sábado, 24 de outubro de 2015

MAIS UMA CONDENAÇÃO

O ex-governador Ciro Gomes terá de pagar uma multa ao líder do PMDB no Senado, Eunício Oliveira, equivalente a dez mil UFIR’S (Unidade Fiscal de Referência).
A decisão é baseada na sentença do desembargador Antônio Abelardo Benevides Moraes em favor do peemedebista. Eunício Oliveira entrou com uma ação contra Ciro Gomes, que usou sua conta pessoal na rede social Facebook para lhe endereçar ofensas.
Ciro descumpriu determinação judicial que previa direito de resposta a Eunício Oliveira.
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sexta-feira, 23 de outubro de 2015

CODINOME 'LINDINHO'

O ex-gerente da Petrobrás, Eduardo Musa, um dos delatores da Operação Lava Jato, afirmou que o apelido do ex-diretor da área internacional da estatal Nestor Cerveró em planilha de propina era ‘lindinho’. Segundo o delator, havia uma tabela com a divisão dos pagamentos ilícitos na Diretoria Internacional.
Eduardo Musa afirmou à força-tarefa da Lava Jato que entrou na Petrobrás em 1978, por meio de concurso público. O executivo disse que ficou na companhia até janeiro de 2009. Em 2003, ele contou que perdeu o cargo que ocupava na gerência geral de Gás e Energia e foi trabalhar na área de Exploração e Produção.
Entre 2003 e 2006, Eduardo Musa afirma ter trabalhado na BR Distribuidora. De 2006 até se aposentar, ele relatou ter sido gerente-geral da área internacional.
“Desde que entrou na Petrobrás se ouvia falar do pagamento de vantagem indevida nas mais diversas áreas, mas somente em 2006 o declarante começou a tomar conhecimento de forma direta”, declarou Eduardo Musa.
“O tema de pagamento de propina foi apresentado ao declarante por Luis Carlos Moreira. Por volta de julho de 2006, quando o declarante estava começando a trabalhar no desenvolvimento do projeto do navio sonda Petrobrás 10000, Moreira mostrou uma planilha de divisão de propinas da área internacional da Petrobrás; nesta planilha constavam codinomes (apelidos); que o apelido de Nestor na planilha era Lindinho.”
Nestor Cerveró já foi condenado em duas ações na Operação Lava Jato. Em maio, o juiz Sérgio Moro, que conduz as ações da Operação Lava Jato, aplicou 5 anos de pena ao ex-diretor, pelo crime de lavagem de dinheiro na compra de um apartamento de luxo em Ipanema, no Rio.
Em agosto, o juiz impôs a Cerveró 12 anos, três meses e dez dias de reclusão pelos crimes de corrupção passiva e lavagem de dinheiro.

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NO RODA VIDA

O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, estará no centro do Roda Viva, da TV Cultura, nesta segunda-feira (26), às 22h00.
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ELEFANTE BRANCO

Inaugurado há quase um ano pelo ex-governador Cid Gomes, o Hospital e Maternidade Regional do Sertão Central está fechado e sem qualquer expectativa de funcionar. O governo do Ceará alegava falta de recursos, mas há dois meses o ex-ministro da saúde garantiu verba federal para o inicio de funcionamento.
Se R$ 10 milhões reais mensal, era o principal motivo para o funcionamento, logo o governo estadual alegou falta de água na cidade de Quixeramobim. A construção de uma adutora de 61 km, em caráter de emergência está em pleno vapor, mesmo assim, não existe uma data pela Secretaria Estadual de Saúde para colocar esse “elefante branco”, em funcionamento.
Enquanto o governo do Estado não resolve esse problema, ambulâncias de 18 municípios da região do Sertão Central e Sertões dos Inhamuns continuam em peregrinação nas péssimas estradas, com destino aos hospitais de Fortaleza, especialmente ao Instituto Dr. José Frota.
Se, estivesse em pleno funcionamento, muitas vidas estavam sendo salvas, mas os políticos da região acham melhor, iniciar disputar internas, do que pressionar o governador Camilo Santana para cumprir o que prometeu.
Passar pela CE-060, olhar uma obra tão gigantesca como aquela e, ao mesmo tempo inutilizada, é a provar real do que o serviço público nesse país precisa mudar o seu perfil.
Localizado na cidade de Quixeramobim, a obra custou R$ 67,6 milhões, os quais R$ 51,2 milhões foram disponibilizados para aquisição de equipamentos, através de financiamento junto ao Banco Nacional do Desenvolvimento (BNDES) e parceria com o Ministério da Saúde.
O Hospital terá 15 leitos na emergência infantil, 30 leitos na emergência adulto, 20 leitos de UTI, 16 leitos de terapia semi-intensiva, 12 leitos de cirurgia, oito no setor de neonatalogia, 11 leitos neonatais e 140 leitos na enfermaria. Serão 11 salas de cirurgia, 15 consultórios e oito salas de exames e tratamentos.
O Hospital do Sertão Central contará também com um Centro de Atenção à Saúde Sexual e Reprodutiva da Mulher para ampliar e qualificar a assistência às mulheres, reduzindo a mortalidade materna.
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quinta-feira, 22 de outubro de 2015

MAIS UM PROCESSO

O ex-ministro miojo, Cid Gomes, recém filiado ao PDT, deverá ser processado pelo vice-presidente da República, Michel Temer. Em discurso de filiação no último sábado, em Fortaleza, Cid chamou Temer de “chefe da quadrilha”. Segundo informa Ilimar Franco, da coluna Panorama Político, de O Globo.
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OS 300 FIÉIS

Numa ofensiva estratégica nas últimas semanas, com prazo para vencer amanhã, o exército petista comandado por Lula, Ricardo Berzoini (Secretaria de Governo) e Jaques Wagner (Chefe da Casa Civil) comemora a adesão de 300 'deputados fiéis' ao Planalto, dos 513 que desfilam na Casa.
O contingente foi a meta imposta pelo próprio trio não apenas para enterrar no plenário da Câmara um eventual processo de impeachment da presidente Dilma. É crucial para fazer o segundo mandato dela avançar a partir de agora, com uma governabilidade garantida, analisa um palaciano.
Depois da reforma ministerial, as armas usadas para conquistar os votos de deputados neutros e até adversários foram liberação de emendas e cargos federais nos Estados, reivindicados pelos parlamentares.
Wagner e Berzoini já possuem a lista dos deputados angariados para a base – em especial do PMDB, PP, PTB, e até dos neutros PSB e PDT – que ganhou o Ministério das Comunicações. Com o grupo, Dilma quer garantir a aprovação do pacote do ajuste fiscal – e a manutenção dos vetos presidenciais à pauta bomba, com votação em sessão do Congresso agendada para novembro.
Um aliado do presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), diz que ele emitirá os sinais se a sua conta bater com a do Planalto. Se Cunha engavetar o novo pedido de impeachment do PSDB, é porque já sabe que não terá os votos para derrubá-la.
Ao contrário do que pregam, veementemente, Cunha e o chefe da Casa Civil, Jaques Wagner, têm conversado, sim, diretamente, naquela que pode ser a última tentativa de paz entre Dilma e o deputado.
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POR QUE LEVY CONTINUA?

