O espírito de baixo clero da política que encarnou por anos
a vida pública do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP), persiste após
um ano de sua eleição para dirigir a Casa dos senadores.
Se Jair Bolsonaro não se comporta à altura do cargo que
ocupa, o que dizer de Alcolumbre? Sua cadeira representa também a presidência
do Congresso. O senador amapaense comanda um dos três Poderes.
Não se ouviu até agora um pio de Alcolumbre sobre o apoio de
Bolsonaro aos protestos do dia 15 de março contra o Parlamento. Um silêncio que
se agrava quando integrantes do próprio Legislativo atuam pelo ato contra
deputados e senadores.
Um deles é a senadora Soraya Thronicke (PSL-MS). “Eu estou
nos bastidores e posso dizer com propriedade: não duvidem do general Heleno”,
disse. O que Alcolumbre acha da colega que turbina a ameaça do chefe do GSI ao
Congresso?
Nos bastidores, senadores dizem que o presidente do Senado
está mais preocupado em eleger o irmão para a Prefeitura de Macapá, em outubro,
do que com os assuntos de Brasília.
É fato que se esperava uma reação mais firme de Rodrigo Maia
(DEM-RJ) ao episódio do vídeo compartilhado por Bolsonaro. O mesmo vale para o
presidente do STF, Dias Toffoli.
Ambos divulgaram notas oficiais frias, burocráticas, como se
estivessem cumprindo uma obrigação política de se manifestar (quase pedindo
desculpas ao presidente da República). Mas ao menos eles fizeram o papel
institucional de reagir a mais um descalabro do Planalto.
Alcolumbre não surpreende. Ao falar sobre os insultos de
Bolsonaro à jornalista Patrícia Campos Mello, da Folha, afirmou que eram
“página virada”. A declaração foi seguida por frases anódinas, sem repudiar em
nenhum momento o comportamento espúrio do chefe da República.
Além do Amapá, a prioridade de Alcolumbre tem sido operar
uma manobra casuística na Constituição para permitir sua reeleição à
presidência do Senado em 2021. Ele parece não estar nem aí para o resto.
*Diretor da Sucursal de Brasília.

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