Presidentes do Mercosul pedem mais democracia, e
Bolsonaro faz piada sobre golpe
Presidentes do Mercosul pedem mais democracia, e Bolsonaro faz piada sobre golpe
Presidentes do Mercosul pedem mais democracia, e Bolsonaro faz piada sobre golpe
Ante uma América Latina em efervescência nas ruas e com
Chile e Bolívia sacudidos por protesto e crise, os presidentes do Mercosul
decidiram enfatizar a defesa da democracia no comunicado conjunto que encerrou
a cúpula do bloco em Bento Gonçalves, no Rio Grande do Sul, nesta quinta-feira.
Num grupo que vive sua própria turbulência interna, com as divergências
ideológicas entre o futuro Governo esquerdista argentino e o ultradireitista
Jair Bolsonaro, coube à vice-presidenta uruguaia, a centro-esquerdista Lucía
Topolansky, fazer o discurso mais enfático. “O Mercosul não é um paraíso nem
uma ilha da fantasia e esta reunião se realiza em um contexto regional
particularmente preocupante. Já não se trata de um único país com crise
institucional, política e econômica e social. São vários os países da região
sacudidos por protestos sociais, crises políticas, conflitos institucionais e
até golpes de Estado”, disse a também mulher de José Mujica, que representou o
Uruguai no encontro porque o mandatário Tabaré Vázquez está doente.
O chamado de Topolansky, que ao contrário dos colegas chamou
de golpe a queda de Evo Morales na Bolívia, marcou uma cúpula sui generis, de
despedida. Na próxima reunião dos presidentes do Mercosul, metade de seus
representantes será diferente. Sairão o direitista Maurcio Macri e o
esquerdista Vázquez, para a chegada de seus opositores Alberto Fernandez e Luis
Lacalle Pou, respectivamente. No discurso, a vice-presidenta do Uruguai
ressaltou a troca de comando no seu país e tentou enviar uma mensagem
conciliatória em direção ao futuro, cobrando a necessidade de intensificar o
diálogo entre os que pensam diferente.
Publicamente, os discursos de seus colegas foi na mesma
direção. Bolsonaro afirmou que “a defesa de democracia também é um pilar essencial
ao Mercosul”. Já Macri, que entrega o cargo a Fernández na terça-feira que vem,
destacou que seu país tem “compromisso com a democracia, com a liberdade e com
os direitos humanos”. Enquanto o paraguaio Mario Abdo Benítez Benítez, que
quase sofreu um impeachment neste ano por causa de uma crise envolvendo o
Brasil e a hidrelétrica binacional de Itaipu, cobrou maior participação
popular. “Temos o grande compromisso de revigorar nossas democracias. Melhorar
nossa democracia com mais democracia e não com anarquia”. Ao lado deles,
representantes de Chile e Bolívia, países associados ao bloco. A Venezuela,
submersa na crise e na deriva autoritária de Nicolás Maduro, está suspensa do
Mercosul.
Já fora dos holofotes oficiais, coube a Jair Bolsonaro fazer
uma brincadeira fora de tom, após transmitir o cargo de presidente pro-tempore
do bloco ao colega paraguaio. Num momento em que países da região enfrentam
convulsões sociais e quando integrantes de seu Governo e aliados mencionam atos
da ditadura como o AI-5, o brasileiro disse: “Quero continuar presidente, não
dá pra dar um golpe, não? Tudo quando eles perdem dizem que é golpe. É
impressionante, né?”, e entregou o martelo que simboliza a presidência do bloco
ao colega paraguaio. Benítez sorriu.
Cobrança de Bolsonaro e futuro
O encontro também foi marcado pela insistência do Brasil na agenda de liberalização do comércio e da queda de tarifas, uma bandeira que terá de ser negociada com o argentino Alberto Fenández, que já explicitou suas ressalvas ao acordo do Mercosul com a União Europeia, ainda pendente de ratificação. Ao longo do ano, Bolsonaro e Macri tentaram reduzir ou revisar a tarifa externa comum, que trata de impostos para a comercialização de produtos de fora do bloco, mas não tiveram êxito. Nesta quinta-feira, ambos usaram o encontro da despedida para ressaltar a importância de retomar esse tema nas próximas negociações. “A taxação excessiva à competitividade é prejudicial a quem produz. O Brasil confia na abertura comercial como ferramenta de desenvolvimento, e insiste na necessidade de reduzir ou revisar a TEC”, disse o brasileiro.
O encontro também foi marcado pela insistência do Brasil na agenda de liberalização do comércio e da queda de tarifas, uma bandeira que terá de ser negociada com o argentino Alberto Fenández, que já explicitou suas ressalvas ao acordo do Mercosul com a União Europeia, ainda pendente de ratificação. Ao longo do ano, Bolsonaro e Macri tentaram reduzir ou revisar a tarifa externa comum, que trata de impostos para a comercialização de produtos de fora do bloco, mas não tiveram êxito. Nesta quinta-feira, ambos usaram o encontro da despedida para ressaltar a importância de retomar esse tema nas próximas negociações. “A taxação excessiva à competitividade é prejudicial a quem produz. O Brasil confia na abertura comercial como ferramenta de desenvolvimento, e insiste na necessidade de reduzir ou revisar a TEC”, disse o brasileiro.
Os quatro representantes do Mercosul assinaram oito acordos
que tratam da facilitação do comércio, de cooperação policial, da possibilidade
de uso de serviços públicos por moradores de cidades fronteiriças e sobre o
reconhecimento de assinaturas digitais nos tratados comerciais. Na ocasião,
ainda concordaram em aumentar de 500 para 1.000 dólares o limite de isenção de
bagagem acompanhada em viagens aéreas e marítimas.

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