Editorial de O Estado de S.Paulo
Enquanto a economia afunda, o impasse político se prolonga e a presidente é pressionada pelo partido para buscar um novo rumo, a figura do ministro da Fazenda encolhe, seu prestígio se esvai e seu poder, muito frágil desde o início, se aproxima de zero. Por que o ministro Joaquim Levy insiste em ficar no cargo? Esta é a questão mais intrigante, neste momento, a respeito do governo, dos impasses e do jogo entre os Poderes em Brasília. 
Cada dia da crise política sai muito caro para o País e impõe uma provação talvez inútil à presidente Dilma Rousseff. Mas é possível compreender seu esforço para escapar do impeachment. Mesmo diante da perspectiva de se tornar uma governante apenas nominal, obediente robô a serviço de seu criador, a presidente pode considerar tolerável essa condição. As alternativas mais prováveis seriam o despejo depois de um processo devastador ou uma renúncia humilhante.
Ganhar tempo faz sentido para a presidente e para os líderes de seu partido. Mas o tempo ganho dessa forma para os políticos sob pressão – e isto inclui o presidente da Câmara, Eduardo Cunha – é tempo perdido para quem deve cuidar da política econômica e, portanto, do complicado e penoso ajuste das contas públicas. Na economia o impasse político se traduz como perda: a insegurança aumenta, o empresário posterga o investimento produtivo, o financiador encurta o crédito, o consumidor adia suas compras, o desemprego aumenta, a arrecadação diminui, o Tesouro se enfraquece e as contas públicas pioram.
Se as agências de avaliação de crédito cortam a nota do País, como fez a Fitch na quinta-feira, quem se surpreende? E quem se surpreenderá se em alguns meses a Fitch ou a Moody’s acompanhar a Standard & Poor’s (S&P) e jogar o Brasil no grau especulativo, carimbando os papéis do Tesouro como junk bonds, isto é, como títulos bons para o lixo?
Quando uma agência corta a nota de um país, impõe uma reprovação à sua política econômica. A reprovação pode valer moralmente para quem chefia o governo e para todos os políticos envolvidos nas decisões erradas e nos impasses. Dirigentes da Fitch, como de outras agências, têm mencionado a crise política e a corrupção em seus documentos. Mas quem, no Congresso ou na chefia dos partidos, incluído o PT, se importa com isso?
O carimbo do rebaixamento atinge muito mais fortemente a imagem do ministro da Fazenda que a de qualquer outro. Se houvesse perspectiva clara de recuperação econômica, a partir da correção das finanças públicas, o dissabor poderia valer a pena. Mas a recuperação é muito incerta, as possibilidades de piora são consideráveis e isso foi explicitado pelos técnicos da Fitch e da S&P.
Dar a volta por cima pode ser uma ideia tentadora, mas dificilmente justificável no caso do ministro Joaquim Levy. O tempo das meras pressões do PT contra sua presença no governo já passou. O tutor da presidente Dilma Rousseff, o ex-presidente Lula, pede abertamente a demissão do ministro e uma ampla mudança da política econômica.
A imagem do Brasil já é desastrosamente ruim, como o ministro Levy deve ter notado em Lima, durante a reunião do Fundo Monetário Internacional (FMI). Ele mesmo pagou caro pelos desmandos de outros, ao ser acuado, numa entrevista, com perguntas sobre o risco de impeachment e sobre a rejeição do balanço fiscal do ano passado pelo Tribunal de Contas da União (TCU). Foi salvo pela intervenção da diretora-gerente do FMI, Christine Lagarde. Não parece, no entanto, ter aprendido.
Petistas e analistas a serviço do ex-presidente Lula acusam o ministro Levy pela crise, como se a recessão fosse consequência de sua política – um ajuste de fato nunca iniciado. Sua imagem será manchada pelo fracasso no ajuste, mas alguns o criticarão por ter tentado ajustar as contas. Sem nunca o ter prestigiado, a presidente Dilma estará ocupada demais para defendê-lo. Os causadores do desastre sorrirão e Levy será humilhado. Ele deve saber disso, mas, incompreensivelmente, insiste em ficar.
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MADURO ESCANCARA A DITADURA

Editorial de O Estado de S.Paulo
O governo da Venezuela segue firme no rumo da autocracia. No início do mês, a Sociedade Interamericana de Imprensa (SIP, na sigla em espanhol) afirmou que já não se pode considerar o regime vigente na Venezuela nem como uma “democracia precária”. As reiteradas violações do Estado de Direito e das liberdades fundamentais determinam que se considere o regime uma ditadura, declarou a entidade.
A constatação da grave situação venezuelana é agora reforçada pela resistência do governo em permitir um “trabalho de observação objetivo, imparcial e abrangente” nas próximas eleições parlamentares, conforme denuncia o Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
As autoridades venezuelanas acharam-se no direito de rejeitar o nome proposto pelo Brasil – Nelson Jobim, ex-ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) – para presidir a missão da União de Nações Sul-Americanas (Unasul) constituída para acompanhar as eleições de dezembro. Querem alguém mais alinhado com suas estripulias ditatoriais.
Ainda que o nome de Jobim tenha sido aprovado pela Presidência da República e pelo Itamaraty, nem a presidente da República Dilma Rousseff nem o chanceler Mauro Vieira denunciaram o evidente abuso de Maduro, que quer escolher até quem preside uma comissão que só tem sentido se for independente. Preferiram o silêncio cúmplice, deixando o TSE sozinho na denúncia de que foi impedido de “acompanhar a auditoria do sistema eletrônico de votação”, bem como de “iniciar a avaliação da observância da equidade na contenda eleitoral, o que, a menos de dois meses das eleições, inviabiliza uma observação adequada”.
A questão, no entanto, não se resume à recusa do nome de Jobim. O governo venezuelano não concordou em conceder à missão de observadores livre acesso às seções eleitorais. Deseja que o trabalho de fiscalização fique restrito a algumas zonas eleitorais previamente escolhidas pelos homens de Maduro.
O governo venezuelano quer uma missão da Unasul amordaçada e rejeitou a proposta brasileira de garantir que a missão de observadores pudesse emitir um parecer final sobre as eleições, após a divulgação do resultado das urnas. É ver e dar a bênção – nada de ficar emitindo opinião. É o que convém a uma ditadura.
Nicolás Maduro não quer observadores isentos. Deseja que a missão da Unasul sirva apenas para legitimar sua farsa eleitoral. Ao menos nisso, o presidente venezuelano é explícito. Faz questão que os integrantes da missão da Unasul não sejam tratados como “observadores”. Estarão lá como meros “acompanhantes do processo eleitoral” e, ainda por cima, sem qualquer prerrogativa diplomática.
Frente a esse tipo de atitude do governo venezuelano, bem reagiu o TSE afirmando que não participará da missão da Unasul às eleições parlamentares naquele país. A proposta do tribunal brasileiro visava simplesmente “verificar se as condições institucionais vigentes no país asseguram equidade na disputa eleitoral”. No entanto, isso é demasiado arriscado para Maduro.
A situação na Venezuela é grave. Não há imprensa livre. Não existem veículos de comunicação independentes que não tenham sido vítimas da censura do governo. Diversas leis foram criadas para constranger o trabalho jornalístico, ao arrepio do que prevê a Constituição venezuelana, que garante a liberdade de expressão. As empresas de mídia sofrem de asfixia econômica. E os donos dos meios que ousam desafiar o pensamento único são vítimas de processos judiciais viciados. Segundo relatório da Comissão de Liberdade de Imprensa e Informação da SIP, houve na Venezuela, somente no último semestre, cerca de “300 violações dos direitos à liberdade de expressão, ataques a jornalistas, criminalização da atividade jornalística e limitações do acesso à informação”.
Não há imprensa livre. Não há eleições livres. Continua a haver, no entanto, o imoral apoio do governo brasileiro a tudo isso. Até quando o Palácio do Planalto fingirá que nada vê?
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CONTANDO...

Charge do Sinfrônio, via Diário do Nordeste
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O RALO

Por Consuelo Dieguez, Piauí
A sede do sindicato dos metalúrgicos de Pernambuco fica numa arborizada rua de paralelepípedos próxima ao centro histórico do Recife. O movimento ali costumava ser igual ao de qualquer entidade de classe. Uma ou outra rescisão de contrato de trabalho, pedidos de informações, certa agitação em época de campanha salarial. Costumava ser assim. Desde janeiro, o sindicato vive outra rotina. Diariamente, por volta das oito da manhã, dezenas de homens de todas as idades, com expressões que vão da passividade ao desconsolo, chegam ao acanhado prédio de dois andares para homologar suas demissões.
Todos vêm de um único lugar: o Estaleiro Atlântico Sul, das empreiteiras Queiroz Galvão e Camargo Corrêa, em Ipojuca, a poucos quilômetros do Recife. São tantos os dispensados que o sindicato decidiu reuni-los no auditório da entidade não só para agilizar o processo, mas para evitar o constrangimento adicional de filas do lado de fora do prédio. No espaço de cerca de 60 metros quadrados, sentados em carteiras escolares, os metalúrgicos aguardam em silêncio o chamado de seus nomes.
O Atlântico Sul entrou em operação em 2008, com o objetivo de fabricar para a Petrobras navios e sondas que seriam utilizados na produção de petróleo na camada do pré-sal. O estaleiro atrasou as entregas e teve canceladas 16 das 22 encomendas de navios feitas pela Transpetro – o braço logístico da Petrobras –, embora já tivesse recebido boa parte dos recursos para tocar as obras.
A situação se complicou ainda mais no ano passado. Atolada numa crise financeira, a Petrobras cancelou encomendas futuras. Para piorar, tanto a estatal quanto as empreiteiras encarregadas das embarcações foram flagradas no escândalo da Operação Lava Jato. Com graves problemas de caixa, o Atlântico Sul reduziu o ritmo das obras e fez um drástico corte de pessoal. Dos 5 mil metalúrgicos que trabalhavam no estaleiro no final do ano passado, mais de 2 250 já haviam sido dispensados até setembro deste ano.
Na sede do sindicato dos metalúrgicos de Niterói, no estado do Rio, o quadro não é muito diferente. Numa terça-feira de setembro, postados atrás de um balcão de madeira, dois funcionários da entidade chamavam por ordem alfabética os trabalhadores demitidos do estaleiro Mauá Eisa Petro-Um. O estaleiro fechou as portas em julho, deixando de entregar para a Transpetro três navios em construção.

