear o vice-presidente como responsável pela interlocução política do governo sem dar os passos básicos que antecedem tal operação. Inclusive no Legislativo. Nunca antes o país presenciou tanta falta de jeito e perda de oportunidades de fazer o erro reverter em aprendizado e benefício.
A seguir a patética --e inacreditável-- entrevista de Pepe Vargas aceitando o "apelo" da presidenta para assumir a Secretaria de Direitos Humanos e logo sendo interrompido na coletiva por um telefonema. Volta acabrunhado para dizer que não havia confirmação. No final do dia ocorre a nomeação. Foi de um constrangimento que ninguém merece. Nem nós.
Logo após passamos a ter a dimensão do desacerto. O vice não aceita mais o ministério, somente a incumbência do trabalho de interlocução. Saíram todos descontentes, como sempre.
Nos ombros do vice repousa agora imensa responsabilidade. Mas qual é o significado do vice-presidente, que também é presidente do maior partido aliado, ser incumbido da tarefa de fazer a articulação política do governo? Temer já entrou na roda em momentos de apuro nas relações entre seu partido e o governo.
Mas é diferente de assumir as negociações com o Congresso como um todo. Não que não possua o talento necessário. Ele já conversa bem com todos os segmentos e ter-se mantido há anos na presidência do PMDB, com tantos caciques, comprova suas habilidades.
Temer pode obter um bom resultado, o que facilitará a aprovação das MPs de ajustes que o governo necessita. Entretanto o resgate da credibilidade perdida pela figura da presidenta dificilmente ocorrerá. Na hora em que tenta um atalho de governabilidade via Temer, Dilma continua fugindo da responsabilidade da autocrítica, sem fazer a repactuação sincera com a sociedade.
Melhorando a relação com o Congresso não sei quão "feliz" ficará a presidenta, e seus próximos, com o aumento de poder do vice e de seu partido. Já entregou a economia e agora com a terceirização da política, como reagirá com a mudança efetiva do eixo do poder?
Em patinação, fazer piruetas e saltos, sem talento ou treino adequado, costuma ser muito arriscado.
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domingo, 12 de abril de 2015

MORRE PAULO BROSSARD

Morreu neste domingo (12), em sua residência em Porto Alegre (RS), o ex-ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Paulo Brossard, 90 anos.
O governador do Rio Grande do Sul, José Ivo Sartori (PMDB), decretou luto oficial de três dias. O velório ocorrerá no Palácio Piratini, sede do governo do Estado.
O jurista Paulo Brossard de Sousa Pinto nasceu em Bajé (RS) em 23 de outubro de 1924, filho de pecuaristas do município.
A carreira política de Paulo Brossard começou em 1954, quando elegeu-se deputado estadual, sendo reeleito mais duas vezes para o cargo. Foi eleito deputado federal pelo Movimento Democrático Brasileiro (MDB) em 1966 e senador em 1974.
Brossard foi ministro da Justiça no governo Sarney e ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) de 1989 a 1994. Brossard era casado com Lúcia Alves Brossard de Sousa Pinto, com quem teve dois filhos.
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BYE BYE DILMA !

