Sergio Moro saiu de férias, mas não saiu de cena. Diante de
um novo lote de vazamentos, o ministro imitou o chefe e foi ao Twitter. Mais
uma vez, ignorou a mensagem e atacou o mensageiro. “Sou grande defensor da
liberdade de imprensa, mas essa campanha contra a Lava-Jato e a favor da
corrupção está beirando o ridículo”, escreveu.
O ex-juiz cometeu duas impropriedades na mesma frase. Na
primeira, indicou que a sua fé na liberdade de imprensa não é tão
desinteressada assim. Quando a notícia não o favorece, o jornalismo deixa de
merecer sua defesa.
Na segunda, Moro tentou desqualificar as reportagens como
uma “campanha contra a Lava-Jato e a favor da corrupção”. É um argumento
duplamente falso. A operação não se limita à figura do juiz, e apontar excessos
em investigações não significa defender a impunidade dos investigados.
Desde que os diálogos começaram a vir à tona, o ministro já
adotou ao menos três estratégias diferentes. Inicialmente, disse que o único
“fato grave” seria a invasão dos celulares de procuradores. O discurso só
convence quem não quer ler o conteúdo dos chats.
Em seguida, Moro passou a sugerir que as mensagens seriam
falsas ou adulteradas. A conversa caiu por terra quando ele se desculpou por
ter chamado os os militantes do MBL de “tontos”, em bate-papo com o procurador
Deltan Dallagnol.
Agora o ex-juiz tenta vender uma tese conspiratória. A se
acreditar no tuíte de ontem, imprensa e oposição teriam se associado num complô
contra a Lava-Jato. É um discurso enganoso, semelhante ao de políticos que ele
condenou.
Retratado em atos governistas como um Super-Homem, Moro
parece ter se convencido de que está acima dos mortais. Do alto de seu
pedestal, ele não teria que se submeter a cobranças e questionamentos como
qualquer agente público.
Quem ousar criticá-lo deve ser queimado na fogueira dos hereges.
Quem ousar criticá-lo deve ser queimado na fogueira dos hereges.
A favor do ex-juiz, diga-se que ele não está sozinho. Ontem
Jair Bolsonaro adotou o mesmo tom ao defender a indicação de seu filho Eduardo para
o cargo de embaixador do Brasil em Washington. “Se está sendo criticado pela
mídia, é sinal de que é a pessoa adequada”, afirmou.
Quando faltam argumentos, o presidente e o ministro atacam
os culpados de sempre.

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