Naquele dia, o sindicato fez 102 homologações de rescisão, só de metalúrgicos cujos nomes começavam pela letra R. Uma centena de Rafaéis, Reinaldos, Renans, Ricardos. Para o dia seguinte, outra leva com a letra R – de Robsons, Rodrigos, Ronaldos – também já estava agendada. Com o fechamento do estaleiro, 2 mil metalúrgicos perderam o emprego. A maioria ainda não recebeu nenhuma indenização. O dono do Mauá, o empresário Germán Efromovich, proprietário da companhia aérea colombiana Avianca, alega falta de recursos. 
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GELO SOCIALISTA

Um dos expoentes do PSB anos atrás – já presidiu a legenda -, Roberto Amaral, ex-ministro da Ciência e Tecnologia de Lula e hoje governista, foi abandonado pelo partido.
Ninguém da cúpula do PSB apareceu no lançamento de seu novo livro, 'A serpente sem casca', na noite de terça-feira em Brasília. O ministro Miguel Rosseto (Trabalho e Previdência) e o deputado Arlindo Chinaglia prestigiaram. Ambos são petistas.
Amaral hoje é mais festejado por petistas que socialistas. Não por acaso, o prefácio do livro foi escrito pelo ex-governador gaúcho Tarso Genro. Pela amizade, a deputada Luiza Erundina (PSB-SP) assinou uma apresentação. De nomes conhecidos do PSB, além dela, apenas a senadora Lídice da Mata (BA) compareceu.
O gelo socialista é o preço pago por Amaral por contrariar a decisão de oposição ao Governo, decidida pelo PSB. O ex-ministro ganhou de Dilma um cargo como conselheiro da usina binacional Itaipu.
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IGUARIAS APREENDIDAS

Ao desembarcar no Aeroporto Salgado Filho, em Porto Alegre, o deputado estadual Mário Jardel  (PSD) teve 10 quilos de bacalhau transportados dentro da mala apreendidos, segundo informações do Ministério da Agricultura. A apreensão ocorreu na terça-feira (20).
De acordo com o órgão, o transporte desse tipo de alimento só pode ser realizado com a apresentação de uma certificação sanitária emitida pelo país de origem, uma vez que o produto tem entrada proibida no Brasil. Foram apreendidas ainda nozes, conservas de pescado e cerca de 1,2 kg de queijo.
A fiscalização é realizada como procedimento de rotina, por amostragem, com os passageiros que desembarcam de voos internacionais. Os alimentos foram destruídos.
No roteiro de 10 dias estavam visitas à Santa Casa de Lisboa, à federações portuguesas de futebol e de desporto para pessoas com deficiência e à Expomilano, em Milão na Itália.
As passagens aéreas para os dois chegam perto de R$ 18 mil. O assessor gastou R$ 5,8 mil e o parlamentar, o dobro: R$ 11,9 mil. Em ofício enviado pelo gabinete de Jardel à Mesa da Assembleia, é solicitada uma passagem de classe executiva ao ex-jogador, "pois o mesmo é uma pessoa de grande estatura e fica extremamente desconfortável nos assentos normais".
De acordo com as normas da Assembleia, os deputados não precisam comprovar a necessidade da viagem para receber autorização, apenas elaboraram um relatório com as atividades realizadas quando voltam.
Por meio da assessoria de imprensa, Jardel disse que não sabia da restrição e que entregou todos alimentos aos fiscais quando foi abordado.
Do G1, RS
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CURSO DE INGLÊS

A Presidência da República gastará, este ano, R$ 346,686 mil com cursos de inglês para 155 servidores lotados no Palácio do Planalto e demais órgãos do governo.
Os cursos são ministrados pela Universidade de Brasília (UnB) e a Casa Thomas Jefferson. O contrato tem vigência de 12 meses, podendo ser prorrogados por iguais e sucessivos períodos até 60 meses.
De acordo com a assessoria do Palácio do Planalto, os cursos que incluem aulas presencias (UnB) e à distância (Thomas Jefferson), integram o plano anual de capacitação dos servidores da Presidência.
Cada aluno tem o custo individual anual de R$ 2.236,68 mil.
O montante pago pelas aulas de inglês, por exemplo, daria para pagar o salário de 180 professores da rede pública de ensino.
Edjalma Borges, via Blog do Noblat
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quarta-feira, 21 de outubro de 2015

DESFAZER O NÓ LULOPETISTA

Artigo de José Aníbal
No seminário sobre Energia realizado pelo Instituto Teotônio Vilela (ITV), semana passada, no Rio de Janeiro, um dos palestrantes, a propósito da inação e inércia do governo, disse que “pessoas desorientadas nunca fazem coisas boas”. Por isso, nas qualificadas apresentações de propostas sobre iniciativas urgentes para sair da crise, não foi considerada a hipótese de alguma nova tecnologia para armazenamento dos ventos!
Falar de energia é falar com todos os brasileiros. Afinal, a conta da bancarrota do setor está sendo paga por toda população. Cada família de milhões de brasileiros recebe mensalmente a visita indesejada de Dilma por meio da conta de luz implacavelmente aumentada, expropriando parte expressiva da sua já minguada renda. Uma apropriação indébita que não tem paralelo em nossa história, da ordem de 2, 3, 4 ou mais por cento sobre o suado ganho mensal. Contas que passaram de 40 para 80 reais, de 70 para 150, de 110 para 225. Um verdadeiro assalto para compensar o momento de insanidade voluntarista da presidente com propósito meramente eleitoreiro. Ela disse que estava mudando para diminuir a conta. Aconteceu ao contrário, como sempre, quando se trata de Dilma e do lulopetismo.
O desastre do setor elétrico que pagamos mês a mês, por si só seria motivo para condenar Dilma por crime de responsabilidade. Semelhante ao que cometeu com sua cumplicidade no assalto à Petrobrás, aos bancos públicos, aos fundos de pensão, à corrupção endêmica. As pedaladas foram (são) o artifício criminoso para enganar. Quanto a Lula, as denúncias sobre filhos, nora, compadre, apartamentos, sítios, tráfico de influência, enriquecimentos suspeitos se multiplicam. O fato é que Dilma, Lula e o PT quebraram o Brasil.
O impacto de todos os desmazelos que se ampliam a cada dia, sem perspectiva de mudança, justifica a terrível perspectiva de que não só 2015 acabou, mas também 2016 será um ano perdido. Perdido para o Brasil, perdido para os brasileiros. Desemprego, empresas quebrando, investimentos zerados, PIB de menos 3%, projetos adiados, inflação de 10%, sonhos desfeitos.
No dia a dia, a população vai sendo tomada por sentimentos de medo, paralisia, desamparo, desesperança e revolta. Pior, por algo para o qual ela nada fez, salvo confiar no que se revelou, em seguida, um estelionato. Dez longos meses passados da posse de Dilma, tudo se agrava. Na arena política, os embates se sucedem expondo o lamaçal que a presidente amplia a cada dia com negociações espúrias envolvendo qualquer naco de poder, inclusive os propiciados pelo Ministério da Saúde.
Paralelamente, Lula, sempre ele, com a retórica malandra que lhe é peculiar, opera para que a desagregação de Dilma continue sob controle. Tempo ao tempo enquanto o personagem central do drama, o povo brasileiro, vai ficando à mercê do prolongamento dos horrores da crise.
Sabemos o que quer o governo. Operar com o rebaixamento geral das expectativas, empurrando do jeito que der o dia a dia da crise, atuando para que o “somos todos iguais”, ao fim e ao cabo, prevaleça. É aí que Lula, tutelando Dilma, mas sem se confundir com ela, deposita suas expectativas. Se der certo, vai inventar uma narrativa qualquer para se posicionar à frente.
As oposições tem que fazer o que é necessário e certo para resgatar a credibilidade e a confiança dos brasileiros. À luta política no Parlamento, é urgente associar a interlocução com os movimentos da sociedade que se manifestam e descreem neste governo para sair da crise. A legítima exasperação quanto à imprevisibilidade do que ocorre na arena política, certamente encontrará um caminho mais promissor na sintonia com uma sociedade que pode tornar a relativa paralisia, numa ação consequente, audaciosa e democrática para desfazer o nó lulopetista.
José Aníbal, é presidente nacional do Instituto Teotônio Vilela e senador suplente pelo PSDB-SP. Foi deputado federal e presidente nacional do PSDB.
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A CARA DO BRASIL