Artigo de Fernando Gabeira
Domingo é dia. De novo. O governo respondeu mal. Ele joga com o tempo. Sabe que é difícil manter tanta gente na rua quando sem um resultado tangível. É um cálculo válido para período de estabilidade e crescimento. O Brasil em crise é um fio desencapado. As manifestações não conseguiram ainda seu objetivo: Fora Dilma.
No entanto, Dilma já não está tão dentro como antes. A iniciativa política foi arrebatada pelo PMDB. O ajuste econômico é conduzido pelo liberal Joaquim Levy, que o negocia com o Congresso Nacional.
O debate sobre o ajuste tem conteúdo para ser discutido dias seguidos. Quase todos concordam que um ajuste adequado levará o Brasil de novo ao crescimento. Mas poucos se perguntam sobre o crescimento. Será que vamos reunir forças para um novo voo de galinha? Retomar o crescimento significa entupir os lares de eletrodomésticos e carros, exaurir os rios de forma irresponsável?
Mesmo para um voo de galinha as perspectivas não são boas. Teremos energia para o crescimento em 2016? Nossas estradas suportam um aperto econômico – elas que foram devastadas pelo tempo e pela corrupção? Todos se interrogam para onde estamos indo. Marchar para uma euforia consumista e, depois, cair na depressão torna a política econômica uma nova droga.
O escritor Frei Betto usou a imagem do filme Good Bye Lenin! para expressar o espanto de alguns eleitores de Dilma: é como se dormissem com a vitória de sua candidata e acordassem com a de Aécio Neves, seu adversário. Esse filme de Wolfgang Becker é bem lembrado porque conta a história de uma comunista fervorosa de Berlim oriental que ficou oito meses em coma e acordou depois da queda do Muro. E o esforço do seu filho era para mascarar os traços do capitalismo e evitar que ela se chocasse com o movimento da História.
Good Bye Lenin!, na minha opinião, não exprime apenas a perplexidade dos eleitores de Dilma. Ele exprime a perplexidade de toda a esquerda, que deveria estar acordando de um grande sonho e se espantar com o mundo, como a comunista de Berlim ao ver um imenso anúncio publicitário do outro lado da rua. Seria como se um cubano acordasse na Costa Rica ou um venezuelano nos supermercados do Peru, algo tão diferente. Nesses anos em que o Muro de Berlim caiu, muitos continuaram em coma, ou protegidos das mudanças no mundo real.
Isso não teria tanta importância se a esquerda não fosse para o poder com uma parte das ilusões. Ela confundiu partido com Estado e capitalismo de leis implacáveis com seus sonhos socialistas.
Não deveria. Marx estudou muito para explicitar essas leis. Nem sempre acertou, mas as estudou profundamente e jamais apoiaria um enfoque apenas consumista. Não porque Marx fosse da elite branca. Mas porque saberia que a conta seria cobrada na frente.
Hoje a conta está sendo cobrada. Dormiu-se com a promessa do paraíso, acorda-se numa realidade inequívoca: tanto Dilma como Aécio seriam obrigados a algum tipo de ajuste.
A confusão entre governo e poder, entre partido e Estado acabou arruinando uma experiência, finalmente, dinamitada pela corrupção.
Uma esquerda no governo não poderia comprometer-se a fundo com Cuba e Venezuela. Ainda que admirasse os dois modelos, o que é um alto grau de miopia, deveria levar em conta uma posição nacional.
Uma esquerda no governo deveria abster-se de levar o capitalismo a um outro sistema, mas, sim, tirar o melhor proveito de suas potencialidades e reduzir seus impactos negativos. O capitalismo pode alcançar altos níveis de inovação e criatividade, como nos Estados Unidos, ou mesmo uma respeitável rede de proteção, como na Escandinávia.
Não vejo como transitar do capitalismo para outro sistema econômico, exceto através da decadência e destruição de seus alicerces. E isso nem na Venezuela vai acontecer. O sonho bolivariano encarnou num homem que esmaga os opositores e conversa com passarinhos. Quando vão despertar? Quando encontrarem Nicolás Maduro cantando salsas e merengues nas pizzarias do seu bairro?
Bye Bye Dilma não é apenas o acordar de um sonho eleitoral. E um sono de 12 anos – de pouco mais de 25 anos se contarmos da queda do Muro de Berlim. O projeto não se perdeu apenas pela questão ética. Seus passos estão intensamente discutidos no escândalo do petrolão e outros que se espalham como tanques em chamas.
Mas os fins, quais eram mesmo os fins? Para onde é que nos levavam?
Dentro do País vivemos a crise do populismo econômico. Lá fora, nossa importância diplomática foi dramaticamente reduzida.
Não dói somente ver Dilma e o PT se comportarem como se nada de errado tivesse acontecido. Dói também ver a perspectiva de um grande esforço fiscal desaguar numa visão de crescimento de novo insustentável, tanto econômica como ambientalmente.
A Califórnia passou por mil desafios, abrigou a indústria de cinema e da informática, e agora se vê diante da necessidade de se reinventar. E muitos perguntam se conseguirá, como das outras vezes. A crise hídrica é grave por lá. No Brasil nem sequer nos colocamos a ideia de uma primeira reinvenção. E a crise hídrica é grave por aqui.
Toda vez que falam “vamos fazer o ajuste fiscal, voltar a crescer”, tenho um calafrio. De novo, um voo de galinha na economia e na política?
Seria necessário rever o caminho. A visão puramente eleitoral é sempre punida pelas leis do capitalismo. Não há espaço para uma esquerda monocrática que confunde suas ideias com o interesse nacional, que julga aproximar-se do socialismo, mas avança para o colapso econômico.
Essa esquerda dormiu abraçada numa bandeira vermelha e acordou com a multidão em cores verde e amarelo. Se acordou, finge que está dormindo.
Artigo publicado no Estadão em 10/03/2015
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sábado, 11 de abril de 2015

