Uma característica preocupa neste nosso novo presidente. Uma
não, várias. Mas esta em especial frequentemente ganha as páginas dos
principais jornais do País e até do mundo.
Passados 120 dias desde que assumiu o cargo máximo de nossa
política, Bolsonaro demonstra uma curiosa fixação. Algo que ele expressa em
afirmações, tuítes, galhofas, discursos, entrevistas, declarações, enfim. Não
importa a situação, ele sempre dá um jeitinho de enfiar (ironia não
intencional) o órgão sexual masculino no meio da conversa.
Já notou?
Senão explicitamente, ao menos uma sugestão genérica
qualquer à sexualidade.
Nunca, em toda história do País, um presidente se preocupou
tanto com o uso do dito cujo de seus cidadãos. Para o chefe do Executivo
federal, é importante monitorar seus empregos e intenções de maneira a que não
se cometa nenhum desvio, dentro dos rígidos critérios do mandatário.
Como um misto de guarda-costas e porta-voz do apêndice,
durante a campanha ele criticava abertamente as minorias LGBT. Ainda que a
sigla seja muito ampla, em campanha vale tudo.
Ingenuamente, imaginei que depois de eleito ele iria se
preocupar com assuntos menos íntimos, como economia, educação, saúde, em vez de
insistir em palpitar nos prazeres alheios.
Não foi o que aconteceu.
Desde que se elegeu, o presidente tem repetidamente lidado
com a questão sexual, afunilando suas preocupações mais especificamente com o
membro — o que confere uma dose extra de constrangimento às suas declarações.
Os comentários vão do grave ao anedótico. Mas estão sempre
lá.
Recentemente, num café da manhã com a imprensa, o presidente
afirmou que “se [o turista] quiser vir fazer sexo com mulher, fique à vontade.”
A frase, compreendida por muitos como um incentivo ao turismo sexual, traz
implícito o uso correto, na opinião do presidente, do apenso em questão.
É a fixação do mandatário rompendo fronteiras!
Não satisfeito em monitorar o uso do órgão sexual masculino
dos brasileiros, agora sua preocupação ganhou o mundo. Nada de vir aqui fazer
sexo com homem porque “o Brasil não pode ser país do mundo gay”.
Em sua solitária cruzada, o presidente chega a se portar
como uma criança que se diverte ao falar o que não deve. Sua claque,
evidentemente, reage tal como seus colegas de escolinha.
– Nossa! O Pedrinho falou pinto!!
E toca manchete por aí.
Assuntos relevantes ficam revestidos dessa ironia primária,
porque não importa se a frase é preconceituosa ou apenas deslocada. O
presidente sempre sorri. O assunto a ele diverte e diverge a atenção.
Foi o caso de sua visita ao ministro recém-empossado da
Educação, Abraham Weintraub. O ministro disse que acha normal filmar os
professores em salas de aula e que almeja tirar filosofia e sociologia dos
currículos, entre outras mudanças. São iniciativas que deveriam ser debatidas
seriamente com especialistas.
E o que o presidente tem a dizer?
– Certos homens ao ir para o banheiro, eles só ocupavam o
banheiro para fazer o número 1 no reservado… Um dado alarmante: mil amputações
de pênis por ano no Brasil por falta de água e sabão.
Ele tem razão. O dado é verdadeiro.
Como o golden shower do carnaval também foi um real
flagrante de atentado ao pudor. Mas para Bolsonaro não há consequência aparente
alguma. O que vale é a oportunidade para tratar de seu assunto preferido.
E já que é assim, fica aqui meu apelo. Presidente, passados
três meses, já é hora de focar em outros assuntos, digamos cabeludos. Estou
certo que axilas renderão ótimas piadas.

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