Parlamentares de influência na Esplanada consideram favas
contadas alterações no gabinete ministerial de Jair Bolsonaro em janeiro.
Apesar das negativas palacianas, a expectativa é que o presidente promova uma
minirreforma, revendo a posição de três ou quatro peças do primeiro escalão da
República até o início do próximo ano legislativo.
O espaço ocupado pelo DEM no ministério (três pastas de
peso) não condiz com o volátil apoio parlamentar outorgado ao governo em
votações importantes no Congresso. O incômodo não é de agora, mas recente
movimentação de caciques da legenda na direção de presidenciáveis rivais
irritaram Bolsonaro. Por esse motivo, tornou-se alvo preferencial na relação
das mudanças o ministro demista Onyx Lorenzoni (Casa Civil), espécime ilustre
no serpentário presidencial.
Abraham Weintraub é outro a pegar o beco. O titular da
Educação goza de simpatia de Bolsonaro e filhos por sua fidelidade ideológica
canina, mas empilha incompetência, verborragia, ativismo virtual agressivo,
tretas mil e zero de resultados na gestão. Pressões pela troca crescem em
progressão geométrica, e Weintraub se enfraquece em parceria com o padrinho
–foi pelas mãos de Onyx que chegou ao ministério.
O ministro Bento Albuquerque (Minas e Energia) também
aparece entre os alvos da reforminha, assim como todo o segundo escalão da
pasta. Parlamentares reclamam da falta de interlocução com o ministro; a equipe
econômica já se indispôs com o militar sobre a abertura do mercado de gás; e o
time palaciano está descontente com a demora de Bento na solução de temas caros
ao presidente (garimpos).
As prováveis trocas não atingem, porém, o núcleo enrolado do
governo. Marcelo Álvaro Antônio (Turismo), denunciado pelo Ministério Público
no escândalo das candidatas-laranjas do PSL, e Ricardo Salles, investigado por
enriquecimento ilícito na gestão de Geraldo Alckmin em São Paulo, seguem intocados.
Por ora, distantes do pau de arara.

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