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OS IMORAIS

Artigo de Mary Zaidan
Moral. Prática em desuso na política, a palavra reinou no discurso da presidente Dilma Rousseff durante o 12º Congresso da CUT, que recebeu também o ex Lula e toda a sua beligerância contra quem não reza por sua cartilha. Pelo histórico de ambos e as demonstrações feitas a rodo na semana passada, nem um nem outro conhece o significado do verbete.
Dilma apontou o dedo para a oposição vociferando contra “moralistas sem moral”. Sem gaguejar – o que é raro em suas falas –, garantiu que nunca fez “da atividade política e da vida pública meios para obter vantagem pessoal de qualquer tipo”.
É mais uma adepta do conceito torto de moral difundido por Lula e o PT.
No código moral do petismo, tudo valia – mentir, barganhar, vender a alma e até roubar -, desde que em nome do projeto do partido, o único capaz de salvar os pobres e desassistidos das garras dos liberais, dos ricos. Hoje, essa é premissa superada.  Vale tudo e muito mais.
A desfaçatez e a roubalheira grassam em todos os cantos. Cobram-se comissões e desvia-se dinheiro público para encher os bolsos. Engorda-se a conta bancária interna e externa de gente do PT e de aliados para continuar no poder, segurar cargos e privilégios e tentar blindar companheiros metidos em sucessivos escândalos. Lula, seus filhos e até uma nora são alguns dos protagonistas.
É fato que, diferentemente do que ocorre com gente até do primeiro escalão petista, não paira sobre Dilma a suspeita de que ela tenha surrupiado um único tostão. Mas o seu comportamento, o que fez e faz, tudo está longe da dignidade reclamada por ela, anos-luz de distância da moralidade.
No código que tomou de empréstimo do seu patrono, ela não considera imoral mentir deslavadamente para aniquilar adversários, como fez com Marina Silva. Nem ludibriar o eleitor vendendo o país cor-de-rosa e prometendo o impossível, como o trem-bala, a construção de seis mil creches ou 800 aeroportos regionais.
Não é imoral nem aética a barganha sórdida urdida em parceria com Lula para frear seu impedimento, entregando ministérios a quem não tem qualquer competência para conduzi-los; permutando fartos nacos do Estado pela garantia de seu mandato. Reveste-se de moral o ato de voltar atrás no compromisso de acabar com três mil cargos comissionados, agora necessários para que os aliados votem pela permanência da presidente rejeitada por mais 70% do país.
É também moralmente defensável negociar e proteger o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), enrolado até o último fio do cabelo em milhões inexplicáveis e não declarados. Nesse caso, diga-se, boa parte da oposição comete imoralidade idêntica.
Não há qualquer indício de que Dilma tenha desviado recursos para a sua conta. Mas é difícil crer em sua inocência. Ainda que como cúmplice, estava lá com poder de mando, como ministra das Minas e Energia e presidente do Conselho, quando se institucionalizou a bilionária ladroagem na Petrobras.
Era a candidata à reeleição quando mentiu sabendo que mentia. Foi desonesta, imoral.
Moral é um conjunto de princípios e virtudes que norteiam o comportamento. Não é blablablá para agradar plateias. Moral não inclui bravatas nem tergiversação. Muito menos permite leituras singulares como o petismo adora fazer e Dilma repete.
Moral da história: serão os brasileiros com moral que pagarão a conta dos sem-moral. Daqueles que se acham acima de qualquer moral, que protegem e compram imorais.
Mary Zaidan, jornalista. Via Blog do Noblat
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SENHORA, SENHORA, SENHORA...

Charge do Sinfrônio
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terça-feira, 20 de outubro de 2015

SEGURANÇA ILUSÓRIA

Editorial O Globo
Em meio à crise política, em que se destacam uma presidente de muito baixa popularidade e uma base parlamentar instável, propostas de adulteração do Estatuto do Desarmamento tramitam pelo Congresso sem chamar maiores atenções. Trata-se de algo muito perigoso para a sociedade, pois o objetivo das alterações é enfraquecer o Estatuto, sob a falsa ideia de que a população precisa de armas para se defender. Ora, é o contrário.
Um relatório com várias mudanças deletérias poderá ser votado em comissão especial esta semana. Entre outras, a redução de 25 para 21 anos do limite mínimo de idade para a compra de armas, o aumento no número de categorias profissionais com acesso à posse e ao porte, redução de exigências para a aquisição de armamentos e até mesmo a eternização do registro concedido pela Polícia Federal.
Equivaleria a eliminar a vistoria de veículos, oportunidade que as autoridades de trânsito têm para checar o pagamento de multas, as suas condições de tráfego etc. No caso das armas, acabará qualquer monitoramento sobre elas e seus donos. Será um cheque em branco.
Caso o projeto prospere no Congresso e venha a ser sancionado no Executivo, o Brasil terá ido na contramão de um movimento contra a banalização no acesso a armas que avança no paraíso delas, os Estados Unidos, onde se multiplicam os casos de chacinas praticadas por pessoas desequilibradas, sem as mínimas condições emocionais de ter armamentos.
Cresce entre os americanos a conscientização de algo simples: quanto mais disponíveis estiveram as armas, maior o risco de tragédias. O próprio Estatuto comprovou a regra, pois o ano em que passou a vigorar, 2003, registrou, segundo o Mapa da Violência, a mais elevada relação entre mortos por armas de fogo por grupos de 100 mil habitantes: 22,2, pouco mais que o dobro do índice a partir do qual, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), a violência se torna endêmica. Com a lei, os índices caíram.
As diversas campanhas feitas para o recolhimento voluntário de armas têm sido acompanhadas pela redução no número de mortos e feridos nas regiões que melhor atendem às mensagens para o desarmamento. A queda no número de vítimas não apenas evita dramas familiares de difícil reparação, como tem impacto positivo no sistema público de saúde, quase sempre pressionado por falta de recursos.
É ilusório achar que a pessoa armada está mais segura. Há pesquisas que mostram o contrário. Segundo uma delas, divulgada em recente “Profissão Repórter”, da TV Globo, feita sobre casos de roubo à mão armada, 27% evitaram o crime, 26% ficaram feridas e 46% morreram. Comprova-se que um cidadão armado tem poucas chances diante de um bandido adestrado.
O projeto de desmontagem do Estatuto surgiu da “bancada da bala”, em que militam parlamentares cuja campanha é financiada pela indústria do ramo. É tudo muito coerente.
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NA CUECA, NO COLCHÃO...

O ex-deputado petista André Vargas era uma estrela em ascensão na política e na vida pessoal até que veio a Operação Lava-Jato. Policiais e procuradores descobriram que o parlamentar paranaense, ao mesmo tempo em que galgava degraus em sua escalada no poder em Brasília, mantinha negócios escusos com o doleiro Alberto Youssef, um dos operadores do petrolão. Vargas voava nas asas de um jatinho de Youssef e, em contrapartida, usava sua influência para cavar contratos públicos que rendiam dinheiro à quadrilha. Mas isso ainda era só a ponta das atividades extras do parlamentar. Ele também faturava comissões em troca de contratos que arrumava no governo para uma agência de publicidade amiga. Vargas foi preso, teve o mandato cassado e já recebeu do juiz Sergio Moro sua primeira condenação: catorze anos de prisão. O que ele fazia com as propinas que recebia? Isso ainda está sob investigação, mas ele mesmo forneceu uma pista.
O ex-deputado prestou na semana passada um depoimento ao juiz Sergio Moro. Vargas é acusado de comprar uma casa em Londrina, cidade onde construiu sua carreira, com dinheiro de propina, um negócio de 1 milhão de reais. Indagado sobre a origem de 480 000 reais usados para completar a transação, o ex-deputado foi rápido na resposta: disse, sem maiores explicações, que era um dinheiro que ele vinha guardando havia anos, fruto de economias pessoais. "Eu guardava para uma eventualidade", afirmou ao juiz. A explicação provavelmente é verdadeira. O motivo do cuidado é que é absolutamente falso.
Estudos já demonstraram que a quantidade de dinheiro vivo que circula em uma economia está diretamente ligada aos níveis de corrupção do país. No Brasil, onde quase 40% das transações são feitas em dinheiro, a percepção de corrupção entre a população, medida pela Transparência Internacional, fica em 43 pontos - em uma escala em que zero é o maior grau de corrupção e 100 é a honestidade absoluta. Já em países nos quais há menos "cash" na praça - nos Estados Unidos, as cédulas respondem por cerca de 20% das transações, e em lugares como Reino Unido e Áustria, menos de 10% -, a percepção de corrupção é muito mais fraca: fica acima dos 70 pontos. "Há uma correlação direta entre corrupção e dinheiro vivo. Por que outra razão uma pessoa faria transações altas com cédulas num país com sérios problemas de segurança?", questiona o economista Gil Castello Branco, da ONG Contas Abertas.
Da Veja
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segunda-feira, 19 de outubro de 2015