ANTROPOFAGIA SOCIALISTA

O bombeiro e deputado federal estreante Cabo Daciolo (PSOL-RJ), em processo de expulsão do PSOL, pretende levar o partido à Justiça. O imbroglio começou quando Daciolo propôs uma PEC que muda o texto da Constituição para  ‘Todo poder emana de Deus’, e não ‘do Povo’.
Ele questiona a legenda por que não faz o mesmo com o colega Jean Wyllys (PSOL-RJ), que apresentou proposta de implantar na grade escolar pública o ensino do Islamismo. Daciolo também questionará o partido sobre as doações de empresas para campanhas de alguns colegas.
A bancada do PSOL na Câmara é composta por cinco parlamentares, e forte no Rio de Janeiro. Além de Daciolo, tem o líder Chico Alencar e o ex-BBB Jean Wyllys. Os outros são Edmilson Rodrigues (PA), ex-prefeito de Belém, e Ivan Valente, de SP.
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ESPERANDO NA JANELA

Num vídeo recente, o senador Aécio Neves convoca a população e principalmente a militância tucana pra ir às ruas no próximo domingo.
Aécio convoca, mas ele não sai do ninho. A grande manifestação que ocorreu 15 de março, o tucano não foi, preferiu vê a banda passar da janela de seu confortável apartamento.
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sexta-feira, 10 de abril de 2015

GESTÃO TERCEIRIZADA

Charge de Fernando Brum, via IstoÉ
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CEM DIAS SEM RUMO

