Quando o governo decidiu lançar uma campanha para
impulsionar o comércio no Sete de Setembro, alguns empresários pegaram carona
na patriotada. Queriam aproveitar a propaganda oficial e, de quebra, ficar bem
na fita com o Planalto. Agora, uma parte dessa turma enxerga uma nova oportunidade.
Investidores e donos de cadeias de varejo indicaram que
pretendem colocar dinheiro na distribuição de mensagens contra o Congresso e na
organização de protestos contra os parlamentares, a favor de Jair Bolsonaro.
Muitos deles, é claro, estão pensando nos próprios cofres.
O chefe de uma rede de academias sugeriu bancar a divulgação
de vídeos com ataques ao presidente da Câmara, um dos principais alvos das
manifestações de 15 de março. A colunista Mônica Bergamo contou que Edgard
Corona enviou a ideia a um grupo de empresários governistas.
As gravações não fazem uma convocação direta para os
protestos, mas os homens de negócios parecem dispostos a pegar carona no mau
humor com o Parlamento estimulado pelos bolsonaristas. O grupo quer, na
verdade, travar a reforma tributária em discussão na Câmara.
Os empresários desse grupo defendem o corte de impostos
sobre a folha de pagamentos e sua substituição por um tributo semelhante à CPMF
—algo que Maia descarta. “Parte da elite empresarial quer que o povo pague a
conta da redução do custo de contratação de mão de obra. É uma tese
inacreditável. O povo paga a conta para desonerar a folha”, respondeu Maia à
coluna.
Em geral, donos do dinheiro gostam de agradar os donos do
poder. O presidente da Fiesp, Paulo Skaf, chegou a ver o financiamento de suas
entidades ameaçadas pela faca de Paulo Guedes. Depois, encampou a criação do
novo partido de Bolsonaro.
Outros movimentos são mais abertos. Um investidor, por
exemplo, prometeu custear carros de som para os protestos contra o Congresso e
o STF, conforme mostrou a jornalista Vera Magalhães. Negócios, negócios,
democracia à parte.

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