CONTAGEM REGRESSIVA

Editorial O Globo
Contagem regressiva para definição sobre ajuste
Como a velocidade da evolução da crise política não atende às necessidades terapêuticas da crise econômica, há a percepção de que as respostas do governo e do Congresso para estabilizar a economia, e preparar a retomada do crescimento, não chegarão a tempo. E o pior é que as medidas anunciadas até agora não são as adequadas.
Como a vida não para à espera dos políticos e do Planalto, na quinta-feira mais uma agência internacional, a Fitch, rebaixou a nota de risco do Brasil, de BBB, para BBB-, deixando o país a apenas um passo da saída do “grau de investimento”, selo de qualidade para os investidores.
Antes, a S&P, outra agência, maior que a Fitch, rebaixou o país para o “nível especulativo” — investimento no Brasil passou a ser de alto risco. Entre as justificativas, o envio ao Congresso pelo governo de uma proposta de Orçamento para 2016 com déficit, algo inédito. Reconhecido o erro, o Planalto se mobilizou para remeter ao Legislativo um conjunto de propostas embaladas como de ajuste fiscal, em que se destaca a recriação da CPMF, imposto renegado pelas distorções que provoca, e, por isso, com baixa probabilidade de ser carimbado pelo Congresso.
O ministro da Fazenda, Joaquim Levy, não se cansa de repetir a meta de 0,7% de superávit primário para o ano que vem. E, com razão, alerta que, sem reequilíbrio fiscal, não haverá crescimento.
Para a preocupação geral, mesmo que a CPMF viesse a ser recriada, o nó fiscal continuaria atado. Por conveniência política, para não afrontar aliados e o próprio partido, o PT, o Planalto não aborda a crise fiscal em toda a sua dimensão.
Em artigo publicado na segunda-feira no GLOBO, o economista Raul Velloso voltou a chamar a atenção para pontos essenciais da crise: de 2002, quando Lula ganhou o primeiro mandato, ao ano passado, fim do governo Dilma I, as despesas primárias (sem considerar os juros) da União cresceram 344%: bem mais que a inflação de 108% do período e a expansão real do PIB, de 46%.
Se cortes pudessem ser feitos, a questão não seria tão grave. Mas não podem: 75% do Orçamento são para pagar a pessoas — aposentadorias, outros benefícios previdenciários, funcionalismo, bolsas e demais programas ditos sociais. São recursos engessados por lei, ou razões políticas, e indexados à inflação ou ao salário mínimo, cuja fórmula infla uma parcela grande das despesas, mesmo numa profunda recessão como agora. Em janeiro, por exemplo, o salário mínimo subirá cerca de 10%, com brutal reflexo sobre bilhões em gastos. Calcula-se que apenas o novo mínimo inchará os gastos em 0,2% do PIB, enquanto cai a arrecadação tributária. Do Orçamento, há ainda a obrigatoriedade de 8% irem para a Saúde e 4%, para a Educação.
Não há possibilidade, portanto, de se obter algum superávit substancial sem se alterar as regras de engessamento e de indexação dos gastos. É preciso, ainda, lançar logo reformas como a da Previdência, para desanuviar o horizonte da economia.
A fim de quebrar a rigidez na administração orçamentária, existe a DRU (Desvinculação de Recursos da União), emenda constitucional que precisa ser aprovada até o fim de dezembro. Desengessará 30% até dezembro de 2023. A DRU é um “jeitinho” criado ainda na Era FH para contornar esta vinculação excessiva.
O tempo passa e muita coisa precisa ser feita até 31 de dezembro, para vigorar logo no dia 1º de janeiro. Mas, devido à crise política, o Congresso resiste até mesmo a renovar a DRU. Fazem sentido, então, o clima tenso e o pessimismo de agências de avaliação de risco.
Para agravá-los, ainda há o discurso piromaníaco de Lula contra o ajuste fiscal. A saída, para ele e seguidores lulopetistas, é retornar à política anterior do “novo marco macroeconômico” — juros baixos e mais gastos, sempre na base da “vontade política”. Mas o “novo marco” é a causa da crise. Imagine-se o que acontecerá. O risco é o ajuste fiscal ser feito de forma selvagem, à la grega, pelo mercado, por meio de uma hiperinflação, acompanhada de profunda recessão, pior que a atual.
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ÀS ESCONDIDAS E DISFARÇADO

Eduardo Cunha soube, ontem, muito cedo que o repórter Wladimir Neto, da TV Globo, havia tido acesso à integra da denúncia contra ele apresentada ao Supremo Tribunal Federal pelo Procurador Geral da República. Estava na residência oficial do presidente da Câmara, na QL 12 do Lago Sul, em Brasília.
Decidiu então cancelar o expediente no seu gabinete da Câmara. Sabia que, ali, seria acossado por jornalistas. E não queria se arriscar a sofrer constrangimentos do tipo ser vaiado pelos servidores. Está sendo convocada uma manifestação contra ele para a próxima terça-feira às 17h na entrada da Câmara.
No fim da tarde, aconselhado por amigos e funcionários da Câmara, trocou o carro oficial de presidente por um descaracterizado. E assim rumou para o aeroporto com destino ao Rio. Foi o mais discreto que pôde no embarque e no desembarque. Sua popularidade começou a rolar ladeira abaixo.
Como em tais condições pretende exercer as obrigações que o cargo lhe impõe? Há deputados prontos para provoca-lo na primeira sessão da Câmara que ele presida. E outros que baterão em retirada do plenário tão logo ele seja visto por lá.
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A ESCOLHA DE SOFIA

Artigo de Fernando Gabeira
Quem cai primeiro: Dilma ou Eduardo Cunha? Essa, para mim, é uma escolha de Sofia, a personagem que teve de decidir qual dos dois filhos seria sacrificado. Sofia queria que ambos sobrevivessem, daí a angústia de sua escolha. No caso brasileiro, gostaria que os dois caíssem e, se possível, levassem também o Renan Calheiros.
Para o ex-ministro Joaquim Barbosa, o impeachment de Dilma é uma bomba atômica. Mesmo discordando de sua conclusão, acho que a imagem é útil e nos remete ao período da Guerra Fria, no qual a ameaça de uma hecatombe nuclear se tornou um fator de equilíbrio.
Eduardo Cunha tem contas na Suíça e foi detonado por quatro delatores. Hoje, conta com a simpatia da oposição. O líder do PSDB fez um discurso nauseante de apoio a Cunha na CPI. Fiquei tão chocado que escrevi mensagem de protesto para seu gabinete.
Mas Cunha floresceu no período do PT. Era líder de seu partido, o PMDB, comandava votações e nas questões econômicas fechava com o governo. O processo de degradação que o PT favoreceu acabou levando a uma consequência lógica na Câmara: o mais hábil e experimentado bandido acabaria ocupando a presidência.
A imagem de Barbosa serve, no entanto, para descrever o quadro. O impeachment tem valor para Cunha apenas como ameaça. Ele sabe que o impeachment de Dilma, imediatamente, levaria à sua própria queda. Dilma e Cunha necessitam um do outro e talvez evitem a guerra até que um deles caia por si próprio, derrubado pelos cupins que o consomem. Só existe um fator capaz de trazer alguma esperança: a participação popular. Sem ela, o Congresso fica perdido, os dramas vão se arrastar e reduziremos as chances de prosperidade das novas gerações.
Lula, por exemplo, escolheu um caminho de defesa: os fins justificam os meios. As pedaladas fiscais aconteceram para financiar o Bolsa Família e o Minha Casa Minha Vida. É um argumento tenebroso porque engana os mais ingênuos e continua dando à quebra das regras do jogo um certo charme de Robin Hood. Acontece que o governo não pedalou apenas com os gastos sociais. Fez inúmeras despesas, em torno de R$ 26 bilhões, sem consulta ao Congresso. Em qualquer democracia do mundo, isso é crime bem mais grave do que comer um bombom na mesa do delegado da PF.
Não importam Teoris e Rosas e outros juristas vestidos de preto, com uma linguagem empolada. Nessa semana fizeram o que condenamos nos juízes de futebol: apitaram perigo de gol. O governo acentuou seus erros num ano eleitoral precisamente para dizer agora: esqueçam o passado, não sou responsável por ele. E, com esse argumento, pedalou até em 2015.
Enquanto potencialmente puder acenar com o impeachment de Dilma, Cunha ficará vivo. E enquanto tiver Cunha como seu grande oponente, o governo vai propor a ele um acordo de sobrevivência. É uma dádiva para o PT que ele tenha encarnado a oposição.
Dizer que nada vai se resolver enquanto for decidido por cima não é, necessariamente, pessimismo. Milhões de pessoas rejeitam Dilma e Cunha. Mas não podem apenas esperar que um destrua o outro. Ou supor que as instituições, por si próprias, encontrem a saída. O Brasil está vivendo, de novo, aquele dilema do personagem de Kafka que esperou anos diante da porta do castelo, para descobrir que ela sempre esteve aberta.
Nossa oposição é medíocre, o Supremo aparelhado pelo PT, que se gaba de ter pelo menos cinco ministros na mão. Os principais personagens, Dilma e Cunha se equilibram pelo terror.
Milhões de pessoas querem mudança. Mas esperam que aconteça num universo petrificado de Brasília. As coisas se parecem um pouco como aquele poema de John Donne sobre sinos dobrando. Não pergunte por quem dobram, pois dobram por você. De uma certa maneira, não será o Cunha, Congresso ou Supremo que resolverão essa parada. Ela depende de cada um.
Enquanto os atores institucionais e seus cronistas nos reduzirem apenas a expectadores, esse filme de quinta categoria não acaba nunca. Não quero dizer com isso que precisamos fazer manifestações cada vez maiores, para os jornalistas medirem, fita métrica na mão, o nosso avanço.
Com mais de meio século de experiência nas ruas, cheguei à conclusão de que nelas, como em outros lugares, não é só a quantidade que conta. Há um grande espaço para a qualidade e invenção. Mesmo sem nenhuma garantia de que esse caminho dê certo, ele tem, pelo menos, a vantagem de estar nas nossas mãos.
Da anistia às diretas, passando pela queda de Collor, as conquistas populares foram notáveis. Mas assim como na profissão de jornalista, o passado é muito bom mas não serve de consolo para os desafios do momento. O foco é sempre a próxima tarefa.
E o Brasil parece ter empacado na próxima tarefa. Ela não se resume na troca no poder, mas também na busca de um crescimento sustentável em todos os sentidos. Não podemos mais voar como galinha nem seguir, desvairadamente, destruindo recursos naturais.
Alguns amigos sonham com a garotada que vem aí. Mas os ombros dos jovens não precisam suportar o mundo. O futuro interessa também aos que não estarão vivos para presenciá-lo.
Artigo publicado no Segundo Caderno do Globo em 18/10/2015
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A PRESIDENTE PERDULÁRIA

