Em 2013, o grileiro Rodrigo Santos foi multado por devastar
uma área protegida no Acre. Furioso, ameaçou o fiscal que havia aplicado a
punição: “Cadeia, a gente entra e a gente sai. Caixão não. Só tem entrada, não
tem saída”.
No ano seguinte, ele mudou de estratégia e tentou entrar na
política para blindar suas atividades ilegais. “Se o governo quer me expulsar,
eu me torno governo para ver se eles me expulsam”, afirmou Santos. Ele
concorreu a deputado estadual. Recebeu 594 votos e não foi eleito.
O grileiro fracassou nas urnas, mas parece ter encontrado um
caminho para o poder. O repórter Fabiano Maisonnave conta que Santos integrava
um grupo de infratores ambientais que foi ao gabinete do ministro Ricardo
Salles, em novembro, para reclamar da fiscalização na reserva extrativista
Chico Mendes.
Um dos participantes relatou à Folha que, no encontro, o
chefe do instituto de conservação anunciou a suspensão de operações naquela
área “devido ao abuso de autoridade” dos agentes do órgão.
O governo Jair Bolsonaro insiste que há excessos no controle
ambiental no país. Em vez de discutir mudanças e analisar casos específicos,
oferece uma proteção generosa a quem se beneficia de ações que ferem
abertamente as regras de preservação das matas e florestas.
Só neste ano, o desmatamento naquela área cresceu mais de
200%. Produtores negociam terras ilegalmente e praticam atividades econômicas
incompatíveis com a reserva.
O time do lobby que foi ao gabinete de Salles incluía um
ex-procurador-geral do Acre denunciado por devastação ilegal de um pedaço de
terra para abrir uma estrada. Outra integrante da equipe cria gado numa região
que deveria atender apenas aos seringueiros.
O grupo foi ciceroneado por parlamentares do estado que
elaboram um projeto de lei para legalizar as áreas ocupadas irregularmente pela
pecuária. O texto favorece perfeitamente grileiros como Santos. Ele finalmente
se tornou governo.

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