A formação, em poucos dias, de um superbloco parlamentar que
reúne cerca de 70% da Câmara, com 351 deputados de 13 diferentes partidos –
DEM, PL, PP, MDB, PSDB, PTB, PROS, PSC, PSD, Patriota, Republicanos,
Solidariedade e Avante, – é prova de que, quando querem, os deputados se
articulam entre si, mesmo sem o impulso dos líderes do governo.
Até o PSL, que já foi do presidente Bolsonaro, mas ainda é
liderado por seu filho senador Flavio, entrou nesse balaio inicialmente. Alertado
de que aderir ao blocão era a admitir que os vetos do presidente sobre o
Orçamento seriam derrubados, Flavio deu uma marcha-ré tentando retirar
assinaturas de seu próprio partido.
A criação do bloco pluripartidário, e se o Corintianos
tivesse sido aprovado pelo Tribunal Superior Eleitoral também lá estaria,
indica que a maioria da Câmara prepara-se para repartir o bolo, calculado em R$
30 bilhões, que resultará da eventual derrubada do veto presidencial.
Mas significa, sobretudo, que a Câmara atua autonomamente
neste momento, com uma maioria clara de centro-direita que poderia ser
aproveitada pelo governo para estimular a aprovação das várias reformas que
estão paradas por dubiedade do presidente Bolsonaro em relação a elas.
O fato é que essa maioria esmagadora resolveu se unir, num
primeiro momento, para montar a Comissão Mista Orçamentária que vai tratar
dessa verba bilionária que está prestes a cair no colo do Congresso.
Paradoxalmente, esses movimentos a favor da derrubada dos vetos encontram
resistência no Senado, onde crescem as críticas aos deputados.
Além dos partidos de esquerda, o Podemos e o Novo também
estão contra as manobras para tirar do Executivo mais poderes para usar o
Orçamento da União. São representantes do conservadorismo que não comungam com
o governo Bolsonaro, mas também não estão dispostos a prejudicá-lo com o que
consideram manobras políticas ilegítimas.
O Podemos, comandado pelo senador Álvaro Dias, tem como
objeto de desejo a filiação do ministro da Justiça Sérgio Moro para concorrer à
presidência da República, mas não quer criar atritos entre ele e Bolsonaro no
momento.
O Novo tenta impor uma conduta ética às negociações
políticas, e não vê senão interesses escusos nessa manobra do Centrão inflado
por partidos que correm em faixa própria, como o DEM e o PSDB. Esses dois
partidos, e mais o PSD que também está nesse blocão, pensam em formar outra
aliança, essa com objetivo político mais amplo, o de lançar um candidato viável
à presidência da República.
O presidente da Câmara, Rodrigo Maia, considera que o
Centrão é o garantidor do equilíbrio na Câmara, e mesmo que não esteja em seus
planos aderir a esse grupo político, prestigia-os. Com a posição do presidente
Bolsonaro de afastar-se o mais possível do relacionamento partidário para
fortalecer a imagem de que é um antipolítico, a corrida presidencial vai sendo
organizada em vários patamares.
Entre os partidos, em busca de um candidato de centro, seja
à esquerda ou à direita, que possa enfrentar os extremos Bolsonaro e PT. Esse
grupo tem no apresentador de televisão Luciano Huck, que se filiaria ao
Cidadania de Roberto Freire, a melhor aposta, mas não descarta até mesmo apoiar
Ciro Gomes.
Dificilmente o PSDB de Doria, ele mesmo candidato potencial
à presidência, apoiaria Ciro, nem o Cidadania abriria mão de Huck, o que pode
indicar uma divisão das forças centristas que repetiria 2018.
O presidente Bolsonaro pretende continuar indo às ruas, seja
através das mídias sociais, seja em convocações como a que se planeja para o
dia 15 de março. Aposta que seu futuro novo partido, o Aliança pelo Brasil, com
sua popularidade em alta, receberá uma avalanche de apoios entre os
parlamentares pelo Brasil.
Como temos o que os especialistas chamam de um “pluripartidarismo
exacerbado” – são 35 partidos existentes, sendo que 27 atuando no Congresso -,
nenhuma maioria governamental poderá ser formada sem que reflita esse
exacerbamento, e para isso é preciso uma habilidade negociadora que falta ao
governo, por incompetência ou desinteresse.

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