José Casado, O Globo
Dilma custa aos brasileiros o dobro da rainha Elizabeth II para os britânicos
A presidente vai reduzir seu salário, do vice-presidente e dos 31 ministros a partir de novembro. Dilma Rousseff ganha R$ 26,7 mil mensais e deve perder 10%, pouco mais de três salários mínimos.
O corte salarial no topo do poder, porém, é meramente simbólico num governo onde os gastos são crescentes.
O caso da Presidência da República é exemplar. Na última década, se tornou um agrupamento burocrático de dezenas de organismos, fundos e secretarias extraordinárias. Gastou R$ 9,3 bilhões no ano passado —210% mais que em 2005, já descontada a inflação do período.
É um volume de dinheiro quase três vezes maior, por exemplo, que o gasto anual do Estado do Rio na manutenção da rede pública de saúde, com 60 hospitais (1.050 leitos de UTI).
Ano passado, as despesas do núcleo administrativo diretamente vinculado a Dilma somaram R$ 747,6 milhões, recorde no primeiro mandato.
Pouco mais da metade disso (R$ 390,3 milhões) foi usado para pagar assessoria e serviços prestados à presidente nos palácios onde trabalha e reside e durante as viagens, segundo dados da Secretaria de Administração da Presidência disponíveis no Portal da Transparência, do governo federal.
Dilma já custa para os brasileiros praticamente o dobro do que a rainha Elizabeth II e a família real para os súditos britânicos. A monarquia consumiu, em 2014, o equivalente a R$ 196,3 milhões, segundo relatório anual da Casa Real, tendo-se como referência a cotação da moeda (libra) no fim de agosto.
Numa comparação republicana, o custeio do gabinete de Dilma equivale a 60% do escritório de Barack Obama. O presidente dos Estados Unidos gastou R$ 648 milhões com serviços na Casa Branca e na residência oficial, segundo relatório sobre a execução orçamentária no último ano.
Em Washington, como em Brasília, parte das despesas presidenciais acaba dissimulada no orçamento. A diferença fica por conta da credibilidade sobre as contas dos dois governos e a eficácia do controle público.
Nos EUA, Congresso e organizações sociais mantêm ativa fiscalização. No Brasil, sobra desconfiança, e o controle é rarefeito. “Aqui, além da pouca transparência, o excesso de truques e maquiagens fez crescer em progressão geométrica o descrédito nas contas governamentais”, diz Gil Castelo Branco, da ONG Contas Abertas.
Em Brasília, a rotina de Dilma fica circunscrita a um raio de 15 quilômetros: trabalha no Palácio do Planalto, mora no Alvorada e passa fins de semana na Granja do Torto, uma casa de campo.
Logo cedo, a presidente passeia nos jardins do Alvorada, à margem do Lago Paranoá, entre araucárias e sibipurunas plantadas por Yoichi Aikawa, jardineiro do imperador japonês Hirohito, que doou o projeto paisagístico há mais de meio século.
Caminha sobre um tapete vegetal três vezes maior que o Maracanã, com sutil variação de tons de verde derivada das gramas Esmeralda (Zoysia japonica), Batatais (Paspalum notatum) e São Carlos (Axonupus compressus). A irrigação e a jardinagem consomem R$ 4 milhões anuais.
Os prédios da Presidência abrigam multidões de servidores públicos, assessores contratados e a mão de obra alugada de secretárias, telefonistas, vigilantes, faxineiros e garçons, entre outros. Os serviços de manutenção somam R$ 220 milhões por ano.
Vigilância e limpeza custam R$ 5,7 milhões anuais. Nas portarias, há um batalhão de vigias. Representam uma fração (R$ 1,5 milhão) de uma das maiores despesas do setor público: R$ 3 bilhões ao ano em policiamento privado, com elevada concentração em quatro grupos (Confederal, TBI, Albatroz e Santa Helena Vigilância).
Ano passado, esse tipo de gasto superou os investimentos realizados por um conjunto de 33 órgãos, incluídos os ministérios do Esporte, das Comunicações e da Cultura.
Há despesas mais prosaicas, como R$ 9,7 mil para quatro camareiras que lavam as roupas do vice-presidente Michel Temer, sob compromisso de “sigilo de informações”. E R$ 7,8 mil para tratamento semanal da piscina do Palácio do Jaburu, onde Temer mora.
Recorrentes mudanças administrativas, produto da instabilidade nas relações da presidente com aliados, levaram à contratação permanente (por R$ 1milhão por ano) de empresa especializada na montagem e desmontagem de paredes divisórias no Planalto.
Cada despesa nova leva uma justificativa pomposa. Exemplo: os R$ 39 mil pagos para encerar o piso de mármore do Planalto têm “o objetivo de manter a nobreza dos ambientes por onde circulam autoridades”, diz o contrato.
O esmero burocrático se reflete na mesa do poder, com espaço para opções individuais, como a escolha do chefe de cozinha. Nem sempre dá certo.
No governo Fernando Henrique Cardoso, por exemplo, um sargento da Marinha foi enviado a Paris com a missão de aprender a cozinhar. Voltou, agradeceu e partiu para a aventura de um negócio próprio.
Nas 28 copas, a prestação de serviços custa R$ 7,4 milhões. Por elas circulam 88 garçons, sempre em camisa branca, calça, paletó de dois botões e cinco bolsos, gravata-borboleta e sapatos pretos.
Há 58 copeiras em calças sem pregas, blusa de mangas três-quartos, em microcrepon (do tipo anarruga), sob avental xadrez preto e branco, com viés nas laterais. Os uniformes são exigência contratual.
A intensidade do movimento entre copa e cozinha varia conforme a predileção do governante por festas e homenagens. O governo Dilma foi de comemorações no primeiro mandato:
gastou-se R$ 302,7 milhões, 40% mais que Lula em oito anos. Em 2014, foram R$ 77,3 milhões, média de R$ 213 mil por cada dia do calendário da reeleição.
Luxo e fartura ambientam as cozinhas dos palácios. Paga-se R$ 9 mil por banho restaurador dos utensílios em prata 925 (esterlina, com 92,5% de pureza). Os gastos com alimentação no Planalto somam R$ 16 milhões anuais.
Desse total, uma fatia de R$ 1,3 milhão fica reservada para prover a despensa, os cardápios sob encomenda e a adega da presidente, com capacidade para 2.000 garrafas. Quase tudo é mantido em segredo.
Aos curiosos, a presidência acena com um decreto (nº 7.724) assinado pela própria Dilma, em 2012, onde se lê: “As informações que puderem colocar em risco a segurança do presidente da República, vice-presidente e seus cônjuges e filhos ficarão sob sigilo até o término do mandato em exercício ou do último mandato, em caso de reeleição.”
Como nem os donos de segredos de Estado conseguem guardá-los, sabe-se que um dos mais caros cardápios é mantido à margem da contabilidade rotineira de copa e cozinha palaciana: custa R$ 2 milhões anuais o serviço de comida a bordo do avião presidencial.
Já foi mais. Em 2006, Lula chegou a gastar R$ 3,7 milhões — mais que a conta dos cinco mil telefones da presidência naquele ano. Ele instituiu um padrão em voos, preservado por Dilma, com variedade de carnes (coelho assado, costeleta de cordeiro, rã, pato, picanha e peixe).
O café da manhã a bordo custa R$ 58,60; a bandeja de frutas, R$ 102; cada canapé de caviar sai a R$ 7; camarão ou salmão defumado, a R$ 4,60.
Em viagens ao exterior, Dilma prefere hotéis às residências oficiais nas embaixadas brasileiras. Em junho, passou três dias numa suíte do St. Regis, em Nova York, decorada por joalheiros da Tiffany.
Depois, passou um dia em São Francisco, Califórnia, no hotel Fairmont, cuja suíte principal tem um mapa estelar em folhas de ouro contra um céu de safira. O custo médio das diárias nos EUA foi de R$ 36 mil.
Para servi-la e à comitiva foram contratados 19 limusines, 15 motoristas, dois ônibus e um caminhão para transportar bagagens. Custou R$ 360 mil (o pagamento atrasou dois meses).
Em Atenas, na Grécia, em 2011, a presidente gastou R$ 244 mil numa “escala técnica" de 24 horas — mais de R$ 10 mil por hora.
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domingo, 18 de outubro de 2015