Da Veja
Em 1º de janeiro deste ano, ao tomar posse diante do Congresso Nacional, a presidente Dilma Rousseff prometeu: "Dedicarei obstinadamente todos os meus esforços para levar o Brasil a iniciar um novo ciclo histórico de mudanças, de oportunidades e de prosperidade, alicerçado no fortalecimento de uma política econômica estável, sólida, intolerante com a inflação, e que nos leve a retomar uma fase de crescimento robusto e sustentável, com mais qualidade nos serviços públicos". Passados exatos cem dias deste então, fica cada vez mais claro que Dilma não tinha razões para tanto otimismo. Quando a apertada vitória da petista se confirmou em outubro passado, reportagem do site de VEJA apontava a tempestade perfeita que cercava o segundo mandato da presidente. Já estavam dados os ingredientes da crise: o escândalo do petrolão atingia em cheio o governo e o PT, a economia encolhia enquanto a inflação aumentava. De janeiro até aqui, a fracassada articulação política de Dilma somou a este grave cenário uma rebelião da base aliada no Congresso - e azedou ainda mais a relação da presidente com o próprio partido e seu antecessor e criador, o ex-presidente Lula.
Hoje o país acumula inflação de 8,13% em 12 meses (a maior desde dezembro de 2003) e previsão de retração econômica de 1% em 2015, segundo estimativas do mercado. Em cem dias - e por sua própria responsabilidade - o governo Dilma foi arrastado para uma perigosa espiral: a crise econômica e os escândalos de corrupção erodem a popularidade da presidente (62% dos brasileiros reprovam seu governo, segundo pesquisa Datafolha), cada vez mais refém de uma base fragmentada no Congresso - o que dificulta a aprovação de projetos caros ao Planalto. Diante desse quadro, o governo fica impedido de apresentar uma resposta que ajude a reerguer a popularidade de Dilma. Irritado com as tentativas do Planalto de reduzir a participação do partido no governo, o PMDB age hoje quase como uma sigla de oposição. E mais: tornou o Executivo de tal forma dependente do Congresso que o presidencialismo brasileiro já se assemelha a uma forma bastarda de parlamentarismo. Nem dentro do próprio partido Dilma encontra refresco: contrário às medidas de ajuste fiscal adotadas pelo governo, o PT tem dado tanto trabalho ao Planalto no Congresso quanto os opositores. Tendo seu grupo inicialmente alijado do núcleo duro do governo, Lula não poupa a pupila de críticas públicas. O ex-presidente teme que um eventual fracasso da gestão Dilma interfira em seus planos de retornar ao poder em 2018.
É fato que o primeiro mandato de Dilma também incluiu momentos de turbulência. Em 2013, por exemplo, os protestos encurralaram o governo e derrubaram a popularidade da presidente. Naquela ocasião, entretanto, os atos não possuíam uma pauta única e o governo conseguiu se apropriar parcialmente das bandeiras apresentadas. Já os manifestantes que tomaram as ruas em 15 de março deste ano e se preparam para fazê-lo novamente no próximo domingo têm como foco a oposição ao governo e ao Partido dos Trabalhadores. É um dos muitos sinais de que as coisas mudaram.
As trapalhadas na articulação política e a postura inflexível da presidente ajudaram a desgastar no Congresso uma base que já havia saído das urnas enfraquecida na comparação com 2010. É assim, sem apoio expressivo nem nas ruas nem no Congresso, que a impopular e nada carismática Dilma Rousseff chega ao centésimo dia de governo. Até aqui, os poucos acertos do governo na reação do governo à crise surgiram apenas quando Dilma e o PT abriram mão de parte do seu poder. Dilma terceirizou a gestão da economia a Joaquim Levy, cujas ideias divergem radicalmente daquelas defendidas pelo PT, e atribuiu ao vice-presidente Michel Temer, do PMDB, a articulação política.
O deputado Paulo Teixeira (PT-SP) acredita que o pior já passou. "Dentro desse momento difícil, As coisas estão se arrumando para ela conseguir os resultados no médio prazo. O mês de fevereiro foi muito difícil, o de março também, mas menos. A tendência é melhorar". Já Onyx Lorenzoni (DEM-RS) faz um diagnóstico implacável: "O segundo governo Dilma vai ser o governo das crises. Ela vai ficar um fantasma no Planalto até o fim do mandato".
Campanha x realidade - Antes mesmo de a presidente reassumir o cargo, já estavam claras para os brasileiros as mentiras de que o PT fez uso para se manter no poder. Depois de acusar seus adversários Marina Silva (PSB) e Aécio Neves (PSDB) de agir em conluio com os banqueiros, por exemplo, Dilma convidou o presidente do Bradesco, Luiz Carlos Trabuco, para assumir o Ministério da Fazenda. Ouviu "não" como resposta e indicou, então, a Levy, um economista ortodoxo e alinhado ao pensamento do tucano Armínio Fraga.
A crise econômica e orçamentária, motivada em grande parte pelo populismo fiscal do primeiro governo Dilma, agora força o Executivo a abandonar promessas de campanha, como a de que os direitos trabalhistas eram intocáveis e a taxa de juros não seria usada para segurar a inflação. Paradoxalmente, a solução encontrada pelo governo distanciou a presidente da República das bases mais tradicionais do petismo, como sindicatos e movimentos sociais. A Central Única dos Trabalhadores, principal braço do PT, tem ido às ruas com bandeiras que, se passam pelo apoio ao governo contra o "golpismo", também incluem críticas diretas ao ajuste fiscal.
Reação - O Executivo ainda tem armas de sobra para articular uma reação. A principal delas é a chave do cofre da União, que costuma ser usado para cooptar tanto os movimentos sociais quanto partidos políticos. Mas até esse recurso é limitado. O corte orçamentário que deve ser anunciado em breve deve atingir ainda mais a já reduzida capacidade de investimento do governo e, assim, dificultar uma reação do Executivo.
A presidente chega aos cem dias de governo sem recursos para investir, com uma base aliada enfraquecida, um escândalo gigantesco de corrupção à porta, a popularidade em níveis abissais e sob a desconfiança do próprio PT. É possível que o cenário melhore no médio prazo. Mas o mais provável é que, para fazer isso, Dilma tenha de ser cada vez menos dona do próprio governo.
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NO XILINDRÓ

A Polícia Federal prendeu nesta sexta-feira os ex-deputados André Vargas (ex-PT-PR) e Luiz Argôlo (Solidariedade-BA), na a 11ª fase da operação da Lava Jato. Serão cumpridos sete mandados de prisão, 16 de busca e apreensão, nove de condução coercitiva, quando a pessoa é levada para prestar depoimento, em seis estados (Paraná, Bahia, Ceará, Pernambuco, Rio de Janeiro e São Paulo) e no Distrito Federal.. André Vargas foi preso em um condomínio residencial em Londrina (PR).
Também foram presos  o irmão de André Vargas, Leoon Vargas, o ex-deputado Pedro Correia (PP-PE), que já cumpre prisão pelo mensalão do PT, Ivan Mernon da Silva Torres,  Élia Santos da Hora, secretária de Argôlo e Ricardo Hoffmann, que é diretor de uma agência de publicidade. Todos os presos serão levados à superintendência da PF em Curitiba.
Os envolvidos nesta fase da Lava Jato são acusados de crimes como organização criminosa, quadrilha ou bando, corrupção ativa, corrupção passiva, fraude em procedimento licitatório, lavagem de dinheiro, uso de documento falso e tráfico de influência. Além de corrupção na Petrobras, também são tratados desvios de recursos ocorridos em outros órgãos públicos federais, segundo a PF.
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