Jair Bolsonaro lançou uma nova bravata para agitar seus
radicais de estimação. Em visita ao Tocantins, ele prometeu punir com castigos
físicos o ministro que se envolver com escândalos de corrupção. “Se aparecer,
boto no pau de arara”, afirmou.
O pau de arara é um instrumento de tortura que usa uma barra
de ferro para imobilizar o prisioneiro. Pendurado de cabeça para baixo, ele
fica exposto a outros maus-tratos, como choques elétricos e afogamentos.
A Constituição proíbe a tortura, mas o presidente não se
importa em banalizá-la em falas oficiais. É o que ele faz desde o tempo de
deputado, quando exaltava a ditadura e pregava o fuzilamento de adversários.
O discurso de Palmas foi surpreendente por outra razão. Ao
ameaçar os próprios ministros, Bolsonaro se expôs ao risco de frustrar os
seguidores mais fiéis. Ao menos quatro figurões da Esplanada estão sob
suspeita. Para não falar do primeiro-filho, que voltou a ser investigado no
caso das rachadinhas.
O ministro do Turismo, Marcelo Álvaro Antônio, é o mais
encrencado. Foi denunciado pelo Ministério Público em outubro, acusado de
chefiar um esquema de candidaturas laranjas em Minas Gerais.
O ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, já foi condenado
numa ação de improbidade administrativa. O chefe da Casa Civil, Onyx Lorenzoni,
admitiu ter recebido dinheiro de caixa dois. O secretário da Cultura, Roberto
Alvim, é investigado por dispensa ilegal de licitação. Ele tentou contratar a
própria mulher para comandar um projeto de R$ 3,5 milhões.
No discurso de ontem, Bolsonaro apelou a outras armas do
populismo pau de arara. Ele disse que “a mentira está na alma do político”,
como se não fosse um profissional do ramo desde 1988. Depois pregou o trinômio
“Deus, pátria, família”, lema de regimes autoritários desde a ditadura de
Salazar.
Em busca de aplausos fáceis, o presidente atacou a
“indústria da multa” e disse que os radares de velocidade “não servem para
nada”. Desde que ele mandou desligar os equipamentos, os acidentes graves
voltaram a se multiplicar nas rodovias federais.

Nenhum comentário:
Postar um comentário