A SERPENTE E SEUS OVOS

Artigo de Ruy Fabiano
Com ou sem impeachment, uma coisa é certa: a Era PT chegou ao fim. O partido não dispõe de quadros para seguir no comando do país. Seus principais líderes ou estão na cadeia ou empenhados em dela escapar, a começar por quem o simboliza, o ex-presidente Lula, de quem Dilma é apenas marionete.
Não quer isso dizer que a estrutura – CUT, MST, UNE, ONGs  etc. - e as ideias que se apossaram da máquina estatal, e a lesaram como nunca dantes neste país, largarão o osso com tanta facilidade.
A serpente PT botou ovos. Os partidos-satélites, como PSOL, PSTU, PCdoB e mesmo a Rede Sustentabilidade, de Marina Silva – o maior silêncio da crise -, aí estão para receber os sobreviventes.
O próprio PT, ciente de sua impotência eleitoral, concebe a estratégia de compor uma frente partidária de esquerda para as eleições municipais do ano que vem. Rui Falcão, presidente do partido, já explicou como isso funcionaria.
Quer ocultar a estrela da legenda, hoje amaldiçoada, dissolvendo-a em meio a uma frente “progressista”, que tentará levar adiante as “conquistas sociais” que os petistas juram ter estabelecido, embora a crise econômica, decorrente das políticas que o partido concebeu, se encarregue de desfazê-las uma a uma.
A clientela do Bolsa Família é de mais de 45 milhões de pessoas, que há 17 meses não têm reajuste, o que dispensa comentários. Os “mais de 30 milhões que ascenderam à classe média” – e esses números compõem um discurso, não uma demonstração -, se lá chegaram, já fizeram o caminho de volta, segundo as estatísticas de desemprego.
As pesquisas de opinião mostram o desgaste petista nas classes mais carentes, de que foram gigolôs nas últimas décadas. Enfim, o partido que levou o país à falência econômica, política, social e moral precisa salvar-se do naufrágio nos botes salva-vidas que cuidou de providenciar. E não é difícil identificá-los.
Basta ver o empenho, por exemplo, do PSOL em valer-se de Eduardo Cunha como cortina de fumaça para desviar a atenção de infratores bem mais pesados, alguns deles, como os ministros Edinho Silva e Aloizio Mercadante, dentro do próprio Palácio do Planalto. Se Cunha justifica a indignação – e não há dúvida de que sim -, por que Edinho e Mercadante, e a própria Dilma (citada por seis delatores, enquanto Cunha o foi por dois), não?
A indignação seletiva compõe a tecnologia de sobrevivência da esquerda, hoje ancorada em milhares de ONGs que dependem de verbas do Estado para sustentar a vasta militância, inimiga de uma burguesia fictícia, que ela melhor que ninguém representa.
O silêncio de Marina Silva, que em momento algum exibiu qualquer indignação com a roubalheira da Petrobras – até aqui orçada em R$ 20 bilhões -, e só veio a público para opor-se ao impeachment, não surpreende. Tem coerência biográfica.
Ela já se manifestou reiteradas vezes nostálgica do PT, abraçada à tese de que a proposta original era boa, mas foi distorcida – e Lula teria sido arrastado sem o perceber.
A proposta original, no entanto, era essa mesma – e Lula jamais foi outro. Quando se faz um retrospecto da ação do partido antes de chegar à presidência da República, quando agia apenas no âmbito dos municípios, já estava tudo lá.
O que aconteceu, por exemplo, em Campinas, com o assassinato do prefeito Toninho do PT, e em Santo André, com o de Celso Daniel, ao tempo em que o PT era oposição, dá uma mostra dos métodos que seriam expandidos e aperfeiçoados em Brasília.
Marina é fã de Lula – e Lula é quem hoje sabemos. Não o critica, nem a Dilma, ainda que tenha sido ofendida por ambos, em níveis cruéis, na campanha. Prefere silenciar e recolher a militância sobrevivente em sua Rede. É uma pescaria silenciosa, mas não invisível. Pretende herdar a organicidade e a estrutura de uma máquina que se empenha em dar sequência, em grau menos truculento, a um projeto de poder que estava na gênese do PT.
O impeachment, ainda que não saia – e, dada a crise econômica, é difícil imaginar essa hipótese, mesmo com a visível  cumplicidade nos três poderes -, permite que se vislumbre os riscos embutidos no futuro, onde a fênix esquerdista aspira ao renascimento.
Ruy Fabiano, jornalista – via Blog do Noblat
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MAIS UM NO CURRÍCULO

O ex-ministro da Educação e ex-governador do Ceará Cid Gomes assinou neste sábado, em Fortaleza, ficha de filiação ao PDT. Durante a cerimônia, realizada no Ginásio do Náutico Atlético Cearense, Gomes acusou o vice-presidente da República, Michel Temer, de ser o chefe da quadrilha de achacadores que assola o Brasil. E disse que o país não irá avançar com o PMDB na presidência. "Se as coisas estão ruins hoje, não é voltando ao passado com uma oposição conservadora e golpista que iremos melhorar", disse.
"Muito menos o Brasil pode avançar se entregar a Presidência da República ao símbolo do que há de mais fisiológico e podre na política brasileira, que é o PMDB liderado por Michel Temer, chefe dessa quadrilha que achaca e assola o nosso país" , completou Cid Gomes.
Ele também recomendou ao PDT se engajar na campanha que pede a renúncia do presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ). Gomes disse que o partido precisa traçar um projeto de país para disputar a presidência em 2018 e que esse projeto passa pela liderança do irmão dele, Ciro Gomes, também recém-filiado ao PDT.
O discurso de Cid foi feito durante a convenção do PDT cearense. Apenas a metade da quadra do ginásio estava ocupada por militantes. A organização começou a retirar o excesso de cadeiras antes mesmo do final do evento.
Via Veja, com Estadão Conteúdo
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IGUAL A SAL

Em 1992, então governador do Ceará, Ciro Gomes, em meio a uma greve de dois meses da classe médica da rede estadual, Ciro comparou os profissionais a sal: “Branco, barato e tem em todo lugar”.
Numa acinte à memória dos cearenses, Ciro foi nomeado Secretário de Saúde do Ceará, em setembro de 2013. 
Ciro, que sofre de incontinência verbal, vociferou que acabaria com o ‘piscinão’ do Hospital Geral de Fortaleza (HGF), em 90 dias; porque, segundo ele ‘tem as costas largas’. Balela. Não resolveu nada.
A inabilidade para o cargo serviu de válvula propulsora, e Ciro pediu demissão da pasta em janeiro desse ano.
18 de outubro, Dia do Médico. 
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sábado, 17 de outubro de 2015

UM ACORDO IMORAL

Da IstoÉ
A revelação de ISTOÉ, na última semana, de que a presidente Dilma Rousseff reincidiu nas pedaladas em 2015, conferiu data e hora para o pontapé inicial do impeachment. O rito já estava desenhado pela oposição. Mas uma decisão do STF suspendendo liminarmente a liturgia do processo, ao mesmo tempo em que embaralhou o jogo do afastamento de Dilma, deu mais poder à caneta do presidente da Câmara, Eduardo Cunha. E Cunha, descolado em se valer dos pontos fracos de aliados e adversários, não perde uma chance dessas. O tabuleiro do xadrez político foi mais uma vez bagunçado. Os movimentos mais bruscos partiram do Planalto. Em tentativas desesperadas de se salvar, o governo da petista já tinha celebrado uma série de acertos espúrios. Rolou na lama do varejo político, ao entregar os anéis e os dedos ao baixo clero do PMDB. Demitiu auxiliares que tinha na mais alta conta durante a desastrada reforma ministerial e alçou ao primeiríssimo escalão do Planalto políticos mais alinhados com o ex-presidente Lula. Quando parecia que não restava mais nada em termos de conchavos para se safar de um processo de impedimento, Dilma passou a costurar um acordo indecente com Cunha, o deputado enrolado com traficâncias na Petrobras que até outro dia era o seu pior adversário. As negociações avançaram depois que o andamento ou não do impeachment passou a depender apenas de uma decisão monocrática do presidente da Câmara.
Assim, de arquiinimigo, o peemedebista virou o malvado favorito de Dilma, do PT e de Lula. O acordão choca o País e chega a corar de vergonha os próprios petistas – cujos padrões éticos já não servem de exemplo para ninguém há muito tempo. Quem afirma não é um político de oposição, mas o ex-governador do Rio Grande do Sul, Tarso Genro, do PT. Segundo ele, fazer um acordão com Eduardo Cunha, é “entregar a alma ao diabo”.
O problema chave é que Dilma e Cunha confabulam, treinam jogadas ensaiadas, tentam ganhar tempo, mas nunca estiveram tão fragilizados. O acerto entre ambos é tão precário quanto a decisão do STF de cancelar o rito inicial do impeachment – as liminares concedidas por Teori Zavascki e Rosa Weber ainda podem ser derrubadas durante votação do mérito em plenário. Dilma não tem poderes para garantir a salvação a Cunha. Mas o governo dispõe de meios políticos para evitar a cassação dele no Conselho de Ética. E isso é o melhor dos mundos para Cunha. O que ele mais teme é perder o foro privilegiado e acabar em Curitiba, preso pelas mãos do juiz Sérgio Moro. Quem consegue controlar a agenda da Lava Jato?
Cunha, por seu lado, pode até não deferir o pedido de impeachment da oposição. A presidente, neste caso, ganharia um respiro momentâneo. Nada impede, no entanto, que novas revelações empurrem Dilma ao cadafalso. Nem que um outro presidente da Câmara, em substituição a Cunha, coloque em marcha o processo de impedimento da petista.
Com ou sem o apoio do governo, dificilmente Eduardo Cunha conseguirá sobreviver. Na sexta-feira 16, em parecer enviado ao STF, depois de pedir abertura de novo inquérito, o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, afirmou que há indícios suficientes de que o dinheiro encontrado nas contas no exterior atribuídas ao deputado, sua mulher Cláudia Cruz e filha Danielle Cunha “são produto do crime”. As contas de Cunha na Suíça receberam depósitos de pelo menos 4,8 milhões de francos suíços e US$ 1,3 milhão, equivalentes a R$ 23,8 milhões. Os documentos apresentados pelo presidente da Câmara para abertura de uma de suas contas levaram o banco Julius Baer a estimar seu patrimônio em mais de 37 vezes do declarado à Justiça Eleitoral.
No final da semana, a PGR também recebeu das autoridades suíças cópias do passaporte, assinaturas e dados pessoais do presidente da Câmara. No material, a Procuradoria identificou uma frota de carros de luxo utilizados por Cunha e família. Entre os veículos, avaliados em R$ 940 mil, há dois Porsches, uma BMW e cinco SUVs.
Foi incluído na denúncia o teor da delação premiada do lobista Fernando Soares, conhecido como Fernando Baiano. Em um dos depoimentos da delação, Baiano disse que entregou entre R$ 1 milhão e R$ 1,5 milhão em espécie no escritório do presidente da Câmara. O novo revés torna praticamente insustentável a permanência de Cunha no comando da Câmara. E o risco de ele vir a perder o mandato é grande. Na semana passada, um grupo de parlamentares do PSOL e da Rede Sustentabilidade protocolou um pedido de investigação contra o peemedebista por quebra de decoro no Conselho de Ética, assinada por cerca de 50 deputados, 32 deles da bancada do PT. Artífice, ao lado de Lula, do acordão com Cunha, a presidente Dilma também permanece com uma espada pendendo sobre sua cabeça. Na quinta-feira 15, os juristas Hélio Bicudo, Miguel Reale Jr, integrantes da oposição e dos movimentos de rua protocolaram num cartório de São Paulo um novo pedido de impeachment com base das pedaladas fiscais de 2015 reveladas com exclusividade por ISTOÉ.
Em meio às desconfianças sobre a viabilidade do acordão, em curso até o final da semana, Dilma e Cunha pareciam encarnar uma nova versão da parábola do sapo e do escorpião. No caso, ao longo da travessia do rio, os dois vão se alternando nos papéis de sapo e escorpião. É difícil identificar quem é quem. E qual deles será o primeiro a ferir de morte o parceiro de jornada.
Durante a semana, enquanto o ministro Jaques Wagner encontrava-se com Cunha na Base Aérea de Brasília para perguntar o que ele queria receber em troca para salvar Dilma de um impeachment, a presidente da República entabulava o mais duro discurso desde o início da crise contra o que chamou de “moralistas sem moral”. Sentindo-se certamente estimulada por uma plateia favorável, composta por integrantes da Central Única dos Trabalhadores, a petista chamou a oposição de “golpista” e teve a ousadia de perguntar: “Quem tem força moral, reputação ilibada e biografia limpa suficientes para atacar a minha honra?”. A fala indignada foi amplamente aplaudida pelos sindicalistas.
Acordos na surdina e bravatas públicas encenadas são artes do PT. Antes do encontro de Wagner na Base Aérea, o chefe da Casa Civil já havia estado com Cunha no dia 7 de outubro, na residência oficial de Cunha na tentativa de reestabelecer o diálogo. No início de outubro, conforme apurou ISTOÉ, um outro ministro, de passagem pelo Congresso, foi convidado a se dirigir ao gabinete de Cunha a sós, em uma visita de cortesia - comportamento que em tese faria parte de uma relação natural entre os dois poderes. Durante a conversa, o anfitrião deu sinais de que, ao contrário de posicionamentos anteriores, dessa vez haveria brecha e ele toparia construir pontes com o governo. Governo e Cunha começavam ali a costurar a aliança para valer.
Não foi por falta de tentativa anterior. De maio para cá, enquanto a militância petista detonava o peemedebista nas redes sociais e nas ruas, o governo mandava emissários para seduzir Cunha e deter seus movimentos pelo impeachment. Mas o peemedebista, ao não ceder aos encantos das benesses oficiais, não fazia apenas charme. Seus movimentos foram friamente calculados. Profundo conhecedor dos meandros políticos, cercou o governo por todos os lados. Indicou aliados para CPIs que podiam constranger o Planalto, entoou um discurso de rompimento sem volta com o PT, descartou participar da reforma ministerial e insinuou o quanto pôde que prosseguiria com o processo de afastamento de Dilma. Até conseguir enredar o governo na teia que ele próprio teceu.
Assim como Dilma, Eduardo Cunha quer manter o cargo e salvar a própria pele. Ele espera do governo e de sua tropa de choque na Câmara ajuda para barrar no Conselho de Ética um eventual processo de sua cassação. Na atual circunstância política, e com a Lava Jato a todo vapor, é muito difícil que Cunha escape. Mas o Planalto já hipotecou apoio. Por exemplo, na semana passada, Dilma aceitou uma sugestão para empregar na superintendência do Iphan da Bahia uma pessoa indicada pelo deputado José Carlos Araújo (PSD-BA). E o que isso guardaria relação com Cunha? Araújo é nada menos do que o presidente do colegiado que vai decidir a sorte do peemedebista: o Conselho de Ética. O deputado aguardava a confirmação da vaga para seu apadrinhado havia cinco meses. Na avaliação dos articuladores políticos do governo, o “agrado” fará com que o parlamentar baiano passe a ter “boa vontade” com os interesses governistas. Se a orientação for para salvar Cunha, Araújo não hesitará, apostam auxiliares palacianos.
Na ótica duramente pragmática do presidente da Câmara, a oposição teria bem menos a oferecer. A interlocutores, Cunha disse que a oposição andou algumas casas para trás em seu conceito, o que pode ser considerado um elogio. No fim de semana do feriado, sob a avalanche de informações das investigações suíças, os partidos de oposição - PSDB, DEM, PPS e PSB - emitiram uma nota defendendo o afastamento de Cunha da Presidência da Câmara. Cunha retomou as atividades legislativas na terça-feira 13 furioso. “‘Se eu derrubo Dilma agora, no dia seguinte, vocês me derrubam”, afirmou o peemedebista em encontro com oposicionistas na residência oficial da presidência da Casa. O recado estava dado.
Numa outra ponta, percebendo a relação de Cunha com a oposição azedar, Lula entrava em campo para garantir o enlace com o governo. Na tarde de quinta-feira 15, o ex-presidente se reuniu com deputados petistas e, em tom inflamados, discorreu sobre a importância de não haver rachas internos no apoio ao presidente da Câmara. Orientado por Lula, o presidente do PT, Rui Falcão, reforçou as articulações para conter a adesão de correligionários ao “fora, Cunha”.
Ciente dos movimentos de aproximação do governo, em uma conversa com um ministro próximo de Dilma, o presidente da Câmara baixou as cartas. Deixou bem claro que poderia segurar o tempo que fosse a apreciação de pedidos de impedimento contra Dilma. Em contrapartida, gostaria de ver atendidas algumas de suas exigências. “Nunca vi reforma ministerial sem que se mexa na Justiça e na Fazenda”, verbalizou. A crítica ao ministro Joaquim Levy, até semana passada, ainda não havia sido bem compreendida por interlocutores da presidente. Mas o plano de derrubar o ministro José Eduardo Cardozo do comando da Justiça é real. A ideia de Cunha é pressionar pela substituição Cardozo pelo vice-presidente da República, Michel Temer, ideia já acalentada pelo ex-presidente Lula. Dessa forma, calcula o parlamentar, o novo chefe da pasta poderia exercer maior controle sobre a Polícia Federal, ajudar a segurar o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, e blindar petistas e peemedebistas contra vazamentos das investigações da Lava Jato. Integrantes do governo chegaram a considerar a hipótese. Mas Dilma ainda resiste.
Cunha tem o que oferecer em troca. Ele controla as três Comissões Parlamentares de Inquéritos com potencial para dar problemas ao governo e ao PT -- Petrobras, BNDES e Fundos de Pensão. Existe na CPI da Petrobras, por exemplo, requerimento para ouvir Paulo Okamoto, presidente do Instituto Lula. A entidade aparece na contabilidade das empreiteiras investigadas na Operação Lava Jato. Depende apenas de ser agendada, prerrogativa do presidente da CPI, Hugo Motta (PMDB-PB), pupilo de Cunha. A oposição investe contra Lula e seus familiares na CPI do BNDES, mas, a depender do PMDB de Cunha, pode ser encerrada sem uma prorrogação e sem ter produzido nada de relevante. Ao contrário do governo e do cada vez mais enrolado Eduardo Cunha, os oposicionistas não precisam de uma estratégia para sobreviver. Mas já planejam um plano “B” para não sepultar as chances de levar à frente a deposição da chefe do Executivo. Consumado o acordão Cunha-PT, não restará outra alternativa ao PSDB, DEM e PPS senão trabalhar para a eleição de um novo presidente da Câmara de reputação ilibada. Alguém capaz de entender a grandeza do cargo, sem se curvar a interesses convenientes e mesquinhos. Nesta empreitada, não lhes faltarão apoio nas ruas. Para o dia 19, já está prevista uma mobilização no Largo da Batata em São Paulo. Pode ser o embrião de uma nova mega manifestação. Contra estes, não há acordão